sexta-feira, 2 de abril de 2010

Tudo errado


Se tinha algo para dar errado ontem, este algo formaria uma lista sem fim de acontecimentos.

Jefferson, nossa ‘Parede’, aceitou um frangaço e falhou em outro gol do adversário. Destes fatos, porém, o mais importante é percebermos que em absolutamente TODAS as partidas disputadas pelo Botafogo, nosso goleiro é obrigado a enfrentar uma saraivada de chutes de todas as distâncias e é um dos maiores responsáveis por não estarmos disputando a segunda divisão nacional e termos garantida a presença em uma final de campeonato. Com um meio de campo inexistente e uma defesa fraca no papel e de comportamento inconstante, isto seria de se esperar e é o que vai continuar acontecendo, pois nenhuma mudança se avizinha; não nos iludamos.

As participações em conjunto de Lúcio Flávio e Leandro Guerreiro foram determinantes para a marcação de um pênalti inexistente. Se isso não tem relação com o resultado da partida, serve para que os leitores façam ideia do porquê de eu detestar esses dois sujeitos (enquanto jogadores de futebol – que isso fique claro).

No segundo gol adversário o ‘inexistente’ – ontem – Marcelo Cordeiro chegou junto ao adversário antes do letárgico Antonio Carlos, mesmo estando alguns metros mais distante e, inclusive, atrás do jogador santacruzista, ou seja, correndo no mesmo sentido. Se tanto critico a proteção à zaga, neste caso foi o zagueiro que deixou o adversário chutar como bem entendesse e de dentro da área. Uma lástima!

O terceiro gol serviu para revelar o espírito perdedor que mal-assombra General Severiano. Aos 44 do segundo tempo, com o resultado a nosso favor, Herrera toca mal uma bola, Loco Abreu não acompanha a jogada, Caio e Edno também não se movem, Gabriel volta trotando lentamente (como um potro em exposição equestre), Leandro Guerreiro é facilmente envolvido (como de costume), Antonio Carlos não se posiciona para fazer a cobertura, Jefferson salva mais uma (como de costume), Danny Morais fica parado ao invés de colar no jogador que aproveitou o rebote para chutar cruzado e Gabriel chega em seu ritmo (lento) à marca do pênalti enquanto três defensores ficam olhando o talismã adversário concluir livremente para o gol. É este o espírito de uma equipe que almeja conquistar um título?

Excetuando-se o goleiro Jefferson, considero toda a ‘cena’ do terceiro gol como uma mancha na boa atuação de Loco Abreu, nos ótimos desempenhos de Somália e Herrera e um símbolo do que foi o comportamento e as atuações do restos dos jogadores, que foi de ruim a péssima.

Joel Santana produziu o pior desempenho que teve um técnico do Botafogo desde 2007. Escalou Eduardo, mesmo depois de suas recentes atuações pífias. Errou em todas as substituições: 1) Sacou um volante para a entrada de Caio, confiando ingenuamente na capacidade defensiva de Lúcio Flávio – um erro crasso; 2) Lançou Edno tardiamente; 3) Colocou Gabriel para jogar sabe-se lá onde e para fazer não se sabe o quê; 4) Orientou sua equipe a jogar defensivamente em um jogo dentro de casa, mesmo sabendo que fizemos algumas partidas convincentes pelo estadual, atuando de igual para igual; 5) Não soube orientar seus jogadores a manter a posse de bola no campo de ataque e motivá-los para que não agissem com indolência, o que foi determinante para o terceiro gol adversário. Uma atuação desastrosa.

Acreditando já estar com a classificação no papo, o Botafogo jogou covarde e indolentemente, ao contrário da briosa equipe santacruzista, que mereceu seguir na competição, atuando de forma convincente.

Quando não sua a camisa e joga um futebol de conjunto, o Botafogo sofre com a baixa qualidade individual de seus jogadores. E este foi o Botafogo de Maurício Assumpção, André Silva e Anderson Barros: um time que se resume a um goleiro e uma dupla de ataque.

No final das contas, essa diretoria estará sempre tentando multiplicar o Botafogo por zero.

Saudações botafoguenses!

2 comentários:

Linkin Leo disse...

E no fim das contas Luiz, tava lá o L. Guerreiro de novo, meu deus, e o Eduardo, de novo??
Vendo a cena se repetir mais uma vez só me resta, perguntar: Porque vivemos mais uma vergonha na copa do Brasil, porque os técnicos cometem os mesmos erros, porque os jogadores de hoje não aprendem com os erros dos de ontem? porque os remanescentes não aprendem com seus erros e repassam para os novos?? porque o Joel agora se preocupa mais com entrevistas do que com o time?? porque Lúcio Flávio não contundiu o suficiente pra ficar o resto do ano de fora(sem ser maldoso)?? Porque o Brasil acumulou mais um recorde ridículo e vergonhoso: o de maior número de votos em um reality show, 151 milhões na final KKK10! 151 milhões de idiotas votando!! Ops, acho q perdi o fio da meada... mas é isso aí!
S.A...

Luiz Docarmo disse...

Leo, descambando um pouco pro lado da filosofia (muito resumidamente), acredito que os homens e mulheres estão perdendo o que lhes restava de compromisso com a excelência, pois o que se faz em vida perdeu o sentido de ‘obra’. Uma vez que o dinheiro é o ‘bem mais cobiçado’ (um fim em si) e ao mesmo tempo ‘não é um bem, mas um meio’ pra se conseguir algo (um bem), não há como o sujeito construir uma abstração que associe a excelência do que faz à obtenção de bens.

No caso da relação entre jogadores de futebol e seus empresários com o clube que deles depende, não importa a qualidade do ‘bem’ que produzem, já que o seu dinheiro já está garantido por contrato, ou seja, os bens já estão na ‘despensa’.

Não existe uma competição saudável por um ‘posto de trabalho’, pois o sistema das relações entre essas partes não leva em consideração o mérito, mas as relações sociais, ‘profissionais’ e econômicas. (Se era pra perder o fio, então que vá o rolo inteiro...rs).

***
O número que você me informa de espectadores votantes do BBB é espantoso. Não sabia que foram tantos.

O BBB é uma ode ao nada ao mesmo tempo que é uma interessante forma de se fazer o cotidiano ocupar o espaço dedicado ao que é classicamente considerado ‘obra de arte’. Ou seja, o ser humano comum, seja ele quem for, é tão importante (ou mais, neste caso) que a personagem idealizada ou forjada por um discurso, como no caso do cinema. Pena que as ‘personagens’ do BBB são escolhidas dentro de padrões esquemáticos e estereotipados, o que joga toda essa teoria no ralo.

Saudações botafoguenses!