quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Quem assessora esse rapaz?

São inúmeros os casos de jovens oriundos de classes menos favorecidas – o que em português corrente significa ‘crianças pobres’ –, que por conta de talentos especiais se destacam em atividades que pagam bem, o que faz com que acabem ganhando um bom dinheiro e uma certa notoriedade.

(Car Crash – auto-retrato: Justin Sanz)

Não são poucos os que sucumbem ao ‘peso da fama’ e acabam se envolvendo em atividades pouco edificantes. Uns conseguem ‘dar a volta por cima’ – mesmo que vários ‘indicadores’ sugerissem que o fundo do poço seria o destino final de suas vidas –, mas outros enfrentam um final sem nem mesmo um punhado de lama e uma cacimba vazia.

Seja por sorte ou por vontade própria, seja ‘por força’ de uma boa a$$e$$oria ou através de combinações destas forças com outras – de natureza ainda ‘mais interessante’ –, o que que me empolga é ver um desses jovens, já em idade adulta, tomar as rédeas de sua vida e contrariar as expectativas mais funestas, deixando os que apostavam na sua derrocada olhando as fichas serem recolhidas. Isso me dá uma satisfação indescritível! Me$mo que o meio utilizado $eja o que os senhores e$tão pen$ando.

Porque vivemos numa sociedade que aprecia muito mais a derrota do outro, do que a própria vitória; uma plateia mastigando pipocas e torcendo pra ver a queda do trapezista – imagem conhecida. E quanto melhor o trapezista, mais extasiante é o tombo. Porque a queda do homem comum – o tipo mais bravo de ‘herói’, diga-se –, na sociedade em que vivemos, é banal.

‘Fabricamos’ heróis para que sejam destruídos? Pode ser.

Apesar de haver demanda por heróis com longo prazo de validade, a maioria dos heróis são ‘confeccionados’ para atender a necessidades momentâneas, sendo ‘naturalmente’ descartados assim que a ânsia é saciada. E, nesta concepção de universo, a usina macabra se perpetua, pois o ritmo de produção não pode ser atenuado, uma vez que o posto de herói perene é para poucos e muito da graça da ‘brincadeira’ reside, justamente, na vertigem da ascenção.

Precisamos de um herói e precisamos vê-lo caído, porque herói bom é herói morto. E, como somos viciados em espetáculo, produzimos ‘heróis’ em grande quantidade, para viverem mortes espetaculares, protagonizando quedas gigantescas.

(detalhe de Guernica: Pablo Picasso)

Quando vejo um destino trágico se enfiando na vida de um jovem adulto, um ex-garoto pobre que o esporte, a música, ou outra atividade intrínsicamente ligada ao talento individual levou a um nível de sucesso suficiente para conseguir dinheiro bastante para operar o milagre da multiplicação de amigos de ocasião e lhe ‘concedeu’ o êxtase advindo do consumo de bens não-duráveis, a primeira coisa que me vem à cabeça é: “Quem assessora esse rapaz? Quem ‘cerca’ e trata de dar bom amparo a essa moça?”

Mas tão logo me vem este pensamento ele já me parece irresponsável, pois sempre estamos delegando a um ‘outro’ a responsabilidade que deveria ser de todos, o que nos inclui. Porque a ‘assessoria’ e o ‘amparo’ destinados ao herói da vez ou ‘a qualquer pessoa’ deveria ser dado pela sociedade em que vive, e não pelo agente ou empresário, treinador, produtor, patrão, mãe, amigos, etc.

Acredito que enquanto a humanidade não se responsabilizar pelo fim que destina a seus ‘heróis’ – e à plateia desses heróis, por que não? –, a pergunta não é, ‘Quem assessora esse rapaz?’, mas, sim: ‘Como assessorar essa sociedade?’.

Saudações alvinegras!

3 comentários:

António Pista disse...

Newsletter Semanal #2 - Brasil

Blog Águia de Ouro

O Benfica manteve-se na liderança após o empate em Olhão!
Nesta semana no Águia de Ouro, todos os dias será feito um post de antecipação ao clássico, analisando os jogadores de ambas as equipas por posição. Também o Mundial da África do Sul estará em destaque com a conclusão da análise do grupo de Portugal.

Posts Anteriores:

- A antevisão do derby: análise do Meio-Campo...
- Deitando um olhar pla Costa do Marfim
- A antevisão do derby: análise da Defesa...
- A antevisão do derby: análise dos GR
- Agridoce
- Enorme e Especial!
- Desmistificando a Selecção da Coreia do Norte
- Esboçando um olhar pelo Mundial 2010
- Novamente Líder!

http://aguia-de-ouro.blogspot.com

snoopy em p/b disse...

luiz,
eu acho um erro grosseiro expor quem quer que seja ao ridículo constrangimento de a sociedade julgá-lo por ser um usuário de drogas.
aliás, isso é contra a constituição.
doping, a meu ver, deveria ser aplicado exclusivamente a produtos que estimulem os atletas, de forma que eles adquiram um algo a mais em relação aos concorrentes.
maconha? cocaína? isso é caso de saúde e considero um crime fazer o que estão fazendo com o jobson e que fizeram, por exemplo, com o renato silva, rodrigo souto e outros.

abração!!!

Luiz disse...

Concordo integralmente, Fábio.

Não é uma sansão por doping, mas uma reprimenda moral.

Considero os exames uma espécie de armação. ‘Preparam’ jogadores para serem examinados em momentos específicos, sempre atrelados a demandas da opinião pública.

O que quero dizer com isso é que jamais farão um teste no Adriano ou no Ronaldo no ‘dia errado’ e sempre ‘prepararão’ os ídolos para que sejam examinados quando houver pressão da opinião pública para isso, ou quando o momento se mostra oportuno.

Estive fazendo uma pesquisa na internet sobre doping e a coisa é nebulosa. E quando não há interesse em tornar a coisa transparente, isso não me causa boa impressão.

E o pior para o Jobson é sua ligação com o ex-senador, que pode lhe custar a carreira, já que nossa sociedade é política e vingativa. Porque o Jobson pode ser considerado reincidente, se sua defesa não for muito bem construída e o pleno do júri não estiver mal intencionado.

Saudações alvinegras!