sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Destaque do Brasileirão

(Foto: Agência Estado)

Em uma enquete feita pelo jornal O Globo, torcedores de todo o Brasil elegeram Elkeson como o destaque do Campeonato Brasileiro. Fato notável, visto que a torcida do time de Ronaldinho Gaúcho parece ser um pouco mais numerosa do que a do Botafogo e a própria imprensa trabalha intensamente para situar as luzes sobre o ex-melhor do mundo – fora o incenso que bafejam sobre Neymar e Ganso.

A este feito somam-se o pouco destaque midiático dado ao Elkeson e a notória qualidade dos competidores.

Se a imprensa forjou uma pesquisa de marketing travestida de enquete, o valor de retorno da marca Ronaldinho não se saiu bem. Se a pesquisa visava a reforçar a imagem de ídolo do craque gaúcho, o tiro saiu pela culatra.

A voz do povo foi divina ao escolher o Elkeson. Mesmo que o preço do passe do jovem jogador seja uma pequena fração do de Ronaldinho, Elkeson é, sem dúvida alguma, o most valuable player da competição.

Além de ser ótimo na distribuição de jogadas no meio campo, decisivo nas bolas paradas e nos últimos passes – algumas das características do Gaúcho –, Elkeson é melhor nos chutes de fora da área e muito superior na composição do meio de campo, quando a bola está com o adversário.

Elkeson é um rolo compressor eclético. Atua como meia e como segundo atacante, joga na esquerda e na direita e defende com velocidade e explosão. Sabe jogar coletivamente e já nos salvou de algumas decepções com jogadas individuais.

Se passamos os dois primeiros terços da competição longe da zona de rebaixamento, devemos isso ao Elkeson.

(Foto: Tom Dib)

O meia-atacante/atacante-defensor baiano [maranhense] de 22 anos é apelidado pelos companheiros de clube de ‘Ursinho’, mas ele diz que no campo vira um ‘Leão’:

“Este apelido de ursinho pegou aqui por ser uma pessoa tranquila e de boa paz. Mas em campo, se não me chamarem de leão fico bravo. Ali a coisa muda de figura.”

Elkeson é mesmo um leão em campo e parece que sabe o que fazer e o que dizer para crescer no Botafogo:

“Hoje agradeço muito ter vindo para o Botafogo. Fiz a escolha certa. Aqui tenho apoio de todos, me sinto em casa e acredito que as coisas estão acontecendo e só vão melhorar. Para isso, preciso trabalhar de maneira redobrada e dar muitas alegrias aos torcedores alvinegros. No futuro, a seleção brasileira é outro objetivo. Um passo de cada vez. Mas acredito no meu potencial e que vou chegar lá. Fica o meu agradecimento a todas as pessoas que estão me apoiando, seja pessoalmente ou nas redes sociais.”

Desejo sucesso, saúde, alegria e muita sorte ao Elkeson, um sujeito que não é feito de vento.

Saudações botafoguenses!

[Link para matéria do jornal O Globo: Destaque do Brasileiro]

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Passou na prova e com louvor


Quando propus o ‘teste das cinco partidas’ imaginava que as provas seriam mais penosas, mas a evolução tática, técnica e física do time deslanchou com uma potência tão avassaladora, que o Botafogo está fazendo os oponentes parecerem débeis, quando, de fato, não o são.

O Ceará, que em Fortaleza fez o Internacional penar para conseguir um empate e que poderia ter matado a partida na primeira etapa, foi pulverizado pelo Botafogo.

O time muito bem arrumado, e que estava brigando para encostar na parte de cima da tabela, teve suas ações anuladas pelo meio campo e defesa botafoguenses, e se tornou vítima do ímpeto ofensivo e da qualidade individual e coletiva da equipe mais forte da competição. Porque o Botafogo deste Sete de Setembro é a equipe mais forte da competição.

Se me angustiava por sentir falta de jogadas de ataque bem articuladas, que há duas rodadas finalmente começaram a surgir com alguma clareza, ontem fomos presenteados com uma obra prima, na forma do terceiro gol botafoguense.

Se me assombrava a fragilidade de nossa defesa, agora quase sinto falta das defesas espetaculares e salvadoras do Jefferson – e isso jogando com um zagueiro oficialmente tido como suplente.

O Botafogo deste Sete de Setembro parece estar querendo ‘pular de ano’ e faz meu ‘teste’ – que é coisa séria – parecer brinquedo na mão de uma criança.

(Foto: Celso Pupo)

Fomos 42 mil porque esse time inspira confiança. É certo que esperávamos a vitória, mas acho que não imaginávamos que seria tão extasiante. Quem diria antes da partida que o Botafogo seria tão Botafogo?

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Botafogo 4 x 0 Ceará]

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Jogo de uma só torcida


(Imagem: Botafogo x Avaí 2009, por PC Guimarães)

Assisti ao último jogo do nosso adversário de hoje e reafirmo que será a segunda boa prova do ‘teste dos cinco jogos’, para sabermos as reais intenções e possibilidades do Botafogo na competição.

O bom desempenho nas últimas partidas faz a torcida sentir firmeza no time e isso vai se refletir no comparecimento em massa no jogo de hoje.

Mas a torcida botafoguense já tentou colocar 40 mil cabeças no Engenhão em partida contra visitante de fora do Rio, no dia 12 de outubro de 2009. Infelizmente o presente que muitos dos pais botafoguenses foram forçados a dar aos seus pimpolhos naquele Dia da Criança foi mostrar o entorno do estádio, porque entrar, que é bom, nem pensar. Além dos que ficaram de fora, muitos só conseguiram acesso no segundo tempo!

No jogo contra o Fluminense não foi catastrófico como em 2009, mas torcedores enfrentaram filas quilométricas na entrada – não falo das bilheterias –, o que forçou muita gente a chegar aos seus lugares com o jogo em andamento.

Pedem o comparecimento da torcida, a torcida comparece e é tratada como lixo.

Que hoje seja diferente.

Saudações botafoguenses!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Cortês é Seleção

(Foto: Alexandre Cassiano)

Quem acompanha o blog sabe que eu sempre fiz campanha para que o Márcio Azevedo fosse o titular da vaga. Cheguei a exagerar em algumas das críticas ao Cortês.

Ando fornecendo a carne para os maiores churrascos de língua da história, refestelo que não acaba mais. Sei que a língua que queima é a minha, mas eu não reclamo.

***

Ao saber que El Loco interveio – ainda durante o Carioca – para que o Cortês fosse contratado, fico imaginando que ele sabia de algo sobre o Márcio Azevedo que eu não sei até hoje.

Seja lá o que isso for, o que importa agora é que o Cortês é ‘Seleção’. E sendo Botafogo, torço por ele.

Boa sorte, Bruno Cortês! Sucesso na sua nova empreitada!

Mas vê se não se machuca, né?

Saudações botafoguenses!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Outras anotações


Como tenho assistido às partidas locais em um boteco, o nível de concentração e a visão do jogo ficam muito prejudicados.

Depois de assistir ao VT, gostaria de fazer algumas observações.

O primeiro fato que me ocorre é a própria existência do VT, pois, antes da partida, o jogo do Botafogo não constava na grade de programação. Deduzo que nosso desempenho, o placar elástico e a subida na tabela meio que ‘forçaram’ a emissora a exibir o jogo do terceiro colocado da competição e atual ‘ex-patinho feio’.

Quanto ao jogo em si, disse que o Palmeiras tinha um “ataque insinuante”, porém, depois de rever a partida, percebi que isso não transpôs o plano das intenções. Apesar do desfalque de seu principal armador, o que realmente anulou a sequência das jogadas foi a verdadeira ‘teia de aranha’ que o meio campo botafoguense forma à frente da zaga.

Sobre esse meio, fora as atuações impecáveis da dupla Renato/Marcelo Mattos, as contribuições de Maicosuel e Elkeson sem a posse de bola são essenciais. O terceiro gol decorreu dessa disposição. Por vezes o meio campo, associado aos laterais, parece formar um vespeiro incontornável.

Falei em “esboço de algumas jogadas ensaiadas”, mas, na verdade, os três gols surgiram de jogadas bem treinadas, inclusive o primeiro, que poderia ser interpretado como uma jogada de chuveirinho na área, mas não foi.

Apesar de sentir falta de jogadas de ataque bem articuladas, vi três delas: 1) um passe para Herrera – impedido –, que flutuava em paralelo à zaga; 2) uma enfiada de bola de Abreu para Cortês – desperdiçada; 3) um passe em diagonal de Elkeson para Abreu, já no final do jogo.

Apesar da carência neste aspecto, a alternativa com jogadas de bola parada foi bem sucedida. E é importante notar que o time adversário tem a defesa menos vazada da competição, o que torna essa alternativa uma boa opção estratégica.

Quanto ao sistema defensivo “sempre com um homem na sobra” nas situações de flanco, me corrijo dizendo que a defesa não funcionou de maneira tão sistemática assim, mas, mesmo que tenha cedido alguns espaços, a dinâmica funcionou contra o adversário que tínhamos pela frente.

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A primeira prova

(Foto original: Alexandre Loureiro/Lance)

Enfrentamos um adversário bem posicionado na defesa, com um meio de campo bem organizado, um ataque insinuante, com bom preparo físico e jogando com raça e determinação.

Agora sim, podemos dizer que enfrentamos um oponente competitivo, pois era um time que estava na nossa cola e que vinha de uma vitória sobre o líder da competição.

Agora sim, poderia concordar com o Abreu, se ele dissesse que o que fez a diferença foi o futebol, como disse ao comentar a vitória sobre o Fluminense. Porque o Palmeiras jogou tudo o que podia e o que sabia, mas o Botafogo dominou as ações e neutralizou todas as tentativas do adversário, que em momento nenhum ‘gostou’ do jogo.

A chuva não vingou e a superioridade técnica do Botafogo não foi afetada pelo mau tempo.

Como as articulações de ataque ainda não estão funcionando como o esperado, a vantagem inicial veio através de bolas paradas. E – quem diria? – o cruzamento à meia altura, que tanto me irritava, quando radicalizado levou ao segundo gol, em um tipo de jogada extremamente perigosa: o cruzamento rasteiro por trás da defesa. Isso é boa ideia, meus parabéns.

E – mais uma vez ‘quem diria?’ – o mesmo Herrera que não conseguiu impedir o gol adversário na partida anterior, ontem fez o dele, justo em uma jogada aérea.

Pude notar o esboço de algumas jogadas ensaiadas e o segundo gol foi além de um traçado inicial.

Aproveitando o avanço do adversário, decorrente da desvantagem no placar, uma roubada de bola de quem está com a faca entre os dentes, um lançamento perfeito para arrancada espetacular de Maicosuel, mais um gol e... “ÔÔÔÔÔÔÔ, MAICOSUEL VOLTÔ!!!”

(Foto original: Agência Estado)

(Sobre a frequência – e não ‘ausência’ – do público, estiveram presentes 9.729 torcedores, em uma quarta-feira chuvosa, no último dia do mês, em um jogo marcado para as 10 da noite e em Engenho de Dentro. Ou seja, respeitem o torcedor botafoguense!).

A subida de produção do time parece estar estreitamente ligada à de Maicosuel e a melhora no rendimento da equipe sempre é notada instantaneamente, quando a presença de Lucas não está submetida a nenhum processo de revezamento – é pública a origem do segundo gol.

A defesa esteve bem postada e coordenada e o sistema tático defensivo fechou as laterais com inteligência, sempre com um homem na sobra – agora sim, em um estilo ‘europeu’. Fábio Ferreira largou os diazepínicos e foi circunspecto. Esse é o FF que queremos, poxa! Gustavo teve bom desempenho, fez o dele e comemorou de forma super inusitada, bem à Botafogo.

Mais uma vez a equipe mostrou que pode superar uma má atuação de Cortês.

O meio de campo continua sendo fantástico, o ponto de equilíbrio do time. A dupla Renato/Marcelo Mattos é nota 10! (A propósito, aquela matada de bola do Renato junto à lateral...).

Elkeson foi o rolo compressor de sempre, mas sem o gol. Sei que é jovem, está embalado e feliz da vida – com razão e que aproveite, porque nós estamos aproveitando! –, mas quando a reta final se aproximar, precisaremos dele 100% sem firulas.

El Loco sabia o que estava fazendo quando saiu para comemorar com os reservas, no lance do gol do Lucas. Acredito que El Loco anda fazendo muito mais do que jogar e influenciar no fortalecimento do aspecto psicológico do grupo. Acho que está trabalhando em outro setor, este aqui.

Errei quando disse que os elencos do Botafogo e do Palmeiras eram parelhos: o Botafogo tem elenco superior, tanto mais quando o adversário não conta com Valdívia e Kleber. Mas acertei ao afirmar que o jogo de ontem seria um ótimo experimento para avaliar o potencial do time.

Caio Júnior está trabalhando bem para queimar minha língua e a do Biriba. Não somos faquires, mas garanto que não está doendo nada.

Saudações botafoguenses!

PS 1: Caio entrou muito bem na partida.

PS 2: Felipe Menezes entrou só para garantir que Jefferson poderia ter jogado com luvas de pelica ou de lã ou de látex, ou mesmo sem luvas.

[Link para os melhores momentos: Botafogo 3 x 1 Palmeiras]


(Homenagem às novas cores do Engenhão)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O teste começa hoje


Conquistamos doze pontos nos últimos cinco jogos. Mas existem algumas questões que me levam a duvidar que estas partidas sejam o melhor meio para avaliar a nossa força no campeonato.

1) O Vasco entrou em campo irreconhecível, como se achasse que venceria quando quisesse. Quando acordou, já era tarde. Partida atípica;

2) O América-MG era – e ainda é – o lanterna da competição. Não posso confiar as crianças a um time que foi obrigado a virar o jogo, depois de estar perdendo por dois gols de diferença para uma equipe com o desempenho do time mineiro;

3) Contra o Internacional – quando enfrentamos uma defesa bem postada – sofremos, perdemos e saímos com um saldo de uma bola na trave e nenhuma outra chance de gol;

4) O Atlético-MG perdeu as cinco últimas partidas que disputou – sem contar mais duas, na Copa do Brasil. A despeito do histórico recente, quem assistiu à partida pôde perceber que enfrentávamos um time em frangalhos. Mesmo assim, quase sofremos um gol aos dois minutos do primeiro tempo e cedemos um aos 48 do segundo;

5) O Fluminense está atravessando uma péssima fase. Suas ações ofensivas se limitam a chuveirinhos na área e, mesmo assim, sofremos o primeiro gol.

Digo isso não para desmerecer nossa campanha e os pontos conquistados, mas para afirmar que o verdadeiro ‘teste dos cinco jogos’ começa hoje. Será uma sequência de partidas contra equipes bem arrumadas e/ou com um forte elenco.

Hoje vamos enfrentar um adversário direto na disputa por posições, um time que vem de uma vitória sobre o líder. Os elencos possuem nível técnico parelho.

Com a chuva que já está caindo, será uma partida que pode ser decidida entre Elkeson e Marcos Assunção, em uma disputa que decidirá quem é o melhor cobrador de faltas. Que evitemos cometer infrações bobas da intermediária para frente, porque as bolas altas e os chutes sempre perigosos do cobrador oficial são pontos fortes do adversário de hoje.

Depois do Palmeiras enfrentaremos o Santos, um time que conta com jogadores decisivos. Em seguida virão Ceará e Coritiba, equipes bem arrumadas, sendo que o Coxa me parece ainda mais forte que o Vovô.

E, no final da lista, o Flamengo. Atual vice-líder, o queridinho da mídia conta com um forte elenco e total apoio das arbitragens – que o diga o Vasco.

Depois dessa sequência de jogos, aí sim, teremos uma boa medida do que o Botafogo está realmente disputando.

Saudações botafoguenses!

A imprensa mente

(Torcida botafoguense no Maraca)

Escrevi sobre esse mesmo assunto no sábado passado, mas a imprensa me provoca.

No título de uma matéria – não assinada – supostamente jornalística do Lancenet lê-se o seguinte: “Botafogo ainda sofre com falta de público no Engenhão”. (A matéria está aqui).

Digo ‘supostamente’, porque a palavra ‘jornalística’ remete a jornalismo, campo no qual – supõe-se – trabalha-se para o melhor entendimento da realidade, um universo onde não é cabível o mundo da ficção.

Ao manipular dados estatísticos em um esforço para agregar coerência ao título da reportagem e à tese defendida, o jornal junta os dez últimos jogos clássicos entre os times cariocas e anuncia que o Flamengo tem uma média de público duas vezes maior que o Botafogo.

Ora, se era para deixar os botafoguenses chateados com sua própria torcida, o tiro saiu pela culatra, porque, levando-se em conta que a torcida do Botafogo é cinco vezes menos numerosa que a do Flamengo, nada melhor para o torcedor alvinegro do que ser informado que é 2,5 vezes mais assíduo que o flamenguista, pelo menos nos tais dez clássicos cariocas (números informados pelo Lancenet).

Se nos ativermos ao Campeonato Brasileiro de 2011, os dados demonstram que o torcedor botafoguense dá uma surra ainda maior no flamenguista – obviamente quanto a assiduidade.

Nossa média de público no Brasileirão é de 11.154 pagantes contra 16.383 de rubro-negros. Ou seja, os números revelam que o botafoguense é 3,4 vezes mais assíduo, mesmo sabendo-se que o Flamengo anda perto da primeira colocação há várias rodadas.

Ou seja, não sei por que estão tão preocupados com a torcida do Botafogo, se são os flamenguistas que não comparecem ao Engenhão.

Quando o jornal elenca uma série de problemas que teoricamente desestimulam o comparecimento de torcedores ao Engenhão – localização, preço dos ingressos e transporte –, em um nítido gesto de pedido por melhorias, deveria usar como exemplo a falta de assiduidade da maior torcida local e não a da nossa torcida.

Se durante anos ficaram calados sobre as dificuldades que os torcedores enfrentam para frequentar o Engenhão, agora que o Maracanã está fechado e a ‘maior torcida ausente do Brasil’ se sente incomodada, que eles sejam o exemplo da ausência.

Uma última observação, para os patrocinadores refletirem a respeito:

Se o critério de avaliação da resposta de uma torcida em relação à marca de seu clube for o comparecimento aos estádios, podemos afirmar que um botafoguense vale três vezes mais que um flamenguista.

Saudações botafoguenses!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ferretti



O artilheiro do Campeonato Carioca de 1968 não está mais no nosso plano de existência.

Seus gols ajudaram o Botafogo a disputar a final daquele ano, jogo que revelou a minha alma botafoguense.

Obrigado, Ferretti, por ajudar a levar o Botafogo às vitórias e a me conduzir ao bom caminho.

Saudações botafoguenses!

Link para “A virada de Ferretti: Botafogo 4x3 América” (Mundo Botafogo/Estrela Solitária)

Link para “Fisher e Ferretti... Loco e Herrera” (Botafogo do Biriba)

domingo, 28 de agosto de 2011

A Virada


(Foto original: Wagner Meier/AE)

Encostamos de vez na parte de cima, é verdade. Mas, mesmo adorando ver o El Loco usar a imprensa a nosso favor e inflar a auto-estima do grupo, não concordo que foi ‘o futebol’ em si. Foi na raça mesmo e contra um adversário combalido.

Por continuar achando que a evolução tática está estacionada, credito a melhora no desempenho da equipe à recuperação gradual de Maicosuel, associada à chegada de Renato, à volta de Abreu e, ultimamente, à providencial redefinição da palavra ‘revezamento’, vendo Lucas como titular nas duas últimas rodadas do Brasileiro.

É óbvio que um só jogador não vence uma partida, mas não posso deixar de registrar que vencemos todas em que o Lucas começou jogando; foram quatro na competição. [Foram cinco partidas e perdemos do Palmeiras, na primeira rodada, com o Lucas como titular].

Um problema que parece não ter solução é a forma como as bolas são cruzadas para a área, perfeitas para um anão de jardim, mas com destino a um atacante de 1,93m.

Não sei o que leva alguém a escalar o Herrera como marcador do principal atacante adversário em lances de bolas alçadas à área, mas sei que deu no que deu.

Felizmente contamos com Elkeson do nosso lado e Márcio Rosário também, mas infiltrado em terreno inimigo. As contratações do Elkeson e do Renato são as melhores que o Botafogo fez desde a vinda do El Loco Abreu.

Depois de uma conclusão ruim e de uma decisão inexplicável de não passar a bola para o Herrera livre no meio – na primeira tentativa do Márcio Rosário em nos beneficiar –, El Loco arranca, deixa Lucas em ótima condição e o novo sentido da palavra ‘revezamento’ é a alegria da torcida alvinegra, além de garantir a virada de jogo.

Só não entendi o Abreu sair vibrando em direção ao banco, com o Lucas deixado de lado, meio cabisbaixo. Tomara que El Loco saiba o que está fazendo, o que até hoje tem provado ser verdade.

Em uma jogada aos 15 do primeiro tempo, em que chutou cruzado, e no lance do primeiro gol, ficou claro – para mim – que Elkeson deveria ser nosso segundo atacante. Aos 17 do segundo tempo me veio a certeza de que as titularidades absolutas de Cortês e Herrera são um erro. Aos 41 da mesma etapa ficamos em desvantagem numérica na defesa, o que é imperdoável – sorte nossa que o Fluminense atravessa uma péssima fase.

Caio Júnior não é um sonho, mas acertou ao colocar Felipe Menezes. (Eu lançaria o Alex para segurar os avanços dos laterais e tentar liquidar de vez com o jogo. Mas não sou técnico de futebol, sou torcedor).

Jefferson: perfeito no bloqueio à escapada do principal atacante adversário;

Lucas: é uma prova de que o Houaiss está certo em acompanhar a dinâmica da língua pátria;

Antonio Carlos: seguro, praticamente anulando o principal atacante adversário;

Fábio Ferreira: poderia tentar ser mais circunspecto e evitar o narcisismo;

Cortês: esteve péssimo, mas a equipe conseguiu superar essa deficiência;

Marcelo Mattos: incansável, concentrado, jogando simples e com ótima visão de jogo;

Renato: como sempre, dando aula de futebol;

Elkeson: tem sido a garantia do leite das crianças;

Maicosuel: aos poucos volta a boa forma (poderia ser mais rápido na troca de passes);

Herrera: com a raça de sempre e errando tudo, como vem acontecendo ultimamente;

El Loco: garçom de luxo;

Felipe Menezes: entrou para diminuir o ritmo e cumpriu com a tarefa;

Gustavo: Não teve tempo e nem trabalho;

Cidinho: entrou quando não poderia fazer mais nada e quase fez.

A vitória foi indiscutível, mas poderíamos ter sofrido menos, se as conclusões estivessem mais apuradas, as jogadas de ataque fossem melhor articuladas e se a defesa fosse menos desatenta e mais coordenada.

Agora é torcer para que o São Paulo perca e todos os outros empatem, para virar a página da tabela no G4.

Saudações botafoguenses!

PS: Cada qual com sua religião, sua cosmogonia; não me importo. O que me incomoda é quando ostentam uma suposta ligação com o divino e deixam o cotovelo no rosto de um adversário, em uma modalidade esportiva que nada tem a ver com isso.

[Link para os melhores momentos: Fluminense 1 x 2 Botafogo]Link

sábado, 27 de agosto de 2011

Maurício Assumpção mente


O presidente mentiu ao dizer que o contrato de concessão impedia que as cadeiras do Engenhão fossem das cores do Botafogo, o que associaria o estádio aos símbolos do clube. O fato de uma empresa fabricante de cerveja haver criado um mosaico com as cores de sua logomarca em um setor do estádio é uma prova de que Maurício Assumpção não falava a verdade.

Maurício Assumpção mente ao dizer que “isso (cadeiras com as cores do Botafogo) é inviável para os patrocinadores do estádio e futuro naming rights, pois ‘isso’ não impediu que a Etihad Airways injetasse cerca de R$ 1 bilhão no Manchester City e nem forçou o clube a se maquiar com as cores da empresa (vejam aqui e aqui, e leiam aqui). O mesmo pode-se dizer das parcerias entre Shalke-04 e Veltins, Borussia Dortmund e Signal Iduna, VfB Stuttgart e Mercedes-Benz, dentre muitas outras – somente no universo da liga alemã, onde este tipo de marketing gera um investimento em torno de R$ 98 milhões.

Maurício Assumpção forja publicamente informação inverídica ao afirmar constantemente que a torcida do Botafogo não comparece aos jogos, pois dados oficiais revelam o contrário: os botafoguenses garantiram a sexta maior média de público do Campeonato Brasileiro de 2010 (leiam aqui). Batemos várias torcidas muito mais numerosas, como São Paulo, Palmeiras, Vasco, Grêmio, Internacional, Cruzeiro, Atlético-MG e ficamos a apenas 217 cabeças atrás da “maior torcida calada do Brasil”. (E apoiando um time que terminou na sexta colocação).

A torcida do Flamengo é – no Rio de Janeiro – em torno de cinco vezes mais numerosa que a do Botafogo (vejam aqui). No entanto, no Campeonato Brasileiro deste ano os botafoguenses vêm somando um total de 65,5% da média de público dos flamenguistas (vejam aqui). Este fato demonstra que o botafoguense é acima de três vezes mais assíduo do que o flamenguista – a despeito do rubronegro estar disputando a primeira colocação há várias rodadas.

Somente um sujeito com um gigantesco apreço à invencionice pode afirmar que a torcida do Botafogo não comparece aos estádios.

Por fim, Maurício Assumpção mente – em dobro!!! – ao declarar que “Se comparecerem (os torcedores) em massa ao Engenhão, ninguém verá cadeiras vermelhas”, quando, na verdade, o Setor Sul é destinado a torcidas visitantes; uma afirmação patética, cretina e absurda.

Firmando parcerias que geram – ou não – receita para o clube, gostando ou não de nossas cores, a verdade é simples, clara e cruel: O Botafogo é presidido por um mentiroso.

Saudações botafoguenses!

PS: A partir de hoje os links na cor azul, que eram uma homenagem a Sebastián El Loco Abreu e a Herrera, serão substituídos pelas cores do Botafogo.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Botafogo 1 x 0 Atlético-MG


O placar não mente: vencemos. Passamos para a próxima fase; caso encerrado. Por enquanto...

O que mais me preocupa não é a inconstância do nível geral das atuações, mas a persistência da descoordenação defensiva e da desarticulação do ataque.

Se estivemos em perigo logo no início da partida, não foi devido a uma possível falha individual do Cortês. Se ficou no mano a mano com um adversário aos dois minutos de jogo, não foi por culpa sua, porque não é ele que monta o sistema defensivo.

Se fosse uma falha conjunta circunstancial, não teria acontecido inúmeras vezes no decorrer da partida – tanto na esquerda quanto na direita. Se fosse uma deficiência eventual, não ocorreria seguidamente na maioria dos jogos que disputamos.

Os erros de passe no meio de campo foram tantos – para os dois lados – que o compacto do jogo durou pouco mais de 30 minutos. Fora as falhas bisonhas nos passes e triangulações em espaços de uns 20 metros quadrados, a opção pelos passes mais difíceis e as bolas esticadas infrutíferas é preocupante.

Sei que um jogador com a qualidade do Renato faz muita falta, mas não acredito que uma equipe bem treinada possa se desfigurar tanto, a ponto de ser a figura horrenda que foi o meio de campo botafoguense da noite de ontem.

Mesmo não estando bem na partida, Felipe Menezes não o esteve sozinho – como já disse, o meio de campo jogou pessimamente como um todo. Precisávamos de mudanças, mas elas não deveriam ser a substituição do único armador da equipe e o sacrifício de Elkeson em uma função que não é a sua.

O setor de ataque penou com a opção por jogar sem um centroavante de ofício e a entrada de Alex no segundo tempo não remediou esse mal, pois o armador – Felipe Menezes – foi sacado e o próprio Alex esteve por muitas vezes jogando recuado ou junto às laterais do campo, com o treinador insistindo no erro de conferir a Herrera a função de centroavante.

Mas nada disso esconde o fato de não termos jogadas de ataque bem articuladas, o chuveirinho na área ser a norma e sermos salvos por lances fortuitos ou individuais.

É certo que Maicosuel vem melhorando, mas não fazer o passe para Márcio Azevedo, no lance que poderia matar o jogo, é indesculpável.

A propósito, o individualismo parece ter contaminado de vez o elenco, pois Herrera chutou a gol quando deveria tentar uma troca de passes e, na partida anterior, Cidinho concluiu de fora da área, com uns cinco companheiros bem posicionados – uns poucos de uma série de exemplos do que vêm ocorrendo durante a competição. Isso precisa ser sanado.

Sofremos, vencemos, mas não convencemos.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Botafogo 1 x 0 Atlético-MG]

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Brasileirão x Sul-Americana


O debate em torno da questão sobre poupar jogadores em função do desgaste em decorrência da disputa de competições paralelas é bem-vindo e faz sentido. O que não faz sentido é priorizar a competição nacional em detrimento da internacional, onde o caminho para uma participação na Libertadores é bem mais curto e menos desgastante.

Outro ponto a ressaltar é o formato das competições. Enquanto uma é disputada através de sistema de pontos corridos, em que a recuperação ao longo da competição é possível, a outra é um mata-mata. Considero a partida de hoje, por ser decisiva, muito mais importante do que a da 19ª rodada do Brasileirão.

Acho uma pena que os dirigentes pensem o contrário.

***

O importado ‘revezamento europeu’ nos garantirá a volta de Alessandro na noite de hoje. Como Lucas teve uma sequência de somente dois jogos, é jovem e, segundo o que foi noticiado, não apresenta cansaço significativo, por que substituí-lo, uma vez que foi determinante na jogada que abriu caminho à última vitória?

Para que eu me convencesse de que o conceito do revezamento fosse o que realmente contasse para a presença de nosso eterno lateral-direito – botafoguense de coração, diga-se –, do lado esquerdo também deveria haver o tal rodízio. Até porque o substituto de Cortês é melhor que o promissor titular. Mas, o que fazer? Os interesses de empresários são o que fala mais alto no futebol mundial e, no Botafogo, eles não falam, eles gritam!

Saudações botafoguenses!