domingo, 24 de junho de 2012

Uh! Herrera!


Não me lembro se foi a primeira vez que vi o Herrera no Engenhão, mas na estreia do Loco Abreu eu estava lá. El Loco não poderia ter escolhido data pior para fazer seu debut: uma derrota por 6 x 0. Pode ter sido um indício de que se tratava de uma dupla com tendência ao dramático, ao épico, ao espetacular, mas isso não importa.

Há muito tempo acostumado a ver meu time ser liderado por um jogador física e psicologicamente frágil – Lucio Flavio –, a visão do empenho do Herrera era uma novidade sensacional.

El Loco saiu no intervalo, mas Herrera ficou até o fim. E como ficou! Em paralelo ao meu abatimento pelo Botafogo estar sendo goleado, cada jogada disputada pelo Herrera me vingava os tempos das figuras pusilânimes, que foram muitas por anos e anos. Porque o Herrera transpira sangue.

Lá pelo final da partida Renato Cajá recebe uma bola na área e chuta em gol. Herrera, livre na marca do pênalti, se irrita com o (ótimo) Cajá, ergue os braços, esbraveja, chuta o vento, dá um tapa no gramado. Parecia que perdera a oportunidade de fazer um gol de título, mas quando o placar já era um incontornável 6x0. (Resultados não são perfeitamente controláveis, mas o comportamento aguerrido do Herrera nunca esteve atrelado a um fim, porque é um princípio).

Pouco mais adiante, após uma arrancada para tentar ganhar um lance visivelmente perdido – coisa típica do Herrera – e depois de correr e se esforçar de forma sobre-humana durante todo o jogo, caiu ajoelhado no gramado, na mesma posição de uma foto famosa do Garrincha. A tal foto me veio à cabeça.

Herrera nem de longe me lembra o Garrincha. Sua técnica é pífia. Não é e não será um goleador e seu futebol não condiz com a titularidade em clube que pretenda ser campeão brasileiro. Mas Herrera fará falta.

Porque um sujeito com o caráter, o espírito de luta e o profissionalismo exemplar do Herrera não se encontra em qualquer esquina.

Herrera vestiu a camisa do Botafogo de forma digna e estará para sempre na minha memória através da imagem do herói ajoelhado no gramado, um soldado com espírito olímpico. (E, por que não, pelo "Mússica pra quê?").

Seja feliz sempre, Herrera! A Humanidade agradece.

Saudações botafoguenses!

3 comentários:

Gil disse...

Grande Luiz,
Grande Biriba,

No primeiro jogo sem o guerreiro Herrera perdemos a partida.
Quando os caras do meio somem, é a garantia que nada dará certo, pois defesa não temos.
Não sei se é a dor da derrota,mas o Renato é um lento flavio melhorado. O cara é omisso e nunca pode ser o capitão de uma equipe.

O bando e o seu técnico, como sempre, preferem jogar a culpa pelos seus erros e falta de futebol no maior patrimônio do clube, sua torcida.

Sentiremos, ainda mais, a falta do Herrera!

Abs e Sds, Botafoguenses!!!

Luiz Docarmo disse...

Gil,

Põe falta de defesa nisso! Nem tive tempo de comentar a volta do AC e lá está a primeira derrota COM ele.

Tenho que rever a partida porque não estava muito sintonizado no jogo ontem.

A propósito da relação da diretoria de patifes, dos treinadores asquerosos e dos jogadores pusilânimes com a torcida mais assídua do Rio de Janeiro, não poderia ser diferente do que é, pois não é de se espererar coisa diferente de gente covarde e incompetente.

Saudações botafoguenses!

Luiz Docarmo disse...

Ah, e sei que você se lembra daquilo que o Rui escreveu sobre a diminuição do clube a partir do abatimento da torcida.

Ontem encontrei um botafoguense que sempre foi a todos os jogos desde a época do Caio Martins -- ele e o pai também. Pois ontem ele me disse que só estava vendo o jogo porque deu tempo de sair da natação antes. Disse que, do jeito que a coisa anda, não deixa de fazer nada pra ver jogo do Botafogo.

O tão badalado marketing e a diretoria queridinha da mídia estão conseguindo afastar o torcedor do time e isso é o golpe mais contundente que se pode dar em um clube de futebol.

Saudações botafoguenses!