terça-feira, 25 de outubro de 2011

Só para registrar


Considero um grande erro a decisão por poupar os titulares na primeira partida da fase que se encerra hoje, da Copa Sul-Americana. Deveriam ter feito o contrário: buscar abrir boa vantagem jogando em casa com força máxima e, dependendo do resultado, administrar o fôlego do elenco no segundo jogo.

Seja qual for o desfecho final, ficou claro que a direção do clube não percebeu que a Sul-Americana é o caminho menos penoso para se chegar à disputa pela Libertadores.

Torcendo muito pelo time B e, em especial, pela dupla Caio-Alex.

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Vitória contra tudo e contra todos


Quando um time está determinado a não ser coadjuvante, ou dão a ele o papel principal ou a cena será roubada.

Disposto a não fazer figuração, o Botafogo tomou as luzes para si e deixou o atual líder da competição em um canto escuro da cena.

Com espírito competitivo, alma de campeão, o Botafogo superou os erros de arbitragem, a torcida contrária, a desvantagem numérica e o desfalque de alguns titulares.

Quem viu o Botafogo jogar a partida de ontem não pode duvidar que trata-se de um forte candidato ao título. Resta saber se é esse o espírito que vai prevalecer na alma e se essa será a disposição a nortear o comportamento de nossos jogadores daqui em diante. Torço para que seja.

Nota: Volto a comentar sobre a partida na próxima postagem.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Corinthians 0 x 2 Botafogo]

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Os meninos da 7

Por Alvaro Caetano Pimentel Sobrinho:
Botafoguense de nascimento e alvinegro de coração



Sete por 7 media cada lado do campo em que um grupo de moleques jogavam uma deliciosa pelada, próximo à rua 7 de um glorioso bairro da cidade.

A partida era de 7 gols em uma trave que media 7 passos marcados com 7 chinelos empilhados como traves.

Os dois times se dividiam nos 7 meninos de camisa preta e nos 7 meninos de camisa branca.

Os 7 moleques da camisa preta se chamavam Maurício, Helinho, Túlio, Rogério, Zequinha, Maicosuel e Gil. Os outros 7 da camisa branca eram Dodô, Roberto Miranda, Jairzinho, Edson, Geraldo, Paraguaio e Mané Garrincha.

Não valia gol feio e nem de fora da área porque nessa pelada não tinha goleiro.

Para fazer o gol eram necessários 7 dribles ou 7 tabelas e tinha que fazer parte de um manual de gols bonitos.

A torcida era composta de 7 pássaros que ficavam cantarolando nos fios ao lado do campinho de terra e batendo as asas a cada jogada bonita. Nossa, e como batiam asas.

Cada pássaro tinha um eleito de cada lado do campo e por isso se podia ver a ginga do papagaio, a velocidade do pardal, o canto do curió, o agito do sabiá e a destreza do canário belga. Porém, quem mais cantava era a cambaxirra e quem mais se agitava era o corrupião tal qual um furacão.

E a partida rolava dentro das 7 linhas básicas que compõem um campo de pelada: duas linhas de fundo, duas linhas de laterais, uma de meio de campo e uma linha para cada área. Cada jogada pintava quadros de magia que os 7 moleques de cada lado construíam com a pequena bola feita com 7 meias pretas e 7 meias brancas.

Cada um dos 7 de camisa preta e dos 7 de camisa branca definiram que a pelada precisa de um troféu que deveria ter uma representação diferente.

A forma de uma taça? A forma de uma bola? Não! O troféu tinha que ter uma representação divina. Deveria ser uma estrela!

E os 7 pássaros, como as 7 notas de uma escala musical, entoavam um hino de louvor aos 7 pequenos grandes craques das camisas pretas e aos 7 pequenos grandes craques das camisas branca que lutavam aguerridos por uma estrela.

Botafogo, Botafogo,

Campeão desde mil novecentos e 7...

domingo, 9 de outubro de 2011

Mesmos erros + outros


Estamos cansados de saber que nossa defesa é deficiente em lances pelo alto e que nosso sistema é falho nas coberturas às subidas dos laterais. Ou seja, era de se esperar que Joel Santana armaria um ferrolho e tentaria explorar os contra-ataques e as bolas alçadas à área. Até aí, nenhuma novidade.

Acho difícil imaginar como contornar a deficiência da zaga. Mas impossível mesmo seria imaginar que a estratégia botafoguense para furar o previsível ferrolho adversário fosse o afunilamento do jogo, muito menos sabendo que contávamos com jogadores velozes e insinuantes, e de ótimo desempenho pelas laterais do campo, como Maicosuel, Elkeson, Caio e Alex. Mas a concepção de Caio Júnior a respeito do futebol supera qualquer expectativa, sempre negativamente.

Logo aos 2 minutos de jogo, Caio – o ponta – lançou uma pista de que a busca por jogadas pelo meio seria a estratégia – tosca – para tentar furar o bloqueio do time baiano, quando abriu mão de uma tabela na lateral e investiu pelo centro. Começamos equivocados.

O primeiro gol adversário se anunciava, pois o pífio desempenho da zaga em bolas pelo alto é sempre um convite ao sofrimento e não foi diferente na noite de ontem. A reposição de bola de Renan foi bizarra – tanto que Cortês foi pego de surpresa –, mas isso não diminui a incapacidade de recuperação que o lateral demonstrou. Cheguei a contestar a escalação de Cortês para marcar o chorão adversário, mas entendi a escolha, visto que ambos são lentos e Antonio Carlos e Fábio Ferreira não transmitem segurança.

Caio mais uma vez mostra-se não confiável, pois desperdiça facilmente o que constrói com dificuldade. Saímos em desvantagem para o intervalo por força de mais uma exibição de individualismo infantil, que revela o que pode se tornar um empecilho para que o atacante se firme como titular de times de ponta do cenário nacional.

Caio Júnior acertou ao lançar William e aos 12 do segundo tempo já estávamos em vantagem, com a participação direta do atacante, no primeiro gol.

O pênalti bisonho de Marcelo Mattos e suas últimas atuações são preocupantes.

Uma pena perdermos a oportunidade de nos vingar do chorão adversário, quando Renan desperdiçou a oportunidade de defender um pênalti sem sair do lugar.

A inexplicável insistência em concentrar o jogo pelo meio – que aumentava com o decorrer da partida –, a ausência de jogadas de ataque bem articuladas ou ensaiadas e, pior, a involução do jogo botafoguense para o chuveirinho reduziram nossas possibilidades de reverter o resultado, mesmo jogando contra um adversário em desvantagem numérica.

Vejo indícios de um time que está longe de brigar pelo título e que se aproxima perigosamente de uma sexta posição.

Nota I: O aspecto psicológico da equipe mais uma vez esteve lamentável e coloca em questão o trabalho feito pelos profissionais do setor – já há muito tempo.

Nota II: As vaias da torcida já aos 20 do primeiro tempo eram direcionadas ao time, ao treinador, a ambos ou à diretoria que promove e mantém o espetáculo medíocre que nenhum botafoguense gostaria de ver?

Nota III: Elkeson anda demonstrando o que fez a torcida do Vitória querer vê-lo longe de Salvador. Seu futebol arrasador, que conquistou torcedores e o levou a ser eleito o destaque da competição, parece ter ficado em algum lugar do passado. Será que a ‘vitrine Botafogo’ já deu o que tinha que dar?

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Botafogo 2 x 2 Bahia]

sábado, 8 de outubro de 2011

Desobediência civil

Somente a inteligência, o espírito competitivo, o talento, o sentido coletivo e a total entrega de nossos jogadores, somados ao apoio incondicional da torcida, podem nos levar ao título.

(Campeão Carioca de 1907 - Em pé: Alvaro, Raul e Werneck; Ajoelhados: Viveiros, Norman Hime e Lulu; Sentados: Ataliba Sampaio, Flávio Ramos, Canto, Gilbert Hime e Emmanuel)

“Faltavam três minutos para o jogo acabar. O treinador acerta quando o time ganha e erra quando o time perde. Qual era a ideia? Explorar a velocidade com o Elkeson e o Cidinho e reforçar o meio. Ai aconteceu a bola parada. Não teve nada a ver com a saída de um ou de outro jogador.” (Caio Júnior – ao GloboEsporte – ‘justificando’ a substituição de Abreu, aos 43 do segundo tempo, no empate contra o São Paulo).

Caio Júnior parece ser um homem de boa índole, um sujeito bem educado e tal. Mas se nosso destino dependesse das orientações de um treinador que afirma com convicção o que foi dito acima, nossa estrada seria um beco sem saída e muito curto. Por isso faço um apelo ao elenco.

Peço aos jogadores do Botafogo de Futebol e Regatas que não ouçam as orientações que vêm da beira do campo. Desobedeçam.

Reúnam-se após os treinamentos, na concentração. Troquem ideias, combinem jogadas. Apliquem o que aprenderam ao longo dos anos.

A torcida confia no futebol de vocês, mas duvida da capacidade de Caio Júnior.

Portanto, que sejam vocês os responsáveis pelo destino do Botafogo. Abram caminho. Quando as dúvidas se apresentarem, vocês saberão que rumo tomar.

Não deixem que seu êxito seja impedido pelo profissional que contrataram para orientá-los, mas que os tem guiado para longe do sucesso.

Planejem com astúcia um motim velado e virem o jogo. Estejam certos de que a torcida vai perceber que algo mudou para melhor. E, mesmo que a razão do sucesso seja um segredo entre vocês, os botafoguenses e a história do futebol nunca se esquecerão de um time campeão brasileiro.

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Aula de futebol


Há muito tempo comento que nosso time não constrói jogadas de ataque bem desenhadas, não tem posicionamento defensivo bem estruturado, possui um miolo de zaga desatento e conclui mal quando surgem oportunidades de gol. Durante esse tempo me faltou um modelo concreto que definisse, dentro de campo, conceitos como ‘articulações de ataque bem definidas’, ‘coordenação defensiva’, ‘espírito competitivo’ e etc, até a noite de hoje (ontem). Porque o Atlético-GO é um exemplo perfeito de que minha fala não era palavrório; o time goiano tirou do papel tudo isso e mais um pouco.

Hélio dos Anjos orquestrou uma aula prática de futebol através de sua equipe, o melhor futebol tático que tive a oportunidade de assistir na competição – e com SEIS ‘reservas’.

Movimentações de ataque envolventes, transições bem articuladas entre os setores, sistema defensivo dinâmico e muito bem coordenado, comportamento competitivo, compreensão da estratégia proposta para o jogo, aplicação tática, ou seja, muito do que gostaria de ver sendo executado do nosso lado e que tivemos poucas oportunidades de assistir durante o campeonato – diria que no jogo contra o Palmeiras percebi esboços identificáveis e contra o Ceará parte deste receituário foi levado a cabo.

O conhecimento sobre futebol e a capacidade de colocar conceitos em prática coloca um abismo entre Hélio dos Anjos e Caio Júnior. Enquanto o primeiro sabia que ao adiantar sua marcação desmontaria o sistema engessado, previsível e simplório deste último, Caio Júnior não foi capaz nem mesmo de perceber que sua mexida no intervalo foi determinante para que seu time passasse a equilibrar as ações. E, mesmo que tenha notado a mudança de paradigma, não identificou as causas que levaram a esta mudança.

Ao liberar Renato para transitar na intermediária adversária, Elkeson cresceu no jogo. Porém (sempre existe um ‘porém’ em se tratando de Caio Júnior), quando o Botafogo atravessava seu melhor momento na partida, Caio Júnior mais uma vez destruiu o que acabara de construir, tirando de campo a principal peça do time, o jogador mais efetivo da equipe, o sujeito mais temido pelo treinador adversário.

A saída de Elkeson era tudo o que Hélio dos Anjos queria, mas jamais iria imaginar que fosse justamente o técnico adversário quem lhe daria esse presente de bandeja.

Caio era sem dúvida um nome a ser cogitado, mas nunca funcionaria bem como força motriz a partir do centro da intermediária, pois é jogador de flanco. Com a mudança, Caio Júnior matou a possibilidade real de reversão do resultado, pois o time reagia de maneira obstinada e efetiva e tinha em Elkeson sua mola propulsora. E justo em uma fase da partida que o adversário sentia a fadiga, fruto do ritmo intenso que empreendera até então.

Caio Júnior é um caso exemplar de um produto típico de uma sociedade baseada no marketing, e que produz muitos bens fugazes e de pouca utilidade, onde a meritocracia é palavra arcaica. Tem um discurso que combina ligeireza a uma pseudointelectualidade, se adequa a um padrão estético bem aceito, usa óculos da moda.

Do outro lado, o comentário sobre o jogo não passa pela verborragia envernizada e superficial em voga. É uma fala pouco prolixa, porém muito clara. Quase um desabafo de uma figura que não se ajusta ao ranço eugenista que ainda nos assombra. Um ‘mulato’, competente toda vida, dizia algo assim: “Futebol é grupo. Hoje nós tivemos a oportunidade de mostrar o que é o nosso trabalho. O jogo de hoje refletiu o que os jogadores fizeram no treino tático (pro jogo) e o que ENSAIARAM no treino coletivo.”

A fala é simples e direta: uma síntese. Nela só cabe o essencial e seu reflexo em campo foi a essência do futebol moderno posta em prática. Uma aula de futebol.

Hélio dos Anjos parecia ‘gritar’: ‘Eu sei que não estou na moda e tenho certeza que conheço do riscado’!

Pena que do nosso lado tínhamos (e temos) o símbolo maior do desperdício do melhor plantel desde 1995.

Que os jogadores salvem o nosso Botafogo...

Nota 10: Parabéns à torcida botafoguense que compareceu em ótimo número ao estádio e fez a flapress se contorcer para esconder o fato.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Atlético-GO 2 x 0 Botafogo]