sábado, 18 de setembro de 2010

A vontade e o corpo


O Botafogo que eu disse anteriormente “que deveria ser o de sempre” foi, contra o São Paulo, o que pedi. Continuamos jogando com garra e inteligência, mas os desfalques que se somaram aos de Jobson e Somália foram sentidos. Contra o Goiás tivemos a volta de Lúcio Flávio, o que é fatal: não há antídoto para remediar essa enfermidade.

Com relação às contusões, acho que não saberei jamais se foram por excesso de vontade dos jogadores ou por má preparação física associada a um departamento médico conhecidamente insatisfatório. Na verdade, uma das contusões certamente foi por excesso por parte do jogador, porque a juventude do Marcelo Mattos pesou na hora que decidiu enfiar o pé do jeito que fez, na dividida que praticamente o tirou do campeonato. Faltou experiência, sobrou garra.

Mas o que dizer de Jobson, Somália, Herrera e Marcelo Cordeiro? O médico que encabeça o setor responsável pela saúde de nossos jogadores diz ser normal que se lesionem com a agenda que cumprem. Da minha parte digo que não acredito nisso inteiramente.

Que jogadores e atletas estão sujeitos a desgaste físico e lesões ninguém duvida, mas quatro jogadores com problemas musculares adquiridos sem o contato direto com adversários não me parece ‘normal’.

Mesmo acreditando que temos problemas na preparação e na manutenção da saúde do elenco, por respeito ao pensamento humano fica a questão: Será que a vontade não está cabendo nos corpos?

Seja como for, temos um confronto direto pela colocação na tabela e um desafio contra uma equipe que vem em ascensão avassaladora. Chegou a hora de parar o Cruzeiro e tomar novo impulso.

Vontade parece não faltar ao elenco. Os corpos é que estão ficando pelo caminho. Se sobrarem onze até a última rodada, não corremos risco de perder por WO.

Nota: Que os bandeirinhas não nos usurpem como fizeram em BH, nos parando por duas vezes quando íamos direto para o gol.

Saudações botafoguenses!

domingo, 12 de setembro de 2010

O Botafogo que deveria ser o de sempre


Faz muito tempo que não apareço por aqui e a razão não era o mau futebol da equipe, salvo por lances fortuitos e intervenções individuais de Jóbson e Maicosuel, que, graças ao bom Deus, estão do nosso lado. Pior para os times que não têm esses dois. Lamentar por quê, se aqui só rezamos para o Botafogo?

Foi muito tempo e inúmeras rodadas desde o último texto, mas os comentários não haveriam de mudar muito nesse ínterim, pois o time vinha jogando da mesma forma, chutando a bola para frente quando na defesa e para dentro da área quando no campo adversário. A diferença do time de antes da chegada dos dois excepcionais é que com Jóbson e Maicosuel você pode chutar a bola para a frente e esperar que um deles resolva sozinho – muito mais o Jóbson do que o Maic, que tem que tentar ser um one man show vindo de trás.

Mas contra o Santos a coisa foi diferente: Tínhamos saída de bola. É isso mesmo, botafoguenses! Mal ou bem, errando ou acertando, o famigerado chutão para frente não era a norma, mas a exceção. O meio campo tocava a bola, fazia triangulações, o jogo fluía, os jogadores se movimentavam e se aproximavam uns dos outros e finalmente vimos um camisa dez se juntar aos onze e cuidar para que a bola ficasse em nosso domínio, se apresentando para o jogo, aparecendo quando um companheiro dele precisava. Há muito tempo não tínhamos alguém desempenhando esta função dignamente, posição crucial no futebol.

Além disso, o preparo físico parecia estar em bom estado.

Acima de tudo, o que mais me impressionou foi a garra com que o time jogou. Não sei o que aconteceu, mas o fato é que jogaram com sede de vitória, com a mesma disposição psicológica que jogaram durante o Carioca.

Será que só agora a volta de Abreu se fez notar? Não pelo gol, fantástico por sinal, mas pelo espírito de luta com que jogamos, e de forma quase obsessiva. Será que a discussão no banco de reservas, depois de sua substituição contra o Prudente, mexeu com o grupo, com o treinador, com a diretoria, com os investidores e patrocinadores? O que conversaram ou vêm conversando desde então? Seja qual for o assunto, o certo é que aparentemente o papo deu bom resultado. Pelo menos para metade do jogo contra o Grêmio e a última partida inteira.

O que faz uma equipe mudar radicalmente sua postura tática, seu preparo físico e, mesmo com a presença de Fahel, apresentar um bom futebol, tão diferente do que vinha acontecendo até então, e sem a presença do espetacular Jóbson? Acho que jamais terei certeza da resposta.

No início da competição alertei que a disposição psicológica que nos levou ao título estadual seria difícil de ser mantida durante trinta e oito rodadas. Não era uma constatação genial, e não pretendia ser, mas foi exatamente o que aconteceu. Nos arrastávamos no campeonato, arrancando vitórias com o brilho individual da dupla JM, e levando no peito e na sorte. Mas, depois da forma com que jogamos a partida de quinta-feira passada, minha atenção mudou de direção. Se até então andava preocupado com o perigo que rondava a nossa retaguarda, agora ando imaginando o Botafogo como motivo de preocupação para quem está à nossa frente.

Saudações botafoguenses!