quinta-feira, 17 de junho de 2010

Soberba caída

(Toureiro Morto - Manet, 1864)

A empáfia e a autoconfiança exageradas dos espanhois custaram caro. Acharam que poderiam vencer a qualquer momento, jogaram com desdém e nariz empinado, e saíram de campo com o salto do escarpin quebrado.

Será que as calças apertadas dos toureiros elevam o ângulo do nariz? Se desprezaram a Suíça da forma como fizeram, imagino a altura do salto que calçarão contra Honduras.

A Suíça dorme tranquila e o Chile agradece.

E os apreciadores do bom futebol ficaram sem entender nada...

Mas ainda há tempo.

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Cachupa


(Gelson Fernandes - Foto: Alex Liveley/Getty Images)

Meus ex-colegas de faculdade cabo-verdianos devem ter vibrado – e com toda a razão e direito – com o gol do compatriota artilheiro, aquele que aplacou a Fúria. No meu caso, gostaria mesmo é de relembrar o sabor de uma boa cachupa, numa tarde de domingo, bebendo um vinho tinto, esquecido da vida e do tempo, levitando em uma rede bem arrumada.

Nota: Cachupa é um prato típico de Cabo Verde e tem fama de possuir grande valor nutritivo. Eu garanto que a fama não é infundada.

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De frente para o mar


(Cidade da Praia, Cabo Verde)

Durante a transmissão de Espanha e Suíça o comentarista Mauricio Noriega disse a Milton Leite que o jogador Gelson Fernandes “nasceu na praia” e completou ‘explicando’ que era ‘Praia’, a cidade. Leite exclamou em tom irônico: “Meu Deus!”.

Biriba não gostou da ‘brincadeira’ por considerá-la desrespeitosa e disse: – Meu Deus!

Eu, por outro lado, apesar de achar Milton Leite um bom narrador, considero ridículo um profissional de um meio de comunicação de massa brasileiro desconhecer o nome da capital de um país de língua portuguesa.

Mas cada país tem o governo, a seleção e o jornalismo que merece.

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O gol de Abreu



O técnico uruguaio definitivamente não está disposto a dar chance a Sebastián Abreu de, pelo menos, tentar se tornar o maior artilheiro da seleção de seu país. Entendo que o Cavani fecha melhor o meio de campo, mas depois dos 2 x 0 e com o Cavani não acertando nada, El Loco cairia como uma luva para segurar uns dois adversários no setor de ataque e, quem sabe, resolver sua pendência com a história do futebol uruguaio.

A Celeste está bem perto da classificação.

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Karatê e futebol



(Foto: Andrew Coultridge/Action Images)

Se por um lado a grande maioria das equipes desta edição da Copa não está presenteando o público com um bom futebol, por outro estão distribuindo botinadas aos borbotões. Enfiar as travas das chuteiras na canela dos adversários virou moda este ano.

Os jogadores da Costa do Marfim batem com os pés e com as mãos e os sul-africanos também.

Tristemente interessante foi ver uma promessa, o jovem Lodeiro, e o goleador do time australiano, Cahill, serem expulsos por deixarem a marca das travas na canela de adversários, justamente dois homens de criação, homens de frente.

A Holanda, cuja violência sempre foi escamoteada pelo futebol vistoso, agora, quando não jogou nada ou quase alguma coisa, mostrou os cascos contra a Dinamarca.

Inúmeras imagens de detalhes em câmera super-lenta, ‘lindas imagens’ de travas sendo cravadas e grama voando, expressões de dor e corpos em queda, que devem estar arrancado suspiros de quem gosta de filme de serra elétrica.

Saudações botafoguenses!

4 comentários:

Gil disse...

Grande Luiz,
Grande Biriba,

Viva el Uruguai!!!

Abs e Sds, Botafoguenses!!!

Vicente Couto disse...

Só faltou uma canção de Cesária...

Lewis Kharms disse...

Gil, a seleção uruguaia está fazendo a sua parte pra que o Abreu tenha chance de fazer história, além do a que já foi feita. Que siga assim, mas que o técnico nos dê a honra de ter, além do campeão carioca, o maior artilheiro uruguaio de todos os tempos. Essas coisas são ou parecem banais, mas ao mesmo tempo podem ser importantes quando bem trabalhadas.

Saudações botafoguenses!

Lewis Kharms disse...

Vicente, ouvi uma/‘a’ canção da Cesária Évora (‘Sodade, sodade...’) acho que no Globo Repórter, numa reportagem sobre um menino que ficou 8 meses perdido na mata; era a trilha musical. Mas embaralharam um pouco ou muito as coisas, porque o garoto era de São Tomé e Príncipe. Tudo bem que é ali do lado ocidental da África, foi colônia portuguesa, falam um português com sotaque pouco conhecido por aqui e é um arquipélago. Mas São Tomé e Príncipe não é Cabo Verde...

Pelo menos a postagem me levou a encontrar umas receitas de cachupa, o que já me valeu o esforço.

Saudações botafoguenses!