sábado, 27 de fevereiro de 2010

Acadêmico do futebol


“Deixa lá dizer Pascal que o homem é um caniço pensante. Não; é uma errata pensante, isso sim. Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes.” (Machado de Assis)

Joel Santana foi homenageado pela Academia Brasileira de Letras. Um de seus gestos foi beijar a medalha com a qual o presentearam, pedacinho de metal que simbolizava materialmente a admiração que os imortais da ABL têm pelo trabalho, e por que não dizer, pela obra do nosso técnico.

Que eu admiro Joel Santana, isso não é novidade. Já escrevi brevemente sobre isso no texto O Rei do Rio. Que Joel é admirado por muitos, também não é fato novo. Mas Joel Santana também é considerado por muita gente um ‘animador de torcida’, um sujeito que tem sucesso muito mais por conseguir elevar o ânimo dos jogadores, do que por seus conhecimentos táticos e estratégicos do jogo do qual é um especialista.

No meu entender, uma das grandes qualidades de Joel é essa mesma: elevar o moral da tropa. Mas o repertório do nosso técnico não se resume a isto.

Joel Santana é um craque na leitura dos jogos, faz mudanças que alteram radicalmente o curso de uma partida e é capaz de identificar com clareza as características de seus comandados e dos adversários. Se assemelha, naquilo que faz, ao patrono da ABL, que conhecia como poucos a natureza humana.

Mas Joel tem uma outra característica da qual tenho grande admiração: Joel veste a camisa do clube que defende. E foi à Academia Brasileira de Letras, com seu jeito simples de sempre, receber sua homenagem vestindo uma camisa em preto e branco e com o escudo do Botafogo estampado no peito.

Podem dizer que era indumentária inapropriada, do que discordo, pois inapropriados são muito mais os gestos e comportamentos do que a falta de gravata e paletó.

Foi um simples gesto, de um sujeito simples, porém, inteligente toda vida. E são esses gestos, os pequenos detalhes, que me dão o material com o qual lapido a última versão – mas não a final – da forma como vejo uma pessoa.

E o Joel é – e cada vez mais – muito bem visto por mim.

Parabéns, Joel Santana!

Saudações botafoguenses!

2 comentários:

Gil disse...

Grande Luiz,
Grande Biriba,

E foi preciso estar no Botafogo para ser chamado e homenageado pelos imortais!

Os ídolos são simples e fazem tudo que nós, mortais, gostaríamos de fazer.
Vejo o JS, como você!
Acrescento o Abreu, na minha galeria de ídolos. Não recordo, pelo menos nesse grupo, algum jogador adquirir e ler livros sobre o nosso clube. Ele, em pouco tempo, já o fez! Demonstra alegria em jogar, defender o clube e, comemora cada passe, gol dele ou não, como se o fosse.

Abs e Sds, BOTAFOGUENSES!!!

Lewis Kharms disse...

Gil, vamos combinar de colocar o Herrera nessa galeria também? rs

Sou fã do Joel. O texto ‘Rei do Rio’ é curto, mas fala um pouco sobre minha admiração pelo Joel como treinador e como figura humana também.

Eu acredito em ‘estrela’ e acho que o Joel tem a dele. E acho que também tem um tremendo carinho pelo Botafogo. Essa é a minha impressão.

Saudações botafoguenses!