sábado, 20 de março de 2010

Invasores de Corpos

(Foto de cena: ‘Invasion of the Body Snatchers’ – 1978)

Segunda-feira da semana passada, uma amiga – flamenguista filha de outra amiga –, jovem de uns 23 anos de idade, me ofereceu um ingresso para assistir ao jogo contra o São Raimundo. Eu disse: “Tomara que tenha sido aquele ‘pé-frio’ que desistiu.”

Para minha surpresa, o tal ingresso não era fruto de nenhuma desistência. Fazia parte de um lote de 50 (cinquenta!!!) ingressos que uma amiga sua – também flamenguista – estava incumbida de distribuir. De graça, é claro. E com direito a ônibus fretado!

Confesso que fiquei tentado a participar da ‘excursão’ para ver como a coisa funcionava, quem eram aquelas pessoas e o que isso representaria em termos de comportamento de uma torcida. Uma espécie de investigação sociológica misturada a um sentimento de torcedor traído, que tenta flagrar o amante com a ‘Estrela’.

Para quem estranha a grande quantidade de não pagantes e o comportamento por muitas vezes esdrúxulo da torcida, está aí o retrato falado da pulga atrás da orelha.

Não pude ir ao jogo, mas também não iria a festa de uma torcida organizada que distribui ingressos para torcedores adversários, torcida essa que há muito tempo meu faro de torcedor vem me sussurrando que está cheia de flamenguistas.

Saudações botafoguenses!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Nassau, é o escambau!

(Victor Meirelles - Batalha dos Guararapes, 1879)

Meus amigos de Recife são na sua maioria santacruzenses, o que era de se esperar, por ser a torcida mais – muito mais – numerosa por lá. Mas também é o time pelo qual tenho maior simpatia – detesto o Náutico! –, o que me leva a crer que a afinidade clubística possa ter algo a ver com a formação de círculos de amizades – divagação total.

Um desses amigos, o Antonio, me ligou por motivos ‘aparentemente’ profissionais, pois escolheu uma data às vésperas do jogo de hoje, só pra me dizer que o Botafogo não terá moleza no Arruda, como se eu já não soubesse.

Marcelo Cordeiro, que jogou no futebol pernambucano defendendo o Sport, disse que espera encontrar um clima de guerra no jogo contra o Santa Cruz. Acho que nosso MC está correto quando afirma que ‘para equipes como o Santa Cruz, a Copa do Brasil é a competição mais importante do ano’, já que não disputam a primeira divisão do Brasileiro.

Mas é esse tipo de disputa que dá ‘cancha’ e ‘quilometragem’ a uma equipe que pretenda ser campeã. São jogos duros e muito disputados que fazem o sujeito ‘entrar no clima’ e preparam o espírito para as batalhas finais.

Que o clima seja de final de campeonato, mesmo, porque são os melhores jogos de serem assistidos e, se eu estivesse jogando, seria justamente esse tipo de adversário que eu gostaria de encontrar pela frente.

Que joguem com calma e inteligência, e que a esportividade prevaleça.

Saudações botafoguenses!

terça-feira, 16 de março de 2010

Joel no Jô


Não tenho o hábito de assistir ao programa do Jô Soares, mas hoje eu não perco. É que nosso técnico, o Sr. Joel Santana, será um dos entrevistados.

Podem me chamar de personalista, de bajulador, eu pouco me importo. O que sei é que vou com a cara do Joel e gosto de ouvi-lo falar, com seu jeito simples, algumas obviedades, que, na realidade, são dois elementos que sinto falta na Humanidade.

O link para a reportagem do Globoesporte.com que me tornou espectador do programa de hoje é este aqui.

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 15 de março de 2010

A seca, a chuva e o dilúvio


No ‘período da seca’ da partida foram poucas as oportunidades criadas pelo Botafogo, pois continuamos com problemas na transição para o campo adversário e no municiamento ao ataque. Não por acaso, o gol se originou em mais uma ótima jogada individual de Caio, concluída em arremate de cabeça certeiro de Antonio Carlos.

O meio de campo do Olaria – do nosso conhecido, Dé – tocou a bola muito mais acertadamente e a chegada ao ataque contava com variações de jogadas, o que não acontecia do nosso lado. Não fosse a precipitação e miopia de seus jogadores e a presença de Jefferson em um momento decisivo, poderíamos ter saído em desvantagem da fase seca da partida.

No ‘período de chuvas’ chegamos ao segundo gol através de uma jogada – típica de um camisa dez – de Caio, que se livra de um adversário e lança Gabriel, para marcar após duas tentativas (a chuva certamente dificultou o arremate do jovem lateral, porém fiquei na dúvida se ele tentou o chute ou um passe no primeiro lance).

Depois veio o ‘tempo do dilúvio’ e sinto dificuldade em analisar as imagens difusas deste período do jogo. Não consegui identificar exatamente o que se passava; se era campo ou um charco, se era futebol ou polo aquático...

O que posso dizer é que algumas características de comédia pastelão podiam ser percebidas: sequências de erros e escorregões, roupas lambuzadas e um objeto sendo atirado de um lado pro outro. Mas, infelizmente, sem o elemento principal, que é a graça.

(Foto: Pedro Kirilos, Lancenet)

– O meio de campo do Botafogo melhorou com a entrada de Sandro Silva, mas ainda carece de um jogador de transição; não tem o apoio dos laterais para suprir essa deficiência, pois nenhum dos quatro já testados tem um bom passe e velocidade suficiente para cumprir essa função;

– A insistência em encarregar Leandro Guerreiro dos combates pelas laterais pode nos levar ao pior em jogos decisivos, pois perde a maioria dos duelos neste espaço do campo, o que é recorrente em todas as partidas e me força a ser repetitivo.

– Danny Morais é o mais veloz dentre os zagueiros já testados, mas é prejudicado por um sistema de proteção deficiente, tanto pelos flancos quanto pelo meio;

– Antonio Carlos é relativamente lento, mas também sofre com a incapacidade do meio campo de proteger a zaga;

– Jancarlos, que tem como atributo a força do chute, só deu um chute a gol desde que entrou no time;

– Gabriel substituiu Marcelo Cordeiro sem que nenhuma mudança significativa tenha sido notada;

– No ataque a ausência de Herrera não foi notada, pois o setor foi pouco acionado, fazendo com que sua falta fosse mais sentida na criação e no combate à saída de bola adversária;

– El Loco deve estar guardando aquele gol providencial, e Caio tirou mais uma da manga;

– Virou moda darem cotoveladas no nosso centroavante?!

– Edno, Eduardo e Junior entraram quando já era disputada uma modalidade esportiva exótica;

– O árbitro da partida, o bandoleiro Grazianni Maciel Rocha, foi orientado pela Comissão de Arbitragem a coibir a violência ou a tirar Loco Abreu da partida contra o Flamengo?

Seja como for, somamos mais três pontos e continuamos na luta pela conquista do segundo turno, a não ser que a diretoria tenha em mente ‘almoçar’ com o ‘co-irmão’ da vez.

Saudações botafoguenses!

(Foto: Pedro Kirilos, Lancenet)

sexta-feira, 12 de março de 2010

1 bom sinal


O jogo de ontem não poderia ser considerado um bom teste para avaliar jogadores que estavam fora do time titular, mas acabou sendo para um deles e para termos certeza de que o Botafogo segue jogando mal.

Passamos para a próxima fase da competição por um triz, pois foi a punição ao São Raimundo o que nos garantiu a classificação. Que continuemos dando sorte até acertar esse time...

Mesmo jogando com raça e união, que são fundamentais, 0 meio de campo é o mesmo que não consegue proteger a zaga e nem municiar o ataque. A zaga foi vulnerável como se fosse uma defesa de time de pelada; descoordenada, lenta e desatenta. (Quanto à falta de coordenação da zaga faço uma ressalva, pois jogaram juntos pela primeira vez). Que seja...

Se não poderia ser um teste de verdade, pois a equipe adversária demonstrou insegurança e ingenuidade, deu para perceber que Sandro Silva pode não ser o jogador dos sonhos para a proteção à zaga, mas é melhor do que aquele a quem substituiu – e ainda conduziu muito bem a estrela de Joel, que o adiantou para que ficasse livre, tipo homem-surpresa, para aproveitar lances como aquele em que acabou marcando um gol; deu para notar que Danny Moraes, mesmo sendo batido facilmente num lance de gol legítimo invalidado, parece mais robusto e veloz que Wellington; foi ‘bom’ também para ficar com a pulga atrás da orelha em relação às decisões de Somália, que exagerou ao tentar exibir seu empenho.

Mas bom mesmo foi ter a chance de perceber que Edno é realmente um excelente reforço.

Como os outros três só me deixavam agarrado à esperança de que alguma coisa melhor teríamos em seus respectivos setores, e que pior dificilmente a zaga e sua proteção ficarão com eles, Edno me deu a certeza de que o jogador que precisávamos para a vaga deixada por Maicosuel chegou.

Não interessa aqui comparar a qualidade técnica de ambos. O que importa é que chegou um sujeito que toca a bola de forma certeira, corre para receber e sabe muito bem o que fazer quando a bola chega a seus pés.

O pouco que jogou me fez acreditar que seja um ótimo jogador de transição. Inicia as jogadas com velocidade e lucidez, participa do desdobramento dos lances, tem visão e técnica para servir os companheiro de time e ainda chega para finalizar.

Edno foi a única boa surpresa – e que surpresa! – do jogo de ontem. De resto, foi somente um jogo duro, duro toda vida de se ver.

Saudações botafoguenses!

(Foto: Eduardo Vianna - Lancenet)

quarta-feira, 10 de março de 2010

Oportunidade e necessidade de mudança


Já ressaltei em comentários passados que uma das qualidades que mais me agradam em Joel Santana é sua ótima leitura de jogo, o que o capacita a mudar ou preservar o rumo dos acontecimentos através de substituições e mudanças na organização tática das equipes sob seu comando.

Se na partida contra o Fluminense Joel não conseguiu se valer desta qualidade que o destaca em seu ramo profissional, que se valha agora de outra capacidade sua, que é a de encontrar as melhores peças para a formação de equipes competitivas dentro dos elencos que lhe são postos à disposição. Porque no plantel atual temos nomes para isso.

Não é momento para o esmorecimento, mas também não podemos nos enganar achando que, por estarmos com ‘a entrada garantida para a festa final’ – como bradava um botafoguense aqui do bairro –, as coisas estão indo na direção certa.

Não concordo com nosso técnico quando afirma que não é momento para mudanças, pois a necessidade se apresenta, revelada através do péssimo desempenho da equipe na última partida, quando a derrota evidenciou ainda mais a precariedade do time, que até agora não apresentou um futebol verdadeiramente consistente em momento algum da competição.

Não nos iludamos com nossa última conquista, pois este time não é forte. Mas pode melhorar, e muito.

Reforços se incorporaram ao plantel e temos jogadores que podem suprir as deficiências nos setores de defesa e meio de campo, que é onde reside nossa grande fraqueza.

Temos todo o segundo turno do Carioca para fazer testes e ajustes visando à própria conquista do título, mas também ao preparo da equipe para o Brasileiro, que é a competição mais importante do país.

Mas, sem desmerecer o time adversário, acredito que contra o São Raimundo teremos uma oportunidade ímpar de lançar – e já no time principal – alguns dos jogadores que tiveram bom desempenho em um passado recente; Edno teve boa temporada na Portuguesa, Renato na Ponte Preta, Somália no América de Natal e Wellington Junior na Seleção Brasileira Sub-20. Há de se incluir também o jovem zagueiro Danny Morais, que não teve oportunidade em seu clube, o Internacional, por disputar vaga com jogadores de bom nível técnico. Outro reforço, Sandro Silva, chega depois de ser muito criticado pela torcida palmeirense, sendo que é a mesma torcida que vaiava incansavelmente, Maicosuel.

Esta última derrota pode ser a chance que Joel Santana precisava para reforçar uma equipe que venceu o primeiro turno pela conta do chá.

A oportunidade e a urgência se associam para que nosso treinador faça as mudanças necessárias para que tenhamos uma equipe competitiva, que não é o caso de nosso atual time titular.

E só Joel – e mais ninguém em General Severiano – pode armar nosso time da melhor maneira possível, usando as peças que melhor se adequem ao seu estilo de jogo, dentre as que dispõe.

Da mesma forma que nos levou ao título do primeiro turno, o destino do Botafogo na temporada está nas mãos de Joel Santana.

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 8 de março de 2010

A farsa


Botafogo entra em campo com quatro jogadores e tudo indica que tomou indevidamente o dinheiro de seus torcedores, enganando a todos ao completar o time com sete simulacros autômatos.

* * *

Fábio Ferreira foi substituído por um clone autômato no intervalo. Não se sabe como, mas o jogador surpreendeu à massa voltando a campo em substituição ao seu próprio decoy, que parecia apresentar defeito. Acredita-se que algum ilusionista tenha feito a troca durante o intervalo técnico.

No segundo tempo Caio substitui um autômato e, mais tarde, Edno fez o mesmo.

Só o adversário jogou...

Afff!!!

* * *

Era uma cena ensaiada para um clipe de melhores momentos da carreira de Fred, em que Fábio Ferreira é o coadjuvante perdedor?

Marcelo Cordeiro estava assistindo boquiaberto ao tal filme do Fred-ou-Barney enquanto Mariano lhe roubava as pipocas?

Alguém acredita que um meio campo com Leandro Guerreiro e Eduardo possa proteger uma defesa de time que disputa a primeira divisão brasileira?

Alguém acredita que um meia como Lúcio Flávio tem condições de municiar o ataque de clube que briga por títulos?

Alguém acredita que uma defesa com Fahel e Wellington pode fazer o barco chegar à praia?

Quanto tempo levará para Danny Morais, Sandro Silva, Edno e Wellington Junior serem efetivados neste time?

A torcida do Botafogo é mesmo aquele punhado de gatos pingados que compareceu a um clássico num domingo ou sou eu um idiota por ter ido apoiar meu time, um time que acabou de vencer a Taça Guanabara?

Será que a torcida evitou o desprazer de mais uma vez ser obrigada a ver Fahel, Wellington, Leandro Guerreiro, Eduardo e Lúcio Flávio – com a camisa dez!!! – no time principal ou será que sou realmente um idiota por aceitar pagar para ver esses cabeças de bagre?

Será que já está tudo acertado com Joel Santana e os jogadores para que a diretoria garanta o dinheirinho extra dos dois jogos das finais do Campeonato Carioca?

Com uma diretoria que deixa a PM e a Ferj fazerem o que fizeram com a nossa torcida na final da Taça Guanabara, que faz acertos para entregar jogo em final de campeonato e mantém um grupo de jogadores apadrinhados no time principal, um clube tem condições de ser campeão estadual?

A única coisa de que tenho certeza é que não vi o Edno jogar, nem por vinte minutinhos.

* * *

- E o Sandro Silva?
- Ah, Biriba, esquece...
- Tá doido de cachaça?
- Quem dera.
- Vai uma branquinha?
- Deixa eu dormir, que amanhã é um novo dia e a idiotice óbvia tá garantida.
- Boa noite, então...

Saudações botafoguenses!

domingo, 7 de março de 2010

Vestiu bem


Hoje, parece que teremos no banco de reservas três boas contratações, para dois setores carentes: Danny Morais, Sandro Silva e Edno.

Não conheço a qualidade do futebol de Danny Moraes, mas acho que não seria demais esperar que não apresente as mesmas deficiências de Wellington e Antonio Carlos.

‘No arriar das malas’, Sandro Silva mostrou que pode ser grande parte da solução para a proteção da zaga e para dar a qualidade que não temos na saída de bola.

Mas minhas maiores expectativas estão investidas em Edno, pois tem as características que nos faltavam no meio campo. É um jogador técnico, veloz, tem explosão e é bastante forte. Tem visão de jogo, bom passe e toque de bola. Chuta bem de fora da área e tem boa precisão nas conclusões próximas ao gol. É versátil: pode jogar como meia de ligação, meia-atacante e também funciona bem como homem de área.

No entanto, acredito que o atributo de Edno que cairá como uma luva na equipe atual é sua obstinação. Edno parece ser obcecado pelo sucesso. Tenho a impressão – somente a impressão, isso é um chute – que o Edno é desses que entram dividindo até em jogo de futebol totó. Acho que é da mesma turma do Herrera no quesito ‘disposição’ e vai se entrosar rapidamente com os ‘hermanos’ e o Caio.

Tomara que o Joel o coloque pra jogar por pelo menos meia horinha hoje, pois estou louco pra ver o Edno vestindo nosso uniforme. Já que ele mesmo estendeu que a camisa do Botafogo lhe ‘caiu bem’, deixe um sujeito de bom gosto mostrar o que sabe!

Saudações botafoguenses!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Ufa! Vencemos mais uma

(Foto - Paulo Sérgio, Lancenet)

Naturalmente respeito a opinião dos que consideram Leandro Guerreiro útil e a dos que acreditam que Joel Santana encontrou o posicionamento ideal para Fahel em campo. Mas discordo frontalmente de ambas as visões.

O gol do adversário teve origem em um escanteio, que foi resultado de uma defesa milagrosa de Jefferson. Pois bem: 1) O chute que obrigou nosso goleiro a fazer a tal defesa saiu de uma jogada em que LG deixou o adversário livre para chutar como bem entendesse; 2) A bola que chegou à cabeça do jogador caxiense passou a um centímetro da cabeça de LG, que não subiu para fazer o corte. (Há de se adicionar aqui o fato de que Fahel o atrapalhou um pouco no lance, mas isso não é desculpa). Enfim, o que afirmo aqui é que essa ‘marcação’ frouxa de Leandro Guerreiro já nos causou sofrimentos demais e com esse sujeito não iremos muito adiante.

Quanto ao Fahel, transcrevo o comentário de um amigo botafoguense: “Nem sabia quem era esse cara (Fahel), mas ele estava com um grupo que chegou para fazer exames médicos. Vi que se tratava de jogadores do Botafogo, por causa do uniforme, é claro. Quando olhei o cara, o jeito de andar e se portar, tive certeza que boa coisa não era.” Pois bem, Fahel não era, não é e não será boa coisa assim na Terra, como no Céu. E o melhor posicionamento de Fahel sempre será o mais distante possível de um campo de futebol profissional.

A participação individual de Caio foi decisiva para nossa vitória na noite de ontem. A arrancada em que sofreu o segundo pênalti foi espetacular e fulminante. E foram várias as jogadas em que nosso jovem talento mostrou seu excelente potencial. Caio faz mal à saúde do adversário.

Agora, se Caio acha que faz boa figura aqui neste blog sendo um ‘fominha’ irresponsável, pode ir tirando o seu cavalinho da chuva. Porque não sou ‘Papai Joel’ e espero que o talentoso Caio não volte a fazer o que fez – por duas vezes! –, desperdiçando duas ótimas oportunidades de liquidar a fatura, numa partida em que estávamos ganhando por um gol de diferença. Caio, meu filho, passa a bola! Você será lembrado por isso também.

(Foto 'manipulada' - Agência Estado)

Jefferson é um espetáculo à parte. Herrera continua sendo decisivo nas partidas. MC Cordeiro está ultra-confiante, e é melhor um jogador assim do que um cabisbaixo. Por se dispor a entrar em campo seis horas depois de sua chegada e um dia após defender a seleção uruguaia, El Loco Abreu mostrou ter saído muito melhor do que a encomenda. Fábio Ferreira não tem vergonha de jogar bolas para a lateral, e isso não me envergonha, me dá tranquilidade. Wellington me deixa ansioso para ver a estreia de Danny Morais e Jancarlos, pela de Wellington Junior na lateral direita. Somália pode ser considerado uma boa contratação e Sandro Silva é o alívio final para a cabeça de área.

Acho que podemos formar uma equipe competitiva com o que temos no plantel.

E Joel Santana está conseguindo fazer um time que não é 100% seguir em campanha 100%.

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Joel é 100


Joel Santana completa cem partidas no comando do Botafogo. Foram três temporadas distintas: a vitoriosa de 97, a mal-sucedida de 2000 e esta de agora, que por enquanto nos garantiu uma vaga na final do Carioca.

Os que leem o blog há algum tempo sabem da minha admiração pelo Joel. Os que chegaram agora podem saber, lendo O Rei do Rio e Acadêmico do Futebol.

Esta é uma breve mensagem para parabenizar nosso técnico pelos justos 100 jogos e o Botafogo, por contar com a ‘estrela’ de Joel. Mas também gostaria de manifestar meu desejo de que estadia de Joel Santana seja duradoura e que venha mais uma vitória sob o comando do homem que até agora foi 100%.

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 1 de março de 2010

O sorriso do Alfaiate


O sorriso de Walter Alfaiate iluminava o ambiente. Um sorriso honesto, amplo, contagiante. Um homem simpático, espirituoso e elegante pra caramba.

Durante as filmagens de um documentário sobre o genial poeta e compositor, o saudoso Guilherme de Brito, fui apresentado ao Walter. Ele era um dos amigos do Guilherme, que formaram uma roda de samba especialmente para o filme, no tradicional Bar Candongueiro, aqui em Niterói.

Encerradas as filmagens, o samba começou a pegar fogo, porque a garotada não está interessada em ‘profundidade’: o negócio é descer a lenha no tambor e cantar no peito, mesmo. Como disse um dos ‘veteranos’: “Começou a macumba!”

O Walter estava sentado com as costas junto à parede, porque era homem sabido e se acomodava com segurança. Eu estava ali por perto e, sempre me orientando pelos gestos dos mais experientes, também garanti o meu costado.

Uma jovem, que sempre andava pelas boas rodas de samba que eu frequentava, sambava à nossa frente. Eu sempre achei que aquela moça dançava um ‘miudinho’ bem arrumado.

Olhei pro lado e notei que o Walter observava os movimentos da morena com a testa franzida, uma expressão atenta; inclinava o tronco pra frente e esticava o pescoço como se ajustasse o foco de uma luneta; espremia os lábios e a boca tomava uma forma arqueada pra baixo, admirado com o remelexo da passista. Fez um movimento ligeiro com a cabeça como se chegara a um veredito e se recostou.

Notando que eu o observava e que estávamos de olho na mesma dança, se voltou pra mim e balançou a cabeça em aprovação. Aproveitei pra perguntar: “É esse o miudinho?” O mestre, no meio do baticum, fez uma leitura labial da minha pergunta, levantou as sobrancelhas, arregalou vivamente os olhos e, repetindo o gesto de aprovação, respondeu com um demorado “É...”. “Ela samba muito, né?”, comentei. Ele abriu o eterno sorriso fantástico e se limitou a um “Ô, meu filho!”, erguendo as mãos como se fosse rezar um Pai Nosso.

Na saída, nossa equipe estava se despedindo dos convidados/personagens, os amigos do Guilherme. Me aproximei do Walter Alfaiate e disse, meio gaiato: “Seu Walter, pra usar essas abotoaduras aí, só com esses punhos nota 1000 dessa sua camisa, hein!” E ele: “É só encomendar que faço uma pra você, no capricho!”.


Uns dois anos mais tarde fui a um show que reuniu o Guilherme, o Casquinha (portelense, sambista de primeira) e o Walter Alfaiate, que nos deixou há poucos dias. Ao final, fui cumprimentar o Guilherme e a Dona Nena, sua esposa. O Walter estava junto. Acenei à distância, pois achei que ele não se lembraria de mim. Mas o incrível Walter Alfaiate abriu um sorrisão e disse: “Não vai encomendar a camisa?”

O Céu ficou muito mais iluminado com a presença do sorriso de Walter Alfaiate, botafoguense e mestre do samba. E muito mais elegante também.

Eu, coitado de mim, fiquei sem a minha camisa.

Saudações botafoguenses!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Acadêmico do futebol


“Deixa lá dizer Pascal que o homem é um caniço pensante. Não; é uma errata pensante, isso sim. Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes.” (Machado de Assis)

Joel Santana foi homenageado pela Academia Brasileira de Letras. Um de seus gestos foi beijar a medalha com a qual o presentearam, pedacinho de metal que simbolizava materialmente a admiração que os imortais da ABL têm pelo trabalho, e por que não dizer, pela obra do nosso técnico.

Que eu admiro Joel Santana, isso não é novidade. Já escrevi brevemente sobre isso no texto O Rei do Rio. Que Joel é admirado por muitos, também não é fato novo. Mas Joel Santana também é considerado por muita gente um ‘animador de torcida’, um sujeito que tem sucesso muito mais por conseguir elevar o ânimo dos jogadores, do que por seus conhecimentos táticos e estratégicos do jogo do qual é um especialista.

No meu entender, uma das grandes qualidades de Joel é essa mesma: elevar o moral da tropa. Mas o repertório do nosso técnico não se resume a isto.

Joel Santana é um craque na leitura dos jogos, faz mudanças que alteram radicalmente o curso de uma partida e é capaz de identificar com clareza as características de seus comandados e dos adversários. Se assemelha, naquilo que faz, ao patrono da ABL, que conhecia como poucos a natureza humana.

Mas Joel tem uma outra característica da qual tenho grande admiração: Joel veste a camisa do clube que defende. E foi à Academia Brasileira de Letras, com seu jeito simples de sempre, receber sua homenagem vestindo uma camisa em preto e branco e com o escudo do Botafogo estampado no peito.

Podem dizer que era indumentária inapropriada, do que discordo, pois inapropriados são muito mais os gestos e comportamentos do que a falta de gravata e paletó.

Foi um simples gesto, de um sujeito simples, porém, inteligente toda vida. E são esses gestos, os pequenos detalhes, que me dão o material com o qual lapido a última versão – mas não a final – da forma como vejo uma pessoa.

E o Joel é – e cada vez mais – muito bem visto por mim.

Parabéns, Joel Santana!

Saudações botafoguenses!

Vermelho-pretismo


Joel Santana foi à ABL vestindo uma camisa botafoguense. Agora, comparem a preferência indumentária de nosso treinador com o gosto cromático de alguns jogadores do Botafogo, no jantar de comemoração pelo título (O Jefferson tem crédito pra dar uma escorregadinha de vez em quando).

É implicância minha? Que seja.

Saudações botafoguenses!