sábado, 27 de fevereiro de 2010

Acadêmico do futebol


“Deixa lá dizer Pascal que o homem é um caniço pensante. Não; é uma errata pensante, isso sim. Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes.” (Machado de Assis)

Joel Santana foi homenageado pela Academia Brasileira de Letras. Um de seus gestos foi beijar a medalha com a qual o presentearam, pedacinho de metal que simbolizava materialmente a admiração que os imortais da ABL têm pelo trabalho, e por que não dizer, pela obra do nosso técnico.

Que eu admiro Joel Santana, isso não é novidade. Já escrevi brevemente sobre isso no texto O Rei do Rio. Que Joel é admirado por muitos, também não é fato novo. Mas Joel Santana também é considerado por muita gente um ‘animador de torcida’, um sujeito que tem sucesso muito mais por conseguir elevar o ânimo dos jogadores, do que por seus conhecimentos táticos e estratégicos do jogo do qual é um especialista.

No meu entender, uma das grandes qualidades de Joel é essa mesma: elevar o moral da tropa. Mas o repertório do nosso técnico não se resume a isto.

Joel Santana é um craque na leitura dos jogos, faz mudanças que alteram radicalmente o curso de uma partida e é capaz de identificar com clareza as características de seus comandados e dos adversários. Se assemelha, naquilo que faz, ao patrono da ABL, que conhecia como poucos a natureza humana.

Mas Joel tem uma outra característica da qual tenho grande admiração: Joel veste a camisa do clube que defende. E foi à Academia Brasileira de Letras, com seu jeito simples de sempre, receber sua homenagem vestindo uma camisa em preto e branco e com o escudo do Botafogo estampado no peito.

Podem dizer que era indumentária inapropriada, do que discordo, pois inapropriados são muito mais os gestos e comportamentos do que a falta de gravata e paletó.

Foi um simples gesto, de um sujeito simples, porém, inteligente toda vida. E são esses gestos, os pequenos detalhes, que me dão o material com o qual lapido a última versão – mas não a final – da forma como vejo uma pessoa.

E o Joel é – e cada vez mais – muito bem visto por mim.

Parabéns, Joel Santana!

Saudações botafoguenses!

Vermelho-pretismo


Joel Santana foi à ABL vestindo uma camisa botafoguense. Agora, comparem a preferência indumentária de nosso treinador com o gosto cromático de alguns jogadores do Botafogo, no jantar de comemoração pelo título (O Jefferson tem crédito pra dar uma escorregadinha de vez em quando).

É implicância minha? Que seja.

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

E nada de patrocinador...


- Então, quer dizer que o problema era o patrocinador?
- Lógico!
- Mais mandinga e baboseira, né?
- Você fala o que quiser. Tô tranquilo, Luiz. Sou campeão!
- Mas ainda não acabou.
- É lógico que não! Mas são os outros que agora estão correndo atrás.

* * *

- E o quê que tem o patrocinador a ver com isso?
- Tiraram o ‘super’ e veio o ‘liqui’.
- E daí?
- A coisa caminhava pro ‘super’ e eles amoleceram. A coisa virou água.
- Balela.
- Que balela, que nada! Mudou tudo!
- E como era antes?
- Era super, era gás, era explosivo: SU-PER!
- É tudo gás. Dá no mesmo, cara.
- Não dá, não. Uma palavra tem grande valor.
- Palavra?! Valor?! Com essa diretoria não ficamos com uma coisa nem outra!
- Sinto ter que concordar contigo.

* * *

- Vai dizer que gostou do ‘Neo Química’!
- Não posso dizer que adorei, mas gostei, pô! É um nome legal. Sai o que se desmancha na praia, chega uma ‘química’ vencedora.
- Mas eles foram oportunistas. Vieram só para a decisão.
- Perceber uma oportunidade não é ser oportunista.
- E o quê que eles perceberam?
- Eles viram que o conceito da marca já estava impregnado no time.
- Como assim?
- A ‘química’ funcionou e é coisa nova no Botafogo.
- A gente já vinha chegando em todas ultimamente.
- Mas não do jeito que foi dessa vez.
- É, parece que são uns caras que querem vencer, né?
- Não só querem: eles GOSTAM de vencer.
- No ano passado você falou a mesma coisa.
- Não falei, não. Falei que o Maicosuel tinha jeito de vencedor.
- E no ano retrasado?
- Eu disse que já sabia direitinho quem era o Cuca.
- E em 2007?
- Falei que o time tava jogando de salto alto.
- Falou, nada!
- Vai tomar Fosfosol, Luiz!

* * *

- Mas como um time que nem patrocínio tem, pode ficar desdenhando patrocinador?
- Não é desdenhar, maluco, é ter em mente que nós somos os campeões e ponto final.
- E o quê que vale isso pra um clube com dois meses sem dinheiro de patrocinador em caixa?
- É saber que o próximo tem que negociar com um campeão.
- E daí? A diretoria sabe negociar alguma coisa?
- Ô, sinuca de bico desgraçada!
- Te peguei, Biriba.
- Afffff!

* * *

- Como é que ainda vendem camisa com a marca de quem não patrocina mais a gente, e na loja oficial?!
- Do mesmo jeito que chamam o Engenhão de Stadium Rio.

Saudações botafoguenses!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Vencemos porque merecemos


Amigos e amigas botafoguenses, apesar do melhor de nosso carnaval ter começado na quarta-feira de cinzas e seguido até o desfecho apoteótico com o desfile do campeão neste domingo, gostaria de informar que não estive festejando ‘loucamente’ nossa fantástica vitória desde o final da partida contra o Vasco até este momento, ao feitio de folião entregue à doutrina de Momo.

Minha demora em me manifestar por aqui neste período de comemoração mais do que justa se deu por conta da agenda profissional.

Também é bom registrar que não sou do tipo carniceiro, dos que só encontram prazer em falar do clube quando as coisas andam mal, para os quais os momentos de conquista causam desconforto, já que a desgraça é o deleite para espíritos funestos e amuados, gente diferente de mim e do Biriba.

(Foto: Gilvan de Souza, Lancenet)

Dito isto, é natural – e chega a ser óbvio – que eu tenho o maior prazer do mundo em saldar jogadores, técnico e comissão técnica, que juntos conseguiram transformar um grupo em frangalhos em uma equipe vitoriosa, campeã da Taça Guanabara e finalista do Campeonato Carioca de 2010. Parabéns a todos os responsáveis pela conquista!

(Foto: Gilvan de Souza, Lancenet)

Os jogadores se empenharam ao máximo. Jogaram com garra, determinação, coragem e disciplina tática irretocáveis. Mantiveram a frieza após uma série de faltas não marcadas a nosso favor, inclusive um pênalti claríssimo. Levaram a campo a estratégia engendrada por Joel Santana e dosaram forças até ficarem em vantagem, após a diminuição do ritmo de jogo do adversário – e tudo isso dentro de um planejamento muito bem definido. Ao aproveitar uma das chances criadas através de uma ‘jogada inglesa’ – o Botafogo é chique pra caramba! –, abriram caminho para o desmantelamento tático e psicológico da equipe vascaína. E, justiça seja feita, venceram porque foram superiores.

(Foto: Gilvan de Souza, Lancenet)

A torcida também está de parabéns, pois lotou os lugares, histórica, cultural e legalmente a ela destinados, apesar da Suderj – ou quem quer que fosse responsável pela desleal venda de ingressos para um setor botafoguense à torcida adversária – ter nos acuado e tentado nos oprimir com seu aparato repressor. Resistimos a um forte esquema policial, e não deixamos que nos espremessem nas verdes para que parte do setor amarelo do NOSSO LADO acomodasse os vascaínos – com todo o respeito ao Vasco da Gama.


Território defendido, nossa torcida incentivou e esteve ao lado da equipe durante toda a partida, produzindo uma energia cataclísmica (Biriba é um exagerado e me pediu pra que chutasse o balde de tinta), ‘incendiando’ o estádio, criando um espetáculo extasiante.

(Foto: Pedro Kirilos, Lancenet)

Um título sempre é bem-vindo, mas, da forma como foi conquistado, salpicou um tempero extra no gosto de satisfação do torcedor alvinegro. Foi um exemplo extremo de superação e dedicação pessoal, de união e inteligência coletiva, que há muito não vejo em nossas equipes.

Além de superar os times rivais, vencemos a imprensa tendenciosa, as arbitragens criminosas e ainda atropelamos a soberba de muitos torcedores adversários. Depois de tentarem nos diminuir de todas as formas imagináveis, levamos o lindo troféu para nossa sede e é isso o que fica para a História.

(Foto: Gilvan de Souza, Lancenet)

PARABÉNS A TODOS NÓS!!!

Saudações botafoguenses!

Nota: Apenas cito, a título de registro, que o pênalti em Loco Abreu, escandalosamente não marcado pelo juiz da partida, garantiu que a dívida de Marcelo de Lima Henrique ao Botafogo não fosse saudada, apesar de posteriormente marcar o pênalti que selou nossa vitória.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A camisa do ano passado


- Sabe aquela camisa do ano passado?
- A daquele patrocinador que caiu na real?
- Como assim?
- Se você fosse diretor de uma estatal, você associaria o nome da sua empresa ao nome ‘Maurício Assumpção’?
- Deixa pra lá...
- É melhor deixar pra lá, mesmo.
- E a camisa, você jogou fora?
- Parei de me livrar de camisa.
- O quê que houve?
- O PM Sampaio me olhou com uma cara esquisita, quando o Fábio contou que eu jogava camisa fora em ano de time muquirana.
- E você ficou com medo do cara? Amarelou, Biriba?
- Sai fora, Luiz!
- Foi o que, então?
- Eu entendi: vão-se os muquiranas, fica a camisa.
- E onde tá a camisa que eu não vejo você com ela?
- Tá numa gaveta em que eu guardo coisa que não funciona.

* * *

- Você tá ouvindo o pessoal falando em dar o troco, essas coisas?
- Direto.
- Tão falando que no ano passado foi assim e que agora vai ser a mesma coisa.
- É.
- Você acha que a História se repete?
- A História se repete, mas essa história de 6 x 0 acontece de dez em dez anos.

* * *

- O El Loco escora bem as bolas altas, né?
- É.
- O Herrera é um brigador do caramba e chuta pra cacete, né?
- Isso todo mundo sabe.
- O Jefferson agarra muito, né?
- Qual a novidade?
- O Caio sempre entra no segundo tempo e arrebenta, né?
- Fala alguma coisa que ninguém sabe, cara!
- O Marcelo Cordeiro vai fazer um gol de falta.
- Rá! Se não acontecer você não perde nada, se acontecer você vem tirar onda. Palhaçada.
- Ah é?! Então segura essa: O Lucio Flavio vai fazer um gol.
- Conta outra, maluco!
- Vai, sim. E vai ser um golaço com um chute de fora da área.
- Que empolgação, hein, Luiz?! Quero ver quando passar o efeito do Frontal...
- Não tá levando fé?
- Eu tô levando fé até em jogo de búzios com tampinha de garrafa amassada, cara.

* * *

- Que camisa é essa que você leva pro jogo?
- É segredo.
- É segredo ou é mandinga?
- É segredo.
- Mas por quê que você não veste a camisa?
- É segredo.
- E por que você fica agarrado nela o jogo todo?
- É segredo?
- E esse segredo dá certo?
- É segredo.

* * *

- Eu levo a maior fé no Joel.
- Eu também.
- Ele bota a maior fé nos jogadores.
- Quem sou eu pra discutir com o Joel?
- Pô, você é o Biriba, cara!
- E é por isso que eu fico calado.

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Império do amor ficou segurando vela

(Foto: Paulo Sérgio, Lancenet)

O atual campeão carioca caiu diante do Botafogo, que, de virada, derrubou o império do amor e continua na disputa pela Taça Guanabara. Mas isso é o óbvio.

Extraordinário, mesmo, foi os onze jogadores do Botafogo conseguirem vencer os habituais catorze que jogam do outro lado. E para conseguir essa façanha foram muito espertos: não encostaram em nenhum jogador flamengo dentro da área, deixando o show por conta de Jefferson e suas defesas espetaculares. (Quase que ele pega a bolinha que entrou... Culpa da luva).

Na verdade eram doze, porque somente o índio do apito, o comanche, estava jogando contra. Sem oportunidade para marcar um penaltizinho que fosse, o índio estadunidense foi à loucura, marcou um monte de faltinhas perto da nossa área – o que não acontecia do outro lado – e acabou inventando uma expulsão para o Fahel. Mas o guarani que estava na lateral do campo consertou tudo. O Cone Sul é uma maravilha!

E quê torcida é essa? É lógico que é a torcida do Botafogo! Aquela que em muito menor quantidade ficou noventa minutos ao lado do time. Isso é qualidade. O que não é nenhuma novidade.

Os jogadores estão de parabéns pelo espírito de luta e o Joel por conseguir fazer oito amadores em potencial jogarem como profissionais.

Só gostaria de saber até quando um zagueiro irá jogar como meia e os melhores continuarão no banco.

(Foto: Cleber Mendes, Lancenet)

Solicitações e agradecimentos:

- Fabio Ferreira: Meu camarada, por favor, simplifique.

- Marcelo Cordeiro: Se empolgue, vibre, isso é natural. Afinal, você fez um gol em jogo decisivo. Estufou a rede! Mas o gol que você fez começou com um lançamento do Lucio Flavio, uma escorada do Loco Abreu e um tirambaço do Herrera. Então, por favor, comemore com seus companheiros de time antes de homenagear a histórica camisa de número seis, que já vestiu um titular da seleção mundial de todos os tempos e outro, da seleção dos melhores jogadores da Copa do Mundo de 1978. Estamos todos torcendo por você, e os seus camaradas em campo vão gostar de serem os primeiros a comemorar seus gols contigo.

- Caio, moleque bom! Continue assim, que o povo agradece.

- Herrera e Loco Abreu: Muchisísimas Grácias! O blog, que tinha diagramação rigorosamente em preto e branco, agora tem links azul celeste. Isso porque é um prazer tê-los conosco.

- Renato: Calma meu irmão. Você ainda será o titular da camisa dez.

- Jefferson, ‘A Parede’: Desde 2007 o que pesou a nosso desfavor nas decisões foi a disparidade entre os goleiros. Agora isso não existe mais. Mas troca essa luva aí, Jefferson! Ou então dê um jeito naquela costura em que a bola resvalou, no lance do gol flamengo. Você e todos nós merecíamos aquela defesa também.

- Joel Santana: O senhor é que sabe, seu Joel. O senhor conseguiu instaurar o celibato no império do amor. Não vou fazer nenhuma sugestão a um sujeito que acabou com o tesão de uma nação arquirrival. Ah, e obrigado por ter chamado o juiz de ‘covarde’. Deixa que eu chamo o cara de ladrão; não pegaria bem o senhor ter esse tipo de atitude e sei que isso contou para sua sábia decisão.

(Foto: Paulo Sérgio, Lancenet)

- O botineiro de meia tigela, Juan, disse, ao final da partida, que o time do Flamengo era superior, mas o Botafogo jogou com inteligência e acabou vencendo. Eu prefiro o raciocínio do El Loco Abreu, que ensina: “Futebol é assim: é jogado, não é falado.”

- Só se fala por aí no toque de mão do El Loco. Mas a botinada que o Juan deu no Caio, e que originou a falta que levou ao gol, não foi motivo pra cartão. O empurrão que jogou o Caio pra fora do campo pela linha de fundo nem falta foi, na ótica do comanche. O pontapé que Leonardo Moura aplicou em Caio – sempre ele – se tornou um arremesso lateral em favor do time do índio – um caso notável de um comanche ajudando um moicano. Alessandro recebeu cartão amarelo por uma falta igualzinha a que fez Álvaro – trinta segundos depois – em Loco Abreu, e que não motivou o segundo cartão pro zagueiro flamengo. Toró, ‘o cadeirudo’, deu uma cotovelada em Marcelo Cordeiro e só faltou o juiz comanche abrir contagem de dez, felicitar o agressor e pedir um autógrafo. Ou seja, esse comanche é um índio ladrão, que coloca a própria mãe em desgraça na boca do povo. Se cai nas mãos dos xavantes...

- Os bandeirinhas estão de parabéns: marcaram os impedimentos corretamente e não inventaram nenhum contra nós. São guaranis.

- O Andrade pode continuar dormindo tranquilo, porque só verá o El Loco no próximo turno. (Com todo o respeito ao Andrade, a quem admiro, mas o Biriba insistiu pra que eu relembrasse a facilidade que o treinador flamengo tem para pegar no sono).

- O zagueiro Álvaro, antes da partida de ontem, declarou o seguinte: Adoro jogar contra equipes que tem esse tipo de jogo (aéreo) forte. Me doutrinei no futebol assim. Você joga no futebol europeu e aprende o quanto isso é importante.” Parece que a doutrina não foi bem assimilada por Álvaro. (o grifo é nosso).

- Agora resta à flapress colocar a culpa no carnaval, na cachaça ou nos aditivos não mencionáveis. E por mencionar o não mencionável, uma perguntinha: teve exame antidoping para a turma do camarote da Brahma?

Mas o fato a ser novamente destacado é que o Botafogo está na final. E é isso o que interessa.

Saudações botafoguenses!

(‘Peguei’ essa foto lá no Fogo Eterno.
Nem pedi permissão ao Marcelo Pereira,
mas acho que ele não vai se chatear com isso.
Não dava pra deixar esse negócio de fora).

"É o samba-love, meu irmão!"

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O improvável: vai que acontece...

(Paulo Valentim em ação)

O Thiago Pinheiro escreveu no blog do MCR que “Faz muito tempo que não somos testemunhas de um lance genial ou um gol incrível que nos faça olhar para o lado e perguntar: ‘você viu aquilo?’”. Na verdade ele fala sobre ‘a torcida como parte do espetáculo’ – que é o título da postagem.

Não sei sobre a parte que cabe à torcida, mas sobre o espetáculo, pode ser que nesta quarta-feira ‘um gol incrível’ aconteça – ou uma defesa antológica, já que o Jefferson estará jogando.

O que vocês achariam de uma cabeçada fulminante do El Loco, um drible genial do Caio, uma bomba lá do meio da rua do Herrera – chutando de esquerda –, um gol de falta do Marcelo Cordeiro? Ou, quem sabe, um chute surpreendente do Somália, um gol do Fahel ou do Leandro Guerreiro; o Lucio Flavio driblando meio time e fazendo um golaço. Seria pedir demais? Se for, que assim o seja.

O Alessandro já é garantia de pelo menos um golzinho, porque ele gosta desse clássico – faz até pênalti de vez em quando, de tão empolgado que fica! E isso não é gozação, não. É verdade. O cara joga como se fosse o último jogo da vida. Se lembram dele estufando a rede com raiva no último jogo?

E dessa vez lá atrás temos o Jefferson num jogo decisivo. Como o Lucio Flavio está proibido de bater pênaltis, a coisa ficou bem melhor pro nosso lado.

São nas ocasiões mais improváveis que as grandes surpresas acontecem – a zaga atenta e marcando em cima, Leandro guerreiro se antecipando...

Desse mato não sai coelho? É melhor que não saia mesmo. Eu quero ver é sair uma cachorrada bem treinada, jogando com a cabeça, mas com os dentes afiados.

Sei que a torcida está mais do que desconfiada e com toda a razão. Mas vai que o Caio faz o Juan sentir saudades do Maicosuel! Como é que eu fico se perco uma dessas?

É por isso que, só por garantia, já estou com o ingresso na mão. “Maraca! Tô chegando!”

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O ponto fraco


- O quê que você acha do jogo de quarta?
- Acho que a gente vai ganhar.
- Mas você vive metendo o pau no time...
- Você também.
- É, eu tenho que analisar os jogadores, o esquema tático, o preparo físico, essas coisas.
- Sei. E daí?
- E daí que se a gente pensar friamente, percebe que o Botafogo não anda muito bem das pernas.
- É, mas não vai tão mal assim das mãos.
- Que mãos, o que?! Tá maluco?
- Se lembra do jogo que o Borrachinha fechou o gol?
- Em 79. O Flamengo com um timaço.
- Esse mesmo.
- Mas isso não acontece o tempo todo.
- Mas um dia não é ‘o tempo todo’.
- Tudo bem. E se o Jefferson fechar o gol, quem vai marcar pra gente?
- É só o Lucio Flavio não bater o pênalti que aquele moleque Juan vai fazer no Caio, que tá tudo garantido.
- Você acha que o juiz vai marcar um pênalti pra gente?
- Depois de inventar um pra eles e uns três impedimentos contra a gente ainda no primeiro tempo, com certeza alguma coisa o cara vai ter que fazer pra encobrir a falcatrua.
- Você tá muito otimista pro meu gosto.
- Não é otimismo, é a interpretação dos sinais.
- Que sinais?
- Em 79 eles estavam pra nos bater o recorde de invencibilidade.
- E o quê que isso tem a ver com o jogo de quarta? Eles estão longe do recorde.
- Mas estão perto do tetra campeonato estadual.
- Putz, é mesmo.
- E tem mais sinais.
- Não vem me dizer que é porque eles acham que já ganharam.
- Eles acharem que já ganharam não é nada, eles são arrogantes mesmo.
- É o que então?
- O ponto fraco deles está nos vascaínos acharem que eles já ganharam.
- Não entendi.
- Os vascaínos querem pegar o Flamengo na final. Estão mordidos já faz tempo.
- E daí?
- Vascaíno torcendo pro Flamengo pode dar certo?
- Hum... Fiquei encucado.
- Tira o Cuca da cabeça, Luiz. O nome do homem é Joel Santana!

Saudações botafoguenses!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Oba Oba? Só se for o do Sargentelli


Assisti ao jogo de ontem numa choperia aqui do bairro. Ao final da partida os vascaínos cantavam: ‘Ô urubu, pode esperar, que a tua hora vai chegar!’.

Um flamenguista se aproximou do nosso grupo e disse que só tinha aparecido por ali pra saber quem seria o próximo vice.

Meus amigos, confesso que depois desses episódios simultâneos de arrogância, cresceu a esperança de que a Taça chegou mais perto das nossas mãos. Porque aquela cantoria e o papo manjado alimentam a vontade de ganhar dos nossos jogadores – e ainda adicionam um tempero especial às nossas vitórias.

Quem chega num samba gritando ‘Essa é minha!”, se arrisca a acordar com o olho roxo e segurando uma vela.

Já que somos obrigados a dividir o espetáculo, que eles levem a parte do Oba Oba, e me deixem com as Mulatas do Sargentelli – que além de radialista, locutor, sambista, produtor e ‘mulatólogo’, era também um botafoguense dos bons.

Saudações botafoguenses!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Oferta de emprego: ‘Clube tradicional abre vagas para jogadores amadores – salários convidativos’


Foi de certa forma estranho assistir ao jogo de hoje, porque os times pareciam equipes de futebol profissional – o que é de se esperar, diga-se, de uma partida oficial, com uniforme, chuteiras e disputada no Maracanã.

Essa estranheza se deu porque não tenho a mesma impressão ao assistir a partidas do Botafogo, os únicos jogos que consigo, com muito esforço, acompanhar ultimamente.

Se jogam bem ou mal, isso já não me importa.

Porque à torcida alvinegra só resta esperar pelo fim da gestão Assumpção e torcer pra que depois de passada a era dos ‘Forrest Gump in charge’ em General Severiano, ainda exista – ou reste – um clube no mundo com uma estrela no peito, fora o Rezende.

Mas essa torcida, mesmo sabendo que nosso clube é dirigido por delinquentes, espera que os jogadores contratados sejam no mínimo ‘profissionais’.

As equipes do Vasco e do Fluminense, neste sábado, me fizeram lembrar o que é um jogo de futebol de gente que joga melhor do que jogávamos eu e meus amigos do futebol de praia e dos campos com chuteira e tudo.

Jogando mal ou bem, errando ou acertando, pareciam pessoas que treinaram pra estar ali disputando uma partida de futebol da primeira divisão nacional. Porque, no acerto ou no erro, eles ao menos ‘corriam e se movimentavam como profissionais’. Errando ou acertando, eles se assemelhavam em grande medida a jogadores teoricamente profissionais, gente que erra e/ou acerta, mas dentro de um nível de qualidade técnica e física minimamente razoável.

Vendo os jogos do meu querido Botafogo percebo que, não importando os acertos ou erros, a maioria dos jogadores se comporta como se fizessem parte de um time formado num muro de um campinho: “Fulano pra cá, Cicrano pra lá”. E são os piores do racha; os últimos a serem escolhidos.

Os jogadores que formarão o time titular para a disputa da semifinal da Taça Guanabara não me intimidariam nem um pouco se formassem o ‘time-contra’, desses que se enfrentam numa pelada mais séria (exceto Jefferson, Herrera e Loco Abreu). E isso porque não têm desempenho compatível com o de jogadores de futebol profissional que, no meu tempo, ‘sobravam’ nos rachinhas quando apareciam por lá. E quando não nos suplantavam na técnica, era pelo físico de quem ‘só faz jogar e nada mais do que treinar futebol’, que esses tais ‘profissionais’ se impunham, se destacavam no rala-côco.

Fico na esperança de que os quatro dias que nos distanciam da semifinal façam com que os ‘amadores’ que vestem o uniforme do Botafogo consigam se transformar em jogadores de futebol profissional. Espero que treinem, tanto na parte física quanto na técnica.

Porque, do jeito que estão, são gente que nem na corrida ganharia de mim.

E, do jeito que vai, lá vem mais um ‘sacode’ se avizinhando.

* * *

Nota 1: Por que o Fahel não procura um emprego na Avon? O cara já é afeito a um cosmético, cabelo bem arrumado. Então, solta a franga, moleque! Vai vender creme hidratante, cara! Juro que além de parar de pegar no pé do sujeito, poderia até comprar umas coisinhas pro pessoal aqui de casa. E pra mim também, por que não?

Nota 0: Por que o Anderson Barros não vai trabalhar como vendedor de condicionador de ar na Patagônia? Vai que ele encontra o Mauricio Assumpção e o Andre Silva por lá e acabam abrindo um negócio juntos. Eles têm afinidades e visão empresarial semelhante! Juro que eu seria um de seus clientes (via eBay, é claro), esperançoso de que o negócio desse certo por lá e que nunca mais voltassem.

Nota A: O melhor presente que o carnaval pode me dar – fora aquele abraço apertado da Rainha da Bateria da ____ (não posso revelar), é fazer com que eu queime a língua no final.

Saudações botafoguenses!

Botafogo no Céu e Inferno pros apagados

(Image: Relativity - Escher c. 1953)

Engraçado foi reler a postagem anterior ao jogo contra o São Raimundo porque parece, de início – e em muito por conta da relação entre a imagem e o começo do texto –, que a minha conversa com o Biriba era sobre a partida em que Fahel, Fabio Ferreira e Leandro Guerreiro resumiram perfeitamente o que é o sistema defensivo do Botafogo em apenas um lance, que foi o do gol do time paraense – conterrâneo da grande Fafá de Belém, de quem o Biriba é fã e eu só acompanho de longe, porque tento manter uma distância entre mim e uma mulher poderosa, ou no limite externo de sua força gravitacional ou no seu eixo central, sempre que possível .

Falo isso nem tanto pela graça da coincidência do texto assumir ‘temporariamente’ outro significado – e nem para falar da minha relação com a Fafá –, mas para revelar que não levo a menor fé no pessoal que anda por ali entre o Jefferson e nossos dois atacantes (deixei o Caio de fora dessa, porque o considero nosso ‘conhecido’ elemento surpresa).

Mesmo que os cruzamentos do Marcelo Cordeiro estejam chegando um pouco acima da cintura do Loco Abreu, bem melhor do que chegavam e ainda chegam, por força ou fraqueza do resto da equipe, me parece que esse ‘resto’ está longe de ser o borralho de um Botafogo minguante.

Espero que na quarta-feira de cinzas nossos jogadores entrem no espírito da Quaresma e promovam uma mudança em suas vidas, se convertendo em botafoguenses de verdade. Torço para que se lembrem que a vida é transitória e efêmera e, justamente por isso, se esforcem por tornar suas existências prodigiosas.

E é bom que entendam, que só entram no Céu aqueles que além de garantir bom conforto à família e ajudar velhinhos a atravessar a rua, também se esforçam por jogar o melhor possível, quando defendem o Botafogo. Os demais vão parar no Inferno.

Saudações alvinegras!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Hexa, com 'h' de Heleno


Há 90 anos, no dia 12 de fevereiro de 1920, nasceu um dos maiores ídolos do Botafogo, Heleno de Freitas. Para saber um pouco mais sobre o cara que foi artilheiro dos campeonatos estaduais de 1941, 42, 43, 44, 45 e 46 - um ‘hexa’ da forma como ensina o dicionário -, leia o “Memorial Heleno”, no Mundo Botafogo/Estrela Solitária e Onde quer que esteja, parabéns Heleno!, no Arquiba Botafogo.

Saudações alvinegras!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

'Does not compute' coisa nenhuma!


- Se deu mal dessa vez, hein, Biriba!
- É, perdi a chance de cair na balada do El ‘Loco Loco Loco’ Abreu...
- Não tô falando disso.
- É o que, então?
- Você disse que tava preocupado...
- Quem não se preocupa com um jogo decisivo não é torcedor de verdade.
- Tá duvidando do meu caráter?
- Eu não! Você tava roendo unha, que eu vi.
- Não tinha nada garantido, né?
- Tá vendo?
- É, mas você disse que o time tava uma droga.
- E você acha que tá bom?
- Mas melhorou, pô! 5 x 2!
- Melhorar, até que melhorou.
- Parece até um time de futebol profissional.
- Com uniforme, chuteira e meião e dentro dum estádio, vai parecer com o que? Com uma ala de baianas?
- É, não tem jeito. Você tá sempre botando os caras pra baixo.
- E eu falei mal de alguém aqui?
- Não, mas já sei que vai botar defeito.
- Você sentiu firmeza na defesa?
- Não.
- Acha que o Alessandro, o Wellington, o Leandro Guerreiro, o Eduardo e o Lucio Flavio vão render mais do que isso que se viu?
- E o Fahel?... Você esqueceu do Fahel.
- Quem?!
- O Fahel, cara!
- Não fala essa palavra... Vai que baixa um santo dessa falange por aqui e tu chuta o violão pro lado que estiver virado, pensando que é uma bola!
- É. Melhor deixar quieto.
- Ô, se não é!
- Mas o time melhorou.
- Lógico! O Joel deu um jeito de arrumar as coisas. Os caras tão correndo mais. Parece que jogam com mais gosto, que sabem o que fazer em campo. Tão jogando com mais inteligência, mantendo a posse de bola. Tem jogadas de ataque. O Joel incutiu nos caras a esperteza que é jogar com paciência.
- Então você concorda que tá melhorando, né?
- Tá, sim. A gente já tem até um cara que consegue cruzar uma bola!
- É, o Alessandro acertou aqu...
- Que Alessandro, o que! Ele teve que errar o cruzamento pra bola chegar certinho na cabeça do Loco! Eu tô falando é do Marcelo Cordeiro.
- Pô, é mesmo.
- E ainda é bom nas bolas paradas.
- Putz, esse negócio de só acertar quando erra me lembrou aquela jogada do Eduardo.
- Teve que errar o passe pra jogada dar certo, né? Rá!
- O quê que aconteceu com esse cara?
- Deve ser algum problema existencial.
- Ih... Lá vem você com esses papos-cabeça.
- Não é viagem, não. O Lucio Flavio também tá nessa. É alguma deprê braba ou trabalho grande feito em cima. Coisa daquelas curimbas barra pesada. Maior uruca!
- É... mas você não falou do El Loco Loco loco Abreu e nem do Caio e do Jefferson.
- Deixa quieto.
- Tô te entendendo, cachorro mandingueiro.
- É isso aí.

* * *

- E o jogo de hoje?
- Não sei. Não conheço o São Joaquim.
- O Pitbull joga lá.
- E o Biriba joga aqui!
- Não acha que era melhor poupar uns caras?
- Respeito quem pensa diferente, mas ficar parado mais de uma semana só faz bem pra bicho que hiberna.
- E se alguém se machucar.
- O Joel dá sorte até no azar.

Saudações alvinegras!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Primeiro jogo decisivo de 2010


O Botafogo é um clube de contrastes. Não é à toa que nossas cores são o preto e o branco: o cúmulo do contraste. Nosso time é craque em revelar craques, mas de vez em quando nos vem um Marcio Teodoro, um Emerson...

Hoje, por exemplo, teremos no mesmo time: de um lado, Jefferson, Loco Abreu, Caio e Fábio Ferreira – estou dando uma força pro cara, porque não é fácil andar com morcego e acordar no prumo e ele tem feito isso; do outro, Wellington, Alessandro, Fahel, Leandro Guerreiro, Eduardo, Marcelo Cordeiro e Lucio Flavio.

Comparando as qualidades de cada um em separado, e dando notas de um a dez, ficaria mais ou menos assim (vou incluir o Herrera, pra elevar o nível um tantinho):

1) Técnica:
- Jefferson: 10
- Fahel: 0

2) Virilidade:
- Fabio Ferreira: 10
- Wellington: 0

3) Visão de jogo:
- Loco Abreu: 10
- Leandro Guerreiro: 0

4) Espírito de luta e brio:
- Herrera: 10
- Lucio Flavio: 0

5) Velocidade, objetividade e capacidade de raciocínio:
- Caio: 10
- Alessandro + Marcelo Cordeiro + Eduardo: 0

Não é um universo de contrastes?

* * *

- Tava crente que você ia falar de yin e yang, da natureza do universo, de forças opostas complementares. Falar de contrastes em um outro nível...
- Que conversa mole do cacete, Biriba! Me admira você.
- Você é que vem com esse papo de contrastes e monta um esqueminha idiota de comparações inúteis.
- Queria o que?
- Você podia falar que o Resende também tem uma estrela, que é preta, e que eles se inspiraram no Botafogo. É como se fosse a outra face da mesma moeda!
- Ih, caramba... Você não tá bem, não, cara.
- O seu papo é que não leva a nada. É pura retórica.
- Retórica? Ih, o cara... Você tá estranho hoje, meu irmão.
- Eu tava era pensando.
- No que?
- Por que você escreve essas besteiras?
- Que besteiras?
- Começa com um papo de contrastes, faz uma tabelinha, dá notinhas...
- Falta do que fazer.
- Arruma um serviço, então, cara!
- Já estou trabalhando demais.
- Então é isso: falta do ócio criativo.
- Pode ser. Mas você não acha que o time é muito desigual?
- Acho.
- Então por que tá reclamando do que eu escrevi?
- Não é reclamação, é outra coisa.
- Que coisa, Biriba? Hoje é dia de jogo e você com esse papo de ‘outra coisa’, yin e yang, de ‘outra face da mesma moeda’!
- A ‘outra coisa’ é o jogo de hoje, mesmo.
- E o quê que tem?
- Ando meio preocupado.
- Com o que?
- É o primeiro jogo decisivo do ano.
- E dái?
- Daí que o time tá uma droga.
- Mas o time deles também é uma droga.
- O problema é esse.
- ?...

* * *

- Eu acho que o Loco Abreu vai desencantar de vez, Biriba.
- Por que?
- Porque a soma dos dígitos da data de hoje dá 19.
- Mas esse é o número da camisa do Herrera!
- Ih... É mesmo.
- Você é muito burro, mesmo, hein!

Saudações alvinegras!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O Professor


Não fiquei pra ver o jogo do Fluminense na rodada dupla do Maraca, porque o horário não permitia, já que tinha compromisso no dia seguinte pela manhã. Acabei perdendo a zoação muito esperta e bem humorada da Loucos pelo Botafogo pra cima do Fluminense, que soube através do amigo Francisco Lima, numa seção de comentários do Cantinho Botafoguense.

Mas foi ótimo ter ‘sucumbido’ à responsabilidade profissional, pois encontrei um amigo que vejo raramente, o que também me garantiu uma carona pra casa. Ou seja, a volta foi muito agradável.

O jogo nem tanto.

* * *

Os defeitos do time continuam os mesmos. Apesar disso, dá pra perceber que a mão de Joel Santana é bem comandada, porque aparentemente todos os problemas táticos foram diminuídos.

A defesa estava menos desguarnecida e o meio-campo tocava melhor a bola, que chegou mais vezes ao ataque, e de forma mais ‘clara’ para os atacantes.

E mesmo assim, ainda estamos muito mal.

* * *

Já disse anteriormente que considero o Joel um craque em analisar jogadores e tirar o melhor de cada um. Pois ele fez isso direitinho.

Pro Fahel deve ter dito:
- Meu filho, você vai marcar o camisa nove. Só faça isso, tá?
- E se o Leandro já estiver marcando o cara?
- Aí você marca o oito.

Fahel fez o que Joel pediu e não ficou com a cabeça virando de um lado pro outro sem saber pra onde ir.

Pro Leandro Guerreiro deve ter dito:
- Meu filho, você cola no número oito. Só faça isso, tá?
- Mas e se o Fahel já estiver marcando o oito?
- Aí você marca o nove.

E seguiu, instruindo um a um, seus jogadores:

- Fabio, você fica na sobra.
- Na sobra de quem professor?
- Não importa, vai sempre sobrar pra você.
- Tá certo, professor – responde baixinho, resignado, mas confiando no mestre e percebendo ali a proposta de um pacto de cavalheiros.
- Antonio Carlos, você dá o primeiro combate.
- E se eu perder o lance?
- Já combinei tudo com o Fabio.
- Entendi.
- Alessandro e Marcelo, venham cá, meus filhos.
- Quer falar com a gente, professor? Quer falar sobre o jogo?
- ...
- O quê que é?
- Bem, vocês atacam, mas tentem voltar – orienta Joel, evitando que notasssem que esfolava-se com cacos de telha.
- E se a gente não conseguir voltar? – perguntam Alessandro e Marcelo Cordeiro em uníssono.
- Tudo bem. Todo mundo já tá sabendo disso.
- Ah, tá...
- Lucio Flavio, meu rapaz, você é o dez do time.
- Eu sei, professor.
- Mas você também sabe que não tem o Zé Roberto nem o Jorge Henrique pra virar pra cima dos marcadores.
- Eu sei, professor.
- Então, quando a bola chegar, você toca pra trás ou pro lado. Não tente virar e partir pro ataque, porque essa não é a sua.
- Eu sei, professor.
- Quando dominar a bola e tiver uma chance, nem tente acertar o passe, porque você já tá de saco cheio dessa estória de jogar futebol e o passe não vai sair legal.
- Eu sei professor.
- Já que você parece um cara sabido, vou te ensinar um segredo: Quando a jogada estiver na direita, vá para a esquerda. Tente se esconder atrás do adversário e sempre dificulte o passe do companheiro que estiver em dificuldade, porque isso você vai fazer muito bem.
- Eu sei professor.
- Quando você já tiver errado tudo e estiver se arrastando em campo, eu te substituo. Você sai aplaudido, porque a torcida reconhece o seu valor.
- Disso eu já não sei, professor.
- Mas vai ficar sabendo.
- Eu sei professor.
- Caio, meu filho, quando eu te colocar em campo, você faz um gol, tenta fazer outro e dá um passe pro Loco, que o cara merece.
- Só isso, professor?
- Só.
- Jefferson, Herrera e Abreu.
- Sim.
- Sin.
- Si.
- Já expliquei tudo pra eles.
- Valeu, professor.
- Obridado, Roel.
- Gracias, maestro.

Saudações alvinegras!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Como é o nome disso, mesmo?


Thiago Pinheiro revelou através do blog do Movimento Carlito Rocha, que seu ingresso não constava no borderô da partida contra o Tigres. (A matéria, na sua íntegra, está aqui).

No jogo contra o América a diferença entre o número de torcedores para o público pagante foi de cerca de 6 mil pessoas. O locutor e o comentarista chegaram a se espantar com a quantidade de gente que entrou sem pagar. (Ou a quantidade de dinheiro não computado – fica a seu critério, ilustres leitores).

No lamentável jogo contra o Vasco* cheguei em cima da hora e nem deu pra apreciar a estátua do Garrincha na chegada.

Das dezenas de roletas da entrada, a única que estava ‘aberta’ estava na realidade (ou supostamente) ‘quebrada’. Uma horda de torcedores entregava seus bilhetes nas mãos de um sujeito que não conferia absolutamente nada e assim a banda tocou.

Se os bilhetes retornavam às mãos dos cambistas, se entraram pessoas com ingressos emitidos por uma HP Deskjet qualquer ou feitos à mão mesmo, isso eu não sei. Mas desconfio, como desconfiou uma senhora que entrava na mesma leva, que ali tinha uma coisa errada acontecendo.

Um ponderado cidadão de bem sabe que não se deve acusar ninguém sem que se tenha provas do crime ou delito.

Me considero um cidadão de bem, apesar de saber que a ponderação não é o meu forte. Mesmo assim, mesmo sem ter provas materiais de que tenha acontecido alguma irregularidade, afirmo que andaram roubando o dinheiro dos clubes e o nome disso é ‘evasão de renda’.

Não sei na conta de quem foi parar esse dinheiro, mas, com certeza, na do Biriba é que não foi.

Nota: Segundo o blog do MCR, o botafoguense Fernando Lôpo protocolou denúncia sobre o caso do borderô (está aqui).

Saudações alvinegras!

* Meu primo, o Paulinho, vascaíno que jogou muita bola e entende do riscado, me disse que o jogo não foi um acontecimento normal. Ele disse que “o Vasco podia até ganhar”, “porque é melhorzinho, mas acha que os jogadores do Botafogo fizeram corpo mole – “Só o argentino corria!”. Finalmente ouvi alguém dizer o que considero ser uma das coisas que aconteceram naquele dia horrível, coisa que não ouço dizerem por aí.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

É difícil ser humano?

Estava lendo os comentários de uma postagem do Cantinho Botafoguense e um amigo leitor, o Gustavo, nos passou um link para o blog de Rica Perrone, no qual o jornalista assina um texto muito afetuoso ao Botafogo e muito inteligente em relação ao futebol.

Vejam só como vale a pena de vez em quando se esticar na casinha e dar um cochilo...

Segue em itálico, mas tentando reproduzir a diagramação do autor, que publicou sua versão de uma foto da bandeira alvinegra e sua inseparável Estrela Solitária.


É por ti, Fogo!
By RicaPerrone


Noventa minutos podem parecer muita coisa, principalmente se neles o seu time é humilhado. Em noventa minutos o seu ego vai ao chão ou ao céu, afinal de contas, é o “seu” time, é a “sua” camisa, a “sua vitória e a “sua” derrota. Isso faz do futebol especial.

Mas, perto de 100 anos, noventa minutos se tornam absolutamente nada. Infelizmente hoje em dia a história vale os 90 minutos para muitos torcedores e parte da mídia. Mas não é assim, nunca será. O que aconteceu no Engenhão domingo não reflete o “fim dos tempos”, nem sequer justifica a atitude desesperada e imbecil daquele torcedor.

O Botafogo é um dos mais importantes clubes da história deste país. E isso nenhuma goleada vai mudar.

Claro, dói. Eu sei que dói. O meu já tomou de 7 do mesmo Vasco, e pior, da Portuguesa.

Eu só não aceito o oportunismo de usar uma semana ruim para tentar desmerecer ou destruir uma história. Pois amanhã, se o Botafogo for campeão brasileiro, os mesmos que hoje insinuam o “time pequeno” estarão exaltando a história e a grandeza do Fogão.

Incoerencia faz parte do futebol. O erro grotesco do torcedor ao queimar o manto sagrado de um clube não se justifica de forma alguma. Porém, é capaz de se perdoar.

Ele é um senhor. Viu tudo que o Botafogo teve de melhor, e de repente não consegue mostrar aos seus filhos o tal “super Botafogo” que tanto exaltou. É complicado, absurdo, mas compreensivel.

Ao menos, pediu desculpas. Notou seu erro.

O problema é que ele queimou a camisa e todos viram. O que me preocupa são os que queimam o clube dentro de si, o que é bem pior.

Esquece a derrota pro Vasco, foi só mais um jogo em cem anos de história.

Dizem que o Botafogo está diminuindo, se tornando pequeno.

E eu digo, sem medo algum de estar errado: Jamais!

Bato nessa tecla até o último dia da minha vida. Nos 12 grandes, ninguém mexe. E o Botafogo é um deles.

Com mais torcida que Liverpool e Arsenal, o time tem valor comercial. Basta uma administração competente e ambiciosa a médio prazo que tudo se resolve.

É impossível o São Caetano se tornar gigante, porque sem torcedores você não é nada. Tão impossível quanto imaginar que o clube que fez frente ao Santos de Pelé um dia terá sua historia diminuida ou apagada.

“Mas só tem um Brasileiro”, dizem.

E desde quando o mundo começou em 1971?

Time grande tem essa vantagem. Com camisa, se vai longe em pouco tempo.
Basta uma administração competente, um time montado e 2 anos de projeto. O Botafogo pode ir ao Mundial de Clubes que ninguém vai achar absurdo. E isso se chama grandeza.

Para um pequeno conseguir isso, precisa de alguem pagando tudo por trás, sorte, um baita time e a certeza de que amanhã, quando acabar o investimento, volta a ser pequeno. Ao contrário do Botafogo, que pode passar mais 30 anos perdendo tudo, não deixará de ser grande.

Como um dia me disse, brilhantemente, Pedro Bial: “O que são 100 anos pro Fluminense?”.

O mesmo se aplica ao Botafogo.

Sua torcida, estimada em mais de 3 milhões, está cansada. E qualquer um cansa ao ver um gigante se portar como um qualquer durante anos. Mas, são fases. O que são os últimos 20 anos para o Botafogo?

Quando você abre a boca pra falar sobre a história do futebol brasileiro em sua formação, o maior do mundo, você passa obrigatoriamente pelo Botafogo. Mas, note, curiosamente, não passa pelo clube que hoje mais vence no país, o SPFC.

Isso não diminui o Tricolor, nem o Botafogo.

São fases, e estamos apenas encerrando o primeiro centenário deste ciclo.

Hoje lá em cima, amanhã lá em baixo, e assim segue o futebol.

Vai chover gente dizendo: “Não ganha nada!”, “Não tem CT”, “Não é grande”, etc, etc, etc.

O SPFC, até 1989, não tinha nada também. Estava na “série B” do estadual. E hoje é o que é.

O Flamengo, até 2009, vivia esperando o Brasileirão que nunca vinha. Devia, brigava pra não cair. Hoje é o campeão, mais falado do país e novamente o de maior exposição nacional.

O Palmeiras ficou 20 anos na fila. Depois ganhou tudo, foi a Toquio.

O Corinthians ficou 20 anos na fila. E ganhou tudo.

Vinte ou trinta anos não representam uma história completa, mas sim uma fase dela.
O Botafogo está, há anos, em baixa. Isso é fato.

O que, no meu entender, e acho que no dos 3 milhões de torcedores do clube também, não diminui em nada o tamanho e a importancia deste gigante do futebol brasileiro.

Dias melhores virão. Hoje ou daqui 20 anos, virão.

Estejam certos disso, e jamais ousem rabiscar algumas das mais belas páginas da história do nosso futebol em virtude de tropeços e fases ruins.

abs,
RicaPerrone

A publicação original está aqui > http://www.ricaperrone.com.br/2010/01/e-por-ti-fogo/

* * *

O Gustavo me disse que o autor é são-paulino. Imaginem se todos os torcedores, ou melhor, se todas as pessoas fossem como o Perrone. Que mundo bom de se viver, hein?

Nota: Retirem o ponto de interrogação do título - da minha postagem - e brinquem com uma vírgula. Pode ser divertido por um tempinho.

Saudações alvinegras!