
Zé Fini
Por Rui Moura
Zé Fogareiro recebeu, segundo o próprio, uma mensagem irreversível de Globoesporte.com anunciando, por telefone, o seu desligamento do blogue pelo qual era responsável: “Vamos mudar porque estamos em busca de um novo blogueiro e também por conta das suas frequentes críticas à diretoria”.
Zé Fini, perdão, Zé Fogareiro, queixa-se, mas… de quê?... A Globoesporte apenas tratou de civicamente defender a democracia desportiva, o direito às diretorias não serem alvo das inverdades dos torcedores, que não passam de moleques sem jeito que bradam contra uns e clamam contra outros, que forçaram injustamente a diretoria a tomar medidas de dispensa de Lúcio Flávio no passado e de Alessandro no presente. Inaceitável! Dois verdadeiros craques que deram inúmeras glórias ao Botafogo e títulos de toda a espécie, e cujas pequenas falhas – um passava jogos decisivos sem tocar na bola e outro deixava a bola entrar nas suas costas – eram irrelevantes face aos golaços feitos, aos centros milimétricos e às roubadas de bola frequentes.
Zé Fini, perdão, Zé Fogareiro, bradou contra André Silva e clamou contra Anderson Barros: o cúmulo da injustiça, já que um tem sido incansável na direção rigorosa do departamento de futebol e o outro tem sido um verdadeiro ‘achador’ de craques. Do entendimento extraordinário destes dois homens foram contratados Jean Coral (por onde anda?), Tony (seleção canarinho), Somália (um Pinóquio acima de qualquer suspeita) e mais umas duas dezenas de craques do mesmo nível.
Zé Fini, perdão, Zé Fogareiro, criticou gratuitamente o presidente do clube supostamente em defesa do Botafogo, como se o presidente não fosse o primeiro grande defensor do clube, o homem que nunca mentiu, que jamais prometeu sem cumprir, que nos trouxe verdadeiros atletas de ‘fechar aeroporto’, que saneou as finanças do clube, que resgatou a nossa honra sempre acima das politiquices de circunstância.
Zé Fini, perdão, Zé Fogareiro, não respeitou quem devia, não prestou vassalagem a quem de direito, rejeitou a confortável figura de Zé Omissão. Zé Fogareiro não entende nada ‘deste’ Botafogo…
Portanto, Zé Fini, perdão, Zé Fogareiro, vai fazer-se à vida porque no espaço que ele ocupava toparam-lhe o perfil, um perfil cada vez mais desfocado das necessidades hodiernas de dizer ‘sim’, ‘yes’, ‘oui’ ou qualquer outra forma de auto-censura, submissão e denúncia, um perfil contrário às necessidades modernaças do lambe-tudo e lambe-todos – a mais recente e consistente figura social emergente no século XXI.
Evidentemente que eu poderia dizer que ainda na década de 1980 previ que à medida que a democracia política crescesse o controlo institucional aumentaria. Evidentemente que eu poderia reiterar hoje que a democratização das sociedades traz inevitavelmente os esbirros da censura para repor a auto-censura que os homens passaram a rejeitar com as mudanças sociais ocorridas. Evidentemente que este ‘claro-escuro’ da nossa época desenvolve-se à medida que a liberdade cresce e o controlo aumenta.
Mas não digo nada disso, porque o Zé Fini, perdão, o Zé Fogareiro, tornou-se um embaraço e eu ainda posso ficar embaraçado também, quiçá preterido do ‘meu’ Botafogo com os novos ‘cachorros’ de dente aguçado atrás de mim. Além disso, o rapaz não entende nada ‘deste’ Botafogo modernaço e ainda acredita no Papai Noel…
Mas perante a rápida indiferença que certamente vai imperar sobre o acontecimento resguardo-me intelectualmente na citação do incontornável Bertolt Brecht:
“Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afetou
Porque eu não sou operário.
Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.
Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.”
O blogue Mundo Botafogo estará sempre à tua disposição, amigo João Roberto.
Publicação original: Mundo Botafogo/Estrela Solitária
Saudações botafoguenses!
PS 1: É óbvio que concordo com o que o amigo botafoguense Rui Moura escreveu, uma vez que publico. Mas gostaria de deixar claro que não concordo somente com o aspecto geral do texto: Concordo inteira e fervorosamente com cada palavra, vírgula, estilo, intenção e intensidade.
PS 2: A informação sobre a demissão do blogueiro botafoguense me veio através de Mauro Axlace, do blog Aqipossa.

















