terça-feira, 28 de junho de 2011

Sobre Botafogo 2 x 1 Grêmio


Mais uma vez Maicosuel insiste em não aparecer e Elkeson dá o ar da graça.

De 2009 para cá nosso meio campo era sofrível. A bola passava zunindo sobre a cabeça dos jogadores que rondavam por ali, voando como ogiva de morteiros de retaguarda. A posse de bola era pífia, as triangulações eram raras, o conceito era simplório. Esse quadro vem mudando.

Os chutões se escassearam e o meio campo se soma a Jefferson como pontos fortes do time. Mas entre Jefferson e os meio-campistas e entre estes e o gol adversário existem duas zonas de escuridão.

A defesa é descoordenada e o ataque, mal articulado. Precisamos encontrar uma forma de criar um padrão de jogo que não se resuma à manutenção da posse de bola – o que é bom, mas é o 'meio' e não o fim. Isso é possível, mesmo que não tenhamos um homem de área de competência comprovada e nossos zagueiros tenham atuações oscilantes.

Acredito nessa possibilidade porque percebo o gradativo aumento do conhecimento do treinador com relação ao elenco, indicado pelo acerto nas substituições. Caio Júnior contrariou minhas expectativas, pois mexeu muito mal em todas as partidas anteriores. Acho que foi menos um apostador do que um bom observador dos treinamentos. Tudo indica que jogadores e técnico vêm trabalhando ultimamente, uma ótima e surpreendente novidade.

Mas a chegada ao ataque ainda não se faz através de jogadas que revelem treinamento neste sentido, apesar dos cruzamentos já não serem bisonhamente feitos da intermediária. Os gols ainda surgem fortuitamente ou através de ações individuais – exceto o gol de Elkeson, otimamente posicionado, aproveitando uma excelente jogada de linha de fundo de Caio, coisa que não víamos este último fazer há uma temporada.

A descoordenação defensiva também é condenável e continuamos dependendo de defesas salvadoras de nossos goleiros – agora com Renan sofrendo com o peso do manto de milagreiro.

Sabemos que faltam peças-chave no ataque e na defesa. Mas se faltam 'atores', também anda faltando 'ensaio'.

No entanto, como não acompanho os treinamentos, fico na torcida para que a gradual melhora dos fundamentos e do conceito geral faça parte de um planejamento e que venha seguida de uma alta na coordenação e articulação de setores específicos.

Nota: Alessandro fez exatamente o que não se espera que faça um defensor experiente, mesmo que mediano: na condição de último homem de defesa, se 'lançou à sorte'.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos da partida: Botafogo 2 x 1 Grêmio]

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Esse não é feito de vento

(Foto: Jarbas Oliveira/AE)

Não vou falar da defesa que não inspira confiança, dos erros de passe bisonhos, da falta de articulação das jogadas de ataque, da péssima fase do Herrera, da alternância da qualidade do desempenho coletivo durante as partidas, da dispensa injustificável de El Loco e Arévalo, da falta de um homem de área. Nada disso.

O que me interessa e alivia a alma hoje é saber que contamos com um jovem de 21 anos que dá combate, faz a bola circular, é forte, protege bem a bola, é veloz, não se esconde do jogo em nenhum momento, chega com perigo ao ataque, chuta BEM de fora da área, cobra faltas com força e colocação, tem visão de jogo e ainda deu um passe primoroso que deu início à virada no jogo de ontem – além disso tudo é um tremendo sortudo. Como bem disse o Marcelo Pereira, “é o anti-Lucio Flávio.

Pois bem, o Elkeson é a melhor contratação do ano até o momento. É o tipo de jogador que nos faltava desde, digamos, o Beto. Jogador rápido na transição, a peça que faltava para se juntar ao talento e potencializar a velocidade de Maicosuel.

Que Elkeson continue a ser o que já é e evolua ainda mais. Que tenha uma carreira brilhante! (No Botafogo, é claro).

Saudações botafoguenses!

domingo, 5 de junho de 2011

Cospe no prato em que come


O narrador esportivo Luís Roberto, da flaflupress, assistindo a um lance de uma partida disputada na tarde de hoje no Engenhão, disse que o gramado do estádio botafoguense era uma vergonha comparado ao do estádio Olímpico de Porto Alegre. E se perguntou o que acontece ao gramado do Engenhão, que não se mantém em boas condições.

Ora, o que acontece é que, no Rio de Janeiro, existem dois clubes que não possuem um estádio de futebol – o que dirá um estádio olímpico, como é o caso do Engenhão. São os 'sem-estádio'. E são clubes que se consideram 'grandes'! Esses dois clubes não se sentem acanhados por pedir emprestado o estádio dos outros para disputar as partidas sob seu mando de campo, tanto no Estadual quanto em qualquer competição que disputam.

Mas isso faz parte da vida. Pedir não é indigno.

O que me enoja é a falta de cerimônia e a desfaçatez de um sujeito – que certamente não é botafoguense – que reclama do sofá da casa alheia, quando é o único reduto a acolher o sono leve dos que não têm consciência e nem estádio, mas muita empáfia, falta do que fazer e a língua solta.

Saudações botafoguenses!

Zagueiro-artilheiro


Se o Fábio Ferreira e o Antonio Carlos não fossem artilheiros, quem gostaria de tê-los como zagueiros?

Não sei o que pensam vocês, mas eu não confio nessa dupla de zaga. São desatentos e displicentes, a saída de bola é sofrível e o Antonio Carlos adora perder tudo que vem pelo alto. Fica a proteção à zaga preocupada com a zaga e acaba falhando na proteção. Vocês já notaram como nossos zagueiros reclamam dos outros e são deles as pixotadas?

Alguém se lembra de algum zagueiro do Botafogo que poderia ser disputado por um time de primeira linha, depois da aposentadoria do Gonçalves? (Ah, sim, tivemos o Julio Cesar, mas em fim de carreira – não vingou; e o Rafael Marques, que não jogava nada por aqui e se tornou titular no Sul).

Nossa zaga é sofrível desde a conquista de 1997, quando Gonçalves e Jorge Luis nos garantiram uma zaga invicta (esqueçam o surrealismo de um 'terceiro turno', excrescido pelas mãos do incontornável Eurico Miranda). De lá para cá, só arrepios.

A falha no jogo de ontem é número de picadeiro. Considero a profissão do palhaço coisa muito séria, mas em um zagueiro o nariz de bola me parece inadequado. O episódio foi mais humilhante que um gol contra. De bom só mesmo a perda da ilusão, a revelação de que não temos zagueiros sérios. Zagueiro tem que ser sério. Infelizmente temos dois homens feitos, mas com cabelos de adolescente – que me perdoem o preconceito ou a caretice.

O que salva esses dois é a capacidade que têm para marcar gols. Não fosse isso, a torcida já teria acordado para o fato de que antes de serem contratados, um estava disputando a série B e o outro era refugo de time grande. E quando saírem – se saírem um dia, porque o sonho de todo jogador mediano é se aposentar pelo Botafogo – com certeza irão para a Coreia do Sul ou mercado semelhante, ou provavelmente esquentarão banco em algum time que não participa de competições por mero espírito esportivo.

Saudações botafoguenses!