sexta-feira, 27 de julho de 2012

O losango do quadrado

(A partir de foto de Satiro Sodré/Agif)

O site Globoesporte noticia: “Oswaldo de Oliveira faz mudança radical no Bota (...)”. A tal mudança consiste na entrada de um atacante de ofício no lugar de um meia-atacante, trocando Vitor Júnior por Rafael Marques.

Era de se esperar que Rafael Marques fosse posicionado como figura central, trabalhando como pivô e ‘homem de referência’ no centro da área, pela pouca mobilidade que apresentou em cerca de 30 minutos que jogou até o momento, e também pela estatura. Mas não foi isso que se viu – e deduz-se que não será visto –, pois o esbelto jogador esteve rondando as laterais do campo, deixando Elkeson no esforço inútil por se tornar um homem de área. (Essa história do Elkeson como homem de área está muito mal contada, me parecendo coisa de empresário querendo fazer gato passar por lebre).

Seja como for, o problema do Botafogo não começa no ataque. O mal se inicia lá na defesa, com uma dupla de zaga formada por dois péssimos jogadores que, além de suas limitações técnicas, físicas, atléticas e intelectuais, são muito mal protegidos por volantes lentos, sem explosão e com péssima leitura de jogo. Sobre tudo isso recai o maior dos males, que é um sistema tático defensivo ineficaz e inconsistente.

Entre essas duas regiões problemáticas, o meio de campo do Botafogo apresenta um futebol esquemático, burocrático e previsível, onde poucas vezes se vê ações de ataque conjuntas, em que as movimentações apresentem algum resquício de bom treinamento e ensaio. As jogadas de perigo se dão por conta do acaso, de chuveirinhos na área ou através de jogadas individuais isoladas. Tanto é que os destaques até então foram justamente jogadores com aptidão ao enfrentamento no mano a mano, a exemplo de Marcio Azevedo e Vitor Júnior.

Agora o treinador fala de “losango”. Não adianta mencionar figuras geométricas e continuar a trocar jogadores como se trocam figurinhas. Porque a mente que equaciona tais abstrações está dentro da cabeça de Oswaldo de Oliveira, onde existe um cérebro lento e inoperante, em que o imenso campo da geometria se limita ao quadrado.

Nota: É lamentável constatar que treinador e diretoria só perceberam que faltam reforços para a zaga e para o ataque quando um quarto do campeonato já se foi e com o time a 14 pontos do líder. E também é muito preocupante notar que a baixa efetividade dos volantes e o péssimo rendimento de Renato, em particular, não entrem nessa avaliação.

Saudações botafoguenses!

Mais vale um Juninho deitado, que um Antonio Carlos voando

(A partir de foto de Satiro Sodré/AE)

Faço uma pergunta às senhoras e aos senhores, botafoguenses ou não: O Antonio Carlos seria titular de algum dos clubes brasileiros que disputaram a Copa Libertadores da América deste ano? E outra: O Antonio Carlos pode ser considerado um jogador de futebol apto a defender um clube sério da primeira divisão brasileira?

A primeira pergunta tem relação com uma declaração do próprio Antonio Carlos, que disse que a meta do Botafogo para este ano é a classificação para a Libertadores. Além de ser uma afirmação que revela a pouca ambição de um quadro tido como titular absoluto, também demonstra sua falta de discernimento quanto aos seus próprios atributos. Se a falta de ambição é um grande problema, maior ainda é o desconhecimento dos limites pessoais, tanto mais em se tratando da posição em que joga, onde a consciência das próprias limitações individuais é fundamental.

A outra pergunta questiona o atual corpo gestor do Botafogo, uma vez que para um projeto de futebol profissional ser levado a sério não poderíamos jamais admitir ter em uma equipe titular um jogador que não desempenha suas funções de forma séria e competente. Ou seja, um time que tem Antonio Carlos como titular absoluto faz com que a seriedade e competência de sua diretoria se tornem no mínimo discutíveis e leva a crer que a meta a ser alcançada não é o topo.

Devo esclarecer que não foram as duas falhas bisonhas e consecutivas que nos levaram à derrota na quarta-feira o que me levou à certeza da incompetência de Antonio Carlos. Remetam a comentários a partir de 2009 e vejam que não foi sua última atuação o que me faz afirmar que Antonio Carlos é jogador incompatível com qualquer clube que pleiteie algo além da permanência na série A.

No entanto Antonio Carlos tem lugar no futebol profissional brasileiro e acredito que existiram projetos sérios e competentes que contaram com a titularidade deste zagueiro, como foi o caso do Atlético-GO, quando disputou a série B do Brasileiro e o Botafogo do Carioca de 2010. Com o nível destas competições, aí sim, o referido zagueiro é quadro compatível.

Antonio Carlos é lento, débil fisicamente, displicente, vaidoso, desatendo e inepto para tomar decisões acertadas. A titularidade de Antonio Carlos simboliza um projeto incompetente, risível e, portanto, perdedor, humilhante para o torcedor e degradante para o clube.

Como a atual diretoria dá ares de que almeja algo além da zona intermediária da tabela – vide a contratação de Seedorf, um jogador de nível técnico excepcional e um currículo inquestionável –, a remontagem total de nossa zaga se faz urgente, visto que Fabio Ferreira é parceiro de Antonio Carlos tanto na zaga quanto na incompetência.

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Fé abalada


Antes do jogo de ontem eu disse que "em Seedorf nós confiamos", mas a cada minuto de partida que passava sentia minha crença escorrendo arquibancada abaixo. Será que é falta de ritmo de jogo ou o Seedorf é apenas um grande jogador aposentado em atividade? De quantas rodadas vou precisar para ter certeza do que esperar do nosso super ‘sul-americano do norte’? A única coisa certa disso tudo é saber que fé cega não vinga nesta casinha. Torço para que ele ainda tenha bastante para jogar, porque já mostrou que tem muito o que dizer.

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O jogo de domingo foi a estréia do Seedorf no Botafogo, mas também foi o debut do João Miguel em um estádio de futebol. O pai dele – que não acompanha de perto as coisas do futebol, mas conhece duas ou três coisas sobre o assunto – decidiu que era hora do João saber como é um jogo de bola pela perspectiva da arquibancada.

Deixamos o carro no estacionamento do Norte Shopping – que na volta pareceu um projeto de labirinto – e caminhamos até o ‘Saldanhão’. No percurso o Andre me apontou o filho e vi o João apertando o escudo da camisa, talvez emocionado ou perplexo com a quantidade inusitada de botafoguenses aglomerados. O Andre disse que "Ele faz isso: se agarra à estrela".

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Seedorf, se estreou, não vi; Renato mantém o futebol vistoso de sua chegada escondido em um canto de um passado recente; Antonio Carlos e Fabio Ferreira continuam sendo um casadinho em forminhas de papel de seda colorido, presenteado por Vovô Oswaldo a cada visita de atacantes adversários; Lucas não incomoda a defesa e nem o ataque inimigo; a bola pode levar uma década para cruzar marota e preguiçosa toda a área, que Jefferson não vai sair nunca; Jadson é reserva do Zen e assim a banda de surdos toca a marcha dos esganiçados; a torcida grita “Ah, é Andrezinho!” e o técnico de araque distribui pipoca de segunda para a plateia de gosto duvidoso; quando Fellype Gabriel cresce no jogo, é substituído; Elkeson é a pedra no sapato errado, porque é o nosso pé que ele machuca; Rafael Marques é dominado pela bola, uma inversão desagradável; William entra para correr sem saber para onde, porque Vovô Oswaldo não se lembrou de informar o caminho.

Nenhuma articulação conjunta de ataque ou contra-ataque, chutões para a frente, chuveirinho na área, um chute desviado na trave, uma jogada sensacional pela direita que não encontra um jogador para aproveitar o rebote na pequena área, uma única jogada precisa do Seedorf que chega ao lamentável Elkeson desengonçado, um quase gol aqui, um pênalti não marcado ali e é isso.

Só nos resta torcer por Jefferson (debaixo das traves), Fellipe Gabriel (quando o joelho permite), Vitor Jr (quando cava espaços sozinho) e Marcio Azevedo (quando os inúteis finalmente lhe passam a bola)? Será que só esses não pertencem aos empresários do mercenarismo?

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O João não queria ficar perto dos tambores. As gaivotas de papel foram sucesso fugaz. O negócio dele era prestar muita atenção à partida.

No começo do segundo tempo, uma disputa de bola sem ímpeto. Ele se vira e diz: “O Botafogo já perdeu”.

É isso. A previsão pelos olhos da criança que antevia a derrota através de um fractal de fragilidade futebolística e espírito esportivo.

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Na saída fomos obrigados a atravessar um curral formado por uma obra da prefeitura, onde só passam duas pessoas por vez. Eram duas filas indianas indo e vindo – quando havia movimento, que era pouco. Uma situação perfeita para desencadear uma tragédia.

Isso porque a diretoria botafoguense inexplicavelmente resiste a uma solução simples, ao não liberar a saída pelo acesso do estacionamento colado ao setor Oeste. Má administração ou perversidade? Tomara que não aconteça o pior, levando uns ao cemitério e outros para a cadeia.

De volta ao Norte Shopping bebemos um Ovomaltine e me lembrei dos meus tempos de criança, quando o nome de uma bebida parecida era Malted Milk, também servido no Bob’s, que tinha o mesmo nome mas era outra coisa.

O Botafogo também parece outra coisa. Acho que prefiro o Botafogo dos 21 anos sem títulos a esse negócio confuso, esquisito e pusilânime que vejo em campo.

Somos os oitavos e estamos sete posições acima do meu prognóstico. Torço muito para que meu palpite esteja errado e que o João não perca o interesse pelo futebol e o amor pelo Botafogo. A fé... isso a gente deixa de lado.

Saudações botafoguenses!


PS 1: Encontrei o meu amigo Gil no segundo tempo. O time provou que o coração de ambos anda em bom estado.

PS 2: A diretoria pode esquecer essa estória de 35 mil botafoguenses pagando 60 mangos para assistir a um bando desgovernado no próximo jogo.
 
PS 3: O João já está querendo ir na quarta-feira. Ainda há esperança ou é inocência de criança? Tomara que sejam as duas coisas.

[Link para os melhores momentos: Botafogo 0 x 1 Grêmio]

domingo, 22 de julho de 2012

In Seedorf We Trust

(foto: Jorge William/ O Globo)

Hoje é dia de estreia. Salve, Seedorf! Seja muito bem-vindo!

Saudações botafoguenses!

PS: Podem me chamar de chato, dizer que eu reclamo de tudo, mas não posso deixar passar em branco: Sessenta reais o ingresso? Ô, diretoria, dá um tempo!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Carimbo Botafogo


Os corinthianos que se interessarem por uma faixa personalizada já podem enviar seus pedidos para nossa central de vendas e adquirir um lindo exemplar com o glorioso e inconfundível Carimbo Botafogo. Tire onda com palmeirenses, sãopaulinos e santistas exibindo sua faixa de campeão carimbada com o escudo mais bonito do planeta.

As Irmãs Popozato, funcionárias especialmente contratadas pelo Biriba Morde Show para atender à clientela que estiver a fim de dar uma carimbada, estarão a postos para prestar pronto atendimento ao torcedor amalucado do Timão.

O serviço custa apenas 3 reais e 1 centavo, que podem ser divididos em duas parcelas de 45 minutos.

OFERTA ESPECIAL = PAGUE UM E LEVE TRÊS.

Saudações botafoguenses!