Como nossa criatividade não tem limites, resolvemos substituir a tradicional imagem de um bebê por uma que remetesse à ideia de novidade e ao mesmo tempo abarcasse as outras qualidades exigidas pelo diretor de campanha.
Quisemos puxar a sardinha pro nosso lado – como de costume –, mas por não encontrarmos nos quadros diretores do Botafogo alguém que se enquadrasse no conceito da campanha1, procuramos descobrir um jovem que se ajustasse ao briefing enviado por nosso departamento de marketing.
Eu e o Biriba enfrentamos grande resistência para que aprovassem nosso garoto-propaganda, pois o rapazote não tinha um phisic du role que se encaixasse nos padrões eugenistas do tipo Bebê Johnson – o clichê que agrada à maioria dos departamentos de marketing, os quais, na realidade, não estão fazendo nada além de se adequar aos anseios de uma sociedade que considera o embranquecimento racial uma espécie de panacéia que levaria ao progresso do Brasil.
Vencemos a batalha argumentando que o jovem tinha as qualidades que a campanha desejava e potencial para vir a ser amado por todos – não importando o poder aquisitivo ou o nível de escolaridade, o gênero ou a faixa etária, o clube de coração ou a nacionalidade –, o que ampliaria o público-alvo, criando o maior target da história da propaganda, e que, inclusive, projetaria a marca do anunciante – que obviamente não podemos revelar – para além do território nacional.
Mas esse blá-blá-blá já não importa agora, uma vez que a campanha foi aprovada e segue de vento em popa.
O que importa é aproveitarmos este espaço restrito a nosso seleto grupo de leitores, para revelar em primeira mão uma das fotos – em estilo ‘retrô’ – do teste de elenco. (O que demonstra nosso constante esforço para cavar um furo de reportagem e, assim, contribuir para que nossos estimados habitués mantenham-se à frente de nosso tempo).

Desejamos a todos um 2010 espetacular!
Saudações alvinegras!
1 Há de se convir que, inusitados e inexplicáveis, nossos dirigentes são. Porém, espetaculares, nem mesmo num circo e chamá-los de gênio seria zombaria. Como não temos queda pela vigarice e não somos dados ao escárnio, a direção do Botafogo do Biriba optou por manter a habitual postura circunspecta e preservar a imagem de nossos dirigentes, para evitar que se tornassem motivo de chacota e embaraço geral, numa tentativa de que em 2010 a imagem do Botafogo não seja a mesma deste ano que passou, e que passou, diga-se (e gritem com fervor), Graças a Deus!





















