No futebol – por vezes uma metáfora da vida – nos deparamos com acontecimentos que detêm em si uma síntese perfeita do todo, e que nos permitem antever os fatos ao modo de um insight. Prenúncios que se mostram incontornáveis como previsão de oráculo. No jogo de ontem houve um desses.
O jogador Andrezinho cobrou uma falta a 5 metros da linha do meio de campo. A bola foi alçada à área; uma bola alta, lenta, preguiçosa. ‘Bola rifada’, um ‘balão japonês’. O tipo de jogada que se vê, geralmente perto do final de uma partida, quando um time tenta um último esforço, em desespero, para reverter um resultado adverso, buscando no acaso o que não conseguiu por meios ordenados, durante os 90 minutos em que buscou aplicar algum tipo de método racional. No entanto, na tarde de ontem, a equipe treinada por Oswaldo de Oliveira se valeu deste expediente aos 25 minutos do primeiro tempo (!!!).
Estava ali, diante de todos os que acompanhavam a partida, a ‘jogada-fractal’. Não era preciso mais nada, nenhuma pista adicional, nem mesmo um milionésimo de segundo dedicado a profunda reflexão, para se concluir, com certeza, que o repertório do Botafogo sob Oswaldo de Oliveira é uma ruminação de grunhidos. E a mediocridade se desdobrou repetidamente, como esperado – ou previsto –, por mais 70 minutos torturantes.
Estou longe de conhecer os pormenores do contrato do atual treinador com o clube, mas me permito afirmar que, seja qual for o valor da multa rescisória, a dispensa de Oswaldo de Oliveira é, sem dúvida alguma, o melhor investimento a curto prazo que o Botafogo vislumbra neste começo de temporada. Pois o elenco tem potencial para avançar além da pasmaceira exibida ontem à tarde, pasmaceira que os ‘fractais futebolísticos’ indicam ser a tendência, caso não haja mudança no comando técnico.
É importante notar que a maioria dos torcedores botafoguenses já percebeu que as qualidades de Oswaldo de Oliveira estão aquém das do grupo contratado e já se manifestou, ironicamente, gritando o nome de El Loco Abreu (leiam aqui um excelente texto sobre o assunto). Ou seja, Oswaldo definitivamente não “está no meio de nós” – Amém!!! –, apesar da presença física.
Falo por falar, talvez, pois sei há muito que pode tratar-se de uma ilusão esperar decisões ágeis e acertadas da atual diretoria, que tem apreço por delongas. Espero que neste caso não fiquem a observar impassíveis mais um fracasso regional e os vários prováveis fiascos subsequentes – o passado recente comprova – para, só então, quando não houver mais chance de um recobro, “aceitar” o “pedido de demissão” do treinador medíocre do momento e ainda louvar o “‘excelente trabalho’ prestado ao clube”, contribuindo mais uma vez para o constrangimento de uma torcida apaixonada, porém entristecida pelas recorrentes provas de inércia do presidente Assumpção e sua cúpula.
Mas a esperança ainda vive...
Saudações botafoguenses!
[Link para os melhores momentos: Bangu 0 x 0 Botafogo]



