
Ao comentar o jogo de ontem, o jornalista Lédio Carmona afirmou que a culpa pelas más atuações do Botafogo não deveria recair sobre o treinador, pois são os jogadores que não estão apresentando um bom futebol.
Discordo frontalmente da opinião de Lédio Carmona e considero um mistério a admiração que a maioria dos jornalistas especializados nutre por Caio Júnior.
Repito o que venho dizendo há muitas e muitas rodadas: foram os jogadores que fizeram a boa fama de Caio Junior e não o contrário; foram suas jogadas individuais que nos levaram à maioria das vitórias e não o esquema tático ou boas estratégias de jogo, coisas que Caio Junior é incapaz de produzir.
Através de jogadas coletivas ou ensaiadas chegamos ao gol adversário em contadas seis ocasiões. E estou sendo generoso na conta, pois incluo nesse pacote os dois gols contra o Palmeiras – gols de bolas cruzadas na área – e dois contra o Vasco, quando a defesa vascaína pareceu ter saído para tomar um cafezinho. Ou seja, a ‘obra’ de Caio Junior não forma um conjunto de dedos além do necessário para um gesto de paz e amor.
As duas últimas partidas foram exemplos perfeitos da completa falta de capacidade do atual treinador do Botafogo para orientar uma equipe de futebol da primeira divisão nacional. Pois quando nos deparamos com adversários bem montados taticamente, com sistemas defensivos coordenados de maneira inteligente, as jogadas individuais são neutralizadas com facilidade. Porque o futebol moderno é assim: pune quem não entende do riscado.
E Caio Junior não sabe nada sobre futebol moderno. Não passa de um falastrão egocêntrico, um marqueteiro pessoal, peça inútil para colaborar com qualquer clube que ambicione fazer parte da elite do futebol brasileiro.
A queda de rendimento individual dos jogadores se deve à completa inexistência de jogadas de ataque bem articuladas, de jogadas ensaiadas, de um sistema defensivo bem coordenado, de treinamento de fundamentos do esporte. Em suma, o Botafogo sofre pela carência de uma cabeça pensante fora de campo, capaz de preparar a equipe para funcionar de forma coletiva e articulada, apta a criar oportunidades para que a técnica individual de seus jogadores aflore.
Técnicos de bom nível já notaram que Elkeson chuta bem de fora da área, conhecem a aptidão de Maicosuel para a penetração em diagonal e perceberam que nossos laterais apoiam simultaneamente e sem cobertura. Conhecem nossos pontos fortes e nossas fraquezas, e se deleitam por parecermos um time de futebol de botão, um time estático. Conseguem nos anular com relativa facilidade, pois Caio Junior não possui recursos ou alternativas para fugir das armadilhas criadas pelos adversários, que nos forçam a tentar sobreviver através de bolas cruzadas à área – muito mal cruzadas, por sinal.
Difícil conceber a ideia de que o Botafogo sob o comando do atual treinador é um time previsível e banal, apesar de formado por jogadores surpreendentes e incomuns. Mas Caio Junior, embora seja repetitivo e modorrento, consegue surpreender com sua inequívoca capacidade de transformar joia em quinquilharia – um alquimista ao avesso.
Além da falta de capacidade para preparar adequadamente a equipe para as partidas, Caio Junior demonstra uma miopia constrangedora durante os jogos. Declarou – para meu espanto, evidente! –, que já esperava pela proposta de jogo vascaína, o que me deixou furiosamente curioso para saber o porquê de não haver reposicionado sua equipe – quando a estratégia adversária se confirmara –, a fim de evitar os inúmeros contra-ataques sofridos.
Cristóvão Borges precisou observar uma só investida de Caio Canedo pela direita, para neutralizar definitivamente esta opção. Do nosso lado – ou contra nós –, Caio Junior passou toda a competição sem perceber o jogo de nenhum de nossos adversários.
A imprensa anda adorando ídolo de barro e a diretoria do Botafogo não perde o gosto pelo fracasso.
[Link para os melhores momentos: Vasco 2 x 0 Botafogo]