
O maior destaque da atual fase do Botafogo é, sem dúvidas, o goleiro Jefferson, nosso esteio. Faço uso da máxima que já se tornou notório clichê: "Se contássemos com a ‘Barragem Jefferson' desde o início das inundações, não estaríamos fugindo das águas." Por pouco nosso salvador não conseguiu impedir que o adversário fizesse um golzinho.
O sistema defensivo também se mostra mais organizado e sofre menos ainda com a ausência de Juninho.
Mas a pergunta de hoje é: Por que mudar, Estevam?
Podem achar que a ação de anti-inflamatórios esteja me comprometendo o juízo, uma vez que o esquema com três atacantes não foi alterado. Mas na prancheta os esquemas escondem o que de fato aconteceu nas últimas três partidas.
A escalação de Reinaldo sugere a presença de um terceiro atacante, o que é uma verdade, mas em campo Reinaldo – bem contra o Atlético MG e mal contra o Avaí – funcionou como um meia com aptidões ofensivas. Isto se exemplifica com algumas ótimas chegadas ao ataque e finalizações, uma boa distribuição de jogadas e, principalmente, a manutenção da posse de bola no campo adversário. Era um 4-4-2 camuflado.
Ao substituir um jogador que possui habilidade, experiência e visão de jogo por outro que não reúne nenhum destes atributos, o técnico Estevam Soares criou um esquema de jogo completamente diferente do que atuou de forma brilhante contra o Atlético MG.
Victor Simões desperdiça contra-ataques, pois, apesar de ser veloz, tem o raciocínio lento; não contribui com a distribuição de jogadas e se movimenta de maneira equivocada, uma vez que a deficiência de seu passe e a visão míope do esporte que pratica o impossibilita de entender o desdobramento das ações e reagir satisfatoriamente; não contribui para a garantia da posse de bola, por seu controle da mesma se mostrar medíocre ou inexistente. Ou seja, ao escalar Victor Simões, Estevam Soares não garantiu ao Botafogo o poder ofensivo que aliviou nossa defesa nos jogos em que contamos com Jobson e Reinaldo, ao mesmo tempo que promoveu o enfraquecimento do meio-de-campo.
Mesmo assim, a velocidade de Jobson e a presença de André Lima conseguiram dar trabalho à defesa adversária.
Os erros de Estevam:
- Acreditou que Victor Simões poderia cumprir a função que Reinaldo exerceu contra o Atlético MG. (Não temos no plantel um jogador que possa desempenhar essa função, que é a de armar jogadas, cadenciar o jogo, se apresentar na articulação de tramas de ataque e finalizar bem);
- Não escalou um meia capaz de armar e distribuir jogadas, deixando um vácuo no meio-de-campo. Esta função poderia ter sido desempenhada por Rodrigo Dantas ou Jônatas;
- Optou pelo inócuo, Fahel, na proteção da zaga, tendo Batista à sua disposição;
- Ao invés de apostar na velocidade de Laio ou na visão de jogo e bom toque de bola de Jônatas e Rodrigo Dantas, optou inexplicavelmente por escalar Victor Simões.
Acertos de Soares:
- Montou um sistema de defensa eficiente que, se não beira à perfeição, também não nos assusta como o que tínhamos anteriormente. (quando não sofremos com as limitações de Juninho, lá está Emerson a nos assombrar);
- A saída de bola continua razoavelmente eficaz pelas laterais do campo;
- Melhorou o aspecto psicológico e moral da equipe, conseguindo fazer com que os jogadores se mantenham empenhados, mesmo nas partidas em que a equipe não consegue jogar seu melhor futebol.
O Flamengo pode se tornar uma vítima das melhorias conseguidas por Estevam Soares, no comando alvinegro.
Nota: Não fosse mais um erro de arbitragem, ao invés de sofrermos um gol, poderíamos ter assumido a vantagem na partida, já que a jogada que culminou no gol adversário teve origem em impedimento mal assinalado. Foram três impedimentos marcados erroneamente (contra o Botafogo) durante a partida. Difícil saber se a lei do impedimento é uma norma, ou impedir que o Botafogo faça gols é a regra.
Saudações alvinegras!











