segunda-feira, 31 de maio de 2010

Já vi melhores peladas


Mesmo sem ter assistido aos outros jogos deste fim de semana, não seria uma aposta ruim dizer que a partida de ontem foi a pior da rodada.

Já faz algum tempo que o Botafogo não jogava de forma tão desorganizada e displicente e, pior, sem o espírito de luta e sentido coletivo que era a marca do time desde a chegada de Joel Santana. Se fosse a primeira rodada do campeonato não seria exagero dizer que o time está fadado a lutar até a última rodada contra o rebaixamento.

Se no jogo contra o Goiás houve um ‘apagão’ dos refletores, ontem o apagão foi do time.

O único jogador que mantém regularidade no nível de seu desempenho é o Somália. Mas como não é um ‘jogador decisivo’, daqueles que sozinhos ‘resolvem o problema, fica dependente do desempenho coletivo da equipe, equipe esta que continua sem um ‘matador’, um jogador que ponha a bola para dentro do gol. Ou seja, de nada nos adianta a regularidade do Somália quando a organização tática e o empenho coletivo são um desastre.

Ao contrário das características de equipes treinadas por Joel Santana, que têm como virtude ‘fazer a bola entrar’, o Botafogo das últimas duas partidas não tem feito nada que se pareça com isso.

Acredito que o incidente entre Caio e Herrera e seus desdobramentos públicos e internos tiveram grande influência para que o ‘ex-garoto’ tivesse uma atuação apagada. Caio parece abatido e não era de se esperar coisa diferente. Foi execrado por todos e ontem saiu vaiado por boa parte da torcida, sendo que as palmas prevaleceram no final. Respeito a disposição de quem achou por bem vaiá-lo, mas eu o aplaudi até que as vais cessassem.

Com relação ao Herrera, o jogo de ontem me fez acreditar fortemente que é um sujeito no mínimo contraditório. Ora, não é de se esperar que um homem que se dispõe a criticar veementemente um companheiro de equipe por excesso de individualismo se comporte da mesma forma como aquele a quem censura. No segundo tempo tentou um chute cruzado e depois se desculpou com Caio por não ter servido o parceiro de ataque (o que seria a decisão correta a meu ver), que fechava pela direita. Em seguida, a partir de um excelente passe de Edno, preferiu tentar o arremate de qualquer maneira ao invés de escorar a bola para Caio, que estava de frente para o gol, abrindo mão de dar sequência ao que poderia se transformar na melhor jogada de ataque da rodada.

(Apesar dos deslizes ainda sou grande admirador do Herrera, que tem muitos créditos aqui na casinha).

Este último lance também serve para ilustrar a minha insistência na tese de que nos falta um ‘homem-gol’, um ‘matador’, um homem de área para colocar a bola no fundo da rede.

A queda de produção de Herrera me leva a acreditar que os contratos de longa duração não geram bons efeitos no Botafogo, fato que deveria ser estudado pela diretoria, porque é uma questão de administração da relação que o clube tem com seus contratados.

Voltando ao jogo – brevemente, porque não vou torturar a todos com a lembrança do espetáculo de horror que foi visto na tarde de ontem –, resumo as coisas da seguinte forma: não perdemos porque o Vasco possui um elenco mediano e Celso Roth nos fez o favor de substituir seu melhor jogador em campo – Jefferson – quando mais nos incomodava.

Saudações botafoguenses!

sábado, 29 de maio de 2010

Guerreiro de araque


“Com certeza pensamos naquele jogo (contra o Vasco na Taça Guanabara). Temos que levar como motivação. Vamos entrar mais ligados para conseguir os três pontos. Aquele resultado ainda dói, ainda mais porque foi dentro do Engenhão.” Palavras de Leandro Guerreiro.

Os jogadores que ainda ficam remoendo a goleada sofrida frente ao Vasco deveriam nem entrar em campo amanhã. Melhor, não deveriam nem chegar perto do Engenhão, porque quem rumina a desgraça ocupa a mente com o que não interessa ao presente e contamina o ambiente com o peso morto do ressentimento.

Esse é o caso de Leandro Guerreiro, que bem poderia ter ido para o São Paulo quando tivemos a chance de nos livrar da maior enganação de todos os elencos, desde sua chegada ao clube.

Leandro não tem discernimento. Confunde raça com correria, careta com esforço e palavrório com brio. Leandro Guerreiro, livre de marcação, confunde chutão para o alto com seriedade.

‘Entrar ligado’ é exatamente o que Leandro Guerreiro NÃO vai fazer. Essa não é a dele.

Eu ‘estava ligado’ no jogo em que perdemos para o Vasco quando Leandro Guerreiro deixou Philipe Coutinho escapar para fazer um dos gols vascaínos. Na quarta-feira passada eu também ‘estava ligado’ quando ele repetiu a ‘não-ação’ no jogo contra o Cruzeiro, não acompanhando Thiago Ribeiro, nem que fosse para tentar atrapalhar a conclusão do adversário, o que seria de se esperar de um jogador qualquer que preste, principalmente um que é retratado como ‘guerreiro’.

Existe no Youtube uma compilação de várias falhas de Guerreiro, falhas que nos causaram grandes males, como a ‘cercadinha’ no Renato Augusto em 2007. Leandro é um especialista nisso: está ‘marcando’ um jogador (geralmente de longe), o sujeito vai e Leandro Guerreiro fica.

Espero que amanhã os adversários ‘não vão’, porque, se forem, Leandro Guerreiro certamente ‘ficará’.

O único benefício que Leandro Guerreiro traz ao torcedor botafoguense é a liberdade que dá aos adversários para o arremate de fora da área, garantindo ao espetáculo as defesas fantásticas de Jefferson.

Leandro Guerreiro como ‘Símbolo de Raça’ é a piada mais sem graça que o mundo já conheceu, desde a invenção da piada.

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Três pontos fora do balaio


A opção por começar a partida em um 3-6-1 poderia ter dado certo se a arbitragem deixasse e se o Renato não fosse um cobrador de pênaltis à la Victor Simões. Começaríamos o segundo tempo jogando contra um adversário tentando obter a vitória e usando os contra-ataques que nos têm garantido bons resultados.

Mas o time não se abateu na adversidade e teve garra, determinação e organização suficientes para pressionar o adversário até o final.

Um fato que me chamou a atenção foi a declaração de Renato dizendo que teve bom rendimento nos treinamentos de cobranças de pênaltis. Como o jogador não disse que sua cobrança no jogo de ontem foi péssima, imagino que tenha sido algo semelhante ao que treina. Acreditando no que diz o jogador, concluo que Renato treina contra um boneco.

Lúcio Flávio parece ter feito escola no Botafogo, pois Renato cobrou como se fosse um legítimo Lúcio Flávio, nosso eterno capitão e perdedor de pênaltis aposentado.

Espero que Lúcio Flávio jamais volte a cobrar pênaltis pelo Botafogo, mas não esperava que abrisse mão de bater uma falta no local exato em que marcou um belo gol na partida anterior. Um time que vem jogando com jeito de vencedor não pode se dar ao luxo de ficar cultivando o azar, deixando o comando em campo aos cuidados de um jogador omisso em todos os sentidos e momentos.

Se Sandro Silva falhou, se Fahel não sabia o que fazer – pois não tinha a quem marcar individualmente –, foi Leandro Guerreiro quem desistiu de acompanhar o jogador que estava marcando, deixando-o livre para fazer o gol como bem entendesse. Sempre ele, o eternamente combativo, porém, lento, fraco, displicente, limitado e funcionário vitalício do Botafogo de Futebol e Regatas. Que me perdoem seus admiradores, mas, na minha opinião, Leandro Guerreiro é e sempre será prenúncio de más notícias.

Edno desperdiçou mais uma chance de provar que eu estava certo em apostar no seu futebol; perdi todas as fichas. Alex não se intimidou com a responsabilidade a ele confiada, mas na hora de conferir não conferiu, demonstrando ser mais um ‘carimbador de goleiros’. (Não temos um ‘matador’ no time principal e nem entre os reservas).

Jefferson não teve chances para fazer defesas espetaculares, pois o Cruzeiro esteve pouco inspirado e, não fosse uma falha tripla dos que deveriam cobrir a zaga, sairia de campo zerado.

Antonio Carlos e Fábio Ferreira continuam confiáveis.

Somália continua sendo a grata surpresa do ano e Alessandro tem correspondido dentro de suas limitações.

Marcelo Cordeiro é tão inconstante quanto Lúcio Flávio e Diguinho parece acreditar que o corte de cabelo do Ganso é o que garante o futebol do santista. Esse Diguinho é um sonhador; entrou bocejando e saiu dormindo.

Na ausência dos atacantes titulares, sinto falta de pelo menos seis jogadores realmente confiáveis.

Como os outros times dão mostra de que o nível é mediano e o elenco botafoguense demonstra disposição física e mental de vencedores, com mais uns três reforços de bom nível somados a um meia-atacante de peso, teremos uma equipe lutando pelo título.

Mas será que virão estes reforços?

Saudações botafoguenses!

Bandeira familiar


Se a partida de ontem tivesse transcorrido de maneira normal, meu prognóstico de que o Botafogo venceria no ‘photochart’ poderia estar correto. Mas como o Botafogo foi impedido pela arbitragem de ter dois gols legítimos assinalados a seu favor, o resultado oficial da partida não correspondeu ao meu palpite. Mas o ‘prognóstico’ ou palpite não tem importância, não é uma coisa que deva ser levada a sério, pois trata-se de uma brincadeira.

O que precisa ser levado a sério, e muito, é o fato de que o Botafogo ficou sem os três pontos que muito bem lhe cabiam, pois foi prejudicado sistematicamente pela arbitragem. Digo ‘sistematicamente’ porque foram dois erros idênticos, um em cada etapa da partida. Erros grosseiros, diga-se.

Por duas vezes estivemos no mano a mano com o goleiro e os ‘auxiliares’ (do árbitro principal ou do Cruzeiro?) nos impediram de converter dois gols feitos.

É fácil ter sucesso no futebol utilizando a linha de impedimento, quando os árbitros auxiliares dão uma mãzinha toda vez que a ‘linha burra’ é feita de maneira não inteligente. E também fica parecendo simples uma equipe se manter na parte de cima da tabela, quando tem o auxílio da arbitragem para impedir que um adversário marque, sempre que fique em condições claras de fazer um gol.

Se o Cruzeiro é apontado como um forte concorrente ao título, que dirá o Botafogo, que, mesmo jogando desfalcado de importantes jogadores e enfrentando um adversário com seu time titular completo e em casa, poderia muito bem ter acabado o primeiro tempo da partida em vantagem no placar, não fosse a interferência decisiva da arbitragem e a deficiência técnica do cobrador de pênaltis alvinegro.

Começando o segundo tempo em vantagem, seria o Cruzeiro a sair em busca do resultado e o Botafogo a administrar o placar, explorando os contra-ataques.

Mesmo em desvantagem o Botafogo se portou como um time que não está interessado em uma posição no meio da tabela.

Fico imaginando o tamanho da ‘tragédia’ que assolaria o Cruzeiro no caso de não vencer o Botafogo, pois os árbitros auxiliares atuaram como se estivessem realmente evitando uma hecatombe.

Saudações botafoguenses!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Edno e Alex ou 3-6-1?

(Jovial Colt, dirigido por J. Ventura; Foto: Roberto Micka - brasilturfe.com.br)

Acho que Joel vai de Edno e Alex.

Renato já demonstrou que sabe chegar ao ataque e Lúcio Flávio era bom nisso não faz muito tempo. Seria má ideia jogar com um monte de gente ocupando o meio, apostando e esperando que os laterais estejam em noite inspirada?

Se for realmente utilizar o jovem da base, seria teoricamente melhor lançá-lo aos leões logo de começo ao invés de no decorrer da partida?

Optando por lançá-lo de início ficaríamos sem a opção da ‘mudança aos 30 do segundo tempo’, a não ser que o Júnior esteja no banco e/ou o Marcelo Cordeiro entre com disposição de final de campeonato, o que não é novidade para o MC. Isso muda o sabor da vitória?

Bem, quem decide é o treinador e os que entrarem em campo vestindo A Camisa terão meu apoio e a torcida de sempre.

Acredito em uma vitória no ‘photochart’, apesar de achar que o empate é bom negócio.

Saudações botafoguenses!

O mais jovem ‘boi de piranha’ da história



As declarações de Joel Santana sobre a troca de empurrões entre Caio e Herrera foram no mínimo lamentáveis (veja as imagens originais aqui). Pode-se concluir através da entrevista que nosso treinador fez o papel de porta-voz do clube.

Ele atribuiu a culpa pelo incidente a Caio – e supostamente seu excesso de individualismo – e omitiu a evidente responsabilidade que caberia à diretoria e a todos que administram a gerência de futebol do clube, além de eximir de culpa a si mesmo e Herrera. Não só isentou como também elogiou este último – um sujeito certamente digno de elogios entusiasmados, diga-se! –, mas que foi co-protagonista no episódio.

Joel Santana diz que Caio não é um ‘garoto’, que insistem em tratá-lo desta forma, mas que já é um ‘homem’. Ora, não foi a imprensa ou a torcida que forjou o conceito de Caio como um ‘garoto’, mas, sim, o próprio treinador, que o paparicou e o blindou desde o começo chamando-o de ‘filho’, ‘xodó’ e, inclusive, ‘garoto’.

A acentuação do individualismo de Caio foi notada desde a primeira partida como titular e, como não houve mudança ou comentário oficial a respeito, tudo indicava que nada havia sido feito para reverter esta situação, o que me fazia pensar que os responsáveis pela preparação da equipe não consideravam um problema essa disposição do Caio.

Mas o meu entendimento sobre o desdobramento dos fatos mudou radicalmente desde que nosso treinador veio a público dizer que já havia ‘avisado’ ao Caio (suponho obviamente que trata-se aqui de ‘alertar’ sobre o excesso de individualismo).

Se era um problema já detectado pelos responsáveis pela preparação da equipe e que incomodava o grupo e o ambiente de treinamentos de forma tão acentuada a ponto de levar a uma troca de desaforos e empurrões, porque ninguém hierarquicamente superior aos jogadores interveio para que não chegássemos ao lamentável desfecho?

Será que Herrera é retratado na entrevista como um sujeito ‘firme’ e ‘direto ao assunto’ por ter feito dentro de campo o que os dirigentes não tiveram pulso ou coragem para fazer fora dele, ou porque tem um contrato de quatro anos assinado com o clube? Ou será que foi por ambos os motivos? Ou, talvez, somado a tudo isso teria pesado o fato de a torcida ter ficado ao seu lado e contra o Caio, o que possivelmente teria levado à uma opção oportunista da diretoria por ‘jogar para a torcida’ ao invés de encarar a situação de forma justa?

Além disso, por que só agora Caio passa ‘instantaneamente’ a ser considerado um homem?

Precisavam de um cidadão imputável? Precisavam de um ‘homem’ apto a responder pelos próprios atos para servir de bode expiatório, encobrindo a falta de comando que não evitou o pior? Era isso?

Precisavam ser tão covardes e dissimulados para resolver um problema disciplinar? A que tipo de expedientes recorrerão quando se depararem com questões mais graves que uma troca de empurrões?

Acredito que entre Caio e Herrera as coisas não passarão de um punhado de palavrões e um empurrão de lá e cá. São jovens e creio que tenham bom senso e inteligência suficientes para superar o desgaste. Entre ambos e o grupo também acho que o fato já foi digerido.

Mas entre Caio e o Botafogo, entre o ‘filho’ e o ‘papai’, nunca mais a relação será a mesma.

***

Deixando o ‘romantismo’ de lado, arrisco dizer que a relação entre um clube e um jogador com quatro anos de contrato não é a mesma que existe entre outro que tenha muito menos tempo de vínculo.

Quando achava que Caio deixaria o Botafogo ao final do ano, nem imaginei enxergar a janela de meio de ano tão escancarada quanto enxergo agora.

Saudações botafoguenses!

PS: As declarações de Anderson Barros sobre o caso não foram dignas de comentário porque o Sr. Anderson Barros não é digno de comentários meus.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Combate e mais três pontos

Caio se apaixona pelo mundo dos rings:
"Se eu soubesse que era tão bom, teria ficado com ela (a bola) só pra mim..."


("Vou me agarrar a essa chance. Se entrar desde o começo, ninguém me tira desse time!")

Caio é um driblador, um jogador cujos atributos individuais, sua habilidade e velocidade, são o que o diferenciam e fazem dele o que é: um sujeito que cria jogadas de grande perigo, um jogador que ‘fura’ defesas. Prender a bola faz parte do repertório de jogadores com estas características.

E o Caio nunca enganou ninguém. Além de ser um driblador ele sempre foi um individualista convicto, tendo sua natureza contida enquanto lutava por uma vaga no time titular.

A saída de El Loco serviu para que seu individualismo nato aflorasse ainda mais e o jogador, que já desperdiçava oportunidades de servir ao conjunto desde sua estreia como profissional, começou a desperdiçá-las mais e mais, até o momento em que o obsessivamente devotado Herrera não suportou mais e explodiu.

Herrera já havia indicado que era um jogador que trabalha coletivamente e não admitia postura diferente desta ao se enfurecer por não ter recebido um passe de Renato, num jogo em que perdíamos por 6 x 0.

Se ao prender demais a bola, perder oportunidades de contra-ataques e tentar marcar ‘o seu’ em uma partida com o resultado aparentemente definido Caio parecia ‘estar exagerando’ aos olhos de Herrera e parte da torcida, que estes não exagerassem na intensidade da reprimenda.

Mas como pedir a Herrera que não exagere? Porque, para o bem ou para o mal, Herrera exagera e será sempre um exagerado!

Apesar da reação de Herrera ser desmedida e a troca de empurrões, inaceitável, a bronca veio em boa hora.

Primeiro, porque o jogo estava ganho e mais adiante na competição o excesso de individualismo de Caio poderia acabar nos prejudicando em um momento decisivo.

Segundo, porque estamos no começo da competição e o episódio serve para sabermos se o elenco está unido o suficiente para ser capaz de superar atritos internos como o de ontem, enquanto ainda há tempo para se reestruturar ou reconstruir o fator psicológico se necessário.

E, terceiro, para observarmos a forma como a diretoria lida com problemas disciplinares e de relacionamento.

A diretoria acertou ao reagir com presteza, mas acho que erraram na dose ou no ‘remédio’. Considero a aplicação de multa uma falácia, uma vez que suponho ser ilegal, ou seja, parte de uma encenação. Sinceramente, não sei quais deveriam ser as punições, uma vez que, no meu entender, a extensão do prejuízo nos imputado pela arbitragem é muito maior do que o deslize dos jogadores.

Acredito que dê para saber como o episódio afetou o ambiente do grupo já neste próximo jogo. Meu palpite é que o elenco está bem unido e a ‘briguinha’ entre os dois acaba por reforçar o pacto entre os jogadores, e travar um pouco o possível ‘estrelismo’ da ainda promessa, Caio.

A relação entre os dois deve ficar estremecida, mesmo que Caio tenha declarado o contrário, e acho que só melhora de verdade com a volta de Sebastián Abreu.

* * *

Espero que não convençam o Caio a passar todas as bolas de primeira, mas também espero que ele entenda que estamos em terceiro lugar porque o Avaí tem melhor saldo de gols.

Ao Herrera pediria que pense duas vezes antes de ‘explodir’, colocando o Botafogo em risco como fez na final do Carioca e agora, ao nos desfalcar contra o Cruzeiro.

* * *

Discordo da decisão por expulsar os jogadores. No meu entender, Caio e Herrera não se agrediram e também não percebi atitude antiesportiva grave.

Considero a arbitragem no Brasil excessivamente impressionável com relação a desavenças ‘com bola parada’. Um exemplo disso foram as duas primeiras expulsões no segundo jogo das finais do Campeonato Paulista, perfeitamente inaceitáveis. No futebol europeu empurrões se dão aos montes e discussões idem, mas não vejo os árbitros expulsando jogadores por isso. Um cartão amarelo para o Herrera ficaria de bom tamanho.

* * *

Sobre a partida, o que me causou grande surpresa positivamente foi o rendimento físico da equipe e o rendimento técnico de Lúcio Flávio. A equipe continua mantendo a pegada característica, mas Jefferson sempre é forçado a ser uma peça fundamental, pois é posto constantemente à prova por um sistema de proteção à zaga perfeitamente débil. Mas a vitória não pode ser contestada. Afinal, o goleiro que fecha o gol é o nosso.

* * *

Não concordo com as vaias da torcida ao Caio em um jogo que ganhávamos por 3 x 0 e ele, mal ou bem - muito mais pro lado do 'bem' do que o contrário -, participou ativamente do jogo e de todas as jogadas que levaram aos nossos gols. Vejo o episódio das vaias como uma manifestação surgida no calor da hora, portanto precipitada, pois, se pensada, demonstraria falta de compreensão e de visão de jogo.

* * *

Acho que a possível vinda do Jobson está diretamente ligada a uma provável ida do Caio, na janela do meio do ano.

* * *

Debuts: Somália faz seu primeiro gol pelo Botafogo; Lúcio Flávio joga bem depois de sua volta; Caio foi vaiado pela torcida.

Saudações botafoguenses!

sábado, 22 de maio de 2010

O método do Biriba


- E o jogo de hoje?
- Não tô animado, não.
- Tá com medo da chuva?
- Não sei , não...
- A gente joga bem com o campo molhado.
- Não tem nada a ver com isso.
- Teu joelho que dói em dia que a gente ganha jogo não tá doendo hoje?
- Ele não tá doendo, mas isso não tem nada a ver...
- Depois que você quebrou o outro, ferrou com o teu ‘partidômetro’, né? Dói tudo...
- Deixa de ser cínico, Biriba!
- Cínico, nada. Foi só você quebrar esse joelho que a gente se livrou do rebaixamento e papou o estadual.
- Que conversa fiada.
- Que fiada, que nada. Agora que teu joelho que quebrou tá mais ferrado que o outro, a gente não para de ser feliz.
- Para de rir da desgraça alheia, Biriba!
- Não é desgraça, não. Quer ver?
- ...
- Sempre que o teu joelho bichado antigo doía, a gente ganhava, não é mesmo?
- É.
- O joelho bichado novo dói mais que outro?
- Não, mas dói com mais freqüência.
- .,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,... Isso quer dizer o quê?
- Quer dizer que passa mais tempo doendo.
- Então!
- Então o quê?
- Então que agora que o teu joelho bichado novo passa mais tempo doendo que o antigo, a gente anda ganhando mais!
- E o que você quer dizer com isso?
- Eu quero dizer que eu quero que você quebre aquele joelho antigo de novo pra doer igual ao joelho bichado novo, que aí não tem erro: Fogão, campeão brasileiro!!!
- Ficou maluco? E a minha dor?
- O que é um joelho quebrado comparado com a alegria de ver o Fogão campeão, Luiz?
- Você tomou o seu Frontal, hoje?
- Que Frontal, que nada!
- ?!
- EU VOU QUEBRAR ESSE JOELHO É AGORA!!!
- SAI DE PERTO DE MIM, SEU MALUCO!
- NÃO VAI DOER NADA!
- LARGA ESSA CADEIRA, CACHORRO DESGRAÇADO!
- GRRRRRRR!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


(........................................................................)

- Agora como é que eu vou ao jogo com esse braço quebrado?
- Era pra quebrar o joelho, você botou o braço na frente porque quis.
- Você precisa ser internado...
- Se de perna quebrada você ia a jogo, esse bracinho engessado aí tá parecendo desculpa pra não pegar chuva.
- Afff!
- Tá nervoso?
- &#$%@*&%$@&!!!!!!!!

Saudações botafoguenses!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Simples assim...


“O Goiás é um adversário difícil e perigoso”, declarou Joel Santana ao globoesporte.com.

Joel qualifica todos os adversários como ‘perigosos’. Parece simples e é. Porque não existe adversário que não o seja. Se não fosse assim, não seria adjetivado desta maneira.

“Quando nosso time relaxa, pode perder para qualquer adversário”, ensina o treinador.

Felizmente esta forma de encarar os adversários e a si próprios está enraizada no time. Tanto é que Alessandro já sabe o que fazer e explica dizendo que “Precisamos entrar em campo com bastante atenção para não sermos surpreendidos”. Simples, não é mesmo?

E isso não demonstra uma maneira medrosa de encarar os desafios, muito pelo contrário. É a postura esportiva encontrada por Joel para que seus jogadores superem os adversários, vencendo-os com disciplina mental e inteligência literalmente pura e simples.

Porque Joel também afirma que “Quando estamos bem, enfrentamos todos de igual para igual”. Simples e fundamental.

Acabou o tempo dos treinadores que diziam coisas do tipo “Nós não podíamos perder essa partida” e “Um time que leva um gol desses não merece ser campeão”, dois absurdos ditos por Cuca depois da derrota por 1 x 0, na primeira partida das finais do Carioca de 2008. Simples, improducente e, no final das contas, ridículo.

Desde sua chegada Joel Santana consegue fazer com que nosso limitado elenco (limitado como um todo e que se supera formando um conjunto coeso a partir deste mesmo ‘todo’) se supere a cada partida, e também me livra circunstancialmente de uma saudade do futuro.

* * *


Para o time titular só nos faltam quatro jogadores... Que o Maicosuel seja um deles.

Saudações botafoguenses!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Cinema e Futebol

(clique aqui ou na imagem para chegar ao site do CINEfoot)

Começa no dia 27 deste mês o CINEfoot, Festival de Cinema de Futebol. Dos filmes programados o único a que já assisti foi ‘Mauro Shampoo – Jogador, Cabeleireiro e Homem’, de Leonardo Cunha Lima e Paulo Henrique Fontenelle.

Fui apresentado ao Mauro Shampoo no Festival Arariboia Cine, aqui em Niterói. Uma figura marcante, independentemente da ‘fama’ por ter sido jogador do pior time do mundo, o Íbis, do Recife. Também pudera, sustentando uma volumosa cabeleira, ‘altamente’ produzida e vestindo o uniforme completo do Íbis, com chuteira e tudo, não havia como não deixar sua marca.


Muito receptivo e falante, agia como um ator representando a si mesmo, uma personagem extravagante e ao mesmo tempo um homem simples. E ‘atuava’ muito bem, provavelmente melhor do que ao jogar bola, talvez nem tanto quanto ao cortar cabelos.

“Mauro Shampoo: jogador, cabeleireiro e homem.” Foi essa a sua fala ao apertar a minha mão, o que mais tarde descobri ser o seu bordão.

O centroavante Mauro Shampoo colecionou em seu currículo, durante os dez anos que atuou como jogador profissional, um único gol.

Fico imaginando a comemoração desse gol. Li por aí que os que presenciaram a façanha dizem ter sido um fato memorável. Não era pra menos.

Convidei o incrível Mauro Shampoo para uma entrevista ao blog, mas nossas agendas não permitiram, apesar do ‘Jogador, Cabeleireiro e Homem’ ter se entusiasmado com a ideia.

Outra oportunidade virá.

* * *

Para os que não tiverem a oportunidade de acompanhar o festival e quiserem assistir ao filme, segue aqui o link para o site Porta-Curtas, onde encontra-se uma cópia em flash: http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=4544#

Fonte: Blog Histórias do Brasil.

Adicionado em 20-5-2001:

Falei do filme sobre o Mauro Shampoo e não mencionei um outro que a nós botafoguenses deve interessar bastante. É o filme ‘João’, de autoria de André Iki Siqueira e Beto Macedo, que será exibido na sessão de abertura, filme que fala sobre um dos mais ilustres botafoguenses, João Saldanha, meu ídolo. No You Tube pode-se encontrar um teaser da obra (http://www.youtube.com/watch?v=Fs7viAJPVhQ).

Outra incursão pelo universo botafoguense é o filme de animação ‘O Primeiro João’, de André Castelão, um exercício bem humorado que tem o Garrincha como protagonista e a bandeirinha de córner no elenco de apoio.

Saudações botafoguenses!




terça-feira, 18 de maio de 2010

Profissional e Amador


“Além de jogador de futebol, do Botafogo, sou também botafoguense. Praticamente nasci e criei-me dentro do clube. Venho desde infanto-juvenil. Hoje estou no primeiro time e tenho o espírito da camisa botafoguense em meu sangue. Analiso tudo. Vou para casa, após cada jogo, vitória ou derrota e fico imaginando o que passou em campo. Veja a participação de jogadores em nosso time!

Temos esse final de campeonato como resto de chance para a reabilitação, procurando vitórias convincentes. Jogador de futebol é idealista. É, intimamente, tão amador quanto a torcida e dirigentes. Pensa em vitórias porque há prêmios e, como profissional, vive disso. Mas também pensa nas vitórias por uma questão moral, esportiva. Orgulho mesmo de procurar ser bom valor. Há idealismo e espírito de competição. O brio, a responsabilidade profissional, cria o espírito amadorista no jogador. Ninguém falha por querer.”

O texto acima é um excerto de uma entrevista com o ex-jogador Ronald, que mantém um ótimo blog, o ‘Marreta Popular’, onde conta trechos da história do Botafogo através de sua experiência enquanto jogador do clube (veja aqui o texto original).

A despeito da ascendência alvinegra de Ronald, que faz com que ele fale pela perspectiva de um botafoguense, fazendo tudo soar ‘mais afinado’ para nós, seu depoimento sintetiza o que considero ser a mentalidade e o espírito ideais para um jogador de futebol profissional, e especialmente no nosso caso, para os que jogam pelo Botafogo.

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Escrita derrubada

(Foto: Gustavo Tilio, Lancenet)

O jogo de ontem deixou claro que sair tocando a bola ao invés de dar chutões para frente é uma questão de opção de estratégia. Não me convenço de que as entradas de Lúcio Flávio, Caio e Sandro Silva representem uma elevação do nível técnico suficiente para sustentar a tese de que os chutões são decorrentes da limitação técnica do elenco.

O mesmo espírito aguerrido que levou o Botafogo a se sagrar Campeão Carioca esteve em campo neste domingo, superando as limitações do elenco.

O time misto do tricolor paulista não é um bando de pernas-de-pau. Mesmo que tenham se mostrado um tanto desligados do jogo, os méritos pela contenção de seu ataque são exclusivamente do esquema defensivo montado por nosso técnico e de sua execução pelos jogadores.

O gol adversário surgiu por uma falha semelhante a que se deu contra o Santos, quando um jogador se lança vindo de trás e seu marcador não dá sequência à sua função. Mas esta falha serve para revelar nossa deficiência na cobertura e na capacidade de ler o desdobramento das jogadas, que é ainda mais acentuada pelo sistema de marcação homem a homem, que imobiliza a dinâmica de soluções alternativas.

E a estrela de Joel volta a brilhar, pois jamais o Lúcio Flávio de 2010 faria o gol que Renato nos garantiu. Renato é mais forte fisicamente, protege melhor a bola, tem o passe mais refinado e, mais importante, 'tenta' as jogadas.

As mudanças de Joel foram muito acertadas, tanto na mudança do esquema tático ao lançar Edno, quanto na reorganização da defesa. Na verdade, o time que saiu de campo poderia muito bem ter entrado desde o começo.

O setor defensivo como um todo foi eficiente na marcação, até a entrada de Fernandinho, contido após as mudanças feitas por Joel Santana.

Sandro Silva não garante seu lugar na equipe titular não por seus erros de passe, mas por sua displicência, falta de atenção e vaidade, esta última o ‘inspirando’ a enfeitar jogadas. Ora, futebol não é fantasia de carnaval, Sandro!

Lúcio Flávio, eternizado no time titular, não consegue proteger as bolas já dominadas, perdeu a confiança em seu passe e as cobranças dos escanteios que levaram ao primeiro gol e ao gol mal anulado são pouco para uma peça de referência no meio de campo.

A primeira jogada de Edno quase resultou em gol, num cruzamento/lançamento que deixou Herrera na frente do goleiro. Mas parece um roteiro que se repete: Edno entra no segundo tempo, faz uma excelente primeira jogada e se apaga. Espero que Edno corresponda às minhas expectativas e faça mais do que uma excelente primeira jogada.

Caio fez uma boa partida e se mostra maduro para fazer dupla com o Herrera de sempre.

Quem tem um goleiro apto a garantir o resultado quando acionado, resultado garantido.

E o Antonio Carlos, hein! Zagueiro-artilheiro.

Três pontos a mais, escrita rasurada e o gostinho do G4 na boca. Que eles tomem gosto e se acostumem a vencer no Brasileirão também, mas ainda está no comecinho.

Que cheguem os reforços, mas que se contaminem com o espírito de luta dos que já estão conosco.

Parabéns à equipe pela importante vitória.

Saudações botafoguenses!

domingo, 16 de maio de 2010

Vamos a São Paulo, Ô, Ô-Ô-Ô-Ô!


Vamos enfrentar um time misto do tricolor paulista e vamos com uma formação muito parecida com a que fez uma ótima partida contra o time da Gávea, no segundo turno do Carioca.

(É bom ter em mente que ‘time misto do São Paulo’ não significa uma cambada de pernas-de-pau, muito pelo contrário).

Caio entra de início ao lado de Herrera, o que deixa a movimentação de ataque teoricamente mais ágil.

Lúcio Flávio retorna, mas é impossível saber o que isso significa porque Lúcio Flávio será sempre uma incógnita. Pode jogar muito bem, se esforçar, fazer um golaço de falta ou dar um passe genial. Mas, ao contrário disso, pode se arrastar por 90 minutos até conseguir chegar à raia olímpica para se juntar às lesmas. Torço para que o Lúcio Flávio de hoje seja aquele e não este último.

Seja como for, acredito que faremos uma boa partida.

* * *

Eu entendo a preocupação com uma possível contusão do El Loco, pois uma Copa do Mundo tem um peso importante na carreira de um jogador.

‘Mas e o Botafogo, onde entra nessa equação?’

Acredito que um jogador que defende a seleção de seu país em uma Copa do Mundo leva o nome do clube a que pertence junto. Se entre Ronaldinho, Ganso, Ernanes e um quarto jogador, o escolhido foi o quarto jogador, um reserva do time da Gávea, time de coração do presidente da CBF, concluo que não estou de todo equivocado em pensar que um clube ganha prestígio com um atleta seu na competição, o que valoriza sua marca.

Mas para que se preocupar com nossa marca se vamos a São Paulo levar o nome da Hypermarcas aos lares de milhões de espectadores, tudo de graça? Isso porque, para os que ainda não sabem, a Hypermarcas não paga um centavo ao Botafogo para ter sua marca divulgada através da logo estampada na frente de nosso uniforme.

Parece coisa de compadre mas não é. Estamos falando de futebol profissional. É muito dinheiro envolvido e no mundo dos negócios não existem favores, não se dá algo em troca de nada.

Ou seja: Vocês acham que eu engulo essa de que somos bonzinhos e ninguém está ganhando com isso? Lógico que não!

Alguém está metendo a mão no dinheiro que deveria estar indo para os cofres do Botafogo, e só me convencerão do contrário se me provarem que somos dirigidos por um bando de idiotas.

Se vencermos a partida, pelo menos esqueço esse assunto por um dia, e isso me poupa o estômago. E ainda traremos três pontinhos para casa.

Estão vendo? Vencer ficou melhor ainda!

Saudações botafoguenses!