quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Querem 'apagar' o Zé, mas isso nós não vamos deixar


Zé Fini

Por Rui Moura

Zé Fogareiro recebeu, segundo o próprio, uma mensagem irreversível de Globoesporte.com anunciando, por telefone, o seu desligamento do blogue pelo qual era responsável: “Vamos mudar porque estamos em busca de um novo blogueiro e também por conta das suas frequentes críticas à diretoria”.

Zé Fini, perdão, Zé Fogareiro, queixa-se, mas… de quê?... A Globoesporte apenas tratou de civicamente defender a democracia desportiva, o direito às diretorias não serem alvo das inverdades dos torcedores, que não passam de moleques sem jeito que bradam contra uns e clamam contra outros, que forçaram injustamente a diretoria a tomar medidas de dispensa de Lúcio Flávio no passado e de Alessandro no presente. Inaceitável! Dois verdadeiros craques que deram inúmeras glórias ao Botafogo e títulos de toda a espécie, e cujas pequenas falhas – um passava jogos decisivos sem tocar na bola e outro deixava a bola entrar nas suas costas – eram irrelevantes face aos golaços feitos, aos centros milimétricos e às roubadas de bola frequentes.

Zé Fini, perdão, Zé Fogareiro, bradou contra André Silva e clamou contra Anderson Barros: o cúmulo da injustiça, já que um tem sido incansável na direção rigorosa do departamento de futebol e o outro tem sido um verdadeiro ‘achador’ de craques. Do entendimento extraordinário destes dois homens foram contratados Jean Coral (por onde anda?), Tony (seleção canarinho), Somália (um Pinóquio acima de qualquer suspeita) e mais umas duas dezenas de craques do mesmo nível.

Zé Fini, perdão, Zé Fogareiro, criticou gratuitamente o presidente do clube supostamente em defesa do Botafogo, como se o presidente não fosse o primeiro grande defensor do clube, o homem que nunca mentiu, que jamais prometeu sem cumprir, que nos trouxe verdadeiros atletas de ‘fechar aeroporto’, que saneou as finanças do clube, que resgatou a nossa honra sempre acima das politiquices de circunstância.

Zé Fini, perdão, Zé Fogareiro, não respeitou quem devia, não prestou vassalagem a quem de direito, rejeitou a confortável figura de Zé Omissão. Zé Fogareiro não entende nada ‘deste’ Botafogo…

Portanto, Zé Fini, perdão, Zé Fogareiro, vai fazer-se à vida porque no espaço que ele ocupava toparam-lhe o perfil, um perfil cada vez mais desfocado das necessidades hodiernas de dizer ‘sim’, ‘yes’, ‘oui’ ou qualquer outra forma de auto-censura, submissão e denúncia, um perfil contrário às necessidades modernaças do lambe-tudo e lambe-todos – a mais recente e consistente figura social emergente no século XXI.

Evidentemente que eu poderia dizer que ainda na década de 1980 previ que à medida que a democracia política crescesse o controlo institucional aumentaria. Evidentemente que eu poderia reiterar hoje que a democratização das sociedades traz inevitavelmente os esbirros da censura para repor a auto-censura que os homens passaram a rejeitar com as mudanças sociais ocorridas. Evidentemente que este ‘claro-escuro’ da nossa época desenvolve-se à medida que a liberdade cresce e o controlo aumenta.

Mas não digo nada disso, porque o Zé Fini, perdão, o Zé Fogareiro, tornou-se um embaraço e eu ainda posso ficar embaraçado também, quiçá preterido do ‘meu’ Botafogo com os novos ‘cachorros’ de dente aguçado atrás de mim. Além disso, o rapaz não entende nada ‘deste’ Botafogo modernaço e ainda acredita no Papai Noel…

Mas perante a rápida indiferença que certamente vai imperar sobre o acontecimento resguardo-me intelectualmente na citação do incontornável Bertolt Brecht:

“Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afetou
Porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.

Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.”

O blogue Mundo Botafogo estará sempre à tua disposição, amigo João Roberto.

Publicação original: Mundo Botafogo/Estrela Solitária

Saudações botafoguenses!

PS 1: É óbvio que concordo com o que o amigo botafoguense Rui Moura escreveu, uma vez que publico. Mas gostaria de deixar claro que não concordo somente com o aspecto geral do texto: Concordo inteira e fervorosamente com cada palavra, vírgula, estilo, intenção e intensidade.

PS 2: A informação sobre a demissão do blogueiro botafoguense me veio através de Mauro Axlace, do blog Aqipossa.

domingo, 25 de dezembro de 2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Mundo Botafogo


Hoje o sensacional blog Mundo Botafogo/Estrela Solitária completa quatro anos de existência. Saúdo meu amigo Rui Moura, o responsável pela façanha fantástica, e lhe agradeço pela energia que investe na produção de um espaço tão especial.

Aproveito a ocasião para fazer um convite aos visitantes daqui, para que deem um pulinho lá no Mundo Botafogo. A postagem comemorativa do dia de hoje é imperdível.

Parabéns, Rui! O Mundo Botafogo/Estrela Solitária melhora a vida dos botafoguenses e, em especial, a dos ‘botafoguistas’.

Link para o Mundo Botafogo

Link para a postagem “Sou Botafogo!”

Saudações botafoguenses!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A nona colocação dos melhores


Meus parabéns ao Jefferson e ao Cortês por suas premiações.

Mas é uma pena saber que este ano o Botafogo não soube aproveitar a colaboração de dois dos melhores jogadores do Brasileiro em suas respectivas posições, juntamente com mais três indicados – Antonio Carlos, Renato e Loco Abreu. Nos restou uma melancólica nona posição e a óbvia certeza de que não vamos disputar a Taça Libertadores da América em 2012.

Com a mesma marca o Corinthians se sagrou campeão e, com marcas inferiores, Fluminense, Flamengo, Internacional, São Paulo, Figueirense e Coritiba acabaram a competição acima de nós. Das duas uma: ou os responsáveis pela eleição dos melhores não entendem nada de futebol ou o problema do rendimento do Botafogo não tem nada a ver com uma possível precariedade do elenco. Fica a dúvida no ar.

Saudações botafoguenses!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Muito além do Corinthians


Morre um dos fundadores da Democracia Corintiana e leva consigo um conceito ideológico que não vingaria de forma alguma no futebol atual.

Além de craque, Sócrates foi um homem de caráter exemplar. Não era atleta, consumia álcool além do que a medicina e o bom senso recomendariam, mas sua postura cidadã e solidária – plena de um sentido de justiça verdadeiro, desapegado, avesso à busca por ganho pessoal – construiu a imagem que melhor define o homem, muito além do jogador.

O mundo de Sócrates não se restringiu ao mundo da bola. Na verdade, agregou seus conceitos ao ambiente de ofício que, junto com seus companheiros de ideais, tornou em um foco de irradiação do conceito de que nossas vidas devem buscar o crescimento global da sociedade, sempre fundado na ação coletiva.

O futebol atual é norteado pelo universo do marketing. Os clubes e os jogadores são ‘garotos propaganda’, marcas a vender outras marcas. Uma ‘Democracia Corintiana’ não estaria em sintonia com os dias de hoje, pois jogadores de futebol são trabalhadores milionários que ganham seu dinheiro individualmente. Já não dependem – ou pensam que não – de seus companheiros de profissão para garantir dignidade e sucesso profissional, porque o que lhes leva ao êxito não é a força de ‘seus’ clubes, mas empresários e empresas especializados em agenciamento de talentos futebolísticos – não necessariamente talentosos para o esporte, mas com imagem de bom apelo publicitário.

Não existe centro, não existem clubes. O poder se espalhou e o coletivo se esfacelou.

Foi-se Sócrates e seu mundo, mas seu ideário sobrevive e se agrega através de redes pseudovirtuais – tão espalhadas quanto os centros de poder –, que volta e meia surgem (e se insurgem), ocupando lugares como Wall Street, lutando por coisa semelhante a que os companheiros do ‘Magrão’ se juntaram para conquistar.

Foi-se o corpo, ficam as ideias.

Que Sócrates descanse em paz ou faça o que bem entender em sua nova dimensão, pois ele merece o melhor.

Saudações botafoguenses!

PS 1: O Botafogo de Futebol e Regatas tem uma história de luta por ideais nobres desde os tempos de clube de remo. Como botafoguense e partidário de muitos pensamentos e atitudes que fazem parte da história alvinegra, fiz questão de criar um breve obituário para o já saudoso Sócrates.

PS 2: A Seleção de 1990 foi um exemplo evidente da mudança de rumo do futebol e apresentou ao mundo um modelo administrativo do esporte em que a meritocracia deu lugar ao marketing, ao famigerado e hiperlucrativo marketing esportivo.

Falta força, sobra grosseria




Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A falta que faz uma boa infância


É natural que crianças comecem a identificar formas geométricas a partir de um ano de idade. São vários os brinquedos que exploram essa habilidade.

Infelizmente, tudo indica que os dirigentes do Botafogo não tiveram a sorte de poder exercitar o raciocínio abstrato com brinquedos dessa natureza, ou preocuparam seus pais ao insistirem, ano após ano, em encaixar peças quadrangulares em furos circulares. Pois chegando à idade adulta demonstram claramente que não desenvolveram a inteligência o suficiente para perceber a diferença entre um treinador de goleiros e um técnico de futebol. (Não foi à toa que demoraram mais de trinta rodadas para notar que Caio Júnior não era o que dizia ser).

É valido argumentar que não houve tempo suficiente para que o ‘assistente do aprendiz de técnico’ promovesse mudanças sensíveis na forma como o time joga. Mas não posso considerar válida a tese de que um treinador de goleiros seria melhor opção do que o treinador – técnico de futebol – campeão carioca de juniores, o Eduardo Húngaro. Muito menos quando é notória e ostensiva a afinação entre o assistente do aprendiz, Flávio Tenius, com o aprendiz, Caio Júnior.

O desastre que a invencionice de Tenius – bem ao modo de seu antecessor/mentor – provocou na lateral esquerda – com a escalação fatalmente decisiva do inesquecível Everton – somou-se à falta de jogadas de ataque, ao mau (ou nenhum) treinamento de conclusões a gol e a um despreparo psicológico evidente. O resultado é conhecido.

Que esse exemplo sirva para que esse tipo de brinquedo educativo seja lembrado por pais que almejem um pleno desenvolvimento intelectual de seus pimpolhos.

***

Nota 0.1: O despreparo psicológico da equipe é tão gritante, que me instigou a querer saber ao menos um pouquinho sobre a psicóloga contratada pelo Botafogo, a Dra. Maíra Ruas Justo.

Nota 0.2: Se os jogadores tivessem ‘aquilo’ que Abreu insiste em dizer que tem – mas que a cada partida mostra não ter tanto o quanto diz –, o chapeuzinho do atacante adversário no nosso goleiro teria troco.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Atlético-MG 4 x 0 Botafogo]

domingo, 27 de novembro de 2011

Ainda não acabou

(Foto: stockforfood)

À medida que a classificação para a Libertadores foi se distanciando, a torcida se intensificava e agora se multiplica em várias frentes, causando um certo desconforto e demandando mais esforço e concentração.

Hoje já não adianta mais torcer somente por uma vitória botafoguense: precisamos torcer por resultados alheios e não são poucos. Segue minha sugestão de torcida para este domingo:

1) Vitória do Corinthians sobre o Figueirense;
2) Vitória do Palmeiras sobre o São Paulo;
2) Empate entre Internacional Flamengo.

E, caso o resultado em Sete Lagoas não seja o esperado, seria bom que o Avaí e o Bahia vencessem suas partidas. Porque, mesmo que fosse um cala boca para o narcisista falastrão Caio Júnior, a décima posição seria injusta para com o potencial apresentado pelo elenco botafoguense durante a competição.

Se organizem, pois a rodada requer atenção redobrada.

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Já era? Pode ser...


O time até que se empenhou. O primeiro tempo mostrou um jogo truncado, com forte marcação de ambos os lados. Mas a debilidade da preparação da equipe botafoguense era a mesma da maior parte da competição e, mesmo que o tempo entre a demissão do técnico e a partida de ontem fosse pouco para a produção de mudanças, jamais elas viriam a partir do comando de um sujeito que ostensivamente compartilhava das decisões do treinador que acabara de sair.

Mesmo assim, não sei como seria se tivéssemos algum outro jogador que não o Alessandro, algum jogador que não falhasse em duas oportunidades que levaram a dois gols adversários.

Mesmo assim, fica a incógnita sobre qual seria nosso destino, se Cortês – o ‘lateral de 3 milhões de euros’ – não tivesse falhado em uma série de gols nas últimas partidas; se Fábio Ferreira não ficasse até às 5 da manhã enchendo a cara em véspera de jogo; se o grande nome do primeiro turno não tivesse se agarrado a firulas e feito os botafoguenses entenderem o porquê da torcida do Vitória pedir a saída de Elkeson; se um jogador que não teria vaga no time titular de nenhuma equipe que disputará a Libertadores do ano que vem, tivesse titularidade garantida, como é o caso de Herrera; se Alexandre Oliveira e Felipe Menezes nunca tivessem parado por aqui; se El Loco não tivesse deixado sua garra no alicate da manicure; se tivéssemos uma diretoria atenta e ciosa aos interesses do clube.

Agora não temos nada além de um possível – porém improvável – arrefecimento da raiva pela campanha do ano passado: antes sexto do que décimo. Porque é isso o que fizeram restar à torcida de um clube que se tornou pequeno nas mãos da atual gestão.

Essa diretoria está a um passo de ser reeleita, apoiada por garbosos sócios proprietários, eméritos e beneméritos de coisa nenhuma, autoproclamados ‘ilustres alvinegros’. É este conjunto de pseudobotafoguenses que, unidos a um grupo de sanguessugas sem bandeira e a oportunistas de toda sorte, formam o pior que o Botafogo já teve em sua sede.

Mas o Botafogo sobreviverá a essa gente.

Saudações botafoguenses!

[Link para melhores momentos: Botafogo 1 x 2 Internacional]

domingo, 20 de novembro de 2011

Treinador de time de goleiros?


Uma dúvida nunca me saiu da cabeça: Caio Júnior seguia os conselhos do Flavio Tenius durante as partidas ou suas decisões desastrosas contrariavam as sugestões de Tenius? Essa dúvida anda se tornando uma assombração, pois, caso as dicas do treinador de goleiros eram levadas a cabo, nossa situação mudou de péssima para desastrosa.

Ademais, qual a explicação para nomearem um técnico de goleiros e não o Eduardo Húngaro, técnico campeão carioca Sub-20?

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Antes tarde demais, do que depois do fim


A diretoria botafoguense tomou uma atitude radical, corajosa e fundamental. Mesmo que extremamente tardia – e justamente por isso –, a ação do comando botafoguense se fazia urgente.

Íamos muito mal, caindo vertiginosamente, um time em frangalhos. Melhor fracassar tentando uma mudança, do que insistir no que está dando – muito – errado. Não existe pior do que péssimo e disso não passaremos, que é exatamente onde estamos.

Sei que talvez seja exigir demasiada ousadia da cúpula botafoguense, mas entre a soma de um preparador de goleiros e um interino (dois interinos de uma só vez!!!), eu ofereceria a vaga de treinador a Sebastián Abreu.

Pode parecer ironia, mas não é. A história mesmo guarda um exemplo, na figura do italiano Vialli, que acumulou as funções de jogador e técnico do Chelsea. E não foi uma aposta maluca, pois foi campeão em cinco competições.

Saudações botafoguenses!

Uma decisão vital


Ontem o Botafogo deu o adeus definitivo à disputa pelo título brasileiro.

O time parece um bando em estouro de boiada, cada um por si. Os jogadores perdem o equilíbrio com o primeiro revés – como no jogo de domingo – e não são capazes de reassumir o controle das próprias ações. Erram o que acertavam, fazem más escolhas, perderam o bom discernimento que tinham. Os maus desempenhos estão piorando a cada rodada e a tendência é continuarmos ladeira abaixo.

Sinto discordar de Abreu quando o atacante diz (algo assim) que existe “alguma coisa que acontece na reta final”, algo que também aconteceu em 2010, e que não tem relação com a comissão técnica. Pois este ‘algo’ tem, sim, relação direta com a comissão técnica, tanto no ano passado quanto este ano. E este algo chama-se COMPETÊNCIA.

Competência para treinar adequadamente os atletas, tanto nos fundamentos básicos, como na execução de jogadas; Competência para elaborar desenhos táticos gerais e pontuais; Competência para eleger as melhores estratégias de jogo; E, principalmente na reta final de uma competição desgastante, competência para administrar o quadro emocional do grupo.

E o principal responsável pela inexistência da competência essencial para o sucesso de uma equipe em uma competição da envergadura do Campeonato Brasileiro de Futebol é o técnico do time, o Sr. Caio Júnior.

Mais factível do que torcer por um milagre que reverta a situação desastrosa em que estamos, devemos torcer – e muito! – para que a diretoria afaste Caio Júnior do comando técnico do Botafogo. Pois somente uma mudança radical pode livrar o Botafogo de passar o ano de 2012 fora da disputa pela Taça Libertadores da América e lamentando o dinheiro e prestígio que deixou de obter.

Espero que a diretoria não permita que o excelente time de 2011 seja esquecido tão rapidamente, já no ano que vem.

Sabemos que é uma decisão difícil, que demanda muita coragem e independência, pois é notório que a imprensa e muitos setores das torcidas organizadas forjam a ideia equivocada de que Caio Júnior é um bom quadro. Porém, é em momentos como estes que os indispensáveis se destacam dos triviais.

Saudações botafoguenses!

Leituras recomendadas: Demitir é preciso (Fogo Eterno); A voz de Arthur Dapieve (Mundo Botafogo).

[Link para os melhores momentos: América-MG 2 x 1 Botafogo]