
Não fiquei pra ver o jogo do Fluminense na rodada dupla do Maraca, porque o horário não permitia, já que tinha compromisso no dia seguinte pela manhã. Acabei perdendo a zoação muito esperta e bem humorada da Loucos pelo Botafogo pra cima do Fluminense, que soube através do amigo Francisco Lima, numa seção de comentários do Cantinho Botafoguense.
Mas foi ótimo ter ‘sucumbido’ à responsabilidade profissional, pois encontrei um amigo que vejo raramente, o que também me garantiu uma carona pra casa. Ou seja, a volta foi muito agradável.
O jogo nem tanto.
* * *
Os defeitos do time continuam os mesmos. Apesar disso, dá pra perceber que a mão de Joel Santana é bem comandada, porque aparentemente todos os problemas táticos foram diminuídos.
A defesa estava menos desguarnecida e o meio-campo tocava melhor a bola, que chegou mais vezes ao ataque, e de forma mais ‘clara’ para os atacantes.
E mesmo assim, ainda estamos muito mal.
* * *
Já disse anteriormente que considero o Joel um craque em analisar jogadores e tirar o melhor de cada um. Pois ele fez isso direitinho.
Pro Fahel deve ter dito:
- Meu filho, você vai marcar o camisa nove. Só faça isso, tá?
- E se o Leandro já estiver marcando o cara?
- Aí você marca o oito.
Fahel fez o que Joel pediu e não ficou com a cabeça virando de um lado pro outro sem saber pra onde ir.
Pro Leandro Guerreiro deve ter dito:
- Meu filho, você cola no número oito. Só faça isso, tá?
- Mas e se o Fahel já estiver marcando o oito?
- Aí você marca o nove.
E seguiu, instruindo um a um, seus jogadores:
- Fabio, você fica na sobra.
- Na sobra de quem professor?
- Não importa, vai sempre sobrar pra você.
- Tá certo, professor – responde baixinho, resignado, mas confiando no mestre e percebendo ali a proposta de um pacto de cavalheiros.
- Antonio Carlos, você dá o primeiro combate.
- E se eu perder o lance?
- Já combinei tudo com o Fabio.
- Entendi.
- Alessandro e Marcelo, venham cá, meus filhos.
- Quer falar com a gente, professor? Quer falar sobre o jogo?
- ...
- O quê que é?
- Bem, vocês atacam, mas tentem voltar – orienta Joel, evitando que notasssem que esfolava-se com cacos de telha.
- E se a gente não conseguir voltar? – perguntam Alessandro e Marcelo Cordeiro em uníssono.
- Tudo bem. Todo mundo já tá sabendo disso.
- Ah, tá...
- Lucio Flavio, meu rapaz, você é o dez do time.
- Eu sei, professor.
- Mas você também sabe que não tem o Zé Roberto nem o Jorge Henrique pra virar pra cima dos marcadores.
- Eu sei, professor.
- Então, quando a bola chegar, você toca pra trás ou pro lado. Não tente virar e partir pro ataque, porque essa não é a sua.
- Eu sei, professor.
- Quando dominar a bola e tiver uma chance, nem tente acertar o passe, porque você já tá de saco cheio dessa estória de jogar futebol e o passe não vai sair legal.
- Eu sei professor.
- Já que você parece um cara sabido, vou te ensinar um segredo: Quando a jogada estiver na direita, vá para a esquerda. Tente se esconder atrás do adversário e sempre dificulte o passe do companheiro que estiver em dificuldade, porque isso você vai fazer muito bem.
- Eu sei professor.
- Quando você já tiver errado tudo e estiver se arrastando em campo, eu te substituo. Você sai aplaudido, porque a torcida reconhece o seu valor.
- Disso eu já não sei, professor.
- Mas vai ficar sabendo.
- Eu sei professor.
- Caio, meu filho, quando eu te colocar em campo, você faz um gol, tenta fazer outro e dá um passe pro Loco, que o cara merece.
- Só isso, professor?
- Só.
- Jefferson, Herrera e Abreu.
- Sim.
- Sin.
- Si.
- Já expliquei tudo pra eles.
- Valeu, professor.
- Obridado, Roel.
- Gracias, maestro.
Saudações alvinegras!













