
Mesmo sem ter assistido aos outros jogos deste fim de semana, não seria uma aposta ruim dizer que a partida de ontem foi a pior da rodada.
Já faz algum tempo que o Botafogo não jogava de forma tão desorganizada e displicente e, pior, sem o espírito de luta e sentido coletivo que era a marca do time desde a chegada de Joel Santana. Se fosse a primeira rodada do campeonato não seria exagero dizer que o time está fadado a lutar até a última rodada contra o rebaixamento.
Se no jogo contra o Goiás houve um ‘apagão’ dos refletores, ontem o apagão foi do time.
O único jogador que mantém regularidade no nível de seu desempenho é o Somália. Mas como não é um ‘jogador decisivo’, daqueles que sozinhos ‘resolvem o problema, fica dependente do desempenho coletivo da equipe, equipe esta que continua sem um ‘matador’, um jogador que ponha a bola para dentro do gol. Ou seja, de nada nos adianta a regularidade do Somália quando a organização tática e o empenho coletivo são um desastre.
Ao contrário das características de equipes treinadas por Joel Santana, que têm como virtude ‘fazer a bola entrar’, o Botafogo das últimas duas partidas não tem feito nada que se pareça com isso.
Acredito que o incidente entre Caio e Herrera e seus desdobramentos públicos e internos tiveram grande influência para que o ‘ex-garoto’ tivesse uma atuação apagada. Caio parece abatido e não era de se esperar coisa diferente. Foi execrado por todos e ontem saiu vaiado por boa parte da torcida, sendo que as palmas prevaleceram no final. Respeito a disposição de quem achou por bem vaiá-lo, mas eu o aplaudi até que as vais cessassem.
Com relação ao Herrera, o jogo de ontem me fez acreditar fortemente que é um sujeito no mínimo contraditório. Ora, não é de se esperar que um homem que se dispõe a criticar veementemente um companheiro de equipe por excesso de individualismo se comporte da mesma forma como aquele a quem censura. No segundo tempo tentou um chute cruzado e depois se desculpou com Caio por não ter servido o parceiro de ataque (o que seria a decisão correta a meu ver), que fechava pela direita. Em seguida, a partir de um excelente passe de Edno, preferiu tentar o arremate de qualquer maneira ao invés de escorar a bola para Caio, que estava de frente para o gol, abrindo mão de dar sequência ao que poderia se transformar na melhor jogada de ataque da rodada.
(Apesar dos deslizes ainda sou grande admirador do Herrera, que tem muitos créditos aqui na casinha).
Este último lance também serve para ilustrar a minha insistência na tese de que nos falta um ‘homem-gol’, um ‘matador’, um homem de área para colocar a bola no fundo da rede.
A queda de produção de Herrera me leva a acreditar que os contratos de longa duração não geram bons efeitos no Botafogo, fato que deveria ser estudado pela diretoria, porque é uma questão de administração da relação que o clube tem com seus contratados.
Voltando ao jogo – brevemente, porque não vou torturar a todos com a lembrança do espetáculo de horror que foi visto na tarde de ontem –, resumo as coisas da seguinte forma: não perdemos porque o Vasco possui um elenco mediano e Celso Roth nos fez o favor de substituir seu melhor jogador em campo – Jefferson – quando mais nos incomodava.
Saudações botafoguenses!













