quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010 será espetacular!

‘O’ staff aqui do blog (acompanhamos a moda: usamos óculos feios e chamamos equipe de staff, porque somos totally trendy) elegeu a imagem-símbolo de novidade que fará parte de uma campanha publicitária para marcar o ano de 2010 como ‘o ano do inusitado, do inexplicável, do espetacular’, cuja chamada será O Ano do Gênio.

Como nossa criatividade não tem limites, resolvemos substituir a tradicional imagem de um bebê por uma que remetesse à ideia de novidade e ao mesmo tempo abarcasse as outras qualidades exigidas pelo diretor de campanha.

Quisemos puxar a sardinha pro nosso lado – como de costume –, mas por não encontrarmos nos quadros diretores do Botafogo alguém que se enquadrasse no conceito da campanha1, procuramos descobrir um jovem que se ajustasse ao briefing enviado por nosso departamento de marketing.

Eu e o Biriba enfrentamos grande resistência para que aprovassem nosso garoto-propaganda, pois o rapazote não tinha um phisic du role que se encaixasse nos padrões eugenistas do tipo Bebê Johnson – o clichê que agrada à maioria dos departamentos de marketing, os quais, na realidade, não estão fazendo nada além de se adequar aos anseios de uma sociedade que considera o embranquecimento racial uma espécie de panacéia que levaria ao progresso do Brasil.

Vencemos a batalha argumentando que o jovem tinha as qualidades que a campanha desejava e potencial para vir a ser amado por todos – não importando o poder aquisitivo ou o nível de escolaridade, o gênero ou a faixa etária, o clube de coração ou a nacionalidade –, o que ampliaria o público-alvo, criando o maior target da história da propaganda, e que, inclusive, projetaria a marca do anunciante – que obviamente não podemos revelar – para além do território nacional.

Mas esse blá-blá-blá já não importa agora, uma vez que a campanha foi aprovada e segue de vento em popa.

O que importa é aproveitarmos este espaço restrito a nosso seleto grupo de leitores, para revelar em primeira mão uma das fotos – em estilo ‘retrô’ – do teste de elenco. (O que demonstra nosso constante esforço para cavar um furo de reportagem e, assim, contribuir para que nossos estimados habitués mantenham-se à frente de nosso tempo).

O inusitado, o inexplicável, o espetacular: 2010, o Ano do Gênio.


Desejamos a todos um 2010 espetacular!

Saudações alvinegras!

1 Há de se convir que, inusitados e inexplicáveis, nossos dirigentes são. Porém, espetaculares, nem mesmo num circo e chamá-los de gênio seria zombaria. Como não temos queda pela vigarice e não somos dados ao escárnio, a direção do Botafogo do Biriba optou por manter a habitual postura circunspecta e preservar a imagem de nossos dirigentes, para evitar que se tornassem motivo de chacota e embaraço geral, numa tentativa de que em 2010 a imagem do Botafogo não seja a mesma deste ano que passou, e que passou, diga-se (e gritem com fervor), Graças a Deus!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

É Natal


Frente ao fato de que o repertório de regalos que a atual diretoria do Botafogo tem a nos oferecer é um pacote que inclui pressão alta, náusea, gastrite, dor de cabeça, insônia, depressão e coisas do gênero, é um alento saber que o conjunto da raça humana não se resume a pessoas que trabalham para que o mal se instale no seio de nosso time de coração.

Os torcedores alvinegros, por exemplo, aqueles que realmente amam o Botafogo, certamente só desejam o bem ao nosso querido clube e, para nossa auto-confiança e estima, para nossa alegria e garantia, não são poucos. Somos cerca de 10 milhões de brasileiros apoiando o Botafogo, o que revela, inclusive, que o bom gosto futebolístico é um dom que não foi distribuído com exagerada parcimônia. Isso, sim, é um presente!

Essa torcida que tem a honra de apoiar uma instituição que foi defendida por Luiz Caldas, Flávio Ramos, Paulo Antônio Azeredo, Carlito Rocha, Neném Prancha, João Saldanha, Tarzan, Emil Pinheiro e que teve suas camisas sob a guarda de Mimi Sodré, Abelardo e Rolando Delamare, Carvalho Leite, Heleno de Freitas, Nílton Santos, Garrincha, Didi, Paulo Valentim, Zagallo, Quarentinha, Manga, Amarildo, Jairzinho, Gérson, Roberto Miranda, Paulo César Caju, Dirceu, Marinho Chagas, Alemão, Josimar, Paulinho Criciúma, Maurício, Mauro Galvão, Valdeir, Gonçalves, Túlio Maravilha, Wágner, Jefferson, Maicosuel e muitos e muitos outros, esse corpo de milhões de pessoas – os torcedores comuns que não estão à venda e que partilham do amor ao clube da Estrela Solitária –, são o próprio Botafogo.

Sim, senhoras e senhores, nós somos o Botafogo de Futebol e Regatas. Ele é o nosso querido presente e nós somos a sua presença.

Sendo assim, ninguém, nenhum dirigente vil ou jogador patife, nenhuma instituição de futebol mercenária ou órgão de imprensa tendencioso é poderoso o suficiente para diminuir, enfraquecer e, muito menos, acabar conosco. Podem tentar, mas jamais conseguirão.

Repitam sempre, no íntimo ou em voz alta: “Nós somos o Botafogo, nós somos o Botafogo!”. E, por favor, nunca se esqueçam disso. Este é o presente que peço.



Em especial a todos esses torcedores – que são a alma botafoguense –, aos grandes nomes do passado alvinegro – que deram corpo a este espírito –, aos profissionais que trabalham dedicadamente para o bem de nosso clube de coração e a todos os envolvidos no mundo do futebol que colocam o bem do Botafogo acima de quaisquer interesses pessoais, eu e o Biriba desejamos um Feliz Natal e um Ano Novo com muita saúde, alegria e conquistas.

Tudo de bom para vocês, meus amigos botafoguenses, neste Natal, em 2010 e sempre!

Saudações alvinegras!!!

(Montagem a partir de imagem de Shutterstock)

- Você esqueceu de escrever aquilo que eu tinha te pedido.
- Ah, é...
- E então?
- Mas eu não posso escrever ‘E ao diabo com o resto!’.
- Por que?
- Porque é Natal, não pega bem.
- Mas o Natal já virou sinônimo de oportunidade comercial, não é mais a mesma coisa. Que se dane resto!
- Pô! Minha mãe, meu irmão e minha sobrinha são tricolores. Meu pai é América... Não dá, Biriba.
- Escreve no final ‘menos a minha mãe’ e pronto...
- É Natal, seu fariseu!
- Então escreve assim: ‘Paz e felicidade às mulheres e homens de bem que habitam nosso planeta e aos seres que vivem em torno de nós e em outras partes do Universo’...
- Tá inspirado, hein!
- E completa: ‘E AO DIABO COM ESSA DIRETORIA CALHORDA!’
- Você não sossega nem no Natal, cara?
- Natal bom, é Natal sem eles!
- Vixe...
- Afff!

Saudações alvinegras! (Enfim)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Otimismo é coisa de otário?


Já que o Botafogo é uma vitrine para jogadores potencialmente promissores...

- Potencialmente promissores, Luiz? Putz, o cara não é nem promissor ainda?
- Deixa eu escrever em paz, Biriba!
- Você quer paz pra escrever, mas essa tua escrita tá acabando com a minha!

Prosseguindo...

Jogadores que são promessas, mas que ainda não se afirmaram no futebol, procuram o Botafogo com a intenção de alavancar a carreira jogando por um clube que lhes garanta visibilidade, na esperança de conseguirem melhores oportunidades fut...

- Melhores oportunidades? Você tá falando do Botafogo! Ficou maluco?
- Mas é assim que eles nos veem...
- E é exatamente esse o problema. Você tem que escrever como NÓS vemos o NOSSO Botafogo!
- Tudo bem, Biriba..
- Afff!

Jogadores que não tiveram boas oportunidades nos clubes que defenderam na última temporada, jogadores que foram relativamente bem na série B do Brasileiro e outros que supostamente tiveram destaque em equipes de pouca expressão, juntam-se a completos desconhecidos para integrar o plantel...

- Plantel, cara? Você chama isso de plantel?
- Mas os caras que vão jogar a próxima temporada são isso que eu tav...
- Você falou jogar, né?
- É, jogar...
- Jogar como o Reinaldo, é?
- Tudo bem, deixa eu ver aqui...
- Capricha aí.

Jogadores em final de carreira ou com problemas físicos crônicos, jogadores tecnicamente inexpressivos ou sem espaço nos clubes que defendiam, e jogadores que somam alguns dos referidos perfis veem o Botafogo como ótima oportunidade para continuar ganhando um salário mensal em dia, pois nenhuma outra equipe de primeira linha do futebol brasileiro os contrataria para fazer parte de seus plantéis.

- E agora?
- Agora sim! Melhorou pra caramba!
- Melhorou é o escambau, Biriba! Esse é o time de 2009. Te peguei, hein!
- Ah, é?
- É, sim!
- E qual é a novidade?
- O Renato Cajá, por exemplo, é um bom jogador. É técnico e chuta de fora da...
- Mas vai barrar o Lucio Flavio?
- É, mas... Tudo bem.
- Tudo bem pra você, que gosta de bizarrice.
- Tem o Antonio Carlos, que é raçudo e faz gol de nuca em decisão.
- Gol de nuca em decisão... Da onde você tirou essa maluquice?
- Ele fez um gol de nuca na decisão do Carioca.
- E isso é credencial que sirva pra alguma coisa?
- Não sei...
- Do quê que você sabe, então? Fala alguma coisa que preste, cara!
- Olha...
- Tô olhando.
- O Marquinhos e o Willians correm pra caramba e são habilidosos e vão dar um trabalhão pras defe...
- Pro departamento médico, isso sim. Acorda, Luiz!
- Biriba, hoje você tá muito pessimista.
- Pessimista não, realista.
- Pois eu acho que o time vai se acertar direitinho pro Campeonato Carioca.
- Deus te ouça.
- A diretoria é competente e vai surpreender todo mundo.
- Rá! Com essa você se revelou. Eu é que te peguei, otário.

Saudações alvinegras!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Quem assessora esse rapaz?

São inúmeros os casos de jovens oriundos de classes menos favorecidas – o que em português corrente significa ‘crianças pobres’ –, que por conta de talentos especiais se destacam em atividades que pagam bem, o que faz com que acabem ganhando um bom dinheiro e uma certa notoriedade.

(Car Crash – auto-retrato: Justin Sanz)

Não são poucos os que sucumbem ao ‘peso da fama’ e acabam se envolvendo em atividades pouco edificantes. Uns conseguem ‘dar a volta por cima’ – mesmo que vários ‘indicadores’ sugerissem que o fundo do poço seria o destino final de suas vidas –, mas outros enfrentam um final sem nem mesmo um punhado de lama e uma cacimba vazia.

Seja por sorte ou por vontade própria, seja ‘por força’ de uma boa a$$e$$oria ou através de combinações destas forças com outras – de natureza ainda ‘mais interessante’ –, o que que me empolga é ver um desses jovens, já em idade adulta, tomar as rédeas de sua vida e contrariar as expectativas mais funestas, deixando os que apostavam na sua derrocada olhando as fichas serem recolhidas. Isso me dá uma satisfação indescritível! Me$mo que o meio utilizado $eja o que os senhores e$tão pen$ando.

Porque vivemos numa sociedade que aprecia muito mais a derrota do outro, do que a própria vitória; uma plateia mastigando pipocas e torcendo pra ver a queda do trapezista – imagem conhecida. E quanto melhor o trapezista, mais extasiante é o tombo. Porque a queda do homem comum – o tipo mais bravo de ‘herói’, diga-se –, na sociedade em que vivemos, é banal.

‘Fabricamos’ heróis para que sejam destruídos? Pode ser.

Apesar de haver demanda por heróis com longo prazo de validade, a maioria dos heróis são ‘confeccionados’ para atender a necessidades momentâneas, sendo ‘naturalmente’ descartados assim que a ânsia é saciada. E, nesta concepção de universo, a usina macabra se perpetua, pois o ritmo de produção não pode ser atenuado, uma vez que o posto de herói perene é para poucos e muito da graça da ‘brincadeira’ reside, justamente, na vertigem da ascenção.

Precisamos de um herói e precisamos vê-lo caído, porque herói bom é herói morto. E, como somos viciados em espetáculo, produzimos ‘heróis’ em grande quantidade, para viverem mortes espetaculares, protagonizando quedas gigantescas.

(detalhe de Guernica: Pablo Picasso)

Quando vejo um destino trágico se enfiando na vida de um jovem adulto, um ex-garoto pobre que o esporte, a música, ou outra atividade intrínsicamente ligada ao talento individual levou a um nível de sucesso suficiente para conseguir dinheiro bastante para operar o milagre da multiplicação de amigos de ocasião e lhe ‘concedeu’ o êxtase advindo do consumo de bens não-duráveis, a primeira coisa que me vem à cabeça é: “Quem assessora esse rapaz? Quem ‘cerca’ e trata de dar bom amparo a essa moça?”

Mas tão logo me vem este pensamento ele já me parece irresponsável, pois sempre estamos delegando a um ‘outro’ a responsabilidade que deveria ser de todos, o que nos inclui. Porque a ‘assessoria’ e o ‘amparo’ destinados ao herói da vez ou ‘a qualquer pessoa’ deveria ser dado pela sociedade em que vive, e não pelo agente ou empresário, treinador, produtor, patrão, mãe, amigos, etc.

Acredito que enquanto a humanidade não se responsabilizar pelo fim que destina a seus ‘heróis’ – e à plateia desses heróis, por que não? –, a pergunta não é, ‘Quem assessora esse rapaz?’, mas, sim: ‘Como assessorar essa sociedade?’.

Saudações alvinegras!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O quanto sabe Jefferson?


“O ideal seria manter a base, nosso grupo é bom. Queremos dar alegria ao nosso torcedor e de cara vencer o Carioca. O Botafogo tem batido na trave nos últimos anos, mas espero que a temporada de 2010 seja de muito sucesso para nós.”

Foi isso o que o melhor goleiro do Brasil, Jefferson, disse em transmissão da Rádio Tupi AM.

Não concordo com nosso melhor jogador, Jefferson, o Paredão, quando afirma que ‘seria ideal que o Botafogo mantivesse a base’ e que ‘nosso grupo é bom’. Os amigos que acompanham o blog sabem que, no meu entender, poucos seriam poupados da dispensa, sendo que dois deles já estão praticamente de malas prontas: Jobson e Diego.

Na verdade, do ‘grupo’ de jogadores que gostaria que ficassem para a temporada de 2010 parece que só nos sobrou o Jefferson. Uma ‘sobra’ e tanto, diga-se. Não há do que reclamar.

Jefferson não é só um excelente goleiro, mas é um jogador com postura de vencedor. E me convence disso. Uma coisa é ouvir um Juninho ou um Lucio Flavio falando que vão lutar por uma vitória, outra é ouvir o Paredão dizer que pretende “de cara vencer o carioca”. Porque se não confio no pusilânime Juninho e nem no fleumático Lucio Flavio, garanto a vocês que ‘in Jefferson we trust’ (me and Biriba).

O que me preocupa quando ouço de um sujeito do tipo vencedor como o Jefferson que “o ideal seria manter a base”, é o fato de que ele está do lado de dentro do mundo futebolístico e eu aqui, fazendo minhas conjecturas na frente de um computador. É certo que ele sabe muitíssimo mais sobre o que se passa nos bastidores do que eu, que tiro conclusões a partir das notícias que leio.

Agora fiquei desconfiado. Será que nosso goleiro está mandando um recado velado para a torcida, alertando-nos pro fato da diretoria estar trocando porcaria por coisa pior ainda?

Tomara que o Jefferson, um cara todo certo, dessa vez esteja errado.

Saudações alvinegras!

domingo, 13 de dezembro de 2009

100 ÷ n = ?


O vice de futebol Andre Silva anunciou, numa entrevista durante o intervalo do jogo contra o Internacional, que estava negociando a volta do atacante Dodô. Logo em seguida, a imprensa noticiava que o Botafogo perdera o ‘artilheiro dos gols bonitos’ para o Vasco.

Há poucos dias outra notícia falava a respeito de mais uma ‘perda’. Desta vez, o atacante Reinaldo, a eterna promessa de retorno triunfal, convalescente crônico, havia escapulido das mãos de nossos diligentes diretores e estaria assinando com o Vasco. Mais uma vez, o Vasco.

A contratação de Dodô ao Vasco não foi concretizada e duvido muito que a de Reinaldo se efetue.

Digo isso porque não seria de se esperar que uma diretoria que levou um time a sair de forma brilhante da segunda divisão do Brasileiro, começasse a fazer bobagens de uma hora pra outra. Souberam contratar, souberam administrar a campanha e todos os âmbitos do futebol do clube, sendo que há de se destacar o trabalho do departamento de marketing, que conseguiu mobilizar a torcida de forma exemplar, e durante toda a competição.

Não seria agora que teriam uma recaída, pra começar a fazer trapalhadas como fizeram, fazem e farão o vice Silva e seu camarada, o gerente Barros.

Só não consigo atinar porque justamente o Vasco entrou nessa(s) história(s). Seria para desviar a atenção do fato de que o co-irmão tentou nos tirar o Jobson e provavelmente ficará com o lateral Michael – que quase saiu, ou saiu, não sei, antes mesmo de começar?

Já que não vem nenhum de cem mil, então peguem logo o Nunes, que não tem medo de ser feliz, e o Ariel, centroavante brigão. Os times deles foram rebaixados, mas duvido que pipoquem, como pipocaram os ‘líderes’ do time que se apossou do uniforme botafoguense nos últimos seis meses.

Saudações alvinegras!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O arquipélago catarinense da alegria


Em minha estadia no arquipélago catarinense do Avaí, pude perceber que as coisas vão muito bem por lá. A atmosfera geral é de um ambiente corporativo sintonizado ao que de mais moderno pode ser encontrado no meio empresarial contemporâneo e a paisagem é uma maravilha.

Os avaianos e avaianas desenvolveram um projeto de gestão no qual estipularam metas e arquitetaram um planejamento estratégico para viabilizar a realização de seus objetivos, e isto, traduzido para o Português, quer dizer: ‘bolaram uma forma esperta e eficaz de administrar um clube de futebol’. Ao final das contas, é o mínimo que se pode esperar de pessoas que estão encarregadas de dirigir uma instituição que, supostamente, e espera-se, tem o sucesso como finalidade. E é exatamente isso o que faz a alegria de seus associados. Ou seja, a torcida avaiana agradece.

O planejamento citado acima elegia, dentre outras, as seguintes metas para 2009 (transcritas do site oficial do clube e numeradas para análise):

1) Permanecer na elite do Futebol Brasileiro (Série A);
2) Buscar participação nas competições: libertadores e sul-americana;
3) Manter o torcedor satisfeito e orgulhoso da camisa que veste;
4) Ser um clube reconhecido como importante formador de atletas;
5) Ser visto como um clube sério, com credibilidade e patrimônio sólido;
6) Ter visibilidade nacional e internacional, fortalecendo a marca Avaí FC;
7) Ter patrocinadores e investidores seguros de seus investimentos feitos no Avaí FC;


A missão dos avaianos é:
'Proporcionar satisfação e orgulho aos associados, por meio de conquistas e títulos'.


* * *

De volta ao mundo dos homens tristes e sem vida que se enfurnaram na enseada de General Severiano, fiz uma análise comparativa entre os resultados avaianos e os botafoguenses:

Objetivos 1, 2 e 3:

Avaí: A meta de número 1 foi atingida com folga. A segunda, que era uma ‘tentativa’, ficou a três pontos de atingir o topo de suas ambições e ambas certamente garantiram aos gestores alcançar o terceiro objetivo.

Botafogo: Mesmo que o mandato Assumpção represente uma espécie de ‘gestão sem metas’, podemos dizer que não atingimos um claro objetivo do presidente, já que este afirmara que estaríamos na briga pelo título. Pior, não participaremos de nenhuma competição sul-americana oficial, nos livramos da Série B por um triz, e o torcedor não deve estar muito satisfeito. Insatisfeito, porém, não com a camisa que veste, mas com quem usou indevidamente nosso uniforme dentro de campo.

Objetivo 4:

Desconheço o potencial da base de formação do Avaí, mas por aqui, dos atacantes Laio, Junior e Caio, somente o primeiro jogou algumas vezes e desapareceu, dando lugar a Reinaldo, Victor Simões, Ricardinho e coisas do gênero. Talvez reapareça em outro clube daqui a uns dois anos ou desapareça para sempre. Rodrigo Dantas, Gabriel e Luís Guilherme já têm parte de seus direitos em poder dos sócios do fundo de investimento, e Wellington Junior serve para a seleção sub-17, mas não serve para nosso time principal.

Objetivos 5, 6 e 7:

Avaí: Depois do campeonato de 2009, ninguém duvida que o Avaí seja um clube sério e que tenha credibilidade, além de ser de conhecimento geral o fato de que são proprietários do estádio em que jogam, quando têm o mando de campo. Certamente conseguiram tornar o clube mais conhecido nacionalmente, fortalecendo sua marca, o que provavelmente fez com que os patrocinadores e investidores estejam felizes da vida, por terem feito uma aposta certeira ao investir no clube catarinense.

Botafogo: A atual gestão do Botafogo é responsável por criar uma imagem de clube desgovernado, presidido e administrado por amadores despreparados, que municiam a imprensa com fatos que a levam a acreditar que somos uma instituição que não merece respeito, abrindo caminho à formação de um imaginário popular que nos tem como perdedores, um time de segunda linha.

O mandato Assumpção ainda agregou a esta imagem negativa uma campanha no Campeonato Brasileiro em que nos arrastamos até conseguir salvamento na última rodada, enfraquecendo nossa marca em âmbito nacional, estreitando o escopo de possibilidades de futuros investimentos e frustrando as expectativas dos atuais patrocinadores. (Seriam necessárias algumas gerações para que a imagem internacional do Botafogo fosse abalada de forma significativa).


Uma pena que nossos dirigentes não conheçam o fabuloso estilo de vida do arquipélago do Avaí, pois nossa enseada poderia viver em festa, com muita dança, mulheres de sarongue e homens felizes, comemorando vitórias e vivendo a vida alegremente.

* * *

- Estamos em péssimas mãos...
- Eu sei, Luiz.
- E o quê que a gente pode fazer, Biriba?
- Vamos tirar esses caras de lá!

Saudações alvinegras!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Lá é ula-ula, aqui é uga-uga


“Os resultados abrangem as diversas áreas do clube. Além das conquistas do futebol, e das modalidades olímpicas, o __________ alcançou as metas administrativas previstas no período entre 2004 e 2009. O quadro de sócios aumentou em cerca de 500%, passando de 2.763 em 2004 para 13 mil esse ano. A meta é atingir 20 mil sócios adimplentes até dezembro de 2010. As mulheres representam hoje 18% do número total de sócios do __________. O crescimento da presença feminina no clube é da ordem de 729% de 2004 para cá. Outro resultado importante está na área de licenciamento de produtos. Em 2007, o clube tinha cerca de 80 ítens. Esse ano já são 1,5 mil e a previsão é de 3 mil artigos com a marca __________ para 2011. O trabalho de profissionalização da gestão do __________ vai continuar. Principalmente na ampliação e modernização do estádio ___________, no crescimento do patrimônio e na aquisição de novos sócios. Para 2011, a meta é ter 25 mil sócios e ampliar a capacidade do estádio para 32 mil lugares.”

Mesmo que o número de sócios e a capacidade do estádio, descritos no texto acima, não sejam compatíveis com metas ambiciosas, porém realistas, para o potencial do Botafogo – que possui cerca de 5 milhões de torcedores espalhados pelo Brasil –, dá uma vontade danada de preencher as lacunas com o nome do nosso clube de coração, não dá? Porque os números são expressivos: 500%, 729%, avanços de 80 produtos de marca para mil e quinhentos!!!

Pois este é o resultado do projeto de marketing que, incorporado a um conjunto de iniciativas administrativas de alto nível, tirou o Avaí Futebol Clube de uma eterna estadia na segunda divisão do Campeonato Brasileiro e o fez conquistar, em 2009, o sexto lugar, na mesma competição na qual ocupamos as últimas colocações até a última rodada.

E eles querem ampliar o estádio – que é deles, não é uma concessão –, enquanto a nossa diretoria quer se desfazer do Engenhão...

Imaginem as possibilidades de crescimento do nosso clube, se um grupo de dirigentes e profissionais deste mesmo gabarito gerisse o Botafogo de Futebol e Regatas! Imaginaram? Sonho bom, não é mesmo?

Pois é, quando literalmente ‘caio na real’ e acordo para o pesadelo que representa a presidência de Assumpção – uma administração esportiva gerida por uma amálgama de despreparados de diversas origens profissionais e morais –, sinto uma tristeza tão grande, que me dá vontade de voltar ao sonho catarinense ou de trazer desesperadamente este sonho pra cá.

Mas, até 2011, isso não será possível. Até lá, somente a certeza de que ‘o Avaí não é aqui’.

Saudações alvinegras!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

À torcida alvinegra


Faltou pouco para a torcida botafoguense lotar de cabo a rabo o Engenhão e talvez lotasse, se houvesse a venda online de ingressos e se a diretoria emanasse um mínimo de credibilidade para que os torcedores tivessem a certeza de que não dariam com os burros n’água, como ocorreu no Dia da Criança.

A torcida que compareceu ao estádio no domingo passado é a mesma que apoiou o time de perebas formado por uma diretoria ridícula, e o fez em diversas ocasiões. Esteve presente no jogo contra o São Paulo, colocou 70 mil no Maracanã numa final contra o Resende e superlotou o Engenhão – com uma ‘sobra’ de uns 20 mil fora do estádio – na partida contra o Avaí.

Os torcedores comuns como eu, que não fazem parte de torcidas organizadas, foram ao Engenhão em grande número num momento em que o Botafogo estava com a ponta da faca encostada na garganta. Foram assistir a um belo espetáculo de futebol (isso é uma pergunta), a uma exibição fantástica de uma equipe bem montada e confiável, um time aguerrido e brioso e formado por jogadores decisivos, com nomes de destaque, que se empenham até o último minuto de uma partida, que vestem a camisa como se fosse um uniforme de guerra e dão o sangue pelo clube que defendem? Não. Porque o time que ia entrar em campo disfarçado com camisas do Botafogo não correspondia a nenhuma destas qualidades enumeradas e nunca as terá, nem que vivam por 200 anos! E aqueles 39 mil pagantes sabiam disso.

“Então por que foram?”, perguntariam aqueles que não conhecem o torcedor botafoguense. Biriba responde: “Foram apoiar seu time de coração na hora que ele mais precisava e danem-se os pusilânimes que vestissem as camisas gloriosas. Se o recheio não é bom, que salvemos a boa massa pra uma próxima ocasião.”

O Biriba, assim como muitos torcedores esclarecidos, sabe muito bem que a imensa maioria da torcida botafoguense não gosta de porcaria, não apoia time ruim, não aplaude perebas, detesta a mediocridade.

Está provado: À torcida botafoguense não falta amor àquela estrela no escudo. A inteligência que sobra na hora de poupar energia e dinheiro em ocasiões constrangedoras e deprimentes, é a mesma que a faz gastar ambos, e com vontade, nos momentos cruciais. Mesmo quando esses momentos são inevitavelmente constrangedores e potencialmente deprimentes.

Parabéns à torcida alvinegra! É uma honra estar com vocês.

Saudações alvinegras!

Nota A: Faço aqui uma ressalva e tiro da lista de indolentes os jogadores Jefferson, Jobson, Leandro Guerreiro, Diego e Alessandro.

Nota Z: Não mencionei a inexistência de um programa de sócio-torcedor convidativo e de um sistema que facilite o acesso ao estádio, porque isso seria pedir demais para a diretoria que temos, que não consegue nem ao menos vender ingressos pela internet.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O alívio final, coisas boas e o que segue


O domingo foi especial por vários motivos: o Botafogo se livrou do rebaixamento; me encontrei pessoalmente com o Rodrigo Federman – botafoguense cinza chumbo, que assina o blog Cantinho Botafoguense, e com quem convivo quase que diariamente no mundo da internet – e seu irmão Rafael – que, a exemplo do irmão e do pai, faz parte de uma linhagem de botafoguenses que não toleram mediocridade futebolística, moral e profissional –, com o Francisco e seu filho Vitor e mais uma vez assisti a uma partida com o amigo Gil.

Foi muito bom, mesmo, torcer por nossa salvação ao lado deles, pessoas que eu tinha certeza que eram verdadeiros apaixonados pelo Botafogo e cuja vibração é sensivelmente sincera – coisa de quem não vai a um jogo pular carnaval (com todo o respeito ao carnaval). Estava em companhia das ‘pessoas certas’, digamos assim.

Espero por oportunidades semelhantes, mas tomara que o que esteja em jogo seja a conquista de um título, coisa que transmute a energia investida em algum sentimento mais instigante que o simples alívio.

Como vocês podem perceber, o futebolzinho medíocre que o Botafogo apresentou para a sua torcida, e que foi suficiente pra vencer um Palmeiras desmotivado, foi amenizado por vários motivos. E não vou me ater aos aspectos técnicos e táticos de uma partida onde o que estava em jogo era a permanência na primeira divisão do campeonato mais importante do país e, por ter sido a última, me deixou aliviado ao ponto de uma quase total anestesia, tanto física, quanto mental.

Na saída do estádio falei pros meus amigos que eles pareciam ‘sacos de papel vazios’, pois não exibiam muita energia, estavam meio 'moles', o que era natural, já que não faltaram gritos de xingamento e os de comemoração, e muita, mas muita tensão, mesmo – fora o bendito sol. Acho que era o tal alívio. Uma sensação inebriante.

Depois de passarmos um campeonato inteiro convivendo com a parte de baixo da tabela, o que certamente nos atrapalhou o sono em muitas noites, acredito que nós botafoguenses dormimos mais tranquilos ontem.

Mas acordamos certos de que não merecíamos passar pelo que passamos, nós e o Botafogo, e a torcida fará de tudo pra que não aconteça novamente.

Diretoria e jogadores indolentes, vocês podem ter certeza de que não vamos baixar a guarda. Como bem diz o Rui Moura: “Queremos nosso Botafogo de volta!”

Saudações alvinegras!!!

domingo, 6 de dezembro de 2009

sábado, 5 de dezembro de 2009

Torcida Gloriosa

De pé: Cacá, Zé Maria, Manga, Nílton Santos, Pampolini e Rildo.
Agachados: Garrincha, Didi, Amarildo, Quarentinha e Zagallo.

Os times que não entrarão em campo, mas que estarão torcendo pelo Botafogo, seja em corpo ou em espírito, serão distribuídos pelo Engenhão da seguinte forma:

Setor Oeste Superior: Manga, Carlos Alberto Torres, Zé Carlos, Leônidas e Nílton Santos; Ney Conceição, Gérson, Didi e Jairzinho; Garrincha e Quarentinha.

Setor Oeste Inferior: Osvaldo Baliza, Moreira, Zé Maria, Márcio Santos e Marinho Chagas; Carlos Roberto, Alemão, Perácio e Zagallo; Paulinho Valentim e Heleno de Freitas.

Setor Norte: Wendell, Josimar, Wilson Gottardo, Gonçalves e Rildo; Carlos Alberto Santos, Válber, Mendonça e Amarildo; Donizette e Túlio Maravilha.

Setor Leste Superior: Wagner, Joel, Osmar, Mauro Galvão e Rodrigues Neto; Leandro Ávila, Djair, Zezé Procópio e Juvenal, Roberto Miranda e Paulo César Caju.

Setor Leste Inferior: Paulo Sérgio, Cacá, Brito, Nariz e Waltencir; Luizinho, Afonsinho, Martim e Dirceu; Maurício e Carvalho Leite.

O Setor Sul é reservado para a torcida visitante, mas por lá podem ficar ‘infiltrados’, Victor e Ricardo Cruz, pro caso de algum problema na retaguarda. E pra reforçar o ataque, podem se juntar a eles: Mimi Sodré, Nilo Braga, Heitor Canalli, Áttila de Carvalho, Patesko, Octávio Moraes, Rogério Hetmanek, Paulinho Criciúma, Valdeir, Carlos Alberto Dias...

Time foi o que não faltou ao Botafogo ao longo de sua história e torcida é o que não vai faltar neste domingo.

Salve, Tarzan! Sua presença também é esperada.

Saudações alvinegras!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Botafogo x Palmeiras e a Guerra Gaúcha


No primeiro turno o Botafogo foi ao Parque Antártica jogar contra o Palmeiras. O time paulista liderava o campeonato e o Botafogo estava na 15ª colocação, com praticamente metade dos pontos do clube da casa. Mas a desvantagem não se limitava à pontuação e nem a algum critério subjetivo, pois o alvinegro acabara de trocar de técnico e estava desfalcado de seis ‘titulares’ – fora o péssimo preparo físico da equipe, que Ney Franco deixou no seu rastro de destruição.

O novo treinador era a esperança da torcida e eu, um entusiasta da nova contratação. Mas Estevam Soares teve apenas entre três e quatro dias para treinar uns caras que não treinavam nunca! A torcida estava completamente pra baixo, e todos acreditavam que o Palmeiras ia dar uma goleada no Botafogo.

Eu não achava o mesmo, porque alguns dos problemas que o time enfrentaria, poderiam ser soluções. No meu modo de ver, a falta de treinamento comandado pelo novo técnico seria superada pela vontade dos jogadores mostrarem serviço, e a ausência de titulares seria uma oportunidade para o time jogar sem um monte de perebas usuais e com os reservas se juntando ao resto, no empenho em fazer boa figura ao treinador.

O resultado disso foi um time aplicado na marcação e que não deixou o Palmeiras construir coisíssima nenhuma no primeiro tempo. Fizemos um gol e tivemos um pênalti não marcado, porque o juiz tinha preferência pela cor verde. O time acabou cedendo o empate em falha dupla, combinada entre o sempre péssimo zagueiro Juninho e o estreante entre os titulares, Flávio.

Na segunda etapa o Botafogo abriu o bico e um certo sufoco se estendeu até ao final da partida, porque a equipe palmeirense era, sem dúvida alguma, superior à nossa.

Dito isto, gostaria de relembrar à torcida alvinegra, que o time que enfrentaremos é o mesmo Palmeiras que precisou de uma ajudinha da arbitragem, para não ficar em desvantagem de dois gols sob um time desfalcado, sem treinamento tático e técnico, e sem preparo físico.

E ainda existe o agravante de parecerem mais desequilibrados que nós, já que a torcida anda estapeando seus jogadores e eles mesmos se atracando em campo. Fora o presidente do clube que incita os torcedores à violência contra juízes e tenta usar seu poder político para levar a partida para Volta Redonda, num ato que revela o desespero de um time que tinha tudo para ganhar o campeonato mais fácil dos últimos anos, mas titubeou quando estava em vantagem e agora está sob o fogo cruzado da guerra entre os gaúchos.

Porque está claro para o Palmeiras e para todo o povo brasileiro, que o clube vem para uma partida sabendo que não tem chances de ser campeão, já que o Grêmio vai repetir a dose de veneno que o Internacional lhe enfiou no ano passado.


Se soubermos usar a nosso favor a desvantagem que o adversário tem em relação ao Flamengo – e o painel eletrônico do Engenhão confirmará, no decorrer da partida, o agravamento desta desvantagem, que será, e da forma como será obtida pelo oponente, diga-se, uma vergonha –, poderemos sair do Engenhão com o peito aliviado, porque o Palmeiras, por mais olímpico e brioso que seja, sentirá o peso psicológico de ver o título escapando de suas mãos, justamente no decorrer de uma partida.

E o Botafogo não tem nada a ver com isso.

Saudações alvinegras!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Jobson e o Gigante


Jobson era um judeu baixinho que não gostava de academia. Enquanto a rapaziada ficava malhando ferro e trocando pancada com marmanjo, Jobson ficava na dele, curtindo uma praiana e praticando com umas amigas.

Certo dia, os filisteus, uns caras sangue-ruim toda vida e que não iam com a cara dos judeus, resolveram dar um sacode no pessoal de Judá, que era o bairro onde Jobson morava. Marcaram um lugar pra trocar porrada e se encontraram em Azeca, uma quebrada sinistra, lá pros lados do Oriente Médio, bem depois de Niterói.

A chapa já estava quase esquentando quando um tal de Golia, um cara grandalhão e cheio de marra, marombeiro bombado e lutador de Muay Thai, resolveu tirar uma onda e disse que pegava de porrada o primeiro que caísse dentro. E, pra esculachar de vez, ainda disse que se levasse uns tapas de algum manezinho, mandava os filisteus pagar o mico de virar escravos dos judeus.

Saul, que era o cara que mandava nas paradas dos judeus, amarelou na hora do vamos ver. Olhou pra trás e viu sua rapaziada toda com cara de Lucio Flavio e sacou na hora que ninguém ia comprar a bronca.

O tal de Golia era tão grande, mas tão grande, que a turma dele só chamava o cara de Gigante. (Os filisteus eram um povo sem criatividade nenhuma).

Todo dia o Gigante Golia voltava pra encarar os judeus, e os caras continuavam botando o galho dentro. Tremenda situação estranha, os judeus sendo esculachados e o Gigante tirando a maior onda.

Um dia, o pai de Jobson mandou o moleque levar um rango pros irmãos mais velhos, que estavam no meio do pessoal que amarelou pro pitboy. Jobson se interou das paradas e disse que encarava o Gigante numa boa e que ia arrancar o couro do mané.

Todo mundo achava que Jobson era um comédia e ia levar uns tapas. Ninguém botou fé no moleque. Mas Jobson pegou o estilingue e partiu pra encarar o Gigante.



Maior cena estranha: de um lado, um moleque magrelo, de bermuda e com um estilingue na mão e, do outro, um cara sinistrão, marcando uma beca tipo medieval e uma espada ninja.

O Gigante tirou onda com a cara do moleque, dizendo que Jobson era um rosca fina, filhinho de mamãe e que nunca passou da quinta fase do Mu Chaos (o Gigante era meio afetado, mas ninguém tinha coragem de dizer, porque o cara era grande mesmo e vivia treinando jiu-jitsu).

Mas Jobson não encolheu o couro e ainda botou pilha. Disse que já tinha trucidado um monte de mané bombado que gosta de roupa cafona do Final Fantasy e ainda ia quebrar os playstations dos manezinhos filisteus.

Golia riu, “Rá, rá, rá!” e partiu pra dentro.

O Gigante achou que a parada era o maior molinho e veio estufadão pra cima do moleque. Jobson tirou uma pedra portuguesa (aquela pesadona, que tem umas pontas sinistraças) da mochila, colocou na funda (eles falam esquisito pra cacete na terra deles) e mandou no meio da lata do safado.

O Gigante caiu que nem uma jaca podre. Os filisteus falaram: “Ô lôco, meu!(Eles falam assim lá no Egito).




Pra tocar o terror de vez, o moleque ainda pegou a espada do Gigante e cortou a cabeça do maluco. Sinistro!


(Caravaggio: Davi e Golias. c. 1599)

A galera do Gigante passou mal com a cena e meteu o pé. Na debandada um maluco ainda conseguiu meter a carteira de um tal de Fahel, que olhava pra todos os lados meio perdidão.


(Caravaggio: Davi com a cabeça de Golias. c. 1609-10)

Jobson levantou a cabeça do Gigante pelos cabelos e disse: “Mó otário, aí... Falei pra ficar frio, mas neguzinho se esquenta por qualquer besteira e acaba perdendo a cabeça à toa.”

Saudações alvinegras!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Quanto mais difícil, melhor

(Peter Paul Rubens: David Matando Golias. c. 1616)

Sempre tive a impressão de que o Botafogo joga melhor contra equipes tidas como ‘grandes’, do que contra os ‘pequenos’.

Pode ser algum tipo de sentimento de desprezo ao que lhe parece inferior, uma certa altivez. Também pode ser fruto de uma ‘autoconfiança degenerativa’, que se tornou maléfica por se contaminar com o vírus da soberba, ou mesmo uma sina que o conduz a se interessar apenas por grandes desafios.

Seja como for, tenho a impressão de que contra os clubes considerados ‘fortes’ nosso desempenho melhora; assustadoramente para eles, e satisfatoriamente para nós.

Neste mesmo campeonato, que se encerra melancolicamente para o lado do Botafogo, conseguimos melhores resultados jogando contra ‘times grandes’, do que jogando contra os ‘pequenos’.

No comecinho da competição veio o empate em jogo fraquinho contra o Corínthians – o bicho-papão do momento, mas que era na verdade uma espécie de Gasparzinho. Vencemos o Santos, empatamos com o líder, Atlético MG, no Mineirão, e vencemos o Internacional. Na estreia de Estevam Soares o Botafogo empatou com o Palmeiras, no Parque Antártica, com direito à não-marcação de um pênalti, quando ganhávamos de um a zero e 'desfalcados' de seis titulares.

No segundo turno, contra o Corínthians, foi aquela roubalheira a que todos assistimos e ainda arrancamos um empate. Empatamos com o Cruzeiro e o mesmo contra o Grêmio, em outro caso de ataque de mafiosos disfarçados de juízes de futebol. Vencemos o Goiás (uma exceção à regra dos ‘grandes’, pois estava ‘embalado’ e tem um bom time) no Serra Dourada e, no Engenhão, jogando como ‘time grande’, despachamos o Atlético Mineiro. Ainda vencemos o Inter no Beira Rio e o São Paulo ‘de revirada’, em partidas memoráveis; uma pela garra e outra pelo brilho da estrela de Jóbson.

Chegamos à última rodada do campeonato dependendo de uma vitória para não ter que contar com um resultado alheio ou de um empate, que nos leva a torcer para que o tricolor vença a sua partida.

Por incrível que pareça, eu prefiro encarar um ‘time grande’ a ter pela frente um ‘Arranca Toco’ (referência a um time do bairro que meu pai morou quando criança, nada a ver com os adversários pejorativamente chamados de 'pequenos'), pois no mundo botafoguense as coisas acontecem ao contrário. Se fosse um jogo contra um time considerado ‘pequeno’, eu estaria com a guarda baixa, esperando o pior. Mas é contra o Palmeiras, o time do Ex-Ministro de Estado, ‘time de tradição’ e que, ainda por cima, chega à última rodada disputando o título!

Ora, botafoguenses! Se é assim, então melhorou. Era o que estava faltando, era a pedreira a ser encarada. Se quem vem é o Palmeiras, acho que dá pra acreditar na salvação.

Com o Botafogo é assim. É só dificultar, que as coisas ficam mais fáceis.

Nota: Vocês podem ler no Cantinho Botafoguense o texto que me inspirou a escrever esta postagem. O texto do Rodrigo é um comentário que analisa uma reportagem do Lance, na qual é demonstrado que o Botafogo tem ótimo aproveitamento contra os times mais bem colocados na tabela.

Saudações alvinegras!