segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Botafogo do Biriba apoia o MCR


Vou começar pelo óbvio dizendo que é certo que a derrota para o Atlético PR não é coisa que passou. Muito pelo contrário, ela está presente e é parte do que pode decidir nosso futuro. Temos que reunir forças e partir com tudo contra o Palmeiras no próximo domingo. Estarei lá, todos estaremos, seja de corpo presente, seja em pensamento.

O importante é ter a certeza de que para essa enrascada temos saída.
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A semana botafoguense é longa e começa com uma reunião do MCR Movimento Carlito Rocha, que tem como pauta o programa de sócio-torcedor.

É mais uma oportunidade de reunir torcedores insatisfeitos com a atual administração do clube, para que fortaleçamos a ideia de formar uma frente de oposição que reflita os anseios das vozes divergentes e lute para garantir ao BFR sua grandeza, que está sendo ameaçada por um poderoso processo de vilipêndio e apequenamento, encabeçado pelos atuais gestores.

O Botafogo do Biriba apoia o MCR na luta pela implantação de uma administração profissional do Glorioso, que se espelhe em empreendimentos bem sucedidos e esteja aberto a inovações, trazendo para nosso clube de coração um projeto que reflita os mais altos padrões da gestão esportiva contemporânea. E, principalmente, que prime por colocar o bem do clube acima de quaisquer interesses pessoais ou empresariais que o possam prejudicar.

Serviço:
Reunião do MCR Movimento Carlito Rocha
Local: Sindicato dos Bancários – Avenida Presidente Vargas 502, 21º andar (RJ)
Data e hora: 30/11 às 19h

Saudações alvinegras!

1... 2... 3...

O que comentar sobre o que vi na tarde de domingo?

Diria que confiar na capacidade de um reserva do reserva do Figueirense é coisa de gente irresponsável, ou que Estevam Soares teve uma falência mental quando observou que Ricardinho estava demonstrando ‘desempenho técnico impressionante’? Todos já não sabiam que Wellington é frágil e perde três de cada duas antecipações? Deveria estranhar o fato do Atlético nem precisar nos pressionar para garantir a vitória? Deveria lamentar a traição de Victor Simões, quando ‘desarmou’ Alessandro para ‘servir’ o adversário, dando origem à posse de bola que levou ao segundo gol? Reclamar da vida por nos ter dado uma diretoria que contrata amiguinhos e nos trouxe um sujeito constituído de vento, homem de palavras comedidas, futebol acanhado e virilidade ínfima, para vestir nossa camisa de número dez? Perguntar o que leva Renato, um atleticano agnóstico, a proteger tão bem a bola para em seguida entregá-la de volta ao adversário? Deveria eu saber as razões que movem um treinador a colocar Alessandro para jogar na posição de um meia? Como imaginar que o melhor passe da partida seria feito por Emerson, que deixou o adversário na cara do gol, para deleite de Fahel, que teve ótima oportunidade de cometer um pênalti? Como explicar o motivo de Jônatas não ser escalado de início? O quê acrescenta Thiaguinho? Quando Reinaldo anunciará sua aposentadoria? Como Estevam Soares conseguiu copiar Ney Franco perfeitamente? Quantas vezes Leandro Guerreiro precisará falhar em lances decisivos, para a torcida perceber que se trata de um jogador não-confiável? Poderia eu prever que, ao cabecear com perigo uma bola na trave, Fahel selaria nosso trágico destino, por ter se aliado a forças malignas que nos cobrariam a dívida no final?

É este o time que o presidente Assumpção disse que iria disputar o título brasileiro? É a desgraça o que o vice Silva e o gerente Barros entendem como resultado de um bom trabalho? É esta situação o que seus correligionários consideram como fruto de uma administração satisfatória?

Termino aqui minhas indagações ou continuo sem trégua até a segunda divisão?

Saudações alvinegras?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Era uma vez, Jóbson...


“Outros clubes fizeram propostas e podemos fechar a qualquer momento. Não creio que o Jóbson fique no Botafogo. As chances são pequenas”, disse o presidente do Brasiliense, Luis Estevão, que garantiu que há um clube da Alemanha interessado no jogador.

Esta notícia foi publicada no Jornal dos Sports online, mas esteve estampada por outras paragens.

Está certo quem acha que o Botafogo é uma vitrine para que jogadores em baixa apareçam para depois garantirem bons contratos por outras bandas. E podem estar certos também aqueles que pensam que a diretoria alvinegra é formada por um conjunto de incompetentes que não entendem nada sobre o mundo do futebol profissional. Mas é natural que existam os que pensem coisa pior a respeito destes senhores.

Eu mesmo sou um dos muitos que desconfiam que os maiores responsáveis pela debandada de Jóbson ao final do campeonato e pela ida de Maicosuel para o futebol alemão se fazem de idiotas, pois no fundo entendem mais de artimanhas de bastidores e acordos de surdina do que aparentam, escondidos por detrás de simulacros de débeis mentais. Pilham o patrimônio alvinegro em ritmo acelerado, quando deveriam prezar pelo bem do clube para o qual supostamente trabalham, simulando serem simples idiotas.

E estes senhores tem nome. São eles: Mauricio Assumpção, Andre Silva, Anderson Barros e correligionários. Enquanto estiverem administrando o futebol do clube, mesmo que se salve do rebaixamento, o Botafogo não sai da lama.

Nota: Para saberem mais sobre as mentiras e incoerências que envolvem o ‘caso Jóbson’, leiam o comentário do Rodrigo, no Cantinho Botafoguense. Aparentemente os dirigentes do Botafogo, no mínimo, perderam de vez o pudor.

Jóbson massacra a serra elétrica


(‘Jóbson sai de cena pela direita do quadro’: Globo Esporte)

Parece que os editores do Globo Esporte sabiam de ‘algo mais’ quando redigiram e editaram, junto a imagens de caça-níqueis, a afirmação: ‘Jóbson, aposta certa’.

Saudações alvinegras!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Arquiba lança os 'Dez Mais' e Roberto Porto escreve mais um


Ilustre botafoguense, o jornalista Paulo Marcelo Sampaio lançou na segunda-feira passada o livro Os Dez Mais do Botafogo, na Saraiva do Botafogo Praia Shopping. Paulo Marcelo também assina o blog Arquiba Botafogo.

Na mesma noite, Roberto Porto, mestre do jornalismo esportivo nacional e botafoguense que dispensa apresentações, lança mais um livro, Botafogo: o Glorioso, na Saraiva do Rio-Sul.

O Biriba recomenda a leitura de ambos, além de visitas regulares aos respectivos blogs.

Parabéns, Paulo Marcelo e Roberto Porto e muito sucesso com os livros!

Nota 1: Os diretores de marketing das editoras Maquinária e Leitura 'acertaram' a(s) data(s) de lançamento pra confundir ou pra complicar?

Nota 10: O Gil foi aos dois eventos. Sabe-se lá como, mas nosso grande amigo conseguiu estar presente nos dois lugares e as fotos que seguem são provas da façanha. Salve, Gil! Bufalo Gil?



Saudações alvinegras!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A estrela de Jóbson


Um jogo com cinco gols não pode ser considerado um espetáculo feio. Isso não implica em que eu ache que foi uma bela partida. Mas um jogo que vencemos o líder do campeonato, de revirada e com um ‘gol de artilheiro’ aos 45 do segundo tempo, mesmo não sendo uma linda partida, com certeza foi um jogo ótimo de se ver.

O sol de rachar o crânio com certeza massacrou quem esteve em campo e vale relevar uma aparente 'moleza' aqui e ali.

As tramas de ataque botafoguenses não se mostraram muito claras e as são-paulinas foram barradas pelo meio-de-campo e defesa alvinegros. Acho que as condições climáticas extremas contribuíram para que todos tivessem o desempenho individual comprometido.

O dois gols são-paulinos resultaram de falhas defensivas, enquanto os nossos foram fruto de jogadas individuais. Ou seja, nossa defesa continua um fiasco e nosso ataque depende do brilho de algum jogador.

Do lado alvinegro um dos destaques negativos foi Wellington, que em todas as jogadas contra Washington deixou seu marcador proteger a bola e virar. No segundo tempo isso aconteceu duas vezes em uma mesma jogada. No lance do primeiro gol ficou prostrado olhando o são-paulino cabecear livremente e, no segundo, ficou dançando com os bracinhos para o alto, como se dançasse ao som de um trio-elétrico.

Outro ponto negativo de nossa equipe foi Fahel, inexplicável existência no meio futebolístico. Roubou algumas bolas, mas por descuido adversário. Sua completa falta de noção tática e visão de jogo compromete a todos. No primeiro gol sofrido não marcava ninguém. Vaga a esmo durante o desenrolar da jogada e nem mesmo se aproxima de Marlos, quando este perde o lance. Sua má leitura do jogo, em conjunto com Reinaldo, deixou Junior Cesar livre para fazer o cruzamento. No segundo gol, não se desloca para o lance crítico, não ‘cola’ em Hernanes – que estava na entrada da área –, em suma, nada faz.

Junte-se a estes Alessandro, Juninho, Lucio Flavio e Reinaldo. Em ordem: por não se empenhar 200%, sendo que é a única qualidade que tem; por serem os dois amarelões que sempre serão; por ser a empulhação do ano (com o risco de uma renovação de contrato).

Leandro Guerreiro, apesar de cumprir muito bem a função de anular a origem das jogadas adversárias, mostrou-se, como sempre, deficiente nos momentos decisivos, afrouxando o combate numa jogada claramente perigosa, e que resultou no segundo gol do São Paulo.

De bom, além do empenho de todo o grupo – com destaque para de Leandro Guerreiro neste quesito –, a boa disposição tática de Diego e Renato deu consistência ao meio-de-campo, mesmo que tenham errado algumas jogadas (Renato mais do que Diego).

Jefferson continua sendo nossa garantia defensiva (uma defesa incrível), mas Jóbson foi o herói da partida. A torcida já estava fazendo muxoxo depois do atacante perder alguns lances – ai, ai, ai, torcida. Mas, frente à inexistência de tramas ofensivas, suas jogadas individuais eram o que nos restava, além de parecer ser o que o treinador estipulou para ele.

De uma ‘sobra’ deu início à jogada que resultou num golaço. Envolveu o marcador e ainda aproveitou o rebote – sorte nossa que Victor Simões fechou os olhos e errou a bola –, deixando Renato livre para marcar. No terceiro gol fez o que um ‘artilheiro’, um ‘matador’, um legítimo ‘homem-gol’ deve fazer e deixou Miranda um pouco mais distante da Copa e o Botafogo um pouco mais próximo da salvação.

Ganhamos com a raça e com o brilho da estrela de Jóbson. Salve, Jóbson!


Gol da vitória aos 45 pode levar à morte, mas aos 48 morreria feliz da vida

Nos dias que antecederam a partida de domingo estive à cata de um meio para ir ao jogo, mas não conseguia nada. Já estava psicologicamente preparado para enfrentar ônibus e trem, munido de um par de muletas. (Para quem não frequenta o blog, explico que estou me recuperando de uma fratura na perna).

Andar com muletas pode ser doloroso e, dependendo da distância, uma tortura passo a passo. A disposição para enfrentar ônibus e trem e mais a caminhada, deixava a coisa toda com jeito de ideia de maluco, mas enfiei na cabeça que tinha que ir àquele jogo.

Já tinha despistado as pessoas de casa dizendo que ia assistir ao jogo na casa de uns amigos, quando às duas da tarde toca o telefone. O sobrinho de um amigo – que estava tentando conseguir uma vaga numa dessas vans – ligou dizendo que alguém havia desistido e que eu tinha meia hora para me arrumar. Voei para o ponto de encontro e parti para o Engenhão com uma galera de jovens botafoguenses, gente muito boa.

Já no estádio, o pessoal se dispersou. A maioria ia para o setor Inferior Leste e eu queria ir lá para cima, me encontrar com o amigo Gil. Mas o elevador estava parado (!!!).

Fiquei um tempo olhando as rampas e concluí que enfrentar a subida seria heroísmo demais. Dei um jeito de me deixarem ficar lá por baixo, me esgueirando do sol no espaço reservado aos cadeirantes.

Vi o primeiro golaço do Jóbson meio que por baixo do braço de um feliz torcedor, que estava de pé, involuntariamente ‘quase’ na minha frente. Na emoção do gol, me levanto de supetão e a muleta crava no pé do sujeito, ‘quase’ involuntariamente.

Assisti ao time recuar, ao juiz acrescentar o tempo exato necessário para que o São Paulo empatasse, tendo ao meu lado um sessentão botafoguense, gente boníssima, que detestava Juninho, Alessandro, Lucio Flavio, Renato e Reinaldo, e que só gostava do Jefferson, do Diego e do Jóbson. Achei tudo muito estranho e troquei de lugar para o segundo tempo.

Fiquei no sol mesmo, porque a sombra estava descendo, ficava mais perto para xingar o Rogério Ceni (faz parte do jogo) e não gosto de proximidade com torcida alheia.

A virada veio como uma facada, mas por algum motivo eu estava muito confiante. Tinham uns flamenguistas por perto (meu ‘sensor alvinegro’ tem dessas coisas) e, por algum outro motivo, isso também parecia um bom sinal.

No meio da confusão da jogada que levou ao gol de empate eu já estava com as muletas pro alto e gritei 'gol!' antes do Renato enfiar a cabeça na bola. Passei mal com o pulo de uma perna só e voltei rápido para a cadeira, restabelecendo os sentidos.

Achava que dava para ganharmos a partida. O São Paulo perdia ótimas chances, estava com um jogador a menos, mas nossas jogadas pareciam confusas. Foi quando Juninho deu um carrinho digno de um troglodita lobotomizado, que me veio a certeza como um raio: a vitória era certa. (É bom registrar que isto não é do meu feitio).

Quando a bola sobrou para o Jóbson no mano a mano com Miranda, àquela altura do jogo, o gol não podia esperar pelo próximo lance. O herói da tarde deixou o zagueiro ‘de seleção’ dançando tipo um ‘cartoon’ e estufou a rede! Explosão total, Engenhão roncando no último volume, vdo no vermelho. Revirada! E a torcida com a expressão que deveria ser a de sempre.

Voltando à van, um camarada botafoguense, o único quarentão como eu, confessou que passou mal e teve que se deitar por um tempo, quando o juiz soprou o apito final. Contei a ele que minha pressão baixou na comemoração do gol de empate. Conversamos sobre jogadores dos anos 70 e concordamos que já estávamos numa idade perigosa para emoções muito fortes.

É certo que a carcaça já não aguenta o mesmo tranco, mas morrer ganhando é melhor.

Saudações alvinegras!

PS: Acho que o pessoal da van me considera um pé-quente, mas, pra mim, sorte é estar bem acompanhado. Salve, o transporte solidário!

(Arte 'covertida para o preto e branco': Kevin Whitlark)


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Seremos roubados ou prejudicados?

(Onde está o Wally, quer dizer, o São Paulo?)

Não é pessimismo, não é masoquismo e também não tem nada a ver com alguma disposição premonitória estrassensorial: é uma constatação simples, sem nenhuma complexidade em sua elaboração, resultado da análise dos fatos.

Os fatos são que o São Paulo está defendendo a liderança, é o time do apito há muito tempo – o próprio Botafogo durante anos vem sofrendo com o time queridinho das arbitragens delinquentes –, e não seria justamente num momento crucial como este, que as coisas mudariam de figura.

O Barueiri e o Santo André já foram vítimas das garras da máfia paulistana do apito, que já fez o próprio Corínthians virar carne de espeto – isto porque o também queridão dos prestidigitadores arbitrais já estava fora do páreo. (Somente citando exemplos do segundo turno).

Dito isto, gostaria agora de revelar os sete procedimentos que o Botafogo será obrigado a fazer para ganhar a partida de domingo. Segue a receita:

1) O Botafogo terá que marcar no mínimo três gols;
2) Os gols terão que sair de jogadas com a bola rolando ou Juninho terá que acertar chutes de 40 metros de distância, porque nesta partida, pontapé em jogador do Botafogo perto da área tricolete será ‘lance de jogo’*;
3) Não reclamar de faltas invertidas, de jogadas violentas e jamais de pênaltis claros a nosso favor, pois quem der um pio levará cartão amarelo de primeira e na oportunidade seguinte será expulso ‘justamente’*;
4) Teremos que cometer faltas antes da intermediária de defesa, porque na partida de domingo, coceira em são-paulino é falta e espirrar dentro da área é pênalti ‘indiscutível’*;
5) Sugiro que, além dos pés, marquemos também as mãos dos adversários, porque a máfia do apito já está ‘reciclando’ seus comparsas através de vídeo-conferências, nas quais os adeptos da cleptomania arbitral têm a oportunidade de aprender com expertises em maracutaias internacionais a interpretar ‘bola ajeitada com a mão’ – sendo do ‘time-da-casa’, no caso o São Paulo, é claro –, como sendo ‘lance duvidoso’* ou ‘não-intencional’*.
6) Uma extensão da sugestão acima é que façamos a bola chegar até ao fundo das redes de forma violenta, para que balancem visivelmente – de preferência com um chutão já dentro do gol, daqueles de estufar de vez –, porque já fez parte do curso de larápios o tópico que explica a não marcação de gol em bola que entra meio metro – como no caso da final entre Suíça e Nigéria;
7) Perto do final da partida, quando o Botafogo estiver em vantagem no placar, a atenção deverá ser triplicada, porque o jogo não acabará antes dos 52 minutos do segundo tempo.

Se seguirmos esta receita, a vitória virá fácil, fácil.

* Expressões utilizadas pelos formadores de quadrilha, quer dizer, de opinião, da flapress.

Saudações alvinegras!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Pássaro que não voa

(Raphus cucullatus: dodô da Macedônia)

O Raphus cucullatus (vulgarmente conhecido como 'pássaro dodô') era uma espécie de ave que habitava o arquipélago das Ilhas Maurício, e que foi extinta lá pelos idos do século XVII. Pouco se sabe sobre este animal, os relatos sobre suas atividades são escassos e fragmentados.

Mas através de resquícios de manuscritos dos holandeses que por ali perambularam à cata de ébano, desconfia-se que se tratava de uma ave simpática, porém, estúpida, dada a voos de carreira curta, sendo que a maioria dos ornitólogos refutam esta especulação, e acreditam que fosse totalmente incapaz de fazer bom uso das asas que possuía, não voando coisíssima nenhuma.

As causas de sua extinção foram durante longo tempo motivo de discórdia entre os estudiosos, que se dividiam entre duas correntes: uns acreditavam que algum tipo de evolução genética obtusa tenha lhe encurtado a visão, levando a misteriosa criatura a migrar durante temporadas menos propícias, e com o agravante de seguir a paragens reconhecidamente áridas; outros creem que a falta de espírito gregário da singular e individualista ave a tenha levado ao ostracismo, por semear a desunião em meio a seus pares.

Seja uma tese ou a outra a que melhor se fundamenta para nos dar a explicação mais plausível para o desaparecimento da peculiar avezinha, ambas foram sepultadas no momento em que dois grandes, ou melhor, enormes exploradores do começo do século XXI, resgataram um exemplar da espécie, tida como extinta por mais de três séculos. A descoberta, estupefaciante por natureza, está sendo ofuscada pela tentativa dos eméritos – e, quem sabe, em curto tempo, beneméritos – desbravadores de transladar o velho dodô para a enseada de Botafogo, para espanto da imensa maioria da comunidade científica, que considera tal operação estrambótica, levando-se em conta a mudança para um ambiente impróprio para seres de pouca envergadura e, principalmente, a idade avançada da criatura.

Salve, salve, oh grandes exploradores! Sua obra é de enorme consequência! Seus feitos hão de deixar marcas no caminho, como o que restou entre as pegadas, no rastro das tropas que cruzavam a Estrada Real da Cachaça!

Saudações alvinegras!

domingo, 15 de novembro de 2009

Quem mandou não ter câmera...

(Câmera Biokam, de 1899)

A data de hoje representa oficialmente a instauração da República no Brasil. Para mim e pro Biriba, o ideal republicano nunca chegou às bandas de cá e seria melhor que o Sr. Pedro de Alcântara continuasse por aqui sua chefia de Estado, com a notória disposição cosmopolita que fez dele um homem respeitado nos meios acadêmicos, culturais e científicos. Foi-se, com a família, obrigado a viver na França, onde o cosmopolitismo não dependia dele nem um pouco.

Não sou monarquista, mas lamento que tenha nos sobrado os militares, a aristocracia café-com-leite e os agregados da corte plebeia. Com eles, o ideal republicano foi rapidamente posto pra escanteio e iniciaram-se os processos de instauração da imoralidade na gestão pública e do afastamento das correntes progressistas do século passado, que inibiram nosso desenvolvimento científico e cultural, coisas pelas quais o velho Pedro II tinha grande estima.

E nos deixaram sem a fotografia. Pois o imperador Pedro era um entusiasta das novas tecnologias, tanto que correu para adquirir o primeiro instrumento fotográfico fabricado para o consumo público, o daguerreótipo, tão logo o velho Daguerre o colocou a disposição dos ricos. Se nosso acervo fotográfico do século XIX é notável, nossa passagem pelo século XX é muito mal documentada.

Imagino que se os barões do café e seus capangas militares tivessem simplesmente afastado o velho imperador para sua mansãozinha em Petrópolis, longe das atividades políticas da capital, talvez Dom Pedro usasse o ócio da aposentadoria forçada para intensificar sua correspondência com os círculos científicos da época, como era do seu feitio, e não tardaria em comprar a primeira câmera cinematográfica que surgisse e, em seguida, a segunda e por aí em diante.

Por herança, quem sabe um dos Bragança ou um amigo, uma amiga, não teria se entusiasmado com a coisa e saído por aí filmando tudo o que se mexesse à frente de suas vistas.

É bem provável que se o marechal não tivesse se metido a garantir sua honra burocrática, seu poderzinho de caserna, nós poderíamos assistir a imagens de Paulo Azeredo, ainda menino, catando bolas pra Flávio Ramos e seus camaradas, nas ‘peladas’ do Largo dos Leões.

Quem sabe teríamos tantas câmeras e tantos ‘curiosos’, que seria possível assistir aos gols de Carvalho Leite, às ‘pedradas’ de Perácio ou, pros adeptos da capa-e-espada, à briga antológica de Abelardo de Lamare.

Aliviaria o sofrimento por sermos obrigados a conviver com a indolência de Juninho e Lucio Flavio, a inoperância de Fahel, Leo Silva, Renato e Reinaldo, e o absurdo que o futebol de Victor Simões representa.

Saudações alvinegras!

Método confuso

(Bobos da corte em manuscrito do século XII - BBC Hulton Picture Library)

Em homenagem ao Quinze de Novembro, destaco um trecho retirado do livro ‘História do Brasil pelo método confuso’, de Mendes Fradique.





Saudações alvinegras!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ganhar todas as divididas

"Apesar da elasticidade, chamar o Diego de Van Damme só podia ser frescura do Victor Simões, mesmo." (Biriba)

“O Diego é assim mesmo. Com ele não tem coletivo ou rachão.” (Estevam Soares, em entrevista ao Globoesporte.com).

Pra quem vem penando faz tempo com zagueiros que perdem divididas, que não se empenham nos treinos e nem mesmo durante as partidas, a vinda de Diego é um alívio.

O cara chegou desacreditado e com motivos de sobra para isso. Era reserva no Barueri e vinha para jogar improvisado; a torcida já estava mais do que desconfiada das contratações de desconhecidos e indicações de técnicos, sendo que estas últimas ainda foram agravadas com a chegada do ‘quase em tudo’ Ricardinho, do ‘sabe-se-lá-quem-é-esse’ Marquinhos e do Rodrigo Fuska-Paulista. Tudo nos induzia a crer que fosse mais um pereba para se juntar ao circo dos horrores do Dr. Ney Frank.

Para a alegria dos botafoguenses, Diego demonstrou ser um sujeito que joga sério e que se empenha até o último minuto dos jogos. É inteligente, entende suas funções táticas e responde bem à variação dos momentos das partidas. Mesmo não possuindo uma técnica apurada, tem sido uma excelente opção de ataque por ser esperto, impetuoso e oportunista, além de ter uma boa visão de jogo. Participou de oito partidas desempenhando função defensiva e recebeu somente um cartão amarelo.

Por essas e outras*, acredito que Diego devia ser contratado para 2010, COM multa rescisória intimidadora.

O jogador complementa: “Eu sou zagueiro de origem e quero ganhar todas as divididas”.

Valeu, Diego! Que os moloides te ouçam!

Saudações alvinegras!

* Não é jogador do Eduardo Uran, da Traffic, da Ability; não jogou com Adriano nas divisões de base do Flamengo; tem mais de 23 anos, ou seja, não serve para que a MFD nos ferre.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Coração pequeno


A faixa de protesto, "Lucio Flavio e Juninho, fora amarelões!", parece ter prazo de validade com duração de uma só partida. Passado o efeito, a dupla de ‘amarelões’ incorrigíveis volta à sua habitual letargia, como pôde ser verificado no jogo em que fomos eliminados pelo Cerro Porteño.

Mas pra tudo nessa vida há uma solução.

Já escrevi – concordando com uma tese do amigo Alberto – que considerava a Copa Sul-Americana deste ano um grande problema para o Botafogo, pois andávamos mal no Brasileiro e, dividindo esforços entre duas competições, poderíamos prejudicar nosso desempenho no campeonato mais importante do país.

Engano meu. Na verdade, seria do interesse dos torcedores alvinegros – não da diretoria e da torcida paga, que pouco se importam se ganhamos ou perdemos – que tivéssemos partidas decisivas de outras competições intercaladas aos jogos do Brasileirão. Seria uma forma dos eternos perdedores se aliviarem de sua ânsia pelo gosto do fracasso, saciarem sua sede de derrota e disputarem a partida seguinte com o coração pequeno em paz e com o ânimo renovado.

Uma eliminaçãozinha no meio da semana a cada rodada me deixaria tranquilo, na certeza de que os molengas jogariam com raça, e que até o Lucio Flavio perderia o medo de enfiar o pé na bola, como manda a cartilha dos que tem sangue nas veias e é o que demanda o número da camisa com a qual permitem que o trivial jogador entre em campo.

Saudações alvinegras!

PS: Análises sobre o jogo de domingo em: Cantinho Botafoguense, Fogo Eterno, Mundo Botafogo/ Estrela Solitária e snoopy em preto e branco.

Prometido e cumprido: Uma lição para a diretoria alvinegra


O blogueiro botafoguense, Fernando Gonzaga, passou as duas últimas semanas deixando os amigos frequentadores de seu blog na espera, mas é homem de palavra. Prometeu que ia entrevistar Túlio Maravilha e cumpriu a promessa. Confira o resultado de sua façanha: “Finalmente, a entrevista com Túlio Maravilha”

Saudações alvinegras!

MCR convoca

(Recorte sobre foto de Alexandre Cassiano)

Hoje, o Movimento Carlito Rocha (MCR) está promovendo uma REUNIÃO ABERTA para que torcedores botafoguenses discutam, primeiramente e em regime de urgência, sobre as ações lesivas aos interesses do clube que estão sendo tomadas pela atual diretoria em relação à exploração comercial do Estádio João Havelange, o Engenhão.

É uma data que pode representar a inauguração de uma experiência inédita na história do Botafogo FR e do próprio futebol carioca. Está sendo proposto que torcedores se unam para a formação de um pacto de luta organizada em oposição às ações político-administrativas que estão levando nosso clube de coração a um processo de encolhimento. Este processo, se não interrompido, levaria à consequente exclusão do BFR do conjunto de grandes clubes do futebol brasileiro, o que representaria sua extinção.

Faz-se indispensável e urgente a participação de todos os alvinegros que percebem o Botafogo de Futebol e Regatas como um clube merecedor de glórias e conquistas, com um passado brilhante e um futuro promissor, e que não admitem que esta instituição seja vilipendiada em consequência de interesses externos, apoiados por uma administração incompetente e irresponsável. Seja participando ativamente das discussões ou demonstrando apoio através de suas presenças, o importante é que os torcedores botafoguenses atendam ao chamado daqueles que lutam para garantir ao nosso clube de coração a grandeza que muitos tentam subtrair. Juntemo-nos para fortalecer esta manifestação de legítimo compromisso com a defesa dos interesses do Glorioso.

Serviço:
Sindicato dos Bancários
Avenida Presidente Vargas 502, 21º andar, Centro
Data: 9/11/2009
Horário: 19h
Link: http://www.movimentocarlitorocha.com/2009/11/reuniao-aberta-do-mcr-hoje.html

Saudações alvinegras!

domingo, 8 de novembro de 2009

In Jefferson we trust!


O Botafogo sempre joga mal quando é obrigado a tomar a iniciativa nas partidas, tendo como única exceção a esta regra, neste campeonato, o último jogo contra o Atlético Mineiro. Como nosso* ataque é inofensivo e o setor de criação está entregue aos cuidados da nulidade futebolística que atende pelo nome de Lucio Flavio, o melhor é se encolher – postura que Lucio conhece muito bem – e torcer para que o pusilânime, ególatra, sonso e lerdo Juninho, o Capitão Penico, faça um gol de falta. Qualquer coisa que fuja a este modelo será obra do acaso.

Minha convicção com relação a isso aumenta ao saber que corremos o risco de que o ilusionista Victor Simões – o homem que transforma material esportivo em material de construção – pode ser escalado e ficar por ali ciscando, se esforçando para alterar o formato da bola e atrapalhar Reinaldo, na hora que o 'craque' tentar carimbar o goleiro, como é o costume de ambos.

Somado a estas várias limitações, o talentoso rubronegro Jônatas será obrigado a assistir – sem dar um pio, porque se reclamar apanha – à subtração de seu quinhão na meia cancha pelo indolente, omisso, arrogante, amiguinho pessoal do indescritível vice Silva e protegido de Marcio ‘Punhos de Aço’ Touson, Lucio Flavio.

Alessandro será sempre motivo de assombro, Leandro Guerreiro está à meia-bomba, Renato é atleticano e o soldado Wellington se juntou a um grupo de desertores.

A esperança está nas mãos de Jefferson, apesar de que a estatueta de nosso herói – que encomendei a um artesão especializado em esculturas feitas com aglomerado de arruda – ainda não tenha ficado pronta. Mas, mesmo assim, in Jefferson we trust!

Que minha análise dê errado, que minha língua se junte ao borralho, que o time dê um passeio no Coritiba, que vocês zombem de mim no final. Afinal, sou botafoguense e o que importa, neste momento, é a vitória.

Nota: A esperança extra recairia sobre Diego – um jogador que sofre pênalti muito bem –, mas como a reza para que o cobrador converta deveria ter começado conjuntamente a um jejum, a partir das seis da tarde de sexta-feira, esta opção não conta.

Saudações alvinegras!

* Entende-se por ‘nosso’, algo ‘que nos pertence’. Mas como o presidente Assumpção considera a concessão do Engenhão um direito conquistado pelo Botafogo para ser usufruído de graça por outros clubes, o significado da palavra ‘nosso’ sofre uma alteração radical quando associada ao clube de General Severiano, que naturalmente tem sua imagem misturada à figura do presidente, para nossa infelicidade.

No presente caso, ‘nosso ataque’ pode significar outra coisa, como, por exemplo, ‘ataque flamenguista’.

Assumpção poderia ser mais tímido, limitando-se a nos envergonhar somente por presidir nosso clube de coração, deixando de lado sua investida no campo da semântica.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Política Concreta


O Botafogo do Biriba faz sete meses de existência e não poderia ser presenteado de forma mais... Difícil adjetivar. O que segue é simples e autoexplicativo.

- Obrigado, pessoal!
- Tá querendo aparecer? Eu já agradeci.
- Não agradeceu, não.
- Foi como se tivesse agradecido.
- Tudo bem então. Mas eu não posso agradecer também, não?
- Pode, cara, mas o post é sobre uma reunião do MCR e você tá deturpando...
- É, tão sempre dizendo que eu me comporto que nem um animal!
- Mas você é u...
- Tá falando o quê, Luiz? Vai me chamar de cachorro também?
- Não, eu ia dizer q...
- Vai! Fala o que tava pensado!
- Não é nad...
- Nada o quê?
- É que você é um... que você é um amigo e...
- Para com isso, rapaz!
- Desculpa se eu... eu não queria...
- Rá! Te peguei gaguejando.
- Qual é, Biriba! Todo mundo vendo isso...
- Vendo o quê? Você catando eufemismo pra me chamar de 'cachorro'?
- Não é bem assim...
- Gente, esquece esse cara. O Luiz tem mania de chamar cachorro de cão. Tremenda cachorrada!
- Eu não te chamei de cão...
- Mas pensou, cachorrão!

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1ª reunião aberta do MCR na segunda, dia 09/11 Pessoal, na segunda-feira às 19h, o Movimento Carlito Rocha realizará uma reunião aberta com toda a torcida para discutir os rumos do Botafogo de Futebol e Regatas. Todos estão convidados. A reunião será na sede do Sindicato dos Bancários, na Avenida Presidente Vargas 502, 21º andar. Não é necessário ser associado ao clube para participar. ____________________________


Saudações alvinegras!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Se queriam mesmo vencer, não sei, mas sei que fui enganado


O primeiro tempo do jogo de ontem me fez lembrar a segunda partida das finais do Carioca de 2007. Naquela ocasião o time passou toda a primeira etapa tocando a bola de um lado a outro de forma acanhada e claudicante, como se o empate fosse um bom resultado. Desta vez não foi muito diferente disso até o cronômetro passar dos 40 minutos, quando a equipe assumiu outra postura, mostrando o ímpeto ofensivo que naturalmente se espera de um time cujo único resultado que representa sua sobrevida na competição é a vitória.

A escalação, que teoricamente remetia a uma equipe ofensiva e que supostamente buscaria o gol desde o primeiro minuto, me enganou, pois o que se viu foi um time com postura acomodada e inexplicavelmente tímida.

(Suspeitei da ‘enganação’ quando, momentos antes do início da partida, Reinaldo disse que “temos que ter equilíbrio, calma, tocar a bola e não ir pra cima de cara”, algo assim. Em suma, uma declaração bem articulada para camuflar o que no fundo não passa de ‘conversa de perdedor’. Me lembrou instantaneamente a ‘máxima’ ridícula ouvida por aí, que afirma que ‘o gol acontece naturalmente’, como se o gol fosse algo comezinho. Muito pelo contrário, o gol é o que muda a ordem natural das coisas: o gol é algo extraordinário).

Os últimos cinco minutos do primeiro tempo e o começo do segundo serviram para provar que a pasmaceira futebolística apresentada pelo Botafogo durante os 40 minutos iniciais nada mais era do que a materialização de uma vontade. Se foi uma decisão íntima ou institucional, individual ou coletiva, tomada pela comissão técnica ou pelos jogadores, isso não importa agora – talvez sirva como lição mais adiante.

O que importa saber é que a despeito do acaso futebolístico, antes mesmo que a indeterminância imposta pela vida tomasse conta da partida, uma decisão equivocada já havia contaminado a equipe com o espírito débil dos perdedores. Uma vez contagiado pelo vírus do fracasso, 45 minutos podem não ser suficientes para purificar o sangue. Da mesma forma que a desgraça de 2007 começou antes do apito inicial, ontem a equipe já entrou em campo derrotada.

O humor dos abatidos envenena o corpo e exala seu cheiro; os cães reagem a isso. Pode não ser percebido conscientemente, mas a Natureza se encarrega de sua eliminação e se expressa através da bola que não entra, do adversário que salva na linha, do gol-feito perdido, da punição inicial, do turvamento dos sentidos e do golpe fatal.

Mesmo começando a partida com jogadores sem o brilho nos olhos que carregam os verdadeiros vencedores, nossa equipe poderia ter lutado desde o primeiro minuto contra o adversário e também contra aquela deficiência incorrigível porquanto inerente. Mas preferiu o comedimento dos medíocres. Quando acordou, já era tarde e foi acachapada pelo ímpeto sanitário da Natureza.

Coisas da vida.

(foto: Ricardo Cassiano/Lancenet)

Vale destacar o fato de que o Botafogo passou 90 minutos insistindo pelo meio contra um adversário retrancado? Certo que sim. Faça uma visita ao Cantinho Botafoguense. Está lá.

Vale comentar que Fahel é uma nulidade perdida em campo e ainda é o ‘homem de referência no sistema defensivo’? Vale, sim. Leia sobre isso no Fogo Eterno.

Vale dizer que o técnico é refém de uma panelinha de intocáveis que tomou General Severiano de assalto? Claro que sim. O blog do Movimento Carlito Rocha fala sobre esta mazela.

Vale lembrar que atuamos mal quando precisamos tomar a iniciativa do jogo? Sim, sim. O Mundo Botafogo/Estrela Solitária fala sobre isso aqui e também nesta outra postagem.

Vale falar sobre a falta de inteligência de nossos jogadores? Lógico! Está lá no snoopy em preto e branco.

Saudações alvinegras!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Ao ataque!


A escalação divulgada leva a crer que o técnico Estevam Soares vai pro tudo ou nada contra o Cerro Porteño: vamos com Jefferson, Alessandro, Juninho, Diego e Gabriel; Fahel, Jônatas, Lúcio Flávio e Renato; Reinaldo e André Lima.

A zaga ganhou força e explosão com a escalação de Diego – que substitui Wellington –, mas perdeu em estatura. Se Diego não tiver uma impulsão quase à Daniel Passarela, estaremos vulneráveis ao jogo aéreo, já que não há faixa de protesto na torcida que dê jeito na deficiência de Juninho em jogadas pelo alto. (Qual é o problema com o Teco?).

Se Alessandro normalmente não tem cobertura, o que será daquele setor do campo sem Leandro Guerreiro? E o que será da proteção à zaga, se Fahel será nosso único volante, uma vez que Jônatas como defensor é o mesmo que nada? É bom lembrar que o Cerro tem jogadores habilidosos, que exploram bem o trecho entre a intermediária e a meia-lua.

Ao chegar ao Gabriel já saímos da defesa e estamos reforçando o poder ofensivo, já que o nosso/deles – do Botafogo e do Fundo – jovem talento é um ala, que praticamente não conta como peça defensiva, a não ser em jogadas aéreas.

A escalação de Jônatas, Lúcio Flávio e Reinaldo indica uma tendência a reforçar o setor de criação. Parece que Estevam joga suas fichas no conceito de que a melhor defesa é o ataque, o que é perigoso. Mas sua coragem poderá ser louvada – tudo depende do resultado.

A presença de Renato no time, jogador com retrospecto razoavelmente positivo em jogadas aéreas, me leva a arriscar o palpite de que uma grande quantidade de bolas serão alçadas à área, explorando o cabeceio do atleticano, de Reinaldo e de André Lima. Resta saber quem vai cruzar essas bolas.

Considero esperta a decisão de Estevam em deixar Jóbson como opção para o segundo tempo, contando com a movimentação e velocidade do atacante, associadas ao provável desgaste da equipe visitante.

Enquanto a ‘linha’ de defesa está teoricamente enfraquecida, atrás dela temos o Jefferson. Acho que Estevam conta com nosso craque do gol para cortar bolas levantadas na área, chutes por cima, por baixo e pelos lados. Na verdade, todos estamos contando com isso. Salve, Jefferson!

Se a intenção de Estevam é nos matar do coração, escolheu a torcida errada. “O Botafoguense é, antes de tudo, um forte.” (Euclides ‘Alvinegro’ da Cunha).

Saudações alvinegras!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Falácia pouca não é bobagem

(Imagem: djustino)

Ao final da partida de ontem, algum assessor de imprensa ou um amigo pessoal que viajou com a comissão técnica e que tem permissão para dar palpites, soprou no ouvido do presidente Assumpção e de seu vice de futebol que fossem dar entrevistas a um repórter da Band, que devia estar por ali dando sopa, enchendo linguiça para tapar buraco na grade de programação.

Assumpção, declarou o seguinte: “Os jogadores têm demonstrado atitude no dia-a-dia. Esse fator é o que faz a diferença nesse momento decisivo. Eles têm um comprometimento grande com o Botafogo e me deixam muito confiante em uma permanência na 1º Divisão.”

Ora bolas, por que não fizeram isso desde o começo? Por que esperar o enxovalhamento do escudo do clube para então reagir e se comportar dignamente, tendo à disposição a competição mais importante do país como oportunidade de demonstrar sua galhardia e comprometimento? Não engulo esse blá-blá-blá.

Em seguida, ao se referir ao fato dos jogadores cantarem o hino do clube no vestiário após a partida, disse: “Nunca vi isso antes”. Também pudera, não é do ramo. Nunca trabalhou em um clube de futebol profissional ou mesmo teve atuação expressiva dentro do Botafogo, como torcedor, que o fosse. Que experiência teria ele para saber dessas coisas?

Falando ao repórter, em meio a declarações naturalmente entusiasmadas, o vice Silva pediu à torcida que não vaiasse o time ‘no começo do jogo’.

Confesso que as vaias da torcida no começo das partidas me irritam também, já comentei sobre isso aqui no blog. Mas uma coisa é um torcedor, que é o meu caso, pedir à minha própria torcida, nossa torcida, que dê uma ‘aliviada’, que não pegue pesado logo de início, evitando fazer do Engenhão um quintal do adversário. Esse não é o caso do vice Silva.

Como responsável direto pela montagem do plantel de um time que se arrastou por toda a competição na parte baixa da tabela, creio que o vice de futebol não tenha o direito de pedir absolutamente nada à torcida. Se preferiu dar lugar a amigos pessoais e indicados de parceiros não confiáveis ao invés de montar uma equipe competitiva que honrasse as cores do clube e que fosse motivo de alegria para os torcedores, então que mantenha a compostura e evite a visibilidade e o exagero. Até porque só aparece nos momentos vitoriosos, da mesma forma que o presidente Assumpção.

Um pouco de comedimento poderia também evitar que seu arroubo midiático me fizesse passar pelo constrangimento de ver o repórter dizer, após nosso vice se afastar da câmera: “Esse foi o André... André, o... dirigente do Botafogo que...”

Que se agarrem ao comprometimento e ao empenho, e que se desapeguem do falatório.

Saudações alvinegras!

PS: Dos jogadores ‘titulares’ – salvo os que chegaram depois da janela de transferência –, Leandro Guerreiro, Alessandro e os goleiros são as únicas exceções à regra, que foi a de completa falta de comprometimento com o clube. Esta postura nos conduziu à situação em que nos encontramos no momento, postura esta que parece ter sofrido uma salutar e providencial mudança radical. Que perdure até a última rodada.

(Clique na imagem para melhor visualizá-la)

domingo, 1 de novembro de 2009

A Parede


Jogo confuso, difícil de analisar. Vou deixar o trabalho de destrinchar o emaranhado futebolístico que foi essa partida a cargo de parceiros blogueiros. Estão nos links que seguem: Cantinho Botafoguense, Fogo Eterno, Mundo Botafogo/Estrela Solitária e snoopy em preto e branco.

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Acredito que a partida tenha demonstrado que o maior mérito de Estevam Soares foi despertar nos jogadores um espírito de luta que andava adormecido durante a gestão de seu antecessor.

Mas não se resume a isso a contribuição de nosso atual treinador. Os gritos na lateral do campo também funcionam, porque mesmo sendo obrigado a escalar a dupla Fahel – que fez um pênalti – e Leo Silva – que quase caiu na tentação por duas vezes, mas conseguiu se conter e não fazer pênaltis, além de jogar bem; a vida tem seus mistérios –, conseguiu, aos berros, fazer seu time manter uma certa tranquilidade ao retomar a posse de bola e tocá-la no campo de defesa, quando os jogadores mostravam já estar na iminência de dar um chutão pra frente. Parece que os berros de Estevam fazem parte da equipe e que os jogadores que temos só funcionam no grito.

Se faltou inteligência e saúde a André Lima, sobrou empenho à equipe e sorte ao Botafogo, que conseguiu segurar o ímpeto colorado até o final.

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Mas o que realmente me levou a escrever hoje, no mesmo dia da partida – que não é do meu feitio –, foi a vontade de declarar meu voto para melhor goleiro do campeonato ao Jefferson. É a forma que encontro para agradecê-lo por estar ao lado do Botafogo ou, mais precisamente, garantindo a retaguarda.

São Jefferson, A Parede, Campo de Força, O Coisa... Chamem do jeito que quiserem e seja lá como for, não será exagero.

Jefferson é a única presença extraordinária no elenco desde a saída de Maicosuel. E arrisco dizer que se Jefferson estivesse presente, não teríamos perdido três títulos consecutivos. Porque mesmo com vários outros elementos desfavoráveis, nas finais do estadual um fator importante, e que desnivelou a balança, foi a enorme desigualdade entre os goleiros.

Que Jefferson fique pra sempre entre nós. E que o presidente Assumpção guarde um agradecimento individual e lágrimas exclusivas para Jefferson, que está sendo muito mais importante para nossa salvação da degola do que qualquer outra peça do elenco. Justiça seja feita.

Saudações alvinegras!