Para um leigo soa como uma tremenda redundância dizer que um time de futebol jogou de forma coletiva. Mas para os que curtem uma boa pelada e sabem do que estou falando, ver uma equipe profissional usar o aspecto coletivo para superar outra, que também se organizava de forma coletivista, leva ao prazer da experiência do predomínio da inteligência e do espírito coletivo.
Ambas equipes jogaram assim: coletivamente e com grande empenho. O Botafogo saiu com a vitória. Sorte nossa, mas com méritos.
(VJ ‘Maná’ - a partir de foto da AGIF)
Vitor Júnior, Marcio Azevedo e Herrera continuam sendo os destaques do time. A velocidade, visão de jogo, a força e o ímpeto do meia e do lateral, associados à movimentação e à combatividade do atacante argentino – e tudo isso reforçado pelo espírito coletivo predominante – deram outro rumo ao desempenho da equipe, sendo Herrera o responsável direto pelo primeiro e terceiro gols e essencial para o segundo.
Jadson se afirma positivamente a cada partida, mas precisa controlar a temperatura do sangue, que lembra o destempero ocasional de Marcelo Mattos. Renan esteve muito bem. Brinner está no mesmo nível que Antonio Carlos, mas é mais sério e atento. Dória é superior ao fraquíssimo Fabio Ferreira, mesmo estreando aos 17 anos sob a presão de um jogo altamente disputado – o time do Coritiba sistematicamente usou de força exagerada na maioria das disputas de bola. Lucas Zen entrou muito bem na partida.
Arrisco dizer que, com a volta de Jefferson, os que venceram o Coritiba são o melhor time que o atual elenco pode oferecer, se o Maicosuel voltar a jogar futebol
Lucas protagonizou os melhores momentos da tarde e demonstrou ótima visão de jogo, compreensão tática, além de muita frieza e categoria nas finalizações – fora os gols, o chute na trave também revelou uma movimentação inusitada que se mostrou envolvente.
(El Increíble - a partir de foto de Giuliano Gomes/AE)
O primeiro gol revelou um indício de que o treinamento de jogadas de ataque está nos tirando da mesmice previsível, e o terceiro também me pareceu fruto deste tipo de prática. O segundo gol nos deu o gostinho que qualquer botafoguense não se esquece de querer provar: a traquinice pelas pontas, a linha de fundo. Além disso, os gols revelaram um ataque em bloco – tivemos sempre três jogadores para tentar a conclusão –, com ótima movimentação e variação de jogadas, coisa que não víamos há muito tempo, com a estratégia infrutífera do isolamento de Abreu.
Com o placar favorável o time manteve o equilíbrio e investiu o quanto pôde na manutenção da posse de bola no campo de ataque, com Cidinho mostrando maturidade e bom entendimento da proposta.
Cinco minutos de acréscimo?! Tudo bem, concordo, mas está anotado no meu caderninho...
Os pontos negativos continuam sendo a inexplicável queda vertiginosa de rendimento de Fellipe Gabriel, a falta de brilho no então fantástico futebol de Renato, a não continuidade das jogadas quando chegam aos pés de Maicosuel e a miopia da diretoria, que não reforçou a zaga e parece não perceber que não iremos além das posições intermediárias, com apenas quatro zagueiros à disposição.
Sobre Elkeson, sorte nossa que ao não dar sequência a uma jogada pela esquerda (coisa costumeira e irritante) ele tenha encontrado uma solução através da ótima virada de jogo que levou ao gol da vitória. Elkeson é o melhor meia-atacante do elenco, mas é uma pena que não possamos chamá-lo de ‘nosso jogador’.
(Marcio ‘Speedy’ Azevedo)
Hora de curtir a liderança, pois nunca se sabe o que os interesses de bastidores nos reservam para além da 23ª rodada.
Saudações botafoguenses!
[Link para os melhores momentos: Coritiba 2 x 3 Botafogo]