sábado, 8 de setembro de 2012

Cruzeiro 1 x 3 Botafogo - A força que vem da base

(Foto: Gabriel Castro/Observatório do Esporte)

Foi terminar o jogo contra o Cruzeiro e um sujeito logo me perguntou se tinha algum botafoguense no mundo que esperasse por aquela vitória. Eu respondi que isso poderia valer para qualquer um, com exceção de mim e do Biriba.

Por aqui vemos o futebol, e em especial o Botafogo, por um prisma que não é o do senso comum. Por exemplo: não compactuamos com a ideia da diretoria e do fraquíssimo treinador – ideia esta alardeada pela imprensa com estranha preocupação e patética consonância – de que os tais oito desfalques (Jefferson, Antonio Carlos, Renato, Amaral, Lucas Zen, Marcelo Mattos, Lodeiro e Rafael Marques) eram um grande problema. Na verdade, o que eles chamam de ‘desfalques’ para nós eram reforços – se não a solução – em pelo menos quatro casos.

Nós aqui do blog só lamentamos mesmo as ausências do Lodeiro e do Jefferson. Quanto a Antonio Carlos, Amaral e Renato, foi motivo de imensa alegria saber que não jogariam. E essa alegria se somou à certeza de que teríamos um time no mínimo competitivo, quando soubemos que essas três nulidades seriam substituídas por Dória, Jadson e Gabriel. (Marcelo Mattos e Lucas Zen não são titulares dos sonhos, porém não são nulidades, longe disso).

No final das contas o jogo serviu para confirmar nossa certeza e o resultado ampliou a alegria.

Sobre o jogo e o Seedorf, bastam os fatos como comentário. Quanto à substituição de um centro-avante por um zagueiro, nem a vitória espetacular esconde a má intenção e os interesses escusos da diretoria, aplicados tacitamente pelo arremedo de treinador.

O péssimo Oswaldo Oliveira se escorou em um placar relativamente seguro para tirar de William a possibilidade de se mostrar como boa opção de ataque, coisa que incomodaria os planos desonestos de um treinador que nos ‘presenteou’ com Rafael Marques e de uma diretoria e empresários sanguessugas que insistem na forjadura de Elkeson como homem-gol.

Quanto aos três da base que iniciaram a partida, jogaram o fino da bola.

(Foto: Pedro Vilela/Dom Total)

Jadson confirmou sua versatilidade, premiada com o belo gol. Sua velocidade e competência na marcação, sua garra e determinação se somaram a essas mesmas características que o jovem Gabriel também possui. Ambos sabem tanto destruir quanto construir e são a melhor opção que temos no elenco para o setor de proteção à zaga e saída de bola.

(Foto: Mauro Pimentel/Terra)

Gabriel possui um senso de colocação incomum, tem personalidade forte e espírito competitivo notável. Também se destaca pela frieza e inteligência com que reage a provocações – e não foi ontem a primeira vez que provou isso –, qualidades que Jadson não possui, pois é impulsivo e adora dar uma ‘beliscada’ aqui e ali: são complementares.

(Foto: Pedro Vilela/Dom Total)

Já o Dória, muito menos testado que os outros dois, foi a melhor surpresa do trio. Arrisco dizer que tem tudo para ser um zagueiro de alto nível. Possui explosão e velocidade, se coloca bem, é técnico – abrindo mão das firulas ridículas de Antonio Carlos – e seu passe parece ser muito bom, inclusive o de longa distância

Enfim, existiam botafoguenses que acreditavam na vitória (mesmo que forçada a ser ‘de virada’ pelo sempre ‘perigoso’ Fabio Ferreira, que deu condição de jogo ao jogador adversário, quase ao mesmo tempo que deixou de cortar o lançamento que originou o gol do Cruzeiro). Porque por aqui acreditamos que esses da base são superiores tecnicamente que os ditos titulares, estão em melhores condições físicas e, principalmente, ‘vestem a camisa’ da forma que o torcedor espera e que o clube merece. O jogo e a vitória só vieram a confirmar ostensivamente o que acreditávamos em teoria.

Com Brinner e Dória na zaga, Gabriel e Jadson na proteção e saída de bola, só falta o Jeferson se juntar a Fellype Gabriel/Lodeiro e Seedorf na armação e último passe para termos um time competitivo, mesmo com a invencionice descabida de Elkeson no comando de ataque.

Nota 1: É lamentável que Fellype Gabriel tenha um problema crônico no joelho e Vitor Jr seja um boêmio inveterado.

Nota 0: Mais lamentável ainda é saber que o Botafogo esteja entregue a uma cadeia de comando que possui Mauricio Assumpção, Anderson Barros e Oswaldo Oliveira nos patamares superiores.

Nota 0.2: Lamento dizer que quando Antonio Carlos, Renato e Amaral tiverem condições de jogo, os três excelentes jogadores, formados na base do Botafogo, darão lugar ao disparate.

Nota 10: É ótimo assistir à exposição da prova de que o elenco do Botafogo tem recursos, apesar de sabermos que este potencial será constrangido pelo que está descrito na “Nota 0”.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Cruzeiro 1 x 3 Botafogo]