quarta-feira, 7 de julho de 2010

Chucrute x Paella


A seleção alemã tenta produzir o imprevisível e a espanhola, esconder quando fará o previsível.

A Alemanha será a campeã de 2010, para a tristeza da FIFA, dos investidores do futebol espanhol e da Sociedade Protetora dos Duques Diques e Kicks de Holanda?

Isso ninguém sabe. Mas que a Alemanha será roubada, disso eu não tenho a menor dúvida.

Saudações botafoguenses!

Van Damme Bommel

(Homo Violentus)

O que a imprensa anda apelidando de ‘política internacional’ da Fifa quando se refere à ‘irresponsabilidade’ de escalar árbitros sem experiência compatível com a importância das partidas em que atuam, não passa de um artifício para colocar os ‘erros’ na conta do despreparo dos trios que andam estragando o espetáculo. É uma forma esperta de dissimular as manipulações de resultados em favor dos interesses da entidade mafiosa chefiada por Joseph Blatter.

Era de se esperar que os ‘erros’ fossem sistematicamente favoráveis a equipes de países cujos mercados do futebol fossem economicamente musculosos, mas nesta edição a predileção é pelas seleções da Espanha e da Holanda.

Todos os adversários diretos da Espanha foram sistemática e previamente punidos com cartões amarelos, e punidos de forma pontual, sendo alvejados em posições estratégicas. Não é à toa que a revelação alemã Thomas Müller esteja de fora da partida de hoje, punido pelo árbitro que garfou a África do Sul no jogo de estreia e que continua fazendo lambanças, inclusive no jogo de ontem (marcando dois impedimentos inexistentes contra o Uruguai e assinalando um gol irregular a favor dos ‘donos da casa’; dando uma vantagem em lance de falta na mesma posição em que Forlán marcara contra Gana – veja como não é um ingênuo – e não marcando um toque de mão de Van Persie, na risca da grande área e aos 48 do segundo tempo), assessorado por um de seus auxiliares.

Alguém considera o Müller mais violento ou indisciplinado que o kickboxer travestido de jogador de futebol, Mark van Bommel? O holandês é um jogador conhecidamente violento e nesta Copa tem sido muito mais do que costuma ser nas competições locais em que participa, talvez por não ser trouxa de fazer em solo ‘não-FIFA’ o que tem feito na África do Sul.

Este sujeito, uma versão ‘bem educada’ do Felipe Melo, tem distribuído pontapés e enfiado as travas da chuteira em seus adversários à torto e à direito com o consentimento das arbitragens, e ontem não foi diferente.

Vocês fazem ideia de quantos cartões amarelos Bommel recebeu em toda a competição? Foram dois. O troglodita Mark van Bommel foi punido com apenas DOIS cartões amarelos durante TODA a Copa!!! E, por incrível que pareça aos ingênuos, não foi punido pelo jogo violento que pratica 100% do tempo, mas por ter entrado em campo sem a autorização do árbitro em duas ocasiões, o que impedia a brecha legal da ‘interpretação’.

Van Bommel e seus comparsas da zaga holandesa, como Heitinga e Ooier, continuam mantendo a tradição do futebol de seu país. Desde o surgimento da Laranja Mecânica, que tinha em Suurbier seu mais atuante kickboxer, o futebol violento é uma das marcas holandesas, tradição seguida por Frank de Boer e congêneres.

A diferença entre o time atual e as gerações anteriores é o futebol técnico e inovador que seus antecessores praticavam além da violência. Podem argumentar que é um ‘futebol duro’, mas isso no meu entender é balela. Duro são Alemães, Ingleses e Italianos – para somente nos atermos a exemplos europeus. Os holandeses não têm nada a ver com seus vizinhos de continente. O futebol da Holanda é violento e desleal.

E não me venham dizer que estou torcendo contra a Holanda por causa da derrota brasileira. Por mim a seleção Dodunga poderia tomar uma coça de sarrafo, a começar pelo ‘arregalado’ dublê de bailarino, o semi-blasé Robinho.

Saudações botafoguenses!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Menores e melhores


A chegada de quatro seleções sul-americanas às quartas-de final me gerou um sentimento regionalista, mas que abrigava uma satisfação mais ampla que vinha da sensação de achar que algum tipo de justiça estava sendo feita ao celeiro que gera e exporta jogadores há muitos anos e nunca se encontra representado ‘em bloco’ nas fases pós-eliminatórias. No fundo eu não imaginava que os quatro passassem à próxima fase e o resultado final não me surpreendeu, apesar de não achar um absurdo se coisa diferente acontecesse. Passada minha euforia inicial, as coisas foram entrando nos eixos e a realidade imperou inequívoca, o que não me perturbou em nada, pois minha irritação é proveniente da origem de duas das derrocadas.

As desclassificações de Brasil e Argentina têm contornos semelhantes. Ambos têm estruturas institucionais retrógradas onde imperam a falta de profissionalismo, o nepotismo, o corporativismo, o clientelismo, interesses econômicos originados em território neutro, uma série infindável de males que minam a capacidade organizacional e clareza de objetivo de qualquer empreendimento realmente voltado para o fortalecimento do esporte do país que a camisa representa.

Do lado uruguaio e paraguaio os projetos para a disputa da Copa foram construídos de forma totalmente diferente do oba-oba monástico montado pelo Brasil, e da ‘cerejinha do bolo’, a patomima representada pela Argentina.

***

O caso argentino

(Foto: Shaun Boterrill - Getty Images)

O principal exemplo de má gestão do projeto argentino é a entrega do comando técnico de sua seleção a um ex-jogador sem nenhuma experiência profissional para o cargo. Se era uma aposta maluca, se tornou uma decisão irresponsável à medida que Maradona sistematicamente provava ser, além de um neófito, um sujeito destemperado emocionalmente e agarrado a práticas populistas, convocando à esmo e sob critérios não objetivos.

A distância que existe entre Maradona – o treinador – e um José Mourinho é semelhante à que separa o futebol de um Robinho do que jogou o Pelé.

Escrevi sobre o sentimento de Maradona em relação ao seu país, mas escrevi sob o efeito que a nefasta gestão da CBF me fazia ao coração e à mente. Escrevi com raiva. Logo após ter publicado o texto, Maradona vem a público com uma estória de ‘cereja do bolo’, se referindo ao Messi. O culto a personalidades me causa náuseas e a criação de mitos e celebridades à fórceps mais ainda, porque implica em ‘personalidades’, ‘mitos’ ou ‘celebridades’ falsos ou, no mínimo, duvidosos, além de ser um estímulo à desagregação do grupo. Fora as razões objetivas que me levam a condenar a eleição de um astro ‘solo’, o que, no íntimo, considero filosoficamente desprezível.

Confesso que estive perto de apagar a postagem, mas acho que optei por mantê-la como forma de autopunição ou para ter registrada a marca de um tropeço me lembrando de contar até dez – ou até quanto seja necessário para que a ira seja aplacada – antes de dar a primeira rabiscada e assim evitar escrever com o fígado.

Cometi um erro primordial ao não perceber que Maradona era apenas um egocêntrico carente. Em suas ações no papel de treinador de futebol, antes e durante a Copa, se escondia – ao menos para mim, pois não consegui percebê-lo – a intenção de atrair os refletores para sua figura, que andava tristemente – para ele – longe do universo épico dos gramados. E todo esse esforço tinha origem na necessidade do ex-craque de viver eternamente na ribalta.

Seu novo espetáculo teve sucesso frente a algumas plateias, porque Maradona tem lá o seu charme. No entando, em meu entender, a dissimulação da artificialidade do novo número não resistiu ao segundo ato e inclusive reforçou a imagem do jogador de ‘la mano de Dios’. Ator ou impostor? Fiquei pensando nisso...

A equipe argentina foi o retrato de Maradona, mas sem seu futebol. Desorganizada, perdida, sem rumo, individualista e arrogante. Quando enfrentaram um time que era o oposto desse conjunto de atributos estorvantes, o resultado não poderia ser outro.

Lionel Messi, no turbilhão de ações e emoções confusas e perturbantes, provavelmente nem percebeu que estavam usando sua fama e figura para encobrir o péssimo espetáculo produzido pela federação de seu país, no qual Maradona se escalava como astro principal, acreditando ser um grande ator dramático no papel de grande treinador, não sendo nem um e nem o outro. O ótimo jovem atacante marcou seu primeiro e único gol na Copa (?!) em um treino às vésperas da partida que o mandou de volta à Espanha.

Por que desperdiçar cereja em um bolo estragado?

***

O caso brasileiro

Os aparentes erros do ‘projeto brasileiro’ são semelhantes aos do empreendimento argentino, mas sem cereja, sem bolo, sem refrigerante, sem pipoca, sem celular, sem internet, sem televisão e sem um pio!

***

O caso Paraguaio

(Paulo da Silva - reforço de peso para nossa zaga)

Ao contrário dos casos brasileiro e argentino, o Paraguai tinha um projeto bem definido: tinha a intenção de se organizar da melhor maneira possível para disputar uma Copa do Mundo e ponto final. Sem ‘cerejinha’, sem celebridades ou perebas de confiança e sem os patrocinadores faustianos.

A campanha que levou o Paraguai às quartas-de-final foi surpreendente desde o processo classificatório regional. A boa montagem da equipe, a preparação física e técnica, a coesão do time e a disposição de seu comportamento em campo demonstraram ótima capacidade administrativa da cúpula diretora.

Errei ao colocar em dúvida o foco das atenções da direção paraguaia, por acreditar ser um indício de frouxidão o fato de terem se transferido para um espaço menos austero, para sua concentração às vésperas da disputa contra a Espanha. Aparentemente a mudança não teve nenhuma influência negativa no comportamento da equipe. Pelo contrário, estavam ainda mais concentrados e com um preparo físico impecável. Perderam para uma grande equipe e, não fosse um erro de arbitragem que os tomou um gol legítimo, além de um pênalti desperdiçado, a sorte do time paraguaio poderia ter sido outra.

Mesmo acreditando ser um erro retardar a entrada de Lucas Barrios, provavelmente pensando numa possível prorrogação, as escolhas estratégicas do treinador Gerardo Martino surtiram efeito durante a competição, pois tiraram bom proveito do material do qual dispunha. Fora a estratégia, o técnico montou uma equipe muito bem organizada taticamente e seus comandados estavam bem preparados psicologicamente e trabalhando em conjunto.

***

O caso uruguaio

(Foto: Jeff Mitchell - Getty Images)

A exemplo do Paraguai, o projeto uruguaio também tinha diretrizes muito diferentes das traçadas pelas cúpulas dirigentes de Brasil e Argentina.

A postura dos jogadores e a forma como levaram a cabo as estratégias de Oscar Tabárez revelavam a cada partida o alto grau de entendimento que tinham da proposta de seu treinador e o quanto diferiam do individualismo, da desorganização, da falta de discrição e da arrogância dissimulada dos grupos brasileiro e argentino.

Os meios usados pela seleção argentina e os motivos da brasileira não têm nenhuma relação com o que move a seleção uruguaia e, talvez por isso, o fim de ambas já se deu e esta sobrevive.

O Uruguai tem ares do Botafogo do Carioca de 2010, com a vantagem de possuir um elenco individualmente mais capaz em todos os sentidos.

E é pelo espírito de luta, pela inteligência individual e coletiva, pela circunspecção voluntária e ‘espirituosa’, pelo discernimento com que evitam a afetação ridícula e o peso morto da vaidade e – por que não? e muito mais! – por nosso camarada El Loco, que me sinto honrado por me juntar à torcida uruguaia.

Avante, Celeste!

***

O carrossel já não me deixa tonto

(Laranja Quadrada: Valeriya/Dreamstime)

Das três seleções europeias que estão na disputa a Holanda é a que menos me agrada aos olhos. Paradoxalmente, a Espanha e a Alemanha de 2010 me lembram mais a imagem que tenho do futebol holandês do que a própria Holanda. Talvez seja isso o que Cruyff critica em seu selecionado: também à Holanda falta ‘a magia do futebol’.

Enquanto espanhóis e alemães jogam um futebol dinâmico e criativo, a Holanda joga com as tais ‘linhas de quatro’, mudando o lugar de peças aqui e ali, sempre esquematicamente.

Se a arbitragem não tivesse sido tão parcial na distribuição de cartões, favorecendo Espanha e Holanda de forma despudorada, apostaria todas as fichas no Uruguai, pois também haveria desfalques do lado holandês. Como a Celeste vem muito desfalcada e a violenta Holanda está completinha, me limito a apostar somente o 13 na casa azul e pronto.

Saudações botafoguenses!

domingo, 4 de julho de 2010

Copa América na África? Nem pensar


Depois de fiascos brasileiros e argentinos e da desclassificação honrosa do Paraguai, a ‘qualidade do material humano sul-americano’ não resistiu ao padrão cultural terceiro-mundista – decadente porém longe da decrepitude – e deixou terreno aberto para a reocupação europeia de 3/4 do território africano, após as quartas-de-final.

Novas postagens sobre o assunto virão em seguida.

Tenham um bom domingo e saudações botafoguenses!

sábado, 3 de julho de 2010

O cara de duas estrelas

(Foto: Michael Steele/Getty Images)

Uma breve história. Quando El Loco Abreu foi cuidar de sua documentação na Polícia Federal, a funcionária que o atendeu declarou ser botafoguense e não aguentar mais ver o Botafogo ‘batendo na trave’ e sendo vice-campeão seguidamente. Sebastián a respondeu: “Porque El Loco no estaba acá”. Ele esteve ‘acá’ e agora está na África do Sul, com sua própria estrela e a nossa, agora dele também.

***


Meus amigos, depois da tarde de ontem tomo a liberdade de modificar a máxima que se refere ao Botafogo – e que sempre olhei pelo lado positivo, diga-se – para nela incluir o Uruguai: “Há coisas que só acontecem ao Botafogo e... ao Uruguai”.

Que sirva de referência para que no futuro lembremos desta frase associada à realização do improvável a nosso favor.

Achei que seria um jogo emocionante por ser uma eliminatória, mas o que aconteceu naquela partida parece obra de ficção.

Um pênalti no último minuto dos acréscimos da prorrogação e o sujeito chuta no travessão, a bola sai de campo, a partida segue na prorrogação e o Uruguai vence nos pênaltis!

Ontem escrevi , e todos podem comprovar (rs), que se o técnico uruguaio não colocasse El Loco em campo até os 30 do segundo tempo eu e o Biriba passaríamos a torcer por Gana. Ainda bem que Oscar Tabárez lê o blog e acredita no poder de minha torcida e, principalmente, na vontade do Biriba. Pois não é que aos 29 do segundo tempo, ‘temendo o pior’, o treinador colocou Abreu para jogar?!

El Loco não teve nenhuma chance de marcar seu tento e quebrar o recorde de Scarone, mas estava em campo carregando a sua e a nossa estrela, agora emprestada à seleção uruguaia.

Seja pelo fato extraordinário ou pela presença de espírito e sacrifício de Luis Suárez por sua seleção – um jogador que interceptou o tiro mortal do adversário por duas vezes, uma delas com a mão –; seja pelo sangue, alma ou a sorte uruguaia ou mesmo a proteção divina, como crê Tabárez; seja pela ‘loucura’ da cavadinha de El Loco; seja pelo que for, o fato é que a partida entre Uruguai e Gana estará para sempre na história dos fatos memoráveis das Copas do Mundo.

Lamento profundamente a decepção dos ganeses, da torcida africana que se aliou ao último representante de seu continente e especialmente a dor de Asamoah Gyan, herói por três vezes e anti-herói no final. Como disse na postagem de ontem, meu coração estava dividido pela primeira vez.

Mas a vitória uruguaia era o objeto de minha torcida e a vontade do Biriba.

‘¡Qué vengan los holandeses!’ (Maurício de Nassau, em uma praça de Montevidéu).

Avante, Celeste!

***

Não passamos no teste

(Foto: Richard Heathcote/Getty Images)

Sobre o espetáculo ridículo proporcionado pelo lado brasileiro na partida da manhã de ontem, deixo para escrever outra hora, porque são muitos capítulos.

Mas adianto dizendo que acredito ser um erro fazer do desmiolado perna-de-pau, Felipe Melo, um bode expiatório para o papelão pelo qual o capo Ricardo Teixeira, juntamente com seus comparsas e asseclas, assessorados pelos limitados ditadores Dunga e Jorginho e o bando de pelegos inúteis fizeram a seleção brasileira passar.

E mais. Se o melhor-goleiro-do-mundo Júlio César não tivesse trombado com o inexplicável Felipe Melo, seria possível que o delinquente meio-campista cortasse o lançamento. A falha foi exclusivamente de Júlio César, o maior craque do time.

***

Hoje está assim:



***

Os efêmeros louros do sucesso


Parece que a velha expressão ‘nadar e nadar para morrer na praia’ não é conhecida na cultura paraguaia. Foi só passarem de fase, fazendo história na seleção de seu país, que os vizinhos do Cone Sul preferiram o resort cujos lençóis foram aquecidos pelos italianos, e abraçaram o sucesso com empolgação.

A seleção uruguaia não deixou de fazer seus churrascos, mas na santa paz que só a simplicidade garante.

Que não se acanhem frente à Espanha.

***


Jogão hoje


Argentina e Alemanha, um jogo que promete. Os alemães adoram os argentinos e a recíproca é verdadeira. Que se comam em campo...

Ainda bem que estou bem longe da África. Ficaria muito chateado se sobrasse pra mim, com a pancadaria me derrubando as pipocas.

Saudações botafoguenses!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Quase à metade do funil

Cruyff e seu ‘cruyffismo’


(Imagem: ClipartOf)

“Não pagaria ingresso para ver a Seleção jogar. Onde está o Brasil? Quando via jogar e pensava em Gerson, Tostão, Falcão, Zico, Sócrates... E em troca só vejo Gilberto (Silva), (Felipe) Melo, (Michel) Bastos, (Júlio)Baptista. Onde está a magia?” Foi o que declarou Cruyff ao jornal inglês, Daily Mirror.

Apesar de suspeitar que a intenção do ex-craque holandês era desestabilizar psicologicamente os jogadores brasileiros ou, talvez, incentivá-los a partir para o jogo franco, não há como discordar da opinião de Cruyff.

E Cruyff tem o direito de não gostar do tal ‘futebol de resultados’ – um futebol burocrático, defensivo e apoiado na força física –, pois fez parte do extenso ‘grande elenco’ que, através de um alto nível técnico e intelectual, criou as bases para que pudesse ser forjada a expressão que ele mesmo usou parcialmente, a ‘magia do futebol’.

Mas o capitão do ‘Carrossel Holandês’ se esqueceu de uma coisa e deve ter feito questão de se esquecer de outras duas: 1) Se hoje o Brasil da ‘Segunda Geração Dunga’ não conta com jogadores do nível de Gérson, Tostão, Falcão, Zico e Sócrates (essa escalação é do Cruyff), a Holanda também não nos ‘encanta’ sem o próprio Cruyff, Neeskens, Rensenbrink, Van Basten e Bergkamp; 2) Quando diz que ‘via’, se lembra de esquecer que viu jogadores como Nílton Santos, Garrincha, Didi e Pelé, infinitamente superiores aos de sua geração e às subsequentes de seu país; 3) Por fim, também não deixou de omitir que, à semelhança de Felipe Melo, o ‘Carrossel Holandês’ baixava o sarrafo, e tinha o zagueiro Suurbier como principal artífice da ‘violência genial’ daquele time.

*

Dunga e seu
dunguismo

Eis que é chegada a hora: o primeiro grande teste para a Seleção Dodunga.



***


Coração dividido

O único representante africano joga contra o berço do futebol sul-americano. Tem tudo para ser uma partida truncada, mas extremamente emocionante.

De um lado a quase antítese dos motivos pelos quais o futebol africano nunca ter ido além das quartas-de-final em Copas do Mundo e do outro a inteligência e a sobriedade de um grupo extremamente focado.

Gana desmente os que pensavam que a organização tática não chegaria aos selecionados africanos, mas o excesso de individualismo e algumas firulas ainda estão lá. Um sujeito fez um passe de letra no meio de campo sem a menor necessidade! Não sei se dou uma gargalhada ou um tapa na mesa. Esses caras também me confundem...

Se Tabárez não colocar Abreu até os 30 do segundo tempo podem ter certeza que o Cone Sul terá menos um torcedor, porque não estou aqui para ficar dando força para técnico turrão, que deve ter tido como ídolo, Scarone, o atual detentor da marca de maior goleador com a Celeste.


(Foto: AP)

Seja como for, esta será a partida em que estarei com o coração dividido... Até determinado momento.

***

Até agora a coisa está mais ou menos assim:



Saudações botafoguenses!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Passando de fase


Foram várias as decepções nesta Copa. Mesmo não sendo novidade, pois é o que acontece na maioria das edições, isso não deixa de ser um fato lamentável, já que acredito que seja coisa evitável. A Itália e a França decepcionaram, o Brasil ainda não convenceu.

O técnico da Eslováquia me decepcionou por não abrir mão do nepotismo que o fez insitir na escalação do próprio filho e Fabio Capello por abrir mão de Joe Cole. Outros técnicos também me fazem imaginar que o destino de suas equipes seria outro, se não fizessem questão de deixar de fora o que de melhor tinham à disposição.

É o caso de Takeshi Okada, que não escalou Shunsuke Nakamura, o melhor jogador japonês em atividade. Nakamura certamente não é do tipo ‘marcador’, mas se a estratégia era viver de contra-ataques, ninguém melhor que ele para fazer a bola chegar com bom aspecto à área adversária.

Carlos Queiroz, o técnico português, depois da partida de ontem disputa a liderança da lista de personagens decepcionantes de 2010. Seu time jogou defensivamente, o que não seria má opção se existisse um esquema de contra-ataques bem articulado. Sem este dispositivo, atrair o adversário para seu campo de defesa é uma estratégia bisonha.

Afastou Hugo Almeida da área e isolou Cristiano Ronaldo. Encheu o meio campo com volantes e deixou Deco e Liedson no banco, dois jogadores úteis para um esquema que privilegiava os contra-ataques.

Além disso, parece não ter a confiança e nem o apoio de muitos jogadores, pois se tivesse um mínimo de ascendência sobre seus comandados não veríamos Portugal jogar como se estivesse ganhando enquanto estava atrás no placar.

Cristiano Ronaldo não infernizou os espanhois como achei que faria. Acredito ter sido extremamente constrangedor para os portugueses ver uma figura afetada e apática sustentando a braçadeira de capitão da seleção de seu país.



Agora há pouco li que o atacante declarou que quem deveria explicar a derrota era o técnico, jogando toda a responsabilidade no colo de Queiroz, como se este estivera em campo. Ora, se estava descontente com o esquema montado pelo treinador, que ao menos se esforçasse em campo ou se insubordinasse ao planejamento estabelecido, pois, afinal, era o capitão da equipe. Como um omisso se acha no direito de condenar alguém por seus atos?

Wayne Rooney pode ter decepcionado por não apresentar o bom futebol que dele se esperava, mas lutou enquanto pôde. Ronaldo andou em campo, fez caretas, distribuiu sorrisos irônicos e tocou de letra enquanto perdia, desperdiçando uma oportunidade de se apresentar como o grande jogador que é e como um líder. Mas tudo indica que nada disso pode se esperar de Cristiano Ronaldo, a maior decepção da Copa até o momento.


(Eduardo: melhor jogador em campo)


***

Conquistando a alma da África do Sul



O Paraguai passou pela pedreira japonesa e se junta às quatro seleções sul-americanas que estão invertendo o quadro mundial de forças geopolíticas através do futebol.

O que digo é retórico? Claro que sim! Mas é gostoso ver a qualidade do material humano futebolístico da América do Sul erguendo suas bandeiras em solo africano. Só isso.

Saudações botafoguenses!

terça-feira, 29 de junho de 2010

O teste que não chega

(Avenida Chile - Foto: Rodrigo Soldon)

Os velozes e habilidosos atacantes míopes do Chile são mais míopes que velozes e habilidosos. E os zagueiros reservas são muito piores que a fraca zaga titular. Bons cabeceadores contra o time de menor estatura da competição só poderia dar no que deu. Foi perigosamente fácil demais.

A contusão providencial de Felipe Melo de nada adiantou para a possível efetivação do melhorzinho Ramires, pois o rapaz foi esperto o suficiente para receber um cartão amarelo aos 30 do segundo tempo, com o time vencendo por 3 x 0. Pegou a parte de seu futebol que ficou retida na alfândega, mas esqueceu o cérebro no banco traseiro do táxi. Melhor com ele, mas dá para confiar? Essa gente me deixa confuso.

E eu que agora torço pra que os marfineses devolvam logo o pedaço do tornozelo do Elano... Vejam a que ponto cheguei!

A ‘panelinha’ continua não passando a bola para o Nilmar ou é paranóia minha?

Acho que o teste de verdade será contra a Holanda.

(O teste ‘da’ verdade seria para tirar minha dúvida sobre a panelinha).

***

Bandeira amiga: são todos iguais


(Imagem: Fotolia)

O bandeirinha da partida entre Holanda e Eslováquia deu um escanteio de presente para os holandeses, em um lance bem à sua frente, um tiro de meta claro. Van Bommel ficou tão surpreso e agradecido pelo regalo, que deu uma piscadinha para o bandeirinha, como se dissesse: ‘Valeu, parceiro!’ O holandês entendeu direitinho o que estava acontecendo.

Logo depois outra inversão, não dando um corner claro num chute eslovaco que o goleiro desviou. Os jogadores da Eslováquia também estavam proibidos de encostar nos holandeses. Uma vergonha.

Mas o que faltou à Eslováquia foi um Jefferson. Que anda fazendo falta a muita seleção nesta Copa, diga-se. Tomara que não falte à do Dunga.

***

Naruto



O Paraguai vai encarar um time de samurais em busca de um lugar ao sol nascente. Correm muito e sabem para onde e porque estão indo. Tremenda pedreira.

*

Arrisco um palpite para hoje: Portugal passa e Cristiano Ronaldo vai infernizar os espanhóis.

***

Nelson não esperava por essa



(Barba Negra)

Ontem me esqueci de dizer que não imaginava um dia ver a Inglaterra sendo roubada. Se o Nelson Rodrigues fosse vivo, tremeria às gargalhadas...

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Arbitragem de biltres


Não são as vuvuzelas, não é a Jabulani e nem o ineditismo de uma Copa no continente africano; tampouco o espetáculo colorido dos torcedores. O que mais chama atenção na Copa da África do Sul são os erros de arbitragem.

Os árbitros deram seu cartão de visitas já no primeiro tempo do jogo inaugural por intermédio de seu representante na ocasião, o Sr. Ravshan Irmatov, do Uzbequistão, que não marcou um pênalti claro em um jogador da seleção anfitriã. Assim inauguraram o festival de horrores da arbitragem, que ontem vitimou a Inglaterra e o México.

Talvez por serem futebolistas frustrados, os árbitros têm essa necessidade egocêntrica de remediarem este complexo se fazendo o centro das atenções do espetáculo, mesmo que pela via mórbida do fracasso. Não são trapezistas em queda, pois estragam o espetáculo para uma plateia ávida por sangue, mas avessa aos disparates.

Achei que a confabulação entre árbitro, bandeirinha e o rádio seria o marco inicial de uma nova era no futebol mundial, inaugurando o uso das novas tecnologias para o bem do esporte, com a firmeza de caráter de um indivíduo prevalecendo no final. Me esqueci que isso só serve para expulsar jogador e marcar pênalti, quando os interesses econômicos da Fifa assim determinam.

Como os ‘erros’ da turma do apito estão presentes rodada sim, rodada não (desculpem a cacofonia), é provável que deixem em paz os jogos de hoje.

***


Ainda não novamente


(Foto: Doug Pensinger/Getty Images)

Abreu não teve mais uma vez a oportunidade de tentar entrar definitivamente para a história dos jogadores da Celeste. Se eu já não precisava de nenhum empurrãozinho para torcer para Gana, Tabarez me dá o motivo que não me faltava.

Desculpe-me, Sebastián. Cuando no hay El Loco, no me encanta el Uruguay.

***

Gana


(Gyan Asamoah)

Duas falhas e dois acertos colocam Gana nas quartas-de-final. Criaram oportunidades, mas a bola só chegou às redes por conta de lances fortuitos, o que é muito pouco para passarem pela sólida defesa uruguaia.

Por falar em defesa, que para nós botafoguenses desde a saída de Gonçalves não sabemos o que esta palavra significa, a seleção uruguaia é um exemplo claro para a tese que formulo por aqui há muito tempo.

Acredito que o grande problema do sistema defensivo do Botafogo não está em seus zagueiros, que não incluo aqui o Fahel, porque estou falando de jogadores de futebol. O problema da defesa botafoguense está na sua proteção, que é inexistente.

Vocês acham que o Uruguai teria êxito se trocasse Perez ou Arévalo por Leandro Guerreiro? Pensem nisso na próxima vez que assistirem a uma partida da Celeste. Eles têm velocidade, explosão e vigor físico: o essencial para um volante. Sair jogando? Ah, depois de ‘matar’ a jogada, toca para quem sabe o que fazer...

Brasil-zil-zil!!!



Vamos enfrentar os velozes atacantes míopes do Chile, que não são tão míopes assim, pois estão nas oitavas. Uma boa notícia é saber que três de seus zagueiros fizeram de tudo para não encarar o Brasil e conseguiram.

***

A Holanda que se cuide, pois se o filho do técnico não jogar, a Eslováquia pode aprontar.

Saudações botafoguenses!

sábado, 26 de junho de 2010

Classificados

“O melhor feito do Dunga, enquanto técnico da seleção, foi atrapalhar a planilha da Rede Globo.” (autocitação egocêntrica de Biriba)


O primeiro teste de verdade foi de mentira, porque a seleção portuguesa seria um adversário de peso para medir forças antes do mata-mata, mas nosso Deus na Terra estava suspenso e Robinho foi ‘poupado’.

Para os que acham que a dupla de caudilhos Dunga/Jorginho é gente boa, fica aí a minha sugestão para que olhem a escalação não como uma forma de fazer testes ou dar uma chance a Nilmar, mas, sim, um jeito de queimar o jogador, já que a armação no meio campo estava entregue a um atacante que é volante e a um lateral direito que não passa a bola para ninguém.

Estamos fritos quando Deus resolve não enviar o próprio filho para nos salvar, mesmo que carregando uma cruz incrustada no púbis.

Como teste o jogo serviu para sabermos que não temos banco e o time principal, que já não é grandes coisas, será nossa única esperança de passarmos às quartas-de-final, mesmo jogando contra um Chile desfalcado de seus zagueiros titulares.

Portugal nem precisou jogar como se fosse uma final de campeonato para fazer frente ao futebol ridículo apresentado pelo Brasil.

***

Júlio César desmascarado



A fama de bom goleiro de Júlio César está com os dias marcados depois que o jogador foi desmascarado usando fios de aço para ajudá-lo a fazer defesas espetaculares.

Já faz tempo que muitos desconfiavam dos voos milagrosos do goleiro e hoje, por força de uma contusão, um roupeiro desavisado retirou a camisa do jogador, revelando ao mundo a cinta que prende Júlio César ao fio de aço que o sustenta durante as acrobacias.

A técnica, desenvolvida na meca do cinema de artes marciais, Hong Kong, chegou a Júlio César através de Jet Li, o rei do Wire Fu.



***

A Solucionática



Para provar aos que pensam que só faço críticas e não aponto soluções, farei uma lista detalhada de sugestões para dar um jeito em nossa seleção. O que deveriam fazer:

Júlio César: esconder melhor o truque do fio de aço;
Michael: procurar um time que preste e tocar a vida;
Lúcio: defender, sair jogando, municiar o ataque e finalizar. Alguns hão de perguntar: “Mas ele já não faz isso?” Faz, mas é só pra manter a ideia fresca na mente do zagueiro-volante-meia-armador-atacante.
Juan: pedir conselhos ao Bernardinho;
Michel Bastos: estudar pra fazer concurso;
Felipe Melo: trocar os campos pelos ringues;
Gilberto Silva: levar o lixo pra fora e aproveitar pra ver se chegou correspondência;
Daniel Alves: voltar para a lateral direita;
Júlio Baptista: perguntar ao Dunga por que não convocou outro meia-atacante pro caso do Kaká se machucar;
Luís Fabiano: não se deprimir com saudades do Romaric;
Nilmar: não se esquecer que a Copa não dura muito tempo;
Josué: sair de fininho da concentração, balbuciando qualquer asneira em alemão, pra disfarçar;
Ramires: dizer que vai pegar a parte do seu futebol que ficou retida na alfândega e voltar pra Portugal;
Elano: pedir um ofício da CBF pra exigir que os marfineses lhe devolvam o pedaço do pé que levaram no domingo passado;
Robinho: Voltar para o Santos pra ficar entre jogadores de alto nível;
Kaká: pedir ao seu Pai que lhe dê permissão pra operar milagres;
Dunga e Jorginho: sentar e chorar.

( Foto: Jamie McDonald: Getty Images)

***

- Você acha que o Maicosuel tinha lugar no time do Brasil?
- Pra jogar com esses perebas?
- Podia acabar desaprendendo, né?
- Esse time é a prova de que tem meio campo pior que o nosso!
- Será?...

Saudações botafoguenses!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Visões de mundo


O comentarista Caio disse que a diferença entre o futebol japonês e o africano é o investimento em ‘qualidade’ que faz o Japão, enquanto os ‘africanos’ investem em força física.

Não sei exatamente a que tipo de qualidade Caio se referia – porque não ficou claro –, uma vez que força física também é, no meu entender, uma qualidade positiva.

Se associou o conceito de ‘qualidade’ à eficiência do comportamento competitivo dos japoneses, que os levou à classificação, Caio está correto.

Se se referia a organização tática, juntou no mesmo bolo Camarões e Gana, o que é uma injustiça com os ganeses, cuja disciplina tática é excelente.

Agora, se falava sobre ‘qualidade técnica’, Caio não foi injusto e nem está correto. Está, na verdade, completamente enganado. Os japoneses, apesar da boa disciplina, obstinação e capacidade de aprendizado, serão por muitos e muitos anos inferiores tecnicamente à maioria dos jogadores da costa oeste da África, desde Costa do Marfim até Gana.

***

Conversando com meu irmão sobre o ‘fracasso’ africano – lamentando –, falando sobre o quanto fiquei chateado com a falta de objetividade e de sentido coletivo, de como me irritava o exibicionismo e as firulas, fatores que a meu ver foram as principais causas da classificação de apenas uma das seleções do continente, ele me falou que ‘os caras são assim mesmo’. Disse que para a maioria dos jogadores africanos o que importava era o espetáculo e não a vitória. “Você acha que eles estão preocupados em vencer ou perder? Eles estão de olho é nas arquibancadas cheias, jogando para eles mesmos e para a plateia.”

Pois o meu irmão me deu a dica para entender a perspectiva antropológica da visão do Caio e o equívoco na minha espectativa.

Para o comentarista, o conceito de ‘qualidade’ é aquele que corresponde aos padrões culturais dele, da cultura que assimilou ou foi forjado a aceitar. Significa, deduzo, acreditar que a vitória seja o mais importante, se alinhando ao pensamento hegemônico, apesar de ser uma distorção do que pregava Coubertin, que considerava o esforço para superar o adversário mais importante que a vitória.

Não estou no mesmo barco do Caio, mas sigo no mesmo sentido, pois sou totalmente ‘Coubertin’. As direções são as mesmas, porém, a navegação não é, uma vez que a vitória, para o meu gosto esportivo, que não deixa de ser artístico, é menos importante que o bom espetáculo.

É óbvio que a maioria das seleções africanas que disputaram – Gana ainda está viva – a Copa de 2010 não pensam como o Caio e nem como Coubertin. Pior para mim, que gostaria de continuar por mais algum tempo vendo jogadores como o Kanu, que, apesar da idade, trata a bola como parceira e extrai do futebol algo que se parece com o que acreditamos poder chamar de ‘arte’. Kanu e muitos de seus vizinhos do continente.

O problema causado pelo Homem ao aplicar o darwinismo à humanidade é esse, pois agora, depois que muitos dos bons de bola se foram, me resta ficar ‘apreciando’ os eficientes.

Não é à toa que eu prefiro a música.

***


Mais um império caiu

Foi só sair o filho do técnico, que a Eslováquia desencantou. Vladmir Weiss é bom de bola? Acho que sim. Mas recuar o Hamsik para enfiar um pouco de nepotismo numa seleção nacional é um disparate.

A Itália se foi e ficou a pergunta: Por que o tal de Quagliarella não era titular?

***

Camisa 10


(Wesley Sneijder)

Falei muito do Mitsuo, o ‘oito’ do Japão, mas a camisa 10 vai para Sneijder depois da rodada de ontem. O passe que deu para Robben, no lance que originou o segundo gol holandês, tem a marca de um legítimo dez.

No começo da partida Mitsuo quase marca o seu e deu um lindo passe para o sobrevalorizado, Haseve. Depois disso foi eficiente, se portando como uma espécie de Zinho.

***


Kaká é filho de Deus: retirado da sessão ‘Grandes Novidades’

Em entrevista coletiva, Kaká disse que Juca Kfouri o criticara porque o jornalista era ateu e ele era Jesus (foi ele que literalmente disse isso). Tudo bem, pode-se aceitar que ele tenha se expressado mal. Mas pode-se também acreditar que cometeu um ato falho. Seja como for, se Kaká é Jesus ou Genésio isso eu não sei, mas sei que hoje, mesmo que Deus não compareça pessoalmente, o time entra em campo com menos um jogador bichado.

Pena que quem o substitui é um filho de Deus como qualquer um de nós.

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Direto da África


Grupo C:

EUA se salvam no último minuto e Inglaterra consegue não se igualar à França.

A Eslovênia foi até onde pôde, A Argélia é bonita de se ver, mas estão fora da competição.

Grupo D:

Austrália joga futebol com espírito olímpico e garante vaga para a única equipe africana viva na competição, despachando os gigantes eslavos.

Alemanha vence mas não convence e Gana é convencida.

***

Futebol vistoso

(Anthony Annan)

O pequeno Anthony Annan, de Gana, joga um futebol objetivo, técnico, inteligente e, para o deleite dos apreciadores do violento esporte em que a arte anda cada vez mais distante, vistoso.

Não é afetado e exibicionista como vários de seus conterrâneos e como muitos de seus vizinhos de continente. O virtuosismo de seu futebol dispensa trejeitos e se revela sem esforço, mas Annan não abre mão do espírito de luta e sentido coletivo. É um futebol simples ou, talvez, pareça simples nos pés e cabeça do pequeno ganês, jogador que merece lugar em qualquer time do planeta.

As saídas de bola nos pés de Anthony Annan dariam uma belo capítulo para vídeo-aulas. Inúteis, se frequentadas por Fahel, Sandro Silva e Leandro Guerreiro.

***

E e F

Hoje dois países disputarão a última vaga destinada ao Grupo E. O Japão tem a vantagem de jogar pelo empate e o vencedor pode se classificar em primeiro lugar do grupo, caso Camarões vença a Holanda.

Neste jogo estará em campo o melhor camisa 10 que vi jogar até o momento, mas que na verdade é um camisa 8 disfarçado: Mitsuo. Tudo bem que a Espanha tem o Xavi, mas como estou interessado em ‘novos talentos’, tentarei observar o japonês em ação para ver se serve ao Botafogo. (Sou um ‘olheiro’ na Copa).

*

A Itália chega à última rodada sem poder se arriscar nem mesmo a ceder um empate. Enfrenta a Eslováquia, que até o momento mostrou ser uma das mais fracas equipes da competição, mas que tem chances nada remotas de se classificar. A Itália pode se tornar a segunda ‘potência’ a cair.

O Paraguai só não se classifica se os cartolas do futebol reunirem subalternos coloniais do escalão arbitral e incitá-los a formar uma Tríplice Apitança, afim de acabar com o ímpeto paraguaio.

Saudações botafoguenses!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Não foi desta vez, Abreu...

(Foto: Streeter Lecka/Getty Images)

Já que decididamente o Oscar Tabarez não colocará El Loco Abreu em campo para tentar chegar à marca histórica, acompanhar a Copa do Mundo com relativa assiduidade está me cansando e se tornando um esforço maior do que estou disposto a suportar. (Fora isso, o fato é que o elenco botafoguense já voltou aos treinamentos e minhas ‘férias’ acabaram junto com as deles...).

Mas não posso deixar de elogiar o trabalho do técnico uruguaio, que tem montado seu time de forma inteligente, demonstrando que sabe como disputar a competição dentro do formato que ela se apresenta. O Uruguai está indo muito bem.

Ouvindo as declarações de alguns de seus jogadores, percebo o quanto a chegada de Sebastián Abreu foi fundamental para que o espírito de conjunto, a disposição psicológica determinada e o espírito vitorioso fossem forjados no time botafoguense campeão estadual.

Com El Loco nas últimas rodadas certamente estaríamos em melhor posição.

***

A escrita que a Fifa escreve

Acho meio chata essa fixação por quebra de tabus – como andam taxando por aí,o que na verdade chama-se ‘escrita’ – que inclui o fato de a África do Sul ter sido o primeiro país-sede a não passar para as oitavas-de-final. Porque, além de me parecer um esvaziamento de conteúdo e também uma espécie de falta de assunto, é o tipo da coisa que não tem fim – e no sentido lato.

É como nessas redes sociais quando o sujeito acaba sendo relacionado a algum picareta do outro lado do planeta através de uma ramificação que aponta para uma ligação de trigésimo sétimo grau. Mas deixem isso pra lá...


Voltando ao caso da África do Sul, ela não entrou por um triz. Literalmente bateu na trave. Mas também teve sua carteira ‘batida’ por um árbitro, o que não é tabu por ser uma escrita corriqueira, e que prova que o joguinho da Fifa é justo e honesto só ‘para inglês ver’.

E por falar em Fifa, arbitragem, justiça e Inglaterra, seria bom que hoje os eslovenos e os norte-americanos entendessem a expressão popular, que os alertaria dizendo que ‘suas batatas estão esquentando’. Logo as batatas...

***

Parreira representava a casa e a casa estava cheia



Não me perguntem o porquê, mas não vou com a cara do Parreira. Não vem ao caso agora se ele é bom ou mau treinador, se cuida bem da família e é cidadão cumpridor dos seus deveres: não é nada disso. Quando digo que ‘não vou com a cara’ de alguém isso quer dizer que ‘o santo não bate’, entenderam? E só.

Mas o mais importante, e o que eu queria mesmo dizer, é que a minha ‘implicância’ com o Parreira ficou abalada depois da ‘enquadrada’ que ele deu no Domenech. Para quem não viu: após a partida de ontem Parreira foi cumprimentar o técnico francês, que deu-lhe as costas, achando que a grosseira encerraria ali, com um tapinha de luvas.

Mas o Parreira não aceitou que ficasse por isso mesmo e segurou o sujeito, primeiro beliscando a manga do paletó e depois travando o braço decididamente. Foi como se dissesse: ‘Não é assim que a banda toca, cavalheiro. Diga qual é o seu problema me olhando de frente. (Eu sou chapa da ditadura e tenho amigo general)’. E encarar o Parreira foi justamente o que o Domenech evitou.

(Clique na imagem para ampliá-la)

(In)felizmente o paletó do convidado ficou amarrotado pelas mãos do anfitrião...

***

Por falar em França, esse negócio de ‘queda da Bastilha’ só poderia dar em cabeças cortadas. Não duvido nada que na próxima Eurocopa eles venham com sede de vitória.

***

O purgatório


(Foto de cena: O Sétimo Selo, Ingmar Bergman)
Este ano promete ser o ano do ‘não levo desaforo pra casa’, uma fase de expurgo geral.

Pancadaria dentro do elenco francês – com direito a levante –, do nigeriano (o que não é novidade), do camaronês e, agora, as relações entre CBF, treinador e Rede Globo.

Mas esse episódio Dunga x Rede Globo fica para outro dia, porque somente ontem soube do acontecido na coletiva de domingo. (Estão vendo como não sou um cara super informado?).

***

A chatice das partidas vem sendo em parte compensada por esses constrangedores (para eles) episódios extracampo.

Saudações botafoguenses!