terça-feira, 11 de outubro de 2011

Os meninos da 7

Por Alvaro Caetano Pimentel Sobrinho:
Botafoguense de nascimento e alvinegro de coração



Sete por 7 media cada lado do campo em que um grupo de moleques jogavam uma deliciosa pelada, próximo à rua 7 de um glorioso bairro da cidade.

A partida era de 7 gols em uma trave que media 7 passos marcados com 7 chinelos empilhados como traves.

Os dois times se dividiam nos 7 meninos de camisa preta e nos 7 meninos de camisa branca.

Os 7 moleques da camisa preta se chamavam Maurício, Helinho, Túlio, Rogério, Zequinha, Maicosuel e Gil. Os outros 7 da camisa branca eram Dodô, Roberto Miranda, Jairzinho, Edson, Geraldo, Paraguaio e Mané Garrincha.

Não valia gol feio e nem de fora da área porque nessa pelada não tinha goleiro.

Para fazer o gol eram necessários 7 dribles ou 7 tabelas e tinha que fazer parte de um manual de gols bonitos.

A torcida era composta de 7 pássaros que ficavam cantarolando nos fios ao lado do campinho de terra e batendo as asas a cada jogada bonita. Nossa, e como batiam asas.

Cada pássaro tinha um eleito de cada lado do campo e por isso se podia ver a ginga do papagaio, a velocidade do pardal, o canto do curió, o agito do sabiá e a destreza do canário belga. Porém, quem mais cantava era a cambaxirra e quem mais se agitava era o corrupião tal qual um furacão.

E a partida rolava dentro das 7 linhas básicas que compõem um campo de pelada: duas linhas de fundo, duas linhas de laterais, uma de meio de campo e uma linha para cada área. Cada jogada pintava quadros de magia que os 7 moleques de cada lado construíam com a pequena bola feita com 7 meias pretas e 7 meias brancas.

Cada um dos 7 de camisa preta e dos 7 de camisa branca definiram que a pelada precisa de um troféu que deveria ter uma representação diferente.

A forma de uma taça? A forma de uma bola? Não! O troféu tinha que ter uma representação divina. Deveria ser uma estrela!

E os 7 pássaros, como as 7 notas de uma escala musical, entoavam um hino de louvor aos 7 pequenos grandes craques das camisas pretas e aos 7 pequenos grandes craques das camisas branca que lutavam aguerridos por uma estrela.

Botafogo, Botafogo,

Campeão desde mil novecentos e 7...

domingo, 9 de outubro de 2011

Mesmos erros + outros


Estamos cansados de saber que nossa defesa é deficiente em lances pelo alto e que nosso sistema é falho nas coberturas às subidas dos laterais. Ou seja, era de se esperar que Joel Santana armaria um ferrolho e tentaria explorar os contra-ataques e as bolas alçadas à área. Até aí, nenhuma novidade.

Acho difícil imaginar como contornar a deficiência da zaga. Mas impossível mesmo seria imaginar que a estratégia botafoguense para furar o previsível ferrolho adversário fosse o afunilamento do jogo, muito menos sabendo que contávamos com jogadores velozes e insinuantes, e de ótimo desempenho pelas laterais do campo, como Maicosuel, Elkeson, Caio e Alex. Mas a concepção de Caio Júnior a respeito do futebol supera qualquer expectativa, sempre negativamente.

Logo aos 2 minutos de jogo, Caio – o ponta – lançou uma pista de que a busca por jogadas pelo meio seria a estratégia – tosca – para tentar furar o bloqueio do time baiano, quando abriu mão de uma tabela na lateral e investiu pelo centro. Começamos equivocados.

O primeiro gol adversário se anunciava, pois o pífio desempenho da zaga em bolas pelo alto é sempre um convite ao sofrimento e não foi diferente na noite de ontem. A reposição de bola de Renan foi bizarra – tanto que Cortês foi pego de surpresa –, mas isso não diminui a incapacidade de recuperação que o lateral demonstrou. Cheguei a contestar a escalação de Cortês para marcar o chorão adversário, mas entendi a escolha, visto que ambos são lentos e Antonio Carlos e Fábio Ferreira não transmitem segurança.

Caio mais uma vez mostra-se não confiável, pois desperdiça facilmente o que constrói com dificuldade. Saímos em desvantagem para o intervalo por força de mais uma exibição de individualismo infantil, que revela o que pode se tornar um empecilho para que o atacante se firme como titular de times de ponta do cenário nacional.

Caio Júnior acertou ao lançar William e aos 12 do segundo tempo já estávamos em vantagem, com a participação direta do atacante, no primeiro gol.

O pênalti bisonho de Marcelo Mattos e suas últimas atuações são preocupantes.

Uma pena perdermos a oportunidade de nos vingar do chorão adversário, quando Renan desperdiçou a oportunidade de defender um pênalti sem sair do lugar.

A inexplicável insistência em concentrar o jogo pelo meio – que aumentava com o decorrer da partida –, a ausência de jogadas de ataque bem articuladas ou ensaiadas e, pior, a involução do jogo botafoguense para o chuveirinho reduziram nossas possibilidades de reverter o resultado, mesmo jogando contra um adversário em desvantagem numérica.

Vejo indícios de um time que está longe de brigar pelo título e que se aproxima perigosamente de uma sexta posição.

Nota I: O aspecto psicológico da equipe mais uma vez esteve lamentável e coloca em questão o trabalho feito pelos profissionais do setor – já há muito tempo.

Nota II: As vaias da torcida já aos 20 do primeiro tempo eram direcionadas ao time, ao treinador, a ambos ou à diretoria que promove e mantém o espetáculo medíocre que nenhum botafoguense gostaria de ver?

Nota III: Elkeson anda demonstrando o que fez a torcida do Vitória querer vê-lo longe de Salvador. Seu futebol arrasador, que conquistou torcedores e o levou a ser eleito o destaque da competição, parece ter ficado em algum lugar do passado. Será que a ‘vitrine Botafogo’ já deu o que tinha que dar?

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Botafogo 2 x 2 Bahia]

sábado, 8 de outubro de 2011

Desobediência civil

Somente a inteligência, o espírito competitivo, o talento, o sentido coletivo e a total entrega de nossos jogadores, somados ao apoio incondicional da torcida, podem nos levar ao título.

(Campeão Carioca de 1907 - Em pé: Alvaro, Raul e Werneck; Ajoelhados: Viveiros, Norman Hime e Lulu; Sentados: Ataliba Sampaio, Flávio Ramos, Canto, Gilbert Hime e Emmanuel)

“Faltavam três minutos para o jogo acabar. O treinador acerta quando o time ganha e erra quando o time perde. Qual era a ideia? Explorar a velocidade com o Elkeson e o Cidinho e reforçar o meio. Ai aconteceu a bola parada. Não teve nada a ver com a saída de um ou de outro jogador.” (Caio Júnior – ao GloboEsporte – ‘justificando’ a substituição de Abreu, aos 43 do segundo tempo, no empate contra o São Paulo).

Caio Júnior parece ser um homem de boa índole, um sujeito bem educado e tal. Mas se nosso destino dependesse das orientações de um treinador que afirma com convicção o que foi dito acima, nossa estrada seria um beco sem saída e muito curto. Por isso faço um apelo ao elenco.

Peço aos jogadores do Botafogo de Futebol e Regatas que não ouçam as orientações que vêm da beira do campo. Desobedeçam.

Reúnam-se após os treinamentos, na concentração. Troquem ideias, combinem jogadas. Apliquem o que aprenderam ao longo dos anos.

A torcida confia no futebol de vocês, mas duvida da capacidade de Caio Júnior.

Portanto, que sejam vocês os responsáveis pelo destino do Botafogo. Abram caminho. Quando as dúvidas se apresentarem, vocês saberão que rumo tomar.

Não deixem que seu êxito seja impedido pelo profissional que contrataram para orientá-los, mas que os tem guiado para longe do sucesso.

Planejem com astúcia um motim velado e virem o jogo. Estejam certos de que a torcida vai perceber que algo mudou para melhor. E, mesmo que a razão do sucesso seja um segredo entre vocês, os botafoguenses e a história do futebol nunca se esquecerão de um time campeão brasileiro.

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Aula de futebol


Há muito tempo comento que nosso time não constrói jogadas de ataque bem desenhadas, não tem posicionamento defensivo bem estruturado, possui um miolo de zaga desatento e conclui mal quando surgem oportunidades de gol. Durante esse tempo me faltou um modelo concreto que definisse, dentro de campo, conceitos como ‘articulações de ataque bem definidas’, ‘coordenação defensiva’, ‘espírito competitivo’ e etc, até a noite de hoje (ontem). Porque o Atlético-GO é um exemplo perfeito de que minha fala não era palavrório; o time goiano tirou do papel tudo isso e mais um pouco.

Hélio dos Anjos orquestrou uma aula prática de futebol através de sua equipe, o melhor futebol tático que tive a oportunidade de assistir na competição – e com SEIS ‘reservas’.

Movimentações de ataque envolventes, transições bem articuladas entre os setores, sistema defensivo dinâmico e muito bem coordenado, comportamento competitivo, compreensão da estratégia proposta para o jogo, aplicação tática, ou seja, muito do que gostaria de ver sendo executado do nosso lado e que tivemos poucas oportunidades de assistir durante o campeonato – diria que no jogo contra o Palmeiras percebi esboços identificáveis e contra o Ceará parte deste receituário foi levado a cabo.

O conhecimento sobre futebol e a capacidade de colocar conceitos em prática coloca um abismo entre Hélio dos Anjos e Caio Júnior. Enquanto o primeiro sabia que ao adiantar sua marcação desmontaria o sistema engessado, previsível e simplório deste último, Caio Júnior não foi capaz nem mesmo de perceber que sua mexida no intervalo foi determinante para que seu time passasse a equilibrar as ações. E, mesmo que tenha notado a mudança de paradigma, não identificou as causas que levaram a esta mudança.

Ao liberar Renato para transitar na intermediária adversária, Elkeson cresceu no jogo. Porém (sempre existe um ‘porém’ em se tratando de Caio Júnior), quando o Botafogo atravessava seu melhor momento na partida, Caio Júnior mais uma vez destruiu o que acabara de construir, tirando de campo a principal peça do time, o jogador mais efetivo da equipe, o sujeito mais temido pelo treinador adversário.

A saída de Elkeson era tudo o que Hélio dos Anjos queria, mas jamais iria imaginar que fosse justamente o técnico adversário quem lhe daria esse presente de bandeja.

Caio era sem dúvida um nome a ser cogitado, mas nunca funcionaria bem como força motriz a partir do centro da intermediária, pois é jogador de flanco. Com a mudança, Caio Júnior matou a possibilidade real de reversão do resultado, pois o time reagia de maneira obstinada e efetiva e tinha em Elkeson sua mola propulsora. E justo em uma fase da partida que o adversário sentia a fadiga, fruto do ritmo intenso que empreendera até então.

Caio Júnior é um caso exemplar de um produto típico de uma sociedade baseada no marketing, e que produz muitos bens fugazes e de pouca utilidade, onde a meritocracia é palavra arcaica. Tem um discurso que combina ligeireza a uma pseudointelectualidade, se adequa a um padrão estético bem aceito, usa óculos da moda.

Do outro lado, o comentário sobre o jogo não passa pela verborragia envernizada e superficial em voga. É uma fala pouco prolixa, porém muito clara. Quase um desabafo de uma figura que não se ajusta ao ranço eugenista que ainda nos assombra. Um ‘mulato’, competente toda vida, dizia algo assim: “Futebol é grupo. Hoje nós tivemos a oportunidade de mostrar o que é o nosso trabalho. O jogo de hoje refletiu o que os jogadores fizeram no treino tático (pro jogo) e o que ENSAIARAM no treino coletivo.”

A fala é simples e direta: uma síntese. Nela só cabe o essencial e seu reflexo em campo foi a essência do futebol moderno posta em prática. Uma aula de futebol.

Hélio dos Anjos parecia ‘gritar’: ‘Eu sei que não estou na moda e tenho certeza que conheço do riscado’!

Pena que do nosso lado tínhamos (e temos) o símbolo maior do desperdício do melhor plantel desde 1995.

Que os jogadores salvem o nosso Botafogo...

Nota 10: Parabéns à torcida botafoguense que compareceu em ótimo número ao estádio e fez a flapress se contorcer para esconder o fato.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Atlético-GO 2 x 0 Botafogo]

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Jogo ruim + o pior dos males


(Foto original: Fernando Soutello/AGIF)

Para os torcedores que ainda acreditavam que o Alessandro fosse limitado no ataque mas eficiente na defesa, o gol do Santa Fé acabou com essa crença.


Para aqueles (me incluo nessa patota) que sonhavam com o excelente ex-lateral do Atlético-PR jogando pelo Botafogo, o próprio Márcio Azevedo cuidou de desfazer essa ilusão.


Para os que insistiam na tese de que o Everton um dia viria a ser um substituto razoável para uma eventual ausência de Maicosuel ou Elkeson, a noite de ontem provou o contrário.


Para os que tinham na lembrança o limitado, porém aplicado, Somália do Carioca 2010, essa imagem se embaça na memória.


Para quem sente saudades do Lúcio Flávio versão 2008/2010, o Felipe Menezes é a solução para o vazio no peito – e em campo.

Apesar da mediocridade que aparentemente tem origem somente no banco de reservas, Abreu esteve péssimo e os substitutos regulares Lucas Zen e Alex também não estiveram em noite inspirada. Ou seja, foi um apagão geral.

Desconfio da ideia de que o que se viu ontem ter sido fruto exclusivamente de uma incontornável limitação do banco de reservas, pois, apesar da subida de produção a partir da entrada de Elkeson, foi à saída de Felipe Menezes que o Botafogo deu uma guinada e assumiu o controle do jogo.

As presenças de Caio e Elkeson foram fundamentais, mas algo andava muito mal no meio campo e acredito firmemente que o que minou as ações botafoguenses foram os erros de passe, as bolas perdidas de forma bisonha, a letargia e a falta de participação de Felipe Menezes, que se escondeu do jogo 100% do tempo. Creio que essa inoperância do homem de referência do principal setor do campo inibiu a solidez do time como um todo, que não contou com um espaço confiável para escoar a retomada da posse de bola, mantê-la e fazer as jogadas circularem pelo campo de jogo.

Essa fragilidade criou um vácuo criativo que acabou sendo ocupado por investidas de Somália, tentativas frustradas de Everton e sobrecarregou Alex, forçado a constantemente se ver no campo de defesa, quando as jogadas já se encontravam no ataque.

E mais uma vez o técnico botafoguense se mostra incapaz de fazer boa leitura do jogo. Quando o Botafogo retoma o comando das ações de forma contundente – com Elkeson pelo meio dialogando com Caio pela ponta – e descobre uma forma efetiva de explorar o setor direito de ataque – que resultou em gol –, o treinador desloca Elkeson para a esquerda, desmontando inexplicavelmente um sistema eficiente que ele próprio acabara de criar. Incompreensível, incorrigível e repetidamente incompetente.

Acerta quem acredita que temos problemas técnicos no banco de reservas, mas engana-se quem pensa que é a qualidade mediana dos suplentes, o maior dos males por ali.

Nota I: Caio mostrou contundência e provou ser uma ótima opção.

Nota II: Thiago Galhardo não tem características semelhantes às de Felipe Menezes, mas é muito mais confiável e melhor alternativa para o setor.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Botafogo 1 x 1 Santa Fé]

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Botafogo é Seleção


Que partidaço fez o Cortês! Sem firulas, sem pirotecnia; muita calma, visão de jogo e objetividade.

Cortês deixou sua marca nas jogadas que resultaram em gols: com tranquilidade, trouxe para o meio um rebote e iniciou sem estardalhaço* o contra-ataque fulminante que levou ao primeiro gol e fez o penúltimo passe para o segundo.

Cheguei a ficar com uma pontinha de inveja da Seleção, pois quero muito ver o Cortês jogando o que jogou, na noite de ontem, na próxima partida e em todas que jogar pelo Botafogo – acho que essa é uma inveja sem pecado. Fico satisfeito se ele nos reservar três quartos do futebol de ontem – o comedimento é uma virtude. (Será que me livrei do inferno?).

Mas por que ele não apresenta um futebol no mesmo nível que o de ontem, quando joga no Botafogo? Seria algum problema de posicionamento, de orientação tática? Mistérios do futebol...

Os argentinos passaram boa parte do jogo dando pinta de que não dariam trabalho ao Jefferson, mas o Paredão não deixou o público ir para casa sem um bônus carimbado no ingresso. Fez uma boa defesa, depois uma ótima e fechou com uma defesa espetacular.

O Galvão Bueno se disse impressionado com a ‘explosão muscular’ do Jefferson, que observara durante os treinos. Bastou dizê-lo e logo em seguida Galvão ficou muito empolgado – tremendo pleonasmo! –, pois três defesas se sucederam, parecendo uma resposta exemplar em cascata.

Tomara que não dê azar, porque conheço um sujeito que considera o Galvão Bueno um tremendo pé frio. Ele diz que o Galvão foi responsável pela derrota em 86 e pela morte do Sena. Só fala isso quando bebe, mas fala disso o tempo todo, porque bebe o dia inteiro.

Nos pés do Elkeson as faltas desperdiçadas pelo Gaúcho levariam muito mais perigo. As ‘Estrelas da Mídia’ ocuparam o lugar do “Destaque do Brasileirão”, mas deixa estar. É melhor que os holofotes apontem para o outro lado.

Depois do jogo, vi os três botafoguenses ainda no gramado, felizes da vida. Formaram uma rodinha, falaram sei lá o que e deram risadas. Tomara que o papo tenha sido: – Vamo arrebentá no domingo! – É!

Parabéns ao Cortês, ao Jefferson e ao Elkeson! Com o Botafogo na Seleção, dá até para fazer uma forcinha para ver o Brasil jogar.

Saudações botafoguenses!

* “É vantajoso não deixar transparecer que determinado gesto seja um movimento de ataque, pois adiar ao máximo a percepção do oponente quanto à sua condição de presa, potencializa o sucesso do predador.” (Cobra-Coral em, Memórias de um bicho peçonhento e óbvio).

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Empate normal... para técnico trivial

(Foto: Fernando Maia/UOL)

Não seria necessária uma visita a um oráculo para se saber de antemão que o Botafogo começaria bem e na segunda etapa recuaria e, além disso, que o técnico faria péssimas substituições, influenciando diretamente no resultado da partida. Pois ninguém precisa de dotes especiais para notar o padrão simples e repetitivo das atuações de Caio Júnior à beira do campo de jogo.

A posição que o Botafogo ocupa na tabela está estreitamente ligada à força de um meio campo notável. A conjugação entre a dupla de volantes e os meia-atacantes na marcação e no desarme, a boa saída de bola e a ótima distribuição das jogadas, a força e habilidade de Elkeson e a velocidade e técnica de Maicosuel, fazem deste meio campo um verdadeiro pesadelo na vida dos adversários da competição que disputamos.

Mas do que adianta este poderio se, assim que abrimos vantagem, a estratégia é a manutenção e não a ampliação desta vantagem? (Aos 40 do primeiro tempo vi, incrédulo, um Maicosuel – que estava ’voando’ – plantado no campo de defesa, deixando Cortês isolado em uma subida ao ataque). Por que não tentamos ampliar, por que não buscamos definir o jogo quando a situação se mostra promissora?

(Foto: Fernando Maia/UOL)

Na partida de ontem, enquanto o adversário aproveitou o intervalo para se recompor e fez substituições que se tornaram determinantes, Caio Júnior mais uma vez evidenciou sua má leitura de jogo e não respondeu às mudanças do outro lado.

O poder de conclusão de nosso ataque continua sendo um ponto fraco do time. No primeiro tempo foram duas oportunidades claras de gol desperdiçadas e o lance extraordinariamente infeliz de Abreu nos tirou a chance de matar a partida.

O time sentiu a falha gigantesca vinda de uma grande referência do elenco e a ausência de Jefferson mais uma vez nos prejudicou pontualmente – a segunda na competição –, sendo crucial para a diminuição da vantagem.

E eis que a sorte nos falta duplamente, ao nos tirar Maicosuel – por contusão – e obrigar Caio Júnior a protagonizar o comando, infelizmente para nos conduzir ao fracasso.

Caio Júnior – aquele que dispensa as profecias do oráculo – repete-se ao fazer substituições disparatadas e na orientação estorvante junto à linha lateral.

Na ausência de Maicosuel precisávamos de um substituto que desse combate às saídas de bola e às subidas do ala, incomodasse a defesa adversária, mantivesse a posse de bola no setor de ataque e não errasse passes não forçados. Mas Caio Júnior lança Felipe Menezes, um jogador que é o oposto de absolutamente tudo isso.

Não foi por falta de banco que Caio Júnior mais uma vez se equivocou na substituição, porque Alex tem o perfil exato do jogador que precisávamos para ao menos tentar cumprir essas funções.

O treinador errou mais uma vez ao elencar Cidinho para fechar a lateral do campo. Ora, o Cidinho é jogador de flanco, leve, corpo de criança. Entrou e não atacou nem defendeu, sob a visível orientação do técnico, à beira do gramado. Herrera, por pior que estivesse na partida, seria mais útil se permanecesse em campo.

Obviamente o resultado não foi satisfatório e o São Paulo passou a ocupar ¾ do terreno de jogo.

Aos 43 do segundo tempo, não satisfeito com o autoflagelo que impunha ao Botafogo, Caio Júnior parte para o suicídio, tirando Sebastián Abreu. El Loco, no mínimo, mantinha dois adversários no campo de defesa. Além disso, se Caio Júnior fosse o estudioso do futebol que tanto se autoproclama, deveria saber que estávamos em desvantagem na média de altura e que qualquer retranca eficiente se concentra firmemente no resguardo a bolas alçadas à área, principalmente em um momento do jogo em que o adversário iria, evidentemente, fazer uso deste recurso.

(Foto original: Cezar Loureiro/Globo)

Um dos atributos que diferenciam um técnico vitorioso de um profissional qualquer é a observação de detalhes importantes como este. Dizer que voltou ao país para ser campeão brasileiro não confere qualidade excepcional a ninguém, pois está ao alcance de todos. Conquistar um título nacional, porém, não está ao alcance de qualquer um.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Botafogo 2 x 2 São Paulo]

domingo, 25 de setembro de 2011

Lacan é o escambau!


- Quer dizer que o seu teste não serviu pra tirar nenhuma conclusão, né?
- Futebol é assim...
- Assim como?
- Imprevisível.
- Mas você já sabia disso, né não?
- Sabia.
- Se você sabia que é imprevisível, fez o teste pra quê?
- Pra tentar chegar a uma conclusão, quer dizer, tentar entender o que...
- Embromando de novo?
- Que embromando, nada!
- Embromando, sim! Esse teste é só um jeito que você encontrou pra se desviar do principal.
- Que principal?
- A sua dúvida.
- Que dúvida?
- Você não sabe se torce ou se analisa.
- Mas eu torço e analiso!
- Tá aí a causa do teu problema.
- Ué... Então eu não posso torcer e analisar?
- Pode.
- Então qual é o problema, seu cachorro maluco?!
- É muito simples. Você pode torcer e pode analisar, mas não pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
- E por que não?
- Porque você não consegue aceitar o torcedor e o analista como partes integrantes do seu Id multifacetado e acaba projetando o impulso de um no outro e vice versa.
- Que estrovenga desgraçada! Quem disse que eu não me aceito como torcedor?
- Ôpa! Ó o Lacan aí, gente!
- Lacan é o escambau!
- Então quer dizer que o Luiz analista não passa de um Luiz torcedor sublimado, um cachorro louco e fanático sendo racionalizado à fórceps, né?
- Que nada! A campanha maluca do Botafogo é uma maquininha de fazer neurótico e sou eu o desajustado?
- Pura resistência...
- Que resistência que nada, Biriba! Pode me encher o saco, seu prego! No final, cachorro não entra no estádio, quem vai ao jogo sou eu e você fica aí roendo o pé do sofá, mané!
- Hum... Tá melhorando. Liberando as pulsões...
- Pô, Biriba, desculpa aí. Passei dos limites. Quer um osso?
- Êita! Começou a expiação...

(Engenhão em preto e branco - foto original: Claudio Lara)

Faz uma canja de galinha e toma um Targifor C. Veste uma jaqueta bem forrada e não esquece o guarda-chuva. Se você for um precavido mórbido, junta um bote inflável, um colete salva-vidas e um punhado de sinalizadores no porta-malas, mas não deixa de ir ao estádio. Porque domingo é dia de Botafogo!

Vamos lotar o Engenhão, cachorrada!

Saudações botafoguenses!

PS: Ingressos à venda até as 13h de hoje, em General e no Caio Martins.

sábado, 24 de setembro de 2011

O Teste dos 5 Jogos


Passaram-se cinco rodadas desde o início do ‘teste dos cinco jogos’ e seria perfeitamente natural que ele se encerrasse sem subterfúgios. Mas confesso que gostaria de dar uma espichadinha para incluir o jogo de amanhã, pois acredito que seria um fechamento perfeito. No entanto, o Biriba me deu um ultimato alegando que eu estava me enredando em uma tergiversação insustentável. O Biriba é muito criterioso.

Para quem não sabe, criei o ‘teste dos cinco jogos’ como ferramenta para avaliar as reais possibilidades e intenções do Botafogo na competição. Ele teve início na primeira partida do segundo turno e terminou na última rodada.

À análise:

Foram três vitórias, um empate e uma derrota. Em termos percentuais, nosso aproveitamento foi de 66,7%. Nada mal, levando-se em consideração os últimos três campeões, que obtiveram médias finais de 62, 57 e 65,8% – em 2010, 2009 e 2008, respectivamente.

Deixando os números de lado, acredito que vencemos o Palmeiras sem deixar dúvidas e que sobramos contra o Ceará. No entanto, a vitória sobre o Grêmio foi apertada. No empate jogamos sem espírito competitivo e de forma acovardada e na derrota fomos massacrados no segundo tempo.

Voltando aos números, de zero a dez minhas notas são as seguintes:

Botafogo 3 x 1 Palmeiras: 7,5
Botafogo 4 x 0 Ceará: 9
Coritiba 5 x 0 Botafogo: 3
Botafogo 1 x 1 Flamengo: 5
Grêmio 0 x 1 Botafogo: 6

Média: 6,1

Enquanto a pontuação no primeiro quarto do segundo turno tende claramente a caracterizar o Botafogo como sério candidato ao título, minha avaliação subjetiva aponta para um time que briga por uma vaga na Libertadores.

Como a estatística é uma ótima ferramenta para projetar tendências, mas o futebol é uma caixinha de surpresas, fico na torcida para que o aproveitamento prevaleça sobre o desempenho segundo a minha ótica.

Saudações botafoguenses!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

16 anos depois

(Foto: Wesley Santos/O Globo)

Maicosuel definitivamente voltou. Não foi só na partida de ontem que ele mostrou que está muito perto de ser o Maic que conhecemos, mas foi decisivo para a vitória e também para começar a apagar o estigma de um Botafogo que não vence fora de casa. Além de se juntar a Abreu para garantir os três pontos, mandou para o ralo a escrita dos 16 anos sem vencer o Grêmio no Olímpico (boas lembranças?).

Na noite de ontem superamos: uma marcação de final de Libertadores; a fraca atuação do Herrera; um Lucas pouco inspirado; um duplo não acontecimento aos 2 do primeiro tempo; o exagero nas firulas e no individualismo do Elkeson; o pesadelo das bolas pelo alto no miolo da defesa; o suspense pela presença do Alessandro; o Cortês resolvendo não matar a partida e nem vitaminar nosso saldo de gols; o mesmo juiz que expulsou o Jobson por se esquivar de um safanão; o Grêmio no Olímpico e o Corinthians na tabela. (A torcida contra do LC Jr não conta).

(Foto original: Ricardo Rimoli/Lance)

Mesmo que nosso meio de campo estivesse longe do ótimo futebol que apresenta regularmente, o jogo morno de ontem não deixou de servir para mostrar que sofremos demais quando o adversário adianta a marcação.

Essa estória de Seleção não só desfalca o time, mas também parece que mexe com a cabeça do sujeito. O deslumbre e/ou o entusiasmo roubam a concentração e quem me provar que o sujeito não vai tirar o pé nas divididas ganha uma mariola e um cigarro Yolanda.

Não foi exagero a chamada na cincha do Abreu para cima do Cortês – e talvez do Elkeson também –, por não ter(em) passado a bola em chances claras de gol. Fora o desperdício de oportunidades de matar o jogo, é o saldo de gols o que nos coloca à frente do Corinthians, saldo que poderia ser de mais de um gol de diferença.

Apesar de achar que o Jefferson exagerou na cera, a punição com o amarelo não corresponde ao critério empregado durante a competição. Por falar nisso, é escandalosa a forma como somos punidos com cartões: o do Elkeson foi ‘cirúrgico’, o do Renato foi surrealista e o do Lucas foi descriterioso. Mas como ultimamente nosso presidente está mais ligado à política partidária do que ao Botafogo, sobrou para o elenco assumir a superação desse estorvo.

Foi curioso observar o árbitro ir pessoalmente ‘cuidar da recuperação’ do Jefferson depois de uma trombada e também constatar que ele deu 4 minutos de acréscimo, em uma etapa que teve duas breves paralisações. Tudo indica que o Sr. Alício Pena Júnior estava adorando o espetáculo, mas não temos meios de saber se gostou do resultado.

Voltamos à condição de não depender de resultado alheio para assumir a liderança.

[Link para os melhores momentos: Grêmio 0 x 1 Botafogo]

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O estádio deles é azul


Saudações botafoguenses!

O começo do fim do teste


- Essa chatice de teste acaba hoje, né?
- Acho que sim.
- Acha?!
- É que eu estava pensando em ajustar...
- Que ajustar que nada, meu caro! Foi você que inventou as regras dessa estória de teste de cinco jogos. Agora encara.
- Mas é que...
- Mas é que o quê? Tá cabreiro? Tá com medo de não dar o que você queria?
- Não é bem assim...
- É muito bem assim, sim, meu chapa! Tava aí todo empolgado depois do Palmeiras e do Ceará, agora começa a roer a corda?
- Acontece que...
- Acontece que depois do sacode e do empate broxante você perdeu a pose, isso sim!
- Que pose? Eu não sou disso.
- Ah, faz-me rir... Vai dizer que não tava sentido a maior firmeza?!
- Eu sou um cético, um sujeito racional. Eu não...
- Eu não é o escambau! Botou o medidor de stress em 16% faltando 16 rodadas... Pensa que eu não vi essa gracinha?
- Era uma figura retórica, um...
- Para com a embromação, Luiz! Esse papo de figura retórica é pura retórica, maluco! Você tava era achando que o time ia arrebentar e tá aí se tremendo todo. Achava que a gente ia ser líder com um jogo a menos e o time tá perdendo o fôlego a 14 rodadas da praia. Confessa, cara!
- Não é bem isso.
- É bem o quê, então?
- É que teve o adiamento do jogo contra o Santos.
- Mas você já substituiu pelo jogo de hoje.
- É, mas o jogo contra o São Paulo meio que fecha um ciclo.
- O que fecha um ciclo é você dar um fim nesse teste falcatrua e estamos conversados!
- Mas o São Paulo é adversário direto...
- Direto é o que eu queria que você fosse, mas tá aí embromando mais do que político explicando aumento de patrimônio.
- Ô, também não precisa ofender, né?
- Sem ofensa.
- Tem certeza que...
- Tenho, pô!
- Tudo bem, o teste acaba hoje.
- E tomara que você não me venha com um post em resposta àquela porcaria que você escreveu na semana passada.
- Que porcaria?
- Aquela estória do cinco.
- Mas aquele texto é bom.
- Tô tomando Plasil até hoje...
- O texto é bom, Biriba!
- É uma droga.


Saudações botafoguenses!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Discurso e futebol


É sabido que a diretoria botafoguense exigiu que Caio Júnior dirigisse a equipe evitando um esquema tático baseado exclusivamente nos contra-ataques e nas ligações diretas – leia-se ‘chutão pra frente’. Não seria necessário um gênio do marketing para constatar que este era o principal foco de rejeição ao comando de Joel Santana, por parte dos torcedores. ‘Jogaram para a torcida’, literalmente.

Caio Júnior respondeu ao chamado e declarou que pretendia implementar um esquema baseado no modelo de futebol europeu. Juntou a isso a ideia de que trabalharia para tornar o time ofensivo – “Um sonho que eu tenho é colocar o time pra frente” – e que gostaria de “fazer com que o torcedor goste de ver a equipe jogar”.

O discurso do novo treinador foi aceito pela maioria dos torcedores e pela imprensa especializada. Plateia ganha.

No entanto, não consigo juntar na mesma frase “modelo europeu” com “colocar o time pra frente”. Digo isso porque um dos aspectos comuns a grande parte das equipes e seleções nacionais europeias não é um suposto posicionamento ofensivo, mas a busca por um equilíbrio entre os setores de jogo.

Além disso, apesar de gostar de ver o time jogando no ataque, o que o torcedor quer mesmo é ver o time ganhar – que o diga o torcedor da Inter de Milão.

Inclusive, acredito que os europeus, em sua maioria, começam a desenhar suas equipes a partir da defesa. Com uma defesa mal posicionada e descoordenada, por mais contundente que seja o ataque, em algum momento o fracasso vai prevalecer, principalmente em competições de tiro longo.

Caio Júnior já demonstrou que em seu discurso inaugural estava ‘jogando para a torcida’ parcialmente. Sua equipe tende a se postar de forma compacta na maioria das partidas – principalmente desde a 15ª rodada, o jogo contra o Vasco. Mas, infelizmente, também revela que ainda há um resquício de dúvida em relação ao modelo proposto, quando lança o time ao ataque a qualquer preço, e a partida contra o Coritiba é um exemplo do prejuízo que uma indecisão deste tipo pode causar.

A opção pelo ataque tresloucado não surpreenderia – pois corresponde ao discurso de chegada –, não fossem as várias ocasiões em que abriu mão da ofensividade, quando esta era visivelmente uma escolha perfeitamente factível – vide o jogo contra o Flamengo. Uma incógnita.

Apesar de ainda oscilante quanto à solidez defensiva, a valorização da posse de bola é ideia já enraizada na equipe e o meio campo do time vem sendo notável para a garantia desse atributo.

A referência de Caio Júnior ao modelo europeu me leva a questionar a falta de jogadas de ataque bem articuladas, contra-ataques claramente desenhados e jogadas ensaiadas, elementos presentes nas equipes de ponta da Europa. Esboços desses componentes foram notados na partida contra o Palmeiras e uma excelente troca de passes levou a um golaço contra o Ceará. Mas, por motivos insondáveis, o time não dá sequência ao aprimoramento do que já foi assimilado e, ao contrário disso, regride.

A péssima leitura dos jogos é uma falha crônica de Caio Júnior e a carência de alternativas dentro de um sistema proposto por muitas vezes engessa a equipe, prejudicando a dinâmica de jogo.

A desatenção e falta de firmeza dos homens de zaga é um ponto fraco e Fábio Ferreira se destaca negativamente. A falta de apuro nas conclusões também está nos tirando alguns pontos. Falta de comando e treinamento específico?

Deixando de lado o discurso inicial de Caio Júnior, o conceito geral que foi posto em prática é bom e surtiu efeito positivo, apesar dos diversos níveis de assimilação. Porém, a excessiva oscilação da qualidade do futebol apresentado não é compatível com uma equipe que pleiteie algo além da Sul-Americana.

Saudações botafoguenses!