quinta-feira, 21 de julho de 2011

Mais do mesmo + Renato


O time treinado por Caio Júnior se repete. Não fossem o espírito competitivo da maioria dos jogadores – exceto Alessandro e Fábio Ferreira, em participações pífias no segundo gol adversário e Antonio Carlos, no primeiro – e a soma da evidente categoria de Renato ao time, eu faria cola de mim mesmo e repetiria tudo o que venho dizendo já há algumas rodadas.

É muito prazeroso ver Renato jogar. A primeira vez em que tocou na bola foi em uma jogada meio dividida, um rebote vindo pelo alto depois de um quique no gramado, uma bola meio desgovernada. Ele não devolveu da mesma forma que veio: 'arredondou' para o domínio de Caio – que preferiu dar um lençol no adversário, ao invés de dar continuidade à jogada. Fez parecer banal o que não é fácil, mesmo que fosse simples. Toque refinado. Está no mesmo nível da elite do futebol mundial e é uma prova de que a imprensa, o marketing e o empresariado esportivo conseguiram levar o povo brasileiro a acreditar que Emerson, Gilberto Silva, Mineiro, Josué, Lucas Leiva e congêneres são bons de bola. Triste saber que nunca defendeu o time brasileiro em uma Copa. Meus pêsames, CBF. Parabéns, diretoria!

Mas na equipe sob Caio Júnior as qualidades de Renato se somam ao ramerrame entediante de um time que coloca a bola no chão, valoriza o toque, a posse e as saídas de bola, mas não tem jogadas de ataque e coordenação defensiva. Sofremos a derrota porque o adversário as tinha.

As instruções para o ataque parecem ser "VAI LÁ!" e para a defesa "OLHA O CARA!". O famigerado e infrutífero chuveirinho voltou a ser a única jogada de ataque, camuflado por trás da posse de bola no meio de campo.

Uma bola na trave é pouco – tornou-se a especialidade do Herrera.

Agora, vocês se lembram do desastre que é o Caio fechando o lado direito do campo? Se lembram do pênalti que ele fez no campeonato passado? Viram o pênalti que ele cometeu ontem e o juiz não marcou – juiz que também preferiu fechar os olhos para o que o próprio Caio sofreu em seguida?

Pois bem, foi neste setor e em cima deste jogador que saiu o gol adversário. Nem vou me ater ao fato do lateral direito não estar participando do lance, o principal atacante adversário estar sendo marcado por nosso volante, um dos zagueiros ficar cercando o jogador que fez o passe, e o outro nem aparecer nas imagens da jogada – tenho certeza de que a culpa não foi do cinegrafista.

O segundo gol veio em decorrência da situação de jogo, mas poderia ter sido evitado (ainda tínhamos 3 minutos para lutar pelo empate, o que é pouco, mas nada é o que não é). Sobre isso gostaria de sublinhar que Márcio Azevedo, apesar de não ser aproveitado no que tem de melhor – o apoio ao ataque – era quem estava por lá. O Alessandro nem se viu – o Alessandro que não ataca e nem defende. Ou seja, queimam um sujeito que já fez muitos adversários sofrerem, para dar 'liberdade' ao Alessandro – deleite dos adversários e vergonha nossa.

O Lucas Zen no apoio ao ataque seria risível, se não jogasse no nosso time. Ponham mais essa invencionice na conta do Caio Júnior. E essa estória do Márcio Azevedo 'não render' no Botafogo está muito mal contada. Tomem nota: quando ele sair e estiver do outro lado, vocês vão saber do que estou falando. (O Cortêz é mediano, como uns 378 mil que existem por aí).

Ah, esqueci. Thiago Galhardo no lugar do Maicosuel?! O Cidinho está machucado?

Se mudanças não forem feitas, seremos coadjuvantes de menor expressão, sem sonhos ou pesadelos. Nem a Libertadores e nem o rebaixamento. Água parada.

Uma lástima, porque o elenco não é fraco.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos da partida: Botafogo 0 x 2 Corinthians]

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O sentido olímpico

(Abebe Bikila, ouro olímpico em 1960 e 1964)

Vendo a seleção uruguaia jogar futebol, percebo que não é exatamente isso que eles fazem. Eles não 'jogam futebol', eles 'disputam uma partida de futebol'. Para os uruguaios o futebol não se trata de um 'jogo', é uma modalidade esportiva. E, neste sentido, o que importa é a disputa, o enfrentamento do adversário. Essa disposição é a célula mater do sentido olímpico, sentido este que deveria estar impregnado no espírito de qualquer sujeito que se dedique ao esporte – mas não está, infelizmente para uns, por sorte de outros.

A despeito do alto nível de inteligência que o atual time uruguaio demonstra em todas as partidas, o espírito aguerrido é fator determinante de seu sucesso, tanto nesta Copa América quanto no mundial de 2010.

O caminho que levou o Botafogo a levar os três troféus estaduais de 2010 para General Severiano foi aberto pela presença de El Loco Abreu – coração e mente –, presença que se fez notar durante toda a competição, depois de uma estreia nada gloriosa, em goleada história. Abreu contagiou o elenco com o sentido olímpico que levou sua seleção às semifinais da Copa do Mundo e à final da Copa América. O comportamento competitivo acompanhou o elenco todo o tempo, mesmo nos momentos em que a precariedade técnica se fez evidente.

A diretoria do Botafogo inexplicavelmente deixou que Abreu se afastasse do grupo botafoguense e o espírito vitorioso se deteriorou com o tempo.

Para que o time do Botafogo vá além da simples prática do futebol, deixe de ser um adversário corriqueiro e passe verdadeiramente a 'disputar' partidas e competições, é indispensável que o sentido olímpico volte a impregnar o espírito do elenco alvinegro.

Espero que nossos jogadores estejam acompanhando a campanha uruguaia na Copa América e que tenham sido contagiados pelo vírus da vitória. Se assim for, que venha o líder da competição!

Saudações botafoguenses!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Imagens do Biriba

(Man with a movie camera, de Dziga Vertov)

Por falar em edições de vídeos e tal, gostaria de anunciar a inauguração de uma página anexa ao Botafogo do Biriba, onde aos poucos irei adicionando imagens botafoguenses.

Como ando atarefado demais para dar conta das postagens diárias, estou usando este novo espaço para deixar os melhores momentos das partidas do Botafogo no Brasileirão à disposição dos leitores/espectadores, coisa que me toma a atenção uma ou duas vezes por semana – malandragem.

Fica em Imagens do Biriba, que pode ser acessado através do link ali na ponta-esquerda da página.

Nota: Apesar do nome, nem todas as imagens foram editadas por mim ou pelo Biriba e ainda não produzimos nem mesmo um único fotograma.

Saudações botafoguenses!

O tradicional moicano


Estive metido com a edição de uns vídeos sobre as participações do Jefferson e do Caio na campanha do Carioca do ano passado e, revendo as imagens, Antônio Carlos e Fábio Ferreira – zagueiros-artilheiros – estavam por lá, fazendo ótima figura. Se atualmente critico duramente a dupla, lhes agradeço agora – se é que já não o fiz – pela participação na campanha que me levou ao êxtase no Maraca por duas vezes, sem nem mesmo precisar de uma terceira visita. Mas isso não evita que eu continue me escorando sempre que a dupla entra em ação nesta temporada.

Também gostaria de esclarecer que o esbarrão das críticas nos penteados não se dirigia às preferências estéticas, ainda mais vindo de mim, que fiz com meu cabelo tudo o que um pai conservador gostaria que um filho não fizesse – sou fã da inventiva, apesar de aposentado enquanto intervenção artística ambulante. Dou a maior força para devaneios artístico-capilares. Minha implicância é com a vaidade, que continuo convicto de que seja coisa para ser deixada fora de campo, mesmo que se leve o símbolo da invenção colado ao corpo.

Mas, para ser honesto comigo, com meus três leitores, e pragmático em relação ao esporte continuo achando que uma miçanga desgraçada foi a responsável pelo gol perdido pelo velho 'matador' Fábio Ferreira, no finzinho do jogo contra o Bahia. Sendo assim, sugiro que o Fábio Ferreira retorne ao grande penacho alvinegro – sem gel, por favor – e deixe aquele rosário maneiríssimo longe da cabeça durante partidas oficiais.

O mundo todo já viu, mas vale assistir mais uma vez ao velho João Saldanha falar sobre o assunto (clique aqui).

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Acho que o sujeito não é 'O Cara'

(Ocean Greyness, por Jackson Pollock - 1953)

Até o jogo contra o Grêmio eu achava que a evolução do time estava em um platô temporário de inércia. Agora, depois dos últimos dois empates, percebo que não estamos em bom caminho.

A equipe sistematicamente exibe aspectos negativos, que são a descoordenação e a desconcentração da zaga, a não articulação de jogadas de ataque e a precariedade nas conclusões. Acredito que estes aspectos possam ser revertidos, mas temo que Caio Júnior não esteja capacitado para tal, já que em nove rodadas nosso time não evoluiu nesse sentido.

A grande melhora no setor de meio campo, ao contrário do que possa parecer, revela algumas das deficiências do atual treinador e demonstra que Caio Júnior conhece apenas 'parte do riscado'.

No jogo de ontem, quando Caio Júnior optou pelos contra-ataques, ficou claro que não temos nem mesmo uma única jogada bem treinada para que essa estratégia fosse bem sucedida. E, pior, ao perceber que não conseguíamos matar o jogo através desse expediente, nosso treinador, ao invés de tentar uma mudança, optou pelo mais perigoso, que foi persistir em deixar que o time adversário ocupasse nosso campo defensivo até que conseguisse chegar ao gol de empate, uma réplica do que aconteceu contra o Atlético Goianiense.

Ora, por que não 'reocupar' o campo adversário, já que esta é a única forma que a atual equipe do Botafogo demonstra ter para evitar que soframos no setor defensivo? Por que não lançar um atacante de velocidade – Caio – ou um homem de área – Alex – para forçar o Bahia a recompor sua defesa, diminuindo assim a quantidade de jogadores adversários em nosso campo?

As más substituições (subservientes a interesses de empresários?), a péssima leitura do jogo adversário, a estagnação evolutiva dos setores de ataque e de defesa, a recorrente desatenção e a deplorável falta de comportamento competitivo dos atletas (Elkeson é uma exceção); tudo isso me faz pensar o pior: temo que Caio Júnior não tenha capacidade para nos garantir uma posição no topo da tabela ao final da competição, quando não houver mais tempo para mudanças.

E na torcida para que eu esteja completamente enganado.

Nota: O Herrera já era.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos da partida: Bahia 1 x 1 Botafogo]

sábado, 9 de julho de 2011

Botafogo é campeão estadual de juniores

(Cidinho: campeão hoje, desfalque amanhã. Foto: Fernando Soutello/AGIF)

Matéria original: Super Esportes

O Botafogo conquistou o título do Campeonato Carioca de Juniores após um empate em 1 a 1 com o Flamengo, na tarde deste sábado, no estádio Los Larios, em Xerém. Cidinho, aos 19 minutos, e Muralha, aos 25, ambos no primeiro tempo, fizeram os gols da partida.

O jogo

Precisando vencer por três gols de diferença o Rubro-Negro partiu para cima desde o primeiro minuto. Aos oito, depois de boa jogada de Rafinha pela direita, a bola sobrou para Thomas que bateu forte de esquerda, na entrada da área, tirando tinta da trave do goleiro Andrey.

O Botafogo respondeu três minutos depois. Vitinho recebeu passe nas costas do meio-campo Lorran, arrancou para o campo de ataque, driblou dois adversários e bateu forte para a defesa em dois tempos de Caio, que estava substituindo César, integrado ao elenco da Seleção Brasileira que disputará o Mundial Sub-20, na Colômbia (além dele, o zagueiro Frauches também foi desfalque pelo mesmo motivo).

Melhor na partida e com o apoio da torcida alvinegra, que desta vez foi maioria, o Botafogo chegou ao primeiro gol. Aos 19 minutos, Jefferson cobrou falta para a área, o goleiro Caio rebateu nos pés de Cidinho, que só teve o trabalho de empurrar para a rede. 1 a 0.

O gol diminuiu o ímpeto do Flamengo no clássico, mas em uma falta despretensiosa, aos 25 minutos, deixou o clássico igual. Muralha executou a cobrança e a bola pegou um efeito acertando o ângulo esquerdo de Andrey que nada pôde fazer. 1 a 1.

O Rubro-Negro precisava novamente de pelo menos dois gols para levar a decisão para os pênaltis e partiu para o tudo ou nada. Aos 31, João Felipe fez fila. A bola sobrou para Rafinha, que deu um chapéu sensacional e, na seqüência da jogada, por pouco Muralha não fez o segundo.

O Flamengo tinha a maior posse de bola, mas concluía mal, e o meio-campo Lorran, um dos que já atuou entre os profissionais, aparentava nervosismo e errava muitos passes. Aos 44, o time do técnico Paulo Henrique teve a última chance do primeiro tempo. O lateral-direito João Felipe foi ao bico da grande área e bateu cruzado. Thomas cabeceou firme e a bola carimbou a trave.

Na volta do intervalo, o treinador rubro-negro sacou Lorran e apostou na entrada do meia Pedrinho. A substituição não surtiu muito efeito já que o Botafogo controlava as ações do rival. A ansiedade tomava conta das equipes e o jogo foi se tornando faltoso.

O Flamengo teve apenas a primeira oportunidade da etapa complementar aos 20 minutos. Pedrinho arriscou o chute da intermediária, mas o goleiro Andrey não teve dificuldades para executar a defesa. Aos 29, o zagueiro Matheus Bessi cobrou falta de longa distância, mas novamente o camisa 1 alvinegro estava lá para conferir e colocar para escanteio.

Se mandando para o ataque de qualquer forma, o Rubro-Negro deixava espaços na defesa e, aos 35, quase sofreu um duro golpe. Cidinho recebeu passe e tentou encobrir o goleiro, que executou a defesa no susto. Em seguida, o jogador foi substituído e saiu de campo aclamado pelos botafoguenses.

No final, a equipe do técnico Eduardo Húngaro tocou a bola e esperou o apito final para comemorar o título estadual. O Glorioso não sagrava-se campeão da categoria desde 2000 e ganhou o seu 13º campeonato.

FICHA TÉCNICA

Local: Estádio de Los Larios
Data/hora: 9/7/2011, às 15h
Árbitro: Leandro de Lima e Silva (RJ)

BOTAFOGO: Andrey; Gilberto, Matheus, Ulisses e Renan Lemos; Jadson, Fabiano, Jeferson (Bruno Medeiros) e Cidinho (Alves); Vitinho (Gabriel) e Jairo. Técnico: Eduardo Húngaro.

FLAMENGO: Caio; Digão, Marrlon, China e Felipe Dias; Muralha, Joao Vitor (Iguinho), Thomás e Lorran (Pedrinho); Rafinha e Nixon (Romário). Técnico: Paulo Henrique.

Matéria original: Super Esportes
Outra matéria: Cidinho afirma: "É um dos melhores momentos da minha vida"

Saudações botafoguenses!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Botafogo 1 x 1 Atlético-GO



Minha torcida para que uma melhora do desempenho ofensivo e defensivo sucederiam-se a uma evolução tática geral – e gradual – não serviu para nada. Não pude assistir ao jogo contra o São Paulo e achei que pularia uma etapa, vendo, duas rodadas depois, uma equipe com variações de jogadas de ataque, melhor coordenação defensiva, ou seja, um time aprimorado em setores e aspectos específicos. Mas o que vi foi mais do mesmo: diminuição dos chutões para frente, predomínio da bola no chão – do lado positivo – e, mais uma vez e infelizmente, articulações ofensivas e coordenação defensiva praticamente inexistentes. Enfim, não evoluímos.

Li que o aproveitamento de Elkeson e Maicosuel nas cobranças de falta durante os treinamentos é excelente. Mas do que vale a prática e o aperfeiçoamento deste fundamento, se não sofremos faltas próximas à área? E o mais grave não é o fato de não sofrermos faltas por ali, mas o porquê de não acontecerem naquele espaço do campo. E a razão é muito simples: não temos jogadas de ataque bem treinadas – se é que são treinadas.

Nossa deficiência ofensiva não se resume ao arremate final, pois se origina, em grande medida, na inexistência de jogadas claramente bem arquitetadas, em que a mão do treinador se evidenciaria. Se a mão do treinador fica evidente na maior posse e melhor saída de bola, ela não é notada no setor de ataque. O resultado é um time que desde o começo da competição fez somente um gol fruto de jogada clara de ataque e, mesmo assim, a partir de um lance individual de linha de fundo – Caio –, o gol de Elkeson há duas rodadas. O gol de ontem, mais uma vez, teve origem em uma bola espirrada.

Atrás, sofremos um gol originado em um balãozinho, com o lateral chegando em ritmo de 'trote' para a marcação e o zagueiro estando onde não deveria e não se recuperando a tempo. Mas eu já havia alertado insistentemente que a defesa era fraca, pois seus integrantes são medianos e pioram seu desempenho por serem inexplicável e recorrentemente desatentos. O pior é constatar que tudo indica que vamos sofrer com isso até o fim da competição, porque a postura e a disposição psicológica da diretoria permite que esse comportamento não seja confrontado.

Caio Júnior declarou: “Enfrentamos um adversário que veio anular um time que está se destacando. Esse é o ponto fundamental.” Discordo, pois acredito que o fundamental é encontrarmos formas de enfrentar esse tipo de situação, uma vez que todos os adversários tentarão se comportar de forma a nos anular, não porque estamos nos destacando, mas porque é desta forma que sempre se comportarão os 'adversários'.

Não pensem que prego a saída do atual treinador ou que não percebo os méritos de seu trabalho, que são notórios. Mas enquanto o setor ofensivo não evoluir e os gols não deixarem de surgir somente a partir de lances fortuitos ou lampejos individuais; enquanto a defesa não exibir coordenação e seus integrantes não demonstrarem disposição competitiva, a capacidade de Caio Júnior continuará sob suspeição. E o Botafogo se destacando por tropeçar frente aos mais fracos.

Saudações botafoguenses!

[Link para os memlhores momentos da partida: Botafogo 2 x 2 Atlético GO]

terça-feira, 28 de junho de 2011

Sobre Botafogo 2 x 1 Grêmio


Mais uma vez Maicosuel insiste em não aparecer e Elkeson dá o ar da graça.

De 2009 para cá nosso meio campo era sofrível. A bola passava zunindo sobre a cabeça dos jogadores que rondavam por ali, voando como ogiva de morteiros de retaguarda. A posse de bola era pífia, as triangulações eram raras, o conceito era simplório. Esse quadro vem mudando.

Os chutões se escassearam e o meio campo se soma a Jefferson como pontos fortes do time. Mas entre Jefferson e os meio-campistas e entre estes e o gol adversário existem duas zonas de escuridão.

A defesa é descoordenada e o ataque, mal articulado. Precisamos encontrar uma forma de criar um padrão de jogo que não se resuma à manutenção da posse de bola – o que é bom, mas é o 'meio' e não o fim. Isso é possível, mesmo que não tenhamos um homem de área de competência comprovada e nossos zagueiros tenham atuações oscilantes.

Acredito nessa possibilidade porque percebo o gradativo aumento do conhecimento do treinador com relação ao elenco, indicado pelo acerto nas substituições. Caio Júnior contrariou minhas expectativas, pois mexeu muito mal em todas as partidas anteriores. Acho que foi menos um apostador do que um bom observador dos treinamentos. Tudo indica que jogadores e técnico vêm trabalhando ultimamente, uma ótima e surpreendente novidade.

Mas a chegada ao ataque ainda não se faz através de jogadas que revelem treinamento neste sentido, apesar dos cruzamentos já não serem bisonhamente feitos da intermediária. Os gols ainda surgem fortuitamente ou através de ações individuais – exceto o gol de Elkeson, otimamente posicionado, aproveitando uma excelente jogada de linha de fundo de Caio, coisa que não víamos este último fazer há uma temporada.

A descoordenação defensiva também é condenável e continuamos dependendo de defesas salvadoras de nossos goleiros – agora com Renan sofrendo com o peso do manto de milagreiro.

Sabemos que faltam peças-chave no ataque e na defesa. Mas se faltam 'atores', também anda faltando 'ensaio'.

No entanto, como não acompanho os treinamentos, fico na torcida para que a gradual melhora dos fundamentos e do conceito geral faça parte de um planejamento e que venha seguida de uma alta na coordenação e articulação de setores específicos.

Nota: Alessandro fez exatamente o que não se espera que faça um defensor experiente, mesmo que mediano: na condição de último homem de defesa, se 'lançou à sorte'.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos da partida: Botafogo 2 x 1 Grêmio]

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Esse não é feito de vento

(Foto: Jarbas Oliveira/AE)

Não vou falar da defesa que não inspira confiança, dos erros de passe bisonhos, da falta de articulação das jogadas de ataque, da péssima fase do Herrera, da alternância da qualidade do desempenho coletivo durante as partidas, da dispensa injustificável de El Loco e Arévalo, da falta de um homem de área. Nada disso.

O que me interessa e alivia a alma hoje é saber que contamos com um jovem de 21 anos que dá combate, faz a bola circular, é forte, protege bem a bola, é veloz, não se esconde do jogo em nenhum momento, chega com perigo ao ataque, chuta BEM de fora da área, cobra faltas com força e colocação, tem visão de jogo e ainda deu um passe primoroso que deu início à virada no jogo de ontem – além disso tudo é um tremendo sortudo. Como bem disse o Marcelo Pereira, “é o anti-Lucio Flávio.

Pois bem, o Elkeson é a melhor contratação do ano até o momento. É o tipo de jogador que nos faltava desde, digamos, o Beto. Jogador rápido na transição, a peça que faltava para se juntar ao talento e potencializar a velocidade de Maicosuel.

Que Elkeson continue a ser o que já é e evolua ainda mais. Que tenha uma carreira brilhante! (No Botafogo, é claro).

Saudações botafoguenses!

domingo, 5 de junho de 2011

Cospe no prato em que come


O narrador esportivo Luís Roberto, da flaflupress, assistindo a um lance de uma partida disputada na tarde de hoje no Engenhão, disse que o gramado do estádio botafoguense era uma vergonha comparado ao do estádio Olímpico de Porto Alegre. E se perguntou o que acontece ao gramado do Engenhão, que não se mantém em boas condições.

Ora, o que acontece é que, no Rio de Janeiro, existem dois clubes que não possuem um estádio de futebol – o que dirá um estádio olímpico, como é o caso do Engenhão. São os 'sem-estádio'. E são clubes que se consideram 'grandes'! Esses dois clubes não se sentem acanhados por pedir emprestado o estádio dos outros para disputar as partidas sob seu mando de campo, tanto no Estadual quanto em qualquer competição que disputam.

Mas isso faz parte da vida. Pedir não é indigno.

O que me enoja é a falta de cerimônia e a desfaçatez de um sujeito – que certamente não é botafoguense – que reclama do sofá da casa alheia, quando é o único reduto a acolher o sono leve dos que não têm consciência e nem estádio, mas muita empáfia, falta do que fazer e a língua solta.

Saudações botafoguenses!

Zagueiro-artilheiro


Se o Fábio Ferreira e o Antonio Carlos não fossem artilheiros, quem gostaria de tê-los como zagueiros?

Não sei o que pensam vocês, mas eu não confio nessa dupla de zaga. São desatentos e displicentes, a saída de bola é sofrível e o Antonio Carlos adora perder tudo que vem pelo alto. Fica a proteção à zaga preocupada com a zaga e acaba falhando na proteção. Vocês já notaram como nossos zagueiros reclamam dos outros e são deles as pixotadas?

Alguém se lembra de algum zagueiro do Botafogo que poderia ser disputado por um time de primeira linha, depois da aposentadoria do Gonçalves? (Ah, sim, tivemos o Julio Cesar, mas em fim de carreira – não vingou; e o Rafael Marques, que não jogava nada por aqui e se tornou titular no Sul).

Nossa zaga é sofrível desde a conquista de 1997, quando Gonçalves e Jorge Luis nos garantiram uma zaga invicta (esqueçam o surrealismo de um 'terceiro turno', excrescido pelas mãos do incontornável Eurico Miranda). De lá para cá, só arrepios.

A falha no jogo de ontem é número de picadeiro. Considero a profissão do palhaço coisa muito séria, mas em um zagueiro o nariz de bola me parece inadequado. O episódio foi mais humilhante que um gol contra. De bom só mesmo a perda da ilusão, a revelação de que não temos zagueiros sérios. Zagueiro tem que ser sério. Infelizmente temos dois homens feitos, mas com cabelos de adolescente – que me perdoem o preconceito ou a caretice.

O que salva esses dois é a capacidade que têm para marcar gols. Não fosse isso, a torcida já teria acordado para o fato de que antes de serem contratados, um estava disputando a série B e o outro era refugo de time grande. E quando saírem – se saírem um dia, porque o sonho de todo jogador mediano é se aposentar pelo Botafogo – com certeza irão para a Coreia do Sul ou mercado semelhante, ou provavelmente esquentarão banco em algum time que não participa de competições por mero espírito esportivo.

Saudações botafoguenses!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Fogo Eterno


O Biriba recomenda a leitura de uma postagem no ótimo blog Fogo Eterno. Trata-se de um teste para saber o nível de botafoguismo do torcedor alvinegro, arquitetado por Marcelo Pereira, CEO da página.

Aqui está o link: http://fogoeterno.wordpress.com/2011/05/31

Saudações botafoguenses!

domingo, 29 de maio de 2011

O sono gostoso da vitória e uma incógnita


É sempre muito bom dormir e, melhor ainda, acordar depois de uma partida em que o Botafogo sai vitorioso. Mas, pensando friamente, ainda precisamos dar um jeito na famigerada queda de produção nas segundas etapas, na falta de articulações claras no meio de campo e naquela zaga que tenta nos matar do coração, principalmente nas jogadas aéreas – que pelo menos sejam “zagueiros-artilheiros”, obrigado Fábio Ferreira.

E não é que a presença do Elkeson, mesmo com uma estreia um tanto modesta, mostrou que é pedir demais ao Maicosuel para que mantenha a bola no campo de ataque sozinho? Porque no primeiro tempo, e só nesse período, nosso setor ofensivo, mesmo claudicante e pouco articulado, não pareceu uma tabela de mesa de sinuca, que era o que estávamos acostumados a ver – mesmo que não conformados.

Arrisco dizer que a estreia do Elkeson, mesmo acanhada, repito, valeu pelo tirambaço que forçou o Aranha a explicar o apelido. Há quanto tempo não temos um sujeito assim no time? Um jogador forte na proteção à bola, com bom toque e com aquele chute que todos viram.

Com o aumento da posse de bola no campo de ataque e mais gente com quem “dialogar”, o Cortez melhorou. Até o Alessandro esteve bem no jogo.

Pela partida que fez, acho que o Marcelo Mattos quer renovar com o Botafogo.

Em um lance em que o Everton foi à linha de fundo, não era para o Alex ter partido como uma bala e marcar presença dentro da pequena área, como manda o manual do camisa 9? Acorda, rapaz! Todos nós torcemos por você!

Com a futura entrada do ótimo Renato, o Everton vai compor elenco. E acho que será uma ótima peça de reposição e mudança de paradigma. Por falar em Renato, gostaria de ter visto se ele passaria ou não no teste de “santista ou profissional”, que a partida de ontem poderia promover – apesar de não ser uma final.

E o Lucas Zen? Sem espalhafato, sem firula, sem futebol vistoso e cheio de garra e percepção tática.

O Caio já está passando da idade de “promessa”. O tempo não para...

O Cidinho precisa urgentemente do mesmo tratamento dispensado ao Maicosuel e o Thiago Galhardo sofre pênalti de verdade, diferentemente do outro Thiago.

Agora fica a pergunta: por que não apresentamos em campo um futebol compatível com o potencial técnico de razoável para ótimo do elenco? Técnica e taticamente, o Botafogo esteve mal na tarde de ontem. O problema é o Caio Júnior, os treinadores anteriores, as comissões técnicas, a gerência de futebol ou será o comando acima dessas instâncias? Por que somos tão irregulares? Por que o Botafogo não deslancha?

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos da partida: Botafogo 1 x 0 Santos]