sábado, 18 de setembro de 2010

A vontade e o corpo


O Botafogo que eu disse anteriormente “que deveria ser o de sempre” foi, contra o São Paulo, o que pedi. Continuamos jogando com garra e inteligência, mas os desfalques que se somaram aos de Jobson e Somália foram sentidos. Contra o Goiás tivemos a volta de Lúcio Flávio, o que é fatal: não há antídoto para remediar essa enfermidade.

Com relação às contusões, acho que não saberei jamais se foram por excesso de vontade dos jogadores ou por má preparação física associada a um departamento médico conhecidamente insatisfatório. Na verdade, uma das contusões certamente foi por excesso por parte do jogador, porque a juventude do Marcelo Mattos pesou na hora que decidiu enfiar o pé do jeito que fez, na dividida que praticamente o tirou do campeonato. Faltou experiência, sobrou garra.

Mas o que dizer de Jobson, Somália, Herrera e Marcelo Cordeiro? O médico que encabeça o setor responsável pela saúde de nossos jogadores diz ser normal que se lesionem com a agenda que cumprem. Da minha parte digo que não acredito nisso inteiramente.

Que jogadores e atletas estão sujeitos a desgaste físico e lesões ninguém duvida, mas quatro jogadores com problemas musculares adquiridos sem o contato direto com adversários não me parece ‘normal’.

Mesmo acreditando que temos problemas na preparação e na manutenção da saúde do elenco, por respeito ao pensamento humano fica a questão: Será que a vontade não está cabendo nos corpos?

Seja como for, temos um confronto direto pela colocação na tabela e um desafio contra uma equipe que vem em ascensão avassaladora. Chegou a hora de parar o Cruzeiro e tomar novo impulso.

Vontade parece não faltar ao elenco. Os corpos é que estão ficando pelo caminho. Se sobrarem onze até a última rodada, não corremos risco de perder por WO.

Nota: Que os bandeirinhas não nos usurpem como fizeram em BH, nos parando por duas vezes quando íamos direto para o gol.

Saudações botafoguenses!

domingo, 12 de setembro de 2010

O Botafogo que deveria ser o de sempre


Faz muito tempo que não apareço por aqui e a razão não era o mau futebol da equipe, salvo por lances fortuitos e intervenções individuais de Jóbson e Maicosuel, que, graças ao bom Deus, estão do nosso lado. Pior para os times que não têm esses dois. Lamentar por quê, se aqui só rezamos para o Botafogo?

Foi muito tempo e inúmeras rodadas desde o último texto, mas os comentários não haveriam de mudar muito nesse ínterim, pois o time vinha jogando da mesma forma, chutando a bola para frente quando na defesa e para dentro da área quando no campo adversário. A diferença do time de antes da chegada dos dois excepcionais é que com Jóbson e Maicosuel você pode chutar a bola para a frente e esperar que um deles resolva sozinho – muito mais o Jóbson do que o Maic, que tem que tentar ser um one man show vindo de trás.

Mas contra o Santos a coisa foi diferente: Tínhamos saída de bola. É isso mesmo, botafoguenses! Mal ou bem, errando ou acertando, o famigerado chutão para frente não era a norma, mas a exceção. O meio campo tocava a bola, fazia triangulações, o jogo fluía, os jogadores se movimentavam e se aproximavam uns dos outros e finalmente vimos um camisa dez se juntar aos onze e cuidar para que a bola ficasse em nosso domínio, se apresentando para o jogo, aparecendo quando um companheiro dele precisava. Há muito tempo não tínhamos alguém desempenhando esta função dignamente, posição crucial no futebol.

Além disso, o preparo físico parecia estar em bom estado.

Acima de tudo, o que mais me impressionou foi a garra com que o time jogou. Não sei o que aconteceu, mas o fato é que jogaram com sede de vitória, com a mesma disposição psicológica que jogaram durante o Carioca.

Será que só agora a volta de Abreu se fez notar? Não pelo gol, fantástico por sinal, mas pelo espírito de luta com que jogamos, e de forma quase obsessiva. Será que a discussão no banco de reservas, depois de sua substituição contra o Prudente, mexeu com o grupo, com o treinador, com a diretoria, com os investidores e patrocinadores? O que conversaram ou vêm conversando desde então? Seja qual for o assunto, o certo é que aparentemente o papo deu bom resultado. Pelo menos para metade do jogo contra o Grêmio e a última partida inteira.

O que faz uma equipe mudar radicalmente sua postura tática, seu preparo físico e, mesmo com a presença de Fahel, apresentar um bom futebol, tão diferente do que vinha acontecendo até então, e sem a presença do espetacular Jóbson? Acho que jamais terei certeza da resposta.

No início da competição alertei que a disposição psicológica que nos levou ao título estadual seria difícil de ser mantida durante trinta e oito rodadas. Não era uma constatação genial, e não pretendia ser, mas foi exatamente o que aconteceu. Nos arrastávamos no campeonato, arrancando vitórias com o brilho individual da dupla JM, e levando no peito e na sorte. Mas, depois da forma com que jogamos a partida de quinta-feira passada, minha atenção mudou de direção. Se até então andava preocupado com o perigo que rondava a nossa retaguarda, agora ando imaginando o Botafogo como motivo de preocupação para quem está à nossa frente.

Saudações botafoguenses!

sábado, 28 de agosto de 2010

O time que não muda ou mudar pra quê?

Se o Botafogo repetir o que fez nas cinco últimas partidas, jogaremos mal e venceremos. A grande diferença entre esses jogos e o de hoje é nível técnico do adversário, pois o Internacional tem um ótimo time e jogou bem durante a competição que privilegiou e sagrou-se campeão, enquanto os cinco últimos que enfrentamos não apresentaram um futebol que metesse medo.


Seguindo o raciocínio de que existe um padrão na forma como o Botafogo atua, diria que o Botafogo jogará assim: 1) nas saídas de bola veremos o trio de zagueiros trocando passes no campo de defesa sem que nenhum apoiador se apresente e com os laterais fincados no encontro da linha central com a lateral, até perderem a paciência, despachando a bola com um chutão para frente na esperança que os jogadores de ataque tenham sorte e habilidade suficientes para suplantar a adversidade; 2) quando a jogada se encontrar nas laterais do campo, os alas ou quem estiver por ali não terão o apoio de um terceiro jogador para que uma triangulação seja possível, restando a opção de tentar a sorte com um chute em direção ao centro da área adversária, para que Herrera ou Jóbson vejam no que dá; 3) em jogada de bola parada, lance fortuito ou uma 'trama' de dois toques, a superioridade individual de Jóbson ou Maicosuel nos garantirá um gol; 4) a defesa, amparada por um goleiro extraordinário, se livrará do pior contando principalmente com a sorte.


E que assim seja...


Saudações botafoguenses!

sábado, 14 de agosto de 2010

Beabá aritmético


Torcer por vitória botafoguense é nosso prazer e uma obrigação, mas aquelas continhas calculando os resultados que nos favorecem a subida na tabela são muito complicadas e só servem no tiro curto. Nesta fase do campeonato o melhor mesmo é sempre torcer pelo empate alheio e de preferência sem gols. Até porque torcer pela derrota dos outros consome mais energia e aumenta nossa dívida com o sobrenatural.

Seguindo esta receita e vencendo o Atlético GO, o Botafogo entra no G4. Simples assim.

Saudações botafoguenses!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Quando a medida é o ouro, o dono da mina manda no alfaiate


Poderia relacionar várias razões que me fizeram deixar o blog congelado por tanto tempo. Começaria pela mais objetiva de todas: a falta de tempo que me forçou a me dedicar a questões urgentes, e isso não é mentira. Seguiria pelo desdobramento desta falta de tempo, explicando que não pude me concentrar na produção de dois textos que fechassem o ciclo de postagens sobre a Copa do Mundo, o que também não deixa de ser verdade. Um deles seria um resumo dos acontecimentos da competição – um fechamento – e outro, uma análise do que penso sobre a atuação da CBF nesta Copa e o que a instituição milionária encabeçada por Ricardo Teixeira está se preparando para fazer até a próxima – uma espécie de compêndio de iniquidades.

Quanto a estender minhas férias até o final do descanso de Abreu, isso foi só uma brincadeira, apesar de considerar inaceitável a duração da folga de El Loco. (Acredito que a volta do ídolo uruguaio estava condicionada à extirpação de uma série de males, mas isso será assunto para outro dia).

Se afirmasse que aquelas foram as razões da pausa nas publicações não estaria mentindo, mas o que mais pesou para a minha ‘abstinência blogueira’ foi o fato de antever que voltaria a conviver com a triste realidade atual do Botafogo. Pois quando pensei em um texto ‘de retorno’, o Botafogo vinha de uma sequência de seis jogos sem vitória e jogando com entusiasmo e dedicação semelhantes aos que nos acompanharam até o livramento no jogo contra o Palmeiras, no ano passado – tirem desse bolo de molóides os jogadores Leandro Guerreiro, Jobson e Jefferson.

Além da falta de empenho, era nítida a inexistência de um sistema tático, cujo vácuo era preenchido pelos chutões para frente – o que muitas vezes é chamado de ‘lançamento longo’, por alguns locutores e comentaristas, mas que na verdade é uma forma de um sujeito se livrar da bola, por não haver treinado alternativas ou por preguiça mesmo. E era evidente o racha que surgiu entre os jogadores na ausência de Abreu, o que acredito ser o pior dentre todos os males que possam minar o êxito de uma equipe.

Nas três últimas rodadas uma grande diferença que se observa no time – em comparação ao Botafogo da 4ª à 10ª rodada – é quanto ao empenho dos jogadores, que parece ter voltado ao padrão que nos levou à conquista do Carioca. Será que isso tem alguma relação com a volta de El Loco?

Com certeza o meio campo escalado para esta última partida colocou a bola no chão e manteve sua posse de forma razoável, mas contra um adversário que não faria frente a equipe alguma dentre as que pretendam algo além das colocações medianas.

Quanto a esquemas táticos, jogadas ensaiadas e estratégia de jogo – tramas de ataque bem treinadas, saída de bola articulada e etc –, devemos abrir mão de exigir isso do nosso treinador? A estratégia de Joel Santana seria o chutão para frente, não treinar a saída de bola e deixar que as virtudes de Jobson e Maicosuel prevaleçam até o final da competição, ou podemos esperar mais de nosso técnico?

Um outro fato se junta ao retorno do empenho da equipe como um todo, para me ajudar a cultivar minha esperança de que a triste realidade do Brasileiro do ano passado não se repita: as barrações de Lúcio Flávio e Fahel. Elas podem ser um indício de que algo esteja mudando, mesmo que por um curto prazo de tempo.

Creio que aqueles que investiram na volta de Maicosuel e os que sagazmente identificam o potencial que a idolatria à El Loco representa em termos comerciais não estejam interessados em ganhar e dividir trocados. Além disso, uma empresa como a Ambev não tem em seu cronograma a distribuição de benesses a apaniguados. Acredito que para garantir seu devido retorno o capital investidor também esteja ‘investindo’ na reprogramação mental da cúpula dirigente, seja a ferro ou a fogo.

Arrisco dizer que a fonte é outra e por isso ‘o dinheiro mudou de ideia’. Tomara...

Saudações botafoguenses!

domingo, 1 de agosto de 2010

A volta do herói


Decidi dar uma pausa nas férias para saldar a volta do Sr. Maicosuel ao Botafogo. Ele, que foi o herói do Carioca do ano passado, na tarde de hoje se junta ao Jobson, herói do salvamento da tragédia – juntamente com o Jefferson, é claro.

Só falta o fantástico El Loco, herói vitorioso, o ‘carrasco do carrasco’, para que o time tenha pelo menos três jogadores decisivos para se juntar ao Jefferson, e carregar os medianos e os fraquíssimos nas costas.

Por falar em férias, explico que elas foram estendidas até o final das do Abreu. Mesmo sendo um herói, mesmo que eu seja seu fã, se ele pode, por que que o Biriba também não?

E para provar que estou de férias mesmo, nem escreverei um comentário preliminar sobre a partida de hoje, me dando ao luxo de transcrever uma postagem antiga, referente ao jogo contra o Atlético Paranaense. O time não mudou nada desde então, tanto é que a única correção a ser feita é a de que o árbitro de hoje não será o inadmissível Paulo Cesar de Oliveira. Por sinal, o Sr. Wilton Pereira Sampaio é brasiliense, o que significa que é alta a probabilidade deste ilustre cidadão ser botafoguense.

Ainda a esperança...
(publicado em 2/6/2010)


Espero que o jogo represente a volta do comportamento aguerrido e o sentido coletivo que nos garantiram, em grande medida, a conquista do título estadual. Também espero que mudemos a estratégia de jogo, dispensando os chutões pra frente, o que é possível de se imaginar, uma vez que já jogamos de forma diferente, articulando a saída de bola de forma coordenada e inteligente.

Outra esperança que tenho é a de ver o Herrera voltar a ser um sujeito que não só joga ‘para o time’ através da sua indiscutível raça, mas que também alie a ela um pouco de despojamento, servindo aos companheiros da mesma forma que fazia antes da ausência de El Loco. [Anexado 1/7/2010: desde a partida em que brigou com o Caio, o Herrera não passa a bola para ninguém e não está jogando nada.]

O que não posso esperar é que a torcida local vibre com as jogadas do Caio ou o aplauda. Mas isso é o de menos, já que a torcida botafoguense se encarrega de dividir-se entre as duas manifestações. [Anexado 1/7/2010: ... e as vaias também.]

Nota: Só não merecíamos o Paulo Cesar de Oliveira... [Mas isso, ninguém no mundo merece, além da Ana Paula, a 'Bandeiruda'.]

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O time do apito não se resume ao apito

(Foto: Dani Pozo/AFP)

Mesmo contando com as arbitragens sempre ao seu lado, a seleção da Espanha me pareceu estar entre os melhores times da competição. Mesmo fazendo um gol depois da não marcação de um escanteio – a bola claramente desviou, e muito, na barreira –, ontem, venceu o time que praticou o futebol, se não o mais empolgante, o mais bonito e leal. Mesmo passando por um triz em todos os jogos que fez, excetuando-se a partida contra Honduras, a seleção espanhola é um time que vale a pena ver jogar. Mesmo ‘mascarados’ e jogando com o nariz empinado, os espanhois foram superiores à maioria dos adversários, com a exceção do Paraguai.

Como ambas as seleções que decidiram o título eram ‘queridinhas’ das arbitragens minha torcida estava do lado holandês, por sua tradição futebolística que me presenteou com grandes espetáculos. Mas a primeira entrada do troglodita Mark van Bommel me fez titubear. Com o golpe de kickboxing de Nigel de Jong não tive dúvidas do que estava em jogo. Era o futebol de quem queria jogar bola contra o futebol violento e o anti-jogo. Não foi difícil decidir pela mudança de lado.

Volto a repetir que a Holanda sempre foi uma seleção que joga de forma violenta. A grande diferença entre a atual seleção e suas antecessoras está no fato de que estas batiam mas jogavam um futebol de alto nível, enquanto a seleção de 2010 só bate. Ficou dependente de dois excelentes jogadores – Robben e Sneijder –, que tremeram na hora da decisão.

Apesar de ter dito anteriormente que a campanha espanhola é uma das piores da história e que a seleção da Espanha é obviamente a menina dos olhos da Fifa em 2010, beneficiada por um erro crasso de arbitragem que culminou no gol decisivo, seria injusto não admitir que os espanhois suplantaram um adversário que optou por um futebol violento e rígido, jogando com inteligência, habilidade e dinamismo. A vitória espanhola simboliza o triunfo da convicção de que o futebol bem jogado e bom de ser visto pode prevalecer sobre o esporte praticado pelos que vivem a cravar as travas das chuteiras nas canelas dos adversários e dos que acreditam que comprometimento por si é boa estratégia e garantia de sucesso.

Acreditar que o bom futebol pode vencer o famigerado ‘futebol de resultados’ e investir nisso é suficiente para que eu considere justa a vitória espanhola. O que jamais saberei é se a Espanha seria capaz de vencer uma Copa do Mundo sem a ajuda da arbitragem.

***

Os queridinhos da Fifa

(Bommel Violentus)

Podem me chamar de paranoico e obcecado por teorias de conspiração, mas nada me faz acreditar que a banda não toque conforme manda o general Blatter. E, se desafinou em algum momento, como na não marcação de um pênalti claro no jogo de estreia da seleção anfitriã, a partida final seguiu perfeitamente a programação e o finale em uníssono e fortíssimo, não poderia ser melhor, com uma aspirante possuidora de um mercado futebolístico milionário se integrando ao quadro dos países campeões mundiais. Não digo que tenha sido coisa combinada, mas afirmo que foi peça bem ensaiada.

Vejam como as coisas funcionaram para que o ‘movimento final’ estivesse encaixado perfeitamente no ‘libreto’ da obra escolhida para a temporada.

Mark van Bommel, o troglodita holandês, distribuiu pancadas durante toda a Copa e só recebeu dois cartões amarelos durante toda a competição, sendo que estes dois não decorreram de sua violência, mas por ter cometido outro tipo de indisciplina: entrou em campo sem a autorização do árbitro. (Escrevi sobre isso aqui).

Ele e seus camaradas de bandeira seguiram em frente atropelando quem se colocasse em seu caminho, contando com o beneplácito das arbitragens. Praticaram o que o jornalista Paulo Vinicius Coelho cunhou de ‘anti-futebol total’. Mas fizeram isso até um determinado momento.

Foi quando enfrentaram a Espanha, a ‘mais’ queridinha da Fifa (citada no mesmo texto do link acima), que a seleção holandesa, a outra queridinha – mas nem tanto –, teve sua marcha destruidora interrompida, voltando ao mundo real ao ter seu futebol violento barrado pela aplicação de vários cartões amarelos e uma expulsão. Na verdade, foram muitos mas não suficientemente razoáveis, pois a pernada de Jong merecia um cartão vermelho.

Beberam do mesmo veneno que lhes tirou adversários do caminho ao ver a chance de tentar a sorte nos pênaltis lhes ser tirada por um ‘erro’ grosseiro de arbitragem. Está aí o que você não queria, Bommel!

Não adianta ser um queridinho se não se é ‘o’ queridinho. É assim que toca a banda do general Blatter.

Saudações botafoguenses!

PS: E não é que o polvo Paul se livrou da companhia do arroz, do brócolis, das azeitonas e do azeite?


domingo, 11 de julho de 2010

A trave, aquela maldita

(Foto: Rodrigo Aranguaia/AFP)

A trave que salvou a Celeste contra Gana foi o que por último tocou na bola, na campanha em que o Uruguai reconstruiu o caminho para voltar a ficar entre os ‘grandes’.

Não fosse a atuação acanhada de Muslera, a história poderia ser outra, com o time subindo ao pódio merecidamente.

Pena que Tabárez não tenha nos proporcionado a chance de ver um pouco mais de El Loco Abreu em ação...

Mesmo sem a vitória e sem o pódio, felicito o time uruguaio pela campanha nesta Copa. Meus parabéns à turma de Sebastián El Loco Abreu!!!

***

Não concordo com os jornalistas que viram grande superioridade técnica por parte da Alemanha e de outras seleções, quando comparadas ao time uruguaio. A falta de critério em suas argumentações deixa clara a falta de argumentos. Ora dizem que a Holanda merece estar aonde chegou por ter feito a melhor campanha – uma vez que ganhou todas as partidas disputadas –, ora dizem que a Alemanha apresentou o melhor futebol e que a Espanha é superior às outras por ter ‘maior volume de jogo’.

Ontem mesmo a primeira teoria era contradita, mas como de costume os comentaristas não revelavam em momento algum que a campanha uruguaia era superior à alemã até aquele momento, já que o Uruguai tinha um ponto a mais na tabela.

Se compararmos as seleções uruguaia e alemã, veremos que o maior poder de ataque alemão pode ser atribuído aos dois volantes com características mais ofensivas que os uruguaios e aos esquemas de contra-ataques melhor elaborados. Colocando no papel, os ataques se equiparam e as defesas idem. Quem fez a diferença foi o goleiro uruguaio, que praticamente decidiu a partida a favor do adversário.

***


A superioridade da seleção da Espanha também é discutível. Se o polvo Paul estiver correto, a campanha espanhola entrará para a história como uma das piores que já se viu de uma seleção campeã.

Perdeu para a Suíça, uma seleção cujo poder ofensivo se resumiu ao único gol que fez durante a Copa, obviamente contra os espanhois. E todas as vitórias foram apertadas. Com todo o respeito aos hondurenhos, Honduras não conta.

Os espanhois venceram o Chile por 2 x 1, abrindo o placar através de uma falha do goleiro chileno e, apesar da ajuda do árbitro, que expulsou injustamente um jogador chileno aos 13 do primeiro tempo, cederam um gol no final, jogando contra uma equipe desfalcada de um jogador. Venceram uma seleção portuguesa desorganizada e visivelmente dividida; passaram pelo Paraguai com a ajuda da arbitragem, que anulou um gol legítimo do adversário e ainda contaram com a sorte de não terem que tentar virar o placar, pois o Paraguai perdeu um pênalti; ganharam da Alemanha com um gol de bola parada. A única vez que estiveram em desvantagem no placar não conseguiram reverter a situação.

Por mais que apresente um futebol bem organizado e tenha bons jogadores, dentre eles o excelente Iniesta, é muito pouco para que eu considere a seleção espanhola um grande time.

A seleção holandesa – que fez a melhor campanha seguindo critérios matemáticos – também não exibiu um grande futebol. Abriu o caminho para a vitória contra a Dinamarca através de um gol-contra de verdade (nada a ver com o que dizem ser o que fez Felipe Melo ao ser abalroado pelo caçador de borboletas tido como melhor goleiro do mundo). Penou para vencer o Japão, em jogo cujo resultado poderia ser o inverso. Venceu uma seleção camaronesa irreconhecível. Passou pela Eslováquia e pelo Brasil, que provaram em campo não serem grandes coisas. Passou um sufoco para vencer o Uruguai, mas este era jogo entre semifinalistas, briga de cachorro grande.

Apesar de ser a pior Holanda que já vi em mundiais, acredito que esta seja a seleção que teve os maiores desafios nesta Copa e que superou inclusive um placar adverso, na vitória de virada contra o Brasil.

O polvo Paul não errou até agora, mas acho chegou a hora de se juntar ao arroz com brócolis.

Saudações botafoguenses!

sábado, 10 de julho de 2010

O fantástico El Loco Abreu


Washington Sebastián Abreu Gallo, o nosso (muito nosso!) El Loco, quando perguntado sobre a importância de um terceiro lugar, não titubeou e disse algo assim: ‘É muito importante, porque o Uruguai ainda não tem este título’.

Abreu conseguiu de uma só tacada o seguinte: 1) Não reproduzir o discurso óbvio de que o objetivo era a conquista da taça de campeão, evitando a lamentação esperada e tão cultivada pela mídia; 2) Valorizar a campanha de sua equipe, ao não diminuir a importância de uma possível terceira colocação; 3) Não se dobrar ao discurso hegemônico que afirma que seu time chegou além do esperado, sendo isso verdadeiro ou não; 4) Não apequenar o futebol de seu país, pois sublinhou, mesmo que sutilmente, os dois campeonatos mundiais conquistados pelo Uruguai, além dos dois ouros olímpicos.

Não é à toa que há muito tempo tenho certeza de que El Loco Abreu é o homem certo para o cargo de capitão botafoguense.

Matéria sugerida: El Loco Abreu: ídolo incontestável, no blog Mundo Botafogo/Estrela Solitária.


O temível Uruguai

Para muitos a terceira colocação em uma Copa do Mundo não tem grande importância, principalmente para um país que já foi campeão por duas vezes. Mas os uruguaios não pensam assim. E estão certíssimos.

Para o futebol uruguaio esta Copa do Mundo está sendo uma espécie de ‘volta por cima’, um grande retorno. O último time uruguaio que vi jogar em alto nível foi o de 1986, derrotado nas oitavas-de-final pela Argentina por 1 x 0, em uma das melhores partidas que já assisti em minha vida. (Rodolfo Rodrigues, Hugo de Leon, Darío Pereyra, Francescoli e companhia. Rubén Paz ficava no banco, o técnico era um desses...). Entre 70 e 86 nada de memorável fez o Uruguai.

Antes disso sempre foi uma escola que produziu um futebol de grande técnica, inteligência e força e foram eliminados na Copa da Inglaterra, em 66, de uma forma que não me atrevo a descrever, pois já o foi feito em altíssimo nível por Nelson Rodrigues em crônica – mais de uma –, textos notáveis que podem ser encontrados no livro “Pátria em Chuteiras”.

Lembro-me do jogo contra o Uruguai em 70, criança ainda, o meu tio muito tenso porque iríamos enfrentar o Uruguai. Não era só o bicho-papão, fantasma de 50, apesar de também o ser. Era um selecionado temido por todos e vinha de uma Copa anterior na qual foi roubado descaradamente. Não viviam somente da fama do passado.

Mas desde os anos 70, com a exceção do ‘clarão’ de 86, o Uruguai não se destacava, ou não fazia boas campanhas.

Pois chegou a hora. Mesmo que não venham a conquistar o ‘título inédito’ serão lembrados pela fibra, inteligência e espírito de grupo que os levou a deixar uma série de bichos-papões para trás. Resgataram, ao menos para mim, a imagem do temível Uruguai, que andava desbotada.

Avante, Celeste!

Saudações botafoguenses!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Deu Paella



Paul, o adivinho de oito patas, acertou novamente. O Tirésias dos alemães predisse a desgraça que o destino reservava à seleção de seu país (dos alemães – Paul nasceu na Inglaterra).

Mas será que o fatalismo que permeia as estórias de Homero pode ou deveria ser aceito e ‘aplicado’ pelo pensamento contemporâneo, desprezando o legado da física quântica e do pensamento indeterminista? Será que este mesmo indeterminismo, agora pós-moderno, não é um instrumento para a diluição da importância do determinismo para as decisões que tomamos em relação ao nosso futuro? Deixa pra lá...

O fato é que a Alemanha não produziu o imprevisível e a Espanha nem escondeu e nem aplicou o previsível: venceu com um improvável gol de cabeça de um zagueiro de baixa estatura.

O que aconteceu ao futebol dos alemães na partida de ontem? O que fez com que a Espanha prevalecesse?

O oráculo teria meios para antever que a seleção da Alemanha não conseguiria lidar com um adversário que mantinha a posse de bola no campo ofensivo com apenas três ou quatro jogadores – alternando momentos em que acionava um ou dois outros mais –, sem nunca deixar o setor defensivo amplamente desguarnecido, ou foram os alemães que não criaram e treinaram alternativas para ‘encaixar’ suas transições?

Foram os olhos transcendentais do molusco profeta que fizeram Schweinsteigen e seus parceiros errarem dúzias de passes porque estar em um ‘dia ruim’ era inevitável, ou erraram porque o adversário se preparou para se antecipar sistematicamente aos movimentos dos oponentes, apresentando condicionamento técnico, tático e psicológico superiores?

Teria o polvo Paul o poder de viajar por dobras espaciais e ver Toni Kroos perder um gol feito, ou o jovem jogador não estava apto a lidar com a pressão de um momento decisivo, por não ter sido preparado adequadamente?

Não creio que o futuro possa ser escrito em uma pedra, pois acredito que a realidade vindoura é moldada a partir de nossas ações. Acredito que o que fazemos esteja constantemente modificando o futuro e o resultado de nossos atos é reeditado incessantemente em uma espécie de ‘impressão flutuante’. A variação da nitidez das imagens deste futuro vão se diluindo à medida que a ‘realidade porvindoura’ se torna cada vez mais flexível conforme se afasta no tempo, em uma linha hiperbólica maleável.

Mesmo acreditando firmemente que as ações presentes constroem o futuro, creio que exista uma margem de erro em qualquer projeto, mesmo que bem elaborado. Apesar disso, estou convencido de que o estabelecimento de princípios e regras para a construção de um futuro promissor seja o ponto de partida para o sucesso.


Voltando ao futebol, pode-se dizer que a boa preparação – em todos os sentidos – faz com que o aumento da probabilidade do sucesso de uma determinada equipe ‘esteja sendo’ escrito no presente. A vitória, no entanto, fica em uma ‘zona de sombra’, que é a distância entre a hipérbole e o eixo: o espaço preenchido pela incógnita. Mas a ampliação das chances para que a vitória seja alcançada está lá, inscrita no traço desenhado pelas ações que precedem o fenômeno, que deixa o futuro ao se tornar um fato.

As seleções de Alemanha e Espanha, cada qual ao seu modo, se comprometeram brilhantemente em estabelecer procedimentos que as levassem ao sucesso, à vitória. Mas a vitória se encontra naquela ‘área de sombra’, não pode ser determinada à priori e pertence – enquanto resultado dentro das regras do jogo – a somente um dos participantes.

A seleção alemã pode ter caído na tal ‘margem de erro’ a qual me referi anteriormente, ou sucumbido pela imprecisão da ‘zona de sombra’. O que não pode ser negado é o fato de que se dedicaram com afinco à produção de seu próprio sucesso. A Espanha foi na mesma direção, mas chegou ao destino mais cedo.

Como o blog está voltando gradualmente ao ‘modo estritamente botafoguense’, gostaria de pedir aos dirigentes do Botafogo o seguinte:

Consertem aquela cabeça de área, contratem um lateral-direito e bons substitutos para a zaga e, principalmente, acabem com essa estória de apadrinhados, porque do jeito que está, mesmo com o Maicosuel, o polvo Paul não poderá antever outra coisa que não seja o Botafogo brigando por posições intermediárias.

...

Sobre o destino do Paul. Bem, se ele realmente tem poderes proféticos saberá melhor do que ninguém se acabará seus dias em seu resort em Oberhausen ou encabeçando uma agência de valores, ou – que Deus o tenha... – compondo o elenco de um caldeirão de paella.

E, do jeito que andam as coisas, o Paul também pode seguir os passos da Larissa Riquelme e posar para um ensaio fotográfico porno-sensual ou, quem sabe, estrelar uma série no Natgeo.


Seja como for, é engraçado – ou não tem a menor graça – saber de véspera qual será o novo país que entrará para o seleto clube dos campeões mundiais. Isso se o pessoal da paella já não tiver se antecipado e traçado o oráculo dos devotos de Paul.

Saudações botafoguenses!!!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Chucrute x Paella


A seleção alemã tenta produzir o imprevisível e a espanhola, esconder quando fará o previsível.

A Alemanha será a campeã de 2010, para a tristeza da FIFA, dos investidores do futebol espanhol e da Sociedade Protetora dos Duques Diques e Kicks de Holanda?

Isso ninguém sabe. Mas que a Alemanha será roubada, disso eu não tenho a menor dúvida.

Saudações botafoguenses!

Van Damme Bommel

(Homo Violentus)

O que a imprensa anda apelidando de ‘política internacional’ da Fifa quando se refere à ‘irresponsabilidade’ de escalar árbitros sem experiência compatível com a importância das partidas em que atuam, não passa de um artifício para colocar os ‘erros’ na conta do despreparo dos trios que andam estragando o espetáculo. É uma forma esperta de dissimular as manipulações de resultados em favor dos interesses da entidade mafiosa chefiada por Joseph Blatter.

Era de se esperar que os ‘erros’ fossem sistematicamente favoráveis a equipes de países cujos mercados do futebol fossem economicamente musculosos, mas nesta edição a predileção é pelas seleções da Espanha e da Holanda.

Todos os adversários diretos da Espanha foram sistemática e previamente punidos com cartões amarelos, e punidos de forma pontual, sendo alvejados em posições estratégicas. Não é à toa que a revelação alemã Thomas Müller esteja de fora da partida de hoje, punido pelo árbitro que garfou a África do Sul no jogo de estreia e que continua fazendo lambanças, inclusive no jogo de ontem (marcando dois impedimentos inexistentes contra o Uruguai e assinalando um gol irregular a favor dos ‘donos da casa’; dando uma vantagem em lance de falta na mesma posição em que Forlán marcara contra Gana – veja como não é um ingênuo – e não marcando um toque de mão de Van Persie, na risca da grande área e aos 48 do segundo tempo), assessorado por um de seus auxiliares.

Alguém considera o Müller mais violento ou indisciplinado que o kickboxer travestido de jogador de futebol, Mark van Bommel? O holandês é um jogador conhecidamente violento e nesta Copa tem sido muito mais do que costuma ser nas competições locais em que participa, talvez por não ser trouxa de fazer em solo ‘não-FIFA’ o que tem feito na África do Sul.

Este sujeito, uma versão ‘bem educada’ do Felipe Melo, tem distribuído pontapés e enfiado as travas da chuteira em seus adversários à torto e à direito com o consentimento das arbitragens, e ontem não foi diferente.

Vocês fazem ideia de quantos cartões amarelos Bommel recebeu em toda a competição? Foram dois. O troglodita Mark van Bommel foi punido com apenas DOIS cartões amarelos durante TODA a Copa!!! E, por incrível que pareça aos ingênuos, não foi punido pelo jogo violento que pratica 100% do tempo, mas por ter entrado em campo sem a autorização do árbitro em duas ocasiões, o que impedia a brecha legal da ‘interpretação’.

Van Bommel e seus comparsas da zaga holandesa, como Heitinga e Ooier, continuam mantendo a tradição do futebol de seu país. Desde o surgimento da Laranja Mecânica, que tinha em Suurbier seu mais atuante kickboxer, o futebol violento é uma das marcas holandesas, tradição seguida por Frank de Boer e congêneres.

A diferença entre o time atual e as gerações anteriores é o futebol técnico e inovador que seus antecessores praticavam além da violência. Podem argumentar que é um ‘futebol duro’, mas isso no meu entender é balela. Duro são Alemães, Ingleses e Italianos – para somente nos atermos a exemplos europeus. Os holandeses não têm nada a ver com seus vizinhos de continente. O futebol da Holanda é violento e desleal.

E não me venham dizer que estou torcendo contra a Holanda por causa da derrota brasileira. Por mim a seleção Dodunga poderia tomar uma coça de sarrafo, a começar pelo ‘arregalado’ dublê de bailarino, o semi-blasé Robinho.

Saudações botafoguenses!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Menores e melhores


A chegada de quatro seleções sul-americanas às quartas-de final me gerou um sentimento regionalista, mas que abrigava uma satisfação mais ampla que vinha da sensação de achar que algum tipo de justiça estava sendo feita ao celeiro que gera e exporta jogadores há muitos anos e nunca se encontra representado ‘em bloco’ nas fases pós-eliminatórias. No fundo eu não imaginava que os quatro passassem à próxima fase e o resultado final não me surpreendeu, apesar de não achar um absurdo se coisa diferente acontecesse. Passada minha euforia inicial, as coisas foram entrando nos eixos e a realidade imperou inequívoca, o que não me perturbou em nada, pois minha irritação é proveniente da origem de duas das derrocadas.

As desclassificações de Brasil e Argentina têm contornos semelhantes. Ambos têm estruturas institucionais retrógradas onde imperam a falta de profissionalismo, o nepotismo, o corporativismo, o clientelismo, interesses econômicos originados em território neutro, uma série infindável de males que minam a capacidade organizacional e clareza de objetivo de qualquer empreendimento realmente voltado para o fortalecimento do esporte do país que a camisa representa.

Do lado uruguaio e paraguaio os projetos para a disputa da Copa foram construídos de forma totalmente diferente do oba-oba monástico montado pelo Brasil, e da ‘cerejinha do bolo’, a patomima representada pela Argentina.

***

O caso argentino

(Foto: Shaun Boterrill - Getty Images)

O principal exemplo de má gestão do projeto argentino é a entrega do comando técnico de sua seleção a um ex-jogador sem nenhuma experiência profissional para o cargo. Se era uma aposta maluca, se tornou uma decisão irresponsável à medida que Maradona sistematicamente provava ser, além de um neófito, um sujeito destemperado emocionalmente e agarrado a práticas populistas, convocando à esmo e sob critérios não objetivos.

A distância que existe entre Maradona – o treinador – e um José Mourinho é semelhante à que separa o futebol de um Robinho do que jogou o Pelé.

Escrevi sobre o sentimento de Maradona em relação ao seu país, mas escrevi sob o efeito que a nefasta gestão da CBF me fazia ao coração e à mente. Escrevi com raiva. Logo após ter publicado o texto, Maradona vem a público com uma estória de ‘cereja do bolo’, se referindo ao Messi. O culto a personalidades me causa náuseas e a criação de mitos e celebridades à fórceps mais ainda, porque implica em ‘personalidades’, ‘mitos’ ou ‘celebridades’ falsos ou, no mínimo, duvidosos, além de ser um estímulo à desagregação do grupo. Fora as razões objetivas que me levam a condenar a eleição de um astro ‘solo’, o que, no íntimo, considero filosoficamente desprezível.

Confesso que estive perto de apagar a postagem, mas acho que optei por mantê-la como forma de autopunição ou para ter registrada a marca de um tropeço me lembrando de contar até dez – ou até quanto seja necessário para que a ira seja aplacada – antes de dar a primeira rabiscada e assim evitar escrever com o fígado.

Cometi um erro primordial ao não perceber que Maradona era apenas um egocêntrico carente. Em suas ações no papel de treinador de futebol, antes e durante a Copa, se escondia – ao menos para mim, pois não consegui percebê-lo – a intenção de atrair os refletores para sua figura, que andava tristemente – para ele – longe do universo épico dos gramados. E todo esse esforço tinha origem na necessidade do ex-craque de viver eternamente na ribalta.

Seu novo espetáculo teve sucesso frente a algumas plateias, porque Maradona tem lá o seu charme. No entando, em meu entender, a dissimulação da artificialidade do novo número não resistiu ao segundo ato e inclusive reforçou a imagem do jogador de ‘la mano de Dios’. Ator ou impostor? Fiquei pensando nisso...

A equipe argentina foi o retrato de Maradona, mas sem seu futebol. Desorganizada, perdida, sem rumo, individualista e arrogante. Quando enfrentaram um time que era o oposto desse conjunto de atributos estorvantes, o resultado não poderia ser outro.

Lionel Messi, no turbilhão de ações e emoções confusas e perturbantes, provavelmente nem percebeu que estavam usando sua fama e figura para encobrir o péssimo espetáculo produzido pela federação de seu país, no qual Maradona se escalava como astro principal, acreditando ser um grande ator dramático no papel de grande treinador, não sendo nem um e nem o outro. O ótimo jovem atacante marcou seu primeiro e único gol na Copa (?!) em um treino às vésperas da partida que o mandou de volta à Espanha.

Por que desperdiçar cereja em um bolo estragado?

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O caso brasileiro

Os aparentes erros do ‘projeto brasileiro’ são semelhantes aos do empreendimento argentino, mas sem cereja, sem bolo, sem refrigerante, sem pipoca, sem celular, sem internet, sem televisão e sem um pio!

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O caso Paraguaio

(Paulo da Silva - reforço de peso para nossa zaga)

Ao contrário dos casos brasileiro e argentino, o Paraguai tinha um projeto bem definido: tinha a intenção de se organizar da melhor maneira possível para disputar uma Copa do Mundo e ponto final. Sem ‘cerejinha’, sem celebridades ou perebas de confiança e sem os patrocinadores faustianos.

A campanha que levou o Paraguai às quartas-de-final foi surpreendente desde o processo classificatório regional. A boa montagem da equipe, a preparação física e técnica, a coesão do time e a disposição de seu comportamento em campo demonstraram ótima capacidade administrativa da cúpula diretora.

Errei ao colocar em dúvida o foco das atenções da direção paraguaia, por acreditar ser um indício de frouxidão o fato de terem se transferido para um espaço menos austero, para sua concentração às vésperas da disputa contra a Espanha. Aparentemente a mudança não teve nenhuma influência negativa no comportamento da equipe. Pelo contrário, estavam ainda mais concentrados e com um preparo físico impecável. Perderam para uma grande equipe e, não fosse um erro de arbitragem que os tomou um gol legítimo, além de um pênalti desperdiçado, a sorte do time paraguaio poderia ter sido outra.

Mesmo acreditando ser um erro retardar a entrada de Lucas Barrios, provavelmente pensando numa possível prorrogação, as escolhas estratégicas do treinador Gerardo Martino surtiram efeito durante a competição, pois tiraram bom proveito do material do qual dispunha. Fora a estratégia, o técnico montou uma equipe muito bem organizada taticamente e seus comandados estavam bem preparados psicologicamente e trabalhando em conjunto.

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O caso uruguaio

(Foto: Jeff Mitchell - Getty Images)

A exemplo do Paraguai, o projeto uruguaio também tinha diretrizes muito diferentes das traçadas pelas cúpulas dirigentes de Brasil e Argentina.

A postura dos jogadores e a forma como levaram a cabo as estratégias de Oscar Tabárez revelavam a cada partida o alto grau de entendimento que tinham da proposta de seu treinador e o quanto diferiam do individualismo, da desorganização, da falta de discrição e da arrogância dissimulada dos grupos brasileiro e argentino.

Os meios usados pela seleção argentina e os motivos da brasileira não têm nenhuma relação com o que move a seleção uruguaia e, talvez por isso, o fim de ambas já se deu e esta sobrevive.

O Uruguai tem ares do Botafogo do Carioca de 2010, com a vantagem de possuir um elenco individualmente mais capaz em todos os sentidos.

E é pelo espírito de luta, pela inteligência individual e coletiva, pela circunspecção voluntária e ‘espirituosa’, pelo discernimento com que evitam a afetação ridícula e o peso morto da vaidade e – por que não? e muito mais! – por nosso camarada El Loco, que me sinto honrado por me juntar à torcida uruguaia.

Avante, Celeste!

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O carrossel já não me deixa tonto

(Laranja Quadrada: Valeriya/Dreamstime)

Das três seleções europeias que estão na disputa a Holanda é a que menos me agrada aos olhos. Paradoxalmente, a Espanha e a Alemanha de 2010 me lembram mais a imagem que tenho do futebol holandês do que a própria Holanda. Talvez seja isso o que Cruyff critica em seu selecionado: também à Holanda falta ‘a magia do futebol’.

Enquanto espanhóis e alemães jogam um futebol dinâmico e criativo, a Holanda joga com as tais ‘linhas de quatro’, mudando o lugar de peças aqui e ali, sempre esquematicamente.

Se a arbitragem não tivesse sido tão parcial na distribuição de cartões, favorecendo Espanha e Holanda de forma despudorada, apostaria todas as fichas no Uruguai, pois também haveria desfalques do lado holandês. Como a Celeste vem muito desfalcada e a violenta Holanda está completinha, me limito a apostar somente o 13 na casa azul e pronto.

Saudações botafoguenses!

domingo, 4 de julho de 2010

Copa América na África? Nem pensar


Depois de fiascos brasileiros e argentinos e da desclassificação honrosa do Paraguai, a ‘qualidade do material humano sul-americano’ não resistiu ao padrão cultural terceiro-mundista – decadente porém longe da decrepitude – e deixou terreno aberto para a reocupação europeia de 3/4 do território africano, após as quartas-de-final.

Novas postagens sobre o assunto virão em seguida.

Tenham um bom domingo e saudações botafoguenses!

sábado, 3 de julho de 2010

O cara de duas estrelas

(Foto: Michael Steele/Getty Images)

Uma breve história. Quando El Loco Abreu foi cuidar de sua documentação na Polícia Federal, a funcionária que o atendeu declarou ser botafoguense e não aguentar mais ver o Botafogo ‘batendo na trave’ e sendo vice-campeão seguidamente. Sebastián a respondeu: “Porque El Loco no estaba acá”. Ele esteve ‘acá’ e agora está na África do Sul, com sua própria estrela e a nossa, agora dele também.

***


Meus amigos, depois da tarde de ontem tomo a liberdade de modificar a máxima que se refere ao Botafogo – e que sempre olhei pelo lado positivo, diga-se – para nela incluir o Uruguai: “Há coisas que só acontecem ao Botafogo e... ao Uruguai”.

Que sirva de referência para que no futuro lembremos desta frase associada à realização do improvável a nosso favor.

Achei que seria um jogo emocionante por ser uma eliminatória, mas o que aconteceu naquela partida parece obra de ficção.

Um pênalti no último minuto dos acréscimos da prorrogação e o sujeito chuta no travessão, a bola sai de campo, a partida segue na prorrogação e o Uruguai vence nos pênaltis!

Ontem escrevi , e todos podem comprovar (rs), que se o técnico uruguaio não colocasse El Loco em campo até os 30 do segundo tempo eu e o Biriba passaríamos a torcer por Gana. Ainda bem que Oscar Tabárez lê o blog e acredita no poder de minha torcida e, principalmente, na vontade do Biriba. Pois não é que aos 29 do segundo tempo, ‘temendo o pior’, o treinador colocou Abreu para jogar?!

El Loco não teve nenhuma chance de marcar seu tento e quebrar o recorde de Scarone, mas estava em campo carregando a sua e a nossa estrela, agora emprestada à seleção uruguaia.

Seja pelo fato extraordinário ou pela presença de espírito e sacrifício de Luis Suárez por sua seleção – um jogador que interceptou o tiro mortal do adversário por duas vezes, uma delas com a mão –; seja pelo sangue, alma ou a sorte uruguaia ou mesmo a proteção divina, como crê Tabárez; seja pela ‘loucura’ da cavadinha de El Loco; seja pelo que for, o fato é que a partida entre Uruguai e Gana estará para sempre na história dos fatos memoráveis das Copas do Mundo.

Lamento profundamente a decepção dos ganeses, da torcida africana que se aliou ao último representante de seu continente e especialmente a dor de Asamoah Gyan, herói por três vezes e anti-herói no final. Como disse na postagem de ontem, meu coração estava dividido pela primeira vez.

Mas a vitória uruguaia era o objeto de minha torcida e a vontade do Biriba.

‘¡Qué vengan los holandeses!’ (Maurício de Nassau, em uma praça de Montevidéu).

Avante, Celeste!

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Não passamos no teste

(Foto: Richard Heathcote/Getty Images)

Sobre o espetáculo ridículo proporcionado pelo lado brasileiro na partida da manhã de ontem, deixo para escrever outra hora, porque são muitos capítulos.

Mas adianto dizendo que acredito ser um erro fazer do desmiolado perna-de-pau, Felipe Melo, um bode expiatório para o papelão pelo qual o capo Ricardo Teixeira, juntamente com seus comparsas e asseclas, assessorados pelos limitados ditadores Dunga e Jorginho e o bando de pelegos inúteis fizeram a seleção brasileira passar.

E mais. Se o melhor-goleiro-do-mundo Júlio César não tivesse trombado com o inexplicável Felipe Melo, seria possível que o delinquente meio-campista cortasse o lançamento. A falha foi exclusivamente de Júlio César, o maior craque do time.

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Hoje está assim:



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Os efêmeros louros do sucesso


Parece que a velha expressão ‘nadar e nadar para morrer na praia’ não é conhecida na cultura paraguaia. Foi só passarem de fase, fazendo história na seleção de seu país, que os vizinhos do Cone Sul preferiram o resort cujos lençóis foram aquecidos pelos italianos, e abraçaram o sucesso com empolgação.

A seleção uruguaia não deixou de fazer seus churrascos, mas na santa paz que só a simplicidade garante.

Que não se acanhem frente à Espanha.

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Jogão hoje


Argentina e Alemanha, um jogo que promete. Os alemães adoram os argentinos e a recíproca é verdadeira. Que se comam em campo...

Ainda bem que estou bem longe da África. Ficaria muito chateado se sobrasse pra mim, com a pancadaria me derrubando as pipocas.

Saudações botafoguenses!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Quase à metade do funil

Cruyff e seu ‘cruyffismo’


(Imagem: ClipartOf)

“Não pagaria ingresso para ver a Seleção jogar. Onde está o Brasil? Quando via jogar e pensava em Gerson, Tostão, Falcão, Zico, Sócrates... E em troca só vejo Gilberto (Silva), (Felipe) Melo, (Michel) Bastos, (Júlio)Baptista. Onde está a magia?” Foi o que declarou Cruyff ao jornal inglês, Daily Mirror.

Apesar de suspeitar que a intenção do ex-craque holandês era desestabilizar psicologicamente os jogadores brasileiros ou, talvez, incentivá-los a partir para o jogo franco, não há como discordar da opinião de Cruyff.

E Cruyff tem o direito de não gostar do tal ‘futebol de resultados’ – um futebol burocrático, defensivo e apoiado na força física –, pois fez parte do extenso ‘grande elenco’ que, através de um alto nível técnico e intelectual, criou as bases para que pudesse ser forjada a expressão que ele mesmo usou parcialmente, a ‘magia do futebol’.

Mas o capitão do ‘Carrossel Holandês’ se esqueceu de uma coisa e deve ter feito questão de se esquecer de outras duas: 1) Se hoje o Brasil da ‘Segunda Geração Dunga’ não conta com jogadores do nível de Gérson, Tostão, Falcão, Zico e Sócrates (essa escalação é do Cruyff), a Holanda também não nos ‘encanta’ sem o próprio Cruyff, Neeskens, Rensenbrink, Van Basten e Bergkamp; 2) Quando diz que ‘via’, se lembra de esquecer que viu jogadores como Nílton Santos, Garrincha, Didi e Pelé, infinitamente superiores aos de sua geração e às subsequentes de seu país; 3) Por fim, também não deixou de omitir que, à semelhança de Felipe Melo, o ‘Carrossel Holandês’ baixava o sarrafo, e tinha o zagueiro Suurbier como principal artífice da ‘violência genial’ daquele time.

*

Dunga e seu
dunguismo

Eis que é chegada a hora: o primeiro grande teste para a Seleção Dodunga.



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Coração dividido

O único representante africano joga contra o berço do futebol sul-americano. Tem tudo para ser uma partida truncada, mas extremamente emocionante.

De um lado a quase antítese dos motivos pelos quais o futebol africano nunca ter ido além das quartas-de-final em Copas do Mundo e do outro a inteligência e a sobriedade de um grupo extremamente focado.

Gana desmente os que pensavam que a organização tática não chegaria aos selecionados africanos, mas o excesso de individualismo e algumas firulas ainda estão lá. Um sujeito fez um passe de letra no meio de campo sem a menor necessidade! Não sei se dou uma gargalhada ou um tapa na mesa. Esses caras também me confundem...

Se Tabárez não colocar Abreu até os 30 do segundo tempo podem ter certeza que o Cone Sul terá menos um torcedor, porque não estou aqui para ficar dando força para técnico turrão, que deve ter tido como ídolo, Scarone, o atual detentor da marca de maior goleador com a Celeste.


(Foto: AP)

Seja como for, esta será a partida em que estarei com o coração dividido... Até determinado momento.

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Até agora a coisa está mais ou menos assim:



Saudações botafoguenses!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Passando de fase


Foram várias as decepções nesta Copa. Mesmo não sendo novidade, pois é o que acontece na maioria das edições, isso não deixa de ser um fato lamentável, já que acredito que seja coisa evitável. A Itália e a França decepcionaram, o Brasil ainda não convenceu.

O técnico da Eslováquia me decepcionou por não abrir mão do nepotismo que o fez insitir na escalação do próprio filho e Fabio Capello por abrir mão de Joe Cole. Outros técnicos também me fazem imaginar que o destino de suas equipes seria outro, se não fizessem questão de deixar de fora o que de melhor tinham à disposição.

É o caso de Takeshi Okada, que não escalou Shunsuke Nakamura, o melhor jogador japonês em atividade. Nakamura certamente não é do tipo ‘marcador’, mas se a estratégia era viver de contra-ataques, ninguém melhor que ele para fazer a bola chegar com bom aspecto à área adversária.

Carlos Queiroz, o técnico português, depois da partida de ontem disputa a liderança da lista de personagens decepcionantes de 2010. Seu time jogou defensivamente, o que não seria má opção se existisse um esquema de contra-ataques bem articulado. Sem este dispositivo, atrair o adversário para seu campo de defesa é uma estratégia bisonha.

Afastou Hugo Almeida da área e isolou Cristiano Ronaldo. Encheu o meio campo com volantes e deixou Deco e Liedson no banco, dois jogadores úteis para um esquema que privilegiava os contra-ataques.

Além disso, parece não ter a confiança e nem o apoio de muitos jogadores, pois se tivesse um mínimo de ascendência sobre seus comandados não veríamos Portugal jogar como se estivesse ganhando enquanto estava atrás no placar.

Cristiano Ronaldo não infernizou os espanhois como achei que faria. Acredito ter sido extremamente constrangedor para os portugueses ver uma figura afetada e apática sustentando a braçadeira de capitão da seleção de seu país.



Agora há pouco li que o atacante declarou que quem deveria explicar a derrota era o técnico, jogando toda a responsabilidade no colo de Queiroz, como se este estivera em campo. Ora, se estava descontente com o esquema montado pelo treinador, que ao menos se esforçasse em campo ou se insubordinasse ao planejamento estabelecido, pois, afinal, era o capitão da equipe. Como um omisso se acha no direito de condenar alguém por seus atos?

Wayne Rooney pode ter decepcionado por não apresentar o bom futebol que dele se esperava, mas lutou enquanto pôde. Ronaldo andou em campo, fez caretas, distribuiu sorrisos irônicos e tocou de letra enquanto perdia, desperdiçando uma oportunidade de se apresentar como o grande jogador que é e como um líder. Mas tudo indica que nada disso pode se esperar de Cristiano Ronaldo, a maior decepção da Copa até o momento.


(Eduardo: melhor jogador em campo)


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Conquistando a alma da África do Sul



O Paraguai passou pela pedreira japonesa e se junta às quatro seleções sul-americanas que estão invertendo o quadro mundial de forças geopolíticas através do futebol.

O que digo é retórico? Claro que sim! Mas é gostoso ver a qualidade do material humano futebolístico da América do Sul erguendo suas bandeiras em solo africano. Só isso.

Saudações botafoguenses!

terça-feira, 29 de junho de 2010

O teste que não chega

(Avenida Chile - Foto: Rodrigo Soldon)

Os velozes e habilidosos atacantes míopes do Chile são mais míopes que velozes e habilidosos. E os zagueiros reservas são muito piores que a fraca zaga titular. Bons cabeceadores contra o time de menor estatura da competição só poderia dar no que deu. Foi perigosamente fácil demais.

A contusão providencial de Felipe Melo de nada adiantou para a possível efetivação do melhorzinho Ramires, pois o rapaz foi esperto o suficiente para receber um cartão amarelo aos 30 do segundo tempo, com o time vencendo por 3 x 0. Pegou a parte de seu futebol que ficou retida na alfândega, mas esqueceu o cérebro no banco traseiro do táxi. Melhor com ele, mas dá para confiar? Essa gente me deixa confuso.

E eu que agora torço pra que os marfineses devolvam logo o pedaço do tornozelo do Elano... Vejam a que ponto cheguei!

A ‘panelinha’ continua não passando a bola para o Nilmar ou é paranóia minha?

Acho que o teste de verdade será contra a Holanda.

(O teste ‘da’ verdade seria para tirar minha dúvida sobre a panelinha).

***

Bandeira amiga: são todos iguais


(Imagem: Fotolia)

O bandeirinha da partida entre Holanda e Eslováquia deu um escanteio de presente para os holandeses, em um lance bem à sua frente, um tiro de meta claro. Van Bommel ficou tão surpreso e agradecido pelo regalo, que deu uma piscadinha para o bandeirinha, como se dissesse: ‘Valeu, parceiro!’ O holandês entendeu direitinho o que estava acontecendo.

Logo depois outra inversão, não dando um corner claro num chute eslovaco que o goleiro desviou. Os jogadores da Eslováquia também estavam proibidos de encostar nos holandeses. Uma vergonha.

Mas o que faltou à Eslováquia foi um Jefferson. Que anda fazendo falta a muita seleção nesta Copa, diga-se. Tomara que não falte à do Dunga.

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Naruto



O Paraguai vai encarar um time de samurais em busca de um lugar ao sol nascente. Correm muito e sabem para onde e porque estão indo. Tremenda pedreira.

*

Arrisco um palpite para hoje: Portugal passa e Cristiano Ronaldo vai infernizar os espanhóis.

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Nelson não esperava por essa



(Barba Negra)

Ontem me esqueci de dizer que não imaginava um dia ver a Inglaterra sendo roubada. Se o Nelson Rodrigues fosse vivo, tremeria às gargalhadas...

Saudações botafoguenses!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Arbitragem de biltres


Não são as vuvuzelas, não é a Jabulani e nem o ineditismo de uma Copa no continente africano; tampouco o espetáculo colorido dos torcedores. O que mais chama atenção na Copa da África do Sul são os erros de arbitragem.

Os árbitros deram seu cartão de visitas já no primeiro tempo do jogo inaugural por intermédio de seu representante na ocasião, o Sr. Ravshan Irmatov, do Uzbequistão, que não marcou um pênalti claro em um jogador da seleção anfitriã. Assim inauguraram o festival de horrores da arbitragem, que ontem vitimou a Inglaterra e o México.

Talvez por serem futebolistas frustrados, os árbitros têm essa necessidade egocêntrica de remediarem este complexo se fazendo o centro das atenções do espetáculo, mesmo que pela via mórbida do fracasso. Não são trapezistas em queda, pois estragam o espetáculo para uma plateia ávida por sangue, mas avessa aos disparates.

Achei que a confabulação entre árbitro, bandeirinha e o rádio seria o marco inicial de uma nova era no futebol mundial, inaugurando o uso das novas tecnologias para o bem do esporte, com a firmeza de caráter de um indivíduo prevalecendo no final. Me esqueci que isso só serve para expulsar jogador e marcar pênalti, quando os interesses econômicos da Fifa assim determinam.

Como os ‘erros’ da turma do apito estão presentes rodada sim, rodada não (desculpem a cacofonia), é provável que deixem em paz os jogos de hoje.

***


Ainda não novamente


(Foto: Doug Pensinger/Getty Images)

Abreu não teve mais uma vez a oportunidade de tentar entrar definitivamente para a história dos jogadores da Celeste. Se eu já não precisava de nenhum empurrãozinho para torcer para Gana, Tabarez me dá o motivo que não me faltava.

Desculpe-me, Sebastián. Cuando no hay El Loco, no me encanta el Uruguay.

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Gana


(Gyan Asamoah)

Duas falhas e dois acertos colocam Gana nas quartas-de-final. Criaram oportunidades, mas a bola só chegou às redes por conta de lances fortuitos, o que é muito pouco para passarem pela sólida defesa uruguaia.

Por falar em defesa, que para nós botafoguenses desde a saída de Gonçalves não sabemos o que esta palavra significa, a seleção uruguaia é um exemplo claro para a tese que formulo por aqui há muito tempo.

Acredito que o grande problema do sistema defensivo do Botafogo não está em seus zagueiros, que não incluo aqui o Fahel, porque estou falando de jogadores de futebol. O problema da defesa botafoguense está na sua proteção, que é inexistente.

Vocês acham que o Uruguai teria êxito se trocasse Perez ou Arévalo por Leandro Guerreiro? Pensem nisso na próxima vez que assistirem a uma partida da Celeste. Eles têm velocidade, explosão e vigor físico: o essencial para um volante. Sair jogando? Ah, depois de ‘matar’ a jogada, toca para quem sabe o que fazer...

Brasil-zil-zil!!!



Vamos enfrentar os velozes atacantes míopes do Chile, que não são tão míopes assim, pois estão nas oitavas. Uma boa notícia é saber que três de seus zagueiros fizeram de tudo para não encarar o Brasil e conseguiram.

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A Holanda que se cuide, pois se o filho do técnico não jogar, a Eslováquia pode aprontar.

Saudações botafoguenses!

sábado, 26 de junho de 2010

Classificados

“O melhor feito do Dunga, enquanto técnico da seleção, foi atrapalhar a planilha da Rede Globo.” (autocitação egocêntrica de Biriba)


O primeiro teste de verdade foi de mentira, porque a seleção portuguesa seria um adversário de peso para medir forças antes do mata-mata, mas nosso Deus na Terra estava suspenso e Robinho foi ‘poupado’.

Para os que acham que a dupla de caudilhos Dunga/Jorginho é gente boa, fica aí a minha sugestão para que olhem a escalação não como uma forma de fazer testes ou dar uma chance a Nilmar, mas, sim, um jeito de queimar o jogador, já que a armação no meio campo estava entregue a um atacante que é volante e a um lateral direito que não passa a bola para ninguém.

Estamos fritos quando Deus resolve não enviar o próprio filho para nos salvar, mesmo que carregando uma cruz incrustada no púbis.

Como teste o jogo serviu para sabermos que não temos banco e o time principal, que já não é grandes coisas, será nossa única esperança de passarmos às quartas-de-final, mesmo jogando contra um Chile desfalcado de seus zagueiros titulares.

Portugal nem precisou jogar como se fosse uma final de campeonato para fazer frente ao futebol ridículo apresentado pelo Brasil.

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Júlio César desmascarado



A fama de bom goleiro de Júlio César está com os dias marcados depois que o jogador foi desmascarado usando fios de aço para ajudá-lo a fazer defesas espetaculares.

Já faz tempo que muitos desconfiavam dos voos milagrosos do goleiro e hoje, por força de uma contusão, um roupeiro desavisado retirou a camisa do jogador, revelando ao mundo a cinta que prende Júlio César ao fio de aço que o sustenta durante as acrobacias.

A técnica, desenvolvida na meca do cinema de artes marciais, Hong Kong, chegou a Júlio César através de Jet Li, o rei do Wire Fu.



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A Solucionática



Para provar aos que pensam que só faço críticas e não aponto soluções, farei uma lista detalhada de sugestões para dar um jeito em nossa seleção. O que deveriam fazer:

Júlio César: esconder melhor o truque do fio de aço;
Michael: procurar um time que preste e tocar a vida;
Lúcio: defender, sair jogando, municiar o ataque e finalizar. Alguns hão de perguntar: “Mas ele já não faz isso?” Faz, mas é só pra manter a ideia fresca na mente do zagueiro-volante-meia-armador-atacante.
Juan: pedir conselhos ao Bernardinho;
Michel Bastos: estudar pra fazer concurso;
Felipe Melo: trocar os campos pelos ringues;
Gilberto Silva: levar o lixo pra fora e aproveitar pra ver se chegou correspondência;
Daniel Alves: voltar para a lateral direita;
Júlio Baptista: perguntar ao Dunga por que não convocou outro meia-atacante pro caso do Kaká se machucar;
Luís Fabiano: não se deprimir com saudades do Romaric;
Nilmar: não se esquecer que a Copa não dura muito tempo;
Josué: sair de fininho da concentração, balbuciando qualquer asneira em alemão, pra disfarçar;
Ramires: dizer que vai pegar a parte do seu futebol que ficou retida na alfândega e voltar pra Portugal;
Elano: pedir um ofício da CBF pra exigir que os marfineses lhe devolvam o pedaço do pé que levaram no domingo passado;
Robinho: Voltar para o Santos pra ficar entre jogadores de alto nível;
Kaká: pedir ao seu Pai que lhe dê permissão pra operar milagres;
Dunga e Jorginho: sentar e chorar.

( Foto: Jamie McDonald: Getty Images)

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- Você acha que o Maicosuel tinha lugar no time do Brasil?
- Pra jogar com esses perebas?
- Podia acabar desaprendendo, né?
- Esse time é a prova de que tem meio campo pior que o nosso!
- Será?...

Saudações botafoguenses!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Visões de mundo


O comentarista Caio disse que a diferença entre o futebol japonês e o africano é o investimento em ‘qualidade’ que faz o Japão, enquanto os ‘africanos’ investem em força física.

Não sei exatamente a que tipo de qualidade Caio se referia – porque não ficou claro –, uma vez que força física também é, no meu entender, uma qualidade positiva.

Se associou o conceito de ‘qualidade’ à eficiência do comportamento competitivo dos japoneses, que os levou à classificação, Caio está correto.

Se se referia a organização tática, juntou no mesmo bolo Camarões e Gana, o que é uma injustiça com os ganeses, cuja disciplina tática é excelente.

Agora, se falava sobre ‘qualidade técnica’, Caio não foi injusto e nem está correto. Está, na verdade, completamente enganado. Os japoneses, apesar da boa disciplina, obstinação e capacidade de aprendizado, serão por muitos e muitos anos inferiores tecnicamente à maioria dos jogadores da costa oeste da África, desde Costa do Marfim até Gana.

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Conversando com meu irmão sobre o ‘fracasso’ africano – lamentando –, falando sobre o quanto fiquei chateado com a falta de objetividade e de sentido coletivo, de como me irritava o exibicionismo e as firulas, fatores que a meu ver foram as principais causas da classificação de apenas uma das seleções do continente, ele me falou que ‘os caras são assim mesmo’. Disse que para a maioria dos jogadores africanos o que importava era o espetáculo e não a vitória. “Você acha que eles estão preocupados em vencer ou perder? Eles estão de olho é nas arquibancadas cheias, jogando para eles mesmos e para a plateia.”

Pois o meu irmão me deu a dica para entender a perspectiva antropológica da visão do Caio e o equívoco na minha espectativa.

Para o comentarista, o conceito de ‘qualidade’ é aquele que corresponde aos padrões culturais dele, da cultura que assimilou ou foi forjado a aceitar. Significa, deduzo, acreditar que a vitória seja o mais importante, se alinhando ao pensamento hegemônico, apesar de ser uma distorção do que pregava Coubertin, que considerava o esforço para superar o adversário mais importante que a vitória.

Não estou no mesmo barco do Caio, mas sigo no mesmo sentido, pois sou totalmente ‘Coubertin’. As direções são as mesmas, porém, a navegação não é, uma vez que a vitória, para o meu gosto esportivo, que não deixa de ser artístico, é menos importante que o bom espetáculo.

É óbvio que a maioria das seleções africanas que disputaram – Gana ainda está viva – a Copa de 2010 não pensam como o Caio e nem como Coubertin. Pior para mim, que gostaria de continuar por mais algum tempo vendo jogadores como o Kanu, que, apesar da idade, trata a bola como parceira e extrai do futebol algo que se parece com o que acreditamos poder chamar de ‘arte’. Kanu e muitos de seus vizinhos do continente.

O problema causado pelo Homem ao aplicar o darwinismo à humanidade é esse, pois agora, depois que muitos dos bons de bola se foram, me resta ficar ‘apreciando’ os eficientes.

Não é à toa que eu prefiro a música.

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Mais um império caiu

Foi só sair o filho do técnico, que a Eslováquia desencantou. Vladmir Weiss é bom de bola? Acho que sim. Mas recuar o Hamsik para enfiar um pouco de nepotismo numa seleção nacional é um disparate.

A Itália se foi e ficou a pergunta: Por que o tal de Quagliarella não era titular?

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Camisa 10


(Wesley Sneijder)

Falei muito do Mitsuo, o ‘oito’ do Japão, mas a camisa 10 vai para Sneijder depois da rodada de ontem. O passe que deu para Robben, no lance que originou o segundo gol holandês, tem a marca de um legítimo dez.

No começo da partida Mitsuo quase marca o seu e deu um lindo passe para o sobrevalorizado, Haseve. Depois disso foi eficiente, se portando como uma espécie de Zinho.

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Kaká é filho de Deus: retirado da sessão ‘Grandes Novidades’

Em entrevista coletiva, Kaká disse que Juca Kfouri o criticara porque o jornalista era ateu e ele era Jesus (foi ele que literalmente disse isso). Tudo bem, pode-se aceitar que ele tenha se expressado mal. Mas pode-se também acreditar que cometeu um ato falho. Seja como for, se Kaká é Jesus ou Genésio isso eu não sei, mas sei que hoje, mesmo que Deus não compareça pessoalmente, o time entra em campo com menos um jogador bichado.

Pena que quem o substitui é um filho de Deus como qualquer um de nós.

Saudações botafoguenses!