sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Saco de gatos

(Imagem manipulada a partir de arte gráfica de Bigoo.ws)

Não pude assistir com atenção à partida contra o Macaé e acabei me empolgando com o resultado, o que me levou a acreditar que teríamos um 2010 bem diferente do ano que passou. Infelizmente, acho que me enganei.

O jogo de ontem, além de ter sido uma péssima experiência futebolística, me levou a acreditar – concordando com o amigo Rui Moura, que alertara para esta possibilidade já no jogo contra o Macaé – que estamos próximos de passar por situações semelhantes às que nos maltrataram até o finalzinho de 2009. A decepção poderia ter sido total se não tivéssemos levado os três pontinhos para General Severiano.

A equipe do Botafogo alternava entre a desorganização tática e um sistema tático bisonho, com desempenhos individuais entre péssimos e medianos, excetuando-se Jefferson, Herrera, Renato e Caio.

Quando retomávamos a posse de bola no espaço defensivo, não existia um esquema organizado para a transição, a saída de bola era sofrível e não haviam jogadas de contra-ataque ensaiadas. Os erros de passe, as funções indefinidas dos jogadores e sua confusa distribuição em campo impossibilitavam a criação de jogadas, tanto pelo meio quanto pelos flancos. Não tínhamos jogadas de ataque bem articuladas, o que fez com que nossa ‘arma’ ofensiva fosse o famigerado ‘chuveirinho’.

Além de não existirem movimentações dentro da área conectadas aos cruzamentos, não tínhamos escalados jogadores de estatura condizente com este tipo de dispositivo e tudo se agravava pelo fato de que as bolas eram muito mal lançadas à área. (Se continuar assim, ‘El Loco’ será obrigado a se ajoelhar pra conseguir um cabeceio ou pra rezar, pura e simplesmente, para que Deus lhe conceda melhor companhia).

Mesmo enfrentando uma equipe de nível técnico supostamente ruim, deixar a zaga exposta em praticamente todas as vezes que o adversário retoma a posse de bola não é uma proposta de jogo das mais espertas, e isto foi produzido sistematicamente. Com este sistema, a avaliação do desempenho individual dos zagueiros fica prejudicada, uma vez que se encontravam seguidamente desprotegidos, enfrentando os adversários no mano a mano e por muitas vezes em desvantagem numérica (!).

Com uma proposta de jogo em que os laterais apoiam o ataque conjuntamente, os dois volantes deveriam cobrir o espaço deixado nos flancos defensivos, mas isto não se configurou no plano tático e nem seria possível de ser implementado com uma dupla formada por Leandro Guerreiro e Fahel, pois são extremamente lentos. Como os outros dois jogadores de meio – Lucio Flavio e Eduardo – são igualmente lentos, a recomposição defensiva foi – e sempre será com esta escalação – uma tarefa impossível.

A presença de Caio é notada na mesma medida que a ausência de Jorge Luiz passa despercebida.

Com a entrada de Renato, o passe melhorou e a estrela dos estreantes voltou a brilhar. Depois do belo gol do meia – pela matada de bola que tirou de ação seu marcador e pela conclusão fulminante, da forma como se espera que um camisa dez se comporte – o time finalmente encontrou alguma organização no meio de campo e passou a errar menos passes. Isto pode ser um indicador de que muito do desempenho geral da equipe tenha sido prejudicado por nervosismo, o que deveria levar a uma reavaliação do trabalho de preparação psicológica.

A impressão que tive a partir do jogo de ontem foi a de que temos uma equipe muito mal escalada, um sistema defensivo pessimamente configurado e absolutamente nenhuma articulação ofensiva que meta medo em adversários de maior envergadura.

Com o plantel que temos até o momento – mediano e salpicado de jogadores de maior peso – poderíamos montar uma equipe muito mais competitiva, mas isto dependeria da barração de jogadores que visivelmente têm sua titularidade garantida por motivos ainda misteriosos. Mas mesmo que sejam escalados melhores jogadores para funções mais adequadas às suas características, o sistema defensivo, o meio de campo e o ataque estão muito mal organizados e a articulação entre os setores e dentro dos próprios é inoperante. Ou seja, a mediocridade tática é generalizada.

Estevam Soares começou muito mal a temporada e parece que a diretoria, em conjunto com sua parceria com o empresariado esportivo, não vai facilitar a vida do treinador.

Se uma mudança radical não for feita urgentemente, o jogo contra o Vasco poderá ser uma experiência pra lá de desagradável.

Saudações alvinegras!

6 comentários:

Fernando Gonzaga disse...

também estou receoso quanto a nossa escalação para o clássico...o estevam continua insistindo em velhos erros e o time já deu sinais de que é carente de repertório, pois na primeira partida, quando o Lúcio Flávio jogou de verdade, a equipe fluiu, mas depois que ele voltou a ser o velho amarelão de sempre, oi time inteiro foi mal e mal tínhamos oportunidades de marcar...preocupante, muito preocupante esta teimosia do estevam...

abraço!!!

Lewis Kharms disse...

Fernando, a coisa parece que não anda bem pro nosso lado. Tem dedo de empresário, de dirigente ‘nepotista’ e frouxo, e um técnico que só quer saber de ganhar o dele dentro desses esquemas. Uma lástima!

A gente nota o esforço do LG, mas não há como ele cobrir as laterais, um setor onde povoam os jogadores mais velozes dos times. Não comento o Fahel, que é uma invenção de um mau cientista. O Eduardo deslocado, o Lucio Flavio sem brilho, o Jorge Luiz andando em campo como se fosse o craque do time, o Alessandro com suas limitações incontornáveis, o Marcelo Cordeiro e suas decisões equivocadas...

Jefferson, Herrera, Renato e Loco? Será que é só isso ou o tal de Somália joga bola mesmo? O não-sei-o-que Teixeira é bom zagueiro? O Diguinho joga tanto quanto se entusiasma? O Colombiano é bom volante? Os dirigentes+empresários vão deixar os melhores jogar?

É triste ver a situação em que metem o Botafogo.

Saudações alvinegras!

Gil disse...

Grande Luiz,
Grande Biriba,

Será que os parceiros empresários garantirão o emprego do Estevam quando for demitido?
Acho que ele deve pensar muito bem nisso, pois se os caras garantirem emprego ele pode continuar a ser um pau mandado!

Abs e Sds, BOTAFOGUENSES!!!

Lewis Kharms disse...

Gil, acho que o Estevam está no esquema do Botafogo, que é semelhante ao dos outros clubes. A diferença é que a Traffic garante ao Palmeiras jogadores de um determinado nível e ao Botafogo vem sempre os de um nível inferior.

Se ela achar que o Estevam não serve mais, ele dança e acho que ainda não faz parte do grupo de treinadores que estão com vaga garantida dentro do esquema empresarial mais parrudo. Mas isso é o que eu acho.

Vamos nos ver no jogo de amanhã.

Saudações alvinegras!

Gustavo disse...

Perfeito comentário Biriba.

Porém ao que parece teremos alterações para o clássico. Renato e Loco Abreu estão confirmados. Neste aspecto, acho uma boa melhora. Quanto ao Somália, o Estevam já está sinalizando nas entrevistas que vai, masi cedo ou mais tarde escalar o jogador. Neste contexto, acho que o time vai melhorar. Pelas informações, esse Somália é um bom jogador, veloz e que se impõe pelo físico. Concerteza pior que o Fahel não deve ser.

Agora eu acho que em termos de time, falta um lateral direito. Alguém que faça uma função mais ou menos semelhante ao que o Diego fazia no lado esquerdo em 2009.
O Alessandro possui comprovadamente sérias limitações tanto no quesito ofensivo, quanto no defensivo. A outra opção que seria o W. Junior, possui como característica a ofensividade, sendo que escalando ele, acho que o time ficaria muito vunerável. Precisamos de um lateral que faça mais ou menos a função que o Alessandro (Corinthias) fazia, liberando o Andre Santos para o ataque e fazzendo uma espécie de terceiro zagueiro.

Quanto a zaga. Tanto o Wellinghton, quanto o A. Carlos, parecem ser jovens e que não tem aquela característica de 'xerifão". Precisamos de algum zagueiro que entre na zaga e imponha respeito nos adversários.

Enfim se quisermos lutar por alguma coisa nesse primeiro semestre, fazem-se necessárias e urgentes a contratação de um lateral direito e um zagueiro que imponhã respeito no mínimo.

SAN

Lewis Kharms disse...

Gustavo, concordo que precisamos de um zagueiro de peso como você sugere, mas acho que o ponto crucial de nossa fragilidade defensiva é a falta de cobertura à subida dos laterais, ou mesmo uma espécie de ‘subida geral’. Isso não será solucionado com um craque da defesa, porque as regras do futebol fazem com que o defensor, no mano a mano, sempre esteja em desvantagem e isso é uma das coisas que dá graça a esse jogo.

Dependendo da disposição do time adversário, de um a três jogadores têm necessariamente que cobri-los. Mas este problema vem desde o tempo do Cuca: estamos sempre desguarnecidos nos contra-ataques. A compreensão disso é elementar no futebol e é irritante ver treinadores, um após o outro, repetirem o mesmo erro. Chegou a ser ridículo o gol do Diego Tardelli, que sofremos na final de 2008.

Quanto a um lateral ser melhor no ataque do que na defesa, o importante é que ele tenha a cobertura necessária aos seus avanços, o que não podemos garantir com LG e Fahel, apesar de sempre terem dado maior cobertura às subidas do Diego, do que às do Alessandro, no ano passado.

Percebi no Renato algumas qualidades que faltam a Lucio Flavio, que é a explosão e a virilidade. Acredito que seria um acerto se ele entrasse no lugar de Fahel e Eduardo recuasse, ou desse lugar ao Somália, que se for veloz, parte do problema da cobertura das laterais pode ter solução, dependendo de como o técnico monte e treine a equipe.

Para o Abreu ser melhor aproveitado precisaríamos de jogadores que soubessem e treinassem cruzamentos na área, mas em conjunção com as movimentações dos atacantes, coisa de treinamento.

O Alessandro do Corínthians não era só um defensor, apoiava também. O ‘segredo’ é articular as subidas dos laterais com suas coberturas, pra manter a harmonia da equipe, uma coisa que nos falta por completo.

Wellington é muito fraco. Apesar de o AC ser um ‘espanador’, ele é vigoroso. Acho que formaria boa dupla com um zagueiro mais técnico e corpulento, esse ‘xerifão’ que você mencionou.

Infelizmente acho que o Fahel não sai e este é o pior do plantel, seguido do Alessandro.

Tomara que ES coloque o time pra jogar como jogou contra o Palmeiras, em sua estreia, no primeiro turno do Brasileiro: ‘fechadinho’.

Saudações alvinegras!