
É sabido que a diretoria botafoguense exigiu que Caio Júnior dirigisse a equipe evitando um esquema tático baseado exclusivamente nos contra-ataques e nas ligações diretas – leia-se ‘chutão pra frente’. Não seria necessário um gênio do marketing para constatar que este era o principal foco de rejeição ao comando de Joel Santana, por parte dos torcedores. ‘Jogaram para a torcida’, literalmente.
Caio Júnior respondeu ao chamado e declarou que pretendia implementar um esquema baseado no modelo de futebol europeu. Juntou a isso a ideia de que trabalharia para tornar o time ofensivo – “Um sonho que eu tenho é colocar o time pra frente” – e que gostaria de “fazer com que o torcedor goste de ver a equipe jogar”.
O discurso do novo treinador foi aceito pela maioria dos torcedores e pela imprensa especializada. Plateia ganha.
No entanto, não consigo juntar na mesma frase “modelo europeu” com “colocar o time pra frente”. Digo isso porque um dos aspectos comuns a grande parte das equipes e seleções nacionais europeias não é um suposto posicionamento ofensivo, mas a busca por um equilíbrio entre os setores de jogo.
Além disso, apesar de gostar de ver o time jogando no ataque, o que o torcedor quer mesmo é ver o time ganhar – que o diga o torcedor da Inter de Milão.
Inclusive, acredito que os europeus, em sua maioria, começam a desenhar suas equipes a partir da defesa. Com uma defesa mal posicionada e descoordenada, por mais contundente que seja o ataque, em algum momento o fracasso vai prevalecer, principalmente em competições de tiro longo.
Caio Júnior já demonstrou que em seu discurso inaugural estava ‘jogando para a torcida’ parcialmente. Sua equipe tende a se postar de forma compacta na maioria das partidas – principalmente desde a 15ª rodada, o jogo contra o Vasco. Mas, infelizmente, também revela que ainda há um resquício de dúvida em relação ao modelo proposto, quando lança o time ao ataque a qualquer preço, e a partida contra o Coritiba é um exemplo do prejuízo que uma indecisão deste tipo pode causar.
A opção pelo ataque tresloucado não surpreenderia – pois corresponde ao discurso de chegada –, não fossem as várias ocasiões em que abriu mão da ofensividade, quando esta era visivelmente uma escolha perfeitamente factível – vide o jogo contra o Flamengo. Uma incógnita.
Apesar de ainda oscilante quanto à solidez defensiva, a valorização da posse de bola é ideia já enraizada na equipe e o meio campo do time vem sendo notável para a garantia desse atributo.
A referência de Caio Júnior ao modelo europeu me leva a questionar a falta de jogadas de ataque bem articuladas, contra-ataques claramente desenhados e jogadas ensaiadas, elementos presentes nas equipes de ponta da Europa. Esboços desses componentes foram notados na partida contra o Palmeiras e uma excelente troca de passes levou a um golaço contra o Ceará. Mas, por motivos insondáveis, o time não dá sequência ao aprimoramento do que já foi assimilado e, ao contrário disso, regride.
A péssima leitura dos jogos é uma falha crônica de Caio Júnior e a carência de alternativas dentro de um sistema proposto por muitas vezes engessa a equipe, prejudicando a dinâmica de jogo.
A desatenção e falta de firmeza dos homens de zaga é um ponto fraco e Fábio Ferreira se destaca negativamente. A falta de apuro nas conclusões também está nos tirando alguns pontos. Falta de comando e treinamento específico?
Deixando de lado o discurso inicial de Caio Júnior, o conceito geral que foi posto em prática é bom e surtiu efeito positivo, apesar dos diversos níveis de assimilação. Porém, a excessiva oscilação da qualidade do futebol apresentado não é compatível com uma equipe que pleiteie algo além da Sul-Americana.
Saudações botafoguenses!
2 comentários:
Grande Luiz,
Grande Biriba,
Dois jogos contra o esgoto da Gávea e o professor Pardal pisa na bola. Ficou com medo de ganhar ou recebeu ordens para isso!
Não vi o jogo contra o coxa, porém li comentário de um torcedor dizendo que na transmissão houve um flagrante em que mostra o professor Pardal dizendo: não sei mais o que faço!
Esse é o nosso professor!
Abs e Sds, Botafoguenses!!!
Oi Gil!
Esses jogos contra o Flamengo sempre levantam suspeitas de todo tipo. Mas como saber o que de fato ocorre?
No último jogo pareceu sabotagem, né?. Pô, o Maic jogando bem lá na esquerda, o time pressionando e saindo em vantagem no intervalo. O que o sujeito faz? Faz exatamente o que o Luxemburgo pediria que fizesse. Abre a esquerda e trava o Lucas.
Contra o Coxa o time entrou com um tênis de sola um pouco alta, mas não estava totalmente perdido, fora o Fábio Ferreira, péssimo. Quando levou o segundo gol, de um pênalti inventado, o psicológico foi à breca e deu no que deu.
O Caio Jr poderia evoluir ainda no Botafogo, mas os parceiros empresários e co-irmãos não colaboram e ele mesmo não se ajuda.
Saudações botafoguenses!
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