(A partir de foto de Cleber Mendes/Lance)
Sobre o empate de ontem eu ia escrever que o Botafogo deve mais uma ao Jefferson, em primeiro lugar, e ao Seedorf, em segundo. Isso porque a possibilidade de um empate começou muito antes da entrada do nosso craque ‘norte-sulamericano’, quando o outro craque já havia feito duas espetaculares defesas consecutivas, e isso quando já houvera “operado” uma saída decisiva, também. Revi na edição, pois, se em uma partida o que vale é a soma dos 90 minutos, em um time o que importa é a soma dos esforços. (Mas isso é retórica para evitar o banho de água fria que seria não colocar a jogada do gol de empate na primeira página de segunda-feira).
O gol, além do empate, garantiu ao Botafogo mais uma participação em momentos de futebol de alto nível e reforça a ideia de que o Seedorf ainda tem muito para jogar. Não vou descrever o que foi visto (redundância do c*), mas não custa lembrar que a sequência de lances que culminaram no gol começou com uma cobrança de falta do holandês, que levou ao escanteio.
Destaco no lance a participação do Lodeiro, que simples e inteligentemente – como de costume – devolveu a bola de primeira para o passe final, e sem ‘penteadinhas’, ‘reboladinhas’, ‘lacinhos de fita’. Ou seja, pensamento rápido e lúcido somado a comportamento austero.
O gol foi uma pintura de várias assinaturas, pois a penetração e o chute cruzado do Vitinho criaram o primeiro baque no adversário e o arremate do Bolívar (sempre ele?!) foi preciso.
Ao contrário da maioria que viu superioridade no futebol do Botafogo, entendo que o maior tempo de posse de bola do lado de cá não esconde a falta de efetividade do ataque, que continua sem articulações envolventes, eternamente baseado no ‘chuveirinho’,
esteja a bola onde estiver. (Que ficasse o El Loco, então!).
A equipe sob Oswaldo de Oliveira é previsível e monótona, mesmo que transpareça ser dinâmica. Porque as movimentações são desarticuladas e pouco objetivas, em suma, inofensivas – as participações apagadas de Bruno Mendes neste domingo e de Henrique, na partida anterior, são um reflexo dessa carência, que é crônica.
A não escalação de um atacante ou meia veloz é muito sentida pelo time. Marcio Azevedo e/ou/com Lodeiro fizeram o primeiro estágio das transições, mas falta parceria para que a bola chegue no ponto de arremate.
Gilberto pouco fez, porque tudo indica que não existem jogadas de flanco criadas e exercitadas durante os treinamentos.
Inexplicavelmente Jadson foi o escolhido para a entrada do Seedorf, quando tínhamos em campo Andrezinho e Fellype Gabriel, que deixam o time lento e são frágeis nas finalizações e na marcação.
A entrada de Vitinho adicionou o vigor, a velocidade e o elã que Andrezinho jamais terá. Vitinho pode não ser craque e obviamente não posso saber o destino que terá no "mundo do 'futebol profissional'". Mas Vitinho é abusado, tenta a jogada inesperada, é aguerrido. Ou seja, Vitinho tem a cara do Botafogo histórico.
O jogo de ontem deu a impressão de que o Botafogo jogou melhor do que no meio da semana. Mas será que o que levou à essa impressão não foram o ótimo estado do gramado, o nível técnico da equipe adversária e, principalmente, a presença do Seedorf?
Bem, o empate me serviu para definir e defender a escalação de uma equipe titular, coisa que acredito nunca ter feito aqui no blog. Segue: Jefferson; Gilberto, Bolívar, Dória e Marcio Azevedo; Gabriel, Jadson, Seedorf e Lodeiro; Vitinho e Bruno Mendes.
Saudações botafoguenses!
[Link para os melhores momentos: Botafogo 1 x 1 Fluminense]