sábado, 8 de setembro de 2012

Cruzeiro 1 x 3 Botafogo - A força que vem da base

(Foto: Gabriel Castro/Observatório do Esporte)

Foi terminar o jogo contra o Cruzeiro e um sujeito logo me perguntou se tinha algum botafoguense no mundo que esperasse por aquela vitória. Eu respondi que isso poderia valer para qualquer um, com exceção de mim e do Biriba.

Por aqui vemos o futebol, e em especial o Botafogo, por um prisma que não é o do senso comum. Por exemplo: não compactuamos com a ideia da diretoria e do fraquíssimo treinador – ideia esta alardeada pela imprensa com estranha preocupação e patética consonância – de que os tais oito desfalques (Jefferson, Antonio Carlos, Renato, Amaral, Lucas Zen, Marcelo Mattos, Lodeiro e Rafael Marques) eram um grande problema. Na verdade, o que eles chamam de ‘desfalques’ para nós eram reforços – se não a solução – em pelo menos quatro casos.

Nós aqui do blog só lamentamos mesmo as ausências do Lodeiro e do Jefferson. Quanto a Antonio Carlos, Amaral e Renato, foi motivo de imensa alegria saber que não jogariam. E essa alegria se somou à certeza de que teríamos um time no mínimo competitivo, quando soubemos que essas três nulidades seriam substituídas por Dória, Jadson e Gabriel. (Marcelo Mattos e Lucas Zen não são titulares dos sonhos, porém não são nulidades, longe disso).

No final das contas o jogo serviu para confirmar nossa certeza e o resultado ampliou a alegria.

Sobre o jogo e o Seedorf, bastam os fatos como comentário. Quanto à substituição de um centro-avante por um zagueiro, nem a vitória espetacular esconde a má intenção e os interesses escusos da diretoria, aplicados tacitamente pelo arremedo de treinador.

O péssimo Oswaldo Oliveira se escorou em um placar relativamente seguro para tirar de William a possibilidade de se mostrar como boa opção de ataque, coisa que incomodaria os planos desonestos de um treinador que nos ‘presenteou’ com Rafael Marques e de uma diretoria e empresários sanguessugas que insistem na forjadura de Elkeson como homem-gol.

Quanto aos três da base que iniciaram a partida, jogaram o fino da bola.

(Foto: Pedro Vilela/Dom Total)

Jadson confirmou sua versatilidade, premiada com o belo gol. Sua velocidade e competência na marcação, sua garra e determinação se somaram a essas mesmas características que o jovem Gabriel também possui. Ambos sabem tanto destruir quanto construir e são a melhor opção que temos no elenco para o setor de proteção à zaga e saída de bola.

(Foto: Mauro Pimentel/Terra)

Gabriel possui um senso de colocação incomum, tem personalidade forte e espírito competitivo notável. Também se destaca pela frieza e inteligência com que reage a provocações – e não foi ontem a primeira vez que provou isso –, qualidades que Jadson não possui, pois é impulsivo e adora dar uma ‘beliscada’ aqui e ali: são complementares.

(Foto: Pedro Vilela/Dom Total)

Já o Dória, muito menos testado que os outros dois, foi a melhor surpresa do trio. Arrisco dizer que tem tudo para ser um zagueiro de alto nível. Possui explosão e velocidade, se coloca bem, é técnico – abrindo mão das firulas ridículas de Antonio Carlos – e seu passe parece ser muito bom, inclusive o de longa distância

Enfim, existiam botafoguenses que acreditavam na vitória (mesmo que forçada a ser ‘de virada’ pelo sempre ‘perigoso’ Fabio Ferreira, que deu condição de jogo ao jogador adversário, quase ao mesmo tempo que deixou de cortar o lançamento que originou o gol do Cruzeiro). Porque por aqui acreditamos que esses da base são superiores tecnicamente que os ditos titulares, estão em melhores condições físicas e, principalmente, ‘vestem a camisa’ da forma que o torcedor espera e que o clube merece. O jogo e a vitória só vieram a confirmar ostensivamente o que acreditávamos em teoria.

Com Brinner e Dória na zaga, Gabriel e Jadson na proteção e saída de bola, só falta o Jeferson se juntar a Fellype Gabriel/Lodeiro e Seedorf na armação e último passe para termos um time competitivo, mesmo com a invencionice descabida de Elkeson no comando de ataque.

Nota 1: É lamentável que Fellype Gabriel tenha um problema crônico no joelho e Vitor Jr seja um boêmio inveterado.

Nota 0: Mais lamentável ainda é saber que o Botafogo esteja entregue a uma cadeia de comando que possui Mauricio Assumpção, Anderson Barros e Oswaldo Oliveira nos patamares superiores.

Nota 0.2: Lamento dizer que quando Antonio Carlos, Renato e Amaral tiverem condições de jogo, os três excelentes jogadores, formados na base do Botafogo, darão lugar ao disparate.

Nota 10: É ótimo assistir à exposição da prova de que o elenco do Botafogo tem recursos, apesar de sabermos que este potencial será constrangido pelo que está descrito na “Nota 0”.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Cruzeiro 1 x 3 Botafogo]

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Fico no Fogo Eterno, Oswaldo vai pro Inferno

Se a intenção da atual diretoria do Botafogo era afastar nossa torcida deste time medonho, mal montado, mal treinado, mal preparado, mal escalado, apático e pouco inspirado, com certeza tiveram enorme êxito. Mas, por se tratar de uma diretoria formada por gente que entrará para a história do futebol como perdedores em tudo, nenhuma surpresa aí, pois a tragédia é o sucesso dos incompetentes convictos.

Na base do 'copiar/colar', segue um texto do Marcelo Pereira, editor do excelente blog Fogo Eterno. Traduz perfeitamente o que pensamos por aqui.

Portuguesa 1 x 1 Botafogo: OK, você venceu

Ok, Oswaldo, você venceu.

Ao barrar o Seedorf e deixar o holandês assistindo no banco a uma pelada no Canindé, você conseguiu tirar o meu último motivo concreto para torcer por um time tão desorganizado, inoperante, inofensivo, irritante.

Agora que não tenho mais nem a garantia que o holandês vai jogar, a minha motivação para assistir a um jogo desse Botafogo que você armou é praticamente nula. Vai ainda na base da camisa, da tradição, do retrato na parede, na esperança tênue de reviver uma mística que há muito não nos visita, que os deuses venham a nos revisitar. Eu esperava, enfim, que, com a chegada do mais importante reforço dos últimos anos, pudesse assistir à seedorfização do Botafogo.

Não, o que tenho visto é a banalização do Seedorf, a mediocrização da mais bela das camisas do futebol brasileiro, o apequenamento de um time glorioso.

Chega.

Só uma pergunta final, Oswaldo: Nesse domingo, no Canindé, não havia pressão da torcida. Por que você não entrou em campo com o atacante que você indicou?

Pobre Rafael Marques, o único cara que deveria confiar nele demonstrou que também não confia nele.

Pobre de nós.

Pobre Botafogo.

[Postagem original: http://fogoeterno.wordpress.com/2012/08/12/portuguesa-1-x-1-botafogo-ok-voce-venceu/]

Saudações botafoguenses!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Oswaldo, "O Gênio"

Oswaldo de Oliveira reinventa o futebol com esquema tático revolucionário.

O Botafogo jogará a próxima partida com um novíssimo esquema bolado pelo genial Oswaldo de Oliveira: o 5-5x0. A escalação será a seguinte: Jefferson; Gabriel, Zero, Zero e Márcio Azevedo; Jadson, Zero, Fellype Gabriel, Zero e Seedorf; Zero (isolado no ataque).


- Tá sabendo que o novo esquema do Oswaldo de Oliveira é o 5-5x0?
- Pirou de vez, Biriba? Esse esquema não existe.
- Não existia, porque é coisa que o Oswaldo inventou especialmente pro Botafogo.
- Mas como é que funciona?
- É simples: você escala cinco jogadores pra jogar com cinco nulidades e pronto!
- Ah, tá...

Saudações botafoguenses!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O losango do quadrado

(A partir de foto de Satiro Sodré/Agif)

O site Globoesporte noticia: “Oswaldo de Oliveira faz mudança radical no Bota (...)”. A tal mudança consiste na entrada de um atacante de ofício no lugar de um meia-atacante, trocando Vitor Júnior por Rafael Marques.

Era de se esperar que Rafael Marques fosse posicionado como figura central, trabalhando como pivô e ‘homem de referência’ no centro da área, pela pouca mobilidade que apresentou em cerca de 30 minutos que jogou até o momento, e também pela estatura. Mas não foi isso que se viu – e deduz-se que não será visto –, pois o esbelto jogador esteve rondando as laterais do campo, deixando Elkeson no esforço inútil por se tornar um homem de área. (Essa história do Elkeson como homem de área está muito mal contada, me parecendo coisa de empresário querendo fazer gato passar por lebre).

Seja como for, o problema do Botafogo não começa no ataque. O mal se inicia lá na defesa, com uma dupla de zaga formada por dois péssimos jogadores que, além de suas limitações técnicas, físicas, atléticas e intelectuais, são muito mal protegidos por volantes lentos, sem explosão e com péssima leitura de jogo. Sobre tudo isso recai o maior dos males, que é um sistema tático defensivo ineficaz e inconsistente.

Entre essas duas regiões problemáticas, o meio de campo do Botafogo apresenta um futebol esquemático, burocrático e previsível, onde poucas vezes se vê ações de ataque conjuntas, em que as movimentações apresentem algum resquício de bom treinamento e ensaio. As jogadas de perigo se dão por conta do acaso, de chuveirinhos na área ou através de jogadas individuais isoladas. Tanto é que os destaques até então foram justamente jogadores com aptidão ao enfrentamento no mano a mano, a exemplo de Marcio Azevedo e Vitor Júnior.

Agora o treinador fala de “losango”. Não adianta mencionar figuras geométricas e continuar a trocar jogadores como se trocam figurinhas. Porque a mente que equaciona tais abstrações está dentro da cabeça de Oswaldo de Oliveira, onde existe um cérebro lento e inoperante, em que o imenso campo da geometria se limita ao quadrado.

Nota: É lamentável constatar que treinador e diretoria só perceberam que faltam reforços para a zaga e para o ataque quando um quarto do campeonato já se foi e com o time a 14 pontos do líder. E também é muito preocupante notar que a baixa efetividade dos volantes e o péssimo rendimento de Renato, em particular, não entrem nessa avaliação.

Saudações botafoguenses!

Mais vale um Juninho deitado, que um Antonio Carlos voando

(A partir de foto de Satiro Sodré/AE)

Faço uma pergunta às senhoras e aos senhores, botafoguenses ou não: O Antonio Carlos seria titular de algum dos clubes brasileiros que disputaram a Copa Libertadores da América deste ano? E outra: O Antonio Carlos pode ser considerado um jogador de futebol apto a defender um clube sério da primeira divisão brasileira?

A primeira pergunta tem relação com uma declaração do próprio Antonio Carlos, que disse que a meta do Botafogo para este ano é a classificação para a Libertadores. Além de ser uma afirmação que revela a pouca ambição de um quadro tido como titular absoluto, também demonstra sua falta de discernimento quanto aos seus próprios atributos. Se a falta de ambição é um grande problema, maior ainda é o desconhecimento dos limites pessoais, tanto mais em se tratando da posição em que joga, onde a consciência das próprias limitações individuais é fundamental.

A outra pergunta questiona o atual corpo gestor do Botafogo, uma vez que para um projeto de futebol profissional ser levado a sério não poderíamos jamais admitir ter em uma equipe titular um jogador que não desempenha suas funções de forma séria e competente. Ou seja, um time que tem Antonio Carlos como titular absoluto faz com que a seriedade e competência de sua diretoria se tornem no mínimo discutíveis e leva a crer que a meta a ser alcançada não é o topo.

Devo esclarecer que não foram as duas falhas bisonhas e consecutivas que nos levaram à derrota na quarta-feira o que me levou à certeza da incompetência de Antonio Carlos. Remetam a comentários a partir de 2009 e vejam que não foi sua última atuação o que me faz afirmar que Antonio Carlos é jogador incompatível com qualquer clube que pleiteie algo além da permanência na série A.

No entanto Antonio Carlos tem lugar no futebol profissional brasileiro e acredito que existiram projetos sérios e competentes que contaram com a titularidade deste zagueiro, como foi o caso do Atlético-GO, quando disputou a série B do Brasileiro e o Botafogo do Carioca de 2010. Com o nível destas competições, aí sim, o referido zagueiro é quadro compatível.

Antonio Carlos é lento, débil fisicamente, displicente, vaidoso, desatendo e inepto para tomar decisões acertadas. A titularidade de Antonio Carlos simboliza um projeto incompetente, risível e, portanto, perdedor, humilhante para o torcedor e degradante para o clube.

Como a atual diretoria dá ares de que almeja algo além da zona intermediária da tabela – vide a contratação de Seedorf, um jogador de nível técnico excepcional e um currículo inquestionável –, a remontagem total de nossa zaga se faz urgente, visto que Fabio Ferreira é parceiro de Antonio Carlos tanto na zaga quanto na incompetência.

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Fé abalada


Antes do jogo de ontem eu disse que "em Seedorf nós confiamos", mas a cada minuto de partida que passava sentia minha crença escorrendo arquibancada abaixo. Será que é falta de ritmo de jogo ou o Seedorf é apenas um grande jogador aposentado em atividade? De quantas rodadas vou precisar para ter certeza do que esperar do nosso super ‘sul-americano do norte’? A única coisa certa disso tudo é saber que fé cega não vinga nesta casinha. Torço para que ele ainda tenha bastante para jogar, porque já mostrou que tem muito o que dizer.

***

O jogo de domingo foi a estréia do Seedorf no Botafogo, mas também foi o debut do João Miguel em um estádio de futebol. O pai dele – que não acompanha de perto as coisas do futebol, mas conhece duas ou três coisas sobre o assunto – decidiu que era hora do João saber como é um jogo de bola pela perspectiva da arquibancada.

Deixamos o carro no estacionamento do Norte Shopping – que na volta pareceu um projeto de labirinto – e caminhamos até o ‘Saldanhão’. No percurso o Andre me apontou o filho e vi o João apertando o escudo da camisa, talvez emocionado ou perplexo com a quantidade inusitada de botafoguenses aglomerados. O Andre disse que "Ele faz isso: se agarra à estrela".

***

Seedorf, se estreou, não vi; Renato mantém o futebol vistoso de sua chegada escondido em um canto de um passado recente; Antonio Carlos e Fabio Ferreira continuam sendo um casadinho em forminhas de papel de seda colorido, presenteado por Vovô Oswaldo a cada visita de atacantes adversários; Lucas não incomoda a defesa e nem o ataque inimigo; a bola pode levar uma década para cruzar marota e preguiçosa toda a área, que Jefferson não vai sair nunca; Jadson é reserva do Zen e assim a banda de surdos toca a marcha dos esganiçados; a torcida grita “Ah, é Andrezinho!” e o técnico de araque distribui pipoca de segunda para a plateia de gosto duvidoso; quando Fellype Gabriel cresce no jogo, é substituído; Elkeson é a pedra no sapato errado, porque é o nosso pé que ele machuca; Rafael Marques é dominado pela bola, uma inversão desagradável; William entra para correr sem saber para onde, porque Vovô Oswaldo não se lembrou de informar o caminho.

Nenhuma articulação conjunta de ataque ou contra-ataque, chutões para a frente, chuveirinho na área, um chute desviado na trave, uma jogada sensacional pela direita que não encontra um jogador para aproveitar o rebote na pequena área, uma única jogada precisa do Seedorf que chega ao lamentável Elkeson desengonçado, um quase gol aqui, um pênalti não marcado ali e é isso.

Só nos resta torcer por Jefferson (debaixo das traves), Fellipe Gabriel (quando o joelho permite), Vitor Jr (quando cava espaços sozinho) e Marcio Azevedo (quando os inúteis finalmente lhe passam a bola)? Será que só esses não pertencem aos empresários do mercenarismo?

***

O João não queria ficar perto dos tambores. As gaivotas de papel foram sucesso fugaz. O negócio dele era prestar muita atenção à partida.

No começo do segundo tempo, uma disputa de bola sem ímpeto. Ele se vira e diz: “O Botafogo já perdeu”.

É isso. A previsão pelos olhos da criança que antevia a derrota através de um fractal de fragilidade futebolística e espírito esportivo.

***

Na saída fomos obrigados a atravessar um curral formado por uma obra da prefeitura, onde só passam duas pessoas por vez. Eram duas filas indianas indo e vindo – quando havia movimento, que era pouco. Uma situação perfeita para desencadear uma tragédia.

Isso porque a diretoria botafoguense inexplicavelmente resiste a uma solução simples, ao não liberar a saída pelo acesso do estacionamento colado ao setor Oeste. Má administração ou perversidade? Tomara que não aconteça o pior, levando uns ao cemitério e outros para a cadeia.

De volta ao Norte Shopping bebemos um Ovomaltine e me lembrei dos meus tempos de criança, quando o nome de uma bebida parecida era Malted Milk, também servido no Bob’s, que tinha o mesmo nome mas era outra coisa.

O Botafogo também parece outra coisa. Acho que prefiro o Botafogo dos 21 anos sem títulos a esse negócio confuso, esquisito e pusilânime que vejo em campo.

Somos os oitavos e estamos sete posições acima do meu prognóstico. Torço muito para que meu palpite esteja errado e que o João não perca o interesse pelo futebol e o amor pelo Botafogo. A fé... isso a gente deixa de lado.

Saudações botafoguenses!


PS 1: Encontrei o meu amigo Gil no segundo tempo. O time provou que o coração de ambos anda em bom estado.

PS 2: A diretoria pode esquecer essa estória de 35 mil botafoguenses pagando 60 mangos para assistir a um bando desgovernado no próximo jogo.
 
PS 3: O João já está querendo ir na quarta-feira. Ainda há esperança ou é inocência de criança? Tomara que sejam as duas coisas.

[Link para os melhores momentos: Botafogo 0 x 1 Grêmio]

domingo, 22 de julho de 2012

In Seedorf We Trust

(foto: Jorge William/ O Globo)

Hoje é dia de estreia. Salve, Seedorf! Seja muito bem-vindo!

Saudações botafoguenses!

PS: Podem me chamar de chato, dizer que eu reclamo de tudo, mas não posso deixar passar em branco: Sessenta reais o ingresso? Ô, diretoria, dá um tempo!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Carimbo Botafogo


Os corinthianos que se interessarem por uma faixa personalizada já podem enviar seus pedidos para nossa central de vendas e adquirir um lindo exemplar com o glorioso e inconfundível Carimbo Botafogo. Tire onda com palmeirenses, sãopaulinos e santistas exibindo sua faixa de campeão carimbada com o escudo mais bonito do planeta.

As Irmãs Popozato, funcionárias especialmente contratadas pelo Biriba Morde Show para atender à clientela que estiver a fim de dar uma carimbada, estarão a postos para prestar pronto atendimento ao torcedor amalucado do Timão.

O serviço custa apenas 3 reais e 1 centavo, que podem ser divididos em duas parcelas de 45 minutos.

OFERTA ESPECIAL = PAGUE UM E LEVE TRÊS.

Saudações botafoguenses!


domingo, 24 de junho de 2012

Uh! Herrera!


Não me lembro se foi a primeira vez que vi o Herrera no Engenhão, mas na estreia do Loco Abreu eu estava lá. El Loco não poderia ter escolhido data pior para fazer seu debut: uma derrota por 6 x 0. Pode ter sido um indício de que se tratava de uma dupla com tendência ao dramático, ao épico, ao espetacular, mas isso não importa.

Há muito tempo acostumado a ver meu time ser liderado por um jogador física e psicologicamente frágil – Lucio Flavio –, a visão do empenho do Herrera era uma novidade sensacional.

El Loco saiu no intervalo, mas Herrera ficou até o fim. E como ficou! Em paralelo ao meu abatimento pelo Botafogo estar sendo goleado, cada jogada disputada pelo Herrera me vingava os tempos das figuras pusilânimes, que foram muitas por anos e anos. Porque o Herrera transpira sangue.

Lá pelo final da partida Renato Cajá recebe uma bola na área e chuta em gol. Herrera, livre na marca do pênalti, se irrita com o (ótimo) Cajá, ergue os braços, esbraveja, chuta o vento, dá um tapa no gramado. Parecia que perdera a oportunidade de fazer um gol de título, mas quando o placar já era um incontornável 6x0. (Resultados não são perfeitamente controláveis, mas o comportamento aguerrido do Herrera nunca esteve atrelado a um fim, porque é um princípio).

Pouco mais adiante, após uma arrancada para tentar ganhar um lance visivelmente perdido – coisa típica do Herrera – e depois de correr e se esforçar de forma sobre-humana durante todo o jogo, caiu ajoelhado no gramado, na mesma posição de uma foto famosa do Garrincha. A tal foto me veio à cabeça.

Herrera nem de longe me lembra o Garrincha. Sua técnica é pífia. Não é e não será um goleador e seu futebol não condiz com a titularidade em clube que pretenda ser campeão brasileiro. Mas Herrera fará falta.

Porque um sujeito com o caráter, o espírito de luta e o profissionalismo exemplar do Herrera não se encontra em qualquer esquina.

Herrera vestiu a camisa do Botafogo de forma digna e estará para sempre na minha memória através da imagem do herói ajoelhado no gramado, um soldado com espírito olímpico. (E, por que não, pelo "Mússica pra quê?").

Seja feliz sempre, Herrera! A Humanidade agradece.

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Vitor Júnior foi dez e 'O Dez'

(Foto: Satiro Sodré/UOL)

Vitor Júnior chegou ao Botafogo sob desconfiança. Não por culpa do jogador, mas da diretoria cujo histórico de contratações inclui perebas do naipe de Jean Coral, Alexandre Oliveira e Felipe Menezes – resumo para não faltar balaios que acomodem a incompetência.

Destacou-se nas primeiras rodadas e na quarta sobressaiu tanto pelo ótimo futebol como pela falha, mesmo depois de se juntar a Marcio Azevedo como as únicas participações relevantes da partida. (Notem como os dois tiveram falhas decisivas no jogo e mesmo assim foram os melhores da partida! Só mesmo o Botafogo...).

No jogo de sábado – no qual o Internacional entrou pensando em pavonear em um baile de máscaras e acabou perdendo a colombina – Vitor Júnior foi o grande destaque, ladeado por Fellype Gabriel.

Nosso pequeno grande meia correu mais que todo o time botafoguense junto e, se fosse possível, acho que correria até hoje em busca de um gol seu, que seria merecido, mas não se realizou.

Parece que todo o sangue gaúcho presente no Beira Rio corria nas veias de Vitor Júnior e mais ninguém.

E por que Vitor Júnior foi dez e ‘O Dez’?

1) Aprofundou jogadas com passes que Andrezinho supostamente deveria fazer;

2) Supriu a falta do gás que Fellype Gabriel se empenha para ter mas não tem – acho que o meia entrou no sacrifício;

3) Marcou a saída de bola com mais intensidade que o Herrera;

4) Teve presença forte no ataque e na defesa;

5) Venceu quase todas no mano a mano e ganhou de todos os que tentaram apostar corrida com ele;

6) Infernizou os marcadores e deu o drible por baixo das pernas que o Maicosuel ou o Elkeson gostariam de dar – mas em direção ao gol, o que é fundamental;

7) Puxou o contra-ataque e fez o passe para o primeiro gol – que, se fosse o Ronaldinho Gaúcho nos tempos da Gávea, a ‘flapress’ com certeza diria que “Foi coisa de gênio!”;

8) Bateu escanteios melhor que todos os que apareceram em General Severiano nos últimos dez anos;

9) Sofreu um pênalti não marcado e ainda lhe sobrou fôlego e vergonha na cara para dar umas boas duas ou três porradas perfeitamente cabíveis – porque o Internacional bateu direitinho –, enquanto o resto do time botafoguense apanhava o jogo inteiro sem reagir à altura (com exceção de Fellype Gabriel, que também não é bobo) – e isso medindo 1,65m;

10) E foi esperto o suficiente para não receber um amarelo quando entrou rasgando em uma dividida com Dagoberto, ao mesmo tempo que não abaixou a crista para o tal de Dalton.

Apesar da garra do time – em uma partida que Jefferson teve pouca participação –, dos gols de Andrezinho e Fellype Gabriel, da estreia ‘torta’ mas segura de Lennon e da ajuda da bandeira de córner, Vitor Júnior foi crucial para a vitória. Sem ele em campo não venceríamos. Esse era o sangue que faltava ao time e que Fellype Gabriel precisava para formar parceria. E tem sido assim desde a primeira rodada.

Parabéns, Vitor! O Botafogo agradece.

Saudações botafoguenses!

domingo, 17 de junho de 2012

Internacional 1 x 2 Botafogo - Vitória da chuteira preta no baile dos scarpins colorados

(Foto: Ricardo Rímoli/Lance)

O Botafogo foi mais do que uma equipe vencedora. Fez justiça ao castigar um oponente que desdenhou de um adversário teórica ou supostamente inferior no aspecto individual. O Internacional preferiu ater-se ao individualismo e a jogadas de efeito, enquanto nós aderimos ao coletivismo e aos lances efetivos. Pensaram que iriam dar um baile no Botafogo e caíram do salto no rodopio da valsa, e em pleno Beira Rio.

Vitor Júnior e Fellype Gabriel são exemplos perfeitos do espírito coletivo do time botafoguense, uma dupla que se complementa. Ambos têm garra, ótima visão de jogo, raciocínio rápido, compreensão tática e um sentido coletivo notável. Mas a forma física e o vigor inato do ‘pequeno grande’ Vitor Júnior compensam uma certa fragilidade corporal de Fellype Gabriel, que me parece não estar completamente recuperado de lesão – talvez crônica.

A velocidade que FG imprime à bola – e ao jogo, por conseguinte – e a rapidez com que VJ conecta passes e dribles foram fundamentais para a vitória. Mesmo os que estiveram bem na partida ficaram inevitavelmente à sombra dessa dupla, que comandou o estraçalho do meio de campo colorado.

Desde a saída de bola a partir da linha média do campo de defesa produzimos envolventes triangulações com toques rápidos de primeira, que garantiram grande volume de posse de bola, o que me fez cogitar se Maicosuel e Elkeson são individualistas por opção ou por lentidão de raciocínio. Seja por um motivo ou por outro, o fato é que o banco deve ser o destino destes dois, caso o comando técnico não seja avesso ao sucesso.

Apesar do destaque da dupla VJ-FG, seria injusto não louvar a atuação e o empenho de todos e em especial o dos dois substitutos – Lucas Zen e o estreante Lennon, no sacrifício pela esquerda. Havia grande expectativa com relação a este jogo após duas derrotas consecutivas e ambos fizeram boa partida, com destaque para Lucas Zen, que esteve muito seguro na marcação.

Jefferson pouco trabalhou; Lucas teve ótima participação no esquema coletivo; Brinner mostrou a seriedade e disposição de sempre e esteve muito bem nos desarmes; Fabio Ferreira teve a vida facilitada pela altura dos scarpins colorados – é um enigma saber o porquê de FF ter 90% de ‘baixos’ e 10% de ‘altos’; Renato infelizmente não anda conseguindo exibir o conhecido futebol de alto nível, mas sua experiência e discernimento sempre colaboram com uma proposta de jogo coletivo; Andrezinho se sentiu confortável com o conceito estabelecido, mas está muito mal fisicamente ou lhe faltou vontade para dar um algo mais; Herrera não esteve em noite inspirada, mas sua garra é sempre bem-vinda. (Os substitutos entraram a partir dos 39 minutos do segundo tempo, portanto evito analisá-los).

Para observações futuras: No lance do gol adversário, apesar da esperteza na cobrança rápida – e sorte, já que a primeira cabeçada foi uma falha que deu certo – e do cochilo do meio e da zaga, é importante atentar para as movimentações de Lucas e Brinner que, ao invés de colarem nos jogadores a serem marcados, passaram por eles de olho na bola, acabando em posições inócuas. Fora este deslize pontual, ambos tiveram ótimas participações no jogo.

A vitória não se deu somente sobre o adversário, mas também sobre o árbitro que reincidentemente prejudica o Botafogo, desta vez com a não marcação de um pênalti claro. O Sr. Paulo Cesar de Oliveira é o que a vida lhe permite, indivíduo cuja santa senhora sua mãe não faz jus ao que pensa sobre ela a torcida botafoguense inconformada, porém feliz com o resultado.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Internacional 1 x 2 Botafogo]