
Durante uma partida de futebol são vários os elementos que se somam para a configuração do resultado. (Não vou me ater a fatores inanimados, circunstanciais e aos aspectos imorais, que são: condições do gramado, climáticas e atuações da arbitragem, nesta ordem).
Os atores principais estão dentro de campo: os jogadores. Rente à linha, o técnico também tem papel decisivo através das orientações e modificações que faz no decorrer do jogo. Mas existe um terceiro elemento que, mesmo fora de campo e um pouco mais distante que o treinador, tem participação fundamental no esforço de uma equipe em busca pela vitória: a torcida.
Uma das vantagens do ‘mando de campo’ é o clube poder contar com seus torcedores. Estão em maioria e a influência de seu apoio é um fator importante para a motivação e estabilidade emocional dos jogadores da equipe pela qual torcem e suas manifestações podem e devem ter uma influência negativa sobre a equipe visitante.
Sei que o botafoguense é um torcedor diferenciado, mas os alvinegros vinham se portando de maneira esdrúxula. A torcida botafoguense – principalmente as organizadas, contando com o apoio de torcedores ‘não-organizados’ mas suscetíveis ao apelo da maioria –, vinham ultimamente se comportando de forma inesperada, ou seja, se manifestando como se fossem torcedores do outro time. Ao menor deslize de um jogador iniciavam uma perseguição implacável e por vezes se incumbiam de vaiar mais de um jogador, quando não, toda a equipe.
Na partida contra o Vitória, em que o Botafogo jogou de maneira imperdoavelmente apática, posso entender o comportamento da torcida, pois o ânimo geral da equipe esteve muito abaixo do razoável. Pode ser, inclusive, que sua manifestação tenha mexido positivamente com o brio dos jogadores, pois nas duas últimas partidas a equipe demonstrou uma disposição e um espírito de luta completamente diferentes do que vínhamos observando até então. (Um fato, um detalhe enorme me deixou perplexo nesta partida: a torcida vaiou nosso único gol. Vaiar gol? Estranho, não é mesmo?).
Mas e nas outras partidas, quando não vínhamos atuando bem e a torcida acabou por afundar de vez o barco?
Credito a este comportamento da torcida o fato do time vir jogando regularmente de maneira acanhada, no Engenhão. Parecia que jogavam preocupados com a reação da torcida e a timidez e falta de confiança tomavam conta do espírito dos jogadores, com raríssimas exceções. Creio que o time tinha com medo de sua própria torcida.
Não estou aqui fazendo uma censura à vaia, pois acho legítimo vaiar. Mas, no meu entender, eram sempre vaias precipitadas e que só levavam os jogadores a maior dispersão mental, desequilíbrio emocional e abatimento, o que inevitavelmente resultava em queda do rendimento geral.
Faço críticas, grito e xingo muito nos jogos. O que não consigo entender é a sistemática falta de apoio que a torcida reservava ao Botafogo, e quando ele mais precisava. Falo do Botafogo e não àqueles que estão cobertos com a camisa mais bonita do mundo.
Ontem o que se viu no Engenhão foi algo completamente oposto ao quadro inusitado que é o de um torcedor ‘jogando contra o próprio patrimônio’. A torcida – as organizadas e os torcedores em geral –, apoiaram a equipe do início ao fim da partida. No segundo tempo houve uma certa acomodação, reflexo da diminuição do ritmo de jogo, o que é natural. Mas o que vale aqui ressaltar é que apoiaram e o time certamente sentiu positivamente esta manifestação. A equipe estava rendendo bem e, quem sabe, pode ter se animado e rendido melhor ainda. O resultado não poderia ser melhor, saíram todos contentes e a festa foi uma beleza.
Que seja sempre assim. Parabéns, torcida!
Saudações alvinegras!
Créditos: Foto de Pedro Kirilos, 'arrastada' do Arquiba Botafogo. (Paulo Roberto, não resisti. A foto é fantástica!!!)















