quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Bola de cristal


Vou me atrever a entrar no universo movediço da futurologia. Não sou muito afeito à ausência de um anteparo sólido onde pisar, mas me arrisco, revelando o que o Biriba profetizou hoje à tarde.

O oráculo biribense predisse que na partida de hoje veremos um time muito bem treinado, com jogadas de ataque articuladas, um sistema defensivo coordenado e uma estratégia inteligente de jogo. As jogadas, claramente bem ensaiadas, esbarrarão na precariedade técnica de seus jogadores. Esse time é o América-MG.

Do outro lado uma incógnita, duas previsões:

1) Se os jogadores botafoguenses se rebelaram e aceitaram um levante comandado por Sebastián Abreu, veremos movimentações de ataque bem treinadas, jogadas ensaiadas de bola parada, uma marcação dinâmica à Celeste uruguaia – ora adiantada, ora baseada na intermediária do campo de defesa. Enfim, onze jogadores com cara de time de futebol profissional que pretende ser levado a sério. Ou:

2) Um meio de campo com bom toque de bola, um empenho irretocável, uma defesa descoordenada, um ataque estático e sem articulações claramente bem desenhadas, jogadores tentando penetrações baseadas em iniciativas individuais e isoladas, muito chuveirinho na área. Ou seja, um bando de gente bem paga parecendo um time de peladeiros de segunda categoria.

Confirmadas ou não as previsões do oráculo biribense, o resultado da partida está em aberto. Porque esse é o tipo de cumbuca que o Biriba não põe a mão, pergunta que não responde nem no Dia de São Nunca.

Mas, empolgado com essa estória de posar de Tirésias por um dia, o Biriba me disse que as chances de sucesso do Botafogo no campeonato estão estreitamente ligadas ao êxito da Rebelión de El Loco – como ele entusiasticamente batizou o feito épico. O profeta canino me garante que, caso o levante cisplatino se der a partir de hoje, temos chances, inclusive, de chegar ao título. Revelou, no entanto, que, se a rebelião for rechaçada, nossas chances de conquistar uma vaga na Libertadores são nulas.

Adelante, Combatientes Severianos!

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Caio Junior é um fracasso e o Botafogo está metido nisso


Ao comentar o jogo de ontem, o jornalista Lédio Carmona afirmou que a culpa pelas más atuações do Botafogo não deveria recair sobre o treinador, pois são os jogadores que não estão apresentando um bom futebol.

Discordo frontalmente da opinião de Lédio Carmona e considero um mistério a admiração que a maioria dos jornalistas especializados nutre por Caio Júnior.

Repito o que venho dizendo há muitas e muitas rodadas: foram os jogadores que fizeram a boa fama de Caio Junior e não o contrário; foram suas jogadas individuais que nos levaram à maioria das vitórias e não o esquema tático ou boas estratégias de jogo, coisas que Caio Junior é incapaz de produzir.

Através de jogadas coletivas ou ensaiadas chegamos ao gol adversário em contadas seis ocasiões. E estou sendo generoso na conta, pois incluo nesse pacote os dois gols contra o Palmeiras – gols de bolas cruzadas na área – e dois contra o Vasco, quando a defesa vascaína pareceu ter saído para tomar um cafezinho. Ou seja, a ‘obra’ de Caio Junior não forma um conjunto de dedos além do necessário para um gesto de paz e amor.

As duas últimas partidas foram exemplos perfeitos da completa falta de capacidade do atual treinador do Botafogo para orientar uma equipe de futebol da primeira divisão nacional. Pois quando nos deparamos com adversários bem montados taticamente, com sistemas defensivos coordenados de maneira inteligente, as jogadas individuais são neutralizadas com facilidade. Porque o futebol moderno é assim: pune quem não entende do riscado.

E Caio Junior não sabe nada sobre futebol moderno. Não passa de um falastrão egocêntrico, um marqueteiro pessoal, peça inútil para colaborar com qualquer clube que ambicione fazer parte da elite do futebol brasileiro.

A queda de rendimento individual dos jogadores se deve à completa inexistência de jogadas de ataque bem articuladas, de jogadas ensaiadas, de um sistema defensivo bem coordenado, de treinamento de fundamentos do esporte. Em suma, o Botafogo sofre pela carência de uma cabeça pensante fora de campo, capaz de preparar a equipe para funcionar de forma coletiva e articulada, apta a criar oportunidades para que a técnica individual de seus jogadores aflore.

Técnicos de bom nível já notaram que Elkeson chuta bem de fora da área, conhecem a aptidão de Maicosuel para a penetração em diagonal e perceberam que nossos laterais apoiam simultaneamente e sem cobertura. Conhecem nossos pontos fortes e nossas fraquezas, e se deleitam por parecermos um time de futebol de botão, um time estático. Conseguem nos anular com relativa facilidade, pois Caio Junior não possui recursos ou alternativas para fugir das armadilhas criadas pelos adversários, que nos forçam a tentar sobreviver através de bolas cruzadas à área – muito mal cruzadas, por sinal.

Difícil conceber a ideia de que o Botafogo sob o comando do atual treinador é um time previsível e banal, apesar de formado por jogadores surpreendentes e incomuns. Mas Caio Junior, embora seja repetitivo e modorrento, consegue surpreender com sua inequívoca capacidade de transformar joia em quinquilharia – um alquimista ao avesso.

Além da falta de capacidade para preparar adequadamente a equipe para as partidas, Caio Junior demonstra uma miopia constrangedora durante os jogos. Declarou – para meu espanto, evidente! –, que já esperava pela proposta de jogo vascaína, o que me deixou furiosamente curioso para saber o porquê de não haver reposicionado sua equipe – quando a estratégia adversária se confirmara –, a fim de evitar os inúmeros contra-ataques sofridos.

Cristóvão Borges precisou observar uma só investida de Caio Canedo pela direita, para neutralizar definitivamente esta opção. Do nosso lado – ou contra nós –, Caio Junior passou toda a competição sem perceber o jogo de nenhum de nossos adversários.

A imprensa anda adorando ídolo de barro e a diretoria do Botafogo não perde o gosto pelo fracasso.

[Link para os melhores momentos: Vasco 2 x 0 Botafogo]


domingo, 6 de novembro de 2011

Pano sem forro


Não comentei sobre os jogos contra o Atlético-PR, Santos, Avaí e Cruzeiro. Mas o que o Botafogo exibiu na 33ª rodada não foi muito diferente do futebol que jogou nessas quatro últimas partidas, esse futebol de 50% de aproveitamento. Na verdade, o que foi visto na tarde de ontem foi muito parecido com o que o Botafogo apresentou durante todo o campeonato, depois do advento do Renato: ótimo toque no meio de campo e inexistência de jogadas de ataque bem treinadas ou ensaiadas.

Seria injusto se eu não citasse os jogos contra o Palmeiras e o Ceará, quando o Botafogo deu ares de ser um forte candidato ao título, exibindo, além do já conhecido toque envolvente no meio campo, jogadas de ataque claramente bem elaboradas nos treinamentos. Infelizmente foi um lampejo.

O elenco é ótimo, talvez o melhor desde 95.

As novidades de 2011 foram determinantes para o sucesso atual do Botafogo. Renato se encaixou como a peça perfeita que faltava à engrenagem do meio de campo, e a força ofensiva e defensiva da dupla Maicosuel-Elkeson supriu a inexistência de jogadas de conjunto, com sua força, velocidade e inventiva. Os laterais Cortês e Lucas acrescentaram melhor qualidade técnica e opções de ataque.

Unindo-se essas peças à já conhecida qualidade de Jefferson e à liderança e presença de área de Sebastián Abreu, o Botafogo formou um time muito equilibrado, que consegue inclusive absorver os desempenhos inconstantes da dupla de zaga e de Herrera.

É a força deste elenco o que nos garantiu a posição em que estamos até o momento. São as iniciativas individuais o que nos tem levado aos gols e é nosso goleiro que nos salva da ausência de coordenação defensiva.

Esse tecido de primeira perde o estofo quando associado à incompetência de um treinador neófito, que não consegue criar jogadas coletivas de ataque e nem mesmo treinar fundamentos como os cruzamentos à área, para implementar sua tática primária, preguiçosa e recorrente: o ‘chuveirinho’.

Quando nosso goleiro falha ou deixa de operar milagres, quando uma defesa bem montada não permite que o ímpeto ofensivo e a qualidade individual furem seu bloqueio, quando os rebotes perdidos na área adversária não são aproveitados, quando o acaso não nos beneficia, a tendência ao fracasso se potencializa. Porque o time não possui jogadas coletivas, o ataque se posta de maneira perdida, as movimentações são inócuas e mal articuladas, em suma, não temos um sistema tático bem construído e definido, que compense os dias de pouca inspiração dos talentos individuais.

Todos, sem exceção, admiraram o Botafogo da partida contra o Ceará. Na ocasião, os próprios jogadores revelaram que a linda jogada que antecedeu o gol de El Loco foi ensaiada, bem treinada, e que abriram mão de um treino recreativo (‘rachão’) para fazer um treino tático (combinar jogadas). Pena que a preguiça ou a falta de ambição tenham nos arrastado de volta à banalidade.

Mas sorte nossa que o aproveitamento geral dos competidores está abaixo dos 60%. Mais sorte ainda é o elenco botafoguense continuar sendo o mesmo, porque eles – e somente eles – têm estofo, sim, para vencer o campeonato.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Botafogo 0 x 1 Figueirense]

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Só para registrar


Considero um grande erro a decisão por poupar os titulares na primeira partida da fase que se encerra hoje, da Copa Sul-Americana. Deveriam ter feito o contrário: buscar abrir boa vantagem jogando em casa com força máxima e, dependendo do resultado, administrar o fôlego do elenco no segundo jogo.

Seja qual for o desfecho final, ficou claro que a direção do clube não percebeu que a Sul-Americana é o caminho menos penoso para se chegar à disputa pela Libertadores.

Torcendo muito pelo time B e, em especial, pela dupla Caio-Alex.

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Vitória contra tudo e contra todos


Quando um time está determinado a não ser coadjuvante, ou dão a ele o papel principal ou a cena será roubada.

Disposto a não fazer figuração, o Botafogo tomou as luzes para si e deixou o atual líder da competição em um canto escuro da cena.

Com espírito competitivo, alma de campeão, o Botafogo superou os erros de arbitragem, a torcida contrária, a desvantagem numérica e o desfalque de alguns titulares.

Quem viu o Botafogo jogar a partida de ontem não pode duvidar que trata-se de um forte candidato ao título. Resta saber se é esse o espírito que vai prevalecer na alma e se essa será a disposição a nortear o comportamento de nossos jogadores daqui em diante. Torço para que seja.

Nota: Volto a comentar sobre a partida na próxima postagem.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Corinthians 0 x 2 Botafogo]

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Os meninos da 7

Por Alvaro Caetano Pimentel Sobrinho:
Botafoguense de nascimento e alvinegro de coração



Sete por 7 media cada lado do campo em que um grupo de moleques jogavam uma deliciosa pelada, próximo à rua 7 de um glorioso bairro da cidade.

A partida era de 7 gols em uma trave que media 7 passos marcados com 7 chinelos empilhados como traves.

Os dois times se dividiam nos 7 meninos de camisa preta e nos 7 meninos de camisa branca.

Os 7 moleques da camisa preta se chamavam Maurício, Helinho, Túlio, Rogério, Zequinha, Maicosuel e Gil. Os outros 7 da camisa branca eram Dodô, Roberto Miranda, Jairzinho, Edson, Geraldo, Paraguaio e Mané Garrincha.

Não valia gol feio e nem de fora da área porque nessa pelada não tinha goleiro.

Para fazer o gol eram necessários 7 dribles ou 7 tabelas e tinha que fazer parte de um manual de gols bonitos.

A torcida era composta de 7 pássaros que ficavam cantarolando nos fios ao lado do campinho de terra e batendo as asas a cada jogada bonita. Nossa, e como batiam asas.

Cada pássaro tinha um eleito de cada lado do campo e por isso se podia ver a ginga do papagaio, a velocidade do pardal, o canto do curió, o agito do sabiá e a destreza do canário belga. Porém, quem mais cantava era a cambaxirra e quem mais se agitava era o corrupião tal qual um furacão.

E a partida rolava dentro das 7 linhas básicas que compõem um campo de pelada: duas linhas de fundo, duas linhas de laterais, uma de meio de campo e uma linha para cada área. Cada jogada pintava quadros de magia que os 7 moleques de cada lado construíam com a pequena bola feita com 7 meias pretas e 7 meias brancas.

Cada um dos 7 de camisa preta e dos 7 de camisa branca definiram que a pelada precisa de um troféu que deveria ter uma representação diferente.

A forma de uma taça? A forma de uma bola? Não! O troféu tinha que ter uma representação divina. Deveria ser uma estrela!

E os 7 pássaros, como as 7 notas de uma escala musical, entoavam um hino de louvor aos 7 pequenos grandes craques das camisas pretas e aos 7 pequenos grandes craques das camisas branca que lutavam aguerridos por uma estrela.

Botafogo, Botafogo,

Campeão desde mil novecentos e 7...

domingo, 9 de outubro de 2011

Mesmos erros + outros


Estamos cansados de saber que nossa defesa é deficiente em lances pelo alto e que nosso sistema é falho nas coberturas às subidas dos laterais. Ou seja, era de se esperar que Joel Santana armaria um ferrolho e tentaria explorar os contra-ataques e as bolas alçadas à área. Até aí, nenhuma novidade.

Acho difícil imaginar como contornar a deficiência da zaga. Mas impossível mesmo seria imaginar que a estratégia botafoguense para furar o previsível ferrolho adversário fosse o afunilamento do jogo, muito menos sabendo que contávamos com jogadores velozes e insinuantes, e de ótimo desempenho pelas laterais do campo, como Maicosuel, Elkeson, Caio e Alex. Mas a concepção de Caio Júnior a respeito do futebol supera qualquer expectativa, sempre negativamente.

Logo aos 2 minutos de jogo, Caio – o ponta – lançou uma pista de que a busca por jogadas pelo meio seria a estratégia – tosca – para tentar furar o bloqueio do time baiano, quando abriu mão de uma tabela na lateral e investiu pelo centro. Começamos equivocados.

O primeiro gol adversário se anunciava, pois o pífio desempenho da zaga em bolas pelo alto é sempre um convite ao sofrimento e não foi diferente na noite de ontem. A reposição de bola de Renan foi bizarra – tanto que Cortês foi pego de surpresa –, mas isso não diminui a incapacidade de recuperação que o lateral demonstrou. Cheguei a contestar a escalação de Cortês para marcar o chorão adversário, mas entendi a escolha, visto que ambos são lentos e Antonio Carlos e Fábio Ferreira não transmitem segurança.

Caio mais uma vez mostra-se não confiável, pois desperdiça facilmente o que constrói com dificuldade. Saímos em desvantagem para o intervalo por força de mais uma exibição de individualismo infantil, que revela o que pode se tornar um empecilho para que o atacante se firme como titular de times de ponta do cenário nacional.

Caio Júnior acertou ao lançar William e aos 12 do segundo tempo já estávamos em vantagem, com a participação direta do atacante, no primeiro gol.

O pênalti bisonho de Marcelo Mattos e suas últimas atuações são preocupantes.

Uma pena perdermos a oportunidade de nos vingar do chorão adversário, quando Renan desperdiçou a oportunidade de defender um pênalti sem sair do lugar.

A inexplicável insistência em concentrar o jogo pelo meio – que aumentava com o decorrer da partida –, a ausência de jogadas de ataque bem articuladas ou ensaiadas e, pior, a involução do jogo botafoguense para o chuveirinho reduziram nossas possibilidades de reverter o resultado, mesmo jogando contra um adversário em desvantagem numérica.

Vejo indícios de um time que está longe de brigar pelo título e que se aproxima perigosamente de uma sexta posição.

Nota I: O aspecto psicológico da equipe mais uma vez esteve lamentável e coloca em questão o trabalho feito pelos profissionais do setor – já há muito tempo.

Nota II: As vaias da torcida já aos 20 do primeiro tempo eram direcionadas ao time, ao treinador, a ambos ou à diretoria que promove e mantém o espetáculo medíocre que nenhum botafoguense gostaria de ver?

Nota III: Elkeson anda demonstrando o que fez a torcida do Vitória querer vê-lo longe de Salvador. Seu futebol arrasador, que conquistou torcedores e o levou a ser eleito o destaque da competição, parece ter ficado em algum lugar do passado. Será que a ‘vitrine Botafogo’ já deu o que tinha que dar?

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Botafogo 2 x 2 Bahia]

sábado, 8 de outubro de 2011

Desobediência civil

Somente a inteligência, o espírito competitivo, o talento, o sentido coletivo e a total entrega de nossos jogadores, somados ao apoio incondicional da torcida, podem nos levar ao título.

(Campeão Carioca de 1907 - Em pé: Alvaro, Raul e Werneck; Ajoelhados: Viveiros, Norman Hime e Lulu; Sentados: Ataliba Sampaio, Flávio Ramos, Canto, Gilbert Hime e Emmanuel)

“Faltavam três minutos para o jogo acabar. O treinador acerta quando o time ganha e erra quando o time perde. Qual era a ideia? Explorar a velocidade com o Elkeson e o Cidinho e reforçar o meio. Ai aconteceu a bola parada. Não teve nada a ver com a saída de um ou de outro jogador.” (Caio Júnior – ao GloboEsporte – ‘justificando’ a substituição de Abreu, aos 43 do segundo tempo, no empate contra o São Paulo).

Caio Júnior parece ser um homem de boa índole, um sujeito bem educado e tal. Mas se nosso destino dependesse das orientações de um treinador que afirma com convicção o que foi dito acima, nossa estrada seria um beco sem saída e muito curto. Por isso faço um apelo ao elenco.

Peço aos jogadores do Botafogo de Futebol e Regatas que não ouçam as orientações que vêm da beira do campo. Desobedeçam.

Reúnam-se após os treinamentos, na concentração. Troquem ideias, combinem jogadas. Apliquem o que aprenderam ao longo dos anos.

A torcida confia no futebol de vocês, mas duvida da capacidade de Caio Júnior.

Portanto, que sejam vocês os responsáveis pelo destino do Botafogo. Abram caminho. Quando as dúvidas se apresentarem, vocês saberão que rumo tomar.

Não deixem que seu êxito seja impedido pelo profissional que contrataram para orientá-los, mas que os tem guiado para longe do sucesso.

Planejem com astúcia um motim velado e virem o jogo. Estejam certos de que a torcida vai perceber que algo mudou para melhor. E, mesmo que a razão do sucesso seja um segredo entre vocês, os botafoguenses e a história do futebol nunca se esquecerão de um time campeão brasileiro.

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Aula de futebol


Há muito tempo comento que nosso time não constrói jogadas de ataque bem desenhadas, não tem posicionamento defensivo bem estruturado, possui um miolo de zaga desatento e conclui mal quando surgem oportunidades de gol. Durante esse tempo me faltou um modelo concreto que definisse, dentro de campo, conceitos como ‘articulações de ataque bem definidas’, ‘coordenação defensiva’, ‘espírito competitivo’ e etc, até a noite de hoje (ontem). Porque o Atlético-GO é um exemplo perfeito de que minha fala não era palavrório; o time goiano tirou do papel tudo isso e mais um pouco.

Hélio dos Anjos orquestrou uma aula prática de futebol através de sua equipe, o melhor futebol tático que tive a oportunidade de assistir na competição – e com SEIS ‘reservas’.

Movimentações de ataque envolventes, transições bem articuladas entre os setores, sistema defensivo dinâmico e muito bem coordenado, comportamento competitivo, compreensão da estratégia proposta para o jogo, aplicação tática, ou seja, muito do que gostaria de ver sendo executado do nosso lado e que tivemos poucas oportunidades de assistir durante o campeonato – diria que no jogo contra o Palmeiras percebi esboços identificáveis e contra o Ceará parte deste receituário foi levado a cabo.

O conhecimento sobre futebol e a capacidade de colocar conceitos em prática coloca um abismo entre Hélio dos Anjos e Caio Júnior. Enquanto o primeiro sabia que ao adiantar sua marcação desmontaria o sistema engessado, previsível e simplório deste último, Caio Júnior não foi capaz nem mesmo de perceber que sua mexida no intervalo foi determinante para que seu time passasse a equilibrar as ações. E, mesmo que tenha notado a mudança de paradigma, não identificou as causas que levaram a esta mudança.

Ao liberar Renato para transitar na intermediária adversária, Elkeson cresceu no jogo. Porém (sempre existe um ‘porém’ em se tratando de Caio Júnior), quando o Botafogo atravessava seu melhor momento na partida, Caio Júnior mais uma vez destruiu o que acabara de construir, tirando de campo a principal peça do time, o jogador mais efetivo da equipe, o sujeito mais temido pelo treinador adversário.

A saída de Elkeson era tudo o que Hélio dos Anjos queria, mas jamais iria imaginar que fosse justamente o técnico adversário quem lhe daria esse presente de bandeja.

Caio era sem dúvida um nome a ser cogitado, mas nunca funcionaria bem como força motriz a partir do centro da intermediária, pois é jogador de flanco. Com a mudança, Caio Júnior matou a possibilidade real de reversão do resultado, pois o time reagia de maneira obstinada e efetiva e tinha em Elkeson sua mola propulsora. E justo em uma fase da partida que o adversário sentia a fadiga, fruto do ritmo intenso que empreendera até então.

Caio Júnior é um caso exemplar de um produto típico de uma sociedade baseada no marketing, e que produz muitos bens fugazes e de pouca utilidade, onde a meritocracia é palavra arcaica. Tem um discurso que combina ligeireza a uma pseudointelectualidade, se adequa a um padrão estético bem aceito, usa óculos da moda.

Do outro lado, o comentário sobre o jogo não passa pela verborragia envernizada e superficial em voga. É uma fala pouco prolixa, porém muito clara. Quase um desabafo de uma figura que não se ajusta ao ranço eugenista que ainda nos assombra. Um ‘mulato’, competente toda vida, dizia algo assim: “Futebol é grupo. Hoje nós tivemos a oportunidade de mostrar o que é o nosso trabalho. O jogo de hoje refletiu o que os jogadores fizeram no treino tático (pro jogo) e o que ENSAIARAM no treino coletivo.”

A fala é simples e direta: uma síntese. Nela só cabe o essencial e seu reflexo em campo foi a essência do futebol moderno posta em prática. Uma aula de futebol.

Hélio dos Anjos parecia ‘gritar’: ‘Eu sei que não estou na moda e tenho certeza que conheço do riscado’!

Pena que do nosso lado tínhamos (e temos) o símbolo maior do desperdício do melhor plantel desde 1995.

Que os jogadores salvem o nosso Botafogo...

Nota 10: Parabéns à torcida botafoguense que compareceu em ótimo número ao estádio e fez a flapress se contorcer para esconder o fato.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Atlético-GO 2 x 0 Botafogo]

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Jogo ruim + o pior dos males


(Foto original: Fernando Soutello/AGIF)

Para os torcedores que ainda acreditavam que o Alessandro fosse limitado no ataque mas eficiente na defesa, o gol do Santa Fé acabou com essa crença.


Para aqueles (me incluo nessa patota) que sonhavam com o excelente ex-lateral do Atlético-PR jogando pelo Botafogo, o próprio Márcio Azevedo cuidou de desfazer essa ilusão.


Para os que insistiam na tese de que o Everton um dia viria a ser um substituto razoável para uma eventual ausência de Maicosuel ou Elkeson, a noite de ontem provou o contrário.


Para os que tinham na lembrança o limitado, porém aplicado, Somália do Carioca 2010, essa imagem se embaça na memória.


Para quem sente saudades do Lúcio Flávio versão 2008/2010, o Felipe Menezes é a solução para o vazio no peito – e em campo.

Apesar da mediocridade que aparentemente tem origem somente no banco de reservas, Abreu esteve péssimo e os substitutos regulares Lucas Zen e Alex também não estiveram em noite inspirada. Ou seja, foi um apagão geral.

Desconfio da ideia de que o que se viu ontem ter sido fruto exclusivamente de uma incontornável limitação do banco de reservas, pois, apesar da subida de produção a partir da entrada de Elkeson, foi à saída de Felipe Menezes que o Botafogo deu uma guinada e assumiu o controle do jogo.

As presenças de Caio e Elkeson foram fundamentais, mas algo andava muito mal no meio campo e acredito firmemente que o que minou as ações botafoguenses foram os erros de passe, as bolas perdidas de forma bisonha, a letargia e a falta de participação de Felipe Menezes, que se escondeu do jogo 100% do tempo. Creio que essa inoperância do homem de referência do principal setor do campo inibiu a solidez do time como um todo, que não contou com um espaço confiável para escoar a retomada da posse de bola, mantê-la e fazer as jogadas circularem pelo campo de jogo.

Essa fragilidade criou um vácuo criativo que acabou sendo ocupado por investidas de Somália, tentativas frustradas de Everton e sobrecarregou Alex, forçado a constantemente se ver no campo de defesa, quando as jogadas já se encontravam no ataque.

E mais uma vez o técnico botafoguense se mostra incapaz de fazer boa leitura do jogo. Quando o Botafogo retoma o comando das ações de forma contundente – com Elkeson pelo meio dialogando com Caio pela ponta – e descobre uma forma efetiva de explorar o setor direito de ataque – que resultou em gol –, o treinador desloca Elkeson para a esquerda, desmontando inexplicavelmente um sistema eficiente que ele próprio acabara de criar. Incompreensível, incorrigível e repetidamente incompetente.

Acerta quem acredita que temos problemas técnicos no banco de reservas, mas engana-se quem pensa que é a qualidade mediana dos suplentes, o maior dos males por ali.

Nota I: Caio mostrou contundência e provou ser uma ótima opção.

Nota II: Thiago Galhardo não tem características semelhantes às de Felipe Menezes, mas é muito mais confiável e melhor alternativa para o setor.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Botafogo 1 x 1 Santa Fé]

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Botafogo é Seleção


Que partidaço fez o Cortês! Sem firulas, sem pirotecnia; muita calma, visão de jogo e objetividade.

Cortês deixou sua marca nas jogadas que resultaram em gols: com tranquilidade, trouxe para o meio um rebote e iniciou sem estardalhaço* o contra-ataque fulminante que levou ao primeiro gol e fez o penúltimo passe para o segundo.

Cheguei a ficar com uma pontinha de inveja da Seleção, pois quero muito ver o Cortês jogando o que jogou, na noite de ontem, na próxima partida e em todas que jogar pelo Botafogo – acho que essa é uma inveja sem pecado. Fico satisfeito se ele nos reservar três quartos do futebol de ontem – o comedimento é uma virtude. (Será que me livrei do inferno?).

Mas por que ele não apresenta um futebol no mesmo nível que o de ontem, quando joga no Botafogo? Seria algum problema de posicionamento, de orientação tática? Mistérios do futebol...

Os argentinos passaram boa parte do jogo dando pinta de que não dariam trabalho ao Jefferson, mas o Paredão não deixou o público ir para casa sem um bônus carimbado no ingresso. Fez uma boa defesa, depois uma ótima e fechou com uma defesa espetacular.

O Galvão Bueno se disse impressionado com a ‘explosão muscular’ do Jefferson, que observara durante os treinos. Bastou dizê-lo e logo em seguida Galvão ficou muito empolgado – tremendo pleonasmo! –, pois três defesas se sucederam, parecendo uma resposta exemplar em cascata.

Tomara que não dê azar, porque conheço um sujeito que considera o Galvão Bueno um tremendo pé frio. Ele diz que o Galvão foi responsável pela derrota em 86 e pela morte do Sena. Só fala isso quando bebe, mas fala disso o tempo todo, porque bebe o dia inteiro.

Nos pés do Elkeson as faltas desperdiçadas pelo Gaúcho levariam muito mais perigo. As ‘Estrelas da Mídia’ ocuparam o lugar do “Destaque do Brasileirão”, mas deixa estar. É melhor que os holofotes apontem para o outro lado.

Depois do jogo, vi os três botafoguenses ainda no gramado, felizes da vida. Formaram uma rodinha, falaram sei lá o que e deram risadas. Tomara que o papo tenha sido: – Vamo arrebentá no domingo! – É!

Parabéns ao Cortês, ao Jefferson e ao Elkeson! Com o Botafogo na Seleção, dá até para fazer uma forcinha para ver o Brasil jogar.

Saudações botafoguenses!

* “É vantajoso não deixar transparecer que determinado gesto seja um movimento de ataque, pois adiar ao máximo a percepção do oponente quanto à sua condição de presa, potencializa o sucesso do predador.” (Cobra-Coral em, Memórias de um bicho peçonhento e óbvio).

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Empate normal... para técnico trivial

(Foto: Fernando Maia/UOL)

Não seria necessária uma visita a um oráculo para se saber de antemão que o Botafogo começaria bem e na segunda etapa recuaria e, além disso, que o técnico faria péssimas substituições, influenciando diretamente no resultado da partida. Pois ninguém precisa de dotes especiais para notar o padrão simples e repetitivo das atuações de Caio Júnior à beira do campo de jogo.

A posição que o Botafogo ocupa na tabela está estreitamente ligada à força de um meio campo notável. A conjugação entre a dupla de volantes e os meia-atacantes na marcação e no desarme, a boa saída de bola e a ótima distribuição das jogadas, a força e habilidade de Elkeson e a velocidade e técnica de Maicosuel, fazem deste meio campo um verdadeiro pesadelo na vida dos adversários da competição que disputamos.

Mas do que adianta este poderio se, assim que abrimos vantagem, a estratégia é a manutenção e não a ampliação desta vantagem? (Aos 40 do primeiro tempo vi, incrédulo, um Maicosuel – que estava ’voando’ – plantado no campo de defesa, deixando Cortês isolado em uma subida ao ataque). Por que não tentamos ampliar, por que não buscamos definir o jogo quando a situação se mostra promissora?

(Foto: Fernando Maia/UOL)

Na partida de ontem, enquanto o adversário aproveitou o intervalo para se recompor e fez substituições que se tornaram determinantes, Caio Júnior mais uma vez evidenciou sua má leitura de jogo e não respondeu às mudanças do outro lado.

O poder de conclusão de nosso ataque continua sendo um ponto fraco do time. No primeiro tempo foram duas oportunidades claras de gol desperdiçadas e o lance extraordinariamente infeliz de Abreu nos tirou a chance de matar a partida.

O time sentiu a falha gigantesca vinda de uma grande referência do elenco e a ausência de Jefferson mais uma vez nos prejudicou pontualmente – a segunda na competição –, sendo crucial para a diminuição da vantagem.

E eis que a sorte nos falta duplamente, ao nos tirar Maicosuel – por contusão – e obrigar Caio Júnior a protagonizar o comando, infelizmente para nos conduzir ao fracasso.

Caio Júnior – aquele que dispensa as profecias do oráculo – repete-se ao fazer substituições disparatadas e na orientação estorvante junto à linha lateral.

Na ausência de Maicosuel precisávamos de um substituto que desse combate às saídas de bola e às subidas do ala, incomodasse a defesa adversária, mantivesse a posse de bola no setor de ataque e não errasse passes não forçados. Mas Caio Júnior lança Felipe Menezes, um jogador que é o oposto de absolutamente tudo isso.

Não foi por falta de banco que Caio Júnior mais uma vez se equivocou na substituição, porque Alex tem o perfil exato do jogador que precisávamos para ao menos tentar cumprir essas funções.

O treinador errou mais uma vez ao elencar Cidinho para fechar a lateral do campo. Ora, o Cidinho é jogador de flanco, leve, corpo de criança. Entrou e não atacou nem defendeu, sob a visível orientação do técnico, à beira do gramado. Herrera, por pior que estivesse na partida, seria mais útil se permanecesse em campo.

Obviamente o resultado não foi satisfatório e o São Paulo passou a ocupar ¾ do terreno de jogo.

Aos 43 do segundo tempo, não satisfeito com o autoflagelo que impunha ao Botafogo, Caio Júnior parte para o suicídio, tirando Sebastián Abreu. El Loco, no mínimo, mantinha dois adversários no campo de defesa. Além disso, se Caio Júnior fosse o estudioso do futebol que tanto se autoproclama, deveria saber que estávamos em desvantagem na média de altura e que qualquer retranca eficiente se concentra firmemente no resguardo a bolas alçadas à área, principalmente em um momento do jogo em que o adversário iria, evidentemente, fazer uso deste recurso.

(Foto original: Cezar Loureiro/Globo)

Um dos atributos que diferenciam um técnico vitorioso de um profissional qualquer é a observação de detalhes importantes como este. Dizer que voltou ao país para ser campeão brasileiro não confere qualidade excepcional a ninguém, pois está ao alcance de todos. Conquistar um título nacional, porém, não está ao alcance de qualquer um.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Botafogo 2 x 2 São Paulo]

domingo, 25 de setembro de 2011

Lacan é o escambau!


- Quer dizer que o seu teste não serviu pra tirar nenhuma conclusão, né?
- Futebol é assim...
- Assim como?
- Imprevisível.
- Mas você já sabia disso, né não?
- Sabia.
- Se você sabia que é imprevisível, fez o teste pra quê?
- Pra tentar chegar a uma conclusão, quer dizer, tentar entender o que...
- Embromando de novo?
- Que embromando, nada!
- Embromando, sim! Esse teste é só um jeito que você encontrou pra se desviar do principal.
- Que principal?
- A sua dúvida.
- Que dúvida?
- Você não sabe se torce ou se analisa.
- Mas eu torço e analiso!
- Tá aí a causa do teu problema.
- Ué... Então eu não posso torcer e analisar?
- Pode.
- Então qual é o problema, seu cachorro maluco?!
- É muito simples. Você pode torcer e pode analisar, mas não pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
- E por que não?
- Porque você não consegue aceitar o torcedor e o analista como partes integrantes do seu Id multifacetado e acaba projetando o impulso de um no outro e vice versa.
- Que estrovenga desgraçada! Quem disse que eu não me aceito como torcedor?
- Ôpa! Ó o Lacan aí, gente!
- Lacan é o escambau!
- Então quer dizer que o Luiz analista não passa de um Luiz torcedor sublimado, um cachorro louco e fanático sendo racionalizado à fórceps, né?
- Que nada! A campanha maluca do Botafogo é uma maquininha de fazer neurótico e sou eu o desajustado?
- Pura resistência...
- Que resistência que nada, Biriba! Pode me encher o saco, seu prego! No final, cachorro não entra no estádio, quem vai ao jogo sou eu e você fica aí roendo o pé do sofá, mané!
- Hum... Tá melhorando. Liberando as pulsões...
- Pô, Biriba, desculpa aí. Passei dos limites. Quer um osso?
- Êita! Começou a expiação...

(Engenhão em preto e branco - foto original: Claudio Lara)

Faz uma canja de galinha e toma um Targifor C. Veste uma jaqueta bem forrada e não esquece o guarda-chuva. Se você for um precavido mórbido, junta um bote inflável, um colete salva-vidas e um punhado de sinalizadores no porta-malas, mas não deixa de ir ao estádio. Porque domingo é dia de Botafogo!

Vamos lotar o Engenhão, cachorrada!

Saudações botafoguenses!

PS: Ingressos à venda até as 13h de hoje, em General e no Caio Martins.