(Foto: Fernando Maia/UOL)
Não seria necessária uma visita a um oráculo para se saber de antemão que o Botafogo começaria bem e na segunda etapa recuaria e, além disso, que o técnico faria péssimas substituições, influenciando diretamente no resultado da partida. Pois ninguém precisa de dotes especiais para notar o padrão simples e repetitivo das atuações de Caio Júnior à beira do campo de jogo.
A posição que o Botafogo ocupa na tabela está estreitamente ligada à força de um meio campo notável. A conjugação entre a dupla de volantes e os meia-atacantes na marcação e no desarme, a boa saída de bola e a ótima distribuição das jogadas, a força e habilidade de Elkeson e a velocidade e técnica de Maicosuel, fazem deste meio campo um verdadeiro pesadelo na vida dos adversários da competição que disputamos.
Mas do que adianta este poderio se, assim que abrimos vantagem, a estratégia é a manutenção e não a ampliação desta vantagem? (Aos 40 do primeiro tempo vi, incrédulo, um Maicosuel – que estava ’voando’ – plantado no campo de defesa, deixando Cortês isolado em uma subida ao ataque). Por que não tentamos ampliar, por que não buscamos definir o jogo quando a situação se mostra promissora?
(Foto: Fernando Maia/UOL)Na partida de ontem, enquanto o adversário aproveitou o intervalo para se recompor e fez substituições que se tornaram determinantes, Caio Júnior mais uma vez evidenciou sua má leitura de jogo e não respondeu às mudanças do outro lado.
O poder de conclusão de nosso ataque continua sendo um ponto fraco do time. No primeiro tempo foram duas oportunidades claras de gol desperdiçadas e o lance extraordinariamente infeliz de Abreu nos tirou a chance de matar a partida.
O time sentiu a falha gigantesca vinda de uma grande referência do elenco e a ausência de Jefferson mais uma vez nos prejudicou pontualmente – a segunda na competição –, sendo crucial para a diminuição da vantagem.
E eis que a sorte nos falta duplamente, ao nos tirar Maicosuel – por contusão – e obrigar Caio Júnior a protagonizar o comando, infelizmente para nos conduzir ao fracasso.
Caio Júnior – aquele que dispensa as profecias do oráculo – repete-se ao fazer substituições disparatadas e na orientação estorvante junto à linha lateral.
Na ausência de Maicosuel precisávamos de um substituto que desse combate às saídas de bola e às subidas do ala, incomodasse a defesa adversária, mantivesse a posse de bola no setor de ataque e não errasse passes não forçados. Mas Caio Júnior lança Felipe Menezes, um jogador que é o oposto de absolutamente tudo isso.
Não foi por falta de banco que Caio Júnior mais uma vez se equivocou na substituição, porque Alex tem o perfil exato do jogador que precisávamos para ao menos tentar cumprir essas funções.
O treinador errou mais uma vez ao elencar Cidinho para fechar a lateral do campo. Ora, o Cidinho é jogador de flanco, leve, corpo de criança. Entrou e não atacou nem defendeu, sob a visível orientação do técnico, à beira do gramado. Herrera, por pior que estivesse na partida, seria mais útil se permanecesse em campo.
Obviamente o resultado não foi satisfatório e o São Paulo passou a ocupar ¾ do terreno de jogo.
Aos 43 do segundo tempo, não satisfeito com o autoflagelo que impunha ao Botafogo, Caio Júnior parte para o suicídio, tirando Sebastián Abreu. El Loco, no mínimo, mantinha dois adversários no campo de defesa. Além disso, se Caio Júnior fosse o estudioso do futebol que tanto se autoproclama, deveria saber que estávamos em desvantagem na média de altura e que qualquer retranca eficiente se concentra firmemente no resguardo a bolas alçadas à área, principalmente em um momento do jogo em que o adversário iria, evidentemente, fazer uso deste recurso.
(Foto original: Cezar Loureiro/Globo)Um dos atributos que diferenciam um técnico vitorioso de um profissional qualquer é a observação de detalhes importantes como este. Dizer que voltou ao país para ser campeão brasileiro não confere qualidade excepcional a ninguém, pois está ao alcance de todos. Conquistar um título nacional, porém, não está ao alcance de qualquer um.
Saudações botafoguenses!
[Link para os melhores momentos: Botafogo 2 x 2 São Paulo]