Não poderia ser melhor: começar os trabalhos depois de ver a equipe do Botafogo – que levou o clube às semifinais do segundo turno, há que se dizer –, retomar finalmente a postura briosa com que começou o campeonato; voltou ao prumo. Foi um alívio o jogo deste domingo. Digo isso porque vinha adiando a inauguração deste blog pra não estrear descendo o pau em alguns jogadores que ficaram “mais altos”, “mais bonitos”, “mais refinados”, “mais elegantes”, depois de ganhar o primeiro turno. Infelizmente não ficaram mais talentosos, mas, felizmente, no entanto, jogaram nesta tarde com a seriedade e a determinação que sempre espero do time, embora já não visse tal postura faz algum tempo.
Eu andava meio amargurado, cabisbaixo, ninguém entendia e acho que nem eu mesmo, mas agora percebo que era a minha intuição canina dizendo lá no fundo da consciência (os cães também possuem consciência):
“Se continuar assim, o barco afunda na praia. Quem se conforma em ser vice não produz herdeiros. Meus ancestrais sabiam disso. Agradeço a eles o pelo que me protege do frio e dos inimigos - as pulgas rolam de rir ouvindo isso.No primeiro jogo depois da conquista da Taça Guanabara, contra o São Pedro - o tal "time dos bombeiros" -, começou ali o baile. Não era a boa e velha dança de salão tradicional - de que meu pai tanto se gaba de ter sido um dos bons -, mas, sim, uma espécie de axé music. Rebola, rebola, rebola, sim... Dei um crédito devido à longa viagem, uma partida fácil e a ressaca do título. Mas a postura dançante tornou-se a tônica. Futebol é arte também, mas o que eu quero é um baile no melhor sentido estrito do jargão futebolístico: dar um baile no outro time, botar o adversário na roda, fazer a zaga dançar.
Coisas que me irritam mais que bicicleta em calçada e tocador de gaita (persigo um e uivo de dor com o outro): 1) Matar a bola no peito estufado, pro alto, e ficar olhando a joia da geometria cair lentamente para, então, ampará-la no pé - a empáfia do joelho alto! -, e conduzi-la ao solo em câmera lenta, como uma empilhadeira cheia de frescura; 2) O passe lateral de zagueiro pra zagueiro, coisa simples, transformado em evento extraordinário em que a perna que chuta a bola fica como que em suspensão espaço-temporal, criando uma plasticidade inútil, que vulgariza a arte do futebol; 3) Levantar a bola ao invés de "pará-la" ao receber um passe rasteiro de uns cinco metros. Bem, são coisas que dão graça ao racha num campinho ou na praia, a brincadeira vistosa e lúdica que, inclusive, forma futuros jogadores e que foi fonte de muitas alegrias minhas (cachorro também é gente e tira onda de vez em quando). Porém, há que se registrar aqui que em jogo “com camisa” e juiz, jogo “valendo”, essa postura bailante é motivo de porrada, inclusive. Imaginem então em jogo profissional, onde jogadores muito bem pagos estão ali para realizar o desejo de um público PAGANTE, que é ver o seu time LUTAR por uma vitória. A beleza plástica se dá naturalmente, geralmente quando um time joga bem. É só rever o corte com que o Victor Simões limpou a jogada, o passe e a conclusão do Reinaldo no jogo contra o Madureira. Precisa de gel no cabelo e salto 12 pra fazer isso? Olha que eu nem estou pedindo a volta das chuteiras pretas. Ou seja, para exibições de habilidades especiais futebolísticas inúteis, prefiro o insólito e genial artista de rua que faz embaixadinhas com uma bilha, no Largo da Carioca. Cachorro que se penteia pra brigar por osso fica sem janta.
Então é isso, depois do desabafo, estreio dando meus parabéns aos jogadores por ultrapassarem mais uma etapa e me fazerem voltar a sonhar com o título, porque do jeito que estava dava pra ver a água subindo no fundo do casco. E sigo envergando o estandarte estelar até o fim dos meus dias, que Deus me proteja da carrocinha amém amém e assim queira, porque assim quero eu, Biriba VII, descendente daquele que viu a estreia de Nilton Santos e da estrela solitária. Meus sinceros, fiéis e caninos Parabéns!
Saudaçõs alvinegras!
PS 1: Por que a defesa joga melhor na ausência do Juninho?
PS 2: Por que o time sempre joga com seriedade na ausência do Juninho?
PS 3: Por que o Juninho, um cara perfeitamente apático, é o capitão do time?
PS 4: Por que o Juninho não estava colado no Bruno Meneghel, nem que fosse pra dificultar a cabeçada que obrigou o Renan a fazer grande defesa, na decisão da Taça?
PS 5: Por que o Juninho não saiu da área pra dar combate ao Carlos Alberto, ou pra fazer uma falta que o fosse, no quarto gol do Vasco?
PS 6: Por que o Juninho não estava colado no Alan, do Fluminense, pra tentar impedir o chute, ou fazer uma falta fora da área?
PS 7: Por que o Juninho deixou o Bruno (camisa 10 do Madureira) sair livre conduzindo a bola e acabar dando o passe para o gol do Alex Alves?
PS 8: Por que o Juninho não consegue mais nem bater falta decentemente?
PS 9: Por que cargas d’água trouxeram o Juninho de volta?