terça-feira, 8 de dezembro de 2009

À torcida alvinegra


Faltou pouco para a torcida botafoguense lotar de cabo a rabo o Engenhão e talvez lotasse, se houvesse a venda online de ingressos e se a diretoria emanasse um mínimo de credibilidade para que os torcedores tivessem a certeza de que não dariam com os burros n’água, como ocorreu no Dia da Criança.

A torcida que compareceu ao estádio no domingo passado é a mesma que apoiou o time de perebas formado por uma diretoria ridícula, e o fez em diversas ocasiões. Esteve presente no jogo contra o São Paulo, colocou 70 mil no Maracanã numa final contra o Resende e superlotou o Engenhão – com uma ‘sobra’ de uns 20 mil fora do estádio – na partida contra o Avaí.

Os torcedores comuns como eu, que não fazem parte de torcidas organizadas, foram ao Engenhão em grande número num momento em que o Botafogo estava com a ponta da faca encostada na garganta. Foram assistir a um belo espetáculo de futebol (isso é uma pergunta), a uma exibição fantástica de uma equipe bem montada e confiável, um time aguerrido e brioso e formado por jogadores decisivos, com nomes de destaque, que se empenham até o último minuto de uma partida, que vestem a camisa como se fosse um uniforme de guerra e dão o sangue pelo clube que defendem? Não. Porque o time que ia entrar em campo disfarçado com camisas do Botafogo não correspondia a nenhuma destas qualidades enumeradas e nunca as terá, nem que vivam por 200 anos! E aqueles 39 mil pagantes sabiam disso.

“Então por que foram?”, perguntariam aqueles que não conhecem o torcedor botafoguense. Biriba responde: “Foram apoiar seu time de coração na hora que ele mais precisava e danem-se os pusilânimes que vestissem as camisas gloriosas. Se o recheio não é bom, que salvemos a boa massa pra uma próxima ocasião.”

O Biriba, assim como muitos torcedores esclarecidos, sabe muito bem que a imensa maioria da torcida botafoguense não gosta de porcaria, não apoia time ruim, não aplaude perebas, detesta a mediocridade.

Está provado: À torcida botafoguense não falta amor àquela estrela no escudo. A inteligência que sobra na hora de poupar energia e dinheiro em ocasiões constrangedoras e deprimentes, é a mesma que a faz gastar ambos, e com vontade, nos momentos cruciais. Mesmo quando esses momentos são inevitavelmente constrangedores e potencialmente deprimentes.

Parabéns à torcida alvinegra! É uma honra estar com vocês.

Saudações alvinegras!

Nota A: Faço aqui uma ressalva e tiro da lista de indolentes os jogadores Jefferson, Jobson, Leandro Guerreiro, Diego e Alessandro.

Nota Z: Não mencionei a inexistência de um programa de sócio-torcedor convidativo e de um sistema que facilite o acesso ao estádio, porque isso seria pedir demais para a diretoria que temos, que não consegue nem ao menos vender ingressos pela internet.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O alívio final, coisas boas e o que segue


O domingo foi especial por vários motivos: o Botafogo se livrou do rebaixamento; me encontrei pessoalmente com o Rodrigo Federman – botafoguense cinza chumbo, que assina o blog Cantinho Botafoguense, e com quem convivo quase que diariamente no mundo da internet – e seu irmão Rafael – que, a exemplo do irmão e do pai, faz parte de uma linhagem de botafoguenses que não toleram mediocridade futebolística, moral e profissional –, com o Francisco e seu filho Vitor e mais uma vez assisti a uma partida com o amigo Gil.

Foi muito bom, mesmo, torcer por nossa salvação ao lado deles, pessoas que eu tinha certeza que eram verdadeiros apaixonados pelo Botafogo e cuja vibração é sensivelmente sincera – coisa de quem não vai a um jogo pular carnaval (com todo o respeito ao carnaval). Estava em companhia das ‘pessoas certas’, digamos assim.

Espero por oportunidades semelhantes, mas tomara que o que esteja em jogo seja a conquista de um título, coisa que transmute a energia investida em algum sentimento mais instigante que o simples alívio.

Como vocês podem perceber, o futebolzinho medíocre que o Botafogo apresentou para a sua torcida, e que foi suficiente pra vencer um Palmeiras desmotivado, foi amenizado por vários motivos. E não vou me ater aos aspectos técnicos e táticos de uma partida onde o que estava em jogo era a permanência na primeira divisão do campeonato mais importante do país e, por ter sido a última, me deixou aliviado ao ponto de uma quase total anestesia, tanto física, quanto mental.

Na saída do estádio falei pros meus amigos que eles pareciam ‘sacos de papel vazios’, pois não exibiam muita energia, estavam meio 'moles', o que era natural, já que não faltaram gritos de xingamento e os de comemoração, e muita, mas muita tensão, mesmo – fora o bendito sol. Acho que era o tal alívio. Uma sensação inebriante.

Depois de passarmos um campeonato inteiro convivendo com a parte de baixo da tabela, o que certamente nos atrapalhou o sono em muitas noites, acredito que nós botafoguenses dormimos mais tranquilos ontem.

Mas acordamos certos de que não merecíamos passar pelo que passamos, nós e o Botafogo, e a torcida fará de tudo pra que não aconteça novamente.

Diretoria e jogadores indolentes, vocês podem ter certeza de que não vamos baixar a guarda. Como bem diz o Rui Moura: “Queremos nosso Botafogo de volta!”

Saudações alvinegras!!!

domingo, 6 de dezembro de 2009

sábado, 5 de dezembro de 2009

Torcida Gloriosa

De pé: Cacá, Zé Maria, Manga, Nílton Santos, Pampolini e Rildo.
Agachados: Garrincha, Didi, Amarildo, Quarentinha e Zagallo.

Os times que não entrarão em campo, mas que estarão torcendo pelo Botafogo, seja em corpo ou em espírito, serão distribuídos pelo Engenhão da seguinte forma:

Setor Oeste Superior: Manga, Carlos Alberto Torres, Zé Carlos, Leônidas e Nílton Santos; Ney Conceição, Gérson, Didi e Jairzinho; Garrincha e Quarentinha.

Setor Oeste Inferior: Osvaldo Baliza, Moreira, Zé Maria, Márcio Santos e Marinho Chagas; Carlos Roberto, Alemão, Perácio e Zagallo; Paulinho Valentim e Heleno de Freitas.

Setor Norte: Wendell, Josimar, Wilson Gottardo, Gonçalves e Rildo; Carlos Alberto Santos, Válber, Mendonça e Amarildo; Donizette e Túlio Maravilha.

Setor Leste Superior: Wagner, Joel, Osmar, Mauro Galvão e Rodrigues Neto; Leandro Ávila, Djair, Zezé Procópio e Juvenal, Roberto Miranda e Paulo César Caju.

Setor Leste Inferior: Paulo Sérgio, Cacá, Brito, Nariz e Waltencir; Luizinho, Afonsinho, Martim e Dirceu; Maurício e Carvalho Leite.

O Setor Sul é reservado para a torcida visitante, mas por lá podem ficar ‘infiltrados’, Victor e Ricardo Cruz, pro caso de algum problema na retaguarda. E pra reforçar o ataque, podem se juntar a eles: Mimi Sodré, Nilo Braga, Heitor Canalli, Áttila de Carvalho, Patesko, Octávio Moraes, Rogério Hetmanek, Paulinho Criciúma, Valdeir, Carlos Alberto Dias...

Time foi o que não faltou ao Botafogo ao longo de sua história e torcida é o que não vai faltar neste domingo.

Salve, Tarzan! Sua presença também é esperada.

Saudações alvinegras!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Botafogo x Palmeiras e a Guerra Gaúcha


No primeiro turno o Botafogo foi ao Parque Antártica jogar contra o Palmeiras. O time paulista liderava o campeonato e o Botafogo estava na 15ª colocação, com praticamente metade dos pontos do clube da casa. Mas a desvantagem não se limitava à pontuação e nem a algum critério subjetivo, pois o alvinegro acabara de trocar de técnico e estava desfalcado de seis ‘titulares’ – fora o péssimo preparo físico da equipe, que Ney Franco deixou no seu rastro de destruição.

O novo treinador era a esperança da torcida e eu, um entusiasta da nova contratação. Mas Estevam Soares teve apenas entre três e quatro dias para treinar uns caras que não treinavam nunca! A torcida estava completamente pra baixo, e todos acreditavam que o Palmeiras ia dar uma goleada no Botafogo.

Eu não achava o mesmo, porque alguns dos problemas que o time enfrentaria, poderiam ser soluções. No meu modo de ver, a falta de treinamento comandado pelo novo técnico seria superada pela vontade dos jogadores mostrarem serviço, e a ausência de titulares seria uma oportunidade para o time jogar sem um monte de perebas usuais e com os reservas se juntando ao resto, no empenho em fazer boa figura ao treinador.

O resultado disso foi um time aplicado na marcação e que não deixou o Palmeiras construir coisíssima nenhuma no primeiro tempo. Fizemos um gol e tivemos um pênalti não marcado, porque o juiz tinha preferência pela cor verde. O time acabou cedendo o empate em falha dupla, combinada entre o sempre péssimo zagueiro Juninho e o estreante entre os titulares, Flávio.

Na segunda etapa o Botafogo abriu o bico e um certo sufoco se estendeu até ao final da partida, porque a equipe palmeirense era, sem dúvida alguma, superior à nossa.

Dito isto, gostaria de relembrar à torcida alvinegra, que o time que enfrentaremos é o mesmo Palmeiras que precisou de uma ajudinha da arbitragem, para não ficar em desvantagem de dois gols sob um time desfalcado, sem treinamento tático e técnico, e sem preparo físico.

E ainda existe o agravante de parecerem mais desequilibrados que nós, já que a torcida anda estapeando seus jogadores e eles mesmos se atracando em campo. Fora o presidente do clube que incita os torcedores à violência contra juízes e tenta usar seu poder político para levar a partida para Volta Redonda, num ato que revela o desespero de um time que tinha tudo para ganhar o campeonato mais fácil dos últimos anos, mas titubeou quando estava em vantagem e agora está sob o fogo cruzado da guerra entre os gaúchos.

Porque está claro para o Palmeiras e para todo o povo brasileiro, que o clube vem para uma partida sabendo que não tem chances de ser campeão, já que o Grêmio vai repetir a dose de veneno que o Internacional lhe enfiou no ano passado.


Se soubermos usar a nosso favor a desvantagem que o adversário tem em relação ao Flamengo – e o painel eletrônico do Engenhão confirmará, no decorrer da partida, o agravamento desta desvantagem, que será, e da forma como será obtida pelo oponente, diga-se, uma vergonha –, poderemos sair do Engenhão com o peito aliviado, porque o Palmeiras, por mais olímpico e brioso que seja, sentirá o peso psicológico de ver o título escapando de suas mãos, justamente no decorrer de uma partida.

E o Botafogo não tem nada a ver com isso.

Saudações alvinegras!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Jobson e o Gigante


Jobson era um judeu baixinho que não gostava de academia. Enquanto a rapaziada ficava malhando ferro e trocando pancada com marmanjo, Jobson ficava na dele, curtindo uma praiana e praticando com umas amigas.

Certo dia, os filisteus, uns caras sangue-ruim toda vida e que não iam com a cara dos judeus, resolveram dar um sacode no pessoal de Judá, que era o bairro onde Jobson morava. Marcaram um lugar pra trocar porrada e se encontraram em Azeca, uma quebrada sinistra, lá pros lados do Oriente Médio, bem depois de Niterói.

A chapa já estava quase esquentando quando um tal de Golia, um cara grandalhão e cheio de marra, marombeiro bombado e lutador de Muay Thai, resolveu tirar uma onda e disse que pegava de porrada o primeiro que caísse dentro. E, pra esculachar de vez, ainda disse que se levasse uns tapas de algum manezinho, mandava os filisteus pagar o mico de virar escravos dos judeus.

Saul, que era o cara que mandava nas paradas dos judeus, amarelou na hora do vamos ver. Olhou pra trás e viu sua rapaziada toda com cara de Lucio Flavio e sacou na hora que ninguém ia comprar a bronca.

O tal de Golia era tão grande, mas tão grande, que a turma dele só chamava o cara de Gigante. (Os filisteus eram um povo sem criatividade nenhuma).

Todo dia o Gigante Golia voltava pra encarar os judeus, e os caras continuavam botando o galho dentro. Tremenda situação estranha, os judeus sendo esculachados e o Gigante tirando a maior onda.

Um dia, o pai de Jobson mandou o moleque levar um rango pros irmãos mais velhos, que estavam no meio do pessoal que amarelou pro pitboy. Jobson se interou das paradas e disse que encarava o Gigante numa boa e que ia arrancar o couro do mané.

Todo mundo achava que Jobson era um comédia e ia levar uns tapas. Ninguém botou fé no moleque. Mas Jobson pegou o estilingue e partiu pra encarar o Gigante.



Maior cena estranha: de um lado, um moleque magrelo, de bermuda e com um estilingue na mão e, do outro, um cara sinistrão, marcando uma beca tipo medieval e uma espada ninja.

O Gigante tirou onda com a cara do moleque, dizendo que Jobson era um rosca fina, filhinho de mamãe e que nunca passou da quinta fase do Mu Chaos (o Gigante era meio afetado, mas ninguém tinha coragem de dizer, porque o cara era grande mesmo e vivia treinando jiu-jitsu).

Mas Jobson não encolheu o couro e ainda botou pilha. Disse que já tinha trucidado um monte de mané bombado que gosta de roupa cafona do Final Fantasy e ainda ia quebrar os playstations dos manezinhos filisteus.

Golia riu, “Rá, rá, rá!” e partiu pra dentro.

O Gigante achou que a parada era o maior molinho e veio estufadão pra cima do moleque. Jobson tirou uma pedra portuguesa (aquela pesadona, que tem umas pontas sinistraças) da mochila, colocou na funda (eles falam esquisito pra cacete na terra deles) e mandou no meio da lata do safado.

O Gigante caiu que nem uma jaca podre. Os filisteus falaram: “Ô lôco, meu!(Eles falam assim lá no Egito).




Pra tocar o terror de vez, o moleque ainda pegou a espada do Gigante e cortou a cabeça do maluco. Sinistro!


(Caravaggio: Davi e Golias. c. 1599)

A galera do Gigante passou mal com a cena e meteu o pé. Na debandada um maluco ainda conseguiu meter a carteira de um tal de Fahel, que olhava pra todos os lados meio perdidão.


(Caravaggio: Davi com a cabeça de Golias. c. 1609-10)

Jobson levantou a cabeça do Gigante pelos cabelos e disse: “Mó otário, aí... Falei pra ficar frio, mas neguzinho se esquenta por qualquer besteira e acaba perdendo a cabeça à toa.”

Saudações alvinegras!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Quanto mais difícil, melhor

(Peter Paul Rubens: David Matando Golias. c. 1616)

Sempre tive a impressão de que o Botafogo joga melhor contra equipes tidas como ‘grandes’, do que contra os ‘pequenos’.

Pode ser algum tipo de sentimento de desprezo ao que lhe parece inferior, uma certa altivez. Também pode ser fruto de uma ‘autoconfiança degenerativa’, que se tornou maléfica por se contaminar com o vírus da soberba, ou mesmo uma sina que o conduz a se interessar apenas por grandes desafios.

Seja como for, tenho a impressão de que contra os clubes considerados ‘fortes’ nosso desempenho melhora; assustadoramente para eles, e satisfatoriamente para nós.

Neste mesmo campeonato, que se encerra melancolicamente para o lado do Botafogo, conseguimos melhores resultados jogando contra ‘times grandes’, do que jogando contra os ‘pequenos’.

No comecinho da competição veio o empate em jogo fraquinho contra o Corínthians – o bicho-papão do momento, mas que era na verdade uma espécie de Gasparzinho. Vencemos o Santos, empatamos com o líder, Atlético MG, no Mineirão, e vencemos o Internacional. Na estreia de Estevam Soares o Botafogo empatou com o Palmeiras, no Parque Antártica, com direito à não-marcação de um pênalti, quando ganhávamos de um a zero e 'desfalcados' de seis titulares.

No segundo turno, contra o Corínthians, foi aquela roubalheira a que todos assistimos e ainda arrancamos um empate. Empatamos com o Cruzeiro e o mesmo contra o Grêmio, em outro caso de ataque de mafiosos disfarçados de juízes de futebol. Vencemos o Goiás (uma exceção à regra dos ‘grandes’, pois estava ‘embalado’ e tem um bom time) no Serra Dourada e, no Engenhão, jogando como ‘time grande’, despachamos o Atlético Mineiro. Ainda vencemos o Inter no Beira Rio e o São Paulo ‘de revirada’, em partidas memoráveis; uma pela garra e outra pelo brilho da estrela de Jóbson.

Chegamos à última rodada do campeonato dependendo de uma vitória para não ter que contar com um resultado alheio ou de um empate, que nos leva a torcer para que o tricolor vença a sua partida.

Por incrível que pareça, eu prefiro encarar um ‘time grande’ a ter pela frente um ‘Arranca Toco’ (referência a um time do bairro que meu pai morou quando criança, nada a ver com os adversários pejorativamente chamados de 'pequenos'), pois no mundo botafoguense as coisas acontecem ao contrário. Se fosse um jogo contra um time considerado ‘pequeno’, eu estaria com a guarda baixa, esperando o pior. Mas é contra o Palmeiras, o time do Ex-Ministro de Estado, ‘time de tradição’ e que, ainda por cima, chega à última rodada disputando o título!

Ora, botafoguenses! Se é assim, então melhorou. Era o que estava faltando, era a pedreira a ser encarada. Se quem vem é o Palmeiras, acho que dá pra acreditar na salvação.

Com o Botafogo é assim. É só dificultar, que as coisas ficam mais fáceis.

Nota: Vocês podem ler no Cantinho Botafoguense o texto que me inspirou a escrever esta postagem. O texto do Rodrigo é um comentário que analisa uma reportagem do Lance, na qual é demonstrado que o Botafogo tem ótimo aproveitamento contra os times mais bem colocados na tabela.

Saudações alvinegras!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Botafogo do Biriba apoia o MCR


Vou começar pelo óbvio dizendo que é certo que a derrota para o Atlético PR não é coisa que passou. Muito pelo contrário, ela está presente e é parte do que pode decidir nosso futuro. Temos que reunir forças e partir com tudo contra o Palmeiras no próximo domingo. Estarei lá, todos estaremos, seja de corpo presente, seja em pensamento.

O importante é ter a certeza de que para essa enrascada temos saída.
___

A semana botafoguense é longa e começa com uma reunião do MCR Movimento Carlito Rocha, que tem como pauta o programa de sócio-torcedor.

É mais uma oportunidade de reunir torcedores insatisfeitos com a atual administração do clube, para que fortaleçamos a ideia de formar uma frente de oposição que reflita os anseios das vozes divergentes e lute para garantir ao BFR sua grandeza, que está sendo ameaçada por um poderoso processo de vilipêndio e apequenamento, encabeçado pelos atuais gestores.

O Botafogo do Biriba apoia o MCR na luta pela implantação de uma administração profissional do Glorioso, que se espelhe em empreendimentos bem sucedidos e esteja aberto a inovações, trazendo para nosso clube de coração um projeto que reflita os mais altos padrões da gestão esportiva contemporânea. E, principalmente, que prime por colocar o bem do clube acima de quaisquer interesses pessoais ou empresariais que o possam prejudicar.

Serviço:
Reunião do MCR Movimento Carlito Rocha
Local: Sindicato dos Bancários – Avenida Presidente Vargas 502, 21º andar (RJ)
Data e hora: 30/11 às 19h

Saudações alvinegras!

1... 2... 3...

O que comentar sobre o que vi na tarde de domingo?

Diria que confiar na capacidade de um reserva do reserva do Figueirense é coisa de gente irresponsável, ou que Estevam Soares teve uma falência mental quando observou que Ricardinho estava demonstrando ‘desempenho técnico impressionante’? Todos já não sabiam que Wellington é frágil e perde três de cada duas antecipações? Deveria estranhar o fato do Atlético nem precisar nos pressionar para garantir a vitória? Deveria lamentar a traição de Victor Simões, quando ‘desarmou’ Alessandro para ‘servir’ o adversário, dando origem à posse de bola que levou ao segundo gol? Reclamar da vida por nos ter dado uma diretoria que contrata amiguinhos e nos trouxe um sujeito constituído de vento, homem de palavras comedidas, futebol acanhado e virilidade ínfima, para vestir nossa camisa de número dez? Perguntar o que leva Renato, um atleticano agnóstico, a proteger tão bem a bola para em seguida entregá-la de volta ao adversário? Deveria eu saber as razões que movem um treinador a colocar Alessandro para jogar na posição de um meia? Como imaginar que o melhor passe da partida seria feito por Emerson, que deixou o adversário na cara do gol, para deleite de Fahel, que teve ótima oportunidade de cometer um pênalti? Como explicar o motivo de Jônatas não ser escalado de início? O quê acrescenta Thiaguinho? Quando Reinaldo anunciará sua aposentadoria? Como Estevam Soares conseguiu copiar Ney Franco perfeitamente? Quantas vezes Leandro Guerreiro precisará falhar em lances decisivos, para a torcida perceber que se trata de um jogador não-confiável? Poderia eu prever que, ao cabecear com perigo uma bola na trave, Fahel selaria nosso trágico destino, por ter se aliado a forças malignas que nos cobrariam a dívida no final?

É este o time que o presidente Assumpção disse que iria disputar o título brasileiro? É a desgraça o que o vice Silva e o gerente Barros entendem como resultado de um bom trabalho? É esta situação o que seus correligionários consideram como fruto de uma administração satisfatória?

Termino aqui minhas indagações ou continuo sem trégua até a segunda divisão?

Saudações alvinegras?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Era uma vez, Jóbson...


“Outros clubes fizeram propostas e podemos fechar a qualquer momento. Não creio que o Jóbson fique no Botafogo. As chances são pequenas”, disse o presidente do Brasiliense, Luis Estevão, que garantiu que há um clube da Alemanha interessado no jogador.

Esta notícia foi publicada no Jornal dos Sports online, mas esteve estampada por outras paragens.

Está certo quem acha que o Botafogo é uma vitrine para que jogadores em baixa apareçam para depois garantirem bons contratos por outras bandas. E podem estar certos também aqueles que pensam que a diretoria alvinegra é formada por um conjunto de incompetentes que não entendem nada sobre o mundo do futebol profissional. Mas é natural que existam os que pensem coisa pior a respeito destes senhores.

Eu mesmo sou um dos muitos que desconfiam que os maiores responsáveis pela debandada de Jóbson ao final do campeonato e pela ida de Maicosuel para o futebol alemão se fazem de idiotas, pois no fundo entendem mais de artimanhas de bastidores e acordos de surdina do que aparentam, escondidos por detrás de simulacros de débeis mentais. Pilham o patrimônio alvinegro em ritmo acelerado, quando deveriam prezar pelo bem do clube para o qual supostamente trabalham, simulando serem simples idiotas.

E estes senhores tem nome. São eles: Mauricio Assumpção, Andre Silva, Anderson Barros e correligionários. Enquanto estiverem administrando o futebol do clube, mesmo que se salve do rebaixamento, o Botafogo não sai da lama.

Nota: Para saberem mais sobre as mentiras e incoerências que envolvem o ‘caso Jóbson’, leiam o comentário do Rodrigo, no Cantinho Botafoguense. Aparentemente os dirigentes do Botafogo, no mínimo, perderam de vez o pudor.

Jóbson massacra a serra elétrica


(‘Jóbson sai de cena pela direita do quadro’: Globo Esporte)

Parece que os editores do Globo Esporte sabiam de ‘algo mais’ quando redigiram e editaram, junto a imagens de caça-níqueis, a afirmação: ‘Jóbson, aposta certa’.

Saudações alvinegras!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Arquiba lança os 'Dez Mais' e Roberto Porto escreve mais um


Ilustre botafoguense, o jornalista Paulo Marcelo Sampaio lançou na segunda-feira passada o livro Os Dez Mais do Botafogo, na Saraiva do Botafogo Praia Shopping. Paulo Marcelo também assina o blog Arquiba Botafogo.

Na mesma noite, Roberto Porto, mestre do jornalismo esportivo nacional e botafoguense que dispensa apresentações, lança mais um livro, Botafogo: o Glorioso, na Saraiva do Rio-Sul.

O Biriba recomenda a leitura de ambos, além de visitas regulares aos respectivos blogs.

Parabéns, Paulo Marcelo e Roberto Porto e muito sucesso com os livros!

Nota 1: Os diretores de marketing das editoras Maquinária e Leitura 'acertaram' a(s) data(s) de lançamento pra confundir ou pra complicar?

Nota 10: O Gil foi aos dois eventos. Sabe-se lá como, mas nosso grande amigo conseguiu estar presente nos dois lugares e as fotos que seguem são provas da façanha. Salve, Gil! Bufalo Gil?



Saudações alvinegras!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A estrela de Jóbson


Um jogo com cinco gols não pode ser considerado um espetáculo feio. Isso não implica em que eu ache que foi uma bela partida. Mas um jogo que vencemos o líder do campeonato, de revirada e com um ‘gol de artilheiro’ aos 45 do segundo tempo, mesmo não sendo uma linda partida, com certeza foi um jogo ótimo de se ver.

O sol de rachar o crânio com certeza massacrou quem esteve em campo e vale relevar uma aparente 'moleza' aqui e ali.

As tramas de ataque botafoguenses não se mostraram muito claras e as são-paulinas foram barradas pelo meio-de-campo e defesa alvinegros. Acho que as condições climáticas extremas contribuíram para que todos tivessem o desempenho individual comprometido.

O dois gols são-paulinos resultaram de falhas defensivas, enquanto os nossos foram fruto de jogadas individuais. Ou seja, nossa defesa continua um fiasco e nosso ataque depende do brilho de algum jogador.

Do lado alvinegro um dos destaques negativos foi Wellington, que em todas as jogadas contra Washington deixou seu marcador proteger a bola e virar. No segundo tempo isso aconteceu duas vezes em uma mesma jogada. No lance do primeiro gol ficou prostrado olhando o são-paulino cabecear livremente e, no segundo, ficou dançando com os bracinhos para o alto, como se dançasse ao som de um trio-elétrico.

Outro ponto negativo de nossa equipe foi Fahel, inexplicável existência no meio futebolístico. Roubou algumas bolas, mas por descuido adversário. Sua completa falta de noção tática e visão de jogo compromete a todos. No primeiro gol sofrido não marcava ninguém. Vaga a esmo durante o desenrolar da jogada e nem mesmo se aproxima de Marlos, quando este perde o lance. Sua má leitura do jogo, em conjunto com Reinaldo, deixou Junior Cesar livre para fazer o cruzamento. No segundo gol, não se desloca para o lance crítico, não ‘cola’ em Hernanes – que estava na entrada da área –, em suma, nada faz.

Junte-se a estes Alessandro, Juninho, Lucio Flavio e Reinaldo. Em ordem: por não se empenhar 200%, sendo que é a única qualidade que tem; por serem os dois amarelões que sempre serão; por ser a empulhação do ano (com o risco de uma renovação de contrato).

Leandro Guerreiro, apesar de cumprir muito bem a função de anular a origem das jogadas adversárias, mostrou-se, como sempre, deficiente nos momentos decisivos, afrouxando o combate numa jogada claramente perigosa, e que resultou no segundo gol do São Paulo.

De bom, além do empenho de todo o grupo – com destaque para de Leandro Guerreiro neste quesito –, a boa disposição tática de Diego e Renato deu consistência ao meio-de-campo, mesmo que tenham errado algumas jogadas (Renato mais do que Diego).

Jefferson continua sendo nossa garantia defensiva (uma defesa incrível), mas Jóbson foi o herói da partida. A torcida já estava fazendo muxoxo depois do atacante perder alguns lances – ai, ai, ai, torcida. Mas, frente à inexistência de tramas ofensivas, suas jogadas individuais eram o que nos restava, além de parecer ser o que o treinador estipulou para ele.

De uma ‘sobra’ deu início à jogada que resultou num golaço. Envolveu o marcador e ainda aproveitou o rebote – sorte nossa que Victor Simões fechou os olhos e errou a bola –, deixando Renato livre para marcar. No terceiro gol fez o que um ‘artilheiro’, um ‘matador’, um legítimo ‘homem-gol’ deve fazer e deixou Miranda um pouco mais distante da Copa e o Botafogo um pouco mais próximo da salvação.

Ganhamos com a raça e com o brilho da estrela de Jóbson. Salve, Jóbson!


Gol da vitória aos 45 pode levar à morte, mas aos 48 morreria feliz da vida

Nos dias que antecederam a partida de domingo estive à cata de um meio para ir ao jogo, mas não conseguia nada. Já estava psicologicamente preparado para enfrentar ônibus e trem, munido de um par de muletas. (Para quem não frequenta o blog, explico que estou me recuperando de uma fratura na perna).

Andar com muletas pode ser doloroso e, dependendo da distância, uma tortura passo a passo. A disposição para enfrentar ônibus e trem e mais a caminhada, deixava a coisa toda com jeito de ideia de maluco, mas enfiei na cabeça que tinha que ir àquele jogo.

Já tinha despistado as pessoas de casa dizendo que ia assistir ao jogo na casa de uns amigos, quando às duas da tarde toca o telefone. O sobrinho de um amigo – que estava tentando conseguir uma vaga numa dessas vans – ligou dizendo que alguém havia desistido e que eu tinha meia hora para me arrumar. Voei para o ponto de encontro e parti para o Engenhão com uma galera de jovens botafoguenses, gente muito boa.

Já no estádio, o pessoal se dispersou. A maioria ia para o setor Inferior Leste e eu queria ir lá para cima, me encontrar com o amigo Gil. Mas o elevador estava parado (!!!).

Fiquei um tempo olhando as rampas e concluí que enfrentar a subida seria heroísmo demais. Dei um jeito de me deixarem ficar lá por baixo, me esgueirando do sol no espaço reservado aos cadeirantes.

Vi o primeiro golaço do Jóbson meio que por baixo do braço de um feliz torcedor, que estava de pé, involuntariamente ‘quase’ na minha frente. Na emoção do gol, me levanto de supetão e a muleta crava no pé do sujeito, ‘quase’ involuntariamente.

Assisti ao time recuar, ao juiz acrescentar o tempo exato necessário para que o São Paulo empatasse, tendo ao meu lado um sessentão botafoguense, gente boníssima, que detestava Juninho, Alessandro, Lucio Flavio, Renato e Reinaldo, e que só gostava do Jefferson, do Diego e do Jóbson. Achei tudo muito estranho e troquei de lugar para o segundo tempo.

Fiquei no sol mesmo, porque a sombra estava descendo, ficava mais perto para xingar o Rogério Ceni (faz parte do jogo) e não gosto de proximidade com torcida alheia.

A virada veio como uma facada, mas por algum motivo eu estava muito confiante. Tinham uns flamenguistas por perto (meu ‘sensor alvinegro’ tem dessas coisas) e, por algum outro motivo, isso também parecia um bom sinal.

No meio da confusão da jogada que levou ao gol de empate eu já estava com as muletas pro alto e gritei 'gol!' antes do Renato enfiar a cabeça na bola. Passei mal com o pulo de uma perna só e voltei rápido para a cadeira, restabelecendo os sentidos.

Achava que dava para ganharmos a partida. O São Paulo perdia ótimas chances, estava com um jogador a menos, mas nossas jogadas pareciam confusas. Foi quando Juninho deu um carrinho digno de um troglodita lobotomizado, que me veio a certeza como um raio: a vitória era certa. (É bom registrar que isto não é do meu feitio).

Quando a bola sobrou para o Jóbson no mano a mano com Miranda, àquela altura do jogo, o gol não podia esperar pelo próximo lance. O herói da tarde deixou o zagueiro ‘de seleção’ dançando tipo um ‘cartoon’ e estufou a rede! Explosão total, Engenhão roncando no último volume, vdo no vermelho. Revirada! E a torcida com a expressão que deveria ser a de sempre.

Voltando à van, um camarada botafoguense, o único quarentão como eu, confessou que passou mal e teve que se deitar por um tempo, quando o juiz soprou o apito final. Contei a ele que minha pressão baixou na comemoração do gol de empate. Conversamos sobre jogadores dos anos 70 e concordamos que já estávamos numa idade perigosa para emoções muito fortes.

É certo que a carcaça já não aguenta o mesmo tranco, mas morrer ganhando é melhor.

Saudações alvinegras!

PS: Acho que o pessoal da van me considera um pé-quente, mas, pra mim, sorte é estar bem acompanhado. Salve, o transporte solidário!

(Arte 'covertida para o preto e branco': Kevin Whitlark)


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Seremos roubados ou prejudicados?

(Onde está o Wally, quer dizer, o São Paulo?)

Não é pessimismo, não é masoquismo e também não tem nada a ver com alguma disposição premonitória estrassensorial: é uma constatação simples, sem nenhuma complexidade em sua elaboração, resultado da análise dos fatos.

Os fatos são que o São Paulo está defendendo a liderança, é o time do apito há muito tempo – o próprio Botafogo durante anos vem sofrendo com o time queridinho das arbitragens delinquentes –, e não seria justamente num momento crucial como este, que as coisas mudariam de figura.

O Barueiri e o Santo André já foram vítimas das garras da máfia paulistana do apito, que já fez o próprio Corínthians virar carne de espeto – isto porque o também queridão dos prestidigitadores arbitrais já estava fora do páreo. (Somente citando exemplos do segundo turno).

Dito isto, gostaria agora de revelar os sete procedimentos que o Botafogo será obrigado a fazer para ganhar a partida de domingo. Segue a receita:

1) O Botafogo terá que marcar no mínimo três gols;
2) Os gols terão que sair de jogadas com a bola rolando ou Juninho terá que acertar chutes de 40 metros de distância, porque nesta partida, pontapé em jogador do Botafogo perto da área tricolete será ‘lance de jogo’*;
3) Não reclamar de faltas invertidas, de jogadas violentas e jamais de pênaltis claros a nosso favor, pois quem der um pio levará cartão amarelo de primeira e na oportunidade seguinte será expulso ‘justamente’*;
4) Teremos que cometer faltas antes da intermediária de defesa, porque na partida de domingo, coceira em são-paulino é falta e espirrar dentro da área é pênalti ‘indiscutível’*;
5) Sugiro que, além dos pés, marquemos também as mãos dos adversários, porque a máfia do apito já está ‘reciclando’ seus comparsas através de vídeo-conferências, nas quais os adeptos da cleptomania arbitral têm a oportunidade de aprender com expertises em maracutaias internacionais a interpretar ‘bola ajeitada com a mão’ – sendo do ‘time-da-casa’, no caso o São Paulo, é claro –, como sendo ‘lance duvidoso’* ou ‘não-intencional’*.
6) Uma extensão da sugestão acima é que façamos a bola chegar até ao fundo das redes de forma violenta, para que balancem visivelmente – de preferência com um chutão já dentro do gol, daqueles de estufar de vez –, porque já fez parte do curso de larápios o tópico que explica a não marcação de gol em bola que entra meio metro – como no caso da final entre Suíça e Nigéria;
7) Perto do final da partida, quando o Botafogo estiver em vantagem no placar, a atenção deverá ser triplicada, porque o jogo não acabará antes dos 52 minutos do segundo tempo.

Se seguirmos esta receita, a vitória virá fácil, fácil.

* Expressões utilizadas pelos formadores de quadrilha, quer dizer, de opinião, da flapress.

Saudações alvinegras!