Desde sua criação a Copa do Mundo foi vencida por uma equipe do continente que a hospedava, fora duas exceções: a versão de 1958, vencida pelo Brasil na Suécia e a de 2002, também vencida pelo Brasil, na Copa sediada por Japão e Coreia do Sul. (Para os que acreditam nessas coisas, está aí o elemento mítico).
Não é de hoje que torço pelo sucesso do futebol africano; gosto do estilo.
Sempre achei que o que faltava às equipes dos países africanos – todas – era o amadurecimento.
Foi em 1994 que a Nigéria me apresentou outro ponto fraco das equipes de seu continente, que era a desunião entre os jogadores. Fosse por questões étnicas ou regionais, profissionais ou pessoais, falta de organização institucional ou capacidade gerencial esportiva, o que importa é que a equipe nigeriana, formada por um elenco de alto nível, não resistiu às ‘panelas’ internas e sucumbiu já nas oitavas-de-final.
Tanto tempo se passou e, quando esperava ver finalmente uma participação definitivamente convincente das equipes do continente africano, a equipe de Camarões – logo eles?! – se verga à desagregação.
Depois de surpreenderem o mundo em 1990 com o ‘Pelé Africano’, Roger Milla, os camaroneses protagonizaram o ridículo espetáculo da desunião de uma equipe – seja por quaisquer que fossem os motivos – e deixaram que grupos e individualidades levassem para o ralo a possibilidade de seguirem adiante na competição. Apesar de estarem no grupo que considero o mais equilibrado do torneio, tinham elenco capaz de disputar a classificação de forma digna, mesmo que fossem eliminados. Logo eles, que em 1990 entraram para a história chegando às quartas-de-final!
Sem tirar o mérito de Japão e Dinamarca, o espetáculo patético de individualismo e falta de inteligência, ontem exibido pelo elenco camaronês, foi vergonhoso. Meu constrangimento foi imenso – eu, que nem camaronês sou! –, provavelmente porque a lembrança que tenho do time de Camarões é a da equipe africana que pela primeira vez efetivamente incomodou a hegemonia Europa/América do Sul. Mas acho que foi maior ainda por saber que esses jogadores são conterrâneos do Roger Milla, um jogador fantástico.
A Nigéria está praticamente fora e a África do Sul, por um fio. A Argélia está em desvantagem, mas só depende dela mesma, uma vez que a quantidade de gols que fizer decide a questão, no caso de uma vitória.
Hoje verei um jogo da Costa do Marfim por completo, mas estarei torcendo do outro lado. Duplamente, já que Portugal também está no mesmo grupo.
Ainda não assisti a nenhuma partida de Gana, a equipe do continente-sede em melhor situação até o momento, líder de seu grupo, o grupo mais difícil de todos em que havia equipes africanas, estando a um empate da classificação. Acho que é com essa que eu vou...
Diferentemente da Coreia do Sul, que conquistou o quarto lugar na Copa que sediou, o continente africano pode estar perdendo uma grande oportunidade de mostrar a força de seu futebol, seja pela ingenuidade, pela desunião dentro das equipes, pela incompetência administrativa ou pelas mãos da arbitragem, que puniu o país-sede através da não marcação de um pênalti claro.
Avante, Gana!
Vamos lá, Argélia!
Bafana, Bafana!
Deus salve a Nigéria!
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O único camisa 10 de verdade
O Japão está vivo na Copa e tem o melhor camisa 10 que vi até o momento na competição. Daisuke Matsui tem excelente passe, ótima visão de jogo, e a habilidade com que protege a bola – apesar do corpo nem um pouco atlético – e a técnica para se livrar dos adversários e encontrar espaços para se movimentar no meio-campo são geniais. Um camisa 10 clássico, para os botafoguenses imaginarem, em sonho, uma dupla Matsui/Maicosuel.
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Nem Jesus e nem Genésio

Comentando sobre a bobeada da defesa dinamarquesa no lance do gol camaronês, Neto, comentarista da Band, disse que Morten Olsen, técnico da Dinamarca, ‘não tinha moral’ para reclamar de sua defesa porque foi o responsável pela pixotada que abriu caminho para a reação espanhola em 86.
Neto trocou as bolas, ou melhor, os ‘Olsens’. O jogador que tocou para o meio da área e entregou a bola nos pés de Butragueño foi outro Olsen, o Jesper Olsen. Morten Olsen não teve nada a ver com isso e Neto lhe cobrou a conta de um pato com 24 anos de atraso.
Seja na Globo, seja na Band, seja o ‘círculo’ que for, o ambiente é dantesco.
Saudações botafoguenses!



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