Caio se apaixona pelo mundo dos rings:
"Se eu soubesse que era tão bom, teria ficado com ela (a bola) só pra mim..."
("Vou me agarrar a essa chance. Se entrar desde o começo, ninguém me tira desse time!")Caio é um driblador, um jogador cujos atributos individuais, sua habilidade e velocidade, são o que o diferenciam e fazem dele o que é: um sujeito que cria jogadas de grande perigo, um jogador que ‘fura’ defesas. Prender a bola faz parte do repertório de jogadores com estas características.
E o Caio nunca enganou ninguém. Além de ser um driblador ele sempre foi um individualista convicto, tendo sua natureza contida enquanto lutava por uma vaga no time titular.
A saída de El Loco serviu para que seu individualismo nato aflorasse ainda mais e o jogador, que já desperdiçava oportunidades de servir ao conjunto desde sua estreia como profissional, começou a desperdiçá-las mais e mais, até o momento em que o obsessivamente devotado Herrera não suportou mais e explodiu.
Herrera já havia indicado que era um jogador que trabalha coletivamente e não admitia postura diferente desta ao se enfurecer por não ter recebido um passe de Renato, num jogo em que perdíamos por 6 x 0.
Se ao prender demais a bola, perder oportunidades de contra-ataques e tentar marcar ‘o seu’ em uma partida com o resultado aparentemente definido Caio parecia ‘estar exagerando’ aos olhos de Herrera e parte da torcida, que estes não exagerassem na intensidade da reprimenda.
Mas como pedir a Herrera que não exagere? Porque, para o bem ou para o mal, Herrera exagera e será sempre um exagerado!
Apesar da reação de Herrera ser desmedida e a troca de empurrões, inaceitável, a bronca veio em boa hora.
Primeiro, porque o jogo estava ganho e mais adiante na competição o excesso de individualismo de Caio poderia acabar nos prejudicando em um momento decisivo.
Segundo, porque estamos no começo da competição e o episódio serve para sabermos se o elenco está unido o suficiente para ser capaz de superar atritos internos como o de ontem, enquanto ainda há tempo para se reestruturar ou reconstruir o fator psicológico se necessário.
E, terceiro, para observarmos a forma como a diretoria lida com problemas disciplinares e de relacionamento.
A diretoria acertou ao reagir com presteza, mas acho que erraram na dose ou no ‘remédio’. Considero a aplicação de multa uma falácia, uma vez que suponho ser ilegal, ou seja, parte de uma encenação. Sinceramente, não sei quais deveriam ser as punições, uma vez que, no meu entender, a extensão do prejuízo nos imputado pela arbitragem é muito maior do que o deslize dos jogadores.
Acredito que dê para saber como o episódio afetou o ambiente do grupo já neste próximo jogo. Meu palpite é que o elenco está bem unido e a ‘briguinha’ entre os dois acaba por reforçar o pacto entre os jogadores, e travar um pouco o possível ‘estrelismo’ da ainda promessa, Caio.
A relação entre os dois deve ficar estremecida, mesmo que Caio tenha declarado o contrário, e acho que só melhora de verdade com a volta de Sebastián Abreu.
* * *
Espero que não convençam o Caio a passar todas as bolas de primeira, mas também espero que ele entenda que estamos em terceiro lugar porque o Avaí tem melhor saldo de gols.
Ao Herrera pediria que pense duas vezes antes de ‘explodir’, colocando o Botafogo em risco como fez na final do Carioca e agora, ao nos desfalcar contra o Cruzeiro.
* * *
Discordo da decisão por expulsar os jogadores. No meu entender, Caio e Herrera não se agrediram e também não percebi atitude antiesportiva grave.
Considero a arbitragem no Brasil excessivamente impressionável com relação a desavenças ‘com bola parada’. Um exemplo disso foram as duas primeiras expulsões no segundo jogo das finais do Campeonato Paulista, perfeitamente inaceitáveis. No futebol europeu empurrões se dão aos montes e discussões idem, mas não vejo os árbitros expulsando jogadores por isso. Um cartão amarelo para o Herrera ficaria de bom tamanho.
* * *
Sobre a partida, o que me causou grande surpresa positivamente foi o rendimento físico da equipe e o rendimento técnico de Lúcio Flávio. A equipe continua mantendo a pegada característica, mas Jefferson sempre é forçado a ser uma peça fundamental, pois é posto constantemente à prova por um sistema de proteção à zaga perfeitamente débil. Mas a vitória não pode ser contestada. Afinal, o goleiro que fecha o gol é o nosso.
* * *
Não concordo com as vaias da torcida ao Caio em um jogo que ganhávamos por 3 x 0 e ele, mal ou bem - muito mais pro lado do 'bem' do que o contrário -, participou ativamente do jogo e de
todas as jogadas que levaram aos nossos gols. Vejo o episódio das vaias como uma manifestação surgida no calor da hora, portanto precipitada, pois, se pensada, demonstraria falta de compreensão e de visão de jogo.
* * *
Acho que a possível
vinda do Jobson está diretamente ligada a uma provável
ida do Caio, na janela do meio do ano.
* * *
Debuts: Somália faz seu primeiro gol pelo Botafogo; Lúcio Flávio joga bem depois de sua volta; Caio foi vaiado pela torcida.
Saudações botafoguenses!