sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Jogo ruim + o pior dos males


(Foto original: Fernando Soutello/AGIF)

Para os torcedores que ainda acreditavam que o Alessandro fosse limitado no ataque mas eficiente na defesa, o gol do Santa Fé acabou com essa crença.


Para aqueles (me incluo nessa patota) que sonhavam com o excelente ex-lateral do Atlético-PR jogando pelo Botafogo, o próprio Márcio Azevedo cuidou de desfazer essa ilusão.


Para os que insistiam na tese de que o Everton um dia viria a ser um substituto razoável para uma eventual ausência de Maicosuel ou Elkeson, a noite de ontem provou o contrário.


Para os que tinham na lembrança o limitado, porém aplicado, Somália do Carioca 2010, essa imagem se embaça na memória.


Para quem sente saudades do Lúcio Flávio versão 2008/2010, o Felipe Menezes é a solução para o vazio no peito – e em campo.

Apesar da mediocridade que aparentemente tem origem somente no banco de reservas, Abreu esteve péssimo e os substitutos regulares Lucas Zen e Alex também não estiveram em noite inspirada. Ou seja, foi um apagão geral.

Desconfio da ideia de que o que se viu ontem ter sido fruto exclusivamente de uma incontornável limitação do banco de reservas, pois, apesar da subida de produção a partir da entrada de Elkeson, foi à saída de Felipe Menezes que o Botafogo deu uma guinada e assumiu o controle do jogo.

As presenças de Caio e Elkeson foram fundamentais, mas algo andava muito mal no meio campo e acredito firmemente que o que minou as ações botafoguenses foram os erros de passe, as bolas perdidas de forma bisonha, a letargia e a falta de participação de Felipe Menezes, que se escondeu do jogo 100% do tempo. Creio que essa inoperância do homem de referência do principal setor do campo inibiu a solidez do time como um todo, que não contou com um espaço confiável para escoar a retomada da posse de bola, mantê-la e fazer as jogadas circularem pelo campo de jogo.

Essa fragilidade criou um vácuo criativo que acabou sendo ocupado por investidas de Somália, tentativas frustradas de Everton e sobrecarregou Alex, forçado a constantemente se ver no campo de defesa, quando as jogadas já se encontravam no ataque.

E mais uma vez o técnico botafoguense se mostra incapaz de fazer boa leitura do jogo. Quando o Botafogo retoma o comando das ações de forma contundente – com Elkeson pelo meio dialogando com Caio pela ponta – e descobre uma forma efetiva de explorar o setor direito de ataque – que resultou em gol –, o treinador desloca Elkeson para a esquerda, desmontando inexplicavelmente um sistema eficiente que ele próprio acabara de criar. Incompreensível, incorrigível e repetidamente incompetente.

Acerta quem acredita que temos problemas técnicos no banco de reservas, mas engana-se quem pensa que é a qualidade mediana dos suplentes, o maior dos males por ali.

Nota I: Caio mostrou contundência e provou ser uma ótima opção.

Nota II: Thiago Galhardo não tem características semelhantes às de Felipe Menezes, mas é muito mais confiável e melhor alternativa para o setor.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Botafogo 1 x 1 Santa Fé]

2 comentários:

birapcbira disse...

eu discordo,acho o Alessandro um um ótimo lateral direito,querer jogar a culpa no Alessandro pelo fracaço de um time todo desfigurado,acho errado!

Biriba disse...

birapcbira, concordo inteiramente contigo quando você afirma que o Alessandro não foi o responsável pela derrota. Na verdade, li o seu comentário na hora em que vinha ao blog fazer uma modificação, tentando deixar mais claro o meu entendimento do que aconteceu nessa partida e em muitas outras, seja com um time 'desfigurado' ou não. (Quando voltar aqui você verá o que fiz).

Mas eu não concordo que o Alessandro seja um ótimo lateral e não acho que o texto se concentra nisso. Eu acredito, sim, que no lance do gol adversário ele deixou o jogador que fez o gol escapar da sua marcação - era ele que estava na cola do sujeito -, como se estivesse tentando fazer uma linha de impedimento.

Não acredito que o time B do Botafogo esteja num nível tão abaixo do de nossos concorrentes, como Caio Jr tenta enfatizar e boa parte da torcida concorda.

Acho que o time B, apesar de ser muito mais fraco que o excelente time titular, foi muito mal escalado e treinado, e isso tem a ver com a minha tese de que, tecnicamente, o pior quadro do banco botafoguense é o Caio Jr.

O Alessandro não tem culpa disso e nem da derrota.

Saudações botafoguenses!