quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Se queriam mesmo vencer, não sei, mas sei que fui enganado


O primeiro tempo do jogo de ontem me fez lembrar a segunda partida das finais do Carioca de 2007. Naquela ocasião o time passou toda a primeira etapa tocando a bola de um lado a outro de forma acanhada e claudicante, como se o empate fosse um bom resultado. Desta vez não foi muito diferente disso até o cronômetro passar dos 40 minutos, quando a equipe assumiu outra postura, mostrando o ímpeto ofensivo que naturalmente se espera de um time cujo único resultado que representa sua sobrevida na competição é a vitória.

A escalação, que teoricamente remetia a uma equipe ofensiva e que supostamente buscaria o gol desde o primeiro minuto, me enganou, pois o que se viu foi um time com postura acomodada e inexplicavelmente tímida.

(Suspeitei da ‘enganação’ quando, momentos antes do início da partida, Reinaldo disse que “temos que ter equilíbrio, calma, tocar a bola e não ir pra cima de cara”, algo assim. Em suma, uma declaração bem articulada para camuflar o que no fundo não passa de ‘conversa de perdedor’. Me lembrou instantaneamente a ‘máxima’ ridícula ouvida por aí, que afirma que ‘o gol acontece naturalmente’, como se o gol fosse algo comezinho. Muito pelo contrário, o gol é o que muda a ordem natural das coisas: o gol é algo extraordinário).

Os últimos cinco minutos do primeiro tempo e o começo do segundo serviram para provar que a pasmaceira futebolística apresentada pelo Botafogo durante os 40 minutos iniciais nada mais era do que a materialização de uma vontade. Se foi uma decisão íntima ou institucional, individual ou coletiva, tomada pela comissão técnica ou pelos jogadores, isso não importa agora – talvez sirva como lição mais adiante.

O que importa saber é que a despeito do acaso futebolístico, antes mesmo que a indeterminância imposta pela vida tomasse conta da partida, uma decisão equivocada já havia contaminado a equipe com o espírito débil dos perdedores. Uma vez contagiado pelo vírus do fracasso, 45 minutos podem não ser suficientes para purificar o sangue. Da mesma forma que a desgraça de 2007 começou antes do apito inicial, ontem a equipe já entrou em campo derrotada.

O humor dos abatidos envenena o corpo e exala seu cheiro; os cães reagem a isso. Pode não ser percebido conscientemente, mas a Natureza se encarrega de sua eliminação e se expressa através da bola que não entra, do adversário que salva na linha, do gol-feito perdido, da punição inicial, do turvamento dos sentidos e do golpe fatal.

Mesmo começando a partida com jogadores sem o brilho nos olhos que carregam os verdadeiros vencedores, nossa equipe poderia ter lutado desde o primeiro minuto contra o adversário e também contra aquela deficiência incorrigível porquanto inerente. Mas preferiu o comedimento dos medíocres. Quando acordou, já era tarde e foi acachapada pelo ímpeto sanitário da Natureza.

Coisas da vida.

(foto: Ricardo Cassiano/Lancenet)

Vale destacar o fato de que o Botafogo passou 90 minutos insistindo pelo meio contra um adversário retrancado? Certo que sim. Faça uma visita ao Cantinho Botafoguense. Está lá.

Vale comentar que Fahel é uma nulidade perdida em campo e ainda é o ‘homem de referência no sistema defensivo’? Vale, sim. Leia sobre isso no Fogo Eterno.

Vale dizer que o técnico é refém de uma panelinha de intocáveis que tomou General Severiano de assalto? Claro que sim. O blog do Movimento Carlito Rocha fala sobre esta mazela.

Vale lembrar que atuamos mal quando precisamos tomar a iniciativa do jogo? Sim, sim. O Mundo Botafogo/Estrela Solitária fala sobre isso aqui e também nesta outra postagem.

Vale falar sobre a falta de inteligência de nossos jogadores? Lógico! Está lá no snoopy em preto e branco.

Saudações alvinegras!

5 comentários:

Gil disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gil disse...

Grande Luiz,
Grande Biriba,

Foi VERGONHOSO!
Jogadores COVARDES! Escondem-se em campo! Até em cobrança de lateral ninguém se apresenta para receber. É preciso os apupos da torcida para que algum derrotado apareça.

“Jogadores sem o brilho que carregam os verdadeiros vencedores”

Se os conselheiros, beneméritos ou sócios não fizerem nada, infelizmente, a nossa PAIXÃO será extinta!
A corja que se apoderou do poder em GS, está a passo largos para que isso aconteça.

Abs e Sds, BOTAFOGUENSES!!!

Luiz disse...

Gil, meu amigo, foi como um filme ruim sendo revisto. Começou com a fala do Reinaldo antes de começar a partida e depois que ‘resolveram’ jogar bola, lá estava a prova. Enquanto tivermos os ‘amarelões’ entre nós – que são incorrigíveis, é da natureza deles –, seremos pra sempre o clube estimado por poetas românticos e pelos adversários. Estes, porque estão interessados no sucesso, e aqueles, por viverem à cata de um mal que torne suas vidas mais piedosamente tristes.

O Conselho e os sócios vão conseguir reverter a situação. Mas como a maioria é conservadora, vão cumprir o calendário em calmaria, esperando a chegada das próximas eleições. O problema é que pode ser tarde, como já foi com relação a varrer do Engenhão qualquer vestígio de que seja um estádio sob a concessão do Botafogo.

Saudações alvinegras!

Anônimo disse...

Quanto vergonha!
Tomar um golaço daqueles! e perder de goleada pela aquele time!
O último a sair apaga a luz!

Luiz disse...

Anônimo,
A covardia é uma vergonha, mesmo.

Mas não vi golaço nenhum. O melhorzinho foi o do Botafogo, que o Jobson fez fila de zagueiros. O primeiro deles foi uma falha da defesa; o segundo, um gol banal; e no terceiro era um atacante contra um goleiro. Nada que eu não tenha feito quando jogava bola.

Saudações alvinegras!