sábado, 22 de janeiro de 2011

Jogo avacalhado

(Chess Confusion, por Jeremy Mates)

“Gostei da virada, mas precisamos dar um jeito. Não dá para continuar jogando assim, não. Desde o ano passado que estamos jogando assim, só marcando, marcando... Todo time que nos enfrenta tem melhor toque de bola, enquanto nós vamos na correria atrás da bola. Este ano não tem surpresa, todo mundo sabe como joga o Botafogo. Temos de encontrar uma solução para jogar melhor e não passar sufoco. Com todo o respeito, mas se fosse um time mais qualificado, não dava para virar, não.” (El Loco em entrevista ao PFC)

Tenho certeza de que roupa suja se lava em casa, mas Abreu resumiu a ópera com precisão.

(Matéria na íntegra)

***

Jogo sofrível para qualquer torcedor e muito sofrimento para os botafoguenses. A vitória ao final alivia a alma, melhora o humor, garante os três pontos, mas não apaga a imagem do ridículo. Nem o sol e sua obra podem servir como desculpa.

O que todo mundo viu e Joel Santana parece querer varrer para debaixo do tapete foi um time sem preparo físico, sem saída de bola, sem triangulações no meio de campo, sem criatividade no ataque, sem coordenação na defensa, sem articulações de contra-ataques, sem cobrador de faltas, sem jogadas ensaiadas, etc. O famigerado, lamentável e aparentemente eterno chutão para frente...

O que nos salvou foi a camisa, o espírito de luta e lampejos únicos e finais de Abreu, Renato e Caio, na única jogada de ataque realmente bem articulada – muito bem articulada, diga-se. Não é o suficiente para a defesa da honra do atual campeão.

Quase perco o prazer de ver a braçadeira de capitão em braço forte, na estreia claudicante de todos os jogadores, inclusive a do próprio atual capitão e esperança de bons desempenhos, Marcelo Mattos.

Que se juntem o mais depressa possível Arévalo, Márcio Azevedo, Herrera, Éverton e que Joel treine esse time para que não pareça um amálgama derretido pelo sol de maçarico.

Saudações botafoguenses!

Tudo resolvido


(Imagens: PFC)

Como o sol resolveu partir para a violência e nenhum dos times resolvia nada, Geovane Maranhão “resolveu cair” e Marcelo de Lima Henrique resolveu marcar pênalti. Esse Marcelo ainda nos paga, mesmo que em forma de praga...

(Matéria na íntegra)

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Estrela, só a do Botafogo!

Não poderia deixar passar em branco o momento e gostaria de dividir com vocês a alegria que estou sentindo em saber que o time que abre os trabalhos no Carioca terá um capitão de verdade.

Vivenciei como se fora uma era interminável o Botafogo capitaneado pelos ponderados pusilânimes Lúcio Flávio e Juninho e, na ausência de ambos e total falta de mínimo bom senso ou aversão ao ridículo por parte dos dirigentes, suportei o constrangimento de ver a liderança do grupo a cargo do inigualável entregador de jogos, o homem do semblante combalido, Leandro Guerreiro.

Marcelo Mattos me parece um sujeito bem adequado à função, seja pela inteligência e tranquilidade que demonstra através de seu futebol, pela espírito de luta e liderança ou pelo excesso de virilidade que empregou na jogada que o deixou boa parte do Brasileiro na enfermaria – de vez em quando o sangue precisa esquentar e “BOTAFOGO NISSO!”. À boa aposta que acredito ter sido feita pela comissão técnica soma-se a afirmação feita pelo novo capitão, a que dá título a este texto.

Confesso que preferia ver o fantástico El Loco Abreu comandando o time, mas talvez tenha sido boa ideia deixar a faixa com Marcelo Mattos, pois ficamos com dois capitães em campo. Enquanto Mattos chefia oficialmente, Sebastián continua liderando moralmente de forma astuta, viril, artística, mística, briosa, espetacular. Às vezes exagera na dose e, mesmo nessas horas, fecho com ele, como no episódio do jogo contra o Vasco, em que Sebastián insistia em gesticular para o árbitro vestir a camisa do adversário e acabou por chutar a bola do ataque até nossa linha de fundo. Abreu não consegue deixar de ser espetacular, mesmo na fronteira do ridículo.

A não inscrição de Márcio Azevedo demonstra que nossa diretoria não aprende e continua tratando coisa séria de forma amadorística.

Seja como for, o time é melhor do que o do ano passado e a não escalação de Fahel e Alessandro é um ótimo sinal.

Saudações botafoguenses!

sábado, 18 de setembro de 2010

A vontade e o corpo


O Botafogo que eu disse anteriormente “que deveria ser o de sempre” foi, contra o São Paulo, o que pedi. Continuamos jogando com garra e inteligência, mas os desfalques que se somaram aos de Jobson e Somália foram sentidos. Contra o Goiás tivemos a volta de Lúcio Flávio, o que é fatal: não há antídoto para remediar essa enfermidade.

Com relação às contusões, acho que não saberei jamais se foram por excesso de vontade dos jogadores ou por má preparação física associada a um departamento médico conhecidamente insatisfatório. Na verdade, uma das contusões certamente foi por excesso por parte do jogador, porque a juventude do Marcelo Mattos pesou na hora que decidiu enfiar o pé do jeito que fez, na dividida que praticamente o tirou do campeonato. Faltou experiência, sobrou garra.

Mas o que dizer de Jobson, Somália, Herrera e Marcelo Cordeiro? O médico que encabeça o setor responsável pela saúde de nossos jogadores diz ser normal que se lesionem com a agenda que cumprem. Da minha parte digo que não acredito nisso inteiramente.

Que jogadores e atletas estão sujeitos a desgaste físico e lesões ninguém duvida, mas quatro jogadores com problemas musculares adquiridos sem o contato direto com adversários não me parece ‘normal’.

Mesmo acreditando que temos problemas na preparação e na manutenção da saúde do elenco, por respeito ao pensamento humano fica a questão: Será que a vontade não está cabendo nos corpos?

Seja como for, temos um confronto direto pela colocação na tabela e um desafio contra uma equipe que vem em ascensão avassaladora. Chegou a hora de parar o Cruzeiro e tomar novo impulso.

Vontade parece não faltar ao elenco. Os corpos é que estão ficando pelo caminho. Se sobrarem onze até a última rodada, não corremos risco de perder por WO.

Nota: Que os bandeirinhas não nos usurpem como fizeram em BH, nos parando por duas vezes quando íamos direto para o gol.

Saudações botafoguenses!

domingo, 12 de setembro de 2010

O Botafogo que deveria ser o de sempre


Faz muito tempo que não apareço por aqui e a razão não era o mau futebol da equipe, salvo por lances fortuitos e intervenções individuais de Jóbson e Maicosuel, que, graças ao bom Deus, estão do nosso lado. Pior para os times que não têm esses dois. Lamentar por quê, se aqui só rezamos para o Botafogo?

Foi muito tempo e inúmeras rodadas desde o último texto, mas os comentários não haveriam de mudar muito nesse ínterim, pois o time vinha jogando da mesma forma, chutando a bola para frente quando na defesa e para dentro da área quando no campo adversário. A diferença do time de antes da chegada dos dois excepcionais é que com Jóbson e Maicosuel você pode chutar a bola para a frente e esperar que um deles resolva sozinho – muito mais o Jóbson do que o Maic, que tem que tentar ser um one man show vindo de trás.

Mas contra o Santos a coisa foi diferente: Tínhamos saída de bola. É isso mesmo, botafoguenses! Mal ou bem, errando ou acertando, o famigerado chutão para frente não era a norma, mas a exceção. O meio campo tocava a bola, fazia triangulações, o jogo fluía, os jogadores se movimentavam e se aproximavam uns dos outros e finalmente vimos um camisa dez se juntar aos onze e cuidar para que a bola ficasse em nosso domínio, se apresentando para o jogo, aparecendo quando um companheiro dele precisava. Há muito tempo não tínhamos alguém desempenhando esta função dignamente, posição crucial no futebol.

Além disso, o preparo físico parecia estar em bom estado.

Acima de tudo, o que mais me impressionou foi a garra com que o time jogou. Não sei o que aconteceu, mas o fato é que jogaram com sede de vitória, com a mesma disposição psicológica que jogaram durante o Carioca.

Será que só agora a volta de Abreu se fez notar? Não pelo gol, fantástico por sinal, mas pelo espírito de luta com que jogamos, e de forma quase obsessiva. Será que a discussão no banco de reservas, depois de sua substituição contra o Prudente, mexeu com o grupo, com o treinador, com a diretoria, com os investidores e patrocinadores? O que conversaram ou vêm conversando desde então? Seja qual for o assunto, o certo é que aparentemente o papo deu bom resultado. Pelo menos para metade do jogo contra o Grêmio e a última partida inteira.

O que faz uma equipe mudar radicalmente sua postura tática, seu preparo físico e, mesmo com a presença de Fahel, apresentar um bom futebol, tão diferente do que vinha acontecendo até então, e sem a presença do espetacular Jóbson? Acho que jamais terei certeza da resposta.

No início da competição alertei que a disposição psicológica que nos levou ao título estadual seria difícil de ser mantida durante trinta e oito rodadas. Não era uma constatação genial, e não pretendia ser, mas foi exatamente o que aconteceu. Nos arrastávamos no campeonato, arrancando vitórias com o brilho individual da dupla JM, e levando no peito e na sorte. Mas, depois da forma com que jogamos a partida de quinta-feira passada, minha atenção mudou de direção. Se até então andava preocupado com o perigo que rondava a nossa retaguarda, agora ando imaginando o Botafogo como motivo de preocupação para quem está à nossa frente.

Saudações botafoguenses!

sábado, 28 de agosto de 2010

O time que não muda ou mudar pra quê?

Se o Botafogo repetir o que fez nas cinco últimas partidas, jogaremos mal e venceremos. A grande diferença entre esses jogos e o de hoje é nível técnico do adversário, pois o Internacional tem um ótimo time e jogou bem durante a competição que privilegiou e sagrou-se campeão, enquanto os cinco últimos que enfrentamos não apresentaram um futebol que metesse medo.


Seguindo o raciocínio de que existe um padrão na forma como o Botafogo atua, diria que o Botafogo jogará assim: 1) nas saídas de bola veremos o trio de zagueiros trocando passes no campo de defesa sem que nenhum apoiador se apresente e com os laterais fincados no encontro da linha central com a lateral, até perderem a paciência, despachando a bola com um chutão para frente na esperança que os jogadores de ataque tenham sorte e habilidade suficientes para suplantar a adversidade; 2) quando a jogada se encontrar nas laterais do campo, os alas ou quem estiver por ali não terão o apoio de um terceiro jogador para que uma triangulação seja possível, restando a opção de tentar a sorte com um chute em direção ao centro da área adversária, para que Herrera ou Jóbson vejam no que dá; 3) em jogada de bola parada, lance fortuito ou uma 'trama' de dois toques, a superioridade individual de Jóbson ou Maicosuel nos garantirá um gol; 4) a defesa, amparada por um goleiro extraordinário, se livrará do pior contando principalmente com a sorte.


E que assim seja...


Saudações botafoguenses!

sábado, 14 de agosto de 2010

Beabá aritmético


Torcer por vitória botafoguense é nosso prazer e uma obrigação, mas aquelas continhas calculando os resultados que nos favorecem a subida na tabela são muito complicadas e só servem no tiro curto. Nesta fase do campeonato o melhor mesmo é sempre torcer pelo empate alheio e de preferência sem gols. Até porque torcer pela derrota dos outros consome mais energia e aumenta nossa dívida com o sobrenatural.

Seguindo esta receita e vencendo o Atlético GO, o Botafogo entra no G4. Simples assim.

Saudações botafoguenses!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Quando a medida é o ouro, o dono da mina manda no alfaiate


Poderia relacionar várias razões que me fizeram deixar o blog congelado por tanto tempo. Começaria pela mais objetiva de todas: a falta de tempo que me forçou a me dedicar a questões urgentes, e isso não é mentira. Seguiria pelo desdobramento desta falta de tempo, explicando que não pude me concentrar na produção de dois textos que fechassem o ciclo de postagens sobre a Copa do Mundo, o que também não deixa de ser verdade. Um deles seria um resumo dos acontecimentos da competição – um fechamento – e outro, uma análise do que penso sobre a atuação da CBF nesta Copa e o que a instituição milionária encabeçada por Ricardo Teixeira está se preparando para fazer até a próxima – uma espécie de compêndio de iniquidades.

Quanto a estender minhas férias até o final do descanso de Abreu, isso foi só uma brincadeira, apesar de considerar inaceitável a duração da folga de El Loco. (Acredito que a volta do ídolo uruguaio estava condicionada à extirpação de uma série de males, mas isso será assunto para outro dia).

Se afirmasse que aquelas foram as razões da pausa nas publicações não estaria mentindo, mas o que mais pesou para a minha ‘abstinência blogueira’ foi o fato de antever que voltaria a conviver com a triste realidade atual do Botafogo. Pois quando pensei em um texto ‘de retorno’, o Botafogo vinha de uma sequência de seis jogos sem vitória e jogando com entusiasmo e dedicação semelhantes aos que nos acompanharam até o livramento no jogo contra o Palmeiras, no ano passado – tirem desse bolo de molóides os jogadores Leandro Guerreiro, Jobson e Jefferson.

Além da falta de empenho, era nítida a inexistência de um sistema tático, cujo vácuo era preenchido pelos chutões para frente – o que muitas vezes é chamado de ‘lançamento longo’, por alguns locutores e comentaristas, mas que na verdade é uma forma de um sujeito se livrar da bola, por não haver treinado alternativas ou por preguiça mesmo. E era evidente o racha que surgiu entre os jogadores na ausência de Abreu, o que acredito ser o pior dentre todos os males que possam minar o êxito de uma equipe.

Nas três últimas rodadas uma grande diferença que se observa no time – em comparação ao Botafogo da 4ª à 10ª rodada – é quanto ao empenho dos jogadores, que parece ter voltado ao padrão que nos levou à conquista do Carioca. Será que isso tem alguma relação com a volta de El Loco?

Com certeza o meio campo escalado para esta última partida colocou a bola no chão e manteve sua posse de forma razoável, mas contra um adversário que não faria frente a equipe alguma dentre as que pretendam algo além das colocações medianas.

Quanto a esquemas táticos, jogadas ensaiadas e estratégia de jogo – tramas de ataque bem treinadas, saída de bola articulada e etc –, devemos abrir mão de exigir isso do nosso treinador? A estratégia de Joel Santana seria o chutão para frente, não treinar a saída de bola e deixar que as virtudes de Jobson e Maicosuel prevaleçam até o final da competição, ou podemos esperar mais de nosso técnico?

Um outro fato se junta ao retorno do empenho da equipe como um todo, para me ajudar a cultivar minha esperança de que a triste realidade do Brasileiro do ano passado não se repita: as barrações de Lúcio Flávio e Fahel. Elas podem ser um indício de que algo esteja mudando, mesmo que por um curto prazo de tempo.

Creio que aqueles que investiram na volta de Maicosuel e os que sagazmente identificam o potencial que a idolatria à El Loco representa em termos comerciais não estejam interessados em ganhar e dividir trocados. Além disso, uma empresa como a Ambev não tem em seu cronograma a distribuição de benesses a apaniguados. Acredito que para garantir seu devido retorno o capital investidor também esteja ‘investindo’ na reprogramação mental da cúpula dirigente, seja a ferro ou a fogo.

Arrisco dizer que a fonte é outra e por isso ‘o dinheiro mudou de ideia’. Tomara...

Saudações botafoguenses!

domingo, 1 de agosto de 2010

A volta do herói


Decidi dar uma pausa nas férias para saldar a volta do Sr. Maicosuel ao Botafogo. Ele, que foi o herói do Carioca do ano passado, na tarde de hoje se junta ao Jobson, herói do salvamento da tragédia – juntamente com o Jefferson, é claro.

Só falta o fantástico El Loco, herói vitorioso, o ‘carrasco do carrasco’, para que o time tenha pelo menos três jogadores decisivos para se juntar ao Jefferson, e carregar os medianos e os fraquíssimos nas costas.

Por falar em férias, explico que elas foram estendidas até o final das do Abreu. Mesmo sendo um herói, mesmo que eu seja seu fã, se ele pode, por que que o Biriba também não?

E para provar que estou de férias mesmo, nem escreverei um comentário preliminar sobre a partida de hoje, me dando ao luxo de transcrever uma postagem antiga, referente ao jogo contra o Atlético Paranaense. O time não mudou nada desde então, tanto é que a única correção a ser feita é a de que o árbitro de hoje não será o inadmissível Paulo Cesar de Oliveira. Por sinal, o Sr. Wilton Pereira Sampaio é brasiliense, o que significa que é alta a probabilidade deste ilustre cidadão ser botafoguense.

Ainda a esperança...
(publicado em 2/6/2010)


Espero que o jogo represente a volta do comportamento aguerrido e o sentido coletivo que nos garantiram, em grande medida, a conquista do título estadual. Também espero que mudemos a estratégia de jogo, dispensando os chutões pra frente, o que é possível de se imaginar, uma vez que já jogamos de forma diferente, articulando a saída de bola de forma coordenada e inteligente.

Outra esperança que tenho é a de ver o Herrera voltar a ser um sujeito que não só joga ‘para o time’ através da sua indiscutível raça, mas que também alie a ela um pouco de despojamento, servindo aos companheiros da mesma forma que fazia antes da ausência de El Loco. [Anexado 1/7/2010: desde a partida em que brigou com o Caio, o Herrera não passa a bola para ninguém e não está jogando nada.]

O que não posso esperar é que a torcida local vibre com as jogadas do Caio ou o aplauda. Mas isso é o de menos, já que a torcida botafoguense se encarrega de dividir-se entre as duas manifestações. [Anexado 1/7/2010: ... e as vaias também.]

Nota: Só não merecíamos o Paulo Cesar de Oliveira... [Mas isso, ninguém no mundo merece, além da Ana Paula, a 'Bandeiruda'.]

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O time do apito não se resume ao apito

(Foto: Dani Pozo/AFP)

Mesmo contando com as arbitragens sempre ao seu lado, a seleção da Espanha me pareceu estar entre os melhores times da competição. Mesmo fazendo um gol depois da não marcação de um escanteio – a bola claramente desviou, e muito, na barreira –, ontem, venceu o time que praticou o futebol, se não o mais empolgante, o mais bonito e leal. Mesmo passando por um triz em todos os jogos que fez, excetuando-se a partida contra Honduras, a seleção espanhola é um time que vale a pena ver jogar. Mesmo ‘mascarados’ e jogando com o nariz empinado, os espanhois foram superiores à maioria dos adversários, com a exceção do Paraguai.

Como ambas as seleções que decidiram o título eram ‘queridinhas’ das arbitragens minha torcida estava do lado holandês, por sua tradição futebolística que me presenteou com grandes espetáculos. Mas a primeira entrada do troglodita Mark van Bommel me fez titubear. Com o golpe de kickboxing de Nigel de Jong não tive dúvidas do que estava em jogo. Era o futebol de quem queria jogar bola contra o futebol violento e o anti-jogo. Não foi difícil decidir pela mudança de lado.

Volto a repetir que a Holanda sempre foi uma seleção que joga de forma violenta. A grande diferença entre a atual seleção e suas antecessoras está no fato de que estas batiam mas jogavam um futebol de alto nível, enquanto a seleção de 2010 só bate. Ficou dependente de dois excelentes jogadores – Robben e Sneijder –, que tremeram na hora da decisão.

Apesar de ter dito anteriormente que a campanha espanhola é uma das piores da história e que a seleção da Espanha é obviamente a menina dos olhos da Fifa em 2010, beneficiada por um erro crasso de arbitragem que culminou no gol decisivo, seria injusto não admitir que os espanhois suplantaram um adversário que optou por um futebol violento e rígido, jogando com inteligência, habilidade e dinamismo. A vitória espanhola simboliza o triunfo da convicção de que o futebol bem jogado e bom de ser visto pode prevalecer sobre o esporte praticado pelos que vivem a cravar as travas das chuteiras nas canelas dos adversários e dos que acreditam que comprometimento por si é boa estratégia e garantia de sucesso.

Acreditar que o bom futebol pode vencer o famigerado ‘futebol de resultados’ e investir nisso é suficiente para que eu considere justa a vitória espanhola. O que jamais saberei é se a Espanha seria capaz de vencer uma Copa do Mundo sem a ajuda da arbitragem.

***

Os queridinhos da Fifa

(Bommel Violentus)

Podem me chamar de paranoico e obcecado por teorias de conspiração, mas nada me faz acreditar que a banda não toque conforme manda o general Blatter. E, se desafinou em algum momento, como na não marcação de um pênalti claro no jogo de estreia da seleção anfitriã, a partida final seguiu perfeitamente a programação e o finale em uníssono e fortíssimo, não poderia ser melhor, com uma aspirante possuidora de um mercado futebolístico milionário se integrando ao quadro dos países campeões mundiais. Não digo que tenha sido coisa combinada, mas afirmo que foi peça bem ensaiada.

Vejam como as coisas funcionaram para que o ‘movimento final’ estivesse encaixado perfeitamente no ‘libreto’ da obra escolhida para a temporada.

Mark van Bommel, o troglodita holandês, distribuiu pancadas durante toda a Copa e só recebeu dois cartões amarelos durante toda a competição, sendo que estes dois não decorreram de sua violência, mas por ter cometido outro tipo de indisciplina: entrou em campo sem a autorização do árbitro. (Escrevi sobre isso aqui).

Ele e seus camaradas de bandeira seguiram em frente atropelando quem se colocasse em seu caminho, contando com o beneplácito das arbitragens. Praticaram o que o jornalista Paulo Vinicius Coelho cunhou de ‘anti-futebol total’. Mas fizeram isso até um determinado momento.

Foi quando enfrentaram a Espanha, a ‘mais’ queridinha da Fifa (citada no mesmo texto do link acima), que a seleção holandesa, a outra queridinha – mas nem tanto –, teve sua marcha destruidora interrompida, voltando ao mundo real ao ter seu futebol violento barrado pela aplicação de vários cartões amarelos e uma expulsão. Na verdade, foram muitos mas não suficientemente razoáveis, pois a pernada de Jong merecia um cartão vermelho.

Beberam do mesmo veneno que lhes tirou adversários do caminho ao ver a chance de tentar a sorte nos pênaltis lhes ser tirada por um ‘erro’ grosseiro de arbitragem. Está aí o que você não queria, Bommel!

Não adianta ser um queridinho se não se é ‘o’ queridinho. É assim que toca a banda do general Blatter.

Saudações botafoguenses!

PS: E não é que o polvo Paul se livrou da companhia do arroz, do brócolis, das azeitonas e do azeite?


domingo, 11 de julho de 2010

A trave, aquela maldita

(Foto: Rodrigo Aranguaia/AFP)

A trave que salvou a Celeste contra Gana foi o que por último tocou na bola, na campanha em que o Uruguai reconstruiu o caminho para voltar a ficar entre os ‘grandes’.

Não fosse a atuação acanhada de Muslera, a história poderia ser outra, com o time subindo ao pódio merecidamente.

Pena que Tabárez não tenha nos proporcionado a chance de ver um pouco mais de El Loco Abreu em ação...

Mesmo sem a vitória e sem o pódio, felicito o time uruguaio pela campanha nesta Copa. Meus parabéns à turma de Sebastián El Loco Abreu!!!

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Não concordo com os jornalistas que viram grande superioridade técnica por parte da Alemanha e de outras seleções, quando comparadas ao time uruguaio. A falta de critério em suas argumentações deixa clara a falta de argumentos. Ora dizem que a Holanda merece estar aonde chegou por ter feito a melhor campanha – uma vez que ganhou todas as partidas disputadas –, ora dizem que a Alemanha apresentou o melhor futebol e que a Espanha é superior às outras por ter ‘maior volume de jogo’.

Ontem mesmo a primeira teoria era contradita, mas como de costume os comentaristas não revelavam em momento algum que a campanha uruguaia era superior à alemã até aquele momento, já que o Uruguai tinha um ponto a mais na tabela.

Se compararmos as seleções uruguaia e alemã, veremos que o maior poder de ataque alemão pode ser atribuído aos dois volantes com características mais ofensivas que os uruguaios e aos esquemas de contra-ataques melhor elaborados. Colocando no papel, os ataques se equiparam e as defesas idem. Quem fez a diferença foi o goleiro uruguaio, que praticamente decidiu a partida a favor do adversário.

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A superioridade da seleção da Espanha também é discutível. Se o polvo Paul estiver correto, a campanha espanhola entrará para a história como uma das piores que já se viu de uma seleção campeã.

Perdeu para a Suíça, uma seleção cujo poder ofensivo se resumiu ao único gol que fez durante a Copa, obviamente contra os espanhois. E todas as vitórias foram apertadas. Com todo o respeito aos hondurenhos, Honduras não conta.

Os espanhois venceram o Chile por 2 x 1, abrindo o placar através de uma falha do goleiro chileno e, apesar da ajuda do árbitro, que expulsou injustamente um jogador chileno aos 13 do primeiro tempo, cederam um gol no final, jogando contra uma equipe desfalcada de um jogador. Venceram uma seleção portuguesa desorganizada e visivelmente dividida; passaram pelo Paraguai com a ajuda da arbitragem, que anulou um gol legítimo do adversário e ainda contaram com a sorte de não terem que tentar virar o placar, pois o Paraguai perdeu um pênalti; ganharam da Alemanha com um gol de bola parada. A única vez que estiveram em desvantagem no placar não conseguiram reverter a situação.

Por mais que apresente um futebol bem organizado e tenha bons jogadores, dentre eles o excelente Iniesta, é muito pouco para que eu considere a seleção espanhola um grande time.

A seleção holandesa – que fez a melhor campanha seguindo critérios matemáticos – também não exibiu um grande futebol. Abriu o caminho para a vitória contra a Dinamarca através de um gol-contra de verdade (nada a ver com o que dizem ser o que fez Felipe Melo ao ser abalroado pelo caçador de borboletas tido como melhor goleiro do mundo). Penou para vencer o Japão, em jogo cujo resultado poderia ser o inverso. Venceu uma seleção camaronesa irreconhecível. Passou pela Eslováquia e pelo Brasil, que provaram em campo não serem grandes coisas. Passou um sufoco para vencer o Uruguai, mas este era jogo entre semifinalistas, briga de cachorro grande.

Apesar de ser a pior Holanda que já vi em mundiais, acredito que esta seja a seleção que teve os maiores desafios nesta Copa e que superou inclusive um placar adverso, na vitória de virada contra o Brasil.

O polvo Paul não errou até agora, mas acho chegou a hora de se juntar ao arroz com brócolis.

Saudações botafoguenses!

sábado, 10 de julho de 2010

O fantástico El Loco Abreu


Washington Sebastián Abreu Gallo, o nosso (muito nosso!) El Loco, quando perguntado sobre a importância de um terceiro lugar, não titubeou e disse algo assim: ‘É muito importante, porque o Uruguai ainda não tem este título’.

Abreu conseguiu de uma só tacada o seguinte: 1) Não reproduzir o discurso óbvio de que o objetivo era a conquista da taça de campeão, evitando a lamentação esperada e tão cultivada pela mídia; 2) Valorizar a campanha de sua equipe, ao não diminuir a importância de uma possível terceira colocação; 3) Não se dobrar ao discurso hegemônico que afirma que seu time chegou além do esperado, sendo isso verdadeiro ou não; 4) Não apequenar o futebol de seu país, pois sublinhou, mesmo que sutilmente, os dois campeonatos mundiais conquistados pelo Uruguai, além dos dois ouros olímpicos.

Não é à toa que há muito tempo tenho certeza de que El Loco Abreu é o homem certo para o cargo de capitão botafoguense.

Matéria sugerida: El Loco Abreu: ídolo incontestável, no blog Mundo Botafogo/Estrela Solitária.


O temível Uruguai

Para muitos a terceira colocação em uma Copa do Mundo não tem grande importância, principalmente para um país que já foi campeão por duas vezes. Mas os uruguaios não pensam assim. E estão certíssimos.

Para o futebol uruguaio esta Copa do Mundo está sendo uma espécie de ‘volta por cima’, um grande retorno. O último time uruguaio que vi jogar em alto nível foi o de 1986, derrotado nas oitavas-de-final pela Argentina por 1 x 0, em uma das melhores partidas que já assisti em minha vida. (Rodolfo Rodrigues, Hugo de Leon, Darío Pereyra, Francescoli e companhia. Rubén Paz ficava no banco, o técnico era um desses...). Entre 70 e 86 nada de memorável fez o Uruguai.

Antes disso sempre foi uma escola que produziu um futebol de grande técnica, inteligência e força e foram eliminados na Copa da Inglaterra, em 66, de uma forma que não me atrevo a descrever, pois já o foi feito em altíssimo nível por Nelson Rodrigues em crônica – mais de uma –, textos notáveis que podem ser encontrados no livro “Pátria em Chuteiras”.

Lembro-me do jogo contra o Uruguai em 70, criança ainda, o meu tio muito tenso porque iríamos enfrentar o Uruguai. Não era só o bicho-papão, fantasma de 50, apesar de também o ser. Era um selecionado temido por todos e vinha de uma Copa anterior na qual foi roubado descaradamente. Não viviam somente da fama do passado.

Mas desde os anos 70, com a exceção do ‘clarão’ de 86, o Uruguai não se destacava, ou não fazia boas campanhas.

Pois chegou a hora. Mesmo que não venham a conquistar o ‘título inédito’ serão lembrados pela fibra, inteligência e espírito de grupo que os levou a deixar uma série de bichos-papões para trás. Resgataram, ao menos para mim, a imagem do temível Uruguai, que andava desbotada.

Avante, Celeste!

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Deu Paella



Paul, o adivinho de oito patas, acertou novamente. O Tirésias dos alemães predisse a desgraça que o destino reservava à seleção de seu país (dos alemães – Paul nasceu na Inglaterra).

Mas será que o fatalismo que permeia as estórias de Homero pode ou deveria ser aceito e ‘aplicado’ pelo pensamento contemporâneo, desprezando o legado da física quântica e do pensamento indeterminista? Será que este mesmo indeterminismo, agora pós-moderno, não é um instrumento para a diluição da importância do determinismo para as decisões que tomamos em relação ao nosso futuro? Deixa pra lá...

O fato é que a Alemanha não produziu o imprevisível e a Espanha nem escondeu e nem aplicou o previsível: venceu com um improvável gol de cabeça de um zagueiro de baixa estatura.

O que aconteceu ao futebol dos alemães na partida de ontem? O que fez com que a Espanha prevalecesse?

O oráculo teria meios para antever que a seleção da Alemanha não conseguiria lidar com um adversário que mantinha a posse de bola no campo ofensivo com apenas três ou quatro jogadores – alternando momentos em que acionava um ou dois outros mais –, sem nunca deixar o setor defensivo amplamente desguarnecido, ou foram os alemães que não criaram e treinaram alternativas para ‘encaixar’ suas transições?

Foram os olhos transcendentais do molusco profeta que fizeram Schweinsteigen e seus parceiros errarem dúzias de passes porque estar em um ‘dia ruim’ era inevitável, ou erraram porque o adversário se preparou para se antecipar sistematicamente aos movimentos dos oponentes, apresentando condicionamento técnico, tático e psicológico superiores?

Teria o polvo Paul o poder de viajar por dobras espaciais e ver Toni Kroos perder um gol feito, ou o jovem jogador não estava apto a lidar com a pressão de um momento decisivo, por não ter sido preparado adequadamente?

Não creio que o futuro possa ser escrito em uma pedra, pois acredito que a realidade vindoura é moldada a partir de nossas ações. Acredito que o que fazemos esteja constantemente modificando o futuro e o resultado de nossos atos é reeditado incessantemente em uma espécie de ‘impressão flutuante’. A variação da nitidez das imagens deste futuro vão se diluindo à medida que a ‘realidade porvindoura’ se torna cada vez mais flexível conforme se afasta no tempo, em uma linha hiperbólica maleável.

Mesmo acreditando firmemente que as ações presentes constroem o futuro, creio que exista uma margem de erro em qualquer projeto, mesmo que bem elaborado. Apesar disso, estou convencido de que o estabelecimento de princípios e regras para a construção de um futuro promissor seja o ponto de partida para o sucesso.


Voltando ao futebol, pode-se dizer que a boa preparação – em todos os sentidos – faz com que o aumento da probabilidade do sucesso de uma determinada equipe ‘esteja sendo’ escrito no presente. A vitória, no entanto, fica em uma ‘zona de sombra’, que é a distância entre a hipérbole e o eixo: o espaço preenchido pela incógnita. Mas a ampliação das chances para que a vitória seja alcançada está lá, inscrita no traço desenhado pelas ações que precedem o fenômeno, que deixa o futuro ao se tornar um fato.

As seleções de Alemanha e Espanha, cada qual ao seu modo, se comprometeram brilhantemente em estabelecer procedimentos que as levassem ao sucesso, à vitória. Mas a vitória se encontra naquela ‘área de sombra’, não pode ser determinada à priori e pertence – enquanto resultado dentro das regras do jogo – a somente um dos participantes.

A seleção alemã pode ter caído na tal ‘margem de erro’ a qual me referi anteriormente, ou sucumbido pela imprecisão da ‘zona de sombra’. O que não pode ser negado é o fato de que se dedicaram com afinco à produção de seu próprio sucesso. A Espanha foi na mesma direção, mas chegou ao destino mais cedo.

Como o blog está voltando gradualmente ao ‘modo estritamente botafoguense’, gostaria de pedir aos dirigentes do Botafogo o seguinte:

Consertem aquela cabeça de área, contratem um lateral-direito e bons substitutos para a zaga e, principalmente, acabem com essa estória de apadrinhados, porque do jeito que está, mesmo com o Maicosuel, o polvo Paul não poderá antever outra coisa que não seja o Botafogo brigando por posições intermediárias.

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Sobre o destino do Paul. Bem, se ele realmente tem poderes proféticos saberá melhor do que ninguém se acabará seus dias em seu resort em Oberhausen ou encabeçando uma agência de valores, ou – que Deus o tenha... – compondo o elenco de um caldeirão de paella.

E, do jeito que andam as coisas, o Paul também pode seguir os passos da Larissa Riquelme e posar para um ensaio fotográfico porno-sensual ou, quem sabe, estrelar uma série no Natgeo.


Seja como for, é engraçado – ou não tem a menor graça – saber de véspera qual será o novo país que entrará para o seleto clube dos campeões mundiais. Isso se o pessoal da paella já não tiver se antecipado e traçado o oráculo dos devotos de Paul.

Saudações botafoguenses!!!