segunda-feira, 26 de abril de 2010

Festa no Engenhão


Saí de casa para aplaudir o Botafogo, o Campeão Carioca, mas cheguei praticamente em cima da hora do jogo e não vi grande parte das homenagens. Mas a minha intenção principal era me juntar aos que fossem ao Engenhão mostrar gratidão pelos que lutaram para nos garantir mais um troféu nas prateleiras do Salão e acho que consegui um pouco disso durante a partida. Era só isso mesmo: gritar ‘É Campeão’, ao invés de ‘Gol!’, como noticiou o aparelho de propaganda urubu.

Como era dia de festa, eu podia mudar de lugar o quanto quisesse sem gastar superstição à toa. Mas acabei ficando do mesmo lado, garantindo nossa defesa no primeiro tempo e secando o gol corinthiano no segundo.

Para o meu paladar vaiar é bom, mas aplaudir é que é gostoso. Ou seja, infernizar o Souza não é mau, mas aplaudir e gritar o nome dos nossos é muito melhor. E não faltou oportunidade.

O jogo teve vários momentos de tensão, apesar de ser um ‘amistoso’. Os homens de frente cumpriram sua função e Jefferson garantiu o placar.

A arbitragem não deixou El Loco marcar pela segunda vez e o Caio fazer o seu. Mas, cá entre nós, seria deselegante meter cinco gols num convidado, que trouxe um time mixto para prestigiar nossa festa. Ficou de bom tamanho.

Agora é voltar ao batente e pensar no Brasileiro, porque o caminho é longo e todos sabem que o time chegou no seu limite, que é a divisa do Estado do Rio.

Que o coração do Maicosuel volte a bater deste lado do oceano.

* * *

Acho que estou me habituando demais às defesas espetaculares do Jefferson – ou foi o efeito de ser um amistoso –, pois eu torcia para que um adversário acertasse um tirambaço só pra ver ‘A Parede’ em ação. E ontem o Jefferson não deixou de fazer das suas.

* * *

A torcida parece mais apegada ao fato de o Joel ter sido um dos protagonistas da campanha vencedora e de ter acabado do nosso lado – até o momento –, do que às declarações pouco felizes.

* * *

Estou aliviado pelo fato de saber que Lúcio Flávio se recuperou da grave lesão em seu dedo mínimo a tempo de jogar o amistoso e de erguer a Taça no domingo passado sem a necessidade de um curativo que enfeiasse a foto.

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O uniforme ‘engraçado’, quem diria?, acabou iniciando e fechando os trabalhos, pois foi com ele que fomos ao fundo do poço e comemoramos o final feliz. Falei tão mal do coitado, chamei de roupa de palhaço, mas agora quero uma camisa daquelas como recordação. Até porque se algum torcedor quiser uma camisa igual a que foi usada durante a campanha, ou, para ‘facilitar’, a que foi usada na final – ou no final, porque não houve ‘uma’ final, não é mesmo? –, até o momento vai ficar mesmo é na vontade.

É assim que se fazem bons negócios segundo a cartilha do Presidente Assumpção.

Nota: Fico devendo, por enquanto, as fotos do Renan, Alex, Júnior e Jorge Luís, na montagem/homenagem.

Saudações alvinegras!

sábado, 24 de abril de 2010

O flerte de Joel


Andei meio por fora ou na superfície das notícias nos últimos dias e não li sobre a movimentação em torno do ‘passe’ de Joel Santana. Sabia que nosso antigo/atual/ex/presente treinador teve o jantar de comemoração do título bancado pelo Grão-vizir das Laranjeiras e que posteriormente vinha sendo aliciado pela Imperadora da Chatuba do Amor.

Quando finalmente li as declarações de Joel Santana sobre o assunto, o baião de dois deu uma balançada atrás do umbigo.

Antes de Joel chegar ao Botafogo, a notícia que se tinha sobre o treinador era sua demissão do comando da seleção da África do Sul e tudo o que se falava sobre ele sempre terminava em alguma piada a seu respeito, em suma, um homem com a carreira e a imagem em baixa.

Conseguiu reerguer a moral do elenco botafoguense e sempre será lembrado pela virada de rumo histórica que nos levou ao título, ganhando de todos os adversários nas semi e nas finais. E, junto à nossa ascensão, seu prestígio teve uma reviravolta positiva espetacular.

Agora vem com essa estória de ‘nassaum’... Não vou adiante com isso, porque o estômago não é de ferro.

* * *

Não sei como ficará nossa dignidade andando ao lado de Joel Santana, mas com certeza não deixaria as crianças sozinhas aos seus cuidados.

No momento uma babá bem indicada é mais confiável que o ‘papai’ que foi na esquina dar um ‘cheiro’ no cangote da ‘outra’, pra voltar pra casa chamando o Botafogo de ‘mina de fé’.

Na visão do blog o prestígio de Joel Santana está em baixa e esta condição, no momento, parece irreversível. Tomara que ele consiga mais uma virada extraordinária.

* * *

Sugestões de leitura: ‘Pode sair’, Cantinho Botafoguense; ‘Certas coisas não mudam’, MCR; “A ‘nassaum’ espera-o: suma-se, Joel!”, ‘Papai Joel em leilão...’, ‘Ele fica... ela vai...’, Mundo Botafogo/Estrela Solitária; e ‘que vá para a nassaum!’, snoopy em preto e branco.

Saudações botafoguenses!

Caderno de esportes de um só time

Por que o Botafogo não aparece na capa?

O caderno de esportes de um só time, que vem dentro do jornal de maior circulação do país, teve a infelicidade de publicar a palavra ‘vice’, na capa da edição que se seguiu à conquista do título carioca pelo Botafogo. Na manchete lia-se ‘Vice é...’.

Algum gênio do jornalismo achou de bom tom ‘homenagear’ o título botafoguense fazendo referência a uma expressão chula, usando um termo pouco apreciado pela torcida botafoguense e ainda fez questão de se esquecer da palavra ‘Botafogo’.

O simples e o apropriado não fazem parte do idioma dos que se contorcem pra parecerem geniais e ‘inovadores’.

Acho que pensam que faltaria criatividade a uma manchete onde lê-se ‘O Botafogo é campeão’. ‘O Rio já conhece seu campeão’, nem pensar, pois seria coisa ‘ultrapassada’.

Se era pra ‘apostar na inovação’ e parecerem ‘sinistros’, ou melhor, ‘hip’, usando uma expressão ouvida nos estádios, poderiam escrever ‘Botafogo nisso!’, ou ‘É por ti, Fogo’, ‘Não para, não para, não para‘, ‘Pra cima, Fogão’, ou mesmo, ‘Perder pra ninguém’ (uma vez que ganhamos de todos nas semifinais e nas finais). Mas estas provavelmente seriam consideradas clichês, cafonas, ou alguma coisa que desvalorizasse a ‘sagacidade’ do autor ou ‘sobrevalorizasse’ o feito alvinegro.

A ‘obra’ feita através do que dizem com palavras, uma escrita que dispensou o nome do clube campeão, poderia ser considerada uma simples grosseria ou falta de discernimento, se as imagens esclarecessem que era uma capa ‘dedicada’ ao Botafogo de Futebol e Regatas. Muito pelo contrário, o discurso imagético deixa clara a má intenção da editoria, uma vez que não há um só símbolo que faça referência direta ao Campeão Carioca.

Não estão lá imagens do time e de nenhum jogador, nem o escudo ou o uniforme. Nem mesmo uma estrela de cinco pontas. O Botafogo simplesmente não existe na capa.

O que se vê é uma amálgama de algo parecido com uma chuva de confetes e uma taça preenchendo a capa quase por completo. Acho que é isso: publicaram a imagem da Taça bem grande pra poderem ver de perto o que gostariam muito de ver nas mãos do time deles.

Mas não adianta, foi o Botafogo, o Campeão Carioca, que levou AS TRÊS TAÇAS pra General Severiano.

* * *

Para corrigir o ‘ofuscamento’ dos fatos, que é a finalidade do caderno de esportes de um só time, estampo uma capa e um ‘miolo’ descentes na postagem de hoje.

Saudações botafoguenses!

(Verso do pôster da Grandes Campeões, Ed. Ediouro)
(clique pra ampliar)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Megafoto

(Nós estávamos por ali)

O Gil descobriu no site UOL Esporte uma tal de ‘megafoto’. Sensação engraçada essa de se avistar no meio de uma multidão. Tudo bem que a definição não é lá essas coisas, mas o brinquedinho é interessante – isso se você não se ativer à ideia do ‘Big Brother’ do Orwell.

(O Gil mandando um torpedo pro pessoal de fora do Rio e eu na espera)

Pra brincar de ‘onde está o torcedor no Maraca’ clique aqui e veja como funciona.

Saudações botafoguenses!

Adicionado em 24-4-2010: Todo mundo conhecia a megafoto, menos eu. Pelo menos a minha ignorância me valeu o gostinho da descoberta.

Fisher e Ferretti... Loco e Herrera

(Ary e Mateus)

Meu amigo botafoguense, o Ary, outro dia comentou que teve um ‘acesso de ideia fixa’, ao se lembrar de uma tarde em companhia de seu saudoso pai, o Seu Ary – com quem tive a satisfação de assistir a vários jogos do Botafogo, nas arquibancadas do Caio Martins.

Segue seu comentário em itálico:

Meu Caro Amigo,

É sabido que todo Botafoguense é supersticioso. Mas quem não é?

Na véspera do jogo de ontem, acordei lembrando de uma tarde de domingo em Jaconé, pescando com meu maior ídolo Botafoguense: Meu Pai.

Domingo de Jair (3), Fischer (2) e Ferretti (1), 6 x 0 no fla...

Mentalizei: Fischer & Ferretti... Louco & Herrera... Fischer & Ferretti... Louco & Herrera...

Devo ter sonhado com a mentalização!

Ontem, durante todas as horas que antecederam o jogo, não saía da minha cabeça: Fischer & Ferretti... Louco & Herrera... Fischer & Ferretti... Louco & Herrera...

Viva o Botafogo!

Viva o meu maior ídolo Botafoguense hoje, meu filho Mateus, campeão com 16 dias de Botafoguense.

* * *

Vou conhecer o Mateus daqui a pouco. Pela foto descobri que ele já tem um macacãozinho muito parecido com o que vou presenteá-lo. Mas como ele é campeão, que não faltem escudos, porque não vão faltar oportunidades para exibi-los.

Saudações botafoguenses!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Caio Canedo


Na primeira oportunidade que teve, Caio mostrou ao que vinha e me levou a escrever o seguinte: ‘Apesar da ótima abertura para Lúcio Flávio, no lance do primeiro gol, a opção número um para o ataque não é Jorge Luiz. Esse Caio parece ser um jogador veloz e audacioso, o tipo de sujeito que muda o rumo de partidas difíceis.’

Não profetizei nada. Foi uma simples constatação do talento em potencial de um jovem jogador, talento que se revelava de maneira muito clara.

Sendo titular ou não, é inegável que o Caio entrava para incendiar o jogo e instaurar pânico no lado adversário.

Sua presença foi decisiva para o resultado de várias partidas, seja através de seus gols, de seus passes, da abertura de brechas que se formavam devido à preocupação das defesas com o perigo que ele representava – e representa –, ou criando situações que levaram adversários à expulsão algumas vezes.

A pecha de ‘Talismã’ tem seu charme e é carinhosa, mas acho que o Caio é mais do que isso. Um jogador veloz, de ótima técnica, um grau de maturidade acima da média do padrão de sua idade e tem comportamento esportivo agressivo – apesar do corpo de menino –, uma qualidade que aprecio no futebol.

Houve momentos em que o excesso de individualismo prejudicou sua contribuição para o bem da equipe, mas trata-se de um jovem que estreou como profissional há quase exatos três meses do dia em que se sagrou campeão carioca. Acredito que isso deva ser levado em consideração.

Acho pouco dizer que o Caio tem tudo pra ‘arrebentar’, porque chegou como um raio, arrasando todos os que tentaram impedir sua passagem.

Valeu, Caiô!

Saudações botafoguenses!

PS: Vale lembrar que a existência de Caio fez com que o espiritualmente minúsculo e futebolisticamente limitado, Juan, corresse do pau no dia da decisão.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A camisa de 2010


Inventei um intervalo no trabalho e dei uma saidinha. Não precisava ir ao banco ou à padaria e nem sentia necessidade de tomar um pouco de ar, porque gosto do meu ambiente de trabalho, uma sala fechada.

Saí simplesmente pra dar um passeio com ‘a camisa’.

Foi sair portão afora e já avistei ‘um semelhante’, uma pessoa vestindo a camisa do Botafogo.

Era uma moça de uns 15 anos. Percebi que ela me viu à distância e, meio retraída, balançou o olhar pro lado e depois pra baixo, talvez insegura se deveria me dirigir o olhar, o que me fez achar que ela estava encabulada. Deve ter pensado: “E agora? Esse cara vindo na minha direção com uma camisa ‘igual’ à minha...”

Não poderia deixar de cumprimentar o primeiro alvinegro – no caso, alvinegra – que encontrava no dia, mas, percebendo o aparente desconforto da minha desconhecida camarada botafoguense, fiquei eu também meio constrangido.

Sorri. O que mais? Ela pareceu aliviada – “não foi tão ruim assim”, deve ter pensado – e sorriu também. Parecia feliz da vida e com todo o direito e toda a razão.

Logo em seguida vieram mais dois botafoguenses e mais expressões de felicidade.

Uma botafoguense atravessou a rua.

O sinal abriu, e um motoqueiro botafoguense acelerou cruzando a imagem de um botafoguense no calçadão lá do outro lado do asfalto. Ele estava conversando com o guarda do bairro, o cabo Paulo César, o ‘PC’, que é vascaíno.

O sinal fechou, atravessei a rua e dei a volta na pracinha.

O trajeto me valeu um encontro com um casal de jovens botafoguenses – fiz um sinal de ok e fui respondido da mesma forma e sem afetações – e outro, com um grandalhão torcedor do América e que é botafoguense em segundo plano, que ao me avistar bradou: “Eu não te disse? É, campeão!”

Dei uma esticadinha até quase metade do quarteirão porque me lembrei das frutas-de-conde da manhã de domingo, que comprei na banca do Jorge.

Um botafoguense de barba branca bebia um chopp no boteco da esquina. O garçom do boteco é vascaíno: “Valeu! Me vingaram a roubalheira.”

O Jorge vende frutas há trocentos anos no mesmo lugar, numa banca de madeira chinfrim toda vida que, entra ano e sai ano, um desembargador nosso vizinho proíbe que os fiscais, o secretário de posturas, o de saúde e o prefeito da vez tirem dali.

A balconista da lanchonete japonesa que fica em frente à banca do Jorge – e não o contrário –, e que vende uns cones caros pra danar que a minha sobrinha me obriga a comprar gritou “mengo!” Eu disse: “Meus parabéns”. A colega da balconista disse: “Cala a boca, mané!” Eu repeti o que tinha dito antes.

Da farmácia do outro lado da rua saiu um casal de fisiculturistas botafoguenses com umas camisas bem apertadas. O tecido dos uniformes de hoje em dia é muito resistente.

O Jorge é tricolor e os mais velhos dizem que jogou um bolão “na areia”; “e de chuteira também!” Não tenho certeza, mas acho que ele jogou nos aspirantes do Fluminense.

O Jorge é conhecido como ‘o cara que deu um lençol no Gérson’.

O desembargador também torce pro Fluminense e deve ser por isso que não tiram a barraca do Jorge de lá.

O fruteiro é um sujeito ótimo, agradável inclusive quando bebe uns traçados bem servidos no bar Jóia. Me vendeu as frutas-de-conde e me ‘empurrou’ meia dúzia de caquis. Não gosto muito de caqui, mas ele disse que fazia pela metade do preço. Não vou recusar um ótimo negócio num ano que começou tão bem. Me deu os parabéns. “Ah, botafoguense... Lavou a alma.”

Na volta vi mais um botafoguense. Ele saía do prédio da Reitoria. Nos 50 metros finais foi só este último que vi e cheguei a estranhar a pouca quantidade.

Entrei e não sacaneei o porteiro, mesmo sabendo que era flamenguista.

Não imaginava que eram tantos os botafoguenses em Niterói. Uma camisa pode revelar muita coisa.

Da próxima vez que saírem de casa, meus amigos e amigas botafoguenses, vistam a camisa. Isso garante mais saudações e sorrisos do que de costume. Aproveitem o bom momento.

O Botafogo agradece e eu agradeço ao Botafogo.

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A Democracia agradece

O estado de direito está restabelecido: o império foi derrubado.

(Foto: Paulo Sergio - Lancepress)

Fico imaginando o locutor falando: “Acabou! O Botafogo é o campeão!” Eu gosto de ouvir a verdade, principalmente quando ela vem de mãos dadas com a justiça.

Não poderia ser melhor: arquibancada botafoguense lotada; torcida incendiando o estádio 200% do tempo de jogo; todos jogando com raça, sangue e ‘jeito’ de campeão; ‘A Parede’ defendendo pênalti em momento decisivo; Herrera e El Loco mostrando que não se perde pênalti em final de campeonato e transformando o ‘pegador de pênaltis’ em gandula de baliza; Somália, ‘O Republicano’, afirmando que não põe tapete para imperador passar; ‘pedaladinhas’ do Edno na hora certa; Caio infernizando o ‘joão’ da vez; o tetracampeonato será nosso para sempre; e um irresponsável perfeitamente brioso para mandar o juiz, ladrão ou não, às favas!

O Botafogo venceu sem a ajuda da arbitragem, sem o oba-oba da imprensa, sem o rolo compressor do poder econômico. Jogou contra tudo e contra todos.

Se a ‘roubadinha’ do Caio tivesse entrado – com o cara que gosta de bater em mulher se rastejando atrás da bola –, o mundo poderia ser considerado um paraíso, o que não faz bem ao espírito. Ou seja, foi na medida.

Parabéns aos jogadores que estiveram em campo e a todo o elenco, ao Joel Santana e sua comissão técnica!

PARABÉNS A TODOS OS BOTAFOGUENSES ESPALHADOS PELO BRASIL E PELO MUNDO!!!

Saudações botafoguenses!

sábado, 17 de abril de 2010

Revistinha pra embrulhar tainhas


A flapress ‘saiu do armário’ e inaugurou uma revista vermelhopretista no centro de seu jornal de maior circulação, ex-simpatizante de Fernando Collor de Mello. Chama-se ‘Esportes’, simples assim, e pode ser encontrada em qualquer banca de jornal do bairro.

Uma pena que não venha com um brinde, quem sabe um chaveirinho vermelho e preto com um rabisco no meio, para que eu pudesse presentear uma grande amiga rubro-negra, em retribuição a dois chaveiros lindos que ela me deu, que têm detalhes em preto e branco e uma estrela de cinco pontas.

A capa da primeira edição da revista do Flamengo, que vem embrulhada no jornal O Globo – sem direito a meia dúzia de sardinhas no pacote – estampa uma foto de capa inteira de um jogador vestindo uma camisa com cores de despacho brabo e tasca a manchete: ‘Sempre eles!’

A manchete inevitavelmente faz referência ao fato do Botafogo mais uma vez disputar uma final com o time da moda, mas não menciona que é a 12ª final disputada pelo Botafogo em cinco anos. Mas isso era de se esperar, uma vez que se trata de uma revista especializada em um único clube de futebol.

Foram obrigados a mencionar o Botafogo, pois a imagem faz referência exclusivamente ao time patrocinador ou patrocinado pelo jornal, não a tornando capaz de sustentar por si só a ‘notícia’, o que seria, com certeza, o desejo dos idiotas que gostariam de ver somente um time participando de uma competição esportiva.

Na verdade acho que não seria má ideia uma partida entre ‘Flamengo do A’ contra ‘Flamengo do B’ se enfrentando em campo e, fora dele, sua torcida se esbofeteando antes, durante e depois da partida, como de costume.

Ainda bem que o Botafogo aparece timidamente nesta nova publicação, pois não seria boa coisa ver imagens nossas embrulhando meio quilo de tainhas.

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Vámos... ¡Vámonos!: Vamos, pô!!!



Palavras de ‘El Loco’ Abreu:

“Este é um clube glorioso e, mais importante do que o Abreu ser artilheiro, será ver o Botafogo campeão.” Ao ser recebido em General Severiano.

“Futebol é assim: é jogado, não é falado.” Após a semifinal contra o Flamengo.

“Sinceramente, a minha prioridade, faz muito tempo, é a glória de uma equipe. Não basta ser artilheiro cinco vezes e não ser campeão. A alegria de um não é a alegria de todos. Trato de fazer o melhor para o time, para ter resultados. Se puder fazer gol, ser eficiente, melhor.” Ao site oficial do Botafogo.

“O nosso time é assim. Humildade acima de tudo, ninguém aqui fala demais.” Depois do jogo contra o Fluminense.

Sebastián ‘El Loco’ Abreu reinaugurou o velho costume das comemorações de gols com os companheiros de equipe, deixando de lado essa estória de correr para junto da torcida e para longe dos sujeitos que criaram a oportunidade para o tento. Considero uma ótima iniciativa, porque é com seus parceiros de clube que ele enfrenta o caminho no dia a dia.

El Loco foi uma ótima contratação. Incomoda os adversários e agrada os companheiros de trabalho. Simples assim.

Quanto a nós, torcedores, garanto que ele virá comemorar conosco, mas quando tudo já estiver resolvido dentro de campo.

Saudações botafoguenses!

terça-feira, 13 de abril de 2010

O complemento do gol



Não consigo gravar a imagem completa de uma partida de futebol como faz uma câmera. O que sobra em minha mente são fragmentos de um ‘realidade’ contínua, que não consigo recuperar por inteiro. Imagino que isso valha para todos, mas não me importa a teoria.

É difícil saber exatamente o processo de seleção aplicado por nossa mente, que escolhe os trechos dessa imagem ‘inteira’, aqueles que deseja ou é levada – por algum motivo que desconheço – a estocar. Mas o que mais me intriga nesse processo é a produção de uma espécie de hierarquia entre as selecionadas.

Vários momentos do jogo passado – importantes ou não – me vêm à memória quando penso na partida. Mas um deles, uma passagem rápida, ficou encravado na minha cabeça como um ‘refrão-chiclete’ e não me sai da lembrança. Não foi o gol do El Loco, matando o goleiro com precisão, nem o do Caio, com a bola entrando em câmera lenta, o goleiro congelado. Não foram as pixotadas do Antonio Carlos, nem o pênalti mal marcado contra nós ou o não marcado sobre o Caio. E também não foi o gol do Fahel, pelo menos não ‘por inteiro’.

A imagem que não me sai do pensamento é a do Herrera pegando a bola no fundo do gol e chutando pro alto, estufando a rede que quase não balançou com o chute providencial, mas fraquinho do Fahel.

O Herrera meio que ‘consertou’ o lance. Ele completou o que estava consumado nas regras do jogo, mas que não possuía uma imagem que correspondesse ao significado do fato que acabara de acontecer. No meio do meu grito de ‘gol’ o gesto do Herrera me fez gritar uma nota mais alta e intensa.

O gol já era um fato, a bola tinha passado da linha, mas faltava alguma coisa. O instinto do Herrera percebeu isso e ele não titubeou: tascou um chute, estufou a rede e aliviou o peito. O dele e o meu.

Quero muito que o Herrera fique por um bom tempo no Botafogo, mas isso é uma incerteza. Certo mesmo é que a imagem ficou e essa não sai tão cedo.

Saudações botafoguenses!

domingo, 11 de abril de 2010

Menos um no caminho

(Foto: Paulo Sergio, Lancenet)

Foram cinco os gols da partida, o que faria qualquer um pensar que os ataques estavam em noite inspirada. Mas não foi nada disso: as defesas é que não jogaram nada.

O empenho geral da equipe foi o destaque do time e a atuação de Antonio Carlos daria um capítulo exclusivo, para explicar a aspirantes a zagueiro o que não fazer para se tornarem bons na profissão que pretendem abraçar.

Não vou discutir se foi bola na mão ou mão na bola. O que interessa é que Leandro Guerreiro sempre aparece na foto nos momentos ruins. Como bem descreveu Marcelo Pereira em seu blog, Fogo Eterno, Leandro Guerreiro é O homem que sempre está lá.

O providencial gol de Fahel foi digno do protégé da diretoria: que chutinho maroto!... Seja da como ou da forma for, obrigado, Fahel, o gol veio em momento crucial.

Com impedimento ou não, com ajeitadinha ou sem ela, o certo é que estamos garantidos em mais uma final de turno, que, no nosso caso, todos sabem que pode significar sairmos do Maraca no domingo que vem com aquelas faixas com purpurina suficiente para deixar o carnaval encabulado.

Meu receio é que o Antonio Carlos volte a derrapar na reta e continue ‘marcando’ a dois metros de distância os jogadores adversários que entram na nossa área. Quando pensei que a ida de Juninho levaria junto este expediente, vem o Antonio Carlos me lembrar que na vida nada é perfeito.

Mas o que me mete medo, mesmo, é a possibilidade de que o pessoal da atual diretoria sinta aquela fomezinha incontrolável e caia na desgraça de almoçar com os ‘co-irmãos’.

Saudações botafoguenses!

PS 1: Estamos combinados que nosso meio de campo é Caio, Edno e mais dois?

PS 2: (Conselho do Biriba). – Caio, para de dançar com o Antonio Carlos porque você pode acabar escorregando.

PS 3: O relógio que continua marcando certinho é o do Joel Santana ou o do Caio?

(Foto: Cleber Mendes, Lancenet)

sábado, 10 de abril de 2010

Túlio Souza é um Homem

[Foto (convertida para o preto e branco): Gustavo Rotstein, Globoesporte.com]
No ano passado, quando o Botafogo chegou à penúltima rodada da Taça Rio ameaçado pelos dois pontos que o Madureira tinha de vantagem, Túlio marcou o gol da vitória aos 48 minutos e 50 segundos da etapa final (contra o próprio Madureira), colocando o Botafogo em vantagem na tabela e provando que gosta de flertar com o improvável.

Na encenação intitulada ‘final da Taça Rio de 2009’, o inqualificável Ney Franco ‘lança’ Túlio aos 44 do segundo tempo, creio que para não dar chance ao azar. Vai que o Túlio entra aos 23 e atrapalha a digestão do almoço com os ‘co-irmãos’!

No primeiro jogo das finais, Túlio não entrou em campo. Como não foi escalado de saída poderia ao menos ter sido o substituto de Eduardo (ameaçado de expulsão pelo salteador com um apito), ou de Maicosuel ou Reinaldo, que se contundiram. Mas, infelizmente, Túlio foi obrigado a assistir a Victor Simões perder pênalti e às entradas inócuas de Renato, Gabriel e Jean Carioca, vendo estes dois últimos desperdiçarem, por individualismo infantil, duas chances claras de deixar um companheiro na cara do gol.

Na segunda partida, Túlio teve a incumbência imponderável de substituir Maicosuel. Ora, Túlio não poderia fazer coisas próprias do Sr. Maicosuel, mas podia fazer ‘das dele’. Sofreu pênalti ao ser chutado no rosto pelo zagueiro adversário – que a figura mais abjeta do futebol mundial, José Roberto Wright, ‘interpretou’ (ao modo de ator, não de jornalista) como ‘não-intencional’ por parte do zagueiro.

Pouco mais tarde Túlio acertou a trave ao cobrar falta com inteligência, quando percebeu que o goleiro adversário estava adiantado na expectativa de uma bola lançada à área.

Para praticamente finalizar sua participação no jogo – uma vez que seu gás acabou pouco depois – Túlio fez um gol de quem não perde oportunidade em final de campeonato, coisa de homem que não se intimida frente a desafios. Túlio não ‘amarela’.

Se dentro do ‘planejamento’ de Maurício Assumpção e seus associados flamenguistas o empate com o Madureira e a derrota na final eram boa coisa, para o Túlio – preterido desde sua chegada ao clube – isso não fazia parte dos seus planos. Muito pelo contrário.

Não contem com Túlio para levar a cabo planos em que a derrota seja o destino do Botafogo. Túlio não chafurda nessa lama. Túlio não é um rato.

Saudações botafoguenses!