
Partidas contra o Flamengo me são úteis como um filtro que separa os que 'servem' dos que 'não servem' para representar em campo o Botafogo de Futebol e Regatas. Se o sujeito fica nervoso, 'abaixa a cabeça', não entra firme, tem desempenho abaixo do que normalmente apresenta, faz jogadas estranhamente bisonhas, titubeia nos momentos decisivos, um sinal de alerta se acende em meu painel mental, indicando que o cidadão 'não serve'. Diferente desses, o jogador que 'serve' não se abate frente à camisa rubronegra. Pelo contrário, os jogadores com os quais podemos contar 'crescem’ e suas qualidades se amplificam. Ser ou não tecnicamente bem provido pouco importa para meu sistema de filtragem, pois o que está em avaliação é a capacidade que tem um jogador de não se afetar negativamente por fatores extra-campo, que sempre serão desfavoráveis ao Glorioso.
No jogo de ontem meu 'filtro' indicou o seguinte:
Jefferson 'SERVE': Continua sendo e será, sempre que envergar o uniforme glorioso, um digno representante da tradição botafoguense de contar com grandes goleiros. A defesa espetacular em chute à queima-roupa no final da partida foi digna dos melhores do ramo e não reprisá-la é uma prova de sua qualidade, pois demonstra o esforço por parte da imprensa em não criar um termo de comparação ao tão badalado goleiro da equipe oponente. A diretoria deveria tentar assinar um contrato de no mínimo três anos com o jogador, mas é formada pela mesma turma que o mandou embora depois de demonstrar ser um goleiro extremamente promissor – o que não causa surpresa, pois é uma turma formada por masoquistas que estão a fazer de tudo para destruir o Botafogo.
Alessandro 'SERVE': Alessandro não pode ser considerado um supra-sumo em nenhum aspecto técnico do futebol, mas esportivamente é impecável. Seu espírito de luta, sua determinação inabalável, o ímpeto com que defende as cores do clube destoam da maioria que por ali passaram nos últimos anos e ainda mancham a história alvinegra. A disposição de Alessandro ganha força quando joga contra o Flamengo. Melhor um mediano confiável do que um melhorzinho acabrunhado.
Juninho ‘NÃO SERVE’: É fraco fisicamente, tecnicamente, intelectualmente, psicologicamente. Seu perfil pode ser sintetizado pela forma débil e amadorística com que deu combate a Adriano no lance do gol e a Zé Roberto, nas duas vezes em que este último conseguiu concluir – cerca, cerca e deixa chutar. Juninho é o melhor exemplo de um jogador que ‘não serve’ para jogar no Botafogo FR.
Wellington ‘NÃO SERVE’: Tive uma ótima impressão deste jogador nas primeiras vezes que atuou pelo time e o defendi entusiasticamente. A forma como deu o primeiro combate ao jogador Adriano e foi vencido, como tentou claudicantemente se recuperar e, posteriormente, sua associação a Juninho para formarem o vão do ‘arco do triunfo do imperador’, no lance que culminou em gol, me levaram a incluí-lo no rol dos jogadores com os quais não podemos contar.
Diego ‘SERVE’: Conhece bem suas limitações técnicas e joga no limite de suas aptidões. É inteligente taticamente, aguerrido, não considera nenhum lance como ‘perdido’ e possui o atrevimento indispensável aos jogadores que ‘servem’.
Leandro Guerreiro ‘NÃO SERVE’: Aguerrido, Leandro Guerreiro é um lutador incansável até o último minuto de todas as partidas, mas treme quando enfrenta o Flamengo, o que é um indicador determinante de que é jogador que ‘não serve’. Nos momentos decisivos demonstra fragilidade mental para tomar decisões cruciais. Estava ‘marcando’ Renato Augusto quando o jogador chutou e marcou na decisão de 2007; não reagiu a um drible de Juan que culminou em gol de Obina, em 2008; nesta última partida foi driblado da mesma forma – de maneira um pouco mais desmoralizante – por um jovem zagueiro flamenguista, em jogada que poderia representar grande perigo. Um perdedor nato, daqueles que a diferença entre vitória e derrota tem maior significado ortográfico do que semântico.
Batista (o ‘filtro’ não indicou alteração): Um jogador voluntarioso e aguerrido, dispersivo e inconstante, alterna momentos de lucidez e lances de completa dissociação da realidade.
Reinaldo ‘SERVE’: Não se sabe se vai voltar à forma, deixar de frequentar assiduamente o dep. médico, conseguir manter uma constância na qualidade de suas atuações, jogar uma partida inteira. Mas não há dúvidas de que é um profissional que veste a camisa do clube que defende e não se intimida quando enfrenta o time que o revelou para o futebol. Marcou um gol numa final de campeonato e se manteve obstinado na tentativa de ajudar o time a chegar a um resultado favorável até sua inexplicável substituição. Quando ‘inteiro’, pode-se contar com ele.
Lúcio Flávio ‘NÃO SERVE’: Bem educado e ponderado, um sujeito de formação humana acima da média, um gentleman. Como jogador – e especialmente contra o Flamengo, que é o cenário de ensaio propício ao uso do ‘filtro’ – não se apresenta quando se depara com situações difíceis, some quando dele mais precisamos. Quando aparece, falha na hora decisiva. Em toda a partida fez apenas uma boa jogada, quando deixou André Lima em ótima posição para o arremate, no finalzinho da partida. No lance do pênalti ficou a impressão de que a cobrança foi ‘ensaiada’ à exaustão e que o goleiro adversário já sabia de antemão todas as ‘marcas’ do script ‘engessado’ de Lúcio Flávio. Um jogador que revela ter escolhido o canto para bater uma penalidade máxima e não tem a capacidade de alterar esta escolha, mesmo que o momento apresentasse uma situação clara, óbvia, demorada, ou seja, extremamente fácil para a reversão do que foi previamente estipulado, não pode ser cobrador oficial de nenhum time do planeta. Lento, acanhado e previsível.
Jobson ‘SERVE’: Não se impressionou com ‘a camisa’ adversária e tentou o que pode dentro de suas limitações. Foi marcado individualmente durante toda a partida e as pífias opções táticas de ataque não o colocavam em condições de ameaçar o gol adversário, sobretudo por seu posicionamento afastado da área, o situando mais como armador do que como atacante.
André Lima ‘SERVE ou NÃO SERVE’? (o monitor do ‘filtro’ ficou cravado em 50%): Não ‘abaixou a cabeça’ e não deixou de ‘entrar firme’ e buscar o jogo, mas esteve o tempo todo
nervoso, com o desempenho abaixo do que normalmente apresenta, fazendo jogadas estranhamente bisonhas e titubeando nos momentos decisivos. Os dois chutes ridículos que ‘disparou’ sem ângulo para a linha de fundo – meio de canela, meio de tornozelo – o renderia um lugar no rol dos grandes perebas da história do futebol, não fosse o ‘fator Flamengo’ o grande culpado por seu desempenho atípico. Quando teve uma ótima chance de arrematar com perigo, chutou a bola para o setor Sul, onde vândalos se digladiaram para se agarrar a um brinde para levar pra casa, junto a algumas cadeiras e um punhado de equipamento sanitário. Estava visivelmente desestabilizado emocionalmente e perdeu uma grande chance de provar que é um jogador que ‘serve’.
Renato (o ‘filtro’ não indicou alteração): Um jogador que justifica uma noitada declarando estar pouco se importando com o Botafogo por ser atleticano, de saída já não merece meu respeito ou análise.
Victor Simões ‘NÃO SERVE E NÃO SERVIRÁ JAMAIS’: Um autêntico rubronegro. Chutou ‘reto’ pra fora de dentro da área, na final da Taça Rio; cobrou um pênalti nas mãos de Bruno, na final do Carioca. Domingo, arrematou diretamente no pé do goleiro em chance claríssima de gol. Além de ser um péssimo jogador, não consegue conter seu amor pelo Flamengo, deixando aflorar o flamenguista que tem dentro de suas entranhas e, sem que tenha controle sobre isso, cobrou um escanteio diretamente a um ‘parceiro’ de torcida. Precisamos nos livrar deste flamenguista o quanto antes.
Jônatas ‘SERVE’: O jogador tido como um flamenguista incorrigível por muitos, inclusive eu, não parece se afetar por estar jogando contra seu ex-clube. Entrou com a lucidez, a técnica e a disposição que faltou ao meia, Lúcio Flávio. Os disciplinadores de General Severiano deveriam reavaliar seus métodos de preparação psicológica e os responsáveis pelo futebol, sua conduta moral. Estes senhores sacrificam o Botafogo impingindo a titularidade inabalável de um jogador que não teria espaço em nenhum clube da primeira divisão brasileira, que é o caso de Lúcio Flávio, em detrimento da possibilidade de se valer do talento ainda não explorado ou verdadeiramente avaliado de Jônatas, por uma simples questão de amizade!
Estevam Soares: Não conseguiu montar um sistema ofensivo capaz de articular jogadas que furassem o bloqueio adversário. Sofre com a praga contraída a partir da posse da atual diretoria, que montou um plantel medíocre e hipertrofiado, mantém uma relação subserviente com o empresariado futebolístico, além de privilegiar as carreiras de jogadores ‘amigos pessoais’ em detrimento do sucesso do clube. Mesmo assim, Estevam ainda consegue motivar a maioria dos jogadores, o que tem feito grande diferença no comportamento da equipe desde sua chegada.
Arbitragem: Não marcou um pênalti claro em Lúcio Flávio quando a partida ainda estava empatada; deixou de marcar outro pênalti quando um jogador do Flamengo colocou a mão na bola; marcou um pênalti duvidoso a nosso favor: ‘NÃO SERVE’.
Nota: O sistema de filtragem utilizado pelo blog para separar o joio do trigo não avalia a qualidade do grão. Simplesmente identifica o joio, que desde a antiguidade é conhecido por não prestar para nada, a não ser atrapalhar a colheita nos trigais.
Nota 10: Túlio Souza atingiu o índice máximo no meu botafogômetro, com seu desempenho na segunda partida das finais do Campeonato Carioca.
Saudações alvinegras!