
Chegou o dia que eu gostaria que não chegasse nunca, o dia em que me sentisse aliviado por saber que tão cedo não veria o Botafogo em campo.
Será um pouco mais de um mês de descanso futebolístico, com a confortante ausência da triste imagem de um meio campo de quinta categoria. Se em 2007 o meio era um setor que dava gosto de ver jogar, o de 2010 está no mesmo nível que o do ano passado, depois da saída de Maicosuel.
Como bem disse um camarada botafoguense, Lúcio Flávio e Leandro Guerreiro ‘já deram o que tinham para dar’. E arrematou com o que também concordo, dizendo que Renato é bom jogador, mas está fora de forma, não aguentando uma partida inteira. (Como um jogador profissional não entra em forma depois de cinco meses de treinamentos é coisa que não entra na minha cabeça).
Se em cima disso ainda temos a colaboração desastrosa de um Sandro Silva, imaginem o resultado... Só deu Elias.
Não gosto de falar de adversários, mas o jogo de ontem foi exemplar por haver em campo um termo de comparação ressaltando por contraste as deficiências dos nossos jogadores de meio. Enquanto nossa posse de bola era frágil e os passes claudicantes, a bola nos pés de Elias era certeza de que as coisas dariam certo. O sujeito acerta tudo. É ágil, conserta o que chega apresentando defeito, vira em cima dos marcadores, distribui as jogadas com inteligência, prende a bola quando é preciso e a faz circular com tranquilidade. Trocaria somente ‘um’ Elias por Lúcio Flávio, Leandro Guerreiro, Alessandro, Fahel e Sandro Silva de uma só vez, economizando balaios.
O Corínthians tem uma equipe mediana, com destaques para Bruno César e Iarley. É a presença de Elias que garante a ilusão de boa equipe, camuflando a condição precária do todo com seu toque de bola e excelente visão de jogo.
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O pior que a partida de ontem me reservou foi a constatação de que o caldo desandou. Não sei se a causa foi a briguinha entre Caio e Herrera ou se o incidente foi apenas o estopim para que algum problema latente se aproveitasse da ocasião para eclodir. O certo é que temos uma ‘panela’ dentro do que antes parecia ser um grupo coeso.
Isso ficou nítido com a insistência do time em ignorar ostensivamente Marcelo Cordeiro durante toda a partida, como disse o Gil em seu comentário. Não sei se as declarações de meio de semana do MC – que revelou ter ficado muito contrariado por ter sido barrado, a ponto de pensar em rescindir seu contrato – foram mal digeridas pelo ‘grupo’, ou se a maldita panela trabalhou sistematicamente para ‘queimar’ o lateral em benefício próprio, o que é a finalidade de ‘panelas’. Por ser ‘presidida’ pelo inócuo Alessandro, que ficaria fora do time caso o MC fosse reincorporado e Somália voltasse a ocupar a direita, ‘assaram o Cordeiro’ em fogo lento.
Para agravar a situação, é sabido que o mais importante em uma panela é o conteúdo. E o que temos ‘boiando’ na panela botafoguense são jogadores medianos, gororoba de paladar desagradável.
A superioridade técnica de Cordeiro sobre Alessandro se revelou indiscutível através da puxada de contra-ataque e o passe perfeito para o ‘ingrediente principal’ da panela de sopa de sobras e rejeitos, Lúcio Flávio.
Se a mais importante fonte da força do time que venceu o Carioca era justamente a união, agora nos resta muito pouco ou quase nada.
(Não sei a que tipo de união se referia Herrera, em uma declaração que ouvi na RadioL! – Lancenet – já que foi um dos que fez questão de deixar Marcelo Cordeiro no ostracismo. Se acha que com os outros da ‘panela’ vai chegar à Libertadores, como comentou na mesma oportunidade, está redondamente enganado).
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A ausência de El Loco foi sentida em todas as partidas que perdemos ou empatamos. O time fica meio desorientado sem o Loco. Faz falta pelo seu futebol e pela liderança dentro e fora do campo. A bola desviada para o gol aos 48 teria outro destino depois da provável interceptação providencial de Abreu. Que falta nos faz o El Loco...
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Joel Santana elevou a moral de um grupo em frangalhos, organizou o que era o retrato fiel do caos, foi inteligente em inúmeras situações, mas seus últimos erros têm sido fatais.
Promover a estreia de jogadores pouco ou nada experientes em um jogo apertadíssimo não tem explicação plausível. Mesmo que argumentasse ininterruptamente por duas semanas, nenhum homo sapiens com mais de oito anos de idade e em condições normais de sobriedade cairia em sua lábia.
A falta de comando se fez notar já no incidente entre Herrera e Caio, e agora ficou mais nítida com o isolamento arquitetado e impingido à Marcelo Cordeiro.
Tudo o que Joel construiu no Carioca está se desmanchando no Brasileiro.
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Faço questão de rasurar algo que escrevi anteriormente com relação a Sandro Silva:
‘
Depois dessa, acho que errar passou a ser desumano.
Saudações botafoguenses!












