quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Querem 'apagar' o Zé, mas isso nós não vamos deixar


Zé Fini

Por Rui Moura

Zé Fogareiro recebeu, segundo o próprio, uma mensagem irreversível de Globoesporte.com anunciando, por telefone, o seu desligamento do blogue pelo qual era responsável: “Vamos mudar porque estamos em busca de um novo blogueiro e também por conta das suas frequentes críticas à diretoria”.

Zé Fini, perdão, Zé Fogareiro, queixa-se, mas… de quê?... A Globoesporte apenas tratou de civicamente defender a democracia desportiva, o direito às diretorias não serem alvo das inverdades dos torcedores, que não passam de moleques sem jeito que bradam contra uns e clamam contra outros, que forçaram injustamente a diretoria a tomar medidas de dispensa de Lúcio Flávio no passado e de Alessandro no presente. Inaceitável! Dois verdadeiros craques que deram inúmeras glórias ao Botafogo e títulos de toda a espécie, e cujas pequenas falhas – um passava jogos decisivos sem tocar na bola e outro deixava a bola entrar nas suas costas – eram irrelevantes face aos golaços feitos, aos centros milimétricos e às roubadas de bola frequentes.

Zé Fini, perdão, Zé Fogareiro, bradou contra André Silva e clamou contra Anderson Barros: o cúmulo da injustiça, já que um tem sido incansável na direção rigorosa do departamento de futebol e o outro tem sido um verdadeiro ‘achador’ de craques. Do entendimento extraordinário destes dois homens foram contratados Jean Coral (por onde anda?), Tony (seleção canarinho), Somália (um Pinóquio acima de qualquer suspeita) e mais umas duas dezenas de craques do mesmo nível.

Zé Fini, perdão, Zé Fogareiro, criticou gratuitamente o presidente do clube supostamente em defesa do Botafogo, como se o presidente não fosse o primeiro grande defensor do clube, o homem que nunca mentiu, que jamais prometeu sem cumprir, que nos trouxe verdadeiros atletas de ‘fechar aeroporto’, que saneou as finanças do clube, que resgatou a nossa honra sempre acima das politiquices de circunstância.

Zé Fini, perdão, Zé Fogareiro, não respeitou quem devia, não prestou vassalagem a quem de direito, rejeitou a confortável figura de Zé Omissão. Zé Fogareiro não entende nada ‘deste’ Botafogo…

Portanto, Zé Fini, perdão, Zé Fogareiro, vai fazer-se à vida porque no espaço que ele ocupava toparam-lhe o perfil, um perfil cada vez mais desfocado das necessidades hodiernas de dizer ‘sim’, ‘yes’, ‘oui’ ou qualquer outra forma de auto-censura, submissão e denúncia, um perfil contrário às necessidades modernaças do lambe-tudo e lambe-todos – a mais recente e consistente figura social emergente no século XXI.

Evidentemente que eu poderia dizer que ainda na década de 1980 previ que à medida que a democracia política crescesse o controlo institucional aumentaria. Evidentemente que eu poderia reiterar hoje que a democratização das sociedades traz inevitavelmente os esbirros da censura para repor a auto-censura que os homens passaram a rejeitar com as mudanças sociais ocorridas. Evidentemente que este ‘claro-escuro’ da nossa época desenvolve-se à medida que a liberdade cresce e o controlo aumenta.

Mas não digo nada disso, porque o Zé Fini, perdão, o Zé Fogareiro, tornou-se um embaraço e eu ainda posso ficar embaraçado também, quiçá preterido do ‘meu’ Botafogo com os novos ‘cachorros’ de dente aguçado atrás de mim. Além disso, o rapaz não entende nada ‘deste’ Botafogo modernaço e ainda acredita no Papai Noel…

Mas perante a rápida indiferença que certamente vai imperar sobre o acontecimento resguardo-me intelectualmente na citação do incontornável Bertolt Brecht:

“Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afetou
Porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.

Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.”

O blogue Mundo Botafogo estará sempre à tua disposição, amigo João Roberto.

Publicação original: Mundo Botafogo/Estrela Solitária

Saudações botafoguenses!

PS 1: É óbvio que concordo com o que o amigo botafoguense Rui Moura escreveu, uma vez que publico. Mas gostaria de deixar claro que não concordo somente com o aspecto geral do texto: Concordo inteira e fervorosamente com cada palavra, vírgula, estilo, intenção e intensidade.

PS 2: A informação sobre a demissão do blogueiro botafoguense me veio através de Mauro Axlace, do blog Aqipossa.

domingo, 25 de dezembro de 2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Mundo Botafogo


Hoje o sensacional blog Mundo Botafogo/Estrela Solitária completa quatro anos de existência. Saúdo meu amigo Rui Moura, o responsável pela façanha fantástica, e lhe agradeço pela energia que investe na produção de um espaço tão especial.

Aproveito a ocasião para fazer um convite aos visitantes daqui, para que deem um pulinho lá no Mundo Botafogo. A postagem comemorativa do dia de hoje é imperdível.

Parabéns, Rui! O Mundo Botafogo/Estrela Solitária melhora a vida dos botafoguenses e, em especial, a dos ‘botafoguistas’.

Link para o Mundo Botafogo

Link para a postagem “Sou Botafogo!”

Saudações botafoguenses!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A nona colocação dos melhores


Meus parabéns ao Jefferson e ao Cortês por suas premiações.

Mas é uma pena saber que este ano o Botafogo não soube aproveitar a colaboração de dois dos melhores jogadores do Brasileiro em suas respectivas posições, juntamente com mais três indicados – Antonio Carlos, Renato e Loco Abreu. Nos restou uma melancólica nona posição e a óbvia certeza de que não vamos disputar a Taça Libertadores da América em 2012.

Com a mesma marca o Corinthians se sagrou campeão e, com marcas inferiores, Fluminense, Flamengo, Internacional, São Paulo, Figueirense e Coritiba acabaram a competição acima de nós. Das duas uma: ou os responsáveis pela eleição dos melhores não entendem nada de futebol ou o problema do rendimento do Botafogo não tem nada a ver com uma possível precariedade do elenco. Fica a dúvida no ar.

Saudações botafoguenses!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Muito além do Corinthians


Morre um dos fundadores da Democracia Corintiana e leva consigo um conceito ideológico que não vingaria de forma alguma no futebol atual.

Além de craque, Sócrates foi um homem de caráter exemplar. Não era atleta, consumia álcool além do que a medicina e o bom senso recomendariam, mas sua postura cidadã e solidária – plena de um sentido de justiça verdadeiro, desapegado, avesso à busca por ganho pessoal – construiu a imagem que melhor define o homem, muito além do jogador.

O mundo de Sócrates não se restringiu ao mundo da bola. Na verdade, agregou seus conceitos ao ambiente de ofício que, junto com seus companheiros de ideais, tornou em um foco de irradiação do conceito de que nossas vidas devem buscar o crescimento global da sociedade, sempre fundado na ação coletiva.

O futebol atual é norteado pelo universo do marketing. Os clubes e os jogadores são ‘garotos propaganda’, marcas a vender outras marcas. Uma ‘Democracia Corintiana’ não estaria em sintonia com os dias de hoje, pois jogadores de futebol são trabalhadores milionários que ganham seu dinheiro individualmente. Já não dependem – ou pensam que não – de seus companheiros de profissão para garantir dignidade e sucesso profissional, porque o que lhes leva ao êxito não é a força de ‘seus’ clubes, mas empresários e empresas especializados em agenciamento de talentos futebolísticos – não necessariamente talentosos para o esporte, mas com imagem de bom apelo publicitário.

Não existe centro, não existem clubes. O poder se espalhou e o coletivo se esfacelou.

Foi-se Sócrates e seu mundo, mas seu ideário sobrevive e se agrega através de redes pseudovirtuais – tão espalhadas quanto os centros de poder –, que volta e meia surgem (e se insurgem), ocupando lugares como Wall Street, lutando por coisa semelhante a que os companheiros do ‘Magrão’ se juntaram para conquistar.

Foi-se o corpo, ficam as ideias.

Que Sócrates descanse em paz ou faça o que bem entender em sua nova dimensão, pois ele merece o melhor.

Saudações botafoguenses!

PS 1: O Botafogo de Futebol e Regatas tem uma história de luta por ideais nobres desde os tempos de clube de remo. Como botafoguense e partidário de muitos pensamentos e atitudes que fazem parte da história alvinegra, fiz questão de criar um breve obituário para o já saudoso Sócrates.

PS 2: A Seleção de 1990 foi um exemplo evidente da mudança de rumo do futebol e apresentou ao mundo um modelo administrativo do esporte em que a meritocracia deu lugar ao marketing, ao famigerado e hiperlucrativo marketing esportivo.

Falta força, sobra grosseria




Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A falta que faz uma boa infância


É natural que crianças comecem a identificar formas geométricas a partir de um ano de idade. São vários os brinquedos que exploram essa habilidade.

Infelizmente, tudo indica que os dirigentes do Botafogo não tiveram a sorte de poder exercitar o raciocínio abstrato com brinquedos dessa natureza, ou preocuparam seus pais ao insistirem, ano após ano, em encaixar peças quadrangulares em furos circulares. Pois chegando à idade adulta demonstram claramente que não desenvolveram a inteligência o suficiente para perceber a diferença entre um treinador de goleiros e um técnico de futebol. (Não foi à toa que demoraram mais de trinta rodadas para notar que Caio Júnior não era o que dizia ser).

É valido argumentar que não houve tempo suficiente para que o ‘assistente do aprendiz de técnico’ promovesse mudanças sensíveis na forma como o time joga. Mas não posso considerar válida a tese de que um treinador de goleiros seria melhor opção do que o treinador – técnico de futebol – campeão carioca de juniores, o Eduardo Húngaro. Muito menos quando é notória e ostensiva a afinação entre o assistente do aprendiz, Flávio Tenius, com o aprendiz, Caio Júnior.

O desastre que a invencionice de Tenius – bem ao modo de seu antecessor/mentor – provocou na lateral esquerda – com a escalação fatalmente decisiva do inesquecível Everton – somou-se à falta de jogadas de ataque, ao mau (ou nenhum) treinamento de conclusões a gol e a um despreparo psicológico evidente. O resultado é conhecido.

Que esse exemplo sirva para que esse tipo de brinquedo educativo seja lembrado por pais que almejem um pleno desenvolvimento intelectual de seus pimpolhos.

***

Nota 0.1: O despreparo psicológico da equipe é tão gritante, que me instigou a querer saber ao menos um pouquinho sobre a psicóloga contratada pelo Botafogo, a Dra. Maíra Ruas Justo.

Nota 0.2: Se os jogadores tivessem ‘aquilo’ que Abreu insiste em dizer que tem – mas que a cada partida mostra não ter tanto o quanto diz –, o chapeuzinho do atacante adversário no nosso goleiro teria troco.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Atlético-MG 4 x 0 Botafogo]

domingo, 27 de novembro de 2011

Ainda não acabou

(Foto: stockforfood)

À medida que a classificação para a Libertadores foi se distanciando, a torcida se intensificava e agora se multiplica em várias frentes, causando um certo desconforto e demandando mais esforço e concentração.

Hoje já não adianta mais torcer somente por uma vitória botafoguense: precisamos torcer por resultados alheios e não são poucos. Segue minha sugestão de torcida para este domingo:

1) Vitória do Corinthians sobre o Figueirense;
2) Vitória do Palmeiras sobre o São Paulo;
2) Empate entre Internacional Flamengo.

E, caso o resultado em Sete Lagoas não seja o esperado, seria bom que o Avaí e o Bahia vencessem suas partidas. Porque, mesmo que fosse um cala boca para o narcisista falastrão Caio Júnior, a décima posição seria injusta para com o potencial apresentado pelo elenco botafoguense durante a competição.

Se organizem, pois a rodada requer atenção redobrada.

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Já era? Pode ser...


O time até que se empenhou. O primeiro tempo mostrou um jogo truncado, com forte marcação de ambos os lados. Mas a debilidade da preparação da equipe botafoguense era a mesma da maior parte da competição e, mesmo que o tempo entre a demissão do técnico e a partida de ontem fosse pouco para a produção de mudanças, jamais elas viriam a partir do comando de um sujeito que ostensivamente compartilhava das decisões do treinador que acabara de sair.

Mesmo assim, não sei como seria se tivéssemos algum outro jogador que não o Alessandro, algum jogador que não falhasse em duas oportunidades que levaram a dois gols adversários.

Mesmo assim, fica a incógnita sobre qual seria nosso destino, se Cortês – o ‘lateral de 3 milhões de euros’ – não tivesse falhado em uma série de gols nas últimas partidas; se Fábio Ferreira não ficasse até às 5 da manhã enchendo a cara em véspera de jogo; se o grande nome do primeiro turno não tivesse se agarrado a firulas e feito os botafoguenses entenderem o porquê da torcida do Vitória pedir a saída de Elkeson; se um jogador que não teria vaga no time titular de nenhuma equipe que disputará a Libertadores do ano que vem, tivesse titularidade garantida, como é o caso de Herrera; se Alexandre Oliveira e Felipe Menezes nunca tivessem parado por aqui; se El Loco não tivesse deixado sua garra no alicate da manicure; se tivéssemos uma diretoria atenta e ciosa aos interesses do clube.

Agora não temos nada além de um possível – porém improvável – arrefecimento da raiva pela campanha do ano passado: antes sexto do que décimo. Porque é isso o que fizeram restar à torcida de um clube que se tornou pequeno nas mãos da atual gestão.

Essa diretoria está a um passo de ser reeleita, apoiada por garbosos sócios proprietários, eméritos e beneméritos de coisa nenhuma, autoproclamados ‘ilustres alvinegros’. É este conjunto de pseudobotafoguenses que, unidos a um grupo de sanguessugas sem bandeira e a oportunistas de toda sorte, formam o pior que o Botafogo já teve em sua sede.

Mas o Botafogo sobreviverá a essa gente.

Saudações botafoguenses!

[Link para melhores momentos: Botafogo 1 x 2 Internacional]

domingo, 20 de novembro de 2011

Treinador de time de goleiros?


Uma dúvida nunca me saiu da cabeça: Caio Júnior seguia os conselhos do Flavio Tenius durante as partidas ou suas decisões desastrosas contrariavam as sugestões de Tenius? Essa dúvida anda se tornando uma assombração, pois, caso as dicas do treinador de goleiros eram levadas a cabo, nossa situação mudou de péssima para desastrosa.

Ademais, qual a explicação para nomearem um técnico de goleiros e não o Eduardo Húngaro, técnico campeão carioca Sub-20?

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Antes tarde demais, do que depois do fim


A diretoria botafoguense tomou uma atitude radical, corajosa e fundamental. Mesmo que extremamente tardia – e justamente por isso –, a ação do comando botafoguense se fazia urgente.

Íamos muito mal, caindo vertiginosamente, um time em frangalhos. Melhor fracassar tentando uma mudança, do que insistir no que está dando – muito – errado. Não existe pior do que péssimo e disso não passaremos, que é exatamente onde estamos.

Sei que talvez seja exigir demasiada ousadia da cúpula botafoguense, mas entre a soma de um preparador de goleiros e um interino (dois interinos de uma só vez!!!), eu ofereceria a vaga de treinador a Sebastián Abreu.

Pode parecer ironia, mas não é. A história mesmo guarda um exemplo, na figura do italiano Vialli, que acumulou as funções de jogador e técnico do Chelsea. E não foi uma aposta maluca, pois foi campeão em cinco competições.

Saudações botafoguenses!

Uma decisão vital


Ontem o Botafogo deu o adeus definitivo à disputa pelo título brasileiro.

O time parece um bando em estouro de boiada, cada um por si. Os jogadores perdem o equilíbrio com o primeiro revés – como no jogo de domingo – e não são capazes de reassumir o controle das próprias ações. Erram o que acertavam, fazem más escolhas, perderam o bom discernimento que tinham. Os maus desempenhos estão piorando a cada rodada e a tendência é continuarmos ladeira abaixo.

Sinto discordar de Abreu quando o atacante diz (algo assim) que existe “alguma coisa que acontece na reta final”, algo que também aconteceu em 2010, e que não tem relação com a comissão técnica. Pois este ‘algo’ tem, sim, relação direta com a comissão técnica, tanto no ano passado quanto este ano. E este algo chama-se COMPETÊNCIA.

Competência para treinar adequadamente os atletas, tanto nos fundamentos básicos, como na execução de jogadas; Competência para elaborar desenhos táticos gerais e pontuais; Competência para eleger as melhores estratégias de jogo; E, principalmente na reta final de uma competição desgastante, competência para administrar o quadro emocional do grupo.

E o principal responsável pela inexistência da competência essencial para o sucesso de uma equipe em uma competição da envergadura do Campeonato Brasileiro de Futebol é o técnico do time, o Sr. Caio Júnior.

Mais factível do que torcer por um milagre que reverta a situação desastrosa em que estamos, devemos torcer – e muito! – para que a diretoria afaste Caio Júnior do comando técnico do Botafogo. Pois somente uma mudança radical pode livrar o Botafogo de passar o ano de 2012 fora da disputa pela Taça Libertadores da América e lamentando o dinheiro e prestígio que deixou de obter.

Espero que a diretoria não permita que o excelente time de 2011 seja esquecido tão rapidamente, já no ano que vem.

Sabemos que é uma decisão difícil, que demanda muita coragem e independência, pois é notório que a imprensa e muitos setores das torcidas organizadas forjam a ideia equivocada de que Caio Júnior é um bom quadro. Porém, é em momentos como estes que os indispensáveis se destacam dos triviais.

Saudações botafoguenses!

Leituras recomendadas: Demitir é preciso (Fogo Eterno); A voz de Arthur Dapieve (Mundo Botafogo).

[Link para os melhores momentos: América-MG 2 x 1 Botafogo]

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Bola de cristal


Vou me atrever a entrar no universo movediço da futurologia. Não sou muito afeito à ausência de um anteparo sólido onde pisar, mas me arrisco, revelando o que o Biriba profetizou hoje à tarde.

O oráculo biribense predisse que na partida de hoje veremos um time muito bem treinado, com jogadas de ataque articuladas, um sistema defensivo coordenado e uma estratégia inteligente de jogo. As jogadas, claramente bem ensaiadas, esbarrarão na precariedade técnica de seus jogadores. Esse time é o América-MG.

Do outro lado uma incógnita, duas previsões:

1) Se os jogadores botafoguenses se rebelaram e aceitaram um levante comandado por Sebastián Abreu, veremos movimentações de ataque bem treinadas, jogadas ensaiadas de bola parada, uma marcação dinâmica à Celeste uruguaia – ora adiantada, ora baseada na intermediária do campo de defesa. Enfim, onze jogadores com cara de time de futebol profissional que pretende ser levado a sério. Ou:

2) Um meio de campo com bom toque de bola, um empenho irretocável, uma defesa descoordenada, um ataque estático e sem articulações claramente bem desenhadas, jogadores tentando penetrações baseadas em iniciativas individuais e isoladas, muito chuveirinho na área. Ou seja, um bando de gente bem paga parecendo um time de peladeiros de segunda categoria.

Confirmadas ou não as previsões do oráculo biribense, o resultado da partida está em aberto. Porque esse é o tipo de cumbuca que o Biriba não põe a mão, pergunta que não responde nem no Dia de São Nunca.

Mas, empolgado com essa estória de posar de Tirésias por um dia, o Biriba me disse que as chances de sucesso do Botafogo no campeonato estão estreitamente ligadas ao êxito da Rebelión de El Loco – como ele entusiasticamente batizou o feito épico. O profeta canino me garante que, caso o levante cisplatino se der a partir de hoje, temos chances, inclusive, de chegar ao título. Revelou, no entanto, que, se a rebelião for rechaçada, nossas chances de conquistar uma vaga na Libertadores são nulas.

Adelante, Combatientes Severianos!

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Caio Junior é um fracasso e o Botafogo está metido nisso


Ao comentar o jogo de ontem, o jornalista Lédio Carmona afirmou que a culpa pelas más atuações do Botafogo não deveria recair sobre o treinador, pois são os jogadores que não estão apresentando um bom futebol.

Discordo frontalmente da opinião de Lédio Carmona e considero um mistério a admiração que a maioria dos jornalistas especializados nutre por Caio Júnior.

Repito o que venho dizendo há muitas e muitas rodadas: foram os jogadores que fizeram a boa fama de Caio Junior e não o contrário; foram suas jogadas individuais que nos levaram à maioria das vitórias e não o esquema tático ou boas estratégias de jogo, coisas que Caio Junior é incapaz de produzir.

Através de jogadas coletivas ou ensaiadas chegamos ao gol adversário em contadas seis ocasiões. E estou sendo generoso na conta, pois incluo nesse pacote os dois gols contra o Palmeiras – gols de bolas cruzadas na área – e dois contra o Vasco, quando a defesa vascaína pareceu ter saído para tomar um cafezinho. Ou seja, a ‘obra’ de Caio Junior não forma um conjunto de dedos além do necessário para um gesto de paz e amor.

As duas últimas partidas foram exemplos perfeitos da completa falta de capacidade do atual treinador do Botafogo para orientar uma equipe de futebol da primeira divisão nacional. Pois quando nos deparamos com adversários bem montados taticamente, com sistemas defensivos coordenados de maneira inteligente, as jogadas individuais são neutralizadas com facilidade. Porque o futebol moderno é assim: pune quem não entende do riscado.

E Caio Junior não sabe nada sobre futebol moderno. Não passa de um falastrão egocêntrico, um marqueteiro pessoal, peça inútil para colaborar com qualquer clube que ambicione fazer parte da elite do futebol brasileiro.

A queda de rendimento individual dos jogadores se deve à completa inexistência de jogadas de ataque bem articuladas, de jogadas ensaiadas, de um sistema defensivo bem coordenado, de treinamento de fundamentos do esporte. Em suma, o Botafogo sofre pela carência de uma cabeça pensante fora de campo, capaz de preparar a equipe para funcionar de forma coletiva e articulada, apta a criar oportunidades para que a técnica individual de seus jogadores aflore.

Técnicos de bom nível já notaram que Elkeson chuta bem de fora da área, conhecem a aptidão de Maicosuel para a penetração em diagonal e perceberam que nossos laterais apoiam simultaneamente e sem cobertura. Conhecem nossos pontos fortes e nossas fraquezas, e se deleitam por parecermos um time de futebol de botão, um time estático. Conseguem nos anular com relativa facilidade, pois Caio Junior não possui recursos ou alternativas para fugir das armadilhas criadas pelos adversários, que nos forçam a tentar sobreviver através de bolas cruzadas à área – muito mal cruzadas, por sinal.

Difícil conceber a ideia de que o Botafogo sob o comando do atual treinador é um time previsível e banal, apesar de formado por jogadores surpreendentes e incomuns. Mas Caio Junior, embora seja repetitivo e modorrento, consegue surpreender com sua inequívoca capacidade de transformar joia em quinquilharia – um alquimista ao avesso.

Além da falta de capacidade para preparar adequadamente a equipe para as partidas, Caio Junior demonstra uma miopia constrangedora durante os jogos. Declarou – para meu espanto, evidente! –, que já esperava pela proposta de jogo vascaína, o que me deixou furiosamente curioso para saber o porquê de não haver reposicionado sua equipe – quando a estratégia adversária se confirmara –, a fim de evitar os inúmeros contra-ataques sofridos.

Cristóvão Borges precisou observar uma só investida de Caio Canedo pela direita, para neutralizar definitivamente esta opção. Do nosso lado – ou contra nós –, Caio Junior passou toda a competição sem perceber o jogo de nenhum de nossos adversários.

A imprensa anda adorando ídolo de barro e a diretoria do Botafogo não perde o gosto pelo fracasso.

[Link para os melhores momentos: Vasco 2 x 0 Botafogo]


domingo, 6 de novembro de 2011

Pano sem forro


Não comentei sobre os jogos contra o Atlético-PR, Santos, Avaí e Cruzeiro. Mas o que o Botafogo exibiu na 33ª rodada não foi muito diferente do futebol que jogou nessas quatro últimas partidas, esse futebol de 50% de aproveitamento. Na verdade, o que foi visto na tarde de ontem foi muito parecido com o que o Botafogo apresentou durante todo o campeonato, depois do advento do Renato: ótimo toque no meio de campo e inexistência de jogadas de ataque bem treinadas ou ensaiadas.

Seria injusto se eu não citasse os jogos contra o Palmeiras e o Ceará, quando o Botafogo deu ares de ser um forte candidato ao título, exibindo, além do já conhecido toque envolvente no meio campo, jogadas de ataque claramente bem elaboradas nos treinamentos. Infelizmente foi um lampejo.

O elenco é ótimo, talvez o melhor desde 95.

As novidades de 2011 foram determinantes para o sucesso atual do Botafogo. Renato se encaixou como a peça perfeita que faltava à engrenagem do meio de campo, e a força ofensiva e defensiva da dupla Maicosuel-Elkeson supriu a inexistência de jogadas de conjunto, com sua força, velocidade e inventiva. Os laterais Cortês e Lucas acrescentaram melhor qualidade técnica e opções de ataque.

Unindo-se essas peças à já conhecida qualidade de Jefferson e à liderança e presença de área de Sebastián Abreu, o Botafogo formou um time muito equilibrado, que consegue inclusive absorver os desempenhos inconstantes da dupla de zaga e de Herrera.

É a força deste elenco o que nos garantiu a posição em que estamos até o momento. São as iniciativas individuais o que nos tem levado aos gols e é nosso goleiro que nos salva da ausência de coordenação defensiva.

Esse tecido de primeira perde o estofo quando associado à incompetência de um treinador neófito, que não consegue criar jogadas coletivas de ataque e nem mesmo treinar fundamentos como os cruzamentos à área, para implementar sua tática primária, preguiçosa e recorrente: o ‘chuveirinho’.

Quando nosso goleiro falha ou deixa de operar milagres, quando uma defesa bem montada não permite que o ímpeto ofensivo e a qualidade individual furem seu bloqueio, quando os rebotes perdidos na área adversária não são aproveitados, quando o acaso não nos beneficia, a tendência ao fracasso se potencializa. Porque o time não possui jogadas coletivas, o ataque se posta de maneira perdida, as movimentações são inócuas e mal articuladas, em suma, não temos um sistema tático bem construído e definido, que compense os dias de pouca inspiração dos talentos individuais.

Todos, sem exceção, admiraram o Botafogo da partida contra o Ceará. Na ocasião, os próprios jogadores revelaram que a linda jogada que antecedeu o gol de El Loco foi ensaiada, bem treinada, e que abriram mão de um treino recreativo (‘rachão’) para fazer um treino tático (combinar jogadas). Pena que a preguiça ou a falta de ambição tenham nos arrastado de volta à banalidade.

Mas sorte nossa que o aproveitamento geral dos competidores está abaixo dos 60%. Mais sorte ainda é o elenco botafoguense continuar sendo o mesmo, porque eles – e somente eles – têm estofo, sim, para vencer o campeonato.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Botafogo 0 x 1 Figueirense]

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Só para registrar


Considero um grande erro a decisão por poupar os titulares na primeira partida da fase que se encerra hoje, da Copa Sul-Americana. Deveriam ter feito o contrário: buscar abrir boa vantagem jogando em casa com força máxima e, dependendo do resultado, administrar o fôlego do elenco no segundo jogo.

Seja qual for o desfecho final, ficou claro que a direção do clube não percebeu que a Sul-Americana é o caminho menos penoso para se chegar à disputa pela Libertadores.

Torcendo muito pelo time B e, em especial, pela dupla Caio-Alex.

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Vitória contra tudo e contra todos


Quando um time está determinado a não ser coadjuvante, ou dão a ele o papel principal ou a cena será roubada.

Disposto a não fazer figuração, o Botafogo tomou as luzes para si e deixou o atual líder da competição em um canto escuro da cena.

Com espírito competitivo, alma de campeão, o Botafogo superou os erros de arbitragem, a torcida contrária, a desvantagem numérica e o desfalque de alguns titulares.

Quem viu o Botafogo jogar a partida de ontem não pode duvidar que trata-se de um forte candidato ao título. Resta saber se é esse o espírito que vai prevalecer na alma e se essa será a disposição a nortear o comportamento de nossos jogadores daqui em diante. Torço para que seja.

Nota: Volto a comentar sobre a partida na próxima postagem.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Corinthians 0 x 2 Botafogo]

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Os meninos da 7

Por Alvaro Caetano Pimentel Sobrinho:
Botafoguense de nascimento e alvinegro de coração



Sete por 7 media cada lado do campo em que um grupo de moleques jogavam uma deliciosa pelada, próximo à rua 7 de um glorioso bairro da cidade.

A partida era de 7 gols em uma trave que media 7 passos marcados com 7 chinelos empilhados como traves.

Os dois times se dividiam nos 7 meninos de camisa preta e nos 7 meninos de camisa branca.

Os 7 moleques da camisa preta se chamavam Maurício, Helinho, Túlio, Rogério, Zequinha, Maicosuel e Gil. Os outros 7 da camisa branca eram Dodô, Roberto Miranda, Jairzinho, Edson, Geraldo, Paraguaio e Mané Garrincha.

Não valia gol feio e nem de fora da área porque nessa pelada não tinha goleiro.

Para fazer o gol eram necessários 7 dribles ou 7 tabelas e tinha que fazer parte de um manual de gols bonitos.

A torcida era composta de 7 pássaros que ficavam cantarolando nos fios ao lado do campinho de terra e batendo as asas a cada jogada bonita. Nossa, e como batiam asas.

Cada pássaro tinha um eleito de cada lado do campo e por isso se podia ver a ginga do papagaio, a velocidade do pardal, o canto do curió, o agito do sabiá e a destreza do canário belga. Porém, quem mais cantava era a cambaxirra e quem mais se agitava era o corrupião tal qual um furacão.

E a partida rolava dentro das 7 linhas básicas que compõem um campo de pelada: duas linhas de fundo, duas linhas de laterais, uma de meio de campo e uma linha para cada área. Cada jogada pintava quadros de magia que os 7 moleques de cada lado construíam com a pequena bola feita com 7 meias pretas e 7 meias brancas.

Cada um dos 7 de camisa preta e dos 7 de camisa branca definiram que a pelada precisa de um troféu que deveria ter uma representação diferente.

A forma de uma taça? A forma de uma bola? Não! O troféu tinha que ter uma representação divina. Deveria ser uma estrela!

E os 7 pássaros, como as 7 notas de uma escala musical, entoavam um hino de louvor aos 7 pequenos grandes craques das camisas pretas e aos 7 pequenos grandes craques das camisas branca que lutavam aguerridos por uma estrela.

Botafogo, Botafogo,

Campeão desde mil novecentos e 7...

domingo, 9 de outubro de 2011

Mesmos erros + outros


Estamos cansados de saber que nossa defesa é deficiente em lances pelo alto e que nosso sistema é falho nas coberturas às subidas dos laterais. Ou seja, era de se esperar que Joel Santana armaria um ferrolho e tentaria explorar os contra-ataques e as bolas alçadas à área. Até aí, nenhuma novidade.

Acho difícil imaginar como contornar a deficiência da zaga. Mas impossível mesmo seria imaginar que a estratégia botafoguense para furar o previsível ferrolho adversário fosse o afunilamento do jogo, muito menos sabendo que contávamos com jogadores velozes e insinuantes, e de ótimo desempenho pelas laterais do campo, como Maicosuel, Elkeson, Caio e Alex. Mas a concepção de Caio Júnior a respeito do futebol supera qualquer expectativa, sempre negativamente.

Logo aos 2 minutos de jogo, Caio – o ponta – lançou uma pista de que a busca por jogadas pelo meio seria a estratégia – tosca – para tentar furar o bloqueio do time baiano, quando abriu mão de uma tabela na lateral e investiu pelo centro. Começamos equivocados.

O primeiro gol adversário se anunciava, pois o pífio desempenho da zaga em bolas pelo alto é sempre um convite ao sofrimento e não foi diferente na noite de ontem. A reposição de bola de Renan foi bizarra – tanto que Cortês foi pego de surpresa –, mas isso não diminui a incapacidade de recuperação que o lateral demonstrou. Cheguei a contestar a escalação de Cortês para marcar o chorão adversário, mas entendi a escolha, visto que ambos são lentos e Antonio Carlos e Fábio Ferreira não transmitem segurança.

Caio mais uma vez mostra-se não confiável, pois desperdiça facilmente o que constrói com dificuldade. Saímos em desvantagem para o intervalo por força de mais uma exibição de individualismo infantil, que revela o que pode se tornar um empecilho para que o atacante se firme como titular de times de ponta do cenário nacional.

Caio Júnior acertou ao lançar William e aos 12 do segundo tempo já estávamos em vantagem, com a participação direta do atacante, no primeiro gol.

O pênalti bisonho de Marcelo Mattos e suas últimas atuações são preocupantes.

Uma pena perdermos a oportunidade de nos vingar do chorão adversário, quando Renan desperdiçou a oportunidade de defender um pênalti sem sair do lugar.

A inexplicável insistência em concentrar o jogo pelo meio – que aumentava com o decorrer da partida –, a ausência de jogadas de ataque bem articuladas ou ensaiadas e, pior, a involução do jogo botafoguense para o chuveirinho reduziram nossas possibilidades de reverter o resultado, mesmo jogando contra um adversário em desvantagem numérica.

Vejo indícios de um time que está longe de brigar pelo título e que se aproxima perigosamente de uma sexta posição.

Nota I: O aspecto psicológico da equipe mais uma vez esteve lamentável e coloca em questão o trabalho feito pelos profissionais do setor – já há muito tempo.

Nota II: As vaias da torcida já aos 20 do primeiro tempo eram direcionadas ao time, ao treinador, a ambos ou à diretoria que promove e mantém o espetáculo medíocre que nenhum botafoguense gostaria de ver?

Nota III: Elkeson anda demonstrando o que fez a torcida do Vitória querer vê-lo longe de Salvador. Seu futebol arrasador, que conquistou torcedores e o levou a ser eleito o destaque da competição, parece ter ficado em algum lugar do passado. Será que a ‘vitrine Botafogo’ já deu o que tinha que dar?

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Botafogo 2 x 2 Bahia]

sábado, 8 de outubro de 2011

Desobediência civil

Somente a inteligência, o espírito competitivo, o talento, o sentido coletivo e a total entrega de nossos jogadores, somados ao apoio incondicional da torcida, podem nos levar ao título.

(Campeão Carioca de 1907 - Em pé: Alvaro, Raul e Werneck; Ajoelhados: Viveiros, Norman Hime e Lulu; Sentados: Ataliba Sampaio, Flávio Ramos, Canto, Gilbert Hime e Emmanuel)

“Faltavam três minutos para o jogo acabar. O treinador acerta quando o time ganha e erra quando o time perde. Qual era a ideia? Explorar a velocidade com o Elkeson e o Cidinho e reforçar o meio. Ai aconteceu a bola parada. Não teve nada a ver com a saída de um ou de outro jogador.” (Caio Júnior – ao GloboEsporte – ‘justificando’ a substituição de Abreu, aos 43 do segundo tempo, no empate contra o São Paulo).

Caio Júnior parece ser um homem de boa índole, um sujeito bem educado e tal. Mas se nosso destino dependesse das orientações de um treinador que afirma com convicção o que foi dito acima, nossa estrada seria um beco sem saída e muito curto. Por isso faço um apelo ao elenco.

Peço aos jogadores do Botafogo de Futebol e Regatas que não ouçam as orientações que vêm da beira do campo. Desobedeçam.

Reúnam-se após os treinamentos, na concentração. Troquem ideias, combinem jogadas. Apliquem o que aprenderam ao longo dos anos.

A torcida confia no futebol de vocês, mas duvida da capacidade de Caio Júnior.

Portanto, que sejam vocês os responsáveis pelo destino do Botafogo. Abram caminho. Quando as dúvidas se apresentarem, vocês saberão que rumo tomar.

Não deixem que seu êxito seja impedido pelo profissional que contrataram para orientá-los, mas que os tem guiado para longe do sucesso.

Planejem com astúcia um motim velado e virem o jogo. Estejam certos de que a torcida vai perceber que algo mudou para melhor. E, mesmo que a razão do sucesso seja um segredo entre vocês, os botafoguenses e a história do futebol nunca se esquecerão de um time campeão brasileiro.

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Aula de futebol


Há muito tempo comento que nosso time não constrói jogadas de ataque bem desenhadas, não tem posicionamento defensivo bem estruturado, possui um miolo de zaga desatento e conclui mal quando surgem oportunidades de gol. Durante esse tempo me faltou um modelo concreto que definisse, dentro de campo, conceitos como ‘articulações de ataque bem definidas’, ‘coordenação defensiva’, ‘espírito competitivo’ e etc, até a noite de hoje (ontem). Porque o Atlético-GO é um exemplo perfeito de que minha fala não era palavrório; o time goiano tirou do papel tudo isso e mais um pouco.

Hélio dos Anjos orquestrou uma aula prática de futebol através de sua equipe, o melhor futebol tático que tive a oportunidade de assistir na competição – e com SEIS ‘reservas’.

Movimentações de ataque envolventes, transições bem articuladas entre os setores, sistema defensivo dinâmico e muito bem coordenado, comportamento competitivo, compreensão da estratégia proposta para o jogo, aplicação tática, ou seja, muito do que gostaria de ver sendo executado do nosso lado e que tivemos poucas oportunidades de assistir durante o campeonato – diria que no jogo contra o Palmeiras percebi esboços identificáveis e contra o Ceará parte deste receituário foi levado a cabo.

O conhecimento sobre futebol e a capacidade de colocar conceitos em prática coloca um abismo entre Hélio dos Anjos e Caio Júnior. Enquanto o primeiro sabia que ao adiantar sua marcação desmontaria o sistema engessado, previsível e simplório deste último, Caio Júnior não foi capaz nem mesmo de perceber que sua mexida no intervalo foi determinante para que seu time passasse a equilibrar as ações. E, mesmo que tenha notado a mudança de paradigma, não identificou as causas que levaram a esta mudança.

Ao liberar Renato para transitar na intermediária adversária, Elkeson cresceu no jogo. Porém (sempre existe um ‘porém’ em se tratando de Caio Júnior), quando o Botafogo atravessava seu melhor momento na partida, Caio Júnior mais uma vez destruiu o que acabara de construir, tirando de campo a principal peça do time, o jogador mais efetivo da equipe, o sujeito mais temido pelo treinador adversário.

A saída de Elkeson era tudo o que Hélio dos Anjos queria, mas jamais iria imaginar que fosse justamente o técnico adversário quem lhe daria esse presente de bandeja.

Caio era sem dúvida um nome a ser cogitado, mas nunca funcionaria bem como força motriz a partir do centro da intermediária, pois é jogador de flanco. Com a mudança, Caio Júnior matou a possibilidade real de reversão do resultado, pois o time reagia de maneira obstinada e efetiva e tinha em Elkeson sua mola propulsora. E justo em uma fase da partida que o adversário sentia a fadiga, fruto do ritmo intenso que empreendera até então.

Caio Júnior é um caso exemplar de um produto típico de uma sociedade baseada no marketing, e que produz muitos bens fugazes e de pouca utilidade, onde a meritocracia é palavra arcaica. Tem um discurso que combina ligeireza a uma pseudointelectualidade, se adequa a um padrão estético bem aceito, usa óculos da moda.

Do outro lado, o comentário sobre o jogo não passa pela verborragia envernizada e superficial em voga. É uma fala pouco prolixa, porém muito clara. Quase um desabafo de uma figura que não se ajusta ao ranço eugenista que ainda nos assombra. Um ‘mulato’, competente toda vida, dizia algo assim: “Futebol é grupo. Hoje nós tivemos a oportunidade de mostrar o que é o nosso trabalho. O jogo de hoje refletiu o que os jogadores fizeram no treino tático (pro jogo) e o que ENSAIARAM no treino coletivo.”

A fala é simples e direta: uma síntese. Nela só cabe o essencial e seu reflexo em campo foi a essência do futebol moderno posta em prática. Uma aula de futebol.

Hélio dos Anjos parecia ‘gritar’: ‘Eu sei que não estou na moda e tenho certeza que conheço do riscado’!

Pena que do nosso lado tínhamos (e temos) o símbolo maior do desperdício do melhor plantel desde 1995.

Que os jogadores salvem o nosso Botafogo...

Nota 10: Parabéns à torcida botafoguense que compareceu em ótimo número ao estádio e fez a flapress se contorcer para esconder o fato.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Atlético-GO 2 x 0 Botafogo]

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Jogo ruim + o pior dos males


(Foto original: Fernando Soutello/AGIF)

Para os torcedores que ainda acreditavam que o Alessandro fosse limitado no ataque mas eficiente na defesa, o gol do Santa Fé acabou com essa crença.


Para aqueles (me incluo nessa patota) que sonhavam com o excelente ex-lateral do Atlético-PR jogando pelo Botafogo, o próprio Márcio Azevedo cuidou de desfazer essa ilusão.


Para os que insistiam na tese de que o Everton um dia viria a ser um substituto razoável para uma eventual ausência de Maicosuel ou Elkeson, a noite de ontem provou o contrário.


Para os que tinham na lembrança o limitado, porém aplicado, Somália do Carioca 2010, essa imagem se embaça na memória.


Para quem sente saudades do Lúcio Flávio versão 2008/2010, o Felipe Menezes é a solução para o vazio no peito – e em campo.

Apesar da mediocridade que aparentemente tem origem somente no banco de reservas, Abreu esteve péssimo e os substitutos regulares Lucas Zen e Alex também não estiveram em noite inspirada. Ou seja, foi um apagão geral.

Desconfio da ideia de que o que se viu ontem ter sido fruto exclusivamente de uma incontornável limitação do banco de reservas, pois, apesar da subida de produção a partir da entrada de Elkeson, foi à saída de Felipe Menezes que o Botafogo deu uma guinada e assumiu o controle do jogo.

As presenças de Caio e Elkeson foram fundamentais, mas algo andava muito mal no meio campo e acredito firmemente que o que minou as ações botafoguenses foram os erros de passe, as bolas perdidas de forma bisonha, a letargia e a falta de participação de Felipe Menezes, que se escondeu do jogo 100% do tempo. Creio que essa inoperância do homem de referência do principal setor do campo inibiu a solidez do time como um todo, que não contou com um espaço confiável para escoar a retomada da posse de bola, mantê-la e fazer as jogadas circularem pelo campo de jogo.

Essa fragilidade criou um vácuo criativo que acabou sendo ocupado por investidas de Somália, tentativas frustradas de Everton e sobrecarregou Alex, forçado a constantemente se ver no campo de defesa, quando as jogadas já se encontravam no ataque.

E mais uma vez o técnico botafoguense se mostra incapaz de fazer boa leitura do jogo. Quando o Botafogo retoma o comando das ações de forma contundente – com Elkeson pelo meio dialogando com Caio pela ponta – e descobre uma forma efetiva de explorar o setor direito de ataque – que resultou em gol –, o treinador desloca Elkeson para a esquerda, desmontando inexplicavelmente um sistema eficiente que ele próprio acabara de criar. Incompreensível, incorrigível e repetidamente incompetente.

Acerta quem acredita que temos problemas técnicos no banco de reservas, mas engana-se quem pensa que é a qualidade mediana dos suplentes, o maior dos males por ali.

Nota I: Caio mostrou contundência e provou ser uma ótima opção.

Nota II: Thiago Galhardo não tem características semelhantes às de Felipe Menezes, mas é muito mais confiável e melhor alternativa para o setor.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Botafogo 1 x 1 Santa Fé]

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Botafogo é Seleção


Que partidaço fez o Cortês! Sem firulas, sem pirotecnia; muita calma, visão de jogo e objetividade.

Cortês deixou sua marca nas jogadas que resultaram em gols: com tranquilidade, trouxe para o meio um rebote e iniciou sem estardalhaço* o contra-ataque fulminante que levou ao primeiro gol e fez o penúltimo passe para o segundo.

Cheguei a ficar com uma pontinha de inveja da Seleção, pois quero muito ver o Cortês jogando o que jogou, na noite de ontem, na próxima partida e em todas que jogar pelo Botafogo – acho que essa é uma inveja sem pecado. Fico satisfeito se ele nos reservar três quartos do futebol de ontem – o comedimento é uma virtude. (Será que me livrei do inferno?).

Mas por que ele não apresenta um futebol no mesmo nível que o de ontem, quando joga no Botafogo? Seria algum problema de posicionamento, de orientação tática? Mistérios do futebol...

Os argentinos passaram boa parte do jogo dando pinta de que não dariam trabalho ao Jefferson, mas o Paredão não deixou o público ir para casa sem um bônus carimbado no ingresso. Fez uma boa defesa, depois uma ótima e fechou com uma defesa espetacular.

O Galvão Bueno se disse impressionado com a ‘explosão muscular’ do Jefferson, que observara durante os treinos. Bastou dizê-lo e logo em seguida Galvão ficou muito empolgado – tremendo pleonasmo! –, pois três defesas se sucederam, parecendo uma resposta exemplar em cascata.

Tomara que não dê azar, porque conheço um sujeito que considera o Galvão Bueno um tremendo pé frio. Ele diz que o Galvão foi responsável pela derrota em 86 e pela morte do Sena. Só fala isso quando bebe, mas fala disso o tempo todo, porque bebe o dia inteiro.

Nos pés do Elkeson as faltas desperdiçadas pelo Gaúcho levariam muito mais perigo. As ‘Estrelas da Mídia’ ocuparam o lugar do “Destaque do Brasileirão”, mas deixa estar. É melhor que os holofotes apontem para o outro lado.

Depois do jogo, vi os três botafoguenses ainda no gramado, felizes da vida. Formaram uma rodinha, falaram sei lá o que e deram risadas. Tomara que o papo tenha sido: – Vamo arrebentá no domingo! – É!

Parabéns ao Cortês, ao Jefferson e ao Elkeson! Com o Botafogo na Seleção, dá até para fazer uma forcinha para ver o Brasil jogar.

Saudações botafoguenses!

* “É vantajoso não deixar transparecer que determinado gesto seja um movimento de ataque, pois adiar ao máximo a percepção do oponente quanto à sua condição de presa, potencializa o sucesso do predador.” (Cobra-Coral em, Memórias de um bicho peçonhento e óbvio).

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Empate normal... para técnico trivial

(Foto: Fernando Maia/UOL)

Não seria necessária uma visita a um oráculo para se saber de antemão que o Botafogo começaria bem e na segunda etapa recuaria e, além disso, que o técnico faria péssimas substituições, influenciando diretamente no resultado da partida. Pois ninguém precisa de dotes especiais para notar o padrão simples e repetitivo das atuações de Caio Júnior à beira do campo de jogo.

A posição que o Botafogo ocupa na tabela está estreitamente ligada à força de um meio campo notável. A conjugação entre a dupla de volantes e os meia-atacantes na marcação e no desarme, a boa saída de bola e a ótima distribuição das jogadas, a força e habilidade de Elkeson e a velocidade e técnica de Maicosuel, fazem deste meio campo um verdadeiro pesadelo na vida dos adversários da competição que disputamos.

Mas do que adianta este poderio se, assim que abrimos vantagem, a estratégia é a manutenção e não a ampliação desta vantagem? (Aos 40 do primeiro tempo vi, incrédulo, um Maicosuel – que estava ’voando’ – plantado no campo de defesa, deixando Cortês isolado em uma subida ao ataque). Por que não tentamos ampliar, por que não buscamos definir o jogo quando a situação se mostra promissora?

(Foto: Fernando Maia/UOL)

Na partida de ontem, enquanto o adversário aproveitou o intervalo para se recompor e fez substituições que se tornaram determinantes, Caio Júnior mais uma vez evidenciou sua má leitura de jogo e não respondeu às mudanças do outro lado.

O poder de conclusão de nosso ataque continua sendo um ponto fraco do time. No primeiro tempo foram duas oportunidades claras de gol desperdiçadas e o lance extraordinariamente infeliz de Abreu nos tirou a chance de matar a partida.

O time sentiu a falha gigantesca vinda de uma grande referência do elenco e a ausência de Jefferson mais uma vez nos prejudicou pontualmente – a segunda na competição –, sendo crucial para a diminuição da vantagem.

E eis que a sorte nos falta duplamente, ao nos tirar Maicosuel – por contusão – e obrigar Caio Júnior a protagonizar o comando, infelizmente para nos conduzir ao fracasso.

Caio Júnior – aquele que dispensa as profecias do oráculo – repete-se ao fazer substituições disparatadas e na orientação estorvante junto à linha lateral.

Na ausência de Maicosuel precisávamos de um substituto que desse combate às saídas de bola e às subidas do ala, incomodasse a defesa adversária, mantivesse a posse de bola no setor de ataque e não errasse passes não forçados. Mas Caio Júnior lança Felipe Menezes, um jogador que é o oposto de absolutamente tudo isso.

Não foi por falta de banco que Caio Júnior mais uma vez se equivocou na substituição, porque Alex tem o perfil exato do jogador que precisávamos para ao menos tentar cumprir essas funções.

O treinador errou mais uma vez ao elencar Cidinho para fechar a lateral do campo. Ora, o Cidinho é jogador de flanco, leve, corpo de criança. Entrou e não atacou nem defendeu, sob a visível orientação do técnico, à beira do gramado. Herrera, por pior que estivesse na partida, seria mais útil se permanecesse em campo.

Obviamente o resultado não foi satisfatório e o São Paulo passou a ocupar ¾ do terreno de jogo.

Aos 43 do segundo tempo, não satisfeito com o autoflagelo que impunha ao Botafogo, Caio Júnior parte para o suicídio, tirando Sebastián Abreu. El Loco, no mínimo, mantinha dois adversários no campo de defesa. Além disso, se Caio Júnior fosse o estudioso do futebol que tanto se autoproclama, deveria saber que estávamos em desvantagem na média de altura e que qualquer retranca eficiente se concentra firmemente no resguardo a bolas alçadas à área, principalmente em um momento do jogo em que o adversário iria, evidentemente, fazer uso deste recurso.

(Foto original: Cezar Loureiro/Globo)

Um dos atributos que diferenciam um técnico vitorioso de um profissional qualquer é a observação de detalhes importantes como este. Dizer que voltou ao país para ser campeão brasileiro não confere qualidade excepcional a ninguém, pois está ao alcance de todos. Conquistar um título nacional, porém, não está ao alcance de qualquer um.

Saudações botafoguenses!

[Link para os melhores momentos: Botafogo 2 x 2 São Paulo]

domingo, 25 de setembro de 2011

Lacan é o escambau!


- Quer dizer que o seu teste não serviu pra tirar nenhuma conclusão, né?
- Futebol é assim...
- Assim como?
- Imprevisível.
- Mas você já sabia disso, né não?
- Sabia.
- Se você sabia que é imprevisível, fez o teste pra quê?
- Pra tentar chegar a uma conclusão, quer dizer, tentar entender o que...
- Embromando de novo?
- Que embromando, nada!
- Embromando, sim! Esse teste é só um jeito que você encontrou pra se desviar do principal.
- Que principal?
- A sua dúvida.
- Que dúvida?
- Você não sabe se torce ou se analisa.
- Mas eu torço e analiso!
- Tá aí a causa do teu problema.
- Ué... Então eu não posso torcer e analisar?
- Pode.
- Então qual é o problema, seu cachorro maluco?!
- É muito simples. Você pode torcer e pode analisar, mas não pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
- E por que não?
- Porque você não consegue aceitar o torcedor e o analista como partes integrantes do seu Id multifacetado e acaba projetando o impulso de um no outro e vice versa.
- Que estrovenga desgraçada! Quem disse que eu não me aceito como torcedor?
- Ôpa! Ó o Lacan aí, gente!
- Lacan é o escambau!
- Então quer dizer que o Luiz analista não passa de um Luiz torcedor sublimado, um cachorro louco e fanático sendo racionalizado à fórceps, né?
- Que nada! A campanha maluca do Botafogo é uma maquininha de fazer neurótico e sou eu o desajustado?
- Pura resistência...
- Que resistência que nada, Biriba! Pode me encher o saco, seu prego! No final, cachorro não entra no estádio, quem vai ao jogo sou eu e você fica aí roendo o pé do sofá, mané!
- Hum... Tá melhorando. Liberando as pulsões...
- Pô, Biriba, desculpa aí. Passei dos limites. Quer um osso?
- Êita! Começou a expiação...

(Engenhão em preto e branco - foto original: Claudio Lara)

Faz uma canja de galinha e toma um Targifor C. Veste uma jaqueta bem forrada e não esquece o guarda-chuva. Se você for um precavido mórbido, junta um bote inflável, um colete salva-vidas e um punhado de sinalizadores no porta-malas, mas não deixa de ir ao estádio. Porque domingo é dia de Botafogo!

Vamos lotar o Engenhão, cachorrada!

Saudações botafoguenses!

PS: Ingressos à venda até as 13h de hoje, em General e no Caio Martins.

sábado, 24 de setembro de 2011

O Teste dos 5 Jogos


Passaram-se cinco rodadas desde o início do ‘teste dos cinco jogos’ e seria perfeitamente natural que ele se encerrasse sem subterfúgios. Mas confesso que gostaria de dar uma espichadinha para incluir o jogo de amanhã, pois acredito que seria um fechamento perfeito. No entanto, o Biriba me deu um ultimato alegando que eu estava me enredando em uma tergiversação insustentável. O Biriba é muito criterioso.

Para quem não sabe, criei o ‘teste dos cinco jogos’ como ferramenta para avaliar as reais possibilidades e intenções do Botafogo na competição. Ele teve início na primeira partida do segundo turno e terminou na última rodada.

À análise:

Foram três vitórias, um empate e uma derrota. Em termos percentuais, nosso aproveitamento foi de 66,7%. Nada mal, levando-se em consideração os últimos três campeões, que obtiveram médias finais de 62, 57 e 65,8% – em 2010, 2009 e 2008, respectivamente.

Deixando os números de lado, acredito que vencemos o Palmeiras sem deixar dúvidas e que sobramos contra o Ceará. No entanto, a vitória sobre o Grêmio foi apertada. No empate jogamos sem espírito competitivo e de forma acovardada e na derrota fomos massacrados no segundo tempo.

Voltando aos números, de zero a dez minhas notas são as seguintes:

Botafogo 3 x 1 Palmeiras: 7,5
Botafogo 4 x 0 Ceará: 9
Coritiba 5 x 0 Botafogo: 3
Botafogo 1 x 1 Flamengo: 5
Grêmio 0 x 1 Botafogo: 6

Média: 6,1

Enquanto a pontuação no primeiro quarto do segundo turno tende claramente a caracterizar o Botafogo como sério candidato ao título, minha avaliação subjetiva aponta para um time que briga por uma vaga na Libertadores.

Como a estatística é uma ótima ferramenta para projetar tendências, mas o futebol é uma caixinha de surpresas, fico na torcida para que o aproveitamento prevaleça sobre o desempenho segundo a minha ótica.

Saudações botafoguenses!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

16 anos depois

(Foto: Wesley Santos/O Globo)

Maicosuel definitivamente voltou. Não foi só na partida de ontem que ele mostrou que está muito perto de ser o Maic que conhecemos, mas foi decisivo para a vitória e também para começar a apagar o estigma de um Botafogo que não vence fora de casa. Além de se juntar a Abreu para garantir os três pontos, mandou para o ralo a escrita dos 16 anos sem vencer o Grêmio no Olímpico (boas lembranças?).

Na noite de ontem superamos: uma marcação de final de Libertadores; a fraca atuação do Herrera; um Lucas pouco inspirado; um duplo não acontecimento aos 2 do primeiro tempo; o exagero nas firulas e no individualismo do Elkeson; o pesadelo das bolas pelo alto no miolo da defesa; o suspense pela presença do Alessandro; o Cortês resolvendo não matar a partida e nem vitaminar nosso saldo de gols; o mesmo juiz que expulsou o Jobson por se esquivar de um safanão; o Grêmio no Olímpico e o Corinthians na tabela. (A torcida contra do LC Jr não conta).

(Foto original: Ricardo Rimoli/Lance)

Mesmo que nosso meio de campo estivesse longe do ótimo futebol que apresenta regularmente, o jogo morno de ontem não deixou de servir para mostrar que sofremos demais quando o adversário adianta a marcação.

Essa estória de Seleção não só desfalca o time, mas também parece que mexe com a cabeça do sujeito. O deslumbre e/ou o entusiasmo roubam a concentração e quem me provar que o sujeito não vai tirar o pé nas divididas ganha uma mariola e um cigarro Yolanda.

Não foi exagero a chamada na cincha do Abreu para cima do Cortês – e talvez do Elkeson também –, por não ter(em) passado a bola em chances claras de gol. Fora o desperdício de oportunidades de matar o jogo, é o saldo de gols o que nos coloca à frente do Corinthians, saldo que poderia ser de mais de um gol de diferença.

Apesar de achar que o Jefferson exagerou na cera, a punição com o amarelo não corresponde ao critério empregado durante a competição. Por falar nisso, é escandalosa a forma como somos punidos com cartões: o do Elkeson foi ‘cirúrgico’, o do Renato foi surrealista e o do Lucas foi descriterioso. Mas como ultimamente nosso presidente está mais ligado à política partidária do que ao Botafogo, sobrou para o elenco assumir a superação desse estorvo.

Foi curioso observar o árbitro ir pessoalmente ‘cuidar da recuperação’ do Jefferson depois de uma trombada e também constatar que ele deu 4 minutos de acréscimo, em uma etapa que teve duas breves paralisações. Tudo indica que o Sr. Alício Pena Júnior estava adorando o espetáculo, mas não temos meios de saber se gostou do resultado.

Voltamos à condição de não depender de resultado alheio para assumir a liderança.

[Link para os melhores momentos: Grêmio 0 x 1 Botafogo]

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O estádio deles é azul


Saudações botafoguenses!

O começo do fim do teste


- Essa chatice de teste acaba hoje, né?
- Acho que sim.
- Acha?!
- É que eu estava pensando em ajustar...
- Que ajustar que nada, meu caro! Foi você que inventou as regras dessa estória de teste de cinco jogos. Agora encara.
- Mas é que...
- Mas é que o quê? Tá cabreiro? Tá com medo de não dar o que você queria?
- Não é bem assim...
- É muito bem assim, sim, meu chapa! Tava aí todo empolgado depois do Palmeiras e do Ceará, agora começa a roer a corda?
- Acontece que...
- Acontece que depois do sacode e do empate broxante você perdeu a pose, isso sim!
- Que pose? Eu não sou disso.
- Ah, faz-me rir... Vai dizer que não tava sentido a maior firmeza?!
- Eu sou um cético, um sujeito racional. Eu não...
- Eu não é o escambau! Botou o medidor de stress em 16% faltando 16 rodadas... Pensa que eu não vi essa gracinha?
- Era uma figura retórica, um...
- Para com a embromação, Luiz! Esse papo de figura retórica é pura retórica, maluco! Você tava era achando que o time ia arrebentar e tá aí se tremendo todo. Achava que a gente ia ser líder com um jogo a menos e o time tá perdendo o fôlego a 14 rodadas da praia. Confessa, cara!
- Não é bem isso.
- É bem o quê, então?
- É que teve o adiamento do jogo contra o Santos.
- Mas você já substituiu pelo jogo de hoje.
- É, mas o jogo contra o São Paulo meio que fecha um ciclo.
- O que fecha um ciclo é você dar um fim nesse teste falcatrua e estamos conversados!
- Mas o São Paulo é adversário direto...
- Direto é o que eu queria que você fosse, mas tá aí embromando mais do que político explicando aumento de patrimônio.
- Ô, também não precisa ofender, né?
- Sem ofensa.
- Tem certeza que...
- Tenho, pô!
- Tudo bem, o teste acaba hoje.
- E tomara que você não me venha com um post em resposta àquela porcaria que você escreveu na semana passada.
- Que porcaria?
- Aquela estória do cinco.
- Mas aquele texto é bom.
- Tô tomando Plasil até hoje...
- O texto é bom, Biriba!
- É uma droga.


Saudações botafoguenses!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Discurso e futebol


É sabido que a diretoria botafoguense exigiu que Caio Júnior dirigisse a equipe evitando um esquema tático baseado exclusivamente nos contra-ataques e nas ligações diretas – leia-se ‘chutão pra frente’. Não seria necessário um gênio do marketing para constatar que este era o principal foco de rejeição ao comando de Joel Santana, por parte dos torcedores. ‘Jogaram para a torcida’, literalmente.

Caio Júnior respondeu ao chamado e declarou que pretendia implementar um esquema baseado no modelo de futebol europeu. Juntou a isso a ideia de que trabalharia para tornar o time ofensivo – “Um sonho que eu tenho é colocar o time pra frente” – e que gostaria de “fazer com que o torcedor goste de ver a equipe jogar”.

O discurso do novo treinador foi aceito pela maioria dos torcedores e pela imprensa especializada. Plateia ganha.

No entanto, não consigo juntar na mesma frase “modelo europeu” com “colocar o time pra frente”. Digo isso porque um dos aspectos comuns a grande parte das equipes e seleções nacionais europeias não é um suposto posicionamento ofensivo, mas a busca por um equilíbrio entre os setores de jogo.

Além disso, apesar de gostar de ver o time jogando no ataque, o que o torcedor quer mesmo é ver o time ganhar – que o diga o torcedor da Inter de Milão.

Inclusive, acredito que os europeus, em sua maioria, começam a desenhar suas equipes a partir da defesa. Com uma defesa mal posicionada e descoordenada, por mais contundente que seja o ataque, em algum momento o fracasso vai prevalecer, principalmente em competições de tiro longo.

Caio Júnior já demonstrou que em seu discurso inaugural estava ‘jogando para a torcida’ parcialmente. Sua equipe tende a se postar de forma compacta na maioria das partidas – principalmente desde a 15ª rodada, o jogo contra o Vasco. Mas, infelizmente, também revela que ainda há um resquício de dúvida em relação ao modelo proposto, quando lança o time ao ataque a qualquer preço, e a partida contra o Coritiba é um exemplo do prejuízo que uma indecisão deste tipo pode causar.

A opção pelo ataque tresloucado não surpreenderia – pois corresponde ao discurso de chegada –, não fossem as várias ocasiões em que abriu mão da ofensividade, quando esta era visivelmente uma escolha perfeitamente factível – vide o jogo contra o Flamengo. Uma incógnita.

Apesar de ainda oscilante quanto à solidez defensiva, a valorização da posse de bola é ideia já enraizada na equipe e o meio campo do time vem sendo notável para a garantia desse atributo.

A referência de Caio Júnior ao modelo europeu me leva a questionar a falta de jogadas de ataque bem articuladas, contra-ataques claramente desenhados e jogadas ensaiadas, elementos presentes nas equipes de ponta da Europa. Esboços desses componentes foram notados na partida contra o Palmeiras e uma excelente troca de passes levou a um golaço contra o Ceará. Mas, por motivos insondáveis, o time não dá sequência ao aprimoramento do que já foi assimilado e, ao contrário disso, regride.

A péssima leitura dos jogos é uma falha crônica de Caio Júnior e a carência de alternativas dentro de um sistema proposto por muitas vezes engessa a equipe, prejudicando a dinâmica de jogo.

A desatenção e falta de firmeza dos homens de zaga é um ponto fraco e Fábio Ferreira se destaca negativamente. A falta de apuro nas conclusões também está nos tirando alguns pontos. Falta de comando e treinamento específico?

Deixando de lado o discurso inicial de Caio Júnior, o conceito geral que foi posto em prática é bom e surtiu efeito positivo, apesar dos diversos níveis de assimilação. Porém, a excessiva oscilação da qualidade do futebol apresentado não é compatível com uma equipe que pleiteie algo além da Sul-Americana.

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Em time que está ganhando não se mexe


É um pensamento simples e não serve para qualquer situação da vida e nem do futebol, mas seria a melhor opção para o jogo de ontem.

Não seria ilegítimo se eu suspeitasse que a mudança de posicionamento do Maicosuel tenha sido sabotagem. Essa desconfiança encontra reforço na lembrança que tenho da demora para voltar a campo depois do intervalo. Será que El Loco e seus companheiros contestaram até o último momento essa opção tacanha?

Se a troca de lado do Maicosuel não bastasse para entregar o ouro de bandeja, o time voltou recuado. Ora, por que mudar um esquema que estava dando certo?

A tradicional estratégia do “eles vão sair pro jogo e nós vamos jogar no contra-ataque” não poderia nem mesmo ser aventada, porque Luxemburgo posicionou seu time de forma a não ceder espaços para este tipo de jogada e o Botafogo demonstra não possuir nenhum esboço de contra-ataque desenhado. Falta de conhecimento do adversário, de treinamento específico, de leitura do jogo?

Ao perceber o erro óbvio, Caio Júnior não opta pela simples reversão do posicionamento de Herrera e Maicosuel e a recomposição territorial da equipe. Pior, se empenhou ainda mais em seu processo de inibição da possibilidade real de vitória botafoguense ao colocar o inexpressivo Everton e sacar Herrera em ótima tarde.

Conseguiu frear parcialmente as agressões no lado esquerdo, mas segurou as subidas de Lucas, o que resultou em um 0 x 0, ou melhor, 1 x 1.

Mesmo mal comandado o Botafogo mostrou força e reagiu. Mas quando as ações se equilibraram, o treinador preferiu segurar o empate, lançando Lucas Zen, que cumpriu muito bem a função.

Já não há dúvidas que a inexistência de jogadas de ataque bem articuladas é a norma. Também fica claro que não sabemos aproveitar a altura de El Loco Abreu, pois, mesmo conseguindo o único gol através desse atributo, a maioria dos cruzamentos não explora essa característica.

A zaga – que nunca foi um sonho, mas que já demonstrou competência contra Palmeiras e Ceará – foi um desastre, mesmo enfrentando um ataque de ações de escaramuça. No primeiro tempo, Thiago Neves teve três oportunidades de arremate, chegando livre para o cabeceio e em dois chutes por trás dos marcadores. Em uma jogada de segunda trave, o mesmo Thiago tentou escorar para um Ronaldinho completamente livre dentro da pequena área.

Se no conjunto o miolo de zaga se mostrava frágil, no lance do gol adversário se tornou um duplo fracasso individual. Antonio Carlos deu combate de lado – um erro crasso – e Fábio Ferreira mais uma vez não se posicionou entre o atacante e nosso gol. Estamos mal por ali.

Do lado positivo destaco as boas participações de Lucas e Herrera – um cruzamento perfeito para o gol e uma bicicleta fantástica de fora da área, respectivamente –, a regularidade em alto nível de Marcelo Mattos, Renato e Jefferson, a excelente melhora no rendimento de Maicosuel e o gol de El Loco ‘na esquina’.

O momento mágico da partida ficou por conta de Jefferson, que contrariou a lógica ao defender um chute indefensável.

(Foto: Satiro Sodré/AGIF)

A suspensão ‘cirúrgica’ de Elkeson foi determinante para sairmos com um empate. Sua ausência confirma o óbvio: uma equipe sem articulações de ataque e jogadas bem desenhadas depende de um jogador que decide sozinho.

A quarta colocação é justa para o desempenho do time na competição, mas a atuação no jogo de ontem foi de equipe que brigaria pela Sul-Americana.

Ao se declarar satisfeito com o desempenho de seu time e com o empate, Caio Júnior dá sinais de que o horizonte máximo de suas ambições está muito aquém de um título nacional.

Saudações botafoguenses!

PS: Nota 4 para a quarta prova do ‘teste dos cinco’.

[Link para os melhores momentos: Botafogo 1 x 1 Flamengo]

domingo, 18 de setembro de 2011

Elkeson está entre nós


Nosso adversário de hoje vem de quatro derrotas consecutivas e não vence há oito jogos. Somou 3 pontos em 24 disputados. No entanto, continuo acreditando que seja uma boa quarta prova para o ‘teste dos cinco jogos’. É um clássico...

É interessante, mesmo que patético, acompanhar a imprensa esportiva quando comenta sobre seu queridinho. Repetitiva, ela é SEMPRE imparcial em sua manipulação propagandística.

Na última semana não houve um dia que escapasse de falar sobre os 11 anos que o Botafogo não vence o Flamengo no Brasileiro e se ‘esqueceu’ constantemente de dizer que nosso adversário está aparentemente em crise.

Em matéria do O Globo de hoje, aproveita uma declaração de EL Loco Abreu para ‘ensinar’ que além da escrita dos 11 anos, são seis clássicos que o Botafogo não vence o rival no Engenhão. Faz questão de se esquecer do Maracanã, onde, com Sebastián, o Botafogo venceu dois jogos decisivos – a semifinal da Taça Guanabara e a final da Taça Rio.

Além dos onze jogadores do outro lado, não podemos nos esquecer da arbitragem. É preocupante saber que na última rodada, enquanto nosso adversário tinha sete jogadores pendurados e nenhum deles recebeu o terceiro amarelo – nem mesmo o ‘Fair Play’ Willians –, Elkeson sofreu uma punição ‘cirúrgica’.

A imprensa manipula os fatos em um esforço para garantir que a torcida adversária não compareça em menor número, mas isso é a conhecida propaganda e faz parte do mundo dos negócios.

No universo esportivo, a suspensão do nosso artilheiro causa preocupação, mas também revela que o Botafogo é um time temido pelos adversários. Isso é ótimo!

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Será raiva humana?


Depois da sapecada desmoralizante de domingo passado fiquei um tanto confuso e agressivo, mas isso não revela um quadro extraordinário. Foi difícil de engolir, o que também é procedente frente aos fatos.

Não fiquei desorientado, não tive alucinações, tampouco espasmos ou crises convulsivas. Também não tive febre, embora tenha me sentido febril. Hum...

Minha dificuldade motora era anterior à última humilhação futebolística, uma hérnia de disco que me atormenta.

Pensei tratar-se de parestesia o incômodo cutâneo que me acometeu, mas o desespero para aliviar o efeito da busca dramática do meu ciático por atenção me levou a exagerar no tempo do saquinho de gelo nas costas, e o forte incômodo cutâneo na região lombar se revelou como um sintoma inequívoco de queimadura por frio. Hum!...

O ménage à cinq de medicamentos me impediu a garantia de convicção no tocante a excesso de secreção salivar, pois, na manhã de segunda, o teclado amanheceu imaculado, o que, seja por sorte, azar ou quadro assintomático, não deixa de ser positivo em termos higiênicos.

Não há como verificar se adquiri hipersensibilidade ao ambiente sonoro, pois minha percepção auditiva há muito se encontra inibida por saturação, uma vez que vivo em um prédio de meia idade, onde remodelações arquitetônicas somam-se e substituem-se ao fim de cada empreitada, formando uma cacofonia eterna, pois coordenadas em conjunto.

Mas, como tudo na vida tem seu lado bom, o que me dificulta constatar uma possível hiperacusia pode ter suas vantagens. Se, por um lado, dois famigerados empreendimentos imobiliários erguem cinco prédios nas adjacências, impossibilitando um diagnóstico preciso da minha moléstia, por outro, ando cultivando gosto por música concreta.

Como qualquer botafoguense legítimo, sofro de alterações cardiorrespiratórias eventuais, o que inviabiliza este sintoma de constituir-se como elemento conclusivo.

A fotofobia não é um sintoma condizente com um indivíduo que não manisfesta transtornos por passar dias inteiros à frente de uma tela de computador, porém minha hipersensibilidade à luz do sol acusa. Está aí! Será raiva humana?

Se a luz solar está envolvida, é relativo à natureza; Se tem a ver com a natureza, é coisa do corpo. Será raiva humana?

Não, quanta besteira! Que silogismo de araque! É lógico que a origem dessa raiva vive no corpo, mas é de outra natureza.

É da natureza humana a minha raiva. Um devaneio que interfere no meu corpo e me enche de hormônios desordeiros, porém, uma abstração é a sua causa: Cinco.

Eis o motivo da minha raiva, esse número que não me sai da cabeça. Cinco!

Consola-me saber que aos poucos ele vai se esvaindo, rarefeito. Vai caindo e caindo, até sumir de vez, no preto ou no branco.

Tem cura...

***

- Falou tudo quando disse: “quanta besteira!”
- Deixa de ser do contra, Biriba!
- Você só precisa de uma vitória! Taí o remédio fulminante.
- Se é fulminante, fulmina, não é remédio.
- Não complica...
- Quem tá complicando é você.
- Você escreve um monte de baboseiras e sou eu o complicado?!
- Você é um insensível, isso sim.
- Você não tem o que fazer, isso não!

Saudações botafoguenses!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Depois do VT...


Por uma questão de justiça devo começar com uma revisão do início da última postagem, afirmando que El Loco Abreu não firulou. Participou muito mal em dois arremates, se excedeu em alguns lances, mas ‘firula’ mesmo, isso eu não vi.

O time esteve mal como um todo, principalmente quanto ao espírito de luta e ao comportamento competitivo, mas isso já foi dito.

As atuações individuais:

Não achei a atuação do Gustavo tão ruim quanto vários parceiros blogueiros a consideraram. Além de um lance em que não conseguiu cortar uma bola que ficou subindo e descendo na área, no começo do primeiro tempo, não foi responsável por nenhum dos gols, nem mesmo o da jogada em que parece bater cabeças com Fábio Ferreira.

No primeiro tempo, em um momento de profundo êxtase meditativo, Cortês deu condição de jogo ao ataque adversário. Indesculpável para um componente de uma defesa que vem usando a regra do impedimento com eficiência há umas seis rodadas e não condizente com um jogador de Seleção (Gustavo tem demonstrado ter ótimo entendimento sobre essa regra do futebol). No terceiro gol também falhou, ao deixar escapar o jogador a quem marcava.

O terceiro gol nasceu de uma inexplicável decisão de Everton, quando preferiu matar uma jogada objetiva com Cortês, para fazer um passe forçado para o meio. Em teoria, ainda tínhamos chances àquela altura do jogo.

O quarto gol se originou em um passe bisonho de um Felipe Menezes, que acabara de entrar na partida. Se a orientação era para que segurasse a bola e cadenciasse o jogo, o resultado foi o oposto, pois ajudou a mandar nosso saldo de gols pro espaço – intraterrestre, claro. (Thiago Galhardo é mais confiável).

El Loco furou em uma oportunidade de gol e em outra chance – uma chance clara de gol – chutou como uma catapulta.

Elkeson teve a infelicidade de não ter sido orientado a evitar qualquer tipo de contato, porque o juiz estava instruído a puni-lo com cartão, na primeira oportunidade que surgisse. O melhor jogador do campeonato também perdeu uma chance clara de gol, quando ainda estava 2 x 0.

Herrera errou tudo e mais um pouco. O ‘mais um pouco’ vai por conta de uma falta que fez, quando o zagueiro adversário estava sendo acuado por Lucas junto à bandeirinha – e o jogo ainda estava zero a zero.

Lucas não foi o mesmo de sempre, Marcelo Mattos idem.

Cidinho deveria ter entrado no começo da partida, mas Caio Júnior preferiu esperar até que Everton começasse o contra-ataque que matou o jogo. (Depois dizem que implico com o técnico).

Alex entrou a 10 minutos do final, talvez para poupar Herrera, para que o atacante esteja mais disposto para errar ainda mais, na próxima partida. (Em minha opinião, o Alex continua sendo injustiçado).

Fábio Ferreira ‘merece’ um capítulo inteiro, mas meu masoquismo tem limites. No primeiro lance que perdeu para o tal de Emerson, a bola passou perto. No segundo, Renato salvou em cima da linha. No terceiro, se afastou de quem marcava para marcar a si mesmo e deu no que deu: Coxa 1 x 0.

No segundo gol – originado em um pênalti inexistente –, a saída desnecessária de Jefferson adveio da falta de confiança que nosso goleiro sentia em relação ao claudicante Fábio Ferreira. Este último, nesta mesma jogada, não se lançou de forma decidida à marcação do atacante adversário, demonstrando claramente o porquê da desconfiança de Jefferson.

No lance do quarto gol ficou perdido em um trecho ‘morto’ do campo, dando condição de jogo ao sujeito que fez o último passe.

No quinto, ao invés de se colocar entre o adversário e o gol, preferiu, inexplicavelmente, sair do caminho do atacante, tendo um companheiro de zaga dando combate pelo lado oposto.

Se Caio Júnior tivesse poupado Elkeson e Marcelo Mattos do terceiro cartão e o resultado fosse até mesmo um empate, iriam cair na pele dele. Não o culpo por isso. Mas demorou demais para mexer no time, em um jogo em que qualquer mexida seria interessante, mesmo que para dar uma chacoalhada nos que ficassem em campo.

Do lado bom da força, Renato demonstra porque é ídolo da torcida do Valencia e espero que também seja no Botafogo – justiça seja feita. A jogada em que deixou Abreu em posição perfeita para marcar foi espetacular!

Quanto ao Jefferson, me arrependo por ter dito que “sinto falta de suas defesas espetaculares e salvadoras”, porque, mesmo saciando minha vontade, não precisava ser na tarde que foi.

Perdemos para um adversário forte – ao menos no meu entender. Mas jogamos muito mal, levamos uma surra humilhante e isso é imperdoável.

Tiramos nota zero na terceira prova do ‘teste dos cinco jogos’, mas o teste ainda não acabou. Esse teste iria até o próximo jogo, mas agora se estende a outra partida, que é mais importante que o jogo adiado contra o Santos. Isso porque o Grêmio vem em ascensão e é adversário muito mais forte do que um time que correu do pau.

Se sairmos desses dois próximos jogos com mais uma vitória, continuaremos com uma média de 60%, o que mantém a meta que Caio Júnior estipulou para o primeiro turno e nos deixa dentro da disputa pela Libertadores.

No meu caso, acho que 60% é pouco.

Saudações botafoguenses!