quarta-feira, 30 de junho de 2010

Passando de fase


Foram várias as decepções nesta Copa. Mesmo não sendo novidade, pois é o que acontece na maioria das edições, isso não deixa de ser um fato lamentável, já que acredito que seja coisa evitável. A Itália e a França decepcionaram, o Brasil ainda não convenceu.

O técnico da Eslováquia me decepcionou por não abrir mão do nepotismo que o fez insitir na escalação do próprio filho e Fabio Capello por abrir mão de Joe Cole. Outros técnicos também me fazem imaginar que o destino de suas equipes seria outro, se não fizessem questão de deixar de fora o que de melhor tinham à disposição.

É o caso de Takeshi Okada, que não escalou Shunsuke Nakamura, o melhor jogador japonês em atividade. Nakamura certamente não é do tipo ‘marcador’, mas se a estratégia era viver de contra-ataques, ninguém melhor que ele para fazer a bola chegar com bom aspecto à área adversária.

Carlos Queiroz, o técnico português, depois da partida de ontem disputa a liderança da lista de personagens decepcionantes de 2010. Seu time jogou defensivamente, o que não seria má opção se existisse um esquema de contra-ataques bem articulado. Sem este dispositivo, atrair o adversário para seu campo de defesa é uma estratégia bisonha.

Afastou Hugo Almeida da área e isolou Cristiano Ronaldo. Encheu o meio campo com volantes e deixou Deco e Liedson no banco, dois jogadores úteis para um esquema que privilegiava os contra-ataques.

Além disso, parece não ter a confiança e nem o apoio de muitos jogadores, pois se tivesse um mínimo de ascendência sobre seus comandados não veríamos Portugal jogar como se estivesse ganhando enquanto estava atrás no placar.

Cristiano Ronaldo não infernizou os espanhois como achei que faria. Acredito ter sido extremamente constrangedor para os portugueses ver uma figura afetada e apática sustentando a braçadeira de capitão da seleção de seu país.



Agora há pouco li que o atacante declarou que quem deveria explicar a derrota era o técnico, jogando toda a responsabilidade no colo de Queiroz, como se este estivera em campo. Ora, se estava descontente com o esquema montado pelo treinador, que ao menos se esforçasse em campo ou se insubordinasse ao planejamento estabelecido, pois, afinal, era o capitão da equipe. Como um omisso se acha no direito de condenar alguém por seus atos?

Wayne Rooney pode ter decepcionado por não apresentar o bom futebol que dele se esperava, mas lutou enquanto pôde. Ronaldo andou em campo, fez caretas, distribuiu sorrisos irônicos e tocou de letra enquanto perdia, desperdiçando uma oportunidade de se apresentar como o grande jogador que é e como um líder. Mas tudo indica que nada disso pode se esperar de Cristiano Ronaldo, a maior decepção da Copa até o momento.


(Eduardo: melhor jogador em campo)


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Conquistando a alma da África do Sul



O Paraguai passou pela pedreira japonesa e se junta às quatro seleções sul-americanas que estão invertendo o quadro mundial de forças geopolíticas através do futebol.

O que digo é retórico? Claro que sim! Mas é gostoso ver a qualidade do material humano futebolístico da América do Sul erguendo suas bandeiras em solo africano. Só isso.

Saudações botafoguenses!

terça-feira, 29 de junho de 2010

O teste que não chega

(Avenida Chile - Foto: Rodrigo Soldon)

Os velozes e habilidosos atacantes míopes do Chile são mais míopes que velozes e habilidosos. E os zagueiros reservas são muito piores que a fraca zaga titular. Bons cabeceadores contra o time de menor estatura da competição só poderia dar no que deu. Foi perigosamente fácil demais.

A contusão providencial de Felipe Melo de nada adiantou para a possível efetivação do melhorzinho Ramires, pois o rapaz foi esperto o suficiente para receber um cartão amarelo aos 30 do segundo tempo, com o time vencendo por 3 x 0. Pegou a parte de seu futebol que ficou retida na alfândega, mas esqueceu o cérebro no banco traseiro do táxi. Melhor com ele, mas dá para confiar? Essa gente me deixa confuso.

E eu que agora torço pra que os marfineses devolvam logo o pedaço do tornozelo do Elano... Vejam a que ponto cheguei!

A ‘panelinha’ continua não passando a bola para o Nilmar ou é paranóia minha?

Acho que o teste de verdade será contra a Holanda.

(O teste ‘da’ verdade seria para tirar minha dúvida sobre a panelinha).

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Bandeira amiga: são todos iguais


(Imagem: Fotolia)

O bandeirinha da partida entre Holanda e Eslováquia deu um escanteio de presente para os holandeses, em um lance bem à sua frente, um tiro de meta claro. Van Bommel ficou tão surpreso e agradecido pelo regalo, que deu uma piscadinha para o bandeirinha, como se dissesse: ‘Valeu, parceiro!’ O holandês entendeu direitinho o que estava acontecendo.

Logo depois outra inversão, não dando um corner claro num chute eslovaco que o goleiro desviou. Os jogadores da Eslováquia também estavam proibidos de encostar nos holandeses. Uma vergonha.

Mas o que faltou à Eslováquia foi um Jefferson. Que anda fazendo falta a muita seleção nesta Copa, diga-se. Tomara que não falte à do Dunga.

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Naruto



O Paraguai vai encarar um time de samurais em busca de um lugar ao sol nascente. Correm muito e sabem para onde e porque estão indo. Tremenda pedreira.

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Arrisco um palpite para hoje: Portugal passa e Cristiano Ronaldo vai infernizar os espanhóis.

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Nelson não esperava por essa



(Barba Negra)

Ontem me esqueci de dizer que não imaginava um dia ver a Inglaterra sendo roubada. Se o Nelson Rodrigues fosse vivo, tremeria às gargalhadas...

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Arbitragem de biltres


Não são as vuvuzelas, não é a Jabulani e nem o ineditismo de uma Copa no continente africano; tampouco o espetáculo colorido dos torcedores. O que mais chama atenção na Copa da África do Sul são os erros de arbitragem.

Os árbitros deram seu cartão de visitas já no primeiro tempo do jogo inaugural por intermédio de seu representante na ocasião, o Sr. Ravshan Irmatov, do Uzbequistão, que não marcou um pênalti claro em um jogador da seleção anfitriã. Assim inauguraram o festival de horrores da arbitragem, que ontem vitimou a Inglaterra e o México.

Talvez por serem futebolistas frustrados, os árbitros têm essa necessidade egocêntrica de remediarem este complexo se fazendo o centro das atenções do espetáculo, mesmo que pela via mórbida do fracasso. Não são trapezistas em queda, pois estragam o espetáculo para uma plateia ávida por sangue, mas avessa aos disparates.

Achei que a confabulação entre árbitro, bandeirinha e o rádio seria o marco inicial de uma nova era no futebol mundial, inaugurando o uso das novas tecnologias para o bem do esporte, com a firmeza de caráter de um indivíduo prevalecendo no final. Me esqueci que isso só serve para expulsar jogador e marcar pênalti, quando os interesses econômicos da Fifa assim determinam.

Como os ‘erros’ da turma do apito estão presentes rodada sim, rodada não (desculpem a cacofonia), é provável que deixem em paz os jogos de hoje.

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Ainda não novamente


(Foto: Doug Pensinger/Getty Images)

Abreu não teve mais uma vez a oportunidade de tentar entrar definitivamente para a história dos jogadores da Celeste. Se eu já não precisava de nenhum empurrãozinho para torcer para Gana, Tabarez me dá o motivo que não me faltava.

Desculpe-me, Sebastián. Cuando no hay El Loco, no me encanta el Uruguay.

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Gana


(Gyan Asamoah)

Duas falhas e dois acertos colocam Gana nas quartas-de-final. Criaram oportunidades, mas a bola só chegou às redes por conta de lances fortuitos, o que é muito pouco para passarem pela sólida defesa uruguaia.

Por falar em defesa, que para nós botafoguenses desde a saída de Gonçalves não sabemos o que esta palavra significa, a seleção uruguaia é um exemplo claro para a tese que formulo por aqui há muito tempo.

Acredito que o grande problema do sistema defensivo do Botafogo não está em seus zagueiros, que não incluo aqui o Fahel, porque estou falando de jogadores de futebol. O problema da defesa botafoguense está na sua proteção, que é inexistente.

Vocês acham que o Uruguai teria êxito se trocasse Perez ou Arévalo por Leandro Guerreiro? Pensem nisso na próxima vez que assistirem a uma partida da Celeste. Eles têm velocidade, explosão e vigor físico: o essencial para um volante. Sair jogando? Ah, depois de ‘matar’ a jogada, toca para quem sabe o que fazer...

Brasil-zil-zil!!!



Vamos enfrentar os velozes atacantes míopes do Chile, que não são tão míopes assim, pois estão nas oitavas. Uma boa notícia é saber que três de seus zagueiros fizeram de tudo para não encarar o Brasil e conseguiram.

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A Holanda que se cuide, pois se o filho do técnico não jogar, a Eslováquia pode aprontar.

Saudações botafoguenses!

sábado, 26 de junho de 2010

Classificados

“O melhor feito do Dunga, enquanto técnico da seleção, foi atrapalhar a planilha da Rede Globo.” (autocitação egocêntrica de Biriba)


O primeiro teste de verdade foi de mentira, porque a seleção portuguesa seria um adversário de peso para medir forças antes do mata-mata, mas nosso Deus na Terra estava suspenso e Robinho foi ‘poupado’.

Para os que acham que a dupla de caudilhos Dunga/Jorginho é gente boa, fica aí a minha sugestão para que olhem a escalação não como uma forma de fazer testes ou dar uma chance a Nilmar, mas, sim, um jeito de queimar o jogador, já que a armação no meio campo estava entregue a um atacante que é volante e a um lateral direito que não passa a bola para ninguém.

Estamos fritos quando Deus resolve não enviar o próprio filho para nos salvar, mesmo que carregando uma cruz incrustada no púbis.

Como teste o jogo serviu para sabermos que não temos banco e o time principal, que já não é grandes coisas, será nossa única esperança de passarmos às quartas-de-final, mesmo jogando contra um Chile desfalcado de seus zagueiros titulares.

Portugal nem precisou jogar como se fosse uma final de campeonato para fazer frente ao futebol ridículo apresentado pelo Brasil.

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Júlio César desmascarado



A fama de bom goleiro de Júlio César está com os dias marcados depois que o jogador foi desmascarado usando fios de aço para ajudá-lo a fazer defesas espetaculares.

Já faz tempo que muitos desconfiavam dos voos milagrosos do goleiro e hoje, por força de uma contusão, um roupeiro desavisado retirou a camisa do jogador, revelando ao mundo a cinta que prende Júlio César ao fio de aço que o sustenta durante as acrobacias.

A técnica, desenvolvida na meca do cinema de artes marciais, Hong Kong, chegou a Júlio César através de Jet Li, o rei do Wire Fu.



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A Solucionática



Para provar aos que pensam que só faço críticas e não aponto soluções, farei uma lista detalhada de sugestões para dar um jeito em nossa seleção. O que deveriam fazer:

Júlio César: esconder melhor o truque do fio de aço;
Michael: procurar um time que preste e tocar a vida;
Lúcio: defender, sair jogando, municiar o ataque e finalizar. Alguns hão de perguntar: “Mas ele já não faz isso?” Faz, mas é só pra manter a ideia fresca na mente do zagueiro-volante-meia-armador-atacante.
Juan: pedir conselhos ao Bernardinho;
Michel Bastos: estudar pra fazer concurso;
Felipe Melo: trocar os campos pelos ringues;
Gilberto Silva: levar o lixo pra fora e aproveitar pra ver se chegou correspondência;
Daniel Alves: voltar para a lateral direita;
Júlio Baptista: perguntar ao Dunga por que não convocou outro meia-atacante pro caso do Kaká se machucar;
Luís Fabiano: não se deprimir com saudades do Romaric;
Nilmar: não se esquecer que a Copa não dura muito tempo;
Josué: sair de fininho da concentração, balbuciando qualquer asneira em alemão, pra disfarçar;
Ramires: dizer que vai pegar a parte do seu futebol que ficou retida na alfândega e voltar pra Portugal;
Elano: pedir um ofício da CBF pra exigir que os marfineses lhe devolvam o pedaço do pé que levaram no domingo passado;
Robinho: Voltar para o Santos pra ficar entre jogadores de alto nível;
Kaká: pedir ao seu Pai que lhe dê permissão pra operar milagres;
Dunga e Jorginho: sentar e chorar.

( Foto: Jamie McDonald: Getty Images)

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- Você acha que o Maicosuel tinha lugar no time do Brasil?
- Pra jogar com esses perebas?
- Podia acabar desaprendendo, né?
- Esse time é a prova de que tem meio campo pior que o nosso!
- Será?...

Saudações botafoguenses!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Visões de mundo


O comentarista Caio disse que a diferença entre o futebol japonês e o africano é o investimento em ‘qualidade’ que faz o Japão, enquanto os ‘africanos’ investem em força física.

Não sei exatamente a que tipo de qualidade Caio se referia – porque não ficou claro –, uma vez que força física também é, no meu entender, uma qualidade positiva.

Se associou o conceito de ‘qualidade’ à eficiência do comportamento competitivo dos japoneses, que os levou à classificação, Caio está correto.

Se se referia a organização tática, juntou no mesmo bolo Camarões e Gana, o que é uma injustiça com os ganeses, cuja disciplina tática é excelente.

Agora, se falava sobre ‘qualidade técnica’, Caio não foi injusto e nem está correto. Está, na verdade, completamente enganado. Os japoneses, apesar da boa disciplina, obstinação e capacidade de aprendizado, serão por muitos e muitos anos inferiores tecnicamente à maioria dos jogadores da costa oeste da África, desde Costa do Marfim até Gana.

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Conversando com meu irmão sobre o ‘fracasso’ africano – lamentando –, falando sobre o quanto fiquei chateado com a falta de objetividade e de sentido coletivo, de como me irritava o exibicionismo e as firulas, fatores que a meu ver foram as principais causas da classificação de apenas uma das seleções do continente, ele me falou que ‘os caras são assim mesmo’. Disse que para a maioria dos jogadores africanos o que importava era o espetáculo e não a vitória. “Você acha que eles estão preocupados em vencer ou perder? Eles estão de olho é nas arquibancadas cheias, jogando para eles mesmos e para a plateia.”

Pois o meu irmão me deu a dica para entender a perspectiva antropológica da visão do Caio e o equívoco na minha espectativa.

Para o comentarista, o conceito de ‘qualidade’ é aquele que corresponde aos padrões culturais dele, da cultura que assimilou ou foi forjado a aceitar. Significa, deduzo, acreditar que a vitória seja o mais importante, se alinhando ao pensamento hegemônico, apesar de ser uma distorção do que pregava Coubertin, que considerava o esforço para superar o adversário mais importante que a vitória.

Não estou no mesmo barco do Caio, mas sigo no mesmo sentido, pois sou totalmente ‘Coubertin’. As direções são as mesmas, porém, a navegação não é, uma vez que a vitória, para o meu gosto esportivo, que não deixa de ser artístico, é menos importante que o bom espetáculo.

É óbvio que a maioria das seleções africanas que disputaram – Gana ainda está viva – a Copa de 2010 não pensam como o Caio e nem como Coubertin. Pior para mim, que gostaria de continuar por mais algum tempo vendo jogadores como o Kanu, que, apesar da idade, trata a bola como parceira e extrai do futebol algo que se parece com o que acreditamos poder chamar de ‘arte’. Kanu e muitos de seus vizinhos do continente.

O problema causado pelo Homem ao aplicar o darwinismo à humanidade é esse, pois agora, depois que muitos dos bons de bola se foram, me resta ficar ‘apreciando’ os eficientes.

Não é à toa que eu prefiro a música.

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Mais um império caiu

Foi só sair o filho do técnico, que a Eslováquia desencantou. Vladmir Weiss é bom de bola? Acho que sim. Mas recuar o Hamsik para enfiar um pouco de nepotismo numa seleção nacional é um disparate.

A Itália se foi e ficou a pergunta: Por que o tal de Quagliarella não era titular?

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Camisa 10


(Wesley Sneijder)

Falei muito do Mitsuo, o ‘oito’ do Japão, mas a camisa 10 vai para Sneijder depois da rodada de ontem. O passe que deu para Robben, no lance que originou o segundo gol holandês, tem a marca de um legítimo dez.

No começo da partida Mitsuo quase marca o seu e deu um lindo passe para o sobrevalorizado, Haseve. Depois disso foi eficiente, se portando como uma espécie de Zinho.

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Kaká é filho de Deus: retirado da sessão ‘Grandes Novidades’

Em entrevista coletiva, Kaká disse que Juca Kfouri o criticara porque o jornalista era ateu e ele era Jesus (foi ele que literalmente disse isso). Tudo bem, pode-se aceitar que ele tenha se expressado mal. Mas pode-se também acreditar que cometeu um ato falho. Seja como for, se Kaká é Jesus ou Genésio isso eu não sei, mas sei que hoje, mesmo que Deus não compareça pessoalmente, o time entra em campo com menos um jogador bichado.

Pena que quem o substitui é um filho de Deus como qualquer um de nós.

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Direto da África


Grupo C:

EUA se salvam no último minuto e Inglaterra consegue não se igualar à França.

A Eslovênia foi até onde pôde, A Argélia é bonita de se ver, mas estão fora da competição.

Grupo D:

Austrália joga futebol com espírito olímpico e garante vaga para a única equipe africana viva na competição, despachando os gigantes eslavos.

Alemanha vence mas não convence e Gana é convencida.

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Futebol vistoso

(Anthony Annan)

O pequeno Anthony Annan, de Gana, joga um futebol objetivo, técnico, inteligente e, para o deleite dos apreciadores do violento esporte em que a arte anda cada vez mais distante, vistoso.

Não é afetado e exibicionista como vários de seus conterrâneos e como muitos de seus vizinhos de continente. O virtuosismo de seu futebol dispensa trejeitos e se revela sem esforço, mas Annan não abre mão do espírito de luta e sentido coletivo. É um futebol simples ou, talvez, pareça simples nos pés e cabeça do pequeno ganês, jogador que merece lugar em qualquer time do planeta.

As saídas de bola nos pés de Anthony Annan dariam uma belo capítulo para vídeo-aulas. Inúteis, se frequentadas por Fahel, Sandro Silva e Leandro Guerreiro.

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E e F

Hoje dois países disputarão a última vaga destinada ao Grupo E. O Japão tem a vantagem de jogar pelo empate e o vencedor pode se classificar em primeiro lugar do grupo, caso Camarões vença a Holanda.

Neste jogo estará em campo o melhor camisa 10 que vi jogar até o momento, mas que na verdade é um camisa 8 disfarçado: Mitsuo. Tudo bem que a Espanha tem o Xavi, mas como estou interessado em ‘novos talentos’, tentarei observar o japonês em ação para ver se serve ao Botafogo. (Sou um ‘olheiro’ na Copa).

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A Itália chega à última rodada sem poder se arriscar nem mesmo a ceder um empate. Enfrenta a Eslováquia, que até o momento mostrou ser uma das mais fracas equipes da competição, mas que tem chances nada remotas de se classificar. A Itália pode se tornar a segunda ‘potência’ a cair.

O Paraguai só não se classifica se os cartolas do futebol reunirem subalternos coloniais do escalão arbitral e incitá-los a formar uma Tríplice Apitança, afim de acabar com o ímpeto paraguaio.

Saudações botafoguenses!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Não foi desta vez, Abreu...

(Foto: Streeter Lecka/Getty Images)

Já que decididamente o Oscar Tabarez não colocará El Loco Abreu em campo para tentar chegar à marca histórica, acompanhar a Copa do Mundo com relativa assiduidade está me cansando e se tornando um esforço maior do que estou disposto a suportar. (Fora isso, o fato é que o elenco botafoguense já voltou aos treinamentos e minhas ‘férias’ acabaram junto com as deles...).

Mas não posso deixar de elogiar o trabalho do técnico uruguaio, que tem montado seu time de forma inteligente, demonstrando que sabe como disputar a competição dentro do formato que ela se apresenta. O Uruguai está indo muito bem.

Ouvindo as declarações de alguns de seus jogadores, percebo o quanto a chegada de Sebastián Abreu foi fundamental para que o espírito de conjunto, a disposição psicológica determinada e o espírito vitorioso fossem forjados no time botafoguense campeão estadual.

Com El Loco nas últimas rodadas certamente estaríamos em melhor posição.

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A escrita que a Fifa escreve

Acho meio chata essa fixação por quebra de tabus – como andam taxando por aí,o que na verdade chama-se ‘escrita’ – que inclui o fato de a África do Sul ter sido o primeiro país-sede a não passar para as oitavas-de-final. Porque, além de me parecer um esvaziamento de conteúdo e também uma espécie de falta de assunto, é o tipo da coisa que não tem fim – e no sentido lato.

É como nessas redes sociais quando o sujeito acaba sendo relacionado a algum picareta do outro lado do planeta através de uma ramificação que aponta para uma ligação de trigésimo sétimo grau. Mas deixem isso pra lá...


Voltando ao caso da África do Sul, ela não entrou por um triz. Literalmente bateu na trave. Mas também teve sua carteira ‘batida’ por um árbitro, o que não é tabu por ser uma escrita corriqueira, e que prova que o joguinho da Fifa é justo e honesto só ‘para inglês ver’.

E por falar em Fifa, arbitragem, justiça e Inglaterra, seria bom que hoje os eslovenos e os norte-americanos entendessem a expressão popular, que os alertaria dizendo que ‘suas batatas estão esquentando’. Logo as batatas...

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Parreira representava a casa e a casa estava cheia



Não me perguntem o porquê, mas não vou com a cara do Parreira. Não vem ao caso agora se ele é bom ou mau treinador, se cuida bem da família e é cidadão cumpridor dos seus deveres: não é nada disso. Quando digo que ‘não vou com a cara’ de alguém isso quer dizer que ‘o santo não bate’, entenderam? E só.

Mas o mais importante, e o que eu queria mesmo dizer, é que a minha ‘implicância’ com o Parreira ficou abalada depois da ‘enquadrada’ que ele deu no Domenech. Para quem não viu: após a partida de ontem Parreira foi cumprimentar o técnico francês, que deu-lhe as costas, achando que a grosseira encerraria ali, com um tapinha de luvas.

Mas o Parreira não aceitou que ficasse por isso mesmo e segurou o sujeito, primeiro beliscando a manga do paletó e depois travando o braço decididamente. Foi como se dissesse: ‘Não é assim que a banda toca, cavalheiro. Diga qual é o seu problema me olhando de frente. (Eu sou chapa da ditadura e tenho amigo general)’. E encarar o Parreira foi justamente o que o Domenech evitou.

(Clique na imagem para ampliá-la)

(In)felizmente o paletó do convidado ficou amarrotado pelas mãos do anfitrião...

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Por falar em França, esse negócio de ‘queda da Bastilha’ só poderia dar em cabeças cortadas. Não duvido nada que na próxima Eurocopa eles venham com sede de vitória.

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O purgatório


(Foto de cena: O Sétimo Selo, Ingmar Bergman)
Este ano promete ser o ano do ‘não levo desaforo pra casa’, uma fase de expurgo geral.

Pancadaria dentro do elenco francês – com direito a levante –, do nigeriano (o que não é novidade), do camaronês e, agora, as relações entre CBF, treinador e Rede Globo.

Mas esse episódio Dunga x Rede Globo fica para outro dia, porque somente ontem soube do acontecido na coletiva de domingo. (Estão vendo como não sou um cara super informado?).

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A chatice das partidas vem sendo em parte compensada por esses constrangedores (para eles) episódios extracampo.

Saudações botafoguenses!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Bacalhau, sardinhas, lampreias, lula, polvo, amêijoas, ostras...

De uma só vez e nedando no azaite: QUANTA FARTURA!


Quando achei que Portugal estava se metendo a complicar a própria vida, uma enxurrada de gols os deixou bem perto da classificação: 7 x 0 !!! Parabéns!

Sem de maneira alguma querer menosprezar o feito português – na verdade, preocupado com a classificação da equipe lusitana –, não acredito que seja um absurdo imaginar que a Costa do Marfim possa golear a Coreia do Norte da mesma maneira que fizeram os portugueses.

Se os marfineses se dedicarem ao futebol ao invés de às artes marciais e os coreanos jogarem como fizeram na partida de ontem, melhor aos portugueses que botem as barbas de molho (essa não serve para o craque Cristiano Ronaldo) e joguem contra o Brasil como se fosse uma final de campeonato.

Porque os coreanos entrarão em campo já eliminados e, a não ser que um telefonema de Pyongyang os coloque ‘contra a parede’ (perdão pela crueldade do trocadilho), creio que jogarão de uma maneira que me leva a imaginar que melhor seria se a equipe de Portugal não se fiasse no saldo de gols, e tentasse evitar ao máximo uma derrota frente ao Brasil.

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O circo de horrores do apito



A partida de futebol entre Chile e Suíça foi ofuscada pelo espetáculo circense da arbitragem. Mesmo graciosamente presenteando a equipe chilena com um gol irregular, o árbitro Khalil Al Ghamdi tirou alguns de seus titulares da partida contra a Espanha. Uma desgraça. O Chile dos melhores momentos da primeira partida é bem melhor do que o Chile em tempo integral. Mas isso serve para todas as equipes.

Com todo o respeito ao povo hondurenho, a Espanha venceu uma equipe fraquíssima e o placar não reflete as expectativas depositadas nos espanhóis. Mas estamos na segunda rodada, não é mesmo?

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Haja paciência...



Jogos chatos, pelo menos a grande maioria dos que assisti. O nível técnico não é grande coisa e mesmo os melhores elencos não estão correspondendo às expectativas. As exceções têm sido em relação ao grau de emoção de algumas partidas e, dentro desta perspectiva, a terceira rodada deverá ser a melhor da fase de grupos, mais isso é o óbvio. Enfim, me sinto encurralado entre a obviedade e a chatice.

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El dia de El Loco



Hoje o Uruguai estará decidindo seu destino e com um empate estará garantido na primeira posição do grupo. O jogo poderia ser uma perfeita marmelada, uma vez que o empate leva ambos à próxima fase. Mas como o México não está disposto a enfrentar a Argentina, o jogo promete.

No quesito ‘coração botafoguense’ teremos uma partida em que El Loco Abreu poderá se tornar o maior artilheiro da Celeste. Isso caso o Sr. Tabarez resolva deixá-lo ao menos tentar.

Bámos!!!

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

URGENTE! URGENTE!

ARQUIBA LANÇA LIVRO


Há cerca de um ano Paulo Marcelo Sampaio e Rafael Casé se juntaram para escrever 21 depois de 21, livro que hoje lançam no Salão Nobre da sede do Botafogo de Futebol e Regatas às 19h.

O livro conta a trajetória do Botafogo de 1989 rumo à conquista que acabou com o jejum mais longo de sua história.

O lançamento promete, com a presença de muitos dos jogadores que fizeram parte da campanha, hoje personagens.

Sinopse:

O livro narra a conquista invicta do Botafogo, no Campeonato Carioca de 1989, depois de ficar 21 anos sem ganhar qualquer título, com sua torcida sendo alvo de chacotas de todo tipo. Rafael Casé e Paulo Marcelo Sampaio, dois apaixonados jornalistas botafoguenses, narram todos os detalhes inéditos e nunca contados daquela conquista sob o maior rival, que era quase uma seleção brasileira.

Além de entrevistas e depoimentos inéditos, os autores foram buscar fotos e cartuns sensacionais, magníficos textos de jornalistas famosos, muitas coincidências que até hoje encantam os torcedores do time da Estrela Solitária depoimentos exclusivos e histórias nunca antes contadas.

Como, por exemplo: você sabe qual o nome original do famoso cachorrinho Biriba, mascote do Botafogo no final dos anos 1940?

Não vão me dizer que o nome é Luiz... Olha o Biriba aí sendo desmascarado!

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Nota 1: Link para o site da editora Livros de Futebol: http://www.livrosdefutebol.com/catalogo_detail.asp?cod_produto=301

Nota 2: Paulo Marcelo comanda o blog Arquiba Botafogo e o 21 depois de 21 também tem o seu. Vale a pena visitá-los.

Nota 3: A cacofonia do título é proposital.

Saudações botafoguenses!

A costa dos elefantes kickboxers


A segunda rodada apresentou uma caixinha de surpresas e um braseiro para línguas. Não era de se esperar coisa diferente.

A Argentina convenceu, a Alemanha decepcionou, a Sérvia surpreendeu, o Uruguai mostrou que não saiu de casa só para incomodar, o Japão revelou o camisa 10 mais habilidoso até o momento, o México mostrou que ainda está vivo, a Grécia inaugurou o primeiro gol e ainda fez outro para confirmar a também primeira vitória, Camarões se desmanchou, Gana lidera seu grupo, e o Brasil foi envolvente.

O time brasileiro, que na primeira partida se mostrou uma equipe apática e estática, com seus homens de frente se ‘movimentando’ como peças de um time de botões, ontem deixou os defensores marfineses desnorteados em três momentos, o que foi suficiente.

A WWF (World Wide Fund for Nature), uma espécie de Ibama com muito muito mais dinheiro, está ‘caçando’ os jogadores brasileiros que transformaram dentes (e travas) de elefantes em bolas de sinuca.

Os jogadores marfineses não possuem o mesmo nível técnico de vizinhos como Nigéria, Gana e Camarões. Destacam-se mais pela força física, mas não são perebas, muito pelo contrário. Contam com nomes de alto nível como Drogba e Gervinho – que têm movimentação e corpos gêmeos – e sua equipe é composta por jogadores de boa técnica individual. No entanto, dispuseram-se a dispensar a prática do futebol e ater-se à distribuição de pontapés e à cravação de travas de chuteiras em carne adversária – caso de elefante carnívoro. Não jogam duro: são desleais. Uma grande decepção.

A expulsão de Kaká foi injusta e não considero um erro não tê-lo substituído. Na verdade, acho que a dupla de caudilhos, Dom Dunga e Mestre Jorginho, foi espertíssima ao tentar e conseguir uma desculpa – para a Nike – para poupá-lo na próxima partida.

O Brasil está classificado, mas isso não me queima a língua. O que esturricou minha matraca foi a efetividade do ataque, que na primeira partida me iludiu com uma postura inerte e uma ‘movimentação’ que me fez lembrar um tabuleiro de futebol de pregos e moedinha.

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Americanos do Sul



Se de um lado as equipes da África estão decepcionando, do outro os sul-americanos estão surpreendendo. Mas surpreendem o ranking da FIFA e as casas de aposta, porque, por aqui, eu já achava desde o início que tinham o que mostrar nesta Copa.

Paraguai e Uruguai lideram seus grupos e têm campanhas idênticas. O Paraguai está em vantagem, pois chegará à última rodada precisando de um empate ou, dependendo do resultado de Eslováquia x Itália, se classifica mesmo com uma derrota.

O Uruguai se classificou para a Copa na última rodada das eliminatórias e não mostrou um futebol dos melhores. Mas tem ótimos jogadores na defesa e no ataque. A deficiência da articulação de ataque a partir do meio campo foi inteligentemente solucionada com o recuo de Forlán. Jogaram muito bem contra os donos da casa. Resta saber como a banda toca daí em diante.

Hoje espero que o Chile não embarque na onda do braseiro de línguas e jogue o bom futebol da partida de estreia.

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A Itália está indo mal? Se complicou? Irá reagir? Bem, com a Itália o imprevisível é inevitável.

Saudações botafoguenses!

(Foto de cena de Amarcord, de Federico Fellini)

domingo, 20 de junho de 2010

África por um fio

(Achille Emana - Foto: Michael Steele/Getty Images)

O continente-sede da Copa da África do Sul nos deu a primeira seleção eliminada da competição.

Desde sua criação a Copa do Mundo foi vencida por uma equipe do continente que a hospedava, fora duas exceções: a versão de 1958, vencida pelo Brasil na Suécia e a de 2002, também vencida pelo Brasil, na Copa sediada por Japão e Coreia do Sul. (Para os que acreditam nessas coisas, está aí o elemento mítico).

Não é de hoje que torço pelo sucesso do futebol africano; gosto do estilo.

Sempre achei que o que faltava às equipes dos países africanos – todas – era o amadurecimento.

Foi em 1994 que a Nigéria me apresentou outro ponto fraco das equipes de seu continente, que era a desunião entre os jogadores. Fosse por questões étnicas ou regionais, profissionais ou pessoais, falta de organização institucional ou capacidade gerencial esportiva, o que importa é que a equipe nigeriana, formada por um elenco de alto nível, não resistiu às ‘panelas’ internas e sucumbiu já nas oitavas-de-final.

Tanto tempo se passou e, quando esperava ver finalmente uma participação definitivamente convincente das equipes do continente africano, a equipe de Camarões – logo eles?! – se verga à desagregação.

Depois de surpreenderem o mundo em 1990 com o ‘Pelé Africano’, Roger Milla, os camaroneses protagonizaram o ridículo espetáculo da desunião de uma equipe – seja por quaisquer que fossem os motivos – e deixaram que grupos e individualidades levassem para o ralo a possibilidade de seguirem adiante na competição. Apesar de estarem no grupo que considero o mais equilibrado do torneio, tinham elenco capaz de disputar a classificação de forma digna, mesmo que fossem eliminados. Logo eles, que em 1990 entraram para a história chegando às quartas-de-final!

Sem tirar o mérito de Japão e Dinamarca, o espetáculo patético de individualismo e falta de inteligência, ontem exibido pelo elenco camaronês, foi vergonhoso. Meu constrangimento foi imenso – eu, que nem camaronês sou! –, provavelmente porque a lembrança que tenho do time de Camarões é a da equipe africana que pela primeira vez efetivamente incomodou a hegemonia Europa/América do Sul. Mas acho que foi maior ainda por saber que esses jogadores são conterrâneos do Roger Milla, um jogador fantástico.


(Roger Milla e a sua ‘sambadinha’ em 1990)

A Nigéria está praticamente fora e a África do Sul, por um fio. A Argélia está em desvantagem, mas só depende dela mesma, uma vez que a quantidade de gols que fizer decide a questão, no caso de uma vitória.

Hoje verei um jogo da Costa do Marfim por completo, mas estarei torcendo do outro lado. Duplamente, já que Portugal também está no mesmo grupo.

Ainda não assisti a nenhuma partida de Gana, a equipe do continente-sede em melhor situação até o momento, líder de seu grupo, o grupo mais difícil de todos em que havia equipes africanas, estando a um empate da classificação. Acho que é com essa que eu vou...

Diferentemente da Coreia do Sul, que conquistou o quarto lugar na Copa que sediou, o continente africano pode estar perdendo uma grande oportunidade de mostrar a força de seu futebol, seja pela ingenuidade, pela desunião dentro das equipes, pela incompetência administrativa ou pelas mãos da arbitragem, que puniu o país-sede através da não marcação de um pênalti claro.

Avante, Gana!
Vamos lá, Argélia!
Bafana, Bafana!
Deus salve a Nigéria!

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O único camisa 10 de verdade


(Daisuke Matsui, com a 8)

O Japão está vivo na Copa e tem o melhor camisa 10 que vi até o momento na competição. Daisuke Matsui tem excelente passe, ótima visão de jogo, e a habilidade com que protege a bola – apesar do corpo nem um pouco atlético – e a técnica para se livrar dos adversários e encontrar espaços para se movimentar no meio-campo são geniais. Um camisa 10 clássico, para os botafoguenses imaginarem, em sonho, uma dupla Matsui/Maicosuel.

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Nem Jesus e nem Genésio



Comentando sobre a bobeada da defesa dinamarquesa no lance do gol camaronês, Neto, comentarista da Band, disse que Morten Olsen, técnico da Dinamarca, ‘não tinha moral’ para reclamar de sua defesa porque foi o responsável pela pixotada que abriu caminho para a reação espanhola em 86.

Neto trocou as bolas, ou melhor, os ‘Olsens’. O jogador que tocou para o meio da área e entregou a bola nos pés de Butragueño foi outro Olsen, o Jesper Olsen. Morten Olsen não teve nada a ver com isso e Neto lhe cobrou a conta de um pato com 24 anos de atraso.

Seja na Globo, seja na Band, seja o ‘círculo’ que for, o ambiente é dantesco.

Saudações botafoguenses!

sábado, 19 de junho de 2010

Sérvia, Srbija, Србија!


Segundo o relato do meu irmão, a Sérvia jogou o fino do fino e não deixou a Alemanha ver a cor da bola. Com relação à expulsão de Klose ele me disse que a Alemanha distribuiu pernadas para todo o canto e saíram no lucro com apenas uma expulsão.

Ainda bem que Gravilo Princip não foi escalado, o que nos evitou uma 3ª Guerra Mundial. (Isso é uma piada).

Reviravoltas de segunda rodada e outras visões de um mesmo fenômeno...

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quase x quase


A Eslovênia tem bom toque de bola, mas o bom preparo físico e a determinação dos norte-americanos foi o que prevaleceu no final.

O goleiro norte-americano é bom, mas poderia ser melhor se não forçasse sua escalação como estrela do espetáculo. Estava adiantado no lance do primeiro gol para ficar na ‘marca’ do foco do canhão de luz?

Do outro lado, um goleiro bom e muito bobo. Passava os pés por cima da bola como num drible, sem a menor necessidade ou consequência e fazia gracinhas, manuseando a bola ao redor do corpo como um malabarista. Nunca imaginei ver um goleiro se encolher, fugindo de uma bolada. Sujeito estranho...

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Pelo pouco que vi da partida entre Inglaterra e Argélia posso afirmar que preferiria mil vezes assistir a qualquer jogo dos argelinos, do que esperar por boa coisa de clássicos envolvendo os britânicos.

Será que chegará o dia em que a Argélia aprenderá a fazer gols e os ingleses apresentarão o futebol que têm?

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Deus do pau oco e cabeça idem



Antes do primeiro minuto de jogo entre Eslovênia e EUA um jogador norte-americano deu uma cotovelada em um esloveno e o incidente foi tido como ‘coisa normal de jogo’, acho eu, pois foi isso o que a reação da arbitragem me fez acreditar. Em seguida uma falta foi invertida a favor dos EUA. Pensei: estão metendo a mão na Eslovênia; já sei para quem torcer.

Não é que ao final da partida o árbitro Koman Koulibali inventa uma falta para o time norte-americano, os EUA fazem um gol regular, conseguem uma virada fantástica, mas o mesmo sujeito anula o gol, convicto de que o mundo é decididamente um cubo?

As arbitragens estão sendo desastrosas na Copa da África do Sul e provavelmente já tiraram o próprio anfitrião da festa, não marcando um pênalti claro na partida de abertura contra o México.

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FIFA business



Não há como afastar o pensamento de que interessava à FIFA que os EUA não chegassem à rodada final em plena vantagem sobre a Inglaterra.

Também me acossa a desconfiança de que à Nike não seria boa notícia o mundo saber que Klose é o maior artilheiro em Copas.

Ronaldo, o Carioca, faz mal à Alemanha sem sair de casa. Isso é um craque! Não vão fazer outro igual a ele – com aqueles que vieram depois dele, é lógico – pelo menos na edição 2010.

Saudações botafoguenses!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Un otro tipo

(Foto: Jamie Squire – Getty Images)

Que me perdoem os amigos ‘anti-argentinos’, mas o Maradona é tão bonachão quanto o mais bonachão dos brasileiros – apesar de saber que, para muitos, isso não seja um elogio.

Sei que ele é ‘marrento’ e faz a linha ‘anti-brasileños’ (seu maior adversário no futebol), mas aquela fantástica devolução de ‘chuleta’ revela o menino que resiste em desprender-se de seu brinquedo e me comovi com a cena.

Fica ao lado do campo mais torcedor do que técnico e ao final da partida foi mais argentino do que amigo. Abraçou os jogadores muito mais por um imenso e sincero agradecimento pelo que conquistaram para a sua Argentina, do que por algum sentimento fraternal fora do universo da ligação que tem com sua nação.

Não confundam pátria com nação, por favor. Porque está aí a chave para entender o porquê dos argentinos envergarem sua bandeira em forma de uniforme e jogarem apasionadamente. Aquilo que os une como irmãos e cria a certeza de poderem contar com seus camaradas até o fim é o sentimento de que fazem parte de algo maior, de um conjunto que extrapola o conceito territorial: uma nação.

E tem gente falando em patriotismo...

*

Mesmo cheios de brio e um sentido de grupo fantástico, ainda falta uma visitinha às Óticas do Povo... Porque a mira continua ruim toda vida. Um gol-contra, um frango, um gol em impedimento...

Seja como for, estão no páreo com certeza.

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Bwana Park



(Henry Morton Stanley, 1872)

No jogo entre Grécia e Nigéria a primeira vestia uniforme branco. O narrador Luís Roberto, da TV Globo, disse algo assim: “São muitos jogadores ‘brancos’ por ali” e emendou “de ‘uniformes brancos’, quer dizer...”.

Êita...

Na Band, durante a mesma partida, a conversa era sobre a possibilidade de a crise econômica grega ter afetado o desempenho do time. Um papo um pouco diferente, digamos.

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Ah, Nigéria! Ah, Lars! Ah, Kaita...

Disse a um amigo que eu apostava que os nigerianos ficariam de fora porque acharam que perder de pouco para a Argentina era bom negócio, por considerarem fácil passar pelos outros dois. Ele disse que a Grécia era inexistente e que a Nigéria atropelaria os coreanos.

Pode ser que a Nigéria se classifique; agora estão agarrados à Matemática. Mas a empáfia nigeriana me fez deixar de torcer com muita vontade a seu favor. Gente cheia de si me cansa.

No entanto é bom lembrar que o técnico, Lars Lagerback, tem grande parcela de responsabilidade pela provável derrocada nigeriana, por insistir em tentar administrar resultados tendo em mãos um material humano irremediavelmente ofensivo e manter seu melhor jogador – Martins – no banco. A contribuição de Kaita para a possível desclassificação também pode ser creditada à má preparação psicológica do elenco.

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O primeiro gol...


(Dimitrios Salpingidis, autor do primeiro gol grego em Copas do Mundo)

E que fiquem aqui registrados o primeiro gol e a primeira vitória da Grécia em uma Copa do Mundo.

Aqui, em mais uma episódio recorrente, a mão do técnico pode ter dificultado ou inviabilizado a classificação de uma equipe por não haver escalado o artilheiro do time – no caso, o Salpingidis para começar jogando a primeira partida. (Salpingidis me lembra o Dé). Mas nesta última partida contra a Nigéria, Otto Rehhagel fez ótimas mudanças, que ajudaram a garantir a vitória à sua equipe.

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Viva, Pancho Villa!


(Blanco, ironizado pelos comentaristas da Sportv por suas condições físicas precárias)

Acho que os franceses ainda estão um tanto constrangidos pela ajeitada de mão do Henri. Será que algum lacaniano daria jeito nisso? Acredito que sim, mas só se não fosse do signo de escorpião.

E o México, que não tinha nada a ver com isso...

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Soberba caída

(Toureiro Morto - Manet, 1864)

A empáfia e a autoconfiança exageradas dos espanhois custaram caro. Acharam que poderiam vencer a qualquer momento, jogaram com desdém e nariz empinado, e saíram de campo com o salto do escarpin quebrado.

Será que as calças apertadas dos toureiros elevam o ângulo do nariz? Se desprezaram a Suíça da forma como fizeram, imagino a altura do salto que calçarão contra Honduras.

A Suíça dorme tranquila e o Chile agradece.

E os apreciadores do bom futebol ficaram sem entender nada...

Mas ainda há tempo.

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Cachupa


(Gelson Fernandes - Foto: Alex Liveley/Getty Images)

Meus ex-colegas de faculdade cabo-verdianos devem ter vibrado – e com toda a razão e direito – com o gol do compatriota artilheiro, aquele que aplacou a Fúria. No meu caso, gostaria mesmo é de relembrar o sabor de uma boa cachupa, numa tarde de domingo, bebendo um vinho tinto, esquecido da vida e do tempo, levitando em uma rede bem arrumada.

Nota: Cachupa é um prato típico de Cabo Verde e tem fama de possuir grande valor nutritivo. Eu garanto que a fama não é infundada.

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De frente para o mar


(Cidade da Praia, Cabo Verde)

Durante a transmissão de Espanha e Suíça o comentarista Mauricio Noriega disse a Milton Leite que o jogador Gelson Fernandes “nasceu na praia” e completou ‘explicando’ que era ‘Praia’, a cidade. Leite exclamou em tom irônico: “Meu Deus!”.

Biriba não gostou da ‘brincadeira’ por considerá-la desrespeitosa e disse: – Meu Deus!

Eu, por outro lado, apesar de achar Milton Leite um bom narrador, considero ridículo um profissional de um meio de comunicação de massa brasileiro desconhecer o nome da capital de um país de língua portuguesa.

Mas cada país tem o governo, a seleção e o jornalismo que merece.

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O gol de Abreu



O técnico uruguaio definitivamente não está disposto a dar chance a Sebastián Abreu de, pelo menos, tentar se tornar o maior artilheiro da seleção de seu país. Entendo que o Cavani fecha melhor o meio de campo, mas depois dos 2 x 0 e com o Cavani não acertando nada, El Loco cairia como uma luva para segurar uns dois adversários no setor de ataque e, quem sabe, resolver sua pendência com a história do futebol uruguaio.

A Celeste está bem perto da classificação.

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Karatê e futebol



(Foto: Andrew Coultridge/Action Images)

Se por um lado a grande maioria das equipes desta edição da Copa não está presenteando o público com um bom futebol, por outro estão distribuindo botinadas aos borbotões. Enfiar as travas das chuteiras na canela dos adversários virou moda este ano.

Os jogadores da Costa do Marfim batem com os pés e com as mãos e os sul-africanos também.

Tristemente interessante foi ver uma promessa, o jovem Lodeiro, e o goleador do time australiano, Cahill, serem expulsos por deixarem a marca das travas na canela de adversários, justamente dois homens de criação, homens de frente.

A Holanda, cuja violência sempre foi escamoteada pelo futebol vistoso, agora, quando não jogou nada ou quase alguma coisa, mostrou os cascos contra a Dinamarca.

Inúmeras imagens de detalhes em câmera super-lenta, ‘lindas imagens’ de travas sendo cravadas e grama voando, expressões de dor e corpos em queda, que devem estar arrancado suspiros de quem gosta de filme de serra elétrica.

Saudações botafoguenses!