sábado, 28 de agosto de 2010
O time que não muda ou mudar pra quê?
Se o Botafogo repetir o que fez nas cinco últimas partidas, jogaremos mal e venceremos. A grande diferença entre esses jogos e o de hoje é nível técnico do adversário, pois o Internacional tem um ótimo time e jogou bem durante a competição que privilegiou e sagrou-se campeão, enquanto os cinco últimos que enfrentamos não apresentaram um futebol que metesse medo.
Seguindo o raciocínio de que existe um padrão na forma como o Botafogo atua, diria que o Botafogo jogará assim: 1) nas saídas de bola veremos o trio de zagueiros trocando passes no campo de defesa sem que nenhum apoiador se apresente e com os laterais fincados no encontro da linha central com a lateral, até perderem a paciência, despachando a bola com um chutão para frente na esperança que os jogadores de ataque tenham sorte e habilidade suficientes para suplantar a adversidade; 2) quando a jogada se encontrar nas laterais do campo, os alas ou quem estiver por ali não terão o apoio de um terceiro jogador para que uma triangulação seja possível, restando a opção de tentar a sorte com um chute em direção ao centro da área adversária, para que Herrera ou Jóbson vejam no que dá; 3) em jogada de bola parada, lance fortuito ou uma 'trama' de dois toques, a superioridade individual de Jóbson ou Maicosuel nos garantirá um gol; 4) a defesa, amparada por um goleiro extraordinário, se livrará do pior contando principalmente com a sorte.
E que assim seja...
Saudações botafoguenses!
sábado, 14 de agosto de 2010
Beabá aritmético

Torcer por vitória botafoguense é nosso prazer e uma obrigação, mas aquelas continhas calculando os resultados que nos favorecem a subida na tabela são muito complicadas e só servem no tiro curto. Nesta fase do campeonato o melhor mesmo é sempre torcer pelo empate alheio e de preferência sem gols. Até porque torcer pela derrota dos outros consome mais energia e aumenta nossa dívida com o sobrenatural.
Seguindo esta receita e vencendo o Atlético GO, o Botafogo entra no G4. Simples assim.
Saudações botafoguenses!
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Quando a medida é o ouro, o dono da mina manda no alfaiate

Poderia relacionar várias razões que me fizeram deixar o blog congelado por tanto tempo. Começaria pela mais objetiva de todas: a falta de tempo que me forçou a me dedicar a questões urgentes, e isso não é mentira. Seguiria pelo desdobramento desta falta de tempo, explicando que não pude me concentrar na produção de dois textos que fechassem o ciclo de postagens sobre a Copa do Mundo, o que também não deixa de ser verdade. Um deles seria um resumo dos acontecimentos da competição – um fechamento – e outro, uma análise do que penso sobre a atuação da CBF nesta Copa e o que a instituição milionária encabeçada por Ricardo Teixeira está se preparando para fazer até a próxima – uma espécie de compêndio de iniquidades.
Quanto a estender minhas férias até o final do descanso de Abreu, isso foi só uma brincadeira, apesar de considerar inaceitável a duração da folga de El Loco. (Acredito que a volta do ídolo uruguaio estava condicionada à extirpação de uma série de males, mas isso será assunto para outro dia).
Se afirmasse que aquelas foram as razões da pausa nas publicações não estaria mentindo, mas o que mais pesou para a minha ‘abstinência blogueira’ foi o fato de antever que voltaria a conviver com a triste realidade atual do Botafogo. Pois quando pensei em um texto ‘de retorno’, o Botafogo vinha de uma sequência de seis jogos sem vitória e jogando com entusiasmo e dedicação semelhantes aos que nos acompanharam até o livramento no jogo contra o Palmeiras, no ano passado – tirem desse bolo de molóides os jogadores Leandro Guerreiro, Jobson e Jefferson.
Além da falta de empenho, era nítida a inexistência de um sistema tático, cujo vácuo era preenchido pelos chutões para frente – o que muitas vezes é chamado de ‘lançamento longo’, por alguns locutores e comentaristas, mas que na verdade é uma forma de um sujeito se livrar da bola, por não haver treinado alternativas ou por preguiça mesmo. E era evidente o racha que surgiu entre os jogadores na ausência de Abreu, o que acredito ser o pior dentre todos os males que possam minar o êxito de uma equipe.
Nas três últimas rodadas uma grande diferença que se observa no time – em comparação ao Botafogo da 4ª à 10ª rodada – é quanto ao empenho dos jogadores, que parece ter voltado ao padrão que nos levou à conquista do Carioca. Será que isso tem alguma relação com a volta de El Loco?
Com certeza o meio campo escalado para esta última partida colocou a bola no chão e manteve sua posse de forma razoável, mas contra um adversário que não faria frente a equipe alguma dentre as que pretendam algo além das colocações medianas.
Quanto a esquemas táticos, jogadas ensaiadas e estratégia de jogo – tramas de ataque bem treinadas, saída de bola articulada e etc –, devemos abrir mão de exigir isso do nosso treinador? A estratégia de Joel Santana seria o chutão para frente, não treinar a saída de bola e deixar que as virtudes de Jobson e Maicosuel prevaleçam até o final da competição, ou podemos esperar mais de nosso técnico?
Um outro fato se junta ao retorno do empenho da equipe como um todo, para me ajudar a cultivar minha esperança de que a triste realidade do Brasileiro do ano passado não se repita: as barrações de Lúcio Flávio e Fahel. Elas podem ser um indício de que algo esteja mudando, mesmo que por um curto prazo de tempo.
Creio que aqueles que investiram na volta de Maicosuel e os que sagazmente identificam o potencial que a idolatria à El Loco representa em termos comerciais não estejam interessados em ganhar e dividir trocados. Além disso, uma empresa como a Ambev não tem em seu cronograma a distribuição de benesses a apaniguados. Acredito que para garantir seu devido retorno o capital investidor também esteja ‘investindo’ na reprogramação mental da cúpula dirigente, seja a ferro ou a fogo.
Arrisco dizer que a fonte é outra e por isso ‘o dinheiro mudou de ideia’. Tomara...
Saudações botafoguenses!
domingo, 1 de agosto de 2010
A volta do herói
Decidi dar uma pausa nas férias para saldar a volta do Sr. Maicosuel ao Botafogo. Ele, que foi o herói do Carioca do ano passado, na tarde de hoje se junta ao Jobson, herói do salvamento da tragédia – juntamente com o Jefferson, é claro.
Só falta o fantástico El Loco, herói vitorioso, o ‘carrasco do carrasco’, para que o time tenha pelo menos três jogadores decisivos para se juntar ao Jefferson, e carregar os medianos e os fraquíssimos nas costas.
Por falar em férias, explico que elas foram estendidas até o final das do Abreu. Mesmo sendo um herói, mesmo que eu seja seu fã, se ele pode, por que que o Biriba também não?
E para provar que estou de férias mesmo, nem escreverei um comentário preliminar sobre a partida de hoje, me dando ao luxo de transcrever uma postagem antiga, referente ao jogo contra o Atlético Paranaense. O time não mudou nada desde então, tanto é que a única correção a ser feita é a de que o árbitro de hoje não será o inadmissível Paulo Cesar de Oliveira. Por sinal, o Sr. Wilton Pereira Sampaio é brasiliense, o que significa que é alta a probabilidade deste ilustre cidadão ser botafoguense.
Ainda a esperança...
(publicado em 2/6/2010)
Espero que o jogo represente a volta do comportamento aguerrido e o sentido coletivo que nos garantiram, em grande medida, a conquista do título estadual. Também espero que mudemos a estratégia de jogo, dispensando os chutões pra frente, o que é possível de se imaginar, uma vez que já jogamos de forma diferente, articulando a saída de bola de forma coordenada e inteligente.
Outra esperança que tenho é a de ver o Herrera voltar a ser um sujeito que não só joga ‘para o time’ através da sua indiscutível raça, mas que também alie a ela um pouco de despojamento, servindo aos companheiros da mesma forma que fazia antes da ausência de El Loco. [Anexado 1/7/2010: desde a partida em que brigou com o Caio, o Herrera não passa a bola para ninguém e não está jogando nada.]
O que não posso esperar é que a torcida local vibre com as jogadas do Caio ou o aplauda. Mas isso é o de menos, já que a torcida botafoguense se encarrega de dividir-se entre as duas manifestações. [Anexado 1/7/2010: ... e as vaias também.]
Nota: Só não merecíamos o Paulo Cesar de Oliveira... [Mas isso, ninguém no mundo merece, além da Ana Paula, a 'Bandeiruda'.]
Saudações botafoguenses!
segunda-feira, 12 de julho de 2010
O time do apito não se resume ao apito
Mesmo contando com as arbitragens sempre ao seu lado, a seleção da Espanha me pareceu estar entre os melhores times da competição. Mesmo fazendo um gol depois da não marcação de um escanteio – a bola claramente desviou, e muito, na barreira –, ontem, venceu o time que praticou o futebol, se não o mais empolgante, o mais bonito e leal. Mesmo passando por um triz em todos os jogos que fez, excetuando-se a partida contra Honduras, a seleção espanhola é um time que vale a pena ver jogar. Mesmo ‘mascarados’ e jogando com o nariz empinado, os espanhois foram superiores à maioria dos adversários, com a exceção do Paraguai.
Como ambas as seleções que decidiram o título eram ‘queridinhas’ das arbitragens minha torcida estava do lado holandês, por sua tradição futebolística que me presenteou com grandes espetáculos. Mas a primeira entrada do troglodita Mark van Bommel me fez titubear. Com o golpe de kickboxing de Nigel de Jong não tive dúvidas do que estava em jogo. Era o futebol de quem queria jogar bola contra o futebol violento e o anti-jogo. Não foi difícil decidir pela mudança de lado.
Volto a repetir que a Holanda sempre foi uma seleção que joga de forma violenta. A grande diferença entre a atual seleção e suas antecessoras está no fato de que estas batiam mas jogavam um futebol de alto nível, enquanto a seleção de 2010 só bate. Ficou dependente de dois excelentes jogadores – Robben e Sneijder –, que tremeram na hora da decisão.
Apesar de ter dito anteriormente que a campanha espanhola é uma das piores da história e que a seleção da Espanha é obviamente a menina dos olhos da Fifa em 2010, beneficiada por um erro crasso de arbitragem que culminou no gol decisivo, seria injusto não admitir que os espanhois suplantaram um adversário que optou por um futebol violento e rígido, jogando com inteligência, habilidade e dinamismo. A vitória espanhola simboliza o triunfo da convicção de que o futebol bem jogado e bom de ser visto pode prevalecer sobre o esporte praticado pelos que vivem a cravar as travas das chuteiras nas canelas dos adversários e dos que acreditam que comprometimento por si é boa estratégia e garantia de sucesso.
Acreditar que o bom futebol pode vencer o famigerado ‘futebol de resultados’ e investir nisso é suficiente para que eu considere justa a vitória espanhola. O que jamais saberei é se a Espanha seria capaz de vencer uma Copa do Mundo sem a ajuda da arbitragem.
***
Os queridinhos da Fifa
Podem me chamar de paranoico e obcecado por teorias de conspiração, mas nada me faz acreditar que a banda não toque conforme manda o general Blatter. E, se desafinou em algum momento, como na não marcação de um pênalti claro no jogo de estreia da seleção anfitriã, a partida final seguiu perfeitamente a programação e o finale em uníssono e fortíssimo, não poderia ser melhor, com uma aspirante possuidora de um mercado futebolístico milionário se integrando ao quadro dos países campeões mundiais. Não digo que tenha sido coisa combinada, mas afirmo que foi peça bem ensaiada.
Vejam como as coisas funcionaram para que o ‘movimento final’ estivesse encaixado perfeitamente no ‘libreto’ da obra escolhida para a temporada.
Mark van Bommel, o troglodita holandês, distribuiu pancadas durante toda a Copa e só recebeu dois cartões amarelos durante toda a competição, sendo que estes dois não decorreram de sua violência, mas por ter cometido outro tipo de indisciplina: entrou em campo sem a autorização do árbitro. (Escrevi sobre isso aqui).
Ele e seus camaradas de bandeira seguiram em frente atropelando quem se colocasse em seu caminho, contando com o beneplácito das arbitragens. Praticaram o que o jornalista Paulo Vinicius Coelho cunhou de ‘anti-futebol total’. Mas fizeram isso até um determinado momento.
Foi quando enfrentaram a Espanha, a ‘mais’ queridinha da Fifa (citada no mesmo texto do link acima), que a seleção holandesa, a outra queridinha – mas nem tanto –, teve sua marcha destruidora interrompida, voltando ao mundo real ao ter seu futebol violento barrado pela aplicação de vários cartões amarelos e uma expulsão. Na verdade, foram muitos mas não suficientemente razoáveis, pois a pernada de Jong merecia um cartão vermelho.
Beberam do mesmo veneno que lhes tirou adversários do caminho ao ver a chance de tentar a sorte nos pênaltis lhes ser tirada por um ‘erro’ grosseiro de arbitragem. Está aí o que você não queria, Bommel!
Não adianta ser um queridinho se não se é ‘o’ queridinho. É assim que toca a banda do general Blatter.
Saudações botafoguenses!
PS: E não é que o polvo Paul se livrou da companhia do arroz, do brócolis, das azeitonas e do azeite?
Como ambas as seleções que decidiram o título eram ‘queridinhas’ das arbitragens minha torcida estava do lado holandês, por sua tradição futebolística que me presenteou com grandes espetáculos. Mas a primeira entrada do troglodita Mark van Bommel me fez titubear. Com o golpe de kickboxing de Nigel de Jong não tive dúvidas do que estava em jogo. Era o futebol de quem queria jogar bola contra o futebol violento e o anti-jogo. Não foi difícil decidir pela mudança de lado.
Volto a repetir que a Holanda sempre foi uma seleção que joga de forma violenta. A grande diferença entre a atual seleção e suas antecessoras está no fato de que estas batiam mas jogavam um futebol de alto nível, enquanto a seleção de 2010 só bate. Ficou dependente de dois excelentes jogadores – Robben e Sneijder –, que tremeram na hora da decisão.
Apesar de ter dito anteriormente que a campanha espanhola é uma das piores da história e que a seleção da Espanha é obviamente a menina dos olhos da Fifa em 2010, beneficiada por um erro crasso de arbitragem que culminou no gol decisivo, seria injusto não admitir que os espanhois suplantaram um adversário que optou por um futebol violento e rígido, jogando com inteligência, habilidade e dinamismo. A vitória espanhola simboliza o triunfo da convicção de que o futebol bem jogado e bom de ser visto pode prevalecer sobre o esporte praticado pelos que vivem a cravar as travas das chuteiras nas canelas dos adversários e dos que acreditam que comprometimento por si é boa estratégia e garantia de sucesso.
Acreditar que o bom futebol pode vencer o famigerado ‘futebol de resultados’ e investir nisso é suficiente para que eu considere justa a vitória espanhola. O que jamais saberei é se a Espanha seria capaz de vencer uma Copa do Mundo sem a ajuda da arbitragem.
***
Os queridinhos da Fifa
Podem me chamar de paranoico e obcecado por teorias de conspiração, mas nada me faz acreditar que a banda não toque conforme manda o general Blatter. E, se desafinou em algum momento, como na não marcação de um pênalti claro no jogo de estreia da seleção anfitriã, a partida final seguiu perfeitamente a programação e o finale em uníssono e fortíssimo, não poderia ser melhor, com uma aspirante possuidora de um mercado futebolístico milionário se integrando ao quadro dos países campeões mundiais. Não digo que tenha sido coisa combinada, mas afirmo que foi peça bem ensaiada.
Vejam como as coisas funcionaram para que o ‘movimento final’ estivesse encaixado perfeitamente no ‘libreto’ da obra escolhida para a temporada.
Mark van Bommel, o troglodita holandês, distribuiu pancadas durante toda a Copa e só recebeu dois cartões amarelos durante toda a competição, sendo que estes dois não decorreram de sua violência, mas por ter cometido outro tipo de indisciplina: entrou em campo sem a autorização do árbitro. (Escrevi sobre isso aqui).
Ele e seus camaradas de bandeira seguiram em frente atropelando quem se colocasse em seu caminho, contando com o beneplácito das arbitragens. Praticaram o que o jornalista Paulo Vinicius Coelho cunhou de ‘anti-futebol total’. Mas fizeram isso até um determinado momento.
Foi quando enfrentaram a Espanha, a ‘mais’ queridinha da Fifa (citada no mesmo texto do link acima), que a seleção holandesa, a outra queridinha – mas nem tanto –, teve sua marcha destruidora interrompida, voltando ao mundo real ao ter seu futebol violento barrado pela aplicação de vários cartões amarelos e uma expulsão. Na verdade, foram muitos mas não suficientemente razoáveis, pois a pernada de Jong merecia um cartão vermelho.
Beberam do mesmo veneno que lhes tirou adversários do caminho ao ver a chance de tentar a sorte nos pênaltis lhes ser tirada por um ‘erro’ grosseiro de arbitragem. Está aí o que você não queria, Bommel!
Não adianta ser um queridinho se não se é ‘o’ queridinho. É assim que toca a banda do general Blatter.
Saudações botafoguenses!
PS: E não é que o polvo Paul se livrou da companhia do arroz, do brócolis, das azeitonas e do azeite?
domingo, 11 de julho de 2010
A trave, aquela maldita
A trave que salvou a Celeste contra Gana foi o que por último tocou na bola, na campanha em que o Uruguai reconstruiu o caminho para voltar a ficar entre os ‘grandes’.
Não fosse a atuação acanhada de Muslera, a história poderia ser outra, com o time subindo ao pódio merecidamente.
Pena que Tabárez não tenha nos proporcionado a chance de ver um pouco mais de El Loco Abreu em ação...
Mesmo sem a vitória e sem o pódio, felicito o time uruguaio pela campanha nesta Copa. Meus parabéns à turma de Sebastián El Loco Abreu!!!
***
Não concordo com os jornalistas que viram grande superioridade técnica por parte da Alemanha e de outras seleções, quando comparadas ao time uruguaio. A falta de critério em suas argumentações deixa clara a falta de argumentos. Ora dizem que a Holanda merece estar aonde chegou por ter feito a melhor campanha – uma vez que ganhou todas as partidas disputadas –, ora dizem que a Alemanha apresentou o melhor futebol e que a Espanha é superior às outras por ter ‘maior volume de jogo’.
Ontem mesmo a primeira teoria era contradita, mas como de costume os comentaristas não revelavam em momento algum que a campanha uruguaia era superior à alemã até aquele momento, já que o Uruguai tinha um ponto a mais na tabela.
Se compararmos as seleções uruguaia e alemã, veremos que o maior poder de ataque alemão pode ser atribuído aos dois volantes com características mais ofensivas que os uruguaios e aos esquemas de contra-ataques melhor elaborados. Colocando no papel, os ataques se equiparam e as defesas idem. Quem fez a diferença foi o goleiro uruguaio, que praticamente decidiu a partida a favor do adversário.
***
A superioridade da seleção da Espanha também é discutível. Se o polvo Paul estiver correto, a campanha espanhola entrará para a história como uma das piores que já se viu de uma seleção campeã.
Perdeu para a Suíça, uma seleção cujo poder ofensivo se resumiu ao único gol que fez durante a Copa, obviamente contra os espanhois. E todas as vitórias foram apertadas. Com todo o respeito aos hondurenhos, Honduras não conta.
Os espanhois venceram o Chile por 2 x 1, abrindo o placar através de uma falha do goleiro chileno e, apesar da ajuda do árbitro, que expulsou injustamente um jogador chileno aos 13 do primeiro tempo, cederam um gol no final, jogando contra uma equipe desfalcada de um jogador. Venceram uma seleção portuguesa desorganizada e visivelmente dividida; passaram pelo Paraguai com a ajuda da arbitragem, que anulou um gol legítimo do adversário e ainda contaram com a sorte de não terem que tentar virar o placar, pois o Paraguai perdeu um pênalti; ganharam da Alemanha com um gol de bola parada. A única vez que estiveram em desvantagem no placar não conseguiram reverter a situação.
Por mais que apresente um futebol bem organizado e tenha bons jogadores, dentre eles o excelente Iniesta, é muito pouco para que eu considere a seleção espanhola um grande time.
A seleção holandesa – que fez a melhor campanha seguindo critérios matemáticos – também não exibiu um grande futebol. Abriu o caminho para a vitória contra a Dinamarca através de um gol-contra de verdade (nada a ver com o que dizem ser o que fez Felipe Melo ao ser abalroado pelo caçador de borboletas tido como melhor goleiro do mundo). Penou para vencer o Japão, em jogo cujo resultado poderia ser o inverso. Venceu uma seleção camaronesa irreconhecível. Passou pela Eslováquia e pelo Brasil, que provaram em campo não serem grandes coisas. Passou um sufoco para vencer o Uruguai, mas este era jogo entre semifinalistas, briga de cachorro grande.
Apesar de ser a pior Holanda que já vi em mundiais, acredito que esta seja a seleção que teve os maiores desafios nesta Copa e que superou inclusive um placar adverso, na vitória de virada contra o Brasil.
O polvo Paul não errou até agora, mas acho chegou a hora de se juntar ao arroz com brócolis.
Saudações botafoguenses!
Não fosse a atuação acanhada de Muslera, a história poderia ser outra, com o time subindo ao pódio merecidamente.
Pena que Tabárez não tenha nos proporcionado a chance de ver um pouco mais de El Loco Abreu em ação...
Mesmo sem a vitória e sem o pódio, felicito o time uruguaio pela campanha nesta Copa. Meus parabéns à turma de Sebastián El Loco Abreu!!!
***
Não concordo com os jornalistas que viram grande superioridade técnica por parte da Alemanha e de outras seleções, quando comparadas ao time uruguaio. A falta de critério em suas argumentações deixa clara a falta de argumentos. Ora dizem que a Holanda merece estar aonde chegou por ter feito a melhor campanha – uma vez que ganhou todas as partidas disputadas –, ora dizem que a Alemanha apresentou o melhor futebol e que a Espanha é superior às outras por ter ‘maior volume de jogo’.
Ontem mesmo a primeira teoria era contradita, mas como de costume os comentaristas não revelavam em momento algum que a campanha uruguaia era superior à alemã até aquele momento, já que o Uruguai tinha um ponto a mais na tabela.
Se compararmos as seleções uruguaia e alemã, veremos que o maior poder de ataque alemão pode ser atribuído aos dois volantes com características mais ofensivas que os uruguaios e aos esquemas de contra-ataques melhor elaborados. Colocando no papel, os ataques se equiparam e as defesas idem. Quem fez a diferença foi o goleiro uruguaio, que praticamente decidiu a partida a favor do adversário.
***
A superioridade da seleção da Espanha também é discutível. Se o polvo Paul estiver correto, a campanha espanhola entrará para a história como uma das piores que já se viu de uma seleção campeã.
Perdeu para a Suíça, uma seleção cujo poder ofensivo se resumiu ao único gol que fez durante a Copa, obviamente contra os espanhois. E todas as vitórias foram apertadas. Com todo o respeito aos hondurenhos, Honduras não conta.
Os espanhois venceram o Chile por 2 x 1, abrindo o placar através de uma falha do goleiro chileno e, apesar da ajuda do árbitro, que expulsou injustamente um jogador chileno aos 13 do primeiro tempo, cederam um gol no final, jogando contra uma equipe desfalcada de um jogador. Venceram uma seleção portuguesa desorganizada e visivelmente dividida; passaram pelo Paraguai com a ajuda da arbitragem, que anulou um gol legítimo do adversário e ainda contaram com a sorte de não terem que tentar virar o placar, pois o Paraguai perdeu um pênalti; ganharam da Alemanha com um gol de bola parada. A única vez que estiveram em desvantagem no placar não conseguiram reverter a situação.
Por mais que apresente um futebol bem organizado e tenha bons jogadores, dentre eles o excelente Iniesta, é muito pouco para que eu considere a seleção espanhola um grande time.
A seleção holandesa – que fez a melhor campanha seguindo critérios matemáticos – também não exibiu um grande futebol. Abriu o caminho para a vitória contra a Dinamarca através de um gol-contra de verdade (nada a ver com o que dizem ser o que fez Felipe Melo ao ser abalroado pelo caçador de borboletas tido como melhor goleiro do mundo). Penou para vencer o Japão, em jogo cujo resultado poderia ser o inverso. Venceu uma seleção camaronesa irreconhecível. Passou pela Eslováquia e pelo Brasil, que provaram em campo não serem grandes coisas. Passou um sufoco para vencer o Uruguai, mas este era jogo entre semifinalistas, briga de cachorro grande.
Apesar de ser a pior Holanda que já vi em mundiais, acredito que esta seja a seleção que teve os maiores desafios nesta Copa e que superou inclusive um placar adverso, na vitória de virada contra o Brasil.
O polvo Paul não errou até agora, mas acho chegou a hora de se juntar ao arroz com brócolis.
Saudações botafoguenses!
sábado, 10 de julho de 2010
O fantástico El Loco Abreu

Washington Sebastián Abreu Gallo, o nosso (muito nosso!) El Loco, quando perguntado sobre a importância de um terceiro lugar, não titubeou e disse algo assim: ‘É muito importante, porque o Uruguai ainda não tem este título’.
Abreu conseguiu de uma só tacada o seguinte: 1) Não reproduzir o discurso óbvio de que o objetivo era a conquista da taça de campeão, evitando a lamentação esperada e tão cultivada pela mídia; 2) Valorizar a campanha de sua equipe, ao não diminuir a importância de uma possível terceira colocação; 3) Não se dobrar ao discurso hegemônico que afirma que seu time chegou além do esperado, sendo isso verdadeiro ou não; 4) Não apequenar o futebol de seu país, pois sublinhou, mesmo que sutilmente, os dois campeonatos mundiais conquistados pelo Uruguai, além dos dois ouros olímpicos.
Não é à toa que há muito tempo tenho certeza de que El Loco Abreu é o homem certo para o cargo de capitão botafoguense.
Matéria sugerida: El Loco Abreu: ídolo incontestável, no blog Mundo Botafogo/Estrela Solitária.
O temível Uruguai
Para muitos a terceira colocação em uma Copa do Mundo não tem grande importância, principalmente para um país que já foi campeão por duas vezes. Mas os uruguaios não pensam assim. E estão certíssimos.
Para o futebol uruguaio esta Copa do Mundo está sendo uma espécie de ‘volta por cima’, um grande retorno. O último time uruguaio que vi jogar em alto nível foi o de 1986, derrotado nas oitavas-de-final pela Argentina por 1 x 0, em uma das melhores partidas que já assisti em minha vida. (Rodolfo Rodrigues, Hugo de Leon, Darío Pereyra, Francescoli e companhia. Rubén Paz ficava no banco, o técnico era um desses...). Entre 70 e 86 nada de memorável fez o Uruguai.
Antes disso sempre foi uma escola que produziu um futebol de grande técnica, inteligência e força e foram eliminados na Copa da Inglaterra, em 66, de uma forma que não me atrevo a descrever, pois já o foi feito em altíssimo nível por Nelson Rodrigues em crônica – mais de uma –, textos notáveis que podem ser encontrados no livro “Pátria em Chuteiras”.
Lembro-me do jogo contra o Uruguai em 70, criança ainda, o meu tio muito tenso porque iríamos enfrentar o Uruguai. Não era só o bicho-papão, fantasma de 50, apesar de também o ser. Era um selecionado temido por todos e vinha de uma Copa anterior na qual foi roubado descaradamente. Não viviam somente da fama do passado.
Mas desde os anos 70, com a exceção do ‘clarão’ de 86, o Uruguai não se destacava, ou não fazia boas campanhas.
Pois chegou a hora. Mesmo que não venham a conquistar o ‘título inédito’ serão lembrados pela fibra, inteligência e espírito de grupo que os levou a deixar uma série de bichos-papões para trás. Resgataram, ao menos para mim, a imagem do temível Uruguai, que andava desbotada.
Avante, Celeste!
Saudações botafoguenses!
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Deu Paella
(Paul, o polvo profeta)
Paul, o adivinho de oito patas, acertou novamente. O Tirésias dos alemães predisse a desgraça que o destino reservava à seleção de seu país (dos alemães – Paul nasceu na Inglaterra).
Mas será que o fatalismo que permeia as estórias de Homero pode ou deveria ser aceito e ‘aplicado’ pelo pensamento contemporâneo, desprezando o legado da física quântica e do pensamento indeterminista? Será que este mesmo indeterminismo, agora pós-moderno, não é um instrumento para a diluição da importância do determinismo para as decisões que tomamos em relação ao nosso futuro? Deixa pra lá...
O fato é que a Alemanha não produziu o imprevisível e a Espanha nem escondeu e nem aplicou o previsível: venceu com um improvável gol de cabeça de um zagueiro de baixa estatura.
O que aconteceu ao futebol dos alemães na partida de ontem? O que fez com que a Espanha prevalecesse?
O oráculo teria meios para antever que a seleção da Alemanha não conseguiria lidar com um adversário que mantinha a posse de bola no campo ofensivo com apenas três ou quatro jogadores – alternando momentos em que acionava um ou dois outros mais –, sem nunca deixar o setor defensivo amplamente desguarnecido, ou foram os alemães que não criaram e treinaram alternativas para ‘encaixar’ suas transições?
Foram os olhos transcendentais do molusco profeta que fizeram Schweinsteigen e seus parceiros errarem dúzias de passes porque estar em um ‘dia ruim’ era inevitável, ou erraram porque o adversário se preparou para se antecipar sistematicamente aos movimentos dos oponentes, apresentando condicionamento técnico, tático e psicológico superiores?
Teria o polvo Paul o poder de viajar por dobras espaciais e ver Toni Kroos perder um gol feito, ou o jovem jogador não estava apto a lidar com a pressão de um momento decisivo, por não ter sido preparado adequadamente?
Não creio que o futuro possa ser escrito em uma pedra, pois acredito que a realidade vindoura é moldada a partir de nossas ações. Acredito que o que fazemos esteja constantemente modificando o futuro e o resultado de nossos atos é reeditado incessantemente em uma espécie de ‘impressão flutuante’. A variação da nitidez das imagens deste futuro vão se diluindo à medida que a ‘realidade porvindoura’ se torna cada vez mais flexível conforme se afasta no tempo, em uma linha hiperbólica maleável.
Mesmo acreditando firmemente que as ações presentes constroem o futuro, creio que exista uma margem de erro em qualquer projeto, mesmo que bem elaborado. Apesar disso, estou convencido de que o estabelecimento de princípios e regras para a construção de um futuro promissor seja o ponto de partida para o sucesso.

Voltando ao futebol, pode-se dizer que a boa preparação – em todos os sentidos – faz com que o aumento da probabilidade do sucesso de uma determinada equipe ‘esteja sendo’ escrito no presente. A vitória, no entanto, fica em uma ‘zona de sombra’, que é a distância entre a hipérbole e o eixo: o espaço preenchido pela incógnita. Mas a ampliação das chances para que a vitória seja alcançada está lá, inscrita no traço desenhado pelas ações que precedem o fenômeno, que deixa o futuro ao se tornar um fato.
As seleções de Alemanha e Espanha, cada qual ao seu modo, se comprometeram brilhantemente em estabelecer procedimentos que as levassem ao sucesso, à vitória. Mas a vitória se encontra naquela ‘área de sombra’, não pode ser determinada à priori e pertence – enquanto resultado dentro das regras do jogo – a somente um dos participantes.
A seleção alemã pode ter caído na tal ‘margem de erro’ a qual me referi anteriormente, ou sucumbido pela imprecisão da ‘zona de sombra’. O que não pode ser negado é o fato de que se dedicaram com afinco à produção de seu próprio sucesso. A Espanha foi na mesma direção, mas chegou ao destino mais cedo.
Como o blog está voltando gradualmente ao ‘modo estritamente botafoguense’, gostaria de pedir aos dirigentes do Botafogo o seguinte:
Consertem aquela cabeça de área, contratem um lateral-direito e bons substitutos para a zaga e, principalmente, acabem com essa estória de apadrinhados, porque do jeito que está, mesmo com o Maicosuel, o polvo Paul não poderá antever outra coisa que não seja o Botafogo brigando por posições intermediárias.
...
Sobre o destino do Paul. Bem, se ele realmente tem poderes proféticos saberá melhor do que ninguém se acabará seus dias em seu resort em Oberhausen ou encabeçando uma agência de valores, ou – que Deus o tenha... – compondo o elenco de um caldeirão de paella.
E, do jeito que andam as coisas, o Paul também pode seguir os passos da Larissa Riquelme e posar para um ensaio fotográfico porno-sensual ou, quem sabe, estrelar uma série no Natgeo.

Seja como for, é engraçado – ou não tem a menor graça – saber de véspera qual será o novo país que entrará para o seleto clube dos campeões mundiais. Isso se o pessoal da paella já não tiver se antecipado e traçado o oráculo dos devotos de Paul.
Saudações botafoguenses!!!
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Chucrute x Paella

A seleção alemã tenta produzir o imprevisível e a espanhola, esconder quando fará o previsível.
A Alemanha será a campeã de 2010, para a tristeza da FIFA, dos investidores do futebol espanhol e da Sociedade Protetora dos Duques Diques e Kicks de Holanda?
Isso ninguém sabe. Mas que a Alemanha será roubada, disso eu não tenho a menor dúvida.
Saudações botafoguenses!
Van Damme Bommel
O que a imprensa anda apelidando de ‘política internacional’ da Fifa quando se refere à ‘irresponsabilidade’ de escalar árbitros sem experiência compatível com a importância das partidas em que atuam, não passa de um artifício para colocar os ‘erros’ na conta do despreparo dos trios que andam estragando o espetáculo. É uma forma esperta de dissimular as manipulações de resultados em favor dos interesses da entidade mafiosa chefiada por Joseph Blatter.
Era de se esperar que os ‘erros’ fossem sistematicamente favoráveis a equipes de países cujos mercados do futebol fossem economicamente musculosos, mas nesta edição a predileção é pelas seleções da Espanha e da Holanda.
Todos os adversários diretos da Espanha foram sistemática e previamente punidos com cartões amarelos, e punidos de forma pontual, sendo alvejados em posições estratégicas. Não é à toa que a revelação alemã Thomas Müller esteja de fora da partida de hoje, punido pelo árbitro que garfou a África do Sul no jogo de estreia e que continua fazendo lambanças, inclusive no jogo de ontem (marcando dois impedimentos inexistentes contra o Uruguai e assinalando um gol irregular a favor dos ‘donos da casa’; dando uma vantagem em lance de falta na mesma posição em que Forlán marcara contra Gana – veja como não é um ingênuo – e não marcando um toque de mão de Van Persie, na risca da grande área e aos 48 do segundo tempo), assessorado por um de seus auxiliares.
Alguém considera o Müller mais violento ou indisciplinado que o kickboxer travestido de jogador de futebol, Mark van Bommel? O holandês é um jogador conhecidamente violento e nesta Copa tem sido muito mais do que costuma ser nas competições locais em que participa, talvez por não ser trouxa de fazer em solo ‘não-FIFA’ o que tem feito na África do Sul.
Este sujeito, uma versão ‘bem educada’ do Felipe Melo, tem distribuído pontapés e enfiado as travas da chuteira em seus adversários à torto e à direito com o consentimento das arbitragens, e ontem não foi diferente.
Vocês fazem ideia de quantos cartões amarelos Bommel recebeu em toda a competição? Foram dois. O troglodita Mark van Bommel foi punido com apenas DOIS cartões amarelos durante TODA a Copa!!! E, por incrível que pareça aos ingênuos, não foi punido pelo jogo violento que pratica 100% do tempo, mas por ter entrado em campo sem a autorização do árbitro em duas ocasiões, o que impedia a brecha legal da ‘interpretação’.
Van Bommel e seus comparsas da zaga holandesa, como Heitinga e Ooier, continuam mantendo a tradição do futebol de seu país. Desde o surgimento da Laranja Mecânica, que tinha em Suurbier seu mais atuante kickboxer, o futebol violento é uma das marcas holandesas, tradição seguida por Frank de Boer e congêneres.
A diferença entre o time atual e as gerações anteriores é o futebol técnico e inovador que seus antecessores praticavam além da violência. Podem argumentar que é um ‘futebol duro’, mas isso no meu entender é balela. Duro são Alemães, Ingleses e Italianos – para somente nos atermos a exemplos europeus. Os holandeses não têm nada a ver com seus vizinhos de continente. O futebol da Holanda é violento e desleal.
E não me venham dizer que estou torcendo contra a Holanda por causa da derrota brasileira. Por mim a seleção Dodunga poderia tomar uma coça de sarrafo, a começar pelo ‘arregalado’ dublê de bailarino, o semi-blasé Robinho.
Saudações botafoguenses!
Era de se esperar que os ‘erros’ fossem sistematicamente favoráveis a equipes de países cujos mercados do futebol fossem economicamente musculosos, mas nesta edição a predileção é pelas seleções da Espanha e da Holanda.
Todos os adversários diretos da Espanha foram sistemática e previamente punidos com cartões amarelos, e punidos de forma pontual, sendo alvejados em posições estratégicas. Não é à toa que a revelação alemã Thomas Müller esteja de fora da partida de hoje, punido pelo árbitro que garfou a África do Sul no jogo de estreia e que continua fazendo lambanças, inclusive no jogo de ontem (marcando dois impedimentos inexistentes contra o Uruguai e assinalando um gol irregular a favor dos ‘donos da casa’; dando uma vantagem em lance de falta na mesma posição em que Forlán marcara contra Gana – veja como não é um ingênuo – e não marcando um toque de mão de Van Persie, na risca da grande área e aos 48 do segundo tempo), assessorado por um de seus auxiliares.
Alguém considera o Müller mais violento ou indisciplinado que o kickboxer travestido de jogador de futebol, Mark van Bommel? O holandês é um jogador conhecidamente violento e nesta Copa tem sido muito mais do que costuma ser nas competições locais em que participa, talvez por não ser trouxa de fazer em solo ‘não-FIFA’ o que tem feito na África do Sul.
Este sujeito, uma versão ‘bem educada’ do Felipe Melo, tem distribuído pontapés e enfiado as travas da chuteira em seus adversários à torto e à direito com o consentimento das arbitragens, e ontem não foi diferente.
Vocês fazem ideia de quantos cartões amarelos Bommel recebeu em toda a competição? Foram dois. O troglodita Mark van Bommel foi punido com apenas DOIS cartões amarelos durante TODA a Copa!!! E, por incrível que pareça aos ingênuos, não foi punido pelo jogo violento que pratica 100% do tempo, mas por ter entrado em campo sem a autorização do árbitro em duas ocasiões, o que impedia a brecha legal da ‘interpretação’.
Van Bommel e seus comparsas da zaga holandesa, como Heitinga e Ooier, continuam mantendo a tradição do futebol de seu país. Desde o surgimento da Laranja Mecânica, que tinha em Suurbier seu mais atuante kickboxer, o futebol violento é uma das marcas holandesas, tradição seguida por Frank de Boer e congêneres.
A diferença entre o time atual e as gerações anteriores é o futebol técnico e inovador que seus antecessores praticavam além da violência. Podem argumentar que é um ‘futebol duro’, mas isso no meu entender é balela. Duro são Alemães, Ingleses e Italianos – para somente nos atermos a exemplos europeus. Os holandeses não têm nada a ver com seus vizinhos de continente. O futebol da Holanda é violento e desleal.
E não me venham dizer que estou torcendo contra a Holanda por causa da derrota brasileira. Por mim a seleção Dodunga poderia tomar uma coça de sarrafo, a começar pelo ‘arregalado’ dublê de bailarino, o semi-blasé Robinho.
Saudações botafoguenses!
terça-feira, 6 de julho de 2010
Menores e melhores

A chegada de quatro seleções sul-americanas às quartas-de final me gerou um sentimento regionalista, mas que abrigava uma satisfação mais ampla que vinha da sensação de achar que algum tipo de justiça estava sendo feita ao celeiro que gera e exporta jogadores há muitos anos e nunca se encontra representado ‘em bloco’ nas fases pós-eliminatórias. No fundo eu não imaginava que os quatro passassem à próxima fase e o resultado final não me surpreendeu, apesar de não achar um absurdo se coisa diferente acontecesse. Passada minha euforia inicial, as coisas foram entrando nos eixos e a realidade imperou inequívoca, o que não me perturbou em nada, pois minha irritação é proveniente da origem de duas das derrocadas.
As desclassificações de Brasil e Argentina têm contornos semelhantes. Ambos têm estruturas institucionais retrógradas onde imperam a falta de profissionalismo, o nepotismo, o corporativismo, o clientelismo, interesses econômicos originados em território neutro, uma série infindável de males que minam a capacidade organizacional e clareza de objetivo de qualquer empreendimento realmente voltado para o fortalecimento do esporte do país que a camisa representa.
Do lado uruguaio e paraguaio os projetos para a disputa da Copa foram construídos de forma totalmente diferente do oba-oba monástico montado pelo Brasil, e da ‘cerejinha do bolo’, a patomima representada pela Argentina.
***
O caso argentino
O principal exemplo de má gestão do projeto argentino é a entrega do comando técnico de sua seleção a um ex-jogador sem nenhuma experiência profissional para o cargo. Se era uma aposta maluca, se tornou uma decisão irresponsável à medida que Maradona sistematicamente provava ser, além de um neófito, um sujeito destemperado emocionalmente e agarrado a práticas populistas, convocando à esmo e sob critérios não objetivos.
A distância que existe entre Maradona – o treinador – e um José Mourinho é semelhante à que separa o futebol de um Robinho do que jogou o Pelé.
Escrevi sobre o sentimento de Maradona em relação ao seu país, mas escrevi sob o efeito que a nefasta gestão da CBF me fazia ao coração e à mente. Escrevi com raiva. Logo após ter publicado o texto, Maradona vem a público com uma estória de ‘cereja do bolo’, se referindo ao Messi. O culto a personalidades me causa náuseas e a criação de mitos e celebridades à fórceps mais ainda, porque implica em ‘personalidades’, ‘mitos’ ou ‘celebridades’ falsos ou, no mínimo, duvidosos, além de ser um estímulo à desagregação do grupo. Fora as razões objetivas que me levam a condenar a eleição de um astro ‘solo’, o que, no íntimo, considero filosoficamente desprezível.
Confesso que estive perto de apagar a postagem, mas acho que optei por mantê-la como forma de autopunição ou para ter registrada a marca de um tropeço me lembrando de contar até dez – ou até quanto seja necessário para que a ira seja aplacada – antes de dar a primeira rabiscada e assim evitar escrever com o fígado.
Cometi um erro primordial ao não perceber que Maradona era apenas um egocêntrico carente. Em suas ações no papel de treinador de futebol, antes e durante a Copa, se escondia – ao menos para mim, pois não consegui percebê-lo – a intenção de atrair os refletores para sua figura, que andava tristemente – para ele – longe do universo épico dos gramados. E todo esse esforço tinha origem na necessidade do ex-craque de viver eternamente na ribalta.
Seu novo espetáculo teve sucesso frente a algumas plateias, porque Maradona tem lá o seu charme. No entando, em meu entender, a dissimulação da artificialidade do novo número não resistiu ao segundo ato e inclusive reforçou a imagem do jogador de ‘la mano de Dios’. Ator ou impostor? Fiquei pensando nisso...
A equipe argentina foi o retrato de Maradona, mas sem seu futebol. Desorganizada, perdida, sem rumo, individualista e arrogante. Quando enfrentaram um time que era o oposto desse conjunto de atributos estorvantes, o resultado não poderia ser outro.
Lionel Messi, no turbilhão de ações e emoções confusas e perturbantes, provavelmente nem percebeu que estavam usando sua fama e figura para encobrir o péssimo espetáculo produzido pela federação de seu país, no qual Maradona se escalava como astro principal, acreditando ser um grande ator dramático no papel de grande treinador, não sendo nem um e nem o outro. O ótimo jovem atacante marcou seu primeiro e único gol na Copa (?!) em um treino às vésperas da partida que o mandou de volta à Espanha.
Por que desperdiçar cereja em um bolo estragado?
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O caso brasileiro
Os aparentes erros do ‘projeto brasileiro’ são semelhantes aos do empreendimento argentino, mas sem cereja, sem bolo, sem refrigerante, sem pipoca, sem celular, sem internet, sem televisão e sem um pio!
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O caso Paraguaio
Ao contrário dos casos brasileiro e argentino, o Paraguai tinha um projeto bem definido: tinha a intenção de se organizar da melhor maneira possível para disputar uma Copa do Mundo e ponto final. Sem ‘cerejinha’, sem celebridades ou perebas de confiança e sem os patrocinadores faustianos.
A campanha que levou o Paraguai às quartas-de-final foi surpreendente desde o processo classificatório regional. A boa montagem da equipe, a preparação física e técnica, a coesão do time e a disposição de seu comportamento em campo demonstraram ótima capacidade administrativa da cúpula diretora.
Errei ao colocar em dúvida o foco das atenções da direção paraguaia, por acreditar ser um indício de frouxidão o fato de terem se transferido para um espaço menos austero, para sua concentração às vésperas da disputa contra a Espanha. Aparentemente a mudança não teve nenhuma influência negativa no comportamento da equipe. Pelo contrário, estavam ainda mais concentrados e com um preparo físico impecável. Perderam para uma grande equipe e, não fosse um erro de arbitragem que os tomou um gol legítimo, além de um pênalti desperdiçado, a sorte do time paraguaio poderia ter sido outra.
Mesmo acreditando ser um erro retardar a entrada de Lucas Barrios, provavelmente pensando numa possível prorrogação, as escolhas estratégicas do treinador Gerardo Martino surtiram efeito durante a competição, pois tiraram bom proveito do material do qual dispunha. Fora a estratégia, o técnico montou uma equipe muito bem organizada taticamente e seus comandados estavam bem preparados psicologicamente e trabalhando em conjunto.
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O caso uruguaio
A exemplo do Paraguai, o projeto uruguaio também tinha diretrizes muito diferentes das traçadas pelas cúpulas dirigentes de Brasil e Argentina.
A postura dos jogadores e a forma como levaram a cabo as estratégias de Oscar Tabárez revelavam a cada partida o alto grau de entendimento que tinham da proposta de seu treinador e o quanto diferiam do individualismo, da desorganização, da falta de discrição e da arrogância dissimulada dos grupos brasileiro e argentino.
Os meios usados pela seleção argentina e os motivos da brasileira não têm nenhuma relação com o que move a seleção uruguaia e, talvez por isso, o fim de ambas já se deu e esta sobrevive.
O Uruguai tem ares do Botafogo do Carioca de 2010, com a vantagem de possuir um elenco individualmente mais capaz em todos os sentidos.
E é pelo espírito de luta, pela inteligência individual e coletiva, pela circunspecção voluntária e ‘espirituosa’, pelo discernimento com que evitam a afetação ridícula e o peso morto da vaidade e – por que não? e muito mais! – por nosso camarada El Loco, que me sinto honrado por me juntar à torcida uruguaia.
Avante, Celeste!
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O carrossel já não me deixa tonto
Das três seleções europeias que estão na disputa a Holanda é a que menos me agrada aos olhos. Paradoxalmente, a Espanha e a Alemanha de 2010 me lembram mais a imagem que tenho do futebol holandês do que a própria Holanda. Talvez seja isso o que Cruyff critica em seu selecionado: também à Holanda falta ‘a magia do futebol’.
Enquanto espanhóis e alemães jogam um futebol dinâmico e criativo, a Holanda joga com as tais ‘linhas de quatro’, mudando o lugar de peças aqui e ali, sempre esquematicamente.
Se a arbitragem não tivesse sido tão parcial na distribuição de cartões, favorecendo Espanha e Holanda de forma despudorada, apostaria todas as fichas no Uruguai, pois também haveria desfalques do lado holandês. Como a Celeste vem muito desfalcada e a violenta Holanda está completinha, me limito a apostar somente o 13 na casa azul e pronto.
Saudações botafoguenses!
domingo, 4 de julho de 2010
Copa América na África? Nem pensar

Depois de fiascos brasileiros e argentinos e da desclassificação honrosa do Paraguai, a ‘qualidade do material humano sul-americano’ não resistiu ao padrão cultural terceiro-mundista – decadente porém longe da decrepitude – e deixou terreno aberto para a reocupação europeia de 3/4 do território africano, após as quartas-de-final.
Novas postagens sobre o assunto virão em seguida.
Tenham um bom domingo e saudações botafoguenses!
sábado, 3 de julho de 2010
O cara de duas estrelas
Uma breve história. Quando El Loco Abreu foi cuidar de sua documentação na Polícia Federal, a funcionária que o atendeu declarou ser botafoguense e não aguentar mais ver o Botafogo ‘batendo na trave’ e sendo vice-campeão seguidamente. Sebastián a respondeu: “Porque El Loco no estaba acá”. Ele esteve ‘acá’ e agora está na África do Sul, com sua própria estrela e a nossa, agora dele também.
***
Meus amigos, depois da tarde de ontem tomo a liberdade de modificar a máxima que se refere ao Botafogo – e que sempre olhei pelo lado positivo, diga-se – para nela incluir o Uruguai: “Há coisas que só acontecem ao Botafogo e... ao Uruguai”.
Que sirva de referência para que no futuro lembremos desta frase associada à realização do improvável a nosso favor.
Achei que seria um jogo emocionante por ser uma eliminatória, mas o que aconteceu naquela partida parece obra de ficção.
Um pênalti no último minuto dos acréscimos da prorrogação e o sujeito chuta no travessão, a bola sai de campo, a partida segue na prorrogação e o Uruguai vence nos pênaltis!
Ontem escrevi , e todos podem comprovar (rs), que se o técnico uruguaio não colocasse El Loco em campo até os 30 do segundo tempo eu e o Biriba passaríamos a torcer por Gana. Ainda bem que Oscar Tabárez lê o blog e acredita no poder de minha torcida e, principalmente, na vontade do Biriba. Pois não é que aos 29 do segundo tempo, ‘temendo o pior’, o treinador colocou Abreu para jogar?!
El Loco não teve nenhuma chance de marcar seu tento e quebrar o recorde de Scarone, mas estava em campo carregando a sua e a nossa estrela, agora emprestada à seleção uruguaia.
Seja pelo fato extraordinário ou pela presença de espírito e sacrifício de Luis Suárez por sua seleção – um jogador que interceptou o tiro mortal do adversário por duas vezes, uma delas com a mão –; seja pelo sangue, alma ou a sorte uruguaia ou mesmo a proteção divina, como crê Tabárez; seja pela ‘loucura’ da cavadinha de El Loco; seja pelo que for, o fato é que a partida entre Uruguai e Gana estará para sempre na história dos fatos memoráveis das Copas do Mundo.
Lamento profundamente a decepção dos ganeses, da torcida africana que se aliou ao último representante de seu continente e especialmente a dor de Asamoah Gyan, herói por três vezes e anti-herói no final. Como disse na postagem de ontem, meu coração estava dividido pela primeira vez.
Mas a vitória uruguaia era o objeto de minha torcida e a vontade do Biriba.
‘¡Qué vengan los holandeses!’ (Maurício de Nassau, em uma praça de Montevidéu).
Avante, Celeste!
***
Não passamos no teste
Sobre o espetáculo ridículo proporcionado pelo lado brasileiro na partida da manhã de ontem, deixo para escrever outra hora, porque são muitos capítulos.
Mas adianto dizendo que acredito ser um erro fazer do desmiolado perna-de-pau, Felipe Melo, um bode expiatório para o papelão pelo qual o capo Ricardo Teixeira, juntamente com seus comparsas e asseclas, assessorados pelos limitados ditadores Dunga e Jorginho e o bando de pelegos inúteis fizeram a seleção brasileira passar.
E mais. Se o melhor-goleiro-do-mundo Júlio César não tivesse trombado com o inexplicável Felipe Melo, seria possível que o delinquente meio-campista cortasse o lançamento. A falha foi exclusivamente de Júlio César, o maior craque do time.
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Hoje está assim:

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Os efêmeros louros do sucesso

Parece que a velha expressão ‘nadar e nadar para morrer na praia’ não é conhecida na cultura paraguaia. Foi só passarem de fase, fazendo história na seleção de seu país, que os vizinhos do Cone Sul preferiram o resort cujos lençóis foram aquecidos pelos italianos, e abraçaram o sucesso com empolgação.
A seleção uruguaia não deixou de fazer seus churrascos, mas na santa paz que só a simplicidade garante.
Que não se acanhem frente à Espanha.
***
Jogão hoje

Argentina e Alemanha, um jogo que promete. Os alemães adoram os argentinos e a recíproca é verdadeira. Que se comam em campo...
Ainda bem que estou bem longe da África. Ficaria muito chateado se sobrasse pra mim, com a pancadaria me derrubando as pipocas.
Saudações botafoguenses!
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