“Não pagaria ingresso para ver a Seleção jogar. Onde está o Brasil? Quando via jogar e pensava em Gerson, Tostão, Falcão, Zico, Sócrates... E em troca só vejo Gilberto (Silva), (Felipe) Melo, (Michel) Bastos, (Júlio)Baptista. Onde está a magia?” Foi o que declarou Cruyff ao jornal inglês, Daily Mirror.
Apesar de suspeitar que a intenção do ex-craque holandês era desestabilizar psicologicamente os jogadores brasileiros ou, talvez, incentivá-los a partir para o jogo franco, não há como discordar da opinião de Cruyff.
E Cruyff tem o direito de não gostar do tal ‘futebol de resultados’ – um futebol burocrático, defensivo e apoiado na força física –, pois fez parte do extenso ‘grande elenco’ que, através de um alto nível técnico e intelectual, criou as bases para que pudesse ser forjada a expressão que ele mesmo usou parcialmente, a ‘magia do futebol’.
Mas o capitão do ‘Carrossel Holandês’ se esqueceu de uma coisa e deve ter feito questão de se esquecer de outras duas: 1) Se hoje o Brasil da ‘Segunda Geração Dunga’ não conta com jogadores do nível de Gérson, Tostão, Falcão, Zico e Sócrates (essa escalação é do Cruyff), a Holanda também não nos ‘encanta’ sem o próprio Cruyff, Neeskens, Rensenbrink, Van Basten e Bergkamp; 2) Quando diz que ‘via’, se lembra de esquecer que viu jogadores como Nílton Santos, Garrincha, Didi e Pelé, infinitamente superiores aos de sua geração e às subsequentes de seu país; 3) Por fim, também não deixou de omitir que, à semelhança de Felipe Melo, o ‘Carrossel Holandês’ baixava o sarrafo, e tinha o zagueiro Suurbier como principal artífice da ‘violência genial’ daquele time.
*
Dunga e seu ‘dunguismo’
Eis que é chegada a hora: o primeiro grande teste para a Seleção Dodunga.

***
Coração dividido
O único representante africano joga contra o berço do futebol sul-americano. Tem tudo para ser uma partida truncada, mas extremamente emocionante.
De um lado a quase antítese dos motivos pelos quais o futebol africano nunca ter ido além das quartas-de-final em Copas do Mundo e do outro a inteligência e a sobriedade de um grupo extremamente focado.
Gana desmente os que pensavam que a organização tática não chegaria aos selecionados africanos, mas o excesso de individualismo e algumas firulas ainda estão lá. Um sujeito fez um passe de letra no meio de campo sem a menor necessidade! Não sei se dou uma gargalhada ou um tapa na mesa. Esses caras também me confundem...
Se Tabárez não colocar Abreu até os 30 do segundo tempo podem ter certeza que o Cone Sul terá menos um torcedor, porque não estou aqui para ficar dando força para técnico turrão, que deve ter tido como ídolo, Scarone, o atual detentor da marca de maior goleador com a Celeste.
Seja como for, esta será a partida em que estarei com o coração dividido... Até determinado momento.
***
Até agora a coisa está mais ou menos assim:

Saudações botafoguenses!












































